Recompensa pela eficiência e obrigatoriedade de compartilhamento do know-how para que os outros possam adotar as metodologias mais eficientes, eis uma fórmula de incentivos que geraria busca de qualificação ao invés de greves para remuneração da ineficiência. 

Pague-se um bônus escalonado aos professores de escolas públicas que percentualmente tiverem mais alunos aprovados em vestibulares de universidades públicas, condicionando também este bônus à manutenção de uma página na internet com a descrição de sua metodologia de ensino. Esta página seria hospedada gratuitamente em um portal de educação bancado pelo Ministério da Educação e aberta universalmente a consultas e comentários.

Idealmente a página conteria uma listagem com o nome dos duzentos professores com melhor aproveitamento no país e suas respectivas escolas. Denúncias de que os métodos e equipamentos realmente utilizados diferem dos descritos seriam apuradas in loco e se verdadeiras seriam punidas com demissão do serviço público por fraude e crime contra a economia.

Evidentemente eu não acho que o único fator de qualificação do ensino público seja este, é bom registrar antes que alguém me acuse de supersimplificar a questão. Entretanto, esta pode perfeitamente ser a única política inicial a ser implementada no setor da educação pública.

Quando começarem a surgir as listas no portal do Ministério da Educação mostrando quem são os duzentos professores com melhor aproveitamento no país – e portanto com maior bônus – a grita pela disponibilização dos mesmos recursos de que eles dispõe será imensa, fazendo os professores a finalmente lutarem por metas concretas ao invés de pedirem “melhores condições de trabalho” hipotéticas, baseadas em autores preferidos por afinidade ideológica ao invés de resultados comprovados.

Se alguém tiver coragem para implementar algo assim, vamos finalmente parar de ouvir aquelas reclamações e chorumelas no estilo “o professor não pode se apresentar como detentor do saber, ele é apenas um facilitador de aprendizado para o aluno, que tem que construir seu próprio conhecimento de acordo com sua realidade específica blá-blá-blá cidadania blá-blá-blá esquerdismo rasteiro blá-blá-blá pombo” e similia similibus enrolandur.

Detalhes técnicos

Método de cálculo do bônus: encontra-se a mediana da distribuição percentual de aprovação entre todos os professores de escolas públicas do país, atribui-se 1% de bônus a este e traça-se uma linha reta entre este ponto e um hipotético professor com 100% de alunos aprovados com 100% de aproveitamento em sua matéria, que recebe um bônus equivalente a 200% do seu salário ao longo do ano seguinte, inclusive 13° e férias. Os demais entre a mediana e o máximo teórico recebem bônus linearmente proporcionais a seus percentuais de aprovação e ponderados segundo o aproveitamento dos alunos em sua matéria. Zera-se a tabela e refaz-se o cálculo anualmente.

Quem entra no cálculo: somente alunos que permaneceram durante todo o ensino médio na escola pública e os professores que de fato deram aulas diretamente a eles nos anos em que tenham sido aprovados.

Ponderação dos resultados: para evitar parasitismo de um mau professor sobre os resultados obtidos pelos outros da mesma escola, o bônus é calculado pela proporção da média de acertos em sua disciplina de todos os seus alunos aprovados no vestibular.

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Aviso anti-aporrinhação:

Isso aqui é um artigo escrito em uma hora e pouco, com o propósito de apresentar o princípio geral de uma estratégia de qualificação do ensino púbilco. Eu tenho plena consciência de que uma proposta completa ocuparia algumas semanas de trabalho e que obviamente há inúmeros detalhes que não foram pensados, como a questão das licenças-saúde, licenças-prêmio e licenças-maternidade, só para citar um exemplo óbvio. Atire suas pedras na vidraça certa, que é o mérito da proposta, não em picuinhas técnicas facilmente contornáveis.

