Este artigo foi originalmente publicado como tópico de debates na comunidade Direitos Humanos do Orkut. De lá para cá, eu sofri um assalto em que fui ameaçado com um canivete e perdi dinheiro, documentos e celular, sofri uma tentativa de assalto com um objeto contundente e fui obrigado a trocar socos com o assaltante, os fios de luz da rua onde moro foram furtados por ladrões que não se abalaram com os gritos da vizinhança e retiraram-se calmamente com o material furtado e a casa dos meus tios foi invadida sem que pudéssemos dar voz de prisão ao invasor, que flagramos mas que fugiu sem qualquer embaraço. Em nenhum dos episódios a polícia estava presente ou se fez presente em menos de uma hora.

Esqueleto esperando Polícia

O que vou relatar aconteceu às 3h 55min de sábado, 05 de maio de 2007.

Eu estava saindo da casa de alguns amigos quando ouvi gritos. Eram duas meninas, não mais de 16 anos cada, correndo de um sujeito. Eu estava com as chaves do carro na mão, coloquei uma entre os dedos, fechei o punho e caminhei em direção ao sujeito. Não sei se foi em função da atitude determinada, mas o sujeito parou de correr atrás delas e deu meia-volta.

As meninas disseram que tinham que passar por ali, então as instruí para atravessar a rua e me aguardar no outro lado. Entrei no carro, fiz o retorno uns 200m adiante e voltei. O sujeito havia se escondido atrás de um muro, ao invés de fugir. Liguei para a polícia.

Fiquei cinco minutos ligando para a polícia sem ser atendido. O telefone chamou até a ligação cair várias vezes até que alguém atendesse. Ao primeiro alô perguntei direto se havia uma viatura nas imediações da Av. X esquina com Av. Y. O atendente perguntou o que houve, e eu respondi: “um sujeito atacou duas meninas, está escondido atrás do muro do número tal da Av. X. Eu estou monitorando a atividade dele, manda uma viatura, rápido!”

Dez minutos depois eu ainda estava esperando a chegada da viatura, sem nenhum sinal da polícia. A essa altura o sujeito finalmente saiu do local onde estava e correu por um local em que eu não poderia segui-lo de carro. Então eu telefonei novamente para a polícia e disse que não era mais necessária a viatura, pois o suspeito havia se evadido.

Quinze minutos é tempo suficiente para um estupro, um assalto, um assassinato e uma fuga tranqüila. Uma polícia que demora 5 minutos para atender um telefone e em 10 minutos não consegue mandar uma viatura a uma avenida movimentada de um bairro central de uma capital de Estado é simplesmente inútil para proteger o cidadão em caso de emergência.

Cada vez me convenço mais de que é necessária uma grande campanha pelo porte de arma para os cidadãos honestos. A polícia não é onipresente e não consegue responder a tempo.

Antes que alguém diga que este artigo é para falar mal da polícia, trato de deixar claro que não é. Acontece que é simplesmente impossível que alguém que não está presente me defenda. E, como eu já disse e espero que seja óbvio para todos, a polícia não é onipresente, e tem um tempo de resposta que a torna absolutamente inútil para proteger uma pessoa em caso de emergência.

Dizem os defensores do desarmamento que “quem tem arma ou é polícia ou é bandido”, e que “armas servem para matar, não para proteger”. Sem nem entrar no mérito do que implica fazer ambas as afirmações simultaneamente, o que já revelaria a inconsistência destes “argumentos”, o fato é que as duas afirmações estão erradas. O cidadão precisa se proteger, pois a polícia não pode fazê-lo. E uma arma serve sim para proteção pessoal e de terceiros. Se eu estivesse armado naquele momento, o sujeito em questão agora estaria prestando depoimento numa delegacia. Como eu não estava armado, talvez ele esteja estuprando, assaltando ou matando alguém no momento em que escrevo.

Os defensores do desarmamento também dizem que “o agressor conta com o elemento surpresa, enquanto a vítima não”, e que portanto não é possível reagir. Acontecimentos como o de hoje demonstram claramente o oposto.

