Ganância, falta de cultura científica e negligência causarão a extinção da humanidade

Quando a água salgada bater na bunda do Cristo Redentor, não reclamem. Em junho de 2009, no artigo Aquecimento global: alarmismo ou perigo real?, eu alertei que a na melhor das hipóteses temos oito anos para mudar toda a economia mundial sob pena de causar uma desestabilização climática de tamanha intensidade que irá matar bilhões de pessoas, podendo chegar a extinguir a espécie humana. Em julho de 2009, no artigo “Somente os ricos e os paranóicos sobreviverão“, eu registrei o risco de o complexo militar-industrial das nações mais poderosas promover um “genocídio terapêutico” quando perceber que, quando o clima planetário se desestabilizar, eliminar 90% da população humana em poucos meses pode dar a eles uma chance de sobrevivência. Em agosto de 2009, no artigo “Ecologia política de resultados não se faz com ambientalismo amador“, eu descrevi qual o redirecionamento necessário para o Movimento Ecológico parar de se iludir com campanhas de conscientização e assumir uma orientação realista, capaz de produzir resultados concretos. Em setembro de 2009, no artigo “As conseqüências do pré-sal“, eu expliquei que o aproveitamento deste “recurso” é suicida, disse para deixarmos o petróleo lá onde estava e descrevi a matriz energética que precisamos construir. Em outubro de 2009, no artigo “Você acha mesmo que faz a diferença?“, eu defini a “Agenda Para Ontem”, necessária para salvar o planeta de um colapso climático e voltei a conclamar o Movimento Ecológico a agir de modo realista. Agora eu mostro como as informações cruciais sobre meio ambiente e clima são distorcidas pela a mídia e como quem não sabe ler as entrelinhas – 99% da população – é induzido a erro.

Quando publiquei o artigo “Aquecimento global: alarmismo ou perigo real?” eu pedi aos leitores que discordassem para apresentar fontes que fundamentassem suas opiniões. Até agora ninguém apresentou uma refutação minimamente convincente, mas me chamou a atenção o fato de que as duas tentativas apresentadas foram apresentadas por internautas anônimos que se baseiam em falácias que eu detectei com facilidade.

Falácia: confusão entre escalas

Um leitor postou o vídeo “The Great Global Warming Swindle” (A Grande Farsa do Aquecimento Global) como contra-argumento a meu alerta sobre o Aquecimento Global. Ora, esse vídeo possui uma imensa e incontornável falha técnica em seu principal argumento: uma confusão grosseira entre a escala meteorológica e a escala climatológica.

Na escala meteorológica o sol é o melhor fator de previsão para as variações da temperatura em função do Ciclo Solar de Schwabe, que tem em média 11 anos de duração.

Na escala climatológica o sol não serve como fator de previsão para as variações da temperatura, pois as variações do ciclo estelar ocorrem ao longo de milhões de anos e não são são significativas no intervalo de uns poucos séculos ou milênios.

Os produtores deste vídeo picareta misturaram conceitos entre escalas de tempo incompatíveis e assim produziram um argumento falacioso de difícil detecção para o público leigo, mas eu sou mestre em ecologia e percebi facilmente o erro.

Falácia: argumento de autoridade

Um leitor disse que eu sou o “único que faz essa critica, nem o relatório oficial sobre a critica desse documentário tinha isso”, por isso ele acha que eu “deveria estudar mais”. Ele também informou que se baseou numa reportagem da BBC Brasil para fazer sua crítica e disse que ” além desse existem muitos outros dizendo simplesmente o contrario de você Arthur”, inclusive sites “de empresas sérias como a BBC”.