E antes que alguém questione o fato de eu ter focado somente no ensino médio, ora, a mesma técnica é aplicável ao ensino fundamental, basta inventar um modo de ordenar os alunos por aproveitamento em nível nacional. Assim como existe o ENEM, cujo resultado tem algum peso para ingressar na universidade pública, poderia haver um ENEF, cujo resultado teria algum peso para o estudante escolher uma escola pública de melhor qualidade em que se matricular para cursar o ensino médio. Mas isso é picuinha técnica facilmente contornável.

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24 thoughts on “Como qualificar o ensino público

  1. Muito bom artigo, muito boa idéia!
    Que tal enviar para a câmera de deputados para ver se alguma alma iluminada de lá abraça?

    Para quem não entendeu ao ler, os valores são hipotéticos e precisam de serem trabalhados e respeitados todas as variáveis e situações possíveis.

    Parabéns Arthur!

    1. ACC, muito obrigado!

      Pensei em sugerir o envio do link aos parlamentares e divaguei… imagina se o Congresso Nacional tivesse um blog em que cada deputado e senador pudesse postar como autor de artigos, aberto aos comentários da população… 🙂

      Grato pelo acréscimo do alerta!

  2. Tb adorei a ideia. Poderiam dar prêmio em dinheiro pros melhores alunos no final do ano/mês. Isso daria incentivo pros outros.
    Mas se depender do governo e do povo que temos, sempre seremos lanterninha nas provas do Pisa.

    1. Prêmio para os melhores alunos seria uma idéia se pudéssemos evitar distorções como pagar bons prêmios para alunos com ótimas condições financeiras que estejam matriculados em escolas públicas. Será que seria possível organizar um sistema tão grande assim sem dar margem a muita corrupção? Eu duvido.

      (Não é um inferno que uma ótima idéia não possa ser implementada porque previsivelmente vai estimular a corrupção?)

  3. Uma sistemática complexa mas analisável para aplicação também em outros setores. O paciente que sai de uma consulta, em um serviço público, pode dar uma nota ao atendimento que acabou de receber. O médico seria pago segundo uma fórmula proporcionada pelo número de consulta e pela média da avaliação recebida. O médico se sentirá estimulado a cumprir horários e a atender melhor os seus paciente. Com um melhor atendimento melhora a resolubilidade dos problemas e minimiza o retorno por não solução. Claro que o padrão dos medicamentos oferecidos pelo serviço público deve corroborar este método. Aqui há um ladrão (figurado e explícito)que não tem interesse que os medicamentos similares sejam banidos. Definições e diferenças vide no Cágado: http://romacof.wordpress.com/2009/10/30/o-que-voce-deve-saber-sobre-os-medicamentos-que-consome/

    1. Romacof, tomei a liberdade de editar os últimos parênteses e de transformar seu conteúdo em uma frase, porque o parêntese final estava sendo considerado parte do link, quebrando-o. Agora o link está direcionando para o teu artigo corretamente.

      Qualquer atividade econômica – e portanto qualquer exercício profissional – está sujeito a incentivos e desincentivos de mercado. Eu dei o exemplo do ensino público, mas poderia ter escrito algo semelhante sobre a medicina, claro. Basta identificar qual exatamente é o comportamento efetivamente estimulado pelo incentivo. Em muitos casos pode acontecer algo surpreendente e contraproducente se não implementarmos um conjunto coerente de incentivos e desincentivos. (É o caso da política, em que os incentivos e desincentivos promovem aos mais altos cargos o pior material humano que há, disposto a todo tipo de imoralidade para locupletar-se.)

  4. Grato pela correção!

  5. O pior é ter a certeza de que isso nunca vai acontecer.
    Os governantes se fazem de cegos à sujestões como estas. Afinal, estão muito ocupados trabalhando duro para aumentar os próprios salários.

