Acho divertida a pressuposição “politicamente correta” de que, se os percentuais de representação de gente com uma cor de pele ou outra em uma deteminada instituição, atividade ou região geográfica são diferentes da média nacional, então deve ser criada uma “discriminação positiva” para fazer o filho do Sicrano ter vantagens em relação ao filho do Fulano, mesmo que Fulano e Sicrano sejam vizinhos de porta, trabalhem na mesma empresa, ganhem o mesmo salário e seus filhos estudem na mesma escola, como se isso não fosse uma violência contra Fulano. Mais hilária ainda é a justificativa: “no século XIX homens da mesma cor de Fulano exploraram homens da mesma cor de Sicrano, então nada mais justo que no século XXI o Estado tire de Fulano para dar a Sicrano, isso é a reparação de uma dívida histórica”. Tragicomicamente, nossos políticos ou levam esse tipo de absurdo a sério, ou tiram proveito eleitoral da choradeira de grupos de pressão em busca de privilégios, sem se importar com as injustiças que serão perpetradas nem com o ódio racial que será promovido pela institucionalização do racismo que esse tipo de legislação trará ao Brasil.

Fulanos e Sicranos

Fulano e Sicrano eram grandes amigos. Nasceram no mesmo ano, cresceram juntos, jogavam bola no mesmo time e moraram na mesma rua a vida inteira. Quando uma empresa de segurança abriu um escritório na rua de baixo, foram juntos se inscrever para uma vaga e foram contratados no mesmo dia. Levavam uma vida muito semelhante.

Um dos amigos casou-se com a moça do caixa do supermercado do bairro, dois meses depois o outro casou-se com a balconista da lojinha de R$ 1,99 do outro lado da rua. Dois anos depois nasceram Fulano Jr. e Sicrano Jr., com apenas duas semanas de diferença um para o outro.

Os dois garotos cresceram juntos, jogaram bola no mesmo time e freqüentaram a mesma escola, assim como seus pais. Fulano Jr. repetiu a sexta série, mas no ano seguinte os dois voltaram a ser colegas porque Sicrano Jr. teve que repetir a sétima. Cursaram juntos o ensino médio, mas enquanto Fulano Jr. fazia um cursinho à noite, pago com as economias da família, Sicrano Jr. ensaiava coreografias com a sua banda, o Bôndi du Sykranaum, que agitava as madrugadas de sexta e sábado no ginásio do bairro.

Fulano Jr. estudava de segunda a sexta, Sicrano Jr. cantava de terça a sábado, e chegou o ENEM. Como era de se esperar, três anos de preparação diferenciada produzem efeitos diferentes. As notas de Fulano Jr. foram consistentemente maiores que as notas de Sicrano Jr. em todas as disciplinas.

Quando os dois se inscreveram para o curso de engenharia elétrica na universidade federal, entretanto, uma coisa estranha aconteceu: Fulano Jr., que havia se dedicado aos estudos durante três anos para garantir sua vaga na universidade, foi informado que não tinha atingido o escore mínimo para ingressar, mas Sicrano Jr., que havia negligenciado os estudos e obtido notas menores em todas as disciplinas, tinha obtido ingresso.

Domingão, faixa de “bixo” na frente na casa dos Sicranos, churrascada no quintal, parentada, vizinhança… cadê os Fulanos? Alguém chama os Fulanos! E lá vai o Sicrano berrar por cima do muro:

– Fulano! Ô Fulano! Vem aí comer um churrasco pra comemorar que o Sicrano Jr. entrou na universidade!

Na casa dos Fulanos, clima pesado. Frustração. Cobranças. Brigas:

– Tanto esforço se fez pra economizar para você estudar e você fracassa!

– Mas pai, eu estudei, fiz cursinho toda noite, fui muito bem nas provas!

– Que bem nas provas coisa o quê, se tivesse ido bem tinha passado, olha aí o Sicrano Jr., fazia a mesma coisa que você, ainda cantava todo final de semana, ganhava uma grana, pegava a mulherada do bairro, fazia festa e entrou no mesmo curso que você queria!

– Pai, as notas dele foram todas menores que as minhas. Todas. Tá aqui o gabarito oficial, tá aqui o meu gabarito, tá aqui o gabarito dele. Confere!

– Ah, é! Vai ver que ele entrou na universidade porque foi pior, mesmo. Você é que não teve competência para entrar!