Bem, o consenso à época de Galileu Galilei era de que o Sol se movia ao redor da Terra, ele era “o único que fazia essa crítica”. O consenso à época de Santos Dumont era de que “é impossível fazer voar algo mais pesado que o ar”. Talvez Galileu Galilei e Santos Dumont devessem ter estudado um pouco mais, é isso? 🙂

Quanto às empresas sérias, tenho certeza que o Lemahn Brothers, a General Motors e a Enron também eram empresas sérias, tão sérias que estavam entre as maiores do mundo em suas respectivas áreas de atuação. Entretanto, todas elas cometeram erros imensos e catastróficos.

Um cientista sério não aceita argumentos de autoridade. Espero que os motivos tenham ficado bem claros com os exemplos acima. Temos que pensar com independência, com fundamentação teórica sólida e coerente e com profundo senso crítico se quisermos oferecer alguma contribuição significativa.

Estudo de caso

A reportagem indicada pelo leitor que queria que eu estudasse mais contém um tipo especialmente problemático de falácia, pois exige um bom conhecimento técnico e uma boa dose de atenção para identificar o tipo de viés desinformativo que apresenta.

Não posso afirmar com certeza se isso partiu da BBC, que não é uma empresa especializada em análise ambiental, ou se partiu das fontes que geraram as informações que a BBC simplesmente repetiu, o que é mais provável, mas com certeza existe no mínimo uma falha de interpretação dos dados, talvez uma desinformação intencional.

Preste atenção agora, caro leitor, pois vou mostrar onde está o “pulo do gato” e torcer para que você compreenda as verdadeiras implicações das informações apresentadas naquela reportagem.

Terra absorve mais gás carbônico do que se pensava, diz estudo

Um estudo realizado na Grã-Bretanha sugere que os ecossistemas e oceanos da terra têm uma capacidade muito maior de absorver gás carbônico do que se imaginava anteriormente.

Preste bem atenção: falaram em “capacidade” maior que a imaginada, certo?

A pesquisa da Universidade de Bristol mostra que o equilíbrio entre a quantidade do gás em suspensão na atmosfera e a que é absorvida se manteve praticamente constante desde 1850, apesar de as emissões terem saltado de 2 bilhões de toneladas anuais naquela época para 35 bilhões de toneladas anuais hoje em dia.

Opa! Mudaram de assunto! Agora o assunto é “taxa de equilíbrio”.

Você percebe a diferença entre “capacidade” e “taxa de equilíbrio”, meu caro leitor?

“Capacidade” neste caso é uma palavra que tem duas interpretações: pode significar “quanto cabe” e pode significar “quanto cabe sem causar problemas”.

Ora, “quanto cabe” nós todos sabemos: todo o carbono existente nos combustíveis fósseis de todo o planeta “cabe” de volta na atmosfera. O problema é saber se ele “cabe sem causar problemas”, ou seja, sem alterar o clima da Terra, o que provocaria uma imensa devastação na biosfera, talvez equivalente à Grande Extinção do Permiano.

Por algum motivo maluco que não tenho a menor idéia de onde surgiu, os autores do tal estudo partiram do pressuposto de que a “taxa de equilíbrio” entre o CO2 em suspensão e o CO2 absorvido pelos oceanos indica que a Terra tem uma “capacidade” de absorver CO2 muito maior que a imaginada, mas isso não é verdade, pelo menos não se estivermos falando de “quanto cabe sem causar problemas”.

Saber que a “taxa de equilíbrio” se mantém a mesma significa que, por exemplo, para cada dez pedras que eu atiro para o alto, três caem de volta na minha cabeça e sete caem no chão a meu redor. Se eu jogar dez pedras, levarei três pedradas na cabeça, se eu jogar vinte pedras, levarei seis pedradas na cabeça.

Pergunto: a “capacidade” que a minha cabeça tem de agüentar pedradas sofre alguma influência da “taxa de equilíbrio” entre o número de pedras que acertam minha cabeça e as que caem no chão?

Bingo! 🙂

Se a “capacidade” da minha cabeça de levar pedradas antes de me lesionar seriamente é de trinta pedradas, pouco importa se a meu redor houver setenta pedras caídas ao chão, ou cinqüenta, ou noventa.

