A Danielle Bambace, ativista ecológica, não gostou do que eu disse no artigo “você acha mesmo que faz a diferença“. Aí eu fui olhar o blog dela, “Meus infinitos“, e encontrei o artigo “Em ação“, sobre um protesto do Greenpeace. Li com inegável saudosimo da época em que eu acreditava que esse tipo de ação fazia sentido. O problema é “apenas” que isso não resolve nada.

Desde que eu me conheço por gente eu assisto estes protestos. Lembro quando um veleiro do Greenpeace foi abalroado durante um protesto contra testes atômicos em Mururoa, em 1972, e eu tinha apenas três anos e nove meses quando isso aconteceu. (Não recordo se as lembranças que tenho são da época ou se assisti documentários alguns anos depois, mas lembro nitidamente do fato.) Lembro de quando Carlos Alberto Dayrell subiu numa árvore em frente à Faculdade de Direito da UFRGS para evitar seu corte, em 1975.

Nos dois casos houve “vitória”. O atol de Mururoa deixou de ser usado para testes nucleares em 1973, mas voltou a ser palco de testes em 1995 e sob protestos internacionais foi deixado novamente em paz em 1996, só não se sabe até quando. A tipuana em que Dayrell se aboletou não foi cortada, mas um dia morrerá e não será substituída.

Vitórias passageiras, puntuais, que não afetaram a lógica de “desenvolvimento” econômico, não impediram que o planeta continuasse a ser cada vez mais velozmente destruído, não nos tiraram da rota de desestabilização climática que hoje ameaça a vida no planeta inteiro e que a mídia, os governos e as grandes empresas ainda tratam como um meros inconvenientes.

Eu também participei deste tipo de atividade. Fui fiscal voluntário da AGAPAN, monitorei os morros de Porto Alegre em busca de desmatamentos clandestinos, conversei com muita gente que estava derrubando o mato ilegalmente, muitos nos ouviam, alguns paravam a de desmatar e guardavam os equipamentos sob nossas vistas, alguns diziam que não podiam fazer nada, só estavam cumprindo ordens, outros diziam que concordavam, mas tinham que plantar para sobreviver, outros nos esculhambavam, teve até quem nos corresse a tiros. Em todos os casos o desmatamento continuou.

A Prefeitura de Porto Alegre, em todos os governos, de todos os partidos, nunca deu realmente prioridade ao ecodesenvolvimento ou desenvolvimento sustentável. Ações que de fato corriam o risco de serem eficazes sempre foram descartadas.

Uma vez eu sugeri à Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre (SMAM) realizar um levantamento aerofotográfico bianual com objetivo de monitoramento ambiental. A idéia era comparar levantamentos sucessivos para identificar impactos ambientais, multar os infratores e exigir a recomposição integral do ambiente depredado por loteamentos clandestinos, desmatamentos ilegais, depósitos de lixo irregulares e outros.

O secretário do meio ambiente, a quem eu apresentei diretamente a idéia, disse que achava o projeto “excelente e muito oportuno”, mas que infelizmente não seria possível realizá-lo porque não havia verba orçamentária para isso, era um projeto muito caro, etc. e tal. Então eu ofereci realizar o projeto a custo zero para a SMAM desde que satisfeitas duas condições: que todas as denúncias recebessem um protocolo datado para acompanhamento pelo denunciante e que o secretário assinasse um compromisso público se comprometendo a cumprir e fazer cumprir a lei em todos os casos denunciados. Nunca houve resposta e eu nunca mais consegui uma audiência com o sujeito.

Adianta reclamar? Não. Adianta protestar? Não. Estas coisas tem o mesmo impacto social, político, econômico e ambiental que fechar a torneira enquanto se escova os dentes e usar os dois lados de cada folha de papel: nenhum.

Ecologistas, ambientalistas, verdes e demais ativistas, olhem à volta! Nós passamos as últimas quatro décadas usando as mesmas estratégias e o resultado é que em todo este período o ritmo de destruição do planeta só tem aumentado. Já é tempo de perceber que estamos malhando em ferro frio e mudar o nosso modo de agir!