– Eu não tive foi melanina pra entrar!

Fulano Jr. atira os gabaritos no chão e sai de casa batendo a porta.

– Melanina? Mas que porcaria é essa que ele tá falando? Ô mulher! O que que é melanina? O filho do Sicrano tá usando droga?

– Não, querido. Melanina é o que dá cor à pele. O Sicrano Jr. tirou nota pior em todas as disciplinas, mas ganhou a vaga porque entrou pelas cotas.

– Entrou pelas costas? O filho do Sicrano é viado?!?

– Pelas cotas! A universidade reservou 30% das vagas para alunos negros. A nota do Fulano Jr. foi muito maior que a nota do Sicrano Jr., mas o Fulano Jr. é branco e o Sicrano Jr. é negro.

– Mas como é que é isso? A gente se sacrificou tanto pra pagar o cursinho, o Fulano Jr. se matou estudando enquanto o Sicrano Jr. cantava e fazia festa e agora quem ganha a vaga na universidade é o Sicrano Jr. só porque é preto?

– É.

– …

Aí ouvem o grito vindo por cima do muro:

– Fulano, vem pro churrasco! Vem comemorar o sucesso do meu filho!

Fulano junta os gabaritos que Fulano Jr. jogou no chão e vai conferindo pelo caminho até a casa de Sicrano. Nota maior em português… Nota maior em matemática… Nota maior em história… Nota maior em biologia… Nota maior em química… Nota maior em física… Nota maior na redação… Nota maior em todas as provas. Todas, sem exceção.

– E aí, Fulano! Ô rapaz, fiquei sabendo que o Fulano Jr. não entrou, que pena. Mas o rapaz é inteligente, ano que vem ele entra. Desencana. Hoje vamos comemorar o sucesso do meu filho! Pega uma ceva aí!

– Ô Sicrano, você conferiu o gabarito das provas?

– Eu não, por quê?

– Olha aqui, negão.

– Que diferença faz isso, cara? O importante é que meu filho está na universidade.

– Mas o meu filho acertou mais respostas em todas as disciplinas e teve nota maior na redação e não entrou.

– Ah, isso depende do curso. Tem curso que precisa de mais nota, outros de menos nota.

– Sicrano, eles estavam concorrendo pro mesmo curso.

– Não pode.

– Olha aqui.

Sicrano pega os gabaritos e começa a conferir. Português… Matemática… História… Biologia…

– Não acredito, cara. Seu filho acertou mais questões em todas as disciplinas, era pra ter entrado melhor classificado que o Sicrano Jr., deve ter alguma coisa errada aí.

O rapaz ouve o comentário e explica:

– Não tem nada errado não, pai! É isso aí mesmo, eu entrei nas vagas reservadas para os cotistas.

– Contistas? Mas você entrou em engenharia elétrica ou em letras?

– É cotistas, pai. O governo reserva uma cota de 30% das vagas para alunos negros.

– Como é que é?

– É por causa da escravidão, do racismo, da diferença de oportunidades, pai. Toda vida os brancos se deram bem em cima dos negros. Com a instituição da discriminação positiva nós passamos a ter direitos iguais de verdade. Os brancos não podem mais nos excluir, impedindo que a gente tenha o acesso que merece às vagas no ensino superior e nas empresas.

Aí o Fulano não se conteve:

– Como é que é, Sicrano Jr.? Você está dizendo que ganhou essa vaga porque mereceu mais que meu filho, que passou três anos estudando enquanto você cantava e fazia festa?

– Ô seu Fulano, qualé? Vocês escravizaram nosso povo, exploraram nossos antepassados e nos excluíram do mercado. Negro no Brasil sempre foi cidadão de segunda categoria, mas agora isso está mudando, tá ligado? A sociedade brasileira tem uma dívida histórica com o povo negro e tem que nos dar uma justa reparação por todo sofimento que nós passamos.

Vocês quem, ô rapaz? Eu trabalho no mesmo lugar que seu pai, ganho o mesmo salário que seu pai, que palhaçada é essa de vocês? E que palhaçada é essa de “dívida histórica” e sofrimento se eu e seu pai toda vivemos na mesma rua, estudamos na mesma escola e trabalhamos na mesma empresa? E você e meu filho a mesma coisa. Você acha que a sociedade tem uma dívida histórica com você, que fica cantando bandalheira e fazendo festa ao invés de estudar? E acha certo pagar essa dívida com a vaga do meu filho, que passou três anos estudando toda noite com o dinheiro que eu me sacrifiquei pra ganhar?