A “taxa de equilíbrio” entre as pedras que saem de um compartimento (minha mão) e atingem um alvo (minha cabeça) ou outro alvo (o chão) é totalmente irrelevante para determinar a “capacidade” da minha cabeça para resistir às pedradas sem sofrer danos que destruirão seu funcionamento normal.

Do mesmo modo, a “taxa de equilíbrio” entre as toneladas de carbono que saem de um compartimento (combustíveis fósseis indisponíveis para a biosfera) e atingem um alvo (a atmosfera) ou outro alvo (os oceanos) é totalmente irrelevante para determinar a “capacidade” da atmosfera para resistir ao acúmulo de carbono sem sofrer danos que destruirão seu funcionamento normal.

E o mesmo vale para os oceanos, ou seja, a “taxa de equilíbrio” entre as toneladas de carbono que saem de um compartimento (combustíveis fósseis indisponíveis para a biosfera) e atingem um alvo (a atmosfera) ou outro alvo (os oceanos) é totalmente irrelevante para determinar a “capacidade” dos oceanos para resistir ao acúmulo de carbono sem sofrer danos que destruirão seu funcionamento normal.

Está começando a parecer que estão tentando nos confundir, não está?

O resultado do estudo, publicado no site especializado Geophysical Research Letters, confronta com várias pesquisas recentes, que previam que a capacidade de absorção pelos ecossistemas e oceanos cairia conforme as emissões aumentassem, fazendo disparar o nível de gases causadores do efeito estufa na atmosfera.

Sim, esta informação está correta. Se eu continuar a jogar pedras para cima, a pilha de pedras a meu redor vai aumentar, aumentar, até ficar tão alta que toda pedra que eu jogar não vai conseguir alcançar o topo, vai bater na pilha e rolar de volta sobre mim. Ou seja, terá sido atingido o limite de “absorção de pedras” da pilha de pedras caídas no chão.

Vejam, entretanto, o absurdo que é dito a seguir:

Mas segundo o principal autor do estudo, Wolfgang Knorr, seu ponto forte é que ele se baseia apenas em dados de medidas e estatísticas, e não em modelos de clima computadorizados.

Ora, o que este sujeito está dizendo é que o “ponto forte” de seu raciocínio é que ele se baseia em uma medição da pilha de pedras, não em um modelo teórico de pilha de pedras, portanto, como a pilha de pedras dele ainda não atingiu o seu limite, ele pode continuar a jogar pedras na pilha.

O que esse raciocínio implica é nada mais, nada menos, que a negação de toda a utilidade da ciência, negando a possibilidade de prever o comportamento da natureza e fazendo-nos regredir ao empirismo radical como método de escolha para o conhecimento da realidade.

Ora, então para que fazer ciência? Para que fazer previsões? Se ele pretende esperar a pilha de pedras começar a cair na cabeça da gente para ter um argumento “forte” para dizer “este é o limite, baseado em medições, não em modelos teóricos”, então também pretende esperar que o clima mude e a Terra seja devastada para dizer “este é o limite, baseado em medições, não em modelos teóricos”.

Muito inteligente. Clap! Clap! Clap!

Copenhague

Os pesquisadores de Bristol descobriram que o aumento dos gases em suspensão na atmosfera tem sido um valor entre 0,7% e 1,4% a cada década, desde 1850, o que, para os cientistas é muito perto de zero.

Eu nem vou discutir o absurdo que é esta afirmação. Faça você o cálculo de qual seria o aumento da concentração de CO2 na atmosfera em um século se o valor “muito próximo de zero” de 1,4% por década se mantivesse constante e me diga se você acha que a biosfera agüentaria esse aumento durante um período de mais um ou dois míseros séculos.

