Direitos negados aos cidadão homossexual no Brasil por intolerância oficial do Estado brasileiro contra sua orientação sexual

Eu encontrei esta lista no Orkut, em um tópico da comunidade Direitos Humanos, e fiquei impressionado com a quantidade de direitos que o Estado brasileiro nega ao cidadão homossexual em função de intolerância oficial contra sua orientação sexual. Quando se trata de respeito à diversidade sexual, o princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei é letra morta. Isso é uma vergonha! 

O cidadão homossexual:

1. Não tem o direito de casar com o companheiro.

2. Não tem o direito de ter reconhecida a sua união estável com o companheiro.

3. Não tem o direito de adotar o sobrenome do companheiro.

4. Não tem o direito de somar renda com o companheiro para aprovar financiamentos.

5. Não tem o direito de somar renda com o companheiro para alugar imóvel.

6. Não tem o direito de inscrever o companheiro como dependente de servidor público.

7. Não tem o direito de incluir o companheiro como dependente no plano de saúde.

8. Não tem o direito de participar de programas do Estado vinculados à família.

9. Não tem o direito de inscrever o companheiro como dependente na Previdência Social.

10. Não tem o direito de acompanhar o companheiro servidor público transferido.

11. Não tem o direito à impenhorabilidade do imóvel em que o casal reside.

12. Não tem o direito à pensão alimentícia em caso de separação.

13. Não tem o direito à metade dos bens em caso de separação.

14. Não tem o direito de assumir a guarda do filho do companheiro.

15. Não tem o direito de adotar filhos em conjunto com o companheiro.

16. Não tem o direito de adotar o filho do companheiro.

17. Não tem o direito à licença-maternidade/paternidade para nascimento de filho da companheira.

18. Não tem o direito à licença maternidade/paternidade se o companheiro adota filho.

19. Não tem o direito de receber abono-família.

20. Não tem o direito à licença-luto, para faltar ao trabalho na morte do companheiro.

21. Não tem o direito de receber auxílio-funeral pela morte do companheiro.

22. Não tem o direito de ser inventariante do companheiro falecido.

23. Não tem direito à herança do companheiro falecido.

24. Não tem o direito à garantia de permanência no lar quando o companheiro morre.

25. Não tem o direito de usufruto dos bens do companheiro.

26. Não tem o direito de alegar dano moral se o companheiro for vítima de um crime.

27. Não tem o direito a receber visita íntima do companheiro na prisão.

28. Não tem o direito de acompanhar a companheira no parto.

29. Não tem o direito de autorizar cirurgia de risco no companheiro.

30. Não tem o direito de ser curador do companheiro declarado judicialmente incapaz.

31. Não tem o direito de declarar o companheiro como dependente do Imposto de Renda (IR).

32. Não tem o direito de fazer declaração conjunta do IR com o companheiro.

33. Não tem o direito de abater do IR gastos médicos e educacionais do companheiro.

34. Não tem o direito de deduzir no IR o imposto pago em nome do companheiro.

35. Não tem o direito de dividir no IR os rendimentos recebidos em comum pelo companheiro.

36. Não tem o direito de ser reconhecido como entidade familiar com o companheiro, sendo reconhecido como “sócio”.

37. Não tem o direito de ter as ações legais pertinentes a sua família julgadas pelas varas de família.

38. Não tem o direito real de habitação, decorrente da união (art.1831 CC).

39. Não tem o direito de converter sua união estável em casamento.

40. Não tem o direito de exercer a administração da família quando do desaparecimento do companheiro (art.1570 CC).

41. Não tem o direito à indispensabilidade do consentimento quando da alienação ou gravar de ônus reais bens imóveis ou alienar direitos reais (art.235 CC).

42. Não tem o direito à formal dissolução da sociedade conjugal, resguardada pela lei.

43. Não tem o direito de exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos na hipótese do companheiro falecido (art.12, Par. Único, CC).

44. Não tem o direito de proibir a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem do companheiro falecido ou ausente (art.20 CC).

