Os principais métodos de combate hoje utilizados contra a dengue e a febre amarela são ineficazes. Algumas trazem o risco de produzir vítimas no processo de tentar proteger a saúde das pessoas. Outras podem causar grandes impactos ambientais. É lastimável que se insista em estratégias ineficazes ou que tragam riscos desnecessários quando há alternativas tecnológicas eficazes e seguras que poderiam resolver o problema sem riscos – ainda que pareçam um tanto exóticas. 

mosquito

Vejamos quais são as estratégias tradicionais e por que elas não são as mais recomendáveis.

Campanhas de erradicação dos focos de reprodução dos mosquitos não funcionam. Por dois motivos:

1°) Nenhuma campanha de conscientização é 100% eficiente. Sempre haverá residências em que os focos de reprodução dos mosquitos não serão eliminados. Portanto, acreditar que a mobilização popular ajudará a resolver esse problema é pura ilusão.

2°) Nem todo foco de reprodução de mosquitos é acessível ou gerenciável. Portanto, mesmo que 100% da população fosse “conscientizada” isso não se refletiria em ação eficaz.

Campanhas de erradicação dos mosquitos com uso de inseticida não funcionam. Por dois motivos:

1°) Populações de insetos adquirem resistência a venenos rapidamente. Portanto, inseticidas não podem ser a base de nenhum programa contínuo de controle populacional de insetos.

2°) A aplicação de venenos sobre as cidades traria riscos à saúde humana e vitimaria inúmeras outras espécies, destruindo o equilíbrio ecológico de grandes regiões. Portanto, haveria o risco de promover o surgimento de outras pragas.

Campanhas de vacinação não são livres de riscos e não são totalmente eficazes em curto prazo. Por dois motivos:

1°) Nenhuma campanha de conscientização é 100% eficiente. Sempre haverá quem não queira se vacinar, ou não dê importância ao tema, ou não se vacine por qualquer outro motivo. Portanto, a curva de erradicação é lenta.

2°) Vacinas sempre trazem agravos à saúde de um certo percentual da população vacinada e pode ser problemática para pacientes imunossuprimidos e imunodeficientes. Portanto, se pudermos evitar estratégias de vacinação devemos fazê-lo.

A solução não deve depender de conscientização, não deve usar venenos e deve evitar vacinas se possível. Existe solução assim? Existe.

Fábricas de Mosquitos

Leiam com atenção: esta é uma estratégia eficaz e sem riscos.

O melhor modo de acabar com a dengue e a febre amarela urbanas é produzir em grande quantidade mosquitos machos estéreis e liberá-los nas cidades.

Entenda por que e como funciona este método:

1°) O mosquito que pica os seres humanos é sempre uma fêmea fecundada.

2°) A fêmea acasala somente com um macho e enquanto tiver esperma dele armazenado ela não copula com outro.

3°) Quando a fêmea acasala com um macho estéril, ela põe ovos inviáveis.

4°) Existem técnicas para produzir somente mosquitos machos em grande quantidade em laboratório.

5°) Existem técnicas para esterilizar os mosquitos machos sem no entanto matá-los.

6°) Liberar mosquitos machos estéreis em grande quantidade nas zonas urbanas promoverá uma grande competição destes com os machos férteis do ambiente.

7°) Uma grande proporção de fêmeas irá copular com machos estéreis e deixar de produzir descendentes, reduzindo drasticamente a população de mosquitos já no prazo de uma geração após o início do uso do método, ou seja, em um mês.

8°) Mantendo constante a produção e liberação de machos estéreis no ambiente, a cada geração o contingente de machos estéreis representará um percentual maior em relação à população de mosquitos da região, promovendo uma redução ainda mais drástica.

9°) Como os machos não picam, não ocorre nenhum incômodo em função deste método, nem tampouco qualquer risco.

10°) Como o método não atua sobre as doenças e sim sobre os vetores das doenças, em poucas gerações de mosquitos – em poucos meses – é possível praticamente erradicar de uma só vez a dengue, a febre amarela e qualquer outra doença transmitida pelo mosquito, além de eliminar o incômodo dos mosquitos nas cidades.

Querem erradicar a dengue e a febre amarela urbanas?

Basta instalar Fábricas de Mosquitos das espécies vetores (Aedes aegypti e Aedes albopictus) e distribuir milhões de mosquitos machos estéreis pelas cidades. 

Atualização a 03/05/2014

Os mosquitos do gênero Culex transmitem a filariose, diversas arboviroses e outras doenças, além de causarem grande incômodo. Vale a pena colocá-los na linha de produção também. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 25/06/2009 

31 thoughts on “Como erradicar a dengue e a febre amarela urbanas!