Para os cientistas, o trabalho é extremamente importante no debate de políticas para o controle das mudanças climáticas, já que as metas de emissão que devem ser negociadas em Copenhague, em dezembro, se baseiam em projeções que já levam em conta a capacidade de absorção da Terra.

Aqui está o ponto nevrálgico da questão. Todo o raciocínio deles – que, já vimos, contém erros graves – serve para nos induzir a acreditar que, se “a Terra tem mais ‘capacidade’ de absorver carbono do que se pensava”, então “não precisamos estabelecer reduções ambiciosas nas metas de emissão”.

Mas Knorr alerta que não necessariamente o estudo vai afetar as decisões dos líderes mundiais.

Tomara que não. Seria suicídio. Se o estudo diz mesmo o que foi apresentado pela BBC, e pelo formato das citações parece que diz mesmo, então o estudo contém uma falha gravíssima de interpretação e se for levado em consideração vai induzir a erro as tomadas de decisão nele baseadas, seja em Copenhague 2009, seja onde e quando for.

“Como todos os estudos deste tipo, há algumas imprecisões nos dados”, admitiu. “Portanto, em vez de confiar na natureza para oferecer um serviço gratuito, absorvendo nosso gás carbônico, precisamos nos certificar dos motivos pelos quais a parcela absorvida não mudou.”

Raios! Se esse é o tipo de cientista que está orientando os políticos ao redor do mundo, então a Terra está mesmo perdida!

Primeiro, o problema não é nos dados, é na lógica: “capacidade” não tem nada a ver com “taxa de equilíbrio”, como já vimos. Estejam os dados certos ou errados, se a lógica usada para interpretá-los estiver errada, o resultado da análise será equivocado.

Segundo, os motivos pelos quais a parcela absorvida não mudou, além de serem irrelevantes, são óbvios: não mudou porque os oceanos não chegaram ao ponto de saturação.

Agora pense comigo, caro leitor: se você colocar uma colher de chá de sal em um copo com água, você poderá diluir todo este sal, beber a água e se hidratar, certo? Isso acontece porque a água com pouco sal ainda é hipotônica (menos concentrada em sais) em relação a seus tecidos. Mas se você colocar uma colher de sopa de sal em um copo de água, você poderá diluir todo este sal, mas ao beber esta água você vai se desidratar, porque a água salgada é hipertônica (mais concentrada em sais) em relação a seus tecidos. Entretanto, é possível diluir ainda mais sal em um copo de água antes de chegar ao ponto de saturação.

Pergunto: o limite em que se deve parar de saturar um sistema é aquele em que o sistema não consegue mais absorver uma substância (sal ou CO2, conforme o exemplo) ou é um o ponto anterior àquele em que o sistema muda de comportamento, muito antes de atingir a capacidade de saturação?

Lembre que nunca antes na história deste país houve registro de furacão, nem tampouco de tornardos, depois me responda se você acha razoável “pagar pra ver” se está em curso ou não uma alteração climática em proporções planetárias.

O estudo também descobriu que as emissões vindas do desmatamento podem ter sido superestimadas em valores entre 18% e 75%.

“Tá, e daí?” O estudo não era sobre a capacidade de absorção do gás carbônico pelo planeta? Por que é que no último parágrafo jogaram essa informação absolutamente irrelevante sobre emissões?

Resposta: acontece que o objetivo nunca foi produzir um estudo sério sobre a capacidade de absorção do CO2 pelo planeta, o objetivo sempre foi justificar a agenda contrária ao controle de emissões. Não estava tão evidente até o penúltimo parágrafo, mas essa escorregada escancarou de vez.

Conclusão

Nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que as grandes empresas fazem é responsável e nem tudo que os mais respeitáveis meios de comunicação informam é verdade.

Sem um mínimo de cultura científica e senso crítico, fica-se vulnerável às manipulações engendradas pelos grupos que colocam a ganância econômica acima da vida humana e da própria estabilidade do planeta.