Duas forças movem o mundo: a economia e a política.

Quem não produz e fica pedindo coisas aos outros tem um nome: mendigo. Todos nós sabemos o que os mendigos recebem em troca de seus constantes pedidos: migalhas, sobras inservíveis, eventualmente nada. Quem não produz se sujeita à economia da miséria.

Quem não realiza e fica pedindo ações aos outros também tem um nome: otário. E otários na política recebem a mesma coisa que mendigos na economia, ou menos ainda. Quem não realiza se sujeita à política dos outros.

Quatro décadas mendigando atenção e agindo como otários já deveriam ter sido o suficiente para que o Movimento Ecológico parasse de pedir e começasse a produzir, tanto em termos econômicos quanto em termos políticos. Nos dois casos, porém, nossa competitividade e eficiência têm sido praticamente nulas. Se isso continuar assim, nossa única “vitória” será poder dizer, em meio aos cataclismos que varrerão a Terra, “eu te disse, eu te disse, eu te disse“. Esse tipo de “vitória moral”, convenhamos, não me interessa.

O Movimento Ecológico e a economia

Vejamos o exemplo dos automóveis. Desde muito antes de eu ter idade para tirar carteira de motorista, eu lembro de ouvir os ecologistas dizerem que “um automóvel é uma imbecilidade de 700kg carregando um imbecil de 70kg“. (Estes números são do tempo em que não havia a atual epidemia de obesidade, mas isso fica para outro artigo.)

Ora, o que o movimento ecológico fez em relação a isso nas últimas quatro décadas? Criou modelos alternativos de automóvel, mais leves, movidos a energias renováveis? Organizou-se para criar empresas com consciência ambiental, entrar neste mercado e oferecer uma alternativa real a preços competitivos aos consumidores? Não. O movimento ecológico ficou reclamando e dizendo que os outros tinham que fazer isso.

Pior ainda: o movimento ecológico ficou só enchendo o saco, insistindo que todo mundo “deixe o carro na garagem e vá de ônibus“, o transporte urbano “moderno” mais fedorento, barulhento, desconfortável, limitado em horários e ineficaz que existe. De 2002 para cá eu posso contar nos dedos o número de vezes que andei em ônibus urbanos e pretendo evitar ativamente este meio infecto de transporte de sardinhas sempre que possível.

Enquanto isso, os automóveis continuam sendo o sonho de consumo de todo mundo, os governos estaduais perpetuam a disputa pelas montadoras brigando entre si e oferecendo incentivos fiscais e condições especiais pagas com o dinheiro do contribuinte, o governo federal pretende extrair bilhões de barris de petróleo da camada pré-sal e eu sigo dirigindo um carro à gasolina, porque apesar de todo meu conhecimento técnico e de toda minha consciência ecológica eu não tenho uma opção viável de transporte prático e ecologicamente correto porque não há nenhuma disponível no mercado.

O Movimento Ecológico e a política

Nunca vi tanta bandalheira e patifaria escancarada rolando solta e ninguém faz nada para mudar a situação. Parece que finalmente os políticos conseguiram insensibilizar o povo e acostumá-lo à roubalheira e baixaria generalizada. Perante este quadro de total descalabro na política, só não vê quem não quer que nenhum partido político tem responsabilidade ambiental no Brasil.

Ora, o que o movimento ecológico fez em relação a isso nas últimas quatro décadas? Organizou-se partidariamente de modo eficiente, capaz de representar legitimamente os ecologistas no jogo político? Não. O movimento ecológico ficou reclamando e dizendo que os outros tinham que fazer isso.

Enquanto isso, os partidos políticos tradicionais continuaram protagonizando as maiores barbaridades na área ambiental (por que seriam diferentes só nesta área, né?), a baixaria continua e eu continuo afastado da política por não ter encontrado uma única organização partidária séria, construída e gerida a partir das bases, com um programa realista e responsável nas áreas ambiental, social e econômica.