– Ih, se liga, é bem coisa de branco racista. Choradeira de quem sempre nos explorou e não admite perder privilégios. Vocês são mesmo um bando de filhos-da-pu… *** PLAFT! ***

O tapa estalou certeiro na boca de Sicrano Jr., que cobriu a boca com as mãos e arregalou os olhos. Fulano ainda rosnou, com o dedo em riste:

– Morde essa língua pra falar comigo, neguinho boçal!

Então metade dos presentes partiu para cima de Fulano e a pancadaria tomou conta do lugar. Nem mesmo Sicrano, que se colocou em frente ao amigo para defendê-lo, conseguiu segurar os convidados e evitar que Fulano fosse surrado.

Com duas costelas quebradas, Fulano saiu do hospital direto para a detenção, onde aguarda julgamento pelos crimes de racismo e agressão.

Não adiantou Sicrano explicar pro delegado que Fulano não era um homem violento, que aquilo foi uma explosão emocional porque ele estava de cabeça quente devido a uma grande injustiça.

Não adiantou Sicrano explicar que o tapa na boca foi merecido, que se não fosse Fulano ele mesmo teria esbolachado o filho abusado pelo desrespeito a seu amigo de infância.

Seis testemunhas alegaram que Fulano agrediu e ofendeu Sicrano Jr. em função de preconceito racial. Todos negros.

Ninguém foi detido pelo espancamento de Fulano. Para isso a única testemunha era Sicrano.

Fulano perdeu o emprego devido à prisão.

Fulano Jr. agora tem que trabalhar para ajudar no orçamento de casa, não lhe sobra muito tempo para estudar.

Sicrano Jr. montou uma chapa para o DCE e pretende lutar para que a universidade institua uma cota de 30% de professores negros.

E Sicrano repete todo dia, com visível mágoa, que alguma coisa mudou no olhar de seu amigo.

–//–

98 thoughts on “Estatuto da Igualdade Racial: a institucionalização do racismo no Brasil

  1. O artigo sobre qualificação do ensino público já está publicado:

    http://arthur.bio.br/2009/10/28/educacao/como-qualificar-o-ensino-publico

  2. Graziela Tavares

    09/10/2011 — 19:43

    Boa noite Arthur. Estou fazendo um trabalho que foi pedido na faculdade e pesquisando na internet, descobri seu blog. Achei muito interessante e de acordo com o que eu penso a respeito de vários assuntos. Gostaria de saber se você tem em seus arquivos algum artigo sobre o racismo no Brasil, que possa enriquecer meu trabalho. Aguardo retorno.

    1. Graziela, clica na TAG “Racismo” em azul na coluna da direita do blog. Os artigos que eu escrevi que têm relação com o tema estão todos ali.

    1. Sim, eu vi isso. Aliás, três pessoas que não se conhecem entre si me telefonaram para me contar isso. Eu tinha um certo receio de que este STF decretasse as cotas constitucionais – mas nunca imaginei que a baixaria pudesse ser unânime.

      O STF está totalmente aparelhado. 🙁

  3. gostaria de saber a tua opinião sobre cotas baseadas na renda, no caso “x% de vagas pra pessoas com renda familiar de até y reais”…

    1. Sou contra todo e qualquer tipo de cotas exceto cotas para deficientes. Se estão faltando vagas no mercado de trabalho, é criando vagas que se resolve o problema, não punindo quem é melhor qualificado pela transferência de suas vagas para quem é pior qualificado.

    2. Arthur, você não aceitaria nem cotas sociais com prazo determinado em lei para acabar, associadas a um plano de reformulação dos ensinos básico e médio?

    3. Não.

      As cotas não resolvem problema algum, alguém continua sem vagas!

      As cotas apenas redistribuem a injustiça e pioram a situação por penalizar o mérito e a qualificação.

      Que sentido há em fazer um absurdo desses “só por um tempo”?

      Assim como a única verdadeira solução para combater o sono é dormir, a única ação razoável para combater a falta de vagas é abrir mais vagas.

