A vida não é sofrimento, desejo não gera sofrimento, nirvana não é a extinção do desejo e o Nobre Caminho Óctuplo não é místico nem esotérico. Entenda as Quatro Nobres Verdades do Buda: (1) A nossa vida está fora de eixo. (2) É esse desalinho que causa desconforto. (3) Nirvana é a libertação pelo reequilíbrio. (4) O Nobre Caminho Óctuplo é uma receita prática para colocar a vida de volta no eixo, cessar a insatisfação e obter equilíbrio. 

O texto abaixo não foi escrito por mim, mas faço questão de compartilhar esta pérola de sabedoria com meus leitores e indicar as fontes para os interessados em se aprofundar no assunto.

As Quatro Nobres Verdades

Prof. de Dharma Rodney Downey (do Zen coreano)

Tradução: Ricardo Sasaki & Rosana Lucas
Editor da palestra oral: Ricardo Sasaki

Gostaria de começar falando sobre alguns enganos que temos a respeito do Dharma do Buddha, os quais são muito comuns em todo o mundo ocidental, e mesmo no Oriente. A causa desses enganos tem a ver com palavras e com aquilo que elas significam.

Hoje, no café da manhã, eu comi bolo. E ontem eu aprendi que existe uma expressão em português: Quando você vai se encontrar com uma pessoa e ela não comparece, diz-se que você “ganhou um bolo”. Imaginem que daqui a 500 anos, um arqueólogo encontre um diário de anotações de um brasileiro. Lá é dito: “Eu fui encontrar com Paulo e ganhei um bolo”. O tradutor diria que eles comeram um bolo juntos! Esta é a armadilha das palavras, as quais têm um significado para uma época e cultura em particular. O mesmo se dá com alguns dos ensinamentos do Buddha.

Consideremos as Quatro Nobres Verdades, as quais estão no centro do ensinamento do Buddha. A tradução usual das Quatro Nobres Verdades é: “A vida é sofrimento; a causa do sofrimento é o desejo; a cessação do sofrimento é se ver livre do desejo; o modo de fazê-lo é o Caminho Óctuplo”.

Isto está correto? De modo algum! Isto não é o que o Buddha falou. Este é o problema! Vamos começar com a Primeira Nobre Verdade, que é sempre traduzida como “A vida é sofrimento”. Mas que coisa horrível! Veja a vida! É uma força excitante e de grande diversidade, de inacreditável deleite. Por que, então, é traduzido como a vida é sofrimento?

Vamos examinar a língua em que o Buddha falava. O Buddha disse, de fato, que a vida é dukkha. Esta palavra sempre é traduzida como sofrimento, mas isso não é de modo algum o que significa. A raiz de dukkha é duk, e significa “eixo”. Veja a época do Buddha: A forma mais complexa de transporte era uma carroça; era uma carroça de madeira, como é na Índia ainda hoje, com um eixo de madeira unindo duas rodas também de madeira, e puxada por búfalos.

A palavra dukkha significava o eixo que está fora do prumo, que está fora de alinhamento. Imaginem o sofrimento de uma pessoa sentada nessa carroça, a força que os búfalos devem fazer e, ao invés da carroça seguir suavemente, ela está fora do eixo, desalinhada.

Então, Buddha fala sobre a vida – a vida de todos nós – usando o exemplo da carroça que tem seu eixo fora de alinhamento. Ele diz que nossas vidas estão fora de equilíbrio. E é esse desequilíbrio que leva ao sofrimento. Ele nunca disse que a vida é sofrimento. Este é um ponto muito importante. Nossas vidas estão fora de equilíbrio, ou, como os chineses falariam, não está fluindo junto com o Tao. Ambas as expressões significam a mesma coisa. Esta é a Primeira Nobre Verdade.

A Segunda Nobre Verdade se refere à razão da vida ser assim, e isso é geralmente traduzido como desejo. Mas nós teríamos uma vida muito estranha se não tivéssemos desejos. Não é o que o Buddha falou. A palavra que o Buddha usou foi trishna e significa ‘sede’. Nas palavras do próprio Buddha isso foi descrito: “É como um homem vagando no deserto por muitos dias, sedento por água”. Isso também é a sede do ‘eu quero’ e do ‘eu não quero’, e é por isto que todos nós sofremos.

