A Cannabis sativa possui um imenso potencial econômico, medicinal e ambiental, podendo seu aproveitamento gerar riquezas, salvar vidas e preservar o ambiente. Reduzir o debate sobre a legalização da Cannabis sativa ao escopo da segurança é uma atitude de um reducionismo atroz que só interessa aos arautos do proibicionismo autoritário, cujo discurso moralista e repressor é em grande parte responsável pela geração da violência e da corrupção associadas ao tráfico de drogas.

A Cannabis pode ser usada:

– para produção de tecidos (as caravelas de Colombo transportavam toneladas de maconha na forma de fibras têxteis);

– para produção de celulose (é mais produtiva e menos agressiva ao ambiente que o eucalipto, o pinus e a acácia);

– para a produção de tábuas de compensado (suas fibras são mais resistentes e mais flexíveis que as da madeira);

– para propósitos medicinais (nada é tão eficaz para eliminar as náuseas de quimioterapia e para estimular o apetite de quem sofre de inapetência aidética);

– para forrageamento animal (coelhos por exemplo adoram maconha);

– para alimentação humana (especialmente as sementes). As sementes de maconha:

– possuem todos os aminoácidos e ácidos graxos essenciais;

– possuem 26% a 31% de proteína, sendo uma excelente fonte proteica;

– na forma de farinha possuem 6% de carboidratos, 5% a 10% de gorduras, 12% de fibra natural (contra míseros 3% a 4% da alface), 10% de umidade e 7% de resíduos minerais;

– possuem a globulina edestina, muito semelhante à contida no plasma humano, que contribui para a manutenção de um sistema imunlógico saudável;

– são o único alimento capaz de tratar com sucesso a doença consumptiva da tuberculose;

– possuem a maior percentagem de ácidos graxos não saturados entre as plantas usadas na alimentação humana (80%), superando até mesmo a linhaça (72%);

– são ricas em ácidos linolêico, linolênico, palmítico, esteárico, oleico e araquídico;

– reduzem o colesterol drasticamente se incluídas regularmente na dieta; – não dão “barato” porque não contém THC.

A Cannabis supera outras culturas em produtividade, não produz resíduos, não polui e tem aproveitamento integral. Ela pode ser extremamente útil e até mesmo salvar vidas.

Não é um absurdo ignorar esse fantástico recurso econômico e alimentar que poderia estar gerando renda, salvando vidas, combatendo a desnutrição e melhorando a saúde humana?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 15/08/2009

38 thoughts on “A Cannabis é o verdadeiro “bom-bril vegetal”: tem 1001 utilidades

  1. Arthur, primeiramente Parabens pelo site, otimas informaçoes mesmo ; e tenho uma duvida: Uma vez por meio de sites, vi que a maconha ajuda no tratamento da asma, queria saber se isso é verdade.
    Abraços

  2. Manga-Larga

    16/12/2010 — 09:32

    Lendro esse seu texto me fez lembrar dessa passagem de Jack Herer (http://hempadao.blogspot.com/2010/12/ed-94-onjack-cap-2-parte-21-canhamo.html)

    Em 1989, Jack Herer e Maria Farrow questionaram Steve Rawlings sobre isso. Rawlings tinha o mais alto posto no departamento de agricultura dos EUA (que estava encarregado de reverter o efeito estufa), em Beltsville, Maryland. Primeiro, eles se apresentaram e explicaram que estavam escrevendo em jornais sobre uma política mais ecológica. Então perguntaram a Rawlings:

    Se você tivesse escolha, qual seria o jeito ideal de parar ou reverter o efeito estufa?
    Ele disse: “Acabar com o desmatamento e o uso de combustíveis fósseis.”

    Por que não fazemos isso?
    “Porque não existe nenhum substituto viável para a produção de papel ou para os combustíveis fósseis.”

    Por que não usamos uma planta sazonal que sirva tanto para papel quanto para combustíveis fósseis?
    “Bom, isso seria o ideal.” Ele concordou.
    “Infelizmente, não existe nada que poderíamos usar que produzisse o suficiente.”

    Bom, o que você diria se existisse tal planta que pudesse substituir toda celulose extraída da madeira, todos os combustíveis fósseis, que faria a maioria das fibras naturalmente, produzindo da dinamite ao plástico e que cresça em todos os 50 estados, substituindo 4,1 acres de árvores por somente 1, e que se você usasse por volta de 6% das terras estadunidenses para uma safra energética – inclusive os solos pobres – essa planta poderia produzir todos os 75 quatrilhões de BTUs anuais necessitados pela América? Isso ajudaria a salvar o planeta?

    “Isso seria o ideal. Mas essa tal planta não existe.”
    Na verdade, acreditamos que sim.
    “É? E qual é?”
    Cânhamo.
    “Cânhamo!” Ele parou por um momento.
    “Eu nunca pensaria nisso… Acho que você está certo. O cânhamo poderia mesmo salvar o planeta. Nossa! Essa é uma grande idéia!”

    “É uma idéia maravilhosa e eu acho que possa funcionar. Mas, você sabe, não podemos usá-lo.”

    Você está brincando! Por que não?
    “Bem, Mr. Herer, você sabia que o cânhamo também é maconha?”
    Sim, é claro. Eu tenho escrito só sobre isso por 40 horas semanais nos últimos 17 anos.
    “Então sabe que a maconha é ilegal, não é? Você não pode usá-la.”
    Nem mesmo para salvar o mundo?
    “Não, é ilegal”, disse severamente. “Você não pode usar nada ilegal.”
    Nem mesmo para salvar o mundo?, perguntaram abismados.
    “Não, nem para salvar o mundo. É ilegal. Você não pode usar e ponto final.” Não me entenda mal, é uma ótima ideia, ele continuou, mas nunca te deixariam fazer isso.

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