  6. Interessante assistir o biólogo que vive malhando os economistas apresentar um artigo em que propõe a utilização da mais fria e insensível lógica econômica e o estímulo à competição acirrada nos moldes liberais imposta de modo vertical e tecnocrático para resolver um problema que a maioria procura resolver através de investimento em qualificação profissional e geração de oportunidades, com diretrizes democraticamente construídas através da participação popular. 🙂

  7. Paulo Luiz Mendonça.

    31/10/2010 — 09:08

    EDUCAÇÃO NO BRASIL.

    Há muitas coisas, as quais não consigo entender, mas há uma que me intriga profundamente. Gostaria de saber porque da existência do privilégios estendidos aos professores das escolas publicas, a qual é estendido também aos professores das escolas privadas. O que me intriga é: em primeiro lugar, temos em nosso país dezenas de profissões, temos o dia do medico, o dia da secretaria, o dia da enfermeira, Enfim, todas as profissões têm o seu dia de comemoração. Não vejo em nenhum profissional, no dia da comemoração. ficar em suas casas descansando.
    Todos os profissionais permanecem em seus postos de trabalhos. Isso esta perfeitamente certo, o país estas em desenvolvimento, nada mais justo todos estarem trabalhando. Para o descanso, existem, sábados, domingos e também o grande numero de feriados e dias santificados.
    Naturalmente alguém poderia dizer, por exemplo, se todos os médicos, parassem de trabalhar no seu dia, a saúde entraria em colapso, porque este é um trabalho essencial. Eu pergunto, a educação não é essencial? Acredito que sim, então porque os professores, têm o privilegio de não trabalhar no seu dia, volto a perguntar porque? A educação no nosso país está um caos, esta literalmente na U.T.I. Não vejo ninguém se levantar contra esta situação, não vejo nenhum ministro da educação, ter alguma reação a respeito. Uma coisa que vejo muitos entendidos falarem, e que no Japão depois da guerra investiu pesado na educação, dizem os entendidos que este fator, proporcionou o país do sol nascente se transformar em uma potencia mundial, apesar de ser apenas um arquipélago. Estes entendidos os quais falam sobre isso, não fazem absolutamente nada para imitar os japoneses.
    Nosso ensino continua precário. Naturalmente sei perfeitamente, porque o ensino continua nestas condições.
    Tudo isso é perfeitamente planejado, isso e obra do poder econômico e dominante, quanto mais o povo for ignorante é mais fácil de ser dominado, esta artimanha é usada há muitos séculos, e sempre deu um ótimo resultado.
    Tenho observado nas escolas, tudo e motivo para não ter aula, se há um feriado na quinta feira, imediatamente é decretado, vamos emendar o feriado, paramos na quarta feira, só voltamos na segunda. Ninguém pensa no ensino que esta precário, todos pensam em descansar curtindo a praia, tomando suas cervejas. O que nós podemos esperar de uma situação desta, a qual anos após anos o ensino se deteriora, onde será que iremos parar? Um fato observado quando há eleições, os alunos na sexta feira que antecede a eleição, são privados da aula. O pretexto usado é: precisamos preparar a sala para a eleição, a preparação que dizem é afastar as carteiras mais para um lado e colocar duas ou três carteiras em fila para os mesários sentarem. Todo este procedimento não gasta mais que dez minutos, se contarmos sexta e sábado para este trabalho ser executado, é um exagero sem precedente. Esta preparação se nós tivéssemos vivendo em pais serio, seria feito sem nenhum problema no sábado. Mas como vivemos em pais onde existem privilégios exagerados.
    Como diz o famoso radialista da Bandeirante José Paulo de Andrade. “No Brasil existem as pequenas ditaduras,”portanto temos que conviver com estes desmandos.
    A Constituição diz todos são iguais perante a lei, mas há alguns que são mais iguais que outros, estes mais iguais têm estas vantagens que os demais não têm. Os professores dizem, nós ganhamos pouco, hora todos neste país ganham pouco, até os que ganham bem, dizem ganhar pouco. Se, estamos trabalhando em uma área onde ganhamos pouco e temos convicção que merecemos mais, e só mudar de área, se nos realmente merecemos ganhar melhor sempre haverá alguma firma que nos pagara mais. Se não encontrarmos nenhuma empresa disposta a nos pagar melhor, o bom senso nos diz, nós não somos merecedores. Sei que o governo age desta maneira com relação ao ensino, dando estes privilegio aos profissionais da educação, para compensar o baixo salário. Esta estratégia é boa para o governo porque resolve o problema dos baixos salários. Este procedimento resolve o problema dos professores, eles recebem um salário medíocre, mas em compensação lhes são dados alguns privilégios, que outras categorias não têm. Quem fica no mato sem cachorro são os pobres estudantes, são jogados para as traças, ficam a mercê de um ensino precário, sem nenhuma perspectiva de futuro.
    Perdoem-me os ofendidos, estou apenas usando o sagrado direito garantido pela nossa constituição, o qual é o direito de expressar meu pensamento. Não só expresso meu pensamento, mas também minha profunda indignação.
    Sabendo que a educação e coisa fundamental para o nosso desenvolvimento, então porque virar as costas e não olhar com mais carinho para este problema, o qual é sem sombra de duvida é o único caminho para levar o nosso país a um patamar mais elevado para podermos equiparar com as grandes potencias mundiais.
    Da maneira que esta o ensino publico no nosso país, nós não iremos chegar a lugar nenhum. O governo faz de conta que todos estão freqüentando os bancos escolares, os professores fazem de conta que estão ensinando, e os alunos fazem de conta que estão aprendendo. Sendo assim tudo esta bem, se esta bem para ambas as partes, porque alguém vai se preocupar? Vamos continuar a formar um monte de semi-analfabetos. Estes infelizes fatalmente serão escravos do futuro.

