Aviso desde o início que o artigo é teórico, feito para quem quiser ajudar a desenvolver criativamente a idéia! Sugestões, críticas e viagem na maionese são bem-vindos!

Em um tópico no Orkut alguém postou o texto de uma carta que supostamente teria sido enviada por uma tal “Frente Revolucionária Negra” ao Grupo Gay da Bahia (GGB) ameaçando os homossexuais com extermínio implacável e reivindicando uma extensa área do território brasileiro para formar uma nação negra governada por um poder negro xenófobo e racista.

A idéia toda é tão ridícula que só pode ter sido um trote bobo produzido por algum desocupado, mas quando outro membro sugeriu – brincando! – a formação de um estado gay onde uma Constituição Pink proibiria o funk e só admitiria a música eletrônica, eu lembrei que existe um condomínio naturista no Rio Grande do Sul cuja propaganda original era a de ser uma “cidade naturista”. Ou seja: por incresça que parível, a idéia de uma cidade-estado temática não é tão disparatada assim.

Vamos supor o seguinte: escolhemos uma determinada área do território nacional, com tamanho suficiente para constituir um município, e declaramos esta área cidade-estado temática no mesmo patamar de independência de um Estado Federado, com a liberdade de produzir uma Constituição Estadual com algumas características especiais. (Isso requereria apenas um adendo constitucional muito simples, que não traria nenhuma perturbação ao ordenamento jurídico nacional.)

A grande sacada seria que tipo de “características especiais” seriam autorizadas. Obviamente, nada que violasse direitos e garantias individuais! Necessariamente a adesão a tais códigos alternativos seria através de migração interna livre e voluntária. E assim poderíamos ter:

– Uma cidade naturista, onde roupas são proibidas acima de 24°C.

– Uma cidade hippie, onde ninguém usa dinheiro, só pratica o escambo.

– Uma cidade rastafári, onde… bem, vocês já sacaram!

O que vocês acham?

Postado originalmente no Orkut em julho de 2008.

8 thoughts on “E por que não cidades-estado temáticas?

  1. Aqui nos eua é mais ou menos assim, é super federalista e cada estado tem digamos assim, uma cultura bastante diferente.
    Isso é bom por um lado porque as pessoas podem escolher onde elas mais se encaixam, com que grupo de pessoas elas têm mais em comum. Por outro lado vira uma coisa meio cada-um-no-seu-quadrado. E rola uma taxa um pouco maior de preconceito.

    Eu não viveria numa cidade temática, mas ia adorar visitar todas!

    Adicione a lista uma artística. 😉

  2. ps1. obrigada por lembrar do G
    ps2. eu estou louca pra ler o gene egoísta, fiquei com uma pontada de inveja. =)
    ps3. realmente, toda vez que realizo que estou casada imagino que a Lou Salome deve estar se revirando no túmulo. hahahhaahha

  3. Ah, eu viveria em uma cidade temática! Em breve aqui no blog uma nova categoria tratando desse tema! 🙂

  4. Não é incrível? O mundo finalmente evoluiria mais ou menos de volta para… a Grécia! Só ficaria faltando a questão da temática, mas nisso a gente daria um jeitinho num minuto.

    Sou super a favor. Poderiam, por exemplo, criar uma Cidade-Estado para os chatos. Ficaria todo mundo lá dentro e para entrar em qualquer outro lugar seria preciso um visto. Aí era só não dar!!! 🙂

  5. “Evoluir de volta para a Grécia” foi ótimo! 🙂 Mas a minha proposta é mais avançada, Mônica! Não pretendo que se regrida em nenhum campo, a idéia é permitir um aumento na diversidade de estilos de vida sem gerar conflitos entre estilos incompatíveis (devido à separação geográfica) nem frustrações (devido à possibilidade de contentar a todos), o que não acontece nos sistemas democráticos tradicionais.

    Lógico que deve haver algumas regras para evitar exatamente isso que tu propuseste (hehehehe), como por exemplo a total garantia de livre acesso, livre partida e livre regresso. Sistemas políticos e sociais hoje obliterados por terem apoio minoritário poderiam ser implantados e testados em pequenas áreas, expandindo-se caso se provassem bons e desaparecendo caso se provassem ruins, sempre através de migração voluntária.

    Eu acredito que o país e o mundo se beneficiariam imensamente do aprendizado proveniente da implantação de tais laboratórios político-sociais. Mesmo que muitos resultados não pudessem ser extrapolados, o simples fato de contentar inúmeras minorias hoje sufocadas já seria um grande avanço.

  6. é uma idéia bem louca, criar nichos estéticos assim como esxistem os nichos naturais. Acho que resolveria muito bem a questão dos conflitos internos porém surgiriam conflitos externos mais graves a partir do momento que outras cidade-estados quisessem interferir em seu vizinho, e algumas cidaes seriam impraticáveis (punk-rock) seriam caóticos em demasia devido ao estilo.

    1. Sobhi, o primeiro problema que levantaste é solucionável: basta não autorizar a criação de duas cidades-estado temáticas fazendo fronteira uma com a outra, ou pelo menos consultando a população de uma antes de implantar a outra.

      O segundo não é propriamente um problema, pois as cidades-estado temáticas que se demonstrarem impraticáveis estarão servindo perfeitamente ao objetivo de sua criação, sendo naturalmente desativadas enquanto cidades-estado temáticas e restituídas ao ordenamento jurídico padrão.

      Seria divertido ver os punks e outros anarquistas tendo que organizar o funcionamento de um território do tamanho de uma cidade de modo sustentável. 🙂

  7. É, realmente existe solução a questão é que em nosso jeito de viver as coisas têm solução também, em teoria a república deveria ter governantes honestos, aptos e capazes para liderar e representar o povo e mesmo que estes sejam a representação do povo no congresso se resolveria educando a população de forma adequada para se ter um espelho digno como representante, mas as coisas não são tão funcionais assim. Do mesmo jeito acredito que quem tivesse o poder de instaurar ou banir tais cidade-estados acabaria se deixando levar pela ganância e poder…

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