O que é este ‘eu quero’ e ‘eu não quero’? O que isso indica? Significa que não estamos satisfeitos com este momento, ‘agora’. Porque se estivéssemos ‘aqui’ (Rodney bate no chão), não haveria ‘querer’ nem ‘não querer’. Simplesmente haveria este momento, agora. O Buddha, utilizando-se deste exemplo, estava dizendo: “Esteja com este momento”. O momento em que você quer ou não quer é o momento em que você deixa o agora, o momento presente, e aí, então, isso leva ao sofrimento.

Então, esse desequilíbrio que temos faz com que nunca estejamos no momento e, não estando no momento, isso leva ao sofrimento. É muito simples. Agora você pode examinar a sua própria vida a partir dessas palavras.

Mas o Buddha não parou por aí. Ele nos deu uma cura para este ‘não estar no momento’, este sofrimento. Esta cura é a Terceira Nobre Verdade, que é a verdade mais mal entendida de todas.

Ele fala do Nirvana ou Nibbana, que é uma palavra que é usada em todas as línguas nos dias de hoje, mas ninguém sabe o que significa. A palavra é muito simples. Significa expirar, apagar – como apagar uma vela. Muito simples! O Buddha apenas usava palavras simples, mas mesmo assim elas foram totalmente mal compreendidas, porque geralmente ela é traduzida como extinção do desejo. Correto? Não significa de modo algum isto.

No tempo do Buddha, a palavra nirvana, apagar, significava simplesmente isto: apagar. Mas havia uma grande diferença. De acordo com a ciência e a filosofia do Vedanta, quando você apaga uma chama, como em uma vela ou em uma lâmpada de óleo, você diz que a chama ficou livre. Quando você acende uma vela, você captura a chama, como se a colocasse numa gaiola. Então, em ‘nossa’ idéia de apagar uma vela nós dizemos ‘extinguir’ ou ‘matar’; mas, na época do Buddha, apagar uma chama significava libertá-la. Da mesma forma como seu “bolo”; coisas completamente diferentes!

Então, o Buddha nunca disse algo como matar os seus desejos; ele falava da libertação ou liberdade deste apego ao ‘eu quero’ ou ‘eu não quero’. Quando você abandona isso, então a sua vida entra num equilíbrio. Aí, então, você está completamente livre. Este é um ensinamento maravilhoso, porque ele é prático e você pode vê-lo em sua própria vida.

Se você sempre está no momento, você não pode sofrer, você está livre para ir para o próximo momento, livre para seguir para o próximo momento, sempre totalmente livre, sem estar preso no ‘eu quero’ ou ‘eu não quero’. E é isso que o Buddha ensinava. Ele, então, nos deu o Caminho Óctuplo como uma forma de alcançar isso. Da mesma forma como as pessoas dizem hoje: “Como eu posso levar esta prática para a minha vida?”, o Buddha nos deu a resposta. É o Caminho Óctuplo: A Compreensão Correta, o Pensamento Correto, a Linguagem Correta, a Ação Correta, os Meios de Vida Correto, o Esforço Correto, a Vigilância Correta, a Concentração Correta. Mas cuidado com a palavra ‘correto’, porque ‘correto’ implica que há um ‘errado’, e o Buddha não usava a palavra desta forma; o Buddha não falava desde um ponto de vista dualista.

Uma palavra melhor do que ‘correto’ é ‘apropriado’. Linguagem Apropriada, Pensamento Apropriado, Compreensão Apropriada, etc. Vamos, então, apenas examinar um desses fatores, utilizando a palavra ‘apropriada’ ao invés de ‘correta’. Linguagem Apropriada significa não falar mal de uma outra pessoa, não utilizar palavras para se mostrar, não utilizar palavras para sugerir algo que não é correto. Há muitos exemplos em suas vidas. Simplesmente falar demais é uma linguagem inapropriada. Podemos falar que ler demais também é uma linguagem inapropriada, ou ver televisão demais também seria linguagem inapropriada.

O que o Buddha quis fazer ao ensinar sobre essas várias ações não apropriadas foi nos dar um instrumento para examinarmos as nossas próprias vidas. O que significa ‘apropriado’ em termos de nossa vida? Significa Linguagem, Ação e Pensamento que nos ajudam a nos livrarmos de nosso desequilíbrio, de nosso dukkha.