    Esta crônica foi extraída do livro, Crônicas, indagações e teorias. Autor Paulo Luiz Mendonça.
    http://pauloluizmendonca.judblog.co

    Nota, este mês de outubro nas escolas brasileiras foi assim. Dia 12 de outubro era dias das crianças e dia da padroeira do Brasil dia 13 não era feriado nenhum, mas aqui usam emendar os feriados, as escolas fecharam na sexta-feira dia 8, só voltando a funcionar na quarta feira dia 13. Os alunos estudaram dia 13, 14. Dia 15 de outubro, era dia do professor imaginem não se trabalha no dia consagrado ao professor. No dia 25 de outubro por antecipação foi comemorado o dia do funcionário publico neste dia também não tem aulas os professores descansam novamente, pois ninguém e de ferro. Pasmem voltam às aulas dia 26, 27 e 28. Dia 29 não há aula, pois tem que preparar a escola para a eleição, não é só isso os alunos terão aulas somente na quarta feira dia 3 de novembro, porque novamente é feriado prolongado. O mês de outubro tem 31 dias só teve 16 dias de aulas. É ou não é uma tremenda enganação o ensino no Brasil.

    Veja Leu, como o Brasil cuida da sua educação em um mês de 31 dias só

    1. Hmmm… Tanta coisa a criticar e tantos problemas a resolver e tua preocupação principal é uma meia dúzia de feriados?

  8. O problema não é so a meia duzia de feriados, sei que há uma tonelada de problemas que vem se avolumando desde o tempo do imperio. Se for falar de todas as mazelas e privilegios os quais são dados aos professores para compensar os baixos salarios, eu ficaria o dia todo escrevendo, mas não há tempo nem espaço para isso obrigado.

    1. Ué, vamos bater nessa tecla. Eu sou professor e desisti de lecionar justamente porque considero todo o sistema falido. Só acho que a questão dos feriados é bem secundária, até porque antes tínhamos 180 dias letivos e hoje temos 200, antes tínhamos 8 anos de primeiro grau e hoje temos 9 anos de ensino fundamental, então já houve ampla compensação dos feriados.