  1. Você quer que a população entenda que criar mosquitos é uma tarefa que deve ser realizada pelos órgãos públicos, ao custo dos impostos dos contribuintes?

    Você quer que a população entenda que soltar milhões de mosquitos nas ruas serve para acabar com os mosquitos?

    Você acha que a população vai entender e aceitar rapidamente a explicação de que só o mosquito fêmea pica e que ninguém vai sair matando todos os mosquitos que aparecerem, arrasando o trabalho dos órgãos públicos?

    Você não entende mesmo por que leva tanta pedrada na internet?

    1. Sim, sim, sim, sim.

  2. Eu já tinha ouvido falar desse método, e acho até que foi experimentado (em Santos ou Praia Grande, se não me engano). Tem lógica. Nem posso dar pitaco em sentido contrário, estou num blog de biólogo e não manjo porra nenhuma do assunto.

    1. Isso significa que eu vou apanhar se falar de futebol, né? 😛

  3. Você deveria apanhar para criar juízo. Que absurdo querer criar mosquitos. O que é necessário fazer é conscientizar a população para ajudar o governo a combater os mosquitos, não criar mais mosquitos e largá-los nas cidades para incomodar ainda mais as pessoas.

    1. Ou tu não leste, ou tu não entendeste, ou só comentaste pra encher o saco. Tudo que disseste já foi respondido pelo texto original.

  4. Meus parabéns pelo texto. É um método genial para erradicar esses mosquitos; e, se eles incomodarem as pessoas, que as pessoas os matem. É muito melhor termos uma superpopulação de mosquitos (por pouco prazo) do que uma epidemia.

    1. Elvis, seria uma superpopulação de mosquitos machos estéreis, que não picam os seres humanos, portanto ninguém seria afetado.

  5. Sim, percebi. Pena que os brasileiros gostam de ser burros e acreditar em tudo que veem na TV. Na hora em que alguém (principalmente um biólogo) QUE PENSA diz a solução, acham um absurdo. (vide comentários acima)

  6. Arthur, se até testaram o método, porque não puseram em prática e erradicaram a Dengue? Daqui uns meses, Rio e Brasília vão estar aparecendo no jornal denovo.

    1. Por que ainda não erradicaram todas as doenças para as quais existe vacina?

      Por que ainda não erradicaram a extrema miséria, a fome e a sede?

      Por que se gasta milhões para receber as olimpíadas e a copa do mundo enquanto o povo morre, fica aleijado e sofre na fila do SUS?

  7. Os mosquitos liberados teriam que ser mudados periodicamente. Ou as femeas se adaptariam. Afinal as que escolhessem os machos férteis por alguma preferência qímica espalhariam seus genes. Logo teriamos gerações de mosquitas que prefeririam os machos férteis.

    1. Não necessariamente as fêmeas se adaptariam. Só se houvesse algum modo de detectar que mosquito foi irradiado e que mosquito não foi. Pouco provável que algo do gênero pudesse acontecer.

  8. Tu não tás subestimando a natureza? Bastava umazinha que detectasse alguma diferença, desde o tom do zumbido, padrão das patas, aos (mosquito tem?) feromônios, qualquer coisa, e preferisse os mosquitos férteis com aquela característica. Mosquitos não lutam pela fêmea nem oferecem conchas, mas alguma coisa devem ter que as mosquitas prefiram que afete a escolha. Ou não? Dai os (muitos) filhotes dela herdariam isso.

    Mas teria solução, variar os machos estéreis liberados periodicamente.

    1. Mas propões variar o que nestes machos estéreis? Parece-me que, se as fêmeas conseguissem identificar os que tivessem sido irradiados, toda a técnica teria que ser descartada.

  9. Realmente poderia ser um problema.

    Mas irradiações não podem causar mutações diferentes? Uma linhagem de mosquitos diferente não poderia resultar em machos estéreis diferentes da geração anterior? Femeas selecionadas pra rejeitar a anterior por algum sinal não poderiam aceitar a próxima estéril?

    1. Não se trata de causar mutações, trata-se de destruir o DNA de tal modo que torne seus gametas inviáveis. As células somáticas são mais resistentes à radiação que as gaméticas, portanto o mosquito macho irradiado permanece vivo, tenta se reproduzir e acaba comprometendo os ovos viáveis das fêmeas selvagens.

  10. Uma boa ídeia, pena que os politicos não irão aceita-la, pois a “dengue” e uma boa forma deles arrancarem dinheiro nosso. Recebem uma fortuna, desviam a metade e fazem um movimento pontual aqui é acolá, pronto justificaram os gastos.