Pensei que poderia haver alguma esperança no Partido Verde, mas bastou ler ler os artigos 39 e 53 do estatuto do PV para perceber que ele não é uma alternativa séria para a organização política do movimento ecológico. (Leia atentamente os artigos 39 e 53 do estatuto e pense no que pode acontecer depois de você passar anos lutando para atender as exigências necessárias se você discordar de uma única vírgula exigida pela Executiva Nacional.)

Pensei também que “Os Verdes do Brasil”, uma proto-organização partidária oriunda de um grupo de dissidentes do PV com um forte discurso de moralização e democratização partidária, pudesse representar alguma esperança, mas minha ilusão durou pouco tempo. Fui convidado a participar de um fórum de discussão desse novo partido. Ao ler o estatuto que eles registraram, encontrei os mesmíssimos vícios do estatuto do PV, no artigo 78 do estatuto, lá no finalzinho, nas disposições gerais e transitórias. (Eles só mudaram as palavras e espertamente esconderam o dispositivo numa seção distinta da que especifica as estruturas estaduais e municipais, mas a lógica é a mesma.) Questionei o fato e em conseqüência fui abertamente hostilizado,  expulso do fórum e tive todas as minhas mensagens deletadas.

O resultado é que apesar de todo meu conhecimento técnico e de toda minha consciência ecológica eu não tenho uma opção política viável ecologicamente correta porque não há nenhuma disponível no mercado.

Então, o que fazer?

Se você acompanhou e entendeu meu raciocínio até aqui, o que vou dizer a seguir é extremamente óvio: o Movimento Ecológico não pode mais esperar pelas empresas e pelos partidos políticos que já existem, precisamos oferecer à população alternativas viáveis em ambas as esferas, por um lado abrindo empresas ecologicamente responsáveis e competitivas, por outro lado nos organizando em torno de novas legendas em que não haja a possibilidade estatutária de a cúpula impedir a expressão da vontade das bases.

É isso. A receita é simples assim. Só não confundam simplicidade com facilidade. Se vocês analisarem bem o que eu acabei de dizer, eu acabo de afirmar que o Movimento Ecológico tem a responsabilidade de competir com toda a estrutura econômica e política mundial, superá-las amplamente e substituí-las por versões sustentáveis e incorruptíveis.

Quem achar que isso é impossível só precisa pegar seu saquinho de pipoca, sentar e assistir o planeta pegar fogo. A má notícia é que a Terra não tem saída de incêndio.

Atualização a 27/10/2009:

Eu havia acabado de dizer que as vitórias do Movimento Ecológico são “vitórias passageiras, puntuais, que não afetaram a lógica de ‘desenvolvimento’ econômico, não impediram que o planeta continuasse a ser cada vez mais velozmente destruído, não nos tiraram da rota de desestabilização climática que hoje ameaça a vida no planeta inteiro e que a mídia, os governos e as grandes empresas ainda tratam como meros inconvenientes” e poucas horas depois a AGAPAN tuitou uma clara confirmação de minha avaliação:

Twitter-Agapan-Artigo

quod erat demonstrandum

Atualização a 06/07/2010:

Hoje foi aprovada no Senado Federal a MP N.º 2.060-60, que altera o Código Florestal Brasileiro, reduzindo (muito) a proteção das florestas e das matas ciliares, o que é gravíssimo.

O que o Greenpeace fez? Baderna. Os ativistas se acorrentaram às cadeiras, acionaram uma sirene, atrasaram a votação em vinte minutos e foram expulsos pela segurança do Senado. Resultado dessa palhaçada toda: inflaram seus egos, vão ficar se lambendo uns aos outros achando que fizeram alguma coisa que preste, mas na real levaram um pé-na-bunda e não conquistaram porcaria alguma. Quem riu por último foi a bancada ruralista, que aprovou o que quis e já anunciou que vai tentar aumentar as conquistas.

Porcaria de Movimento Ecológico ridículo, ineficaz, umbigocêntrico e pernicioso!