      Tomar um “arrebite” para continuar acordado e penalizar a qualificação preenchendo vagas com critérios de coitadismo sãs as típicas “soluções” que costumam trazer problemas piores que os problemas originais.

    4. Eu até aceito cotas* sociais em tese. SE houver um real programa de mudança na qualidade do ensino público. Mas aqui no Brasil viraria mesmo uma gambiarra permanente.

      *-Não cotas como vagas, mas sim alguma vantagem na pontuação, de preferência. Vagas garantidas são muito ruins.

      Não acho que se devesse aumentar as vagas, nem todo mundo pode ou precisa de uma universidade. O que se deveria é diminuir o fosso salarial entre algumas profissões, especialmente entre as de nível superior e as outras.

    5. Esta conversa continua aqui. Clique e pule para o ponto certo.

  4. Aqui tá rolando muita discussão depois daquela lei do 50% de cotas, rolou marcha contra as cotas, e o facebook agora tá cheio de mensagens e de discussões sobre isso… vou até linkar algumas mensagens q postaram aqui e tu me diz o q acha uahshuashasu

    http://www.revistaovies.com/reportagens/2012/08/deixa-o-preto-estudar/
    aqui fala sobre o debate q teve depois da marcha com o pessoal anti-cotas e o pessoal dos movimentos negros…

    http://tamarafreire.wordpress.com/2012/08/15/essa-conversa-nao-e-sobre-voces/
    http://a1.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/402090_10151181583025452_1893343960_n.jpg
    http://www.cartacapital.com.br/sociedade/no-brasil-a-pobreza-tem-cor/#.T8e4FIsnolg.facebook

    enfim… no meio das discussões, q eu evitei participar, veio essa história das cotas por renda, a princípio parecem ser menos injustas q as cotas raciais e as de escola pública, mesmo tbm não concordando com elas…

    1. Vale a mesma resposta acima para o Gerson. (15:47)

    2. Esse texto “essa conversa não é sobre vocês”, o único que li, porque compartilharam no fb, me deu muita raiva. Eles estão tratando a oposição às cotas como birra de “playboys” (um clichê detestável em discurso de simpatizante de movimentos sociais é tentar ofender alguém chamando-o de “rico”, e associar riqueza a futilidade). Se fosse assim, bastaria apontar uma pessoa que não é de classe média nem branca criticando as cotas e esse argumento cairia por terra.

      Não se critica as cotas porque contrariam o interesse daqueles “em torno dos quais o mundo gira”, os brancos de classe média (AHHHHH! QUE DISCURSO DETESTÁVEL!), mas porque elas são uma má política. As cotas sociais são discutíveis, embora em princípio eu me posicione contra elas. Mas cotas raciais são um absurdo inadmissível e injustificável.

    3. Isso é um projeto de hegemonia ideológica. Milhares de blogueiros esquerdistas – articulando-se em nível nacional para terem seus blogs sustentados com o dinheiro dos nossos impostos – postando obstinadamente as mesmas mentiras milhões de vezes até que elas se tornem o único ponto de vista não ridicularizável.

  5. Uma hipótese: se as reformulações não funcionassem no prazo estipulado pelas cotas, criaríamos cotas novamente? E se isso se repetisse, as criaríamos novamente?

    1. Mas esse é o segredo da coisa! As “medidas provisórias” são reeditadas de novo e de novo e de novo, criando o chamado “provisório-permanente”.

      Nome popular desse tipo de coisa: GAMBIARRA. Isso costuma causar acidentes e incêndios, mas o governo do PT insiste em transformar isso em política de Estado.

    2. Pois é, eu apresento essa objeção (contra essa defesa das cotas como solução paliativa) porque acredito que ela traz um incentivo para não se resolver o problema. Outra questão: se o ensino público realmente viesse a se tornar excelente, mas a proporção de pessoas de baixa renda nas universidades seguisse consideravelmente menor do que sua proporção na população total, o que deveríamos fazer?

      Assumir que as oportunidades já estão equilibradas entre os diversos grupos e que agora é legítimo haver diferenças proporcionais ou continuar mirando na igualdade de resultados?

    3. A igualdade de resultados é uma violência, tanto quanto a extrema desigualdade de resultados. Como é que tão pouca gente percebe o óbvio?