Saber que isso pode ocorrer e não procurar se informar melhor – estou falando de estudar ciências, não de ler jornais – nem tomar qualquer atitude para tentar reverter este quadro é uma negligência que pode custar sua própria vida, a de seus filhos e netos.

E você, o que pretende fazer?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 27/11/2009

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23 thoughts on “Ganância, falta de cultura científica e negligência causarão a extinção da humanidade

  1. Olá, Arthur!!
    Brilhante seu texto e as suas colocações.
    Parabéns.
    Abraços,
    Domingues/Zelador

    1. Alcione, muito obrigado pela visita e pelo elogio, volta sempre!

  2. gases responsáveis pelo efeito estur:
    1. vapor d’agua 95%
    2. co2 3.6%
    3 outros gases 1,7… %

    apenas 3.6% do co2 na natureza é antropogênico. O restante vem principalmente do mar e outras fontes: vulcões, mata, animais, etc.

    Enfim, a taxa de crescimento do co2 vindo do homem de 100 anos pra cá não faz nem cóssegas no restante do co2 sem contar que ele tem participação pequena no efeito estufa.

    Como explicar o aumento contínuo do co2 a partir de 1900 se a terra esquentou até 1940 depois esfriou até 1975 depois parou de esquentar até 1998 e começou a esfriar a partir de 2007 (dados do sistema de satélite uHA – que o IPCC vergonhosamente já reconheceu).

    Enfim: cadê o aquecimento global?

    é muita arrogância achar que influenciamos alguma coisa no clima da terra. Deixa o sol saber disso…

    1. “Aranha”, lê os relatórios extremamente conservadores do IPCC no endereço http://www.ipcc.ch/ e depois volta aqui para postar os dados corretos, ou então informa os links com as fontes destes teus dados, porque esses eu ia querer ler. 🙂

      Quanto à hipótese ridícula sobre o aquecimento global ser causado pelo Sol, não há por que comentar novamente: a explicação está no texto do artigo, sob o título “Falácia: confusão entre escalas”.

      Se quiseres ler alguns artigos para te informar melhor a respeito, sugiro clicar nos links que postei neste artigo aqui: http://arthur.bio.br/2009/06/27/meio-ambiente/aquecimento-global-alarmismo-ou-perigo-real

  3. Caro Arthur! Muito coerente sua explanação, cheia de parábolas analógicas sobre pedras e água salgada, para que o entendimento acerte a cabeça de alguém ou o mate de sede de entender! Mas você olvidou (esta é do fundo) de um pequeno detalhe. A classe dominante nas esferas políticas e executivas, principalmente nos países em que os executivos metaforicamente executam os governantes se as decisões não lhes forem gratificantes, tem uma idade variável entre 50 e 70 anos – 60 em média – com uma expectativa de vida de no máximo 20 anos. Como são pessoas que centralizam o universo em seus próprios umbigos ou bolsos, e estão pouco se fudendo para a geração que os sucederá, nada lhes importa quem vai ficar com a tarefa de tentar salvar a bunda do Cristo Redentor… Apenas o locupletar-se imediato interessa. Esta é a regra! Mas não aqueça a cabeça com o esquentamento global. Daqui há vinte ou trinta anos vamos ter que lidar com a apartheid genética, tentando livrar o nosso rabo com cotas, para não ir para reservas dos humanos antigos. Vamos poder escolher entre morrer torrados como amendoins no asfalto, ou por piedade dos manipulados. (Eu já disse que isto vai virar história antes de podermos ficcionar (esta é neo) sobre o tema!)( O que é o cara perder o sono e sentar no computador às 4 da madruga!)

    1. Romacof, eu sei disso… mas a maioria destes caras tem filhos e netos! Como é possível alguém com um grande poder político ou econômico e um mínimo de decência ajudar alegremente a preparar um inferno no qual seus filhos e netos serão escaldados e mortos? Eu não entendo isso.