O Caminho Óctuplo usado apropriadamente irá nos ajudar a colocar a nossa vida em equilíbrio. Isso não é algum ensinamento esotérico, nem aquilo que freqüentemente acontece no ensinamento mal compreendido sobre o que o Buddha ensinou.

As Quatro Nobres Verdades são muito práticas, baseadas na vida real. É um ensinamento sobre como viver a sua vida. E posso assegurar a vocês, que se lerem qualquer ensinamento do Buddha que parecer muito distante de sua vida agora, isso é uma tradução ruim. Porque o Buddha era um homem prático e inteligente, que olhava profundamente para o que fazemos conosco. A partir daí, ele nos ofereceu um modo de sair disso. Espero que isso que falei sobre as Quatro Nobres Verdades tenha lançado um pouco de luz. Muito obrigado!

–//–

Eu encontrei uma cópia deste texto no Orkut, na comunidade Budismo.
O autor do tópico indicou como fonte um artigo do blog Projeto Phronesis.
Os autores do blog indicaram como fonte um artigo do site da Comunidade Zen-Budista de Curitiba.
Eu copiei o texto original sem alterações.

27 thoughts on “As Quatro Nobres Verdades

  1. Caro Arthur! O “estar no aqui e agora” é o conceito mais fugaz que tem sido apresentado. Escorrega entre os dedos como segurar a água. A permanência seria iluminadora. Se ser feliz é um objetivo real, e trouxer vantagens evolutivas, a seleção e o espírito de Darwin se encarregarão de enfiar isto nas cacholas, via alelos saltitantes, num DNA qualquer, quiçá rumo a um grande salto. Mas que seja rápido, pois temos pouco tempo. Está prevista uma nova Pangéia para daqui a 250 milhões de anos. As condições de vida serão inóspitas e minhas esperanças de que meu tera-tera-neto seja agraciado são exíguas. Um abraço! Parabéns pelo achado. Um texto iluminador!

    1. “Iluminação geneticamente transmitida”? Hmmm… por um certo ângulo, faz sentido! 😐 Mas enquanto isso não chega, acho uma boa incorporar o Nobre Caminho Óctuplo às nossas vidas. 🙂

      Pô, 250 milhões de anos é logo ali, será que antes disso nos tornaremos uma raça de Budas?

  2. É o esperado de um texto Zen e coreano ainda. Pensar? Nem pensar!

    1. Figueiredo, obrigado pela visita! Mas não entendi se esse comentário foi contra, a favor ou muito antes pelo contrário. 😛

  3. Arthur,
    adorei o texto. Como diriam os meus primos adolescentes, o texto é ‘duca’. Buddha diria que achou ele ‘dukka’?
    Buddha, como a mulata, era mesmo o Tao!
    Nossa, extrapolei. Sorry! 🙂
    bom fim de semana

    1. Ah, isso foi vingança, eu sei…

  4. hahaha, é bem possível… 😉
    Baideuêi, te achei no Facebook, enviei um pedido mas a caixinha fechou antes que eu pudesse enviar a mensagem pra você saber que eu sou eu! Ah, esses cyber-glitches…

    1. Estou com problemas para usar o Facebook, acho que meu navegador não é compatível, mas te adicionei sem problemas. 🙂

  5. Quem nem quer nem não quer nada vai é morrer atolado na pobreza sem contribuir em nada para o progresso da humanidade. Quem quer ser um bunddha? Eu não!

  6. Marcos Dias

    26/12/2010 — 18:33

    Eu vi um texto parecido chamado a vida é dukkha.

    http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2009/03/a_vida_e_dukkha.html

    1. É o mesmo texto, só mudaram o título pra fazer trocadilho.

  7. David Paulo

    12/01/2011 — 16:32

    Arthur,

    você pode dizer que o pensamento de buddha é simples, mas não é todo muno que consegue pensar o que ele pensou. Para mim, o caminho octuplo consegue consertar mesmo o erro que o “Economista Realista” pensa ser erro, pois é muito relativo e leva a uma verdade de cada um.

    1. É verdade. Nem sempre é simples o processo de chegar a uma conclusão simples. Então, quando apresentamos a solução simples, resultado de um longo e profundo processo de análise, avaliação de mérito e síntese de preceitos que resumam adequadamente a complexidade do processo, muitos não conseguem perceber a sabedoria contida nesta simplicidade. É uma lástima.