  6. postei um comentário q ficou na fila de moderação, deve ser por causa dos links :p

    1. Recuperado acima.

  7. pois é elvis, e falam como se as pessoas devessem aceitar quietas que o governo tire um direito delas…

    1. E não somente aceitam como aplaudem. Tragicômico.

  8. “Na verdade, somos desiguais, e, por isso, a igualdade só se busca quando os diferentes são tratados de forma diferenciada. A formulação marxiana – ‘De cada um de acordo com suas possibilidades, a cada um de acordo com suas necessidades’ – parece-me a mais correta e a única de corte humanista. Não pode o Estado cobrar de todos os mesmos deveres, nem oferecer a todos os mesmos direitos, pois, dos poderosos, dos ricos, incumbe-lhe cobrar mais e aos mais fracos, aos mais pobres, oferecer mais (porque deles, tomou e toma mais).”

    falam isso no artigo da carta capital, e é lamentável ver alguns colegas do direito que defendem essa besteira…

    1. De novo: igualdade perante a lei é uma coisa, igualdade de resultados é bem outra. Uma é justa, a outra é injusta. O diabo é que a esquerda pretende inverter qual é qual.

    2. e como convencer um esquerdista que a igualdade de resultados é injusta? a única coisa que eles falam quando se tenta argumentar é “tu não conhece o contexto social, histórico e político dos negros seu playboy branquelo” aushuhasuhasuhas

    3. O mais absurdo para mim é apelar para contexto histórico, como se a vida de indivíduos que viveram há 200 anos e eram negros devesse influenciar políticas públicas atuais.

  9. “De cada um de acordo com suas possibilidades, a cada um de acordo com suas necessidades” algum marciano alguma vez disse isso mesmo? (piadinha a parte, Marx realmente disse isso?)

    1. Boa pergunta. 🙂

  10. de acordo com a wikipedia foi ele q disse hahaha
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Cr%C3%ADtica_ao_Programa_de_Gotha


    1. Roma locuta, causa finita. 😛

  11. Tornar os salários menos desiguais, como, Gerson?
    Concordo plenamente que nem todos precisam de universidade, achei muito legal você dizer isso porque essa é uma ideia que geralmente as pessoas discordam muito. Porém, há carência de mão-de-obra qualificada no Brasil, daí, criar mais vagas é desejável (menos em Direito, hahaha. Brincadeira, mas nem em todas as áreas, e eu acho que em Direito não precisa).

    Outra coisa, assumindo que devemos ter cotas, sem pensar muito, também me pareceu que uma vantagem percentual é mais justa. Porém, aconteceu na UFF se não me engano, que dava um bônus alto demais para os cotistas, que só 3 aprovados em toda a universidade esse ano eram não-cotistas!

    Aqui, achei link: http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2012/01/apenas-3-entre-1748-aprovados-na-uff-passaram-sem-bonus.html

    Não sei o que deu depois, mas isso chama atenção para um problema. Provavelmente, nesse caso, até os defensores das cotas acham que o resultado foi favorável demais para os cotistas. Por outro lado, se o bônus de nota fosse muito baixo e só 3 cotistas tivessem sido aprovados, acho provável que eles argumentariam que gente de menos teria sido aprovada. Por isso, acho que é mais viável arbitrariamente definir quantas vagas serão reservados para cota, já que há “vagas demais” e “vagas de menos” para cotistas.

    1. O Brasil precisa de muitos profisionais técnicos qualificados e instruidos. Não precisamos de tanto dotô.

    2. Elvis, usa o “Reply” pra continuar a conversa na mesma sequência e ficar fácil acompanhar?

    3. Eureca! Finalmente entendi como funciona o “reply” nesse blog, pode deixar que vou usá-lo direito. Desculpa o inconveniente.

      Eu acho que com dotô você quis dizer gente com carreira acadêmica que não contribui muito para o aumento de produtividade do país. Nesse sentido, eu concordo. Mas, por exemplo, o Brasil precisa de “dotôs” (quero dizer, médicos), de acordo com a recomendação da OMS. E precisa de engenheiros, já vi isso na TV (haha, sei que isso é uma falácia, mas não seja chato de apontar isso sem oferecer dados defendendo o contrário).