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42 thoughts on “Protestos inúteis do Movimento Ecológico

  1. Me passa o sal aí!

    ahahhaha

    aiai (me desulpe, chorar também não adianta, né?!)
    Acho que você pode acrescentar ‘se aliar com empresas com dinheiro que estejam interessadas nesse tipo de proposta’.
    Começar do zero hoje tá difícil…
    Eu tenho visto ongs e empresas preocupadas com essas questões, por enquanto, é pra elas que eu pretendo oferecer minhas horas. 😉

    1. Ana, psit, não conta pra ninguém, mas eu estou aqui pensando, pensando, pensando e pretendo oferecer uma contribuição política de grande impacto ao Brasil. Só que por enquanto é segredo, psssst! 🙂

  2. de um membro da legião de comentaristas…
    Esses dias ouvi um comentário que tenho a impressão que muita gente ja conhece (tive uma rápida sensação de estar perdendo para o tempo)…
    “todos falam sobre que planeta vamos deixar para os nossos filhos, mas não se fala que filhos vamos deixar para o nosso planeta”

    POLÍTICA DE CIDADANIA… quando existir um partido que leve isso realmente a sério, me filio…

    Arthur, já fui lá na guerrinha dos sexos.

    1. Camargo, que elementos consideras importantes em uma “política de cidadania”?

      E a Mônica é gente boa demais, legal o blog dela, né?

  3. Nossa, muito legal teu blog!
    E concordo com o comentário acima… que filhos serão deixados para o planeta… kkkk

    bjo conterrâneo!!!!

    1. Rê, obrigado pela visita e pelo elogio! A gente normalmente se vê lá nos comentários da Mônica, mas não tinha conversado diretamente ainda, néam? 🙂 Volta sempre!

  4. Não devemos nos preocupar com o meio ambiente! Se ainda fosse com o ambiente inteiro! Depois de destruirmos a primeira metade ainda vai sobrar a outra metade. Então nós mudamos para lá, levamos os ativistas ecológicos para que nos defendam, e distribuam exemplos edificantes como daquela atriz pop que amava tando as árvores que se limpava só com um entre-picotes de papel-higiênico seu rico bum-bum. Um verdadeiro malabarismo mágico. Motivo de inveja entres os mestres do origami.
    Senhores e senhoras, devemos manter nossos dedos limpos na hora de assinar contratos lucrativos com os donos de nossas almas. Nós os proletários. Os otários com prole. Tirem da fila esta artista pop. Ela vai sujar o contrato. Que nojo!

  5. Usando teu argumento da postagem sobre qualificação do ensino, em ralação a deixar de lado o pensamento simplista e entender todo o contexto, respondo que a única maneira de melhorar cidadania é a ESCOLARIDADE. Mais escolas, escolas melhores e mais acessíveis, professores com remuneração justa, DISCIPLINA DE CIDADANIA DO COMEÇO AO FIM DO PERÍODO ESCOLAR, e por aí vai… situações econômicas e sociais, emprego e renda, segurança e criminalidade, defesa racional do meio ambiente, se uniriam todas num pacote de melhorias naturais, promovidas por uma população bem instruída. Fácil né?
    Vc já pensou em propor aos políticos uma plano de bonus igual ao dos professores? Quanto mais salas de aula (eficientes) saíssem dos seus projetos, mais passagens aéreas eles ganhariam?

    O blog da Mõnica é ótimo. Pra falar a verdade, meu blogzinho anda esquecido pq só tenho tido tempo para o de vcs.

    1. Camargo, como bem diz o texto que a Mônica postou no blog, “uma semana sem a esposa”, ter tempo é uma questão de prioridade. Aposto que tu andas fazendo aquelas coisas inúteis tipo arrumar a cama e varrer o chão todos os dias… tsc, tsc, tsc. [Rindo muito aqui.]

      Mas essa disciplina de cidadania que sugeres teria o mesmo jeitão das antigas OSPB (Organização Social e Política do Brasil) e EMC (Educação Moral e Cívica)? Aquilo não funcionou muito bem, imagino que tenhas algo melhor qualificado em mente. Podes dar alguns palpites sobre que estrutura teria essa disciplina de cidadania?