Neste caso uma simples chave foi suficiente, mas se uma arma estivesse disponível as futuras vítimas daquele sujeito também seriam salvas. O sujeito que eu não pude prender hoje, por estar desarmado, talvez esteja na sua rua amanhã, escondido atrás de um muro. Pense nisso. Ou carregue um baralho e convide seu agressor para um joguinho de paciência enquanto espera a polícia chegar.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 31/07/2009

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10 thoughts on “Tempo de resposta torna inútil chamar a polícia

  1. Olá, acabei de conhecer seu blog.
    Achei muito interessantes suas idéias.
    É raro encontrar alguém que não engula o politicamente correto mas também não seja extremista no que condiz à direita.
    Bem, não possuo uma arma de fogo em casa, mas sou excelente no arco e flecha rs.
    Depender da polícia é realmente impossível aconselho a todos os cidadãos que saibam o mínimo de auto-defesa e que utilizem o que tiver ao alcance, armas de choque, sprays de pimenta, armas de bater retráteis como bastões e em último caso navalhas de caça, pode parecer meio “Rambo” mas em decorrência do estado atual da segurança pública muitas vezes se faz necessário.

    Atenciosamente

    Gelson Rocha

    1. Bem-vindo, Gelson! Obrigado pelo comentário!

      Mas eu te pergunto: ao invés de recorrer a métodos sub-ótimos, não achas que seria muito melhor imitar o modelo adotado na Suíça e em Kennesaw?

      Suíça: http://arthur.bio.br/2010/12/03/seguranca/deviamos-adotar-o-sistema-de-seguranca-da-suica#.UACChBbs1xA

      Kennesaw: http://arthur.bio.br/2009/08/15/seguranca/possuir-uma-arma-deveria-ser-obrigatorio#.UACCFhbs1xA

  2. Gostei muito dos seus artigos. E se eu tivesse uma arma, sem dúvida teria impedido dois assaltos. Um eu fui vítima e do outro, duas mulheres. Infelizmente no Brasil estamos vivendo uma fase de imbecilidade, indignidade e futilidade enorme. E para nossa infelicidade, essa massa sem cérebro e caráter vota e elege os canalhas que fazem leis. Abraços.

    1. Desculpe o “pequeno atraso” para responder. 😛 Obrigado pelo depoimento, Alexander.

      Eu também teria impedido mais alguns assaltos, mas infelizmente no Brasil o cidadão honesto é tratado como suspeito ou como retardado, não como parte da solução dos problemas do país.

  3. Sou totalmente pró armamento, Arthur. Acho um direito fundamental.
    Mas já tenho claro em mente que o dia em que o porte de arma for facilitado por alguma lei no Brasil vai ser o dia que vou trocar de país.

    As pessoas já morrem hoje por discussões bestas, se qualquer um puder portar uma arma, ninguém estará mais seguro.

    Como minha namorada sempre reforça, as pessoas só são abusadas porque sabem que ninguém está armado. Se todos pensassem que você pode sacar uma arma a qualquer momento, todos seriam muito mais educados e cuidadosos.

    Mas Brasil sendo como é, não vai ter as mesmas estatísticas dos EUA, onde é mais fácil morrer acidentalmente por um policial que por um cidadão. Vai ter gente dando tiro por que deu vontade, e nunca vai ter polícia pra investigar nem ambulância pra socorrer.

    1. Peraí… Isso depende muito de como o porte de arma for regulamentado. Se o sujeito tiver que se habilitar adequadamente, e se o país tiver um Judiciário ágil e eficaz, de modo que todos saibam que serão responsabilizados caso cometam infrações, esse problema não acontecerá.

  4. Achei o seu artigo através do google, quando eu estava procurando por “tempo de resposta da polícia” após ver mais uma notícia de mais um dos infindáveis assaltos a joalheiras de shopping centers…
    É extremamente frustrante ver como é tudo tão falho no combate à criminalidade.

    1. Imagina para mim, que escrevo sobre isso há mais de uma década e só vejo a coisa piorar…

  5. O incrível é que os mesmos que alegam que “o agressor conta com o elemento surpresa, enquanto a vítima não” geralmente pensam diferente na hora de defender a legalização das drogas. Para eles não temos o direito de decidir “matar ou morrer” quando em conflito com um assaltante (e devemos facultar a decisão sobre a nossa vida ou morte à vontade dele), mas temos todo o direito de “curtir” viagens narcóticas podendo ter uma overdose?

    1. Pelo simples fato que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Num caso se desrespeita direitos de terceiros, no outro, não.

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