Um dos argumentos preferidos dos proibicionistas é que “fumar maconha faz mal à saúde, logo deve ser proibido”. Isso confere uma aparência respeitável às pretensões de controle da privacidade do indivíduo pelo Estado, uma das idéias fundamentais do fascismo. Mas será que os proibicionistas estão mesmo interessados em promover a saúde e o bem-estar alheios?

maconha 500

Se os produtos A e B são perigosos, sendo que A é mais perigoso que B, qual deve ser proibido primeiro? O mais perigoso ou o menos perigoso?

Pois bem, então vamos comparar o número de mortes anuais causadas pela maconha e por outras causas de morte nos Estados Unidos:

Tabaco 435.000
Dieta pobre e inatividade física 365.000
Álcool 85.000
Agentes microbianos 75.000
Agentes tóxicos 55.000
Acidentes de automóvel 26.347
Reações adversas a medicamentos prescritos 32.000
Suicídio 30.622
Incidentes envolvendo armas de fogo 29.000
Homicídios 20.308
Comportamentos sexuais 20.000
Uso de todas as drogas ilícitas 17.000
Anti-Inflamatórios não esteroidais como Aspirina 7.600
Maconha 0

(Fonte: Drug War Facts.)

Uaaaaaaau, já posso ouvir a turba proibicionista enfurecida rosnando: “como é isso? A aspirina, o ibuprofeno, o naproxeno, o diclofenaco, o cetoprofeno e o ácido tiaprofênico matam sete mil e seiscentas pessoas por ano nos EUA, enquanto a Cannabis sativa mata zero pessoas por ano?! Vamos proibir a aspirina!!!”

[Pausa para imaginar a cena e absorver a idéia.]

Aliás, se o argumento de que “se algo faz mal à saúde, então deve ser proibido” fosse válido, que conclusões deveríamos tirar do fato de a má dieta e o sedentarismo matarem cerca de vinte e uma vezes mais que o consumo de todas as drogas ilícitas juntas?

Cadê os discursos indignados da turba proibicionista exigindo a criminalização do comércio e do consumo de salgadinhos gordurosos e o combate implacável às quadrilhas de fast-food?

[Pausa para cair a ficha do que significa alguma coisa matar vinte e uma vezes mais que o somatório de todas as drogas ilícitas sem que ninguém queira criminalizá-la.]

Eu sei que você já entendeu, mas eu faço questão de dizer explicitamente: se alguém exige a proibição e a criminalização do comércio e do uso de uma substância que nunca causou uma única morte mas ignora solenemente o comércio e o uso de diversas substâncias que matam milhares de pessoas todos os anos, é evidente que a motivação destas pessoas não é a preocupação com a saúde de quem quer que seja.

“Ah, mas a aspirina é um medicamento, serve para reduzir a dor, enquanto a maconha é usada para divertimento, não dá para comparar” – dirão os proibicionistas tentando manter a credibilidade de seu argumento.

A resposta tem duas partes.

1) A maconha pode salvar vidas e reduzir muito sofrimento.

Fumar maconha é a única coisa que consegue combater as terríveis náuseas provocadas pela quimioterapia em muitos pacientes com câncer ou leucemia. Nenhum outro medicamento consegue fazer o mesmo. Há inúmeros casos de pacientes que abandonaram a quimioterapia porque preferiram morrer de câncer a suportar o tratamento. Uns poucos baseados teriam salvo estas vidas e evitado muito sofrimento.

Fumar maconha é a única coisa que consegue combater a inapetência que acomete muitos pacientes com AIDS. Nenhum outro medicamento consegue fazer o mesmo. Muitos doentes definharam e morreram enfraquecidos pela falta de alimentação quando poderiam ter readquirido o prazer de comer estimulados pela larica (fome provocada pela maconha). Uns poucos baseados teriam salvo estas vidas e evitado muito sofrimento.

Os produtos derivados da Cannabis são úteis para uma série de outras condições clínicas, como no glaucoma, na dificuldade de absorção de proteínas e outras. Além disso, a maconha é uma excelente fonte de nutrientes, contém todos os aminoácidos essenciais e apresenta uma proporção perfeita entre os ácidos graxos ômega-3 e ômega-6, o que significa que a maconha pode ajudar a combater a desnutrição infantil e melhorar a qualidade nutricional da população em geral.