      Mas eu concordo com um ponto na crítica do E.R., embora por outros motivos: a “Omissão Correta” nunca foi ensinada pelo Buda e mesmo assim tem muita gente que a pratica alegando que este é um ensinamento dele…

  8. David Paulo

    12/01/2011 — 16:34

    Afinal, usar um computador é simples. criar um e ainda por cima criar um sistema operaciional para facilitar seu manuseio é um pouco mais complexo.

    1. Bom exemplo. 🙂

  9. Eu sou 1/2 taoista, 1/2 consciencilista neokahuna(TM) e 1/4 budista (eu sei que a conta não bate). Sempre apreciei o aspecto da compaixão do budismo, mas não concordava com a interpretação da doutrina que eu conhecia. Esse post vai me dar muito em que pensar.

    1. Este artigo é revolucionário.

  10. Arthur…o q vc acha da posição do budismo com relação as drogas?

    1. Por um ângulo, faz sentido. Por outro ângulo, é tolamente moralista. Portanto, depende do ângulo pelo qual olharmos a questão.

  11. Fala correta
    P. Arya, o que é “fala correta”?

    R. Acho que já escrevi aqui sobre isso. Como temos quase 750 postagens, não vou conseguir achar agora , então aí vai uma definição simples:

    Fala correta é aquela que não é ENGANOSA, não é MALICIOSA, não é SEVERA e não é INÚTIL.

    Agora, vamos definir cada uma delas:

    a) Fala Enganosa: É aquela que tem como objetivo ENGANAR, que quer mostrar como verdadeiro algo que não é verdadeiro, quer mostrar como falso algo que não é falso, quer dar, através da palavra, uma impressão falsa sobre as coisas.
    Existem vários objetivos na fala enganosa tais como obter vantagens, obter simpatias, obter partidários etc.

    b) Fala Maliciosa: A fala maliciosa é aquela que enseja fazer o mal a alguém. Fazer o mal através da fala é possível de várias maneiras. Você pode aconselhar uma pessoa a fazer coisas erradas, pode mentir sobre alguém para denegrir a imagem desse alguém, pode induzir pessoas a quebrar preceitos, pode prejudicar a família da pessoa semeando discórdia e desconfiança, pode seduzir uma pessoa para obter vantagens como sexo ilícito etc.

    c) Fala Severa: A fala severa é a grosseria desnecessária, sem nenhum objetivo. A mãe pode e deve ser severa com os filhos se tem como objetivo discipliná-los e corrigi-los. O pai pode e deve corrigir severamente os desvios da família que chefia. O mestre pode e deve ser severo com as falhas dos discípulos. Aquele que defende o Dharma pode e deve ser severo com os que falseiam o Dharma ou com os que atacam o Dharma verdadeiro. Nada disso é a “fala severa” que o Budismo condena.
    Buda foi severo com Ambhatta e com outros discípulos. Vários mestres iluminados eram severos com seus discípulos em treinamento.
    O que o Budismo chama de “Fala Severa” é a grosseria gratuita, sem objetivo, baseada no descontrole emocional de quem a pratica como, por exemplo, o marido que chega embriagado em casa e destrata todo mundo, xinga e ofende.
    Também é “fala severa” as pessoas que não têm bons modos nem cortesia com os outros.
    Alguns templos japoneses radicados no Brasil são campeões de “fala severa” com os brasileiros. Botam os visitantes para fora, tratam os brasileiros como “ladrões em potencial”, vigiam de forma rude aqueles que chegam pela primeira vez, respondem com maus modos, ficam de cara feia etc.
    Há um templo japonês cuja responsável diz aos visitantes que eles estão “atrapalhando” e que ela está na “hora do almoço”, caso esses visitantes não sejam nipo-descendentes. Ela não faz a mínima questão de esconder sua arrogância e falta de educação completa e ainda se diz “ofendida” caso alguém resolva colocar os absurdos para o conhecimento do público. Há um outro que a monja não bota nem a cara no portão para atender às pessoas, dispensando pelo interfone mesmo qualquer brasileiro que tenha interesse em conhecer o templo.
    É curioso como, mesmo diante de tudo isso, os brasileiros continuam achando que esses templos têm “fala correta”, só porque o monge não fala “palavrão” e nem ataca as idéias de quem distorce o Dharma.
    Atacar as idéias de quem distorce o Dharma é OBRIGAÇÃO estabelecida nos sutras.
    Distratar as pessoas ou humilhá-las por motivos escusos e não declarados (como o RACISMO NOJENTO de uma parcela do asiáticos para com os ocidentais) é FALA INCORRETA.