    1. O custo da corrupção é sempre alto.

    1. Taí, estão colocando minha idéia em prática! 🙂 😀

      Mas gostei mesmo destes comentários lá:

      “Pelo menos na área de entomologia já se faz algo promissor, espero que outros estados tupiniquins ajam do mesmo modo; nesta terra de Macunaíma quem quer ser certo acaba como como um Policarpo Quaresma ou um Alonso Quixana.” (Romualdo)

      “Excelente idéia. Esse mosquito poderia inspirar os cientistas a criar parlamentares transgênicos e soltá-los em Brasília. Que beleza. Em pouco tempo estaríamos livres dessas pragas sanguessugas.” (Civan)

  11. E a Dengue voltou com tudo,infelizmente…2012!

    1. E vai voltar noutros anos também. Só será levada a sério se matar algum figurão estrangeiro durante a Copa do Mundo e isso causar o maior rebuliço na imprensa internacional.

  12. Fantástico…estou com a doença e esse método(que já ouvi falar) é inteligentíssimo!Biologicamente perfeito…pelo fato do inseto macho se alimentar de seivas e derivados vegetais.Não entendo tanta crítica! Ignorantes,uma vez que seria perfeitamente compreensivo à população tal campanha. Fizeram o mesmo com a mosca da vaca no sul do Brasil com 100 o/o de eficácia! Agora resta saber o que os laboratórios vão pensar,já que ganham fortunas com drogas paliativas e soros em pó!(o que houve com a vacina contra cárie dentária já descoberta e testada?)

    1. Salomão, fiquei impressionado com a notícia da vacina contra as cáries, que eu não conhecia! Isso vai virar artigo em breve aqui no blog!
      Visão geral do assunto: http://www.wwow.com.br/portal/revista/revista.asp?secao=3&id=10
      Resultados já obtidos: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1073972&page=1
      Pseudo-cautela a serviço do atraso: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1073972&page=2
      Amostra suficiente: http://www.webartigos.com/artigos/vacina-contra-carie-ao-alcance-de-todos/23976/
      É, meu caro, ingenuidade nossa… enquanto tratar der mais dinheiro que prevenir… pa bo enten me pala bas.

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    1. Depende. Isso é spam ou é alguém que lê português mas só escreve em inglês?

  14. Há possibilidade de tal ação desencadear um desequilíbrio ecológico em algum nível?

    1. Em áreas urbanas? Áreas urbanas já são áreas completamente modificadas.

  15. Jason Menezes

    05/05/2014 — 09:46

    Idéia fantástica. Porém, não tenho clareza da viabilidade.
    O Aedes Aegypti tem um alcance de vôo de aproximadamente 800m, e vive aproximadamente 15 dias.
    Resumindo, precisamos de muuuuito mosquito e de uma logística fantástica. Com um prazo de validade super apertado.

    1. Bem, eu não tenho dados quantitativos sobre as populações de mosquitos em áreas urbanas, mas dados aproximados devem existir para algumas áreas.

      Poderíamos fazer testes em algumas poucas cidades, liberando x mosquitos por hectare em uma, y mosquitos por hectare em outra, z mosquitos por hectare em outra, e assim determinar por tentativa e erro a quantidade necessária. Acho até que agir assim seria mais rápido e mais barato do que fazer um longo levantamento de densidades de mosquitos em áreas urbanas para então decidir as quantidades de mosquitos por hectare a serem liberadas.

      A logística não é tão complicada assim. Um carro com um soprador de mosquitos liberando uma certa quantidade de mosquitos por minuto ou por km rodado, circulando à noite segundo um roteiro bem planejado, poderia espalhar mosquitos suficientes por toda a cidade.

      Esse tipo de rota já é bem conhecido das cidades em função da coleta de lixo, que tem que passar na frente de todas as casas. A rota do carro dos mosquitos seria bem mais simples e eficiente, porque não existe a necessidade de passar em frente a todas as casas – se o mosquito voa cerca de 800 m, basta passar a pelo menos 500 m de cada casa e já é suficiente.

      O método também pode ser adaptado para reduzir as populações de mosquitos em áreas específicas onde tenha havido registro de casos de doenças transmitidas por mosquitos. Constatado um caso de dengue, por exemplo, planejaríamos a distribuição de mosquitos com carros ou paramotores em uma área com 2 ou 3 km de raio a partir do local de residência da pessoa infectada, de modo a reduzir drasticamente a presença do vetor prioritariamente nas áreas onde comprovadamente isso é mais necessário.

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