45. Não tem o direito à posse do bem do companheiro ausente (art.30, par. 2º CC).

46. Não tem o direito de deixar de correr prazo de prescrição durante a união (art,197, I, CC).

47. Não tem o direito de anular a doação do companheiro adúltero ao seu cúmplice (art.550, CC).

48. Não tem o direito de revogar a doação, por ingratidão, quando o companheiro for o ofendido (art.558, CC).

49. Não tem o direito à proteção legal que determina que o companheiro deve declarar interesse na preservação de sua vida, na hipótese de seguro de vida (art.790, parág. Único).

50. Não tem o direito de figurar como beneficiário do prêmio do seguro na falta de indicação de beneficiário (art.792, CC).

51. Não tem o direito de incluir o companheiro nas necessidades de sua família para exercício do direito de uso da coisa e perceber os seus frutos (art.1412, par. 2º, CC).

52. Não tem o direito de remir o imóvel hipotecado, oferecendo o valor da avaliação, até a assinatura do auto de arrematação ou até que seja publicada a sentença de adjudicação (art.1482 CC).

53. Não tem o direito de ser considerado aliado aos parentes do companheiro pelo vínculo da afinidade (art.1595 CC).

54. Não tem o direito de demandar a rescisão dos contratos de fiança e doação, ou a invalidação do aval, realizados pelo companheiro (art.1641, IV CC).

55. Não tem o direito de reivindicar os bens comuns, móveis ou imóveis, doados ou transferidos pelo companheiro ao amante (art.1641, V CC).

56. Não tem o direito à garantia da exigência da autorização do companheiro para salvaguardar os bens comuns, nas hipóteses previstas no artigo 1647 do CC.

57. Não tem o direito de gerir os bens comuns e os do companheiro, nem alienar bens comuns e/ou alienar imóveis comuns e os móveis e imóveis do companheiro, quando este não puder exercer a administração dos bens que lhe incumbe (art.1651 do CC).

58. Não tem o direito de, caso esteja na posse dos bens particular do companheiro, ser responsável como depositário, nem usufrutuário (se o rendimento for comum), tampouco procurador (se tiver mandato expresso ou tácito para os administrar). (Art.1652 CC.)

59. Não tem o direito de escolher o regime de bens que deseja que regule em sua união.

60. Não tem o direito à assistência alimentar (art.1694 CC).

61. Não tem o direito de instituir parte de bens, por escritura, como bem de família (art.1711 CC).

62. Não tem o direito de promover a interdição do companheiro (art.1768, II CC).

63. Não têm direito a isenção de prestação de contas na qualidade de curador do companheiro (art,1783 CC).

64. Não tem o direito de excluir herdeiro legitimo da sua herança por indignidade, na hipótese de tal herdeiro ter sido autor, co-autor ou partícipe de homicídio doloso, ou tentativa deste contra seu companheiro (art.1814, I CC).

65. Não tem o direito de excluir um herdeiro legitimo de sua herança por indignidade, na hipótese de tal herdeiro ter incorrido em crime contra a honra de seu companheiro (art.1814, II CC).

66. Não têm direito a Ordem da Vocação Hereditária na sucessão legítima (art.1829 CC).

67. Não tem o direito de concorrer à herança com os pais do companheiro, na falta de descendentes deste (art. 1836 CC).

68. Não tem o direito de ser deferida a sucessão por inteiro ao companheiro sobrevivente, na falta de descendentes e ascendentes do companheiro falecido (art.1838 CC).

69. Não tem o direito de ser considerado herdeiro “necessário” do companheiro (art.1845 CC).

70. Não tem o direito à remoção/transferência de servidor público sob justificativa da absoluta prioridade do direito à convivência familiar (art.226 e 227 da CF) com companheiro.

71. Não tem o direito à transferência obrigatória de seu companheiro estudante, entre universidades, previstas na Lei 8112/90, no caso, ser servidor público federal civil ou militar estudante ou dependente do servidor.

72. Não tem o direito à licença para acompanhar o companheiro quando for exercer mandato eletivo ou, sendo militar ou servidor da Administração Direta, de autarquia, de empresa pública, de sociedade de economia mista ou de fundação instituída pelo Poder Público, quando for mandado servir, ex-officio, em outro ponto do território estadual, nacional ou no exterior.

73. Não tem o direito de receber os eventuais direitos de férias e outros benefícios do vínculo empregatício se o companheiro falecer.