Uaaaaaaau, já posso ouvir a turba proibicionista animadíssima dizendo: “como é isso? A maconha é o único recurso que pode salvar inúmeras vidas, evitar que muitas pessoas fiquem cegas e garantir o desenvolvimento sadio do organismo das crianças, que são o futuro de nosso país? Vamos já produzir este recurso maravilhoso às toneladas!!!”

[Pausa para lembrar que os proibicionistas alegam preocupar-se com a saúde das pessoas.]

2) Sim, a maconha também é usada para propósitos recreativos. As novelas também. O futebol também. Os computadores também. Os videogames são produzidos especialmente para isso. Todos os brinquedos possuem esta finalidade, inclusive os didáticos.

Cadê os discursos indignados da turba proibicionista exigindo o banimento destas coisas todas porque servem para divertimento?

[Pausa para cair a ficha que divertimento não é um propósito ilícito nem tampouco recriminável.]

Tem mais uma coisinha que eu gostaria que todos lembrassem: mesmo quando aceitam a pesquisa científica para produzir medicamentos a partir da Cannabis sativa, o que é raro, os proibicionistas querem que as pessoas vão para a prisão por causa do comércio e do uso da maconha para propósitos recreativos.

As prisões brasileiras, como todo mundo sabe, são praticamente uma rede de SPAs cinco estrelas, onde os detentos possuem uma vida regrada, segura, distante das atribulações estressantes da vida urbana, em contato com a natureza, com alimentação saudável e uma rotina estimulante de estudos engrandecedores, atividades laborais produtivas e relações sociais harmônicas. Uma maravilha para a saúde. Muito melhor que fumar um bagulho com os amigos.

Conclusão óbvia: proibicionistas não estão interessados nem na saúde nem no bem estar de ninguém, isso é papo furado, é pura hipocrisia.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 01/09/2009


64 thoughts on “Saúde é argumento falso para proibição da maconha (Cannabis sativa)

  1. arthur gostaria de saber a sua opniao do uso da cannabis e o surgimento de doenças psiquiatricas como a esquizofrenia, fiz uso de maconha durante alguns anos e tive o aparecimento desta doença que foi controlada com uso de medicamentos, mas hoje penso eu que abusei demais do fumo da cannabis e por isso o surgimento desta doença mas fumando moderadamente nao tive mais problemas relacionados a esta doença psiquiatrica, talvez eu tivesse uma disposiçao genetica para esta doença?

    1. Eu li alguma coisa afirmando haver esta relação há muito tempo. Mas também já li alguma coisa sugerindo que a maconha é útil para o tratamento da esquizofrenia. Eu teria que ler artigos técnicos publicados em periódicos especializados e avaliar a metodologia utilizada nos estudos para formar uma opinião que eu pudesse chamar de “minha abalizada opinião profissional”. PORÉM…

      Eu já conheci e observei informalmente uma imensa quantidade de usuários de maconha e jamais fiquei sabendo de um único caso de esquizofrenia entre eles, nem por observação direta, nem por comentários de usuários em relação a outros usuários, em mais de duas décadas.

      Esta é a primeira vez que recebo a informação de uma suspeita de ligação entre o consumo de Cannabis e a esquizofrenia. E vem de um usuário que diz que a doença surgiu quando “ABUSOU DEMAIS” do fumo da Cannabis, mas que fumando moderadamente não sofreu reincidências.

      Pode ser que haja uma ligação? Pode. Mas a probabilidade que isso venha a acontecer com usuários não abusivos, se duas décadas de observação e convívio com centenas de usuários são um indicador razoável, me parece desprezível.

      A predisposição genética é uma das hipóteses sobre as causas da esquizofrenia, mas existem muitas outras hipóteses. Infelizmente eu não tenho conhecimento suficiente nesta área para expor uma opinião fundamentada e responsável.

  2. iai arthur , pois saiba que eu tenho essa mesma duvida do plabo..