      Eu vou comprar um outro carro amanhã. Eu ia procurar um carro flex, mas pelo valor que eu posso investir só posso comprar um carro a gasolina. E, se não for eu a comprar o carro que escolhi, será outra pessoa, pois o carro está em estado de zero km, a dona não vai enterrar o carro para contribuir com a redução de consumo de combustível fóssil.

      A questão é: por que o governo não está financiando a preço de custo e a longo prazo a conversão de carros a gasolina em carros multicombustível, não estão preocupados com o aquecimento global?

      A resposta é: claro que não estão preocupados com o aquecimento global, pois estão investindo bilhões de dinheiros para extrair bilhões de galões de carbono fóssil e lançá-lo na atmosfera.

      Ah, claro, tem mais três meses de IPI reduzido para os carros flex, para fazer de conta que estão preocupados com a questão ambiental, quando o que deveriam fazer era deixar o petróleo do pré-sal onde está.

      http://arthur.bio.br/2009/09/28/solucoes-radicais/as-consequencias-do-pre-sal

  4. Olá, Arthur!!
    Assisti na NET (canal 33/NatGeo – Porto Alegre) o documentário sobre “2012” e o “Fim do império Azteca”, e as conclusões dos cientistas nos dois documentários são de que a humanidade precisa com urgência tomar medidas para que eventos ocorridos a muitos anos atrás não se repitam ciclicamente com vorazacidade maior que as previstas. Temos cuidar de nosso planeta, caso contrário as profecias dos “maias” podem se concretizar.
    Abraços,

    Domingues /Zelador

    1. O Movimento Ecológico tem “profetizado” isso desde a década de 1970 insistentemente e ainda hoje, apesar de todas as evidências, quase nada é feito. Copehague não vai estabelecer metas de redução de emissões, apenas “compromissos gerais”, ou seja, nada. É dose.

  5. Olá, Arthur!!
    Não sabia que tais fatos já eram “profetizados” desde o século passado. Quanto a COP15, todos estão esperançosos que algo de concreto saia de lá, pois, u mundo não pode ficar do jeito que está, muito menos convergir para uma situação mais drástica.
    Abraços,
    Domingues/Zelador

    1. É… como obra de ficção até que está bem escrito. 🙂

  6. Respeito a sua condição de especialista da área e não venho questionar nada nesse sentido. No entanto, há teses e contrargumentações, cada vez mais veementes, contra o “aquecimento global” e condenando todos os trabalhos científicos nesse sentido a uma farsa.
    Embora não seja confiável a fonte, me agrada ler o blog do Reinaldo Azevedo (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/ ) pelo conteúdo ilário de seus posts…
    Vez por outra até faço uso de alguma estropolia verbal que ele utiliza. No entanto, quando ele se envereda por assuntos longe do sarcasismo político, que é especialista, o resultado é um desastre.
    As afirmativas dele contra o “aquecimento global” vinham ganhando corpo. Dessa vez ele se empenhou em fundamentar, segue abaixo o texto. Por curiosidade, o que acha disso?

    EU NÃO ENTENDO NADA DE AQUECIMENTO GLOBAL, CLARO, MAS ELE ENTENDE!
    terça-feira, 22 de dezembro de 2009 | 20:10 por Reinaldo Azevedo

    Os blogs e sites que previram a catástrofe do aquecimento global estão numa espécie de desespero. Precisam, a todo custo, explicar o frio rigoroso do Hemisfério Norte, com suas nevascas inéditas. A saída tem sido alertar que é errado falar em “aquecimento”, que a expressão correta é “mudança climática” e que nada do que se vê e se experimenta falseia o modelo. E, por óbvio, os que duvidam deles são homens maus, gente ignorante, aferrada, como escreveu Paul Krugman num artigo no NYT, ao antiintelectualismo. Como eram, ele disse, os partidários de George W. Bush. Essa turma usa Bush como Lula usa FHC — falo de estruturas, não de conteúdo. Quando não têm resposta, atacam Bush…