  6. a disciplina de cidadania seria também uma consequência de escolas bem estruturadas. Teria que ser totalmente desvinculada do P (politica, se for remetido à chocadeira de votos) e do C (civico, se for remetido aos antigos padrões de civismo da ditadura, embrião destas matérias). Longe de tentar uma idéia organizacional para ela, gosto de imaginar pequenos grupos andando pelas ruas com professores mostrando como um pedestre se comporta na rua, no ônibus. Como é errado um motorista cortar a frente do outro pra se dar bem; como é errado furar filas; como é errado desviar dinheiro, aceitar propina… e vai assim, com maior complexidade de conhecimento com o avançar da idade. O que acha?

    1. Eu tinha esquecido de perguntar isso à época do artigo: mas estas coisas que sugeres não são obrigação da família ensinar?

  7. em tempo. TEnho uma boa bengala para a falta de tempo: atendo em 6 cidades diferentes (no total, 11 consultórios). Sou um dentista cigano. e tem os romances…

    1. Passas mais tempo dirigindo que obturando! 😛

  8. Olá Arthur,

    Tudo bom? Primeiramente, feliz ano novo e que em 2010 seu BLOG ganhe cada vez mais força!! (Esteja certo que minha parte estou fazendo, divulgando…)

    Esse seu reclame é muito coerente, sabemos que há um total despreparo de quem tem o poder da caneta em tocar políticas ambientais SISTÊMICAS. Compartilho dessa tua visão de que as ONGs são temerárias por proporem apenas ações educativas ou apelos na forma de “terrorismo poético” e são evasivas quando se propõe uma ação política mais forte.
    Na minha área, engenharia, essa visão ambiental é muito recente e, infelizmente, parece estar distante de se chegar à mesa de projetos. Neste link o Eng. Adriano Murgel Branco conta suas experiências e detalha as mazelas das políticas públicas para o transporte:

    http://adrianobranco.eng.br/2009/11/24/a-grave-crise-dos-transportes-i/

    Este outro link é um documentário (Taken for a Ride) que conta como o lobby da GM desestruturou e acabou com o transporte coletivo nos EUA (o Brasil importou essa visão também), com o pretexto de que “o bonde atrapalha o trânsito”:

    http://video.google.com/videoplay?docid=-2486235784907931000#

    Na minha aproximação com o PV venho encontrando pessoas totalmente radicais. A impressão que me deixa é a da criação de uma nova modalidade de puristas, os conservadores-libertários: pessoas que só consideram “verdes” (ser verde é uma espécie de nobreza) aqueles que são vegetarianos, que defendem irrestritamente a liberalização das drogas, o aborto (sem aceitar discutir o impacto no Sistema de Saúde) e que abominam toda e qualquer possibilidade de uso de energia nuclear. No entanto, essas mesmas pessoas (fiéis seguidoras da Hora do Planeta), não fazem qualquer menção à ampliação do complexo UTE Candiota, não estão nem ligando para o financiamento do BNDES em R$ 1 bilhão à usina de carvão da MPX (do Eike Batista) no Maranhão, não ligam que 68% do investimento em logística do PAC irá para rodovias e apenas 1% para hidrovias… e por aí vai.
    Acho interessante o seu apontamento, porque deixa claro o que deve ser colocado como foco: a ecologia política pública e seu planejamento. Espero que goste dos links, vão de encontro ao seu artigo.

    Abraço!

    1. Respondendo antes de ver os vídeos: pois é, Marcus, esse papo do vegetarianismo (ou, pior ainda, os vegans radicais) torra minha paciência. Postei um artigo pela legalização da caça amadora na comunidade do PV do Orkut e – nossa! – fiquei decepcionadíssimo com o nível dos comentários.

      O pessoal lá na comunidade do PV mostrou uma incapacidade crônica e empedernida para compreender os argumentos em que expliquei que proibir a caça é pior para as espécies que supostamente querem defender e para o ambiente em que elas se encontram. Olha só, não se trata de concordar ou discordar, mas sequer compreender o que eu estava explicando. A tônica dos “argumentos” contrários foi ad hominem, xingando, colocando em xeque minha formação, etc.