    1. Somos três. 😛

  3. Anderson Fraga

    03/08/2010 — 23:36

    Cara,tu é muito bom!
    Tu conseguiu muito bem,criticar e justificar suas criticas!
    Parabens…
    Abraços

    1. Obrigado, Anderson!

  4. olha, achei excelente seu blog. parabéns!
    a pouquíssimo tempo meus pais descobriram que eu fumo maconha, como vc disse aí, o principal argumento foi a saúde e, como muito se esperava, exigiram que eu parasse, eu me neguei e usei todo o meu conhecimento sobre os efeitos na saúde e no cérebro para defender minha posição. mas como tudo saiu da boca de uma ‘adolescente rebelde maconheira’ não tive mta credibilidade (até pq eu não guardei as fontes onde li durante mto tempo o que formou minha opinião hj). bem, vou mandar para o e mail da minha mãe agora tudo isso, acho que nunca li um texto que sintetizasse tao bem vários argumentos sobre os efeitos da cannabis no organismo e, principalmente, na saúde publica.

    1. Obrigado, Laura.

      Mas olha, eu recomendo manter sempre um alto nível de diálogo e de boa vontade para analisar os argumentos do outro lado. Observa atentamente se as preocupações deles são ou não pertinentes: teu uso é consciente e moderado ou é diário e independente dos compromissos que tens a cumprir? Teu desempenho escolar e/ou profissional se mantém bom? Tens amigos com interesses diversificados ou é só uma “turminha da fumaça”? Fazes algum esporte? Tens algum hobby?

      Nunca descuida do binômio liberdade-responsabilidade.

  5. Manga-Larga

    11/09/2010 — 20:30

    Atenção Laura, se você tem menos do que 21 anos, é aconselhável evitar fumar maconha.

    Antes dessa idade a maconha pode ter o efeito de impedir e/ou perturbar as sinapses que estão se formando nessa época. Existem alguns distúrbios psicológicos que podem estar associados com isso.

    Depois dessa idade o efeito é inverso, sendo que a maconha pode até proteger contra doenças degenerativas do SNC, como mal de alzeihmer ou parkingson.

    http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/maconha_pode_tanto_matar_quanto_salvar_neuronios.html

    1. Interessante este artigo… que pena que ele não indica a fonte das informações.

  6. Manga-Larga

    14/09/2010 — 08:59

    Pois é, verifiquei o mesmo… Vi essa matéria também reproduzida na Cannabis Culture Magazine.

    Arthur, ficou sabendo que o Bush esteve “secretamente” no Brasil? Reuniu-se com poderosos locais mas ninguém sabe que assuntos foram tratados… Aposto que Bush está mexendo seus pauzinhos e organizando o contra-ataque à legalização, que começa agora em Novembro na Califórnia.

    Não vai ser difícil encontrar gente subserviente e preconceituosa por aqui para apoiar suas idéias genocidas.;;

    1. George W. Bush esteve no Brasil? Quando?

  7. Manga-Larga

    14/09/2010 — 15:23

    Vi no CQC ontem…

  8. Antoine Espagno

    05/06/2013 — 12:50

    Como assim, não indica as fontes (na sua resposta ao Manga Larga)? …É o que aponta um estudo recente feito pela neurofarmacologista Veronica Campbell da Faculdade Trinity, em Dublin. Profa. Veronica Campbell parece uma pessoa séria http://www.tcd.ie/Neuroscience/partners/PI%20Profiles/Veronica_Campbell2.php

    1. Opa, valeu! Vou verificar!

  9. Em primeiro lugar, parabéns pelo teor e a profundidade das suas matérias, em particular sobre drogas. Tenho uma pergunta: alguém próximo, biologista, me falou hoje que cannabis é mutagênico, portanto potencialmente cancerígeno. Não sabia, achava, pelo contrário, através de filmes do tipo https://www.youtube.com/watch?v=KjIXQHshIwY (interessantíssimo), que tinha potencial para CURAR cancer. Fiquei abalado. Pesquisei mas não sou biólogo e não encontrei nada compreensível na internet. Tem alguma informação a respeito que possa alimentar o debate pro/contra legalização? E tempo para tornar o assunto compreensível para os simples mortais? Obrigado.

    1. Eu tenho arrepios com essa história de que a maconha poderia sozinha curar o câncer.

      Ou isso não é verdade, e no afã de fazer o bem tem muita gente boa produzindo desinformação grave;

      Ou isso é verdade, e então há uma gigantesca e maquiavélica desinformação oficial produzindo sofrimento e morte em nome do lucro.

      Eu não sou um wishful thinker, mas quero crer que a humanidade não tenha chegado ao baixíssimo nível da segunda alternativa. Posso estar errado, claro.

      Vou assistir o vídeo nos próximos dias e então me manifestar.