    Já ouviram falar de Richard Lindzen? Abaixo, reproduzo um post do blog português Mitos Climáticos. Vocês ficam sabendo um pouco mais sobre este professor de meteorologia do Massachusetts Institute of Technology, o lendário MIT. Aqueles que estiverem severamente interessados no assunto podem clicar aqui e ouvir o professor responder a cada uma das grandes questões que dizem respeito ao aquecimento global. A questão de Lindzen, ele deixa claro, não é saber se existe ou não algum aquecimento — já que a Terra vem esquentando e resfriando há milhões de anos —, mas se procede o alarmismo. E ele deixa claro que não. E faz até um gracejo: “Al Gore acredita no aquecimento global porque as pessoas acreditam, e as pessoas acreditam porque Al Gore acredita”. É perfeito!

    Se eu entendesse de meteorologia o que Lindzen entende, estaria dando aula no MIT. Como não entendo… Assim, não acreditem no que digo sobre aquecimento global e no que dizem outros abelhudos como eu, de um lado ou de outro. Eu costumo tratar apenas da lógica interna das coisas que leio. Mas considerem a hipótese de o especialista do MIT saber o que diz, especialmente sendo ele — e tendo sido — quem é.

    *

    Richard S. Lindzen é um cientista de elevadíssima craveira intelectual. Professor de Meteorologia do Massachusetts Institute of Technology, já publicou mais de 200 livros e artigos científicos. Foi o leader do capítulo científico do Terceiro Relatório de Avaliação do IPCC, de 2001.

    Este último trabalho trouxe-lhe o amargo de boca de se ver confrontado com a falta de ética científica dos principais responsáveis do IPCC, pois estes cientistas-políticos ou políticos-cientistas, como se queira, publicaram com distorções e sem conhecimento de Richard o texto do relatório já aprovado pelos colegas de trabalho.

    Richard Lindzen como cientista sério e honesto, que se distingue do núcleo duro que tomou conta do IPCC, demitiu-se da prestação científica dada ao IPCC. Aliás, até hoje, não foi o único a tomar esta posição de verticalidade intelectual. Muitos outros lhe seguiram o exemplo.

    Tornou-se histórico o seu depoimento, no Senado dos Estados Unidos da América, quando o cabotino Al Gore o interrogou e tentava distorcer as afirmações de Lindzen retorquindo: «O que V. Exa. quis dizer foi…».

    Sintomaticamente, o The New York Times publicou, na primeira página, as distorções e não as afirmações de Lindzen, que se viu obrigado a redigir um desmentido. Também sintomaticamente o desmentido de Lindzen foi atirado para o interior do jornal. Lá como cá, também existem órgãos de comunicação social enfeudados às teses do alarmismo climático. A vantagem dos EUA é a existência de um forte culto da liberdade de expressão, o que acaba por permitir a divulgação de todos os pontos de vista, circunstância que não se observa em países como o nosso, por exemplo, em que apenas uns quantos estão autorizados a ter opinião. A politicamente correcta, obviamente.

    Esclarece-se que Richard Lindzen é um dos 100 signatários da carta aberta ao Secretário Geral das Nações Unidas, de 13 de Dezembro de 2007, por ocasião da Conferência de Bali, cujo tema era “A Conferência das Nações Unidas sobre o Clima está a levar o mundo numa direcção completamente errada”. A tradução desta carta foi publicada em Anexo ao Prefácio do livro de Marlo Lewis Jr. “A Ficção Científica de Al Gore”

    No mesmo livro, Lewis refere ainda Lindzen como autor do artigo “Climate of Fear: Global warming alarmists intimidate dissenting scientists into silence“, publicado no Wall Street Journal, em 12 de Abril de 2006.