      Se dentro de uma comunidade de gente politizada e preocupada com a questão ecológica o nível de entendimento em ecologia é tão parco, imagina entre a população em geral…

      E as ONGs ambientalistas ainda pensam como na década de 1970! 🙁

  9. Arthur, interessante seu artigo, é de se pensar. Mas vc acha mesmo que as pequenas ações não fazem diferença, ou você acha que até fazem, mas o que fará diferença mesmo é a sua conclusão escrita na parte “O que fazer”?

    1. Carolina, obrigado pela visita e pelo questionamento. Foi tão bom ler tua pergunta que decidi escrever um novo artigo para respondê-la ao invés de apenas postar uma resposta curtinha aqui. Confere: A lição que o Movimento Ecológico teima em ignorar

  10. Arthur,
    Tenho divulgado esse seu blog como ninguém eheheh…

    Segue a resposta do Jackson Muller a este seu post (enviei por email, no grupo de Twitteiros Pró Marina, onde cadastrei os seus 2 emails disponíveis no Facebook hahah)…
    A menção “tua crônica” foi uma confusão dele, pois deixei claro o link e o autor!

    Olá Marcus!
    Saudações.
    Trabalhei nos dois lados do balcão e concordo em muitos aspectos da tua crônica.
    A sociedade se encontra num estado de “torpor” impressionante.
    Acomodada, reclama que o circo vai pegar fogo.
    A idéia de bombeiros ou mesmo incendiários ambientais precisa ser modificada.
    Do lado do serviço público vemos coisas cada vez mais descontínuas, com programas sem efeitos e falta de compromisso com a coisa pública, coorporativismos e incapacidade de dar respostas nos “tempos da sociedade”.
    A iniciativa privada avançou, mas ainda faz as coisas somente “sob pressão”. Produtos sustentáveis não passam de um mero modismos publicitário, com fundo comercial, apenas!
    São poucas as empresas que assimilaram a questão ambiental em seus processos “porque é preciso fazer”, senão a grande maioria ainda resmunga e não faz o tema de casa.
    Em muitos casos esconde a verdadeira face da poluição nossa de cada dia.
    Até mesmo a reciclagem. Nos esforçamos para reciclar nosso lixo (500 gramas/dia) quando são gerados mais de 70 sacos de resíduos industriais perigosos por saco produzido!!!
    Penso que vivemos num período de grande significado.
    Temos a possibilidade da escolha! Penso que ainda dá tempo, apesar dos visíveis estragos até aqui proporcionados pelo mercado de consumo.

    Há, entretanto a necessidade de reviver a revolução. O método é que está errado.
    Precisamos de heróis, que sobem em árvores, que jogam barcos contra baleeiros, que se penduram em prédios, que correm pelados gritando pelo mundo.
    Precisamos, igualmente de negociadores, estrategistas ambientais.
    Precisamos qualificar a base de informações e de experiências exitosas no campo das políticas ambientais.
    Criatividade e coragem!

    A mídia necessita ser conscientizada para espalhar a informação técnica qualificada sobre o tema.
    E mais importante de tudo. Agir como grupo, mesmo com diferenças, devendo sempre prevalecer o senso da verdade!
    Abraço
    Jackson

    1. Marcus, um daqueles e-mails eu só uso para conversar com o pessoal do Esperanto, vai ter gente recebendo resposta em Esperanto por lá… 😛 Melhor remover o do Esperanto e deixar só o outro. 😉

      Fico grato pela divulgação, quero só ver a reação do pessoal quando eu publicar um texto em que critico o estatuto do PV por causa dos artigos 39 e 53. Aí a cobra vai fumar.

      Tomara que o pessoal acorde e se mobilize para pressionar em peso pela completa eliminação daqueles artigos e de qualquer possibilidade de “provisoriedade condicionada a metas” e de intereferência de cima para baixo na composição das estruturas estaduais e municipais, salvo em caso de atuação criminosa ou abertamente contrária aos propósitos do partido, mesmo assim com a possibilidade de recursos internos.

      Outra coisa: as convenções precisam ser absolutamente soberanas. Ninguém pode alterar a decisão de uma convenção legítima, por nenhum motivo, pois a convenção é o órgão máximo do partido, não a executiva. E isso vale em todos os níveis.