    d) Fala Inútil: É aquilo que os mineiros de antigamente chamavam de “balangar os beiços”, ou seja, ficar jogando conversa fora, tocando em assuntos que não tem nenhuma utilidade para o treinamento da mente, ou que, ao contrário, atrapalham muito a manutenção correta dos preceitos e da moralidade.
    Ficar falando de mulher, de homem, de carro, de futebol, de quanto é legal ficar bêbado, da “brisa” da maconha, da vida do beltrano ou da fulana, do que o artista ou a “celebridade” da TV fez ou deixou de fazer etc.
    Existem coisas que, apesar de parecer, não são inúteis.
    Momentos de descontração, de bom humor etc., são necessários para a manutenção de uma mente saudável. No entanto, esses momentos não devem se tornar a maioria dos momentos. Tudo tem seu tempo.
    O Budismo não advoga a chatice nem o fanatismo monotemático. É preciso ter equilíbrio. O que não dá é para ficar buscando ocasião, a toda hora, para falar inutilidades.
    Muitas vezes, o silêncio é bem mais saudável que a fala.

    Fonte: http://chakubuku-aryasattva.blogspot.com.br/2011/12/fala-correta.html

  12. Monges budistas

    Nichiren

    Nichiren ataca abertamente todas as outras escolas de seu tempo em termos nada “educados”, por assim dizer.
    Algumas passagens memoráveis:

    “Quão pesaroso é imaginar que, no espaço de poucas décadas, centenas, milhares e dezenas de milhares de pessoas foram iludidas por esses diabólicos ensinamentos e em muitos casos, ficam confusos quanto aos verdadeiros ensinamentos do Budismo. Se as pessoas apóiam as doutrinas perversas e esquecem o que é correto, como poderiam ficar as divindades benevolentes, senão iradas?” (Risshô Ankoku Ron)

    Aqui, Nichiren está chamando de “diabólicos ensinamentos” e de “doutrinas perversas” à obra do monge Honen, o “Senchaku Nembutsu Shu”, que é o fundamento da Escola da Terra Pura (Jodô-Shu)

    “Assim, ele (Honen) derramou todas as palavras pervertidas de sua própria criação, sem conhecer absolutamente as explanações contidas nas escrituras budistas. Provém dele a pior espécie de afirmativa sem fundamento, um caso claro de calúnia. Não existem palavras para descrevê-lo, e nenhuma maneira de censurá-lo pode ser demasiadamente pesada…
    Um homem como Honen é na verdade um inimigo mortal dos Budas e dos sutras e inimigo de monges sábios e também de homens e mulheres comuns. E agora os seus ensinos heréticos propagaram-se pelas oito regiões do país; eles penetraram em cada uma das dez direções” (Risshô Ankoku Ron)

    “Shan-tao (patriarca chinês da doutrina da Terra Pura) é o pior inimigo de todos os Budas, monges e praticantes leigos. Se as palavras do Sutra do Lótus são verdadeiras, então como podemos escapar do inferno de incessantes sofrimentos? (Shogu Mondo Shô)

    “Se o senhor discorda disso, deve encontrar uma passagem nos sutras que fundamente sua visão de forma que possa salvar Shan-tao e Honen de seus tormentos no inferno dos incessantes sofrimentos.” (idem)

    “Alguém como Kobo (fundador da Escola Shingon) invariavelmente cairá no inferno – disso não resta a mínima dúvida” (idem)

    “O senhor pretende rejeitar Sakyamuni e seguir Kobo ou vai rejeitar Kobo e seguir Sakyamuni?” (idem)
    “Os seguidores da escola Zen deixaram-se desviar do verdadeiro caminho por uma ou duas frases ou sentenças e deixaram de investigar se elas representavam o Mahayana ou o Hinayana…
    …haverá monges maléficos que depositam sua fé no Zen e não se aprofundam nos sutras e nos sastras. Eles irão basear-se em visões distorcidas e serão incapazes de distinguir as doutrinas certas das erradas. Além disso, eles irão se dirigir aos seguidores e seguidoras, monges e monjas, e declarando ‘Eu posso compreender as doutrinas, mas outras pessoas não podem’, e dessa forma agirão para propagar os ensinos Zen. Porém, deve compreender que essas pessoas destruirão o correto ensino do Buda.” (idem)

    Bodhidharma

    Um texto atribuído ao “pacífico” Bodhidharma, diz que matar icchantikas não é incorreto (o que está de acordo com a doutrina do Sutra do Nirvana).