  9. Até 1970 o ensino no Brasil era uma porcaria,ninguém aprendia nada.
    Tinha leitura,em voz alta,obrigatória.
    Ditado,coisinha mais chata.
    Pilhas de cadernos,livros didáticos que ficavam anos na mesma família.
    Caligrafia,tabuada decorada,alfabeto decorado,poema decorado…tanta coisa para uma cabecinha só.
    Tantas horas enfadonhas aprendendo uma única matéria.
    E ainda tinha que cantar o Hino Nacional,marchar no 7 de Setembro,não destruir a escola,respeitar professor,ser Escoteiro Mirim,fazer lição de casa…
    A escola hoje é o paraíso!
    Passar sem estudar.
    Nada de coisas decoradas.
    Nada de cadernos,
    Livros que se renovam todos os anos.
    É demais destruir escola,bater em professor,não respeitar colega.
    Acabou o 7 de Setembro e cantar hino nacional é coisa de jogador de futebol.
    Hoje o bão mesmo é saber que a gente pode tudo.
    O ENEM tá ai pra provar.

    1. O Brasil é um ambiente de fracasso. Cuba também. Qualquer país com orientação política esquerdista é. Qualquer povo com esquerdismo cultural é.

  10. Mas pelo que sei só temos 10 anos de esquerdismo,será que já nascemos fracassados ?

    1. O PSDB era centro-esquerda, e o governo militar embora formalmente contra o comunismo adotou várias políticas antiliberais. O Estado sempre foi endeusado por aqui.

    2. Li, é só dar uma olhada em volta e ver se temos uma cultura de qualidade, dinamismo e sucesso ou se temos uma cultura de gambiarra, descaso e coitadismo. O que te parece que descreve melhor o brasileiro médio?

  11. Claudio ricardo santos

    29/01/2014 — 12:58

    “Mas pelo que sei só temos 10 anos de esquerdismo,será que já nascemos fracassados ?”

    A revolução cultural gransciana de ocupação dos espaços começou a 40 anos. As eleições foi apenas a cereja do bolo.Quem donina a cultura tem o poder nas mãos. Por isso, mesmo se o PT perder as eleições, que tiver no poder não vai durar por muito tempo. Ganhar as eleções mas não ter a hegemonia cultural é como ter a camisinha sem o pinto, não adianta nada.

  12. Claudio ricardo santos

    29/01/2014 — 12:59

    “O PSDB era centro-esquerda, e o governo militar embora formalmente contra o comunismo adotou várias políticas antiliberais. O Estado sempre foi endeusado por aqui.”

    O Brasil nunca foi liberal, o Brasil é mercantilista e patrimonialista desde que nasceu.

  13. Claudio ricardo santos

    29/01/2014 — 13:03

    O que explica a queda assustadora da qualidade do nível da educação brasileira? Alguém poderia alegar os baixos salários dos professores. Ou a falta de investimentos do governo nesta área. Entretanto, baixos salários e falta de investimentos não justificam a incultura intelectual dos professores. A profissão docente sempre foi ingrata em matéria de salários. No século XVIII, em particular, na Inglaterra de Adam Smith, os professores universitários tinham um tempo livre para pedir esmolas, já que o salário não compensava. E nem por isso podemos afirmar que eram incultos. Gente da nossa literatura, como Lima Barreto, por exemplo, era extremamente pobre e culta. De algum modo, os eruditos se viraram. Mas esse é o problema, falta cultura, sinceridade e erudição em nossos professores.

  14. A INVENÇÃO DO SABER- de Gerardo Mello Mourão(ED.Itatiaia-1990)

    http://www.skoob.com.br/livro/255057-a_invenCAo_do_saber

    Da página 13 até a página 31,fala tudo que eu gostaria sobre o assunto.

    Quem puder ler…

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