Num dia desses alguém me questionou: “Arthur, cadê as postagens pessoais do teu blog? Só tem texto teórico lá, opiniões sobre grandes temas, viagem na maionese. Tu não vais falar nada sobre ti mesmo?” Putzgrila! Como assim “não vou falar nada sobre mim mesmo”? Tem alguma coisa mais eu mesmo do que tudo o que eu penso a respeito do mundo? Mas eu entendi a lógica da pergunta.

blogs excelentes em que o autor ou a autora falam de si mesmos o tempo todo: contam o que comeram, ou quem comeram, a última fofoca da turma, onde foram, com quem foram, o que fizeram, o que acharam, o que planejam para a próxima vez. Tem gente que produz uns blogs-novela bem legais, mas não é meu estilo. Depois que eu me mudar de cidade e mudar de rotina até devo postar um pouco mais nessa linha, mas por enquanto seria algo do tipo “ontem acordei, almocei, trabalhei, bloguei, dormi; hoje eu acordei, trabalhei, estou blogando, logo vou dormir; amanhã acordarei, trabalharei, blogarei, dormirei”. Até o robô da Google acharia chato.

blogs excelentes que tratam de um único assunto em grande profundidade. Acho fantástico ler análises de especialistas que sabem se expressar em uma linguagem acessível a qualquer um com pelo menos dois neurônios funcionais, mas duvido que muita gente se interessasse pelos temas que eu domino em profundidade.

Você acompanharia um blog sobre algo com uma descrição semelhante à “lógica sistêmica não-quantitativa aplicada ao planejamento de intervenções sobre sistemas multivariados auto-organizadores em equilíbrio dinâmico”? Pois é, nem eu. Mas muito do que eu posto no blog trata deste tema, só que o leitor não percebe. (Quase ouço o Agente 86 exclamar: “Ahá! O velho golpe de postar textos simples sobre temas objetivos para encobrir uma estrutura lógica complexa com um fundamento teórico obscuro que desmotivaria o leitor!”)

Bem, o truque está revelado. Agora você sabe que existe um fio condutor no “Pensar não dói”, que esse fio condutor é um processo lógico e que embora eu pareça meio esquisito na verdade eu sou completamente esquisito. 😛 Tá, isso foi apenas uma piada infame. E isso que eu nem comecei a contar piadas de pontinhos. Melhor deixar o estilo do blog como está, né?

Por tudo isso eu optei por postar predominantemente sobre os “grandes assuntos”, no mesmo estilo de posicionamento claro e radical de sempre. Eu posso estar certo ou errado, mas somente uma vez em um milhão eu estarei em cima do muro. Você pode concordar ou discordar, mas somente uma vez em um milhão terá chance de apontar uma incoerência. Pão, pão; queijo, queijo.

Eu não sou “mais ou menos” defensor dos Direitos Humanos. Eu não sou “apenas simpático” à legalização da maconha. Eu não sou de meias palavras na defesa do meio ambiente. Eu não sou de não levar a sério o que falo. O problema é que é complicado falar de coisas pessoais quando se emite opiniões bem definidas sobre temas polêmicos. Isso gera munição para todo tipo de argumentum ad hominem e prejudica qualquer conversa. Não que eu me importe se vão dizer alguma bobagem a meu respeito, mas é chato ter que responder as mesmas perguntas de modo repetitivo.

Felizmente depois de três anos moderando a maior comunidade sobre Direitos Humanos do Orkut eu percebi que em 90% dos casos quem apela direto para o argumentum ad hominem é um interlocutor mal intencionado. Isso ajuda a selecionar rapidamente os interlocutores que não devem ser levados a sério.

Por outro lado, quando respostas enfocando o autor ao invés do conteúdo proposto pelo autor começam a representar um percentual significativo dos comentários ou é porque o autor se tornou imensamente reconhecido ou é porque o autor perdeu o rumo ao propor conteúdo. Como isso é extremamente estimulado por postagens pessoais, eu prefiro evitar o risco e falar da minha com moderação, preferencialmente só nos comentários, onde converso com os leitores.

O Pensar Não Dói é melhor descrito como “um blog multitemático escrito por um autor só”. Ou “blog de um PHD: Polímata Hiperativo Destro”. Uma olhada rápida nos temas (categorias) na coluna da direita do blog já dá uma boa idéia de quais são as minhas temáticas mais recorrentes. As tags levam a artigos com assunto semelhante e abaixo de cada artigo existem sugestões de eleitura de artigos relacionados. É uma estrutura muito navegável, como aliás todo o tema Athaualpa.

Este blog foi feito para interagir. É para agregar comentaristas sobre os temas tratados, sejam contra ou a favor. É pra conhecer gente nova e interessante. É para estabelecer novos relacionamentos, virtuais e reais. Não criei a página para ficar falando sozinho. Sejam bem vindos!

Atualização em 12/01/2010:

Polímata Hiperativo Destrambelhado – veja a explicação abaixo, eu só fiz essa atualização para a expressão correta se tornar localizável pela busca interna. 🙂

3 thoughts on “Cadê as postagens pessoais?

  1. Ainda bem que o seu PHD é Polímata Hiperativo Destro, e não ‘Por Hora Desempregado’… 🙂 Eu também acho a maior graça quando o pessoal procura meu blog achando que é do tipo ‘querido diário’, embora eu já tenha visto alguns muito bons nessa linha.

    Já fui mais adepta a polêmicas, hoje estou mais zen: ‘zen’ muita paciência pra esses temas. Ler e dar uns pitacos de quando em vez, até que rola. Escrever mesmo, pra valer, sobre essas coisas, sem chance. Tou meio que na fase das abobrinhas ultimamente… Ou seja, pensar até que não dói, mas tem dado cãibra! 😛

    1. Mônica, tinha uma piada em gestação e acabou ficando um pedaço da piada no “Destro”… ah, deixa pra lá, quanto mais mexer pior vai ficar. 😛

      Sobre a fase das abobrinhas, eu estou percebendo. 🙂 Hehehehe… tem sido legal. 🙂 Mas aqui no Pensar Não Dói eu nem ando pegando pesado, ando?

      Quero dizer, eu até tenho falado de um ou outro assunto pesado, mas não com um texto pesado, né?

  2. AHHHH… eu confesso!

    PHD era “Polímata Hiperativo Destrambelhado” na versão original! 🙂

    Durante a digitação, tentando imaginar uma piadinha alternativa, eu fui apagar a palavra “Destrambelhado” e o cursor do mouse ficou à esquerda do “o” final, então aconteceu o seguinte:

    Destrambelhado
    Destrambelhao
    Destrambelho
    Destrambelo
    Destrambeo
    Destrambo
    Destramo
    Destrao
    Destro

    E ficou assim mesmo, por distração e por falta de revisão.

    O que prova que eu sou mesmo um destrambelhado. 😛

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