    “Fazendo o oposto do que ele pretendia tais pessoas blasfemam Buda. Matá-las não seria errado. Dizem os sutras “Uma vez que icchantikas são incapazes de confiar no Dharma, matá-los não seria culposo, enquanto as pessoas que confiam alcançam a Iluminação” (Sermão do Ciclo da Vida)

    “A menos que vejam sua natureza, as pessoas que raspam a cabeça são simplesmente fanáticos” (idem)

    “Todas as práticas são impermanentes. A não ser que elas vejam sua natureza, as pessoas que dizem ter atingido a iluminação completa são mentirosas”(idem)

    “As pessoas que não entendem e pensam que podem entender sem estudo não são diferentes daquelas almas iludidas que não podem diferenciar branco do preto. Proclamando falsamente o Dharma de Buda, de fato tais blasfemem Buda e subvertem o Dharma. Elas rezam como se estivessem chamando chuva. Mas suas rezas são dos demônios e não dos Budas. Seu mestre é o Rei dos Infernos e seus discípulos são os favoritos do demônio.”(idem)

    Suzuki Shozan (1579-1655), monge erudito da Escola Soto:

    “Se Deus é o mestre do universo, certamente ele está fazendo um trabalho desleixado ao permitir que uma infinidade de nações criadas por ele sejam tomadas por budas subsidiários, ao tolerar que disseminem seus ensinamentos para libertar os seres desde que o céu e a terra se abriram. Esse Deus, na verdade é um buda insensato.
    Ademais, dizem que Jesus Cristo veio ao mundo e foi crucificado por homens comuns do mundo terreno. Esse é o mestre do universo? Como algo pode ser tão ilógico?
    Os cristãos não conhecem o estado iluminado unificado de real semelhança com a consciência original. Em sua ignorância, tomaram um buda para adorar. Seu erro ao vir a este país (Japão) para difundir ensinamentos diabólicos e princípios falsos não pode evitar o castigo dos deuses.
    Existem muitas pessoas ignorantes que não podem compreender lógica tão simples e desperdiçam a vida reverenciando esse ensinamento. Não é uma desgraça nacional? Sem ousar mencionar as consequências para nossa reputação internacional.” (Ha Kirishitan)

    “Para eles (cristãos), chegar a este país (Japão) e tentar contrapor ensinamentos autênticos (Budismo) a idéias e interpretações tão estúpidas (Cristianismo) é como um pardal desafiando uma ave gigantesca, ou como um vagalume falando da luz para a Lua” (idem)

    Eu poderia transcrever aqui mais dez ou vinte páginas de citações, de monges de todas as escolas budistas existentes.

    http://chakubuku-aryasattva.blogspot.com.br/2012/01/os-budistas-de-hoje.html

  13. O que não falta é passagens nos sutras onde Buda chama monges que distorcem o darma de cobras venenosas, tolos e expulsa da sanga. Buda não era pacifista, era pacífico, Buda não era bonzinho, era justo.

  14. Intolerante é quem quer forçar os outros, POR MEIOS VIOLENTOS, a não expressar as próprias opiniões ou quem quer convencer alguém atacando a essa pessoa (não as idéias, mas a pessoa definida), causando-lhe dor, inflingindo-lhe violência.
    Intolerante não é quem diz que “o cristianismo é uma porcaria”, mas intolerante é aquele que quer impedir os cristãos de entrarem na igreja, aquele que tenta caçar o direito dos cristãos a acreditarem no que bem entenderem ou aquele que tenta proibir os cristãos de se expressarem como cristãos ou de difundirem por meios pacíficos suas idéias.
    Voltaire não era intolerante por ter escrito que o cristianismo é uma besteira e que a Bíblia é uma mentira. Voltaire foi considerado, pelo contrário, “o campeão da tolerância” por ter se arriscado a defender um protestante acusado falsamente em um país de católicos intolerantes…Mesmo criticando ferozmente aquilo que o protestante acreditava, Voltaire defendia o direito sagrado que o protestante tinha de acreditar e expressar livremente aquilo que bem entendesse.
    Intolerante não é quem discute doutrina budista e diz que uma ou outra instituição estão doutrinariamente desviadas. Intolerante é quem quer impedir o funcionamento dessas instituições, quer impedir a livre manifestação de fé das pessoas participantes de tais instituições ou quer, através de coação, impedir a livre manifestação de suas idéias.