      Acho que é importante pensarmos em quais investimentos na área de educação o retorno futuro em produtividade será maior. Eu não sei dizer isso, mas duvido que seja criando vagas de pós-doutorado em Literatura japonesa, por exemplo. Não que eu ache que essas áreas devam ser excluídas, mas precisamos levar em consideração o que temos de abrir mão para poder bancar os cursos mais “avoados”.

    4. Gente, eu tenho uma amiga que se formou em… moda! Curso superior de MODA, pago com dinheiro público. Imagino as disciplinas… História da Moda, Trespassados e Babados, Anatomia da Modelo, Marketing Inovadior, Seminário sobre Tendências… AAAAAAAAAAARRRRRRGGGGGGGGHHHHHHH!!!!!!!!!!

      E a gente pagando salário de professor universitário pra sustentar vagabundo pra ensinar desocupado a combinar corzinha! PQP!!!!!

      Isso pra não falar nos cursos de formação de vagabundo e agitador esquerdista profissional, que são a maioria em certas áreas da “ciência” que eu nem vou citar o nome porque não estou com paciência para bater boca…

      Se fecharem metade dos cursos universitários do Brasil, ninguém vai perceber a diferença. Só vai ter menos desocupado com “nível superior”.

      As universidades particulares descobriram que vender diploma de qualquer bobagem dá lucro. E as públicas foram pro buraco por causa da chafurda moral dos “politicamente corretos”. Não sobrou muita coisa que preste em nível de educação superior no Brasil. Simples assim.

    5. Chama o Félix Maranganha, acho que ele discorda sobre esse lance da relevância dos cursos, seria bom a gente saber a opinião dele

    6. não acho q o curso de moda se enquadre no rol de cursos inúteis, é um curso de arte igual música, desenho… só se baseia numa crença imbecil da sociedade de que existem modos melhores de se vestir…

      mas se a ideia de um curso superior é formar gente qualificada pro mercado de trabalho e existe um ‘mercado da moda’, o curso de moda não é tão inútil…

      inúteis são esses cursos que têm por aí que só servem pra formar militantes…

    7. Olha, Wagner, não sei se eu concordo com você. Eu já vi gente formada em moda dizendo que as pessoas devem ter liberdade ao escolher suas roupas.

      Por outro lado, uma crítica similar poderia ser feita à gramática, uma ideia imbecil de que existe um jeito certo de falar/escrever. Convenções nem sempre são ruins.

      Por outro lado, eu acho que Ciências Sociais, etc, não são cursos inúteis necessariamente, mas certamente, em vários casos específicos, parecem piores que isso, não inúteis mas contraproducentes.

    8. Elvis, deve seguir aquela lógica do cara que vai levar a namorada pro restaurante e ela diz que vai aonde ele quiser, ele tenta levar ela pra um restaurante de comida mexicana e ela diz que não quer, pra um de chinesa e ela diz que não gosta, etc. Ele pergunta pra ela de novo e ela responde “vou aonde você quiser, como qualquer coisa”, tem uma tirinha falando disso 😀

      uma crítica similar poderia ser feita a vários cursos, mas não dá pra negar que existe um mercado da moda…

      mas enfim, acho que essa discussão tá fugindo do tema do artigo auhsuashhuas

    9. Nada contra uma universidade particular oferecer um curso de moda. Mas sustentar uma estrutura universitária pública e gratuita para ensinar corte, costura e combinação de corzinha ao invés de aplicar esse dinheiro em mecatrônica e similares não me desce pela garganta.


    10. “Chama o Félix Maranganha, acho que ele discorda sobre esse lance da relevância dos cursos, seria bom a gente saber a opinião dele.” (Elvis)

      Vale 10 contra 1 que o Félix vai dizer que “toda forma de conhecimento é válida” e dar um jeito de justificar os cursos que na minha opinião deveriam ser fechados à granada. Quem aposta? 🙂


    11. “não acho q o curso de moda se enquadre no rol de cursos inúteis, é um curso de arte igual música, desenho…” (Wagner)

      Pois eu sou da opinião que curso superior de música, de artes (cênicas/plásticas/visuais/raioqueoparta) ou de moda são todos inadequados para financiamento público.

    12. Também saí do tema do artigo… 😛

    13. Mas o Félix é o tipo de pessoa que é bom discordar dele, porque ele argumenta bem e faz pensar. Eu acho muito bom discordar. Além da vantagem de poder “brigar”/discutir, você acaba aprendendo, tendo de pensar.

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