74. Não tem o direito ao DPVAT (Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres, ou por sua Carga, a Pessoas Transportadas ou Não), no caso de morte do companheiro em acidente com veículos.

75. Não tem o direito à licença gala, quando o trabalhador for celebrar sua união, podendo deixar de comparecer ao serviço, pelo prazo três dias (art.473, II da CLT) e se professor, pelo período de nove dias (§ 3º., do art. 320 da CLT).

76. Não tem o direito de prestar queixa ou de prosseguir na ação penal, caso o companheiro seja o ofendido e morra ou seja declarado ausente (art.100 § 4º CP).

77. Não tem o direito às inúmeras previsões criminais que agravam ou aumentam a pena contra os crimes praticados contra o companheiro.

78. Não tem o direito à isenção de pena no caso do crime contra o patrimônio praticado pelo companheiro (art.181 CP) e nem na hipótese do auxílio a subtrair-se à ação da autoridade policial (art.348 § 2º CP).

Você sabe de mais algum direito negado ao cidadão homossexual em função da intolerância oficial do Estado brasileiro contra sua orientação sexual? Por favor informe nos comentários e eu acrescentarei à lista.

Eu também gostaria muito de construir uma lista semelhante no caso dos direitos negados ao cidadão transexual em função da ausência de previsão legal da redefinição de gênero decorrente de tratamento cirúrgico de disforia de gênero. (Traduzindo: como fica a situação dos transexuais operados?)

E fico aqui pensando: embora eu considere que os/as travestis devem se beneficiar da des-sexização da lei tanto quanto os demais homossexuais, não está suficiente claro para mim que gênero deveria lhes ser atribuído, pois eles/elas assumem a identidade feminina mas decidem manter a genitália masculina. Qual a sua opinião?

13 thoughts on “Direitos negados aos cidadão homossexual no Brasil por intolerância oficial do Estado brasileiro contra sua orientação sexual

  1. Apenas uma aclaração com relação a nota 74: a cobertura do Seguro DPVAT é garantida a todas – TODAS – as vítimas de acidente de trânsito, incluídos, por suposto, os homossexuais. Se um beneficiário tem seu direito negado, ele pode, e deve, valer-se de uma ação judicial para receber a indenização que lhe corresponda.

    1. É, teoricamente todo mundo tem direitos iguais. Mas o procedimento para de parceiros do mesmo sexo receberem este seguro é o mesmo que para heterossexuais casados ou com união estável? Se for diferente, já é discriminação.

      Aliás, sabes de casos em que tenha havido o pagamento do Seguro DPVAT ao parceiro homossexual de uma vítima fatal em acidente automobilístico? Divulgar jurisprudência neste sentido pode ser útil, eu muito apreciaria se disponibilizares esta informação.

  2. Arthur! É impressionante, mas até pouco tempo a mulher não votava…tudo isto vai mudar quando os redatores perceberem que é útil o homossexual ser aliciado como massa de manobra dentro do ávido democratismo.
    Um desafio: O princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei é letra morta também por um outro viés! Você já pensou numa lista de direitos negados aos cidadãos comuns (independentemente de sexo, cor ou pensamento) mas que são aplicáveis aos parlamentares, juizes, e outros personagens incomuns! Inclua o que não está nem na letra morta mas vampirescamente vive em favor destes cidadãos especiais! Vamos começar pela imunidade, pelo fórum privilegiado, pelo direito de não dizer a verdade (ai! esta me dá náuseas), pelos auxílios extras (há quem saiba quantos há?), pelo 14º e 15º salários…Ah! que delícia é governar este país!

    1. Semana de 3 dias – quando trabalham – sem desconto de salário, autorização automática de porte de arma, verba de auxílio-paletó de seis salários mínimos mensais, passagens aéreas gratuitas, diárias sem comprovação de despesas, diversas imunidades absurdas, salários astronômicos, etc.

      É, Romacof, tens toda razão.

  3. Dei uma revisada no texto, uma mexidinha aqui, outra ali, e mudei as ocorrências de “parceiro” para “companheiro” para manter a consistência do texto, que aparentemente foi extraído de pelo menos três fontes distintas. Foi modificada somente a forma, o conteúdo permanece o mesmo.

  4. Mas bah, que lista longa… Nem li toda, pra não entrar em depressão sobre quantos direitos eu não tenho!

    Aqui na República Tcheca tenho um direito ainda mais importante que tudo isso que o Estado me recusa: respeito absoluto… Aqui, os filhos não precisam esconder dos pais, sequer na adolescência, se forem gays, pois se aceita a homossexualidade como parte da natureza, já que sempre existiu, em todas as partes do planeta, tanto em sociedades que condenavam ou condenam à morte ou exclusão social, quanto nas liberais. Não fosse o Judeo-Cristianismo, nem os muçulmanos discriminariam.

    Quando eu dirigia uma revista (Novy Prostor) que era vendida pelos sem-teto de Praga, me dei conta de que, mesmo sem terem o suficiente para sua própria sobrevivência, quase todos tinha um cachorro. Em um primeiro plano, o bicho evidentemente serve como substituto da família, mas, quando observei os constantes abusos e maus tratos que sofriam os coitados dos animais, acabou transparecendo o papel que o cão exercia na auto-estima do homeless. Depois de gritos, tapas ou até mesmo chutes, ficava visível a satisfação do homem, que, inexplicavelmente, minutos antes e depois dividia a última migalha com o animal.

    Acontece que todo indivíduo ou grupo precisa não se sentir no último degrau da hierarquia social. O indivíduo que é abusado no trabalho, abusa a mulher e/ou os filhos, assim ele não é a vítima, mas o algoz, uma posição se poder que traz satisfação química e viciante. Um sem-teto tem niguém abaixo dele. É um instinto natural procurar – ou mesmo criar – algum ser vivo inferior a si próprio para exercer sobre ele poder ou extrair amor-atenção (por isso os bichos de estimação, empregados, filhos).

    Isso se manifesta em vários níveis, compensado com times de futebol, concorrência com vizinhos portenhos, ou a sensação de que, de alguma forma, branco é melhor que negro, loiras têm gens superiores às crespas, vaca se come, cachorro não (se não for na Ásia), macho é melhor que veado…

    Mitos culturais pra maioria se sentir melhor que a minoria. Qualquer que seja.

    E minoria tem mais a ver com força do que quantidade de membros. Os gays vivem muito bem pelos países não-latinos da Europa, pois a população não cresce com o Didi desmunhecando, para ser em seguida ridicularizado, ou gays fazendo caricaturas de si mesmos em programas de TV, como se todo boiola fosse fashion designer ou decorador. Mais que isso, preconceitos secularizados por padres (em sua maioria, paradoxalmente, bichas enrustidas) também não proliferaram na maior parte do Velho Continente. Acresça-se a isso o fato de as pessoas nesses países terem um nível de vida que lhes permite uma vida boa, o que é essencial para não se ter interesse pela alheia.

    Nenhum guri começa a sentir desejo por uma guria na adolescência e precisa esconder isso. O homossexual passa pelo exato mesmo momento de descoberta, só que tem que viver em segredo ou arriscar ser o escroto da turma, da família, do trabalho… Pode apanhar, ser ridicularizado – e tudo por algo que não escolheu, pois quem de sã consciência decidiria “ah, eu vou ser veado”?

    Então, que me venham todos esses direitos, mas que, antes, as pessoas deixem de me ver como “outro”, mas sim como um de “nós”. Senão, de que adianta poder casar, se por causa da aliança posso perder o emprego, o amigo ou a dignidade nas relações sociais?

    1. Fabiano, essa do sem-teto ter cachorro eu conhecia em forma de piada: o cachorro de um sujeito que trabalhava como faxineiro em uma multinacional todo dia às 7h 50min ia para a janela observar o trânsito com as orelhas em pé, muito atento. Quando passava uma certa limousine em frente a janela, o cachorro se desinteressava e saía da janela. Então, às 18h 40 min, quando o ônibus em que seu dono voltava para casa surgia na esquina, em alguns dias ele esperava na sala para fazer festa, noutros dias ele se escondia no porão. Qual a relação entre uma coisa e outra? 🙂

      Já sobre a questão de a homossexualidade ser “opção” ou “orientação”, eu descobri que não adianta muito argumentar por este lado: a maior parte dos preconceituosos (especialmente os fundamentalistas religiosos) simplesmente não aceita qualquer explicação sobre a gênese biológica da sexualidade. (Pior ainda é que tem muito antropólogo, sociólogo e psicólogo dizendo m*rd* e negando isso também, afirmando que “a gênese da orientação sexual é multifatorial”, o que só piora a situação.)

      Eu passei a utilizar a seguinte seqüência de argumentos:

      Eu: em primeiro lugar, a sexualidade é congênita, determinada pela formação do hipotálamo durante o terceiro mês de gravidez. O indivíduo nasce heterossexual, bissexual ou homossexual, mas só vai descobrir na adolescência quando os hormônios sexuais “despertam” a sexualidade.

      Interlocutor homofóbico: isso não está provado, a ciência não tem certeza, os cientistas não são unânimes, blá-blá-blá, eu acho que é opção de cada um.

      Eu: ah, tu achas que é uma opção? Ótimo, pois a tua obrigação como cidadão é respeitar as opções dos outros, desde que elas não te tragam prejuízo direto. Nenhum homossexual questiona a tua “escolha”, tu também não tens o direito de questionar a “esdcolha” dos homossexuais.

      Interlocutor homofóbico: mas a homossexualidade não é natural, isso de gostar de gente do mesmo sexo é doença, Deus não gosta disso, blá-blá-blá.

      Eu: isso não está provado, a ciência não tem certeza, os cientistas não são unânimes, blá-blá-blá, eu acho que é opção de cada um.

      A partir daí, o jogo virou. Qualquer coisa que ele alegar o faz cair em contradição ou assumir o ônus da prova.

      Analisa essa seqüência e me conta o que achaste. 😉

  5. Pergunta que nao quer calar:
    Vc acha que o casamento gay vai ser aprovado no Brasil (algum dia)? Ou será legalizado pelo STF??
    Se o Lula é a favor, entao pq o PT ignora a questao?

    1. Asnalfa, na minha opinião o casamento gay já é legal no Brasil, ilegal é a negativa em celebrá-lo, registrá-lo e reconhecer os direitos dele advindos. Idem para a união estável.

      Olha o artigo 5, incisos I e II da Constituição Federal:

      “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

      I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

      II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;”

      Ora, de acordo com o inciso I, se homens e mulheres são iguais em direitos, e se um homem pode casar com uma mulher, então uma mulher também pode casar com uma mulher, pois tem o mesmo direito que um homem. Da mesma forma, se uma mulher pode casar com um homem, então um homem também pode casar com um homem, pois tem o mesmo direito que uma mulher. Interpretação de texto elementar.

      O inciso I ainda traz uma ressalva: “nos termos desta Constituição”. Sim, a interpretação acima diz respeito exclusivamente ao texto constitucional, nenhum outro foi envolvido. E, como a Constituição não traz em si nenhuma ressalva específica contra o casamento gay ou a união estável gay, e o que não é proibido é permitido, decorre logicamente que o casamento gay é perfeitamente legal no Brasil. Ilegal é não celebrá-lo, não registrá-lo e não reconhecer os direitos dele provenientes.

      Já o inciso II eu comentarei de modo acessório, como reforço: se ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo exceto em função de lei, alguém poderia argumentar que seria necessário fazer uma lei para autorizar o casamento gay e a união estável gay. Só que isso não é verdade. Se o casamento e a união estável já estão regulamentados, pouco importa o sexo dos envolvidos, a menos que haja disposição constitucional em contrário, o que não há. E, se qualquer lei ordinária diferenciar os direitos entre homens e mulheres, então esta lei é inconstitucional.

      Lógico… isso é o que diz a mais elementar lógica, objetiva, clara e transparente, para quem tem dois neurônios funcionais e sabe ler e escrever. Não parece ser o caso da maioria absoluta dos enroladores operadores do direito. Por isso teremos que esperar o Congresso Nacional reafirmar o óbvio através de lei ordinária ou o STF analisar a matéria com isenção ideológica e bater o martelo interpretando o texto legal segundo o que está escrito e não segundo a Bíblia ou os preconceitos sexuais de cada ministro.