    http://chakubuku-aryasattva.blogspot.com.br/2012/02/o-tema-eterno-da-tolerancia.html

  15. Passagens do Sutra Mahayana do Parinirvana:

    “Há três graus de matança: o inferior, o médio e o superior. O grau inferior consiste na matança de qualquer ser comum, desde uma formiga a várias espécies de animais. (…)

    Como conseqüência da matança de grau inferior, a pessoa cairá no mundo infernal, no mundo dos preta (fantasmas famintos) e no mundo dos animais e sofrerá as dores próprias à matança desse grau. Por que deve ser assim? Porque mesmo os animais e outros seres comuns possuem as raízes do bem, por menores que elas possam ser. Eis por qual motivo uma pessoa que mata seres sencientes como esses deve receber a máxima punição por essa ofensa.

    Matar qualquer ser humano, desde um mortal comum a um anagamin[2], constitui-se matança de grau médio. Como resultado desse ato, a pessoa cairá no mundo infernal, dos preta e dos animais e sofrerá as dores próprias à matança de grau médio. O grau superior de matança refere-se a matar os pais, um arhat, um pratyekabuddha[3] ou um bodhisattva[4] que atingiu o estado da não-retrogressão. Por esse crime, a pessoa cairá no grande inferno Avici[5]. Bons homens, se uma pessoa fosse matar um icchantika[6], essa matança não cairia em nenhuma das três categorias mencionadas. Bons homens, os vários brâmanes que eu disse ter matado, todos eles de fato eram icchantikas.”

    “Quando observo o passado, recordo que era um rei de um grande estado neste continente de Jambudvipa. Meu nome era Rsidatta e eu amava e venerava as escrituras do Mahayana. Meu coração era puro e bom e eu não tinha nenhum traço de maldade, inveja ou avareza. Bons homens, naquela época eu abrigava os ensinos do Mahayana em meu coração. Quando ouvi brâmanes caluniando esses sutras corretos e justos, mandei matá-los imediatamente. Bons homens, como resultado dessa ação, nunca mais caí no mundo infernal.”

    ” Agora eu confio o correto Dharma, que é insuperável, aos governantes, aos ministros, aos altos oficiais e às quatro assembléias da Sangha. Se alguém aviltar o correto Dharma, então os ministros e os membros da Sangha devem repreendê-lo e convertê-lo à Sangha…
    O Buda respondeu : Kasyapa, por eu ter sido um defensor do correto Dharma, possuo agora este corpo indestrutível. Ó Bom homem, os defensores do correto Dharma não precisam observar os cinco preceitos ou praticar regras de conduta apropriadas (quando se trata de defender o Dharma). Em vez disso, devem ter à mão facas e espadas, arcos e flechas, alabardas e lanças…
    Mas mesmo que uma pessoa não observe os cinco preceitos, se defende o correto Dharma, então pode ser chamada de praticante do Mahayana. Os defensores do correto Dharma devem armar-se com facas, espadas e bastões. Mesmo que carreguem espadas e bastões, eu os consideraria homens que observam os preceitos.”

  16. É completamente absurdo falar que budismo é pacifistas, o budismo é pacifico, não é pacifista. Todo a historia budista nasceu e se desenvolveu numa sociaedade guerreira. O próprio Buda foi guerreiro, vários budas foram guerreiros.

  17. Se as pessoas ler o tripitaka, buda usa inumeras parabolas de histórias de guerra para ensinar o darma, histórias de reis que entraram em conflitos.
    O budism ensina que deve usar os meio diplomaticos primeiro para resolver os conflitos, se esgotados todos os meios, ir a guerra ou usar meio violentos não gera carma ruin, pois o budista não foi o agressor injustificado, não teve o desejo gratuito de ferir pessoas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *