Se todas as culturas fossem perfeitamente alinhadas com a promoção da dignidade humana, da solidariedade e da justiça, não haveria razão de ser para lutar pela afirmação dos Direitos Humanos. O trabalho de todo o defensor dos Direitos Humanos é fundamentalmente fazer as pessoas mudarem seu modo de pensar e de agir. Em outras palavras, modificar culturas e procedimentos para proteger os seres humanos. Pacificamente ou não.

Quando eu falo de modificar culturas, assim no plural, eu estou me referindo tanto a culturas institucionais (a cultura da polícia, a cultura do judiciário, a cultura das empresas, etc.) quanto a culturas nacionais, tribais, étnicas ou de qualquer outro agrupamento humano.

Quando alguém ou algum grupo está abusando de uma única pessoa ou de uma multidão, violando seus direitos e liberdades fundamentais, não há que se levar em consideração qualquer justificativa para omitir-se e permitir a continuidade dos abusos.

Não há como afirmar os Direitos Humanos a partir de um ponto de vista de não intervenção. Pode-se e deve-se preferir as intervenções pacíficas, mas toda omissão de quem pode proteger um inocente sendo abusado é tão criminosa quanto a atitude original do perpetrador do abuso.

Eu sou a favor de proteger ativamente as pessoas que estão sendo abusadas de qualquer forma, em qualquer lugar, usando todos os meios que estiverem disponíveis em cada caso, não importa se elas estão sendo aterrorizadas no Haiti, massacradas no Sudão, mutiladas na África Subsaariana, lapidadas na Nigéria, enforcadas no Irã, enterradas vivas no Brasil, fuziladas em Cuba, torturadas nos EUA, evaporadas na Coréia ou castradas na China.

Se puder ser rapidamente resolvido com diálogo, ótimo.

Se houver sensibilidade a pressões econômicas, que sejam estabelecidas.

Se houver necessidade de invasão militar, deposição de uma tirania e ocupação por algum período para a reestruturação da região, paciência.

Seres humanos possuem direitos e merecem respeito. Abstrações não possuem direitos nem merecem respeito. Soberania é uma abstração. Cultura é uma abstração. Quando soberania e cultura forem usadas como justificativa para abusar de seres humanos, que sejam destruídas e substituídas por outras que promovam segurança, liberdade, realização, bem estar e felicidade.

Querem saber? Deveríamos fazer uma listinha com os dez piores países ou territórios em termos de desrespeito aos Direitos Humanos e começar a invadir um por ano, escolhido por sorteio, e incluir mais um na listinha do ano seguinte. Aposto que depois da terceira ocupação veríamos um fantástico surto de respeito aos Direitos Humanos e incremento dos índices de desenvolvimento humano no planeta inteiro. 🙂

Postado originalmente no Orkut em junho de 2009. Revisado e ampliado em setembro de 2009.

4 thoughts on “Direitos Humanos: por que eu sou um intervencionista

  1. Quem você pensa que é para decidir quais são as culturas “boas” e as culturas “más” no mundo?

    Cada povo e cada grupo tem a sua cultura e isso tem que ser respeitado. Você não tem o direito de impor os seus valores a ninguém.

    1. Ah, sim, claro… eu não tenho o direito de impor a defesa de inocentes contra mutilações, torturas, aprisionamentos por opinião ou por orientação sexual, casamentos ou castrações forçadas, etc.

      Mas… tiranos, ditadores e outros abusadores locais têm o direito de infligir mutilações, torturas, aprisionamentos por opinião ou por orientação sexual, casamentos ou castrações forçadas, etc. em nome da soberania e do respeito às culturas.

      Interessante é que quase toda vez que surge esse tipo de comentário na comunidade de Direitos Humanos ou aqui no Pensar Não Dói o autor é um ANÔNIMO com E-MAIL FALSO.

      Creio que isso já deixa bem claro o nível de seriedade desse colóquio tergiversante para acalentar bovinos, mas o que eu gostaria mesmo mesmo seria ver esse pessoal explicar isso para as vítimas dos absurdos que citei.

  2. Gostei mto desse texto ( e de mts outros), mas achei a última parte muito radical e utópica.
    Lembre-se que as invasões levam consigo muito inocentes. Mas sou completamente a favor do estudo de formas eficazes de intervir.
    Beijos

    1. Maria, o último parágrafo foi terminado por um emotícone (recurso que uso muito pouco no blog, mas abuso no Orkut ou no Facebook) justamente para indicar que se trata de uma ironia.

      Não que não fosse funcionar, mas sei que é uma idéia “um pouco demais da conta”. 🙂

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