  10. A humanidade, não sei; mas de grupos seletos desta, tenho certeza. Basta examinar a atuação de grandes empresas do agronegócio, como a Monsanto, para se convencer que nos negócios não há de se preocupar com sentimentos como empatia. O fim justifica os meios.
    Acreditas mesmo que políticos como Osmar Terra se preocupam com a saúde e o bem estar da população? Felizmente, pessoas mais comprometidas, como Cristovam Buarque, encaram o desafio de relatar a sugestão de iniciativa popular sugerindo a regulamentação da maconha. http://www.opovo.com.br/app/opovo/politica/2014/02/15/noticiasjornalpolitica,3207220/senado-vai-discutir-legalizacao-da-maconha.shtml
    PS: não se manifestou ainda sobre o vídeo. Não assistiu?

    1. Depois de todo este tempo, finalmente estou baixando o vídeo.

  11. Fabiano Golgo

    31/08/2014 — 19:40

    A esquizofrenia não surge com o uso da maconha. No entanto, pessoas que são esquizofrênicas, ao fumarem maconha, entram em surto. Isso foi mostrado por estudos da Oxford.

    1. O estudo de Oxford que eu encontrei sobre Cannabis e esquizofrenia é uma meta-análise:

      Rate of Cannabis Use Disorders in Clinical Samples of Patients With Schizophrenia: A Meta-analysis

      Johanna Koskinen 1, 2, Johanna Löhönen 2, Hannu Koponen 3, 4, Matti Isohanni 2 and Jouko Miettunen 2
      – Author Affiliations

      2 Department of Psychiatry, University of Oulu and Oulu University Hospital, Oulu, Finland
      3 Department of Psychiatry, University of Kuopio and University Hospital of Kuopio, Kuopio, Finland
      4 Academy of Finland, Helsinki, Finland

      1 To whom correspondence should be addressed; Department of Psychiatry, University of Oulu and Oulu University Hospital, PO Box 5000, FIN-90014, Oulu, Finland; tel: +358-40-7259713, fax: +358-8-333167, e-mail: johanna.koskinen@oulu.fi.

      Objective: Our aim was to review recent studies and estimate the rate of cannabis use disorders (CUDs) in schizophrenia, as well as to examine the factors affecting this rate. Methods: We conducted an electronic search of 3 literature databases and a manual search of articles from 1996 to 2008. The key words used were “schizophreni*,” “psychos*s,” “psychotic,” “cannabis abuse,” “cannabis dependence,” “cannabis use disorder,” “substance use disorder,” “substance abuse,” “substance dependence,” and “dual diagnosis.” Articles that reported diagnoses according to the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders or International Classification of Diseases were included. Regression analysis was used to examine how estimated rates of CUDs are affected by various study characteristics such as the classification system, inpatient vs outpatient status, study location, proportion of males, age of the sample, or duration of illness. Results: Thirty-five studies met our search criteria. The median current rate of CUDs was 16.0% (interquartile range [IQR] = 8.6–28.6, 10 studies), and the median lifetime rate was 27.1% (IQR = 12.2–38.5, 28 studies). The median rate of CUDs was markedly higher in first-episode vs long-term patients (current 28.6%/22.0%, lifetime 44.4%/12.2%, respectively) and in studies where more than two-thirds of the participants were males than in the other studies (33.8%/13.2%). CUDs were also more common in younger samples than in the others (current 38.5%/16.0%, lifetime 45.0%/17.9%). Conclusions: Approximately every fourth schizophrenia patient in our sample of studies had a diagnosis of CUDs. CUDs were especially common in younger and first-episode patient samples as well as in samples with a high proportion of males.

      Fonte: http://schizophreniabulletin.oxfordjournals.org/content/early/2009/04/22/schbul.sbp031.short

      Esta meta-análise diz apenas que a prevalência de “desordem de uso de Cannabis” (ou seja, o uso em si já é considerado uma desordem, o que fala muito sobre a ideologia que embasa tais “estudos”) é de cerca de um quarto dos pacientes esquizofrênicos.

      Este dado é absolutamente inútil para determinar se a Cannabis causa qualquer modificação na probabilidade de alguém apresentar um surto de esquizofrenia.

      Ou o estudo em questão é outro?