      Quanto à resposta do Jackson, eu diria que o que ele chama de “heróis” são na verdade apenas marketeiros. Não existe mais heroísmo em se meter na frente de um baleeiro japonês, porque eles vão simplesmente abalroar o barquinho, colocá-lo a pique, recolher a tripulação e processá-los criminalmente. No máximo isso serve como estratégia de obtenção de espaço na mídia. Mas será que o espaço obtido é bem utilizado e promove mudanças na lógica de consumo do público japonês, na atuação das empresas baleeiras e na atuação do governo? Ou acaba entrando nas retrospectivas anuais como mais uma imagem interessante que passou e não gerou grandes conseqüências?

      E, poxa… “a mídia precisa ser conscientizada”? Por que a insistência em convencer os outros a fazer o que precisa ser feito ao invés de fazer o que precisa ser feito? Se o Movimento Ecológico acha que a mídia não está fazendo chegar ao cidadão a informação técnica qualificada, então o Movimento Ecológico tem que fazer chegar ao cidadão a informação técnica qualificada, não tem que ficar pedindo “seu repórter financiado pela Petrobrás, por favor explica que toda queima de carbono fóssil contribui para matar bilhões de pessoas devido às mudanças climáticas, vai”.

  11. Olá Arthur. Segui você do Bule Voador até aqui. Você é bastante lúcido.

    Participei do início do PV e da campanha do Gabeira em 1986. O partido não tinha um quadro com os telefones dos membros, quem domina a comunicação tem o poder. Dai fiz parte de um pequeno grupo de resistência atuando como telefonista. Isso não durou muito, então sai e fui para uma reuniâo do grupo Os Verdes. Tive a mesma impressão de manipulação da cúpula. Lendo a tua historia me lembrei disso.

    Ainda voto no PV em um ou outro caso, mas sem grandes esperanças, numa tentativa de escolher o menos pior.

    1. Obrigado pelo elogio, Gerson B.

      Um alerta: o PV se tornou um partido de aluguel. E todos os “militantes” do PV ou são corruptos ou são inocentes úteis bancando os otários. Basta ler os artigos 39 e 53 do estatuto do PV para perceber isso no ato.

  12. Eu sei que o PV é de aluguel, e sei de outras coisinhas ruins. Se voto neles às vezes é por falta de opção. O que sobrou? Talvez o PPS.

    1. Em breve (uns quatro anos) haverá uma nova alternativa.

    2. Manga-Larga

      29/04/2011 — 11:58

      Ah sim, em breve teremos o Partido Militar Brasileiro, a reserva moral do nosso país!
      http://www.partidomilitarbrasileiro.com.br/

    3. Um “Partido Militar” é tão ridículo e fora da casinha que não dá pra entender como esse pessoal não tem vergonha de fazer isso.

      Quando vai surgir o “Partido dos Funcionários Públicos Civis” Ou o “Partido Médico”? Ou o “Partido Gari”? É o fim da palhaçada uma categoria de funcionários públicos achar que representa a “reserva moral” de um país. Isso é coisa de quem não tem noção do ridículo nem vergonha na cara.

    4. Manga-Larga

      01/05/2011 — 00:41

      Mas tu duvidas que eles conseguem fundar o partido e angariar muito apoio hj em dia? Coisa mais normal hj em dia é cidadão achar que na ditadura havia ordem no país.

    5. Em política eu não duvido mais nem que vaca voa.

  13. http://maharpress.blogspot.com.br/2013/12/quem-nao-pode-com-mandinga-nao-carrega.html

    […Johnstown , PA ( GlossyNews ) – A polícia local e estadual vasculhou as colinas da zona rural de Johnstown, Pensilvânia, depois de relatos de três ativistas dos direitos animais terem desaparecido após a tentativa de protestar contra o uso de couro em um grande encontro de motociclistas neste fim de semana .

    ” Alguma coisa deu errado”, disse um organizador do protesto, ainda visivelmente abalado.
    “Algo deu horrivelmente, terrivelmente errado.”