    A participação de Richard Lindzen na Segunda Conferência Internacional sobre Alterações Climáticas, veio demonstrar, se dúvidas houvesse, o alto nível desta iniciativa do The Heartland Institute.

    Na sua importante comunicação, de 8 de Março de 2009, Richard Lindzen declara que o alarmismo climático foi desde sempre um movimento político contra o qual tem sido necessário travar uma difícil batalha. E, uma vez que se dirige a uma plateia de cépticos, começa por dizer que os opositores ao alarmismo climático devem ter em conta algumas verdades simples.

    Em primeiro lugar, Lindzen adverte que nem uma atitude céptica faz um bom cientista, nem uma atitude concordante faz um mau cientista. Conhecendo-se o discurso da parte contrária, pode dizer-se que a honestidade de Lindzen não encontra paralelo em nenhum dos adeptos do global warming.

    Lindzen diz ainda que muitos dos cientistas que ele respeita fazem parte do campo alarmista, mas salienta que a actividade científica que lhe inspira esse respeito não é a ligada ao global warming. E admite que o facto de esses cientistas abraçarem as teses do global warming apenas lhes torna a vida mais fácil.

    A este propósito, Lindzen deu o exemplo de Kerry Emanuel, seu colega no MIT, que apenas se tornou conhecido quando afirmou que os ciclones tropicais poderiam tornar-se mais intensos com o aquecimento global. Depois disso, passou a ser inundado com distinções profissionais.

    Curiosamente, Kerry Emanuel é referido por Marlo Lewis Jr. no Capítulo 6 do livro “A Ficção Científica de Al Gore”, uma vez que Gore, em “Uma Verdade Inconveniente”, e sob pretexto do furacão Katrina, recorre a Kerry Emanuel para reclamar a “emergência de um forte consenso” acerca da ideia de que o aquecimento global está a aumentar a duração e intensidade dos furacões. Para azar de Gore, o próprio Emanuel alertou contra as tentativas de associar o Katrina, ou outras tempestades recentes no Atlântico, ao aquecimento global.

    Depois, Lindzen chamou a atenção para o caso de Carl Wunsch, outro colega do MIT, especialista em oceanografia, o qual, apesar de virtualmente ter questionado todas as afirmações alarmistas respeitantes ao nível dos oceanos, à temperatura da água do mar e à modelação oceânica, evita a todo o custo ser associado aos críticos do global warming.

    Mas, para Lindzen, o caso mais curioso é o de Wally Broecker, cujo trabalho mostrou claramente que ocorrem mudanças súbitas do clima sem influência antropogénica, mas que também abraça vigorosamente as teses do alarmismo, daí retirando um elevado reconhecimento.

    Lindzen reconhece que existe um grande número de cientistas que a propósito das alterações climáticas emitem declarações ambíguas, ou sem um significado claro, as quais podem ser distorcidas e aproveitadas pelos alarmistas, mas como a propaganda alarmista pode convencer os políticos a aumentar os fundos de financiamento, não existe incentivo para protestar contra essas distorções.

    Lindzen prossegue com a denúncia do comportamento de algumas instituições académicas e reprova as ligações perversas entre cientistas e responsáveis políticos, chamando a atenção para os perigos de uma corrupção da Ciência induzida pela conquista de financiamentos.

    Enfim, poderíamos continuar a referir passagens desta importante comunicação de Richard Lindzen, mas o texto já está disponível online e vale a pena ler na íntegra.

    1. Marcus, fala sério… Reinaldo Azevedo tem mais ou menos a mesma credibilidade de Casseta & Planeta… mas já que pedes minha opinião, vou selecionar os trechos mais importantes para comentar.

      “Os blogs e sites que previram a catástrofe do aquecimento global estão numa espécie de desespero. Precisam, a todo custo, explicar o frio rigoroso do Hemisfério Norte, com suas nevascas inéditas. A saída tem sido alertar que é errado falar em “aquecimento”, que a expressão correta é “mudança climática” e que nada do que se