      Para afirmar que a Cannabis aumenta a chance de desenvolver esquizofrenia, ou que aumenta a chance de um surto para quem tem tendência ou vulnerabilidade ou suscetibilidade ou seja lá qual for o termo neste sentido, é necessário comparar uma grande população por um grande período e mostrar que entre os usuários de Cannabis daquela população houve uma diferença estatisticamente significativa em relação aos não-usuários daquela população, sendo que o uso ou não-uso deve ser a única diferença entre os dois sub-grupos.

  12. Primeiro, sobre a esquizofrenia: O Fabiano Golgo está correto e o Arthur também.

    O THC potencializa surtos psicóticos em pessoas esquizofrênicas – elas sabendo que são ou não. Já lembro de ter lido sobre médicos afirmarem que a resposta psicótica ao THC como sendo até mesmo uma boa forma de se fazer o diagnóstico da doença de forma mais precoce.

    Por outro lado o CBD é anti psicótico e não “chapa” além de que não tem os efeitos colaterais da maioria dos remédios usados por quem tem esquizofrenia – mas não foi estudado a fundo pra ser liberado como medicamente pois até mesmo a pesquisa é proibida – ainda mais se for pra achar usos benéficos: aí que não consegue recursos mesmo!

    Quanto ao uso recreativo: Não entendo os proibicionistas….. Se eles estão tão convictos que as pessoas não devem fazer uso recreativo por que não estão por aí fazendo campanhas contra álcool, tabaco, açúcar, fast food, etc etc etc?

    E tem mais – se eu gosto de beber vinho, mesmo que isso me deixe bebado de vez em quando – por que eu deveria ir pra CADEIA por isso?

    E um fato bem simples: todos os dias em frente a minha casa passam crianças fumando maconha (tem uma escola municipal no quarteirão do lado) eu NUNCA vi nenhuma delas bebendo – se a pessoa é contra o uso de drogas por crianças não tem como ela ser a favor de criminosos controlando a venda….

    A questão das drogas, do ponto de vista dos proibicionistas, me lembra muito o caso do “duplipensar” no livro 1984…. Quando entro em debates só falta eu escutar o outro lado enfiando os dedos na orelha e cantando “lá lá lá não te escuto, lá lá lá” é foda…

    Recomendo:
    http://igarape.org.br/wp-content/themes/igarape_v2/penselivre/penselivre_mitos.pdf

    Este documento responder, com evidências de experiências concretas e referências onde qualquer um pode conferir se é verdade. Na era da informação ignorância é uma escolha. É uma leitura rápida em português fundamentada em evidências respondendo aos velhos mitos como:
    “A descriminalização do uso drogas ilícitas gerou um aumento no consumo de drogas em Portugal”
    “Portugal é o país com maior aumento da criminalidade”.
    “Maconha é porta de entrada para outras drogas mais pesadas como crack ou heroína”
    “A maconha causa esquizofrenia”
    “Vivemos uma epidemia de crack no Brasil”
    “Todos os usuários de crack começaram pela maconha”
    “Todo usuário é um dependente em potencial”
    “A epidemia da droga já é o maior problema de saúde, matando mais jovens, a cada ano, que qualquer epidemia viral”
    “O Sistema de Saúde está falido imagina se aumentar a demanda?”
    “A descriminalização provoca o aumento exponencial do consumo e poder gerar uma epidemia”
    “A descriminalização não vai resolver o problema do trá?co”
    “Grande parte dos acidentes com morte e feridos é causada por condutores sob o efeito da cannabis, cocaína e outros elementos”
    “Na Holanda estão querendo proibir novamente as drogas porque Amsterdã virou um pólo de drogados e baderneiros de todo mundo”
    “Na Califórnia, algumas cidades estão fechando os estabelecimentos de venda legal de maconha medicinal”
    “Endurecer dá resultado, olha a Suécia”

    1. Bruno, eu tenho sérias dúvidas a respeito deste papo de que a Cannabis possa desencadear surtos de esquizofrenia. Todos os estudos que eu vejo ou são baseados em acompanhamento de pacientes de esquizofrenia e outras psicoses ou são financiados ou realizados por notórios proibicionistas raivosos.

      A única maneira de afirmar que a Cannabis ou qualquer outra coisa cause algum efeito sobre a probabilidade de desenvolver alguma doença ou manifestar algum sintoma é acompanhar uma grande população, dividida exclusivamente segundo o critério “usuários e não usuários” e demonstrar que os dois grupos apresentam prevalências distintas estatisticamente significativas da tal doença ou sintoma.