    Um grupo de ativistas dos direitos dos animais estava supostamente jogando sangue falso e gritando palavrões para mulheres mais velhas que vestiam roupas de couro ou casacos de pele, na esperança de mostrar-lhes a indignação com a utilização gratuita de couro em suas roupas e assentos de motocicletas…]

    Concordo que tem protestos totalmente inúteis. Esse alem de inútil foi insano. É quase como jogar uma torta na cara do Putin no Kremlin!

    1. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

      Antes de ler eu cheguei a ficar preocupado. Ao ver a foto e ler a reportagem eu decidi parar de enrolar para fazer a CNH categoria A! Já tenho uma moto, ela está há dois anos na garagem, já passou da hora de colocá-la a rodar novamente! 🙂

    2. Independentemente da veracidade da notícia, esta é a lógica dos movimentos sociais: “nós não gostamos do que eles fazem, logo eles devem parar”.

      Eles se acham no direito de dizer o que bem entenderem, de fazer o que bem entenderem, por mais desagradável que seja, e acham que ninguém pode não gostar e reagir de modo também desagradável.

      Tomara que tenha sido verdade. Só de imaginar um cara que jogava sangue falso na roupa dos outros e os chamava de assassinos sendo mijado de alto a baixo e pendurado todo mijado numa árvore eu me mato de rir!

      .

      .

      .

      Nunca fui contra o abate de animais para alimentação ou vestuário. O que eu faço questão é que o animal não sofra nem durante a criação nem no processo de abate. E por sofrimento eu incluo tanto a dor e o desconforto físico quanto a possibilidade de o animal prever a própria morte, sentindo medo ou angústia.

    3. ” Ao ver a foto e ler a reportagem eu decidi parar de enrolar para fazer a CNH categoria A! Já tenho uma moto, ela está há dois anos na garagem, já passou da hora de colocá-la a rodar novamente! ”

      Oh não! Recriei um monstro!

      Vai ser meio Jeckyll (o Arthur ecologista) e Hyde( o motoqueiro que caça pra fazer o couro do seu casaco e da moto).

      Quem vencerá? O bem ou o mal?

    4. O Hulk Inteligente. 🙂

    5. Infelizmente a veracidade da notícia é BEM questionável. Mas é engraçadíssimo e um bom exemplo do que é esforço inútil. Mesmo borrifar casacos é inútil. Cai bem na categoria de masturbação ativística, os caras tem orgasmos achando que tão salvando o mundo.

    6. Pensei que ias perguntar se o cinza ou o verde…

      Já antecipo: o verde. O cinza (Sr. Tira-Teima) era muito sacana. O verde era mais centrado. 😉

    7. Também acho que a notícia tem alta probabilidade de ser falsa, mas isso não vai me impedir de rir da história. 🙂

    8. Pior que você realmente oscila entre o cinza-foto-de-blog e o verde-ano-novo:
      https://fbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn2/v/t34/1484903_826058760753669_2016305319_n.jpg?oh=ce8e26101baccfc81ba7a0bc090d9f74&oe=52E94137&__gda__=1391019768_7766edf7106f67db1bcdada44423b433

      Mas com os óculos acho que você seria é o Hulk Professor.

    9. Hulk Professor? Quando teve esse?

    10. Era o Hulk com a inteligência do Banner e a malandragem do Tira Teima juntos. Ele comandava um grupo de caras com poderes chamado Panteão. Taqui, repare nos calçados:
      http://www.incrediblehulkonline.com/incarnations/professora.GIF

    11. Ah, tá… Estamos falando do mesmo Hulk. 🙂 Ou melhor, da mesma fase do Hulk.

      .

      .

      .

      Uma fofura o chinelinho.

  14. Alem do problema da corrupção tem o da inutilidade e do timing de certas ações do Movimento Ecológico:

    http://www.oc.org.br/index.php/cms/news/see/idnoticia/290955

    1. Mas esse caso é um caso de incoerência. Como é incoerente dizer que está preocupado com o aquecimento global e insistir em explorar o pré-sal ou o fundo do pólo norte.

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