      Pobre Brasil. Pobre público GLBT.

      Quer saber o que eu acho que o movimento GLBT devia fazer? Devia procurar um juiz macho o suficiente para bater o martelo em primeira instância reconhecendo um casamento gay e então lutar até a causa chegar no STF usando as alegações que escrevi acima. No meio do caminho, é claro, muuuuuita divulgação deste argumento, demonstrando que o casamento gay não precisa ser legalizado porque já é legal no Brasil, ilegal é não celebrá-lo, não registrá-lo e não reconhecer os direitos dele provenientes.

  6. Já que a janela ficou aberta vou contar uma. (É real mas vai o milagre sem os santos.) Num escritório todos trabalhavam em seus laptops enquanto rolavam papos paralelos. A certa altura, um dos protagonistas, homofóbico fundamentalista, aquele que atira antes e depois vai conferir se havia testículos, motivado por coisa nenhuma, fez uma longa e agressiva digressão contra os homossexuais, destilando toda sua fúria cega e infundada. Então um colega pergunta: “Então se um filho teu chega de mansinho e diz: paizinho, eu tenho um segredo para te contar: eu sou heterossexual! O que você fazia?” O homofóbico cerrou os dentes e rosnou enquanto babava: “Eu cagava a pau!”
    É! A cegueira as vezes afeta os ouvidos!

    1. Romacof, pior mesmo é que tem muito debilóide que pensa assim, mesmo. E se acham cheios de razão, e se orgulham, e anunciam aos quatro ventos.

      Dizem que Einstein disse que a estupidez humana e o universo são igualmente infinitos, embora ele tivesse uma certa dúvida sobre o universo.

  7. Sobre o casamento e o direitos dos homossexuais eu sou totalmente a favor mas passar uma imagem mentirosa dos fatos …

    Querem que as pessoas aceitem na marra e digam que é algo absolutamente normal o homossexualismo,transsexualismo e derivações . Existem muitas coisas que mostram que é o contrário .
    * transtornos da identidade sexual ( gênero)
    * Transexualismo
    * Transtorno de identidade sexual na infância
    * Transtorno não especificado da identidade sexual
    * Travestismo bivalente
    * Síndrome de Disforia de Gênero
    * Disforia de gênero;
    * Disforia generiforme;
    * Hermafroditismo psíquico
    * neurodiscordância de gênero
    * Síndrome de Money
    * casos limítrofes no transsexualismo
    * disforia hipotalâmica
    * hermafroditismo encefálico
    passar uma imagem mentirosa do homossexualismo , sabem que todos esses dados são verdadeiros . Inclusive estão catalogados na Organização mundial da saúde. Se o transsexualismo é uma doença e precisa de tratamento porque o transtorno mental pode aumentar, por que o homossexualismo já não é catalogado como transtorno? Não explicaram porque tiraram o homossexualismo da lista do CID . Qual a diferença entre o homossexualismo e o transsexualismo ?. NENHUMA , a diferença é que um se veste como o sexo oposto o outro não . Ai está a diferença .
    Eles tem todo o direito de se casarem e seguirem suas vidas como bem entenderem , mas deturpar fatos científicos só para serem aceitos isso não pode .Até hoje não explicaram qual a diferença entre homossexualismo e transsexualismo , e nem por que o homossexualismo foi tirado do cid . O transsexualismo ainda está no CID e o homossexualismo foi tirado porque mesmo ? Só arranjaram desculpas .

    1. “Qual a diferença entre o homossexualismo e o transsexualismo ?. NENHUMA” (Jorge)

      Jorge, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

      Homossexualidade é ter desejo sexual por pessoa do mesmo sexo.

      Transexualidade é ter uma identidade de gênero oposta ao gênero somático.

      As duas coisas podem acontecer juntas ou separadas. Há casos de pessoas que nasceram com sexo somático masculino, desejo sexual por mulheres e identidade sexual feminina – e hoje estas pessoas são mulheres transexuais lésbicas muito bem resolvidas. Embora menos freqüentes, há também exemplos do caso oposto.

      Anormal é querer meter o bedelho na vida dos outros para impedir que eles sejam felizes…

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