      Todos os estudos que eu já li até hoje a este respeito, sem exceção – e olha que já li muitos – apresentavam falhas metodológicas escandalosas, especialmente falhas de delineamento amostral (por exemplo, o mais comum sempre foi usar pacientes de clínicas psiquiátricas ou de penitenciárias como amostra).

  13. Ah, sobre “cura do câncer”.

    Maconha até hoje só conseguiu demonstrar efeitos positivos em culturas de célula…. Qualquer coisa além disso é especulação ou evidência anedótica. Mesmo eu sendo um ativista pela legalização eu evito esse argumento. O que eu digo é que: ela tem um potencial JAMAIS DEMONSTRADO por qualquer outro medicamento quando testado sob as mesmas condições. Mas disso pra falar que ela cura o câncer é exagero.

    Um fato curioso sobre isso. Ano passado saiu o resultado de um estudo que acompanhou por mais de trinta anos usuários pesados de maconha (que fumam pelo menos 8 baseados por dia) que tinha o propósito de entender a correlação entre o uso da maconha fumada com o câncer… O resultado foi oposto – até mesmo nos que fumavam tabaco junto – não conseguiram criar nenhuma correlação estatística e demonstraram que aparentemente acontece até o contrário: o grupo que fumava muita maconha tinha menor probabilidade de contrair câncer….

    Repetindo: isso não significa que maconha “cure” o câncer mas que muitas evidências apontam para efeitos anti tumorais e isso é um fato.

    1. Eu me lembro do Ronaldo Laranjeira afirmando que “é um absurdo sugerir que qualquer coisa positiva possa advir da maconha”. Imagina a qualidade da pesquisa de alguém que diz uma coisa destas. 🙂

  14. Nunca vi uma pessoa que bebe álcool e fuma cigarro tentarem provar a todo custo que essas drogas não fazem mal, muito pelo contrario assumem os malefícios, vivem dizendo que pretendem parar e não recomendam pra ninguém. Só os usuários de maconha tentam distorcer, relativizar e se auto enganar a todo custo que a maconha não faz mal, contrariando a 99,9% dos médicos do mundo, só chegar em uma clinica psiquiatra e ver, conversar com o medico que vive com isso aos montes a anos. Seria muito mais honesto argumentar e dizer como dizem os fumantes e pinguços, ” olha, maconha faz mal, mas eu tenho o direito de me drogar com ela e não indico pra ng”. A Holanda fracassou, Suíça fracassou, Portugal fracassara, Califórnia fracassara e Uruguai tb fracassara.

    1. Julio, você me parece estar muito mal informado e andar pelos caminhos de preconceitos ultrapassados. Ou então é troll mesmo… Pode talvez assistir o War on Drugo http://gorover.com.br/war-drugo-uma-nova-guerra-contra-drogas/
      (12.600.000 entradas no GOOGLE,3:30 minutos do seu tempo) da Global Comission for Drug Policy – ONU, 2014
      Passar bem.

    2. Holanda fechou presídios e assistiu uma sensível diminuição da violência, Portugal teve diminuição do consumo e da criminalidade, Califórnia lucra fortunas com a produção de Cannabis. Quanto a Suíça e Uruguai eu ainda não li muito.

      Em *todos* os lugares onde se caminhou em direção à legalização a situação melhorou e em *todos* os lugares onde se aumentou o combate às drogas a situação piorou. Os EUA, país que mais gastam no mundo em repressão ás drogas, têm a maior taxa de encarceramento do planeta e o problema não pára de se agravar.

      Proibição só é bom para quem lucra com a violência.

  15. Arthur, não estou dizendo que vc é maconheiro, não quer dizer que o advogado de uma causa seja praticante dela.

    1. Eu defendo a legalização de TODAS as drogas. Se um décimo das acusações que eu costumo receber fossem verdadeiras, eu não teria mais fígado, nem narinas, nem a ponta dos dedos, nem veias para fazer um simples hemograma… 😛

  16. “Julio, você me parece estar muito mal informado e andar pelos caminhos de preconceitos ultrapassados. Ou então é troll mesmo… Pode talvez assistir o War on Drugo http://gorover.com.br/war-drugo-uma-nova-guerra-contra-drogas/
    (12.600.000 entradas no GOOGLE,3:30 minutos do seu tempo) da Global Comission for Drug Policy – ONU, 2014
    Passar bem.

    Falácia do pombo xadrista….

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