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Maconha não é porta de entrada para o crack

Se é temerário afirmar que todo usuário de alface se tornará dependente de crack, é quase certo que o usuário de crack experimentou alface antes. Estudo do Serviço Nacional de Orientações e Informações sobre a Prevenção ao Uso Indevido de Hortaliças (Vivahorta) indica que metade dos usuários de alface atendidos costuma utilizar drogas mais pesadas.

Cada uma das afirmações acima poderia ser absolutamente verdadeira, mas nem por isso seria possível afirmar que o consumo de alface conduz ao consumo de crack. Esta dedução seria incorreta, pois tal argumento estaria construído com base em uma falácia.

Falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que alega. Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso. Reconhecer as falácias é por vezes difícil. Os argumentos falaciosos podem ter validade emocional, íntima, psicológica ou emotiva, mas não validade lógica no que diz respeito a conduzir os interlocutores a uma conclusão condizente com os fatos.

É importante conhecer os tipos de falácia para evitar armadilhas lógicas na própria argumentação e para analisar a argumentação alheia.” (Wikipédia)

O que eu quero alertar com este artigo é que existem “argumentos que se destinam à persuasão” que “podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias” que estão sendo apresentados na grande mídia “mas não deixam de ser falsos por causa disso”. O fato se reveste de extrema gravidade porque vem avalizado por pareceres de “especialistas” e certamente contaminará com falsidades técnicas as políticas públicas de saúde e segurança.

Veja o texto original:

“Se é temerário afirmar que todo usuário de maconha se tornará dependente de crack, é quase certo que o usuário de crack experimentou maconha antes. Estudo do Serviço Nacional de Orientações e Informações sobre a Prevenção ao Uso Indevido de Drogas (Vivavoz) indica que metade dos usuários de maconha atendidos costuma utilizar drogas mais pesadas.” (Artigo Maconha é porta de entrada da Campanha Crack Nem Pensar da empresa RBS)

Dito desta maneira a maior parte das pessoas não detecta a falácia, mas ela continua lá. As pessoas estão doutrinadas para acreditar que a maconha é porta de entrada para drogas mais pesadas, então um argumento furadíssimo como este post hoc ergo propter hoc acaba colando. Afinal, é o que as pessoas esperam ouvir, ou mesmo o que elas querem ouvir.

Quando mantemos rigorosamente o mesmo argumento, mas substituímos o termo em relação ao qual as pessoas tem preconceitos por um termo neutro, o absurdo salta aos olhos. O argumento é rigorosamente o mesmo nos dois casos, portanto não há escapatória: ou ele é válido, ou não é.

Se o argumento é válido, então comer alface fará você ter 50% de chance de se tornar um viciado em crack. Se o argumento não é válido, então a RBS deveria remover este argumento falacioso do site da campanha Crack Nem Pensar.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 25/06/2009

6 comments to Maconha não é porta de entrada para o crack

  • Julio Swed

    Muito bom os textos.

    Continue assim, cada dia melhor ;)

    abraços

  • Arthur, será que você me permitiria publicar esse atrigo e o da maconha (Saúde é argumento falso para proibição da maconha (Cannabis sativa)) no meu blog? É claro que não ´so citarei a fonte, mas ligarei (ou linkarei, para os mais chiques) os artigos ao blog, às págnas dos respectivos artigos.

    Um abraço

  • Alexandre

    Pelo que me consta a maconha pode ser a porta de saída para quem é viciado em crack, pois ajuda a diminuir a fissura da droga, já que deixa o usuário mais tranquilo, diminuindo o estado de paranoia.
    Conheço pessoas que são usuárias de maconha e nenhuma delas sofrem de problemas psicológico, droga por droga a maconha causa menos transtorno que a bebida alcoólica, já que não afeta tanto a coordenação motora, portanto acho mais que razoável descriminalizar a maconha, além de ter outras utilidades, desde celulose até fibra para diversos tipos de tecido, fora o uso terapêutico contra os efeitos da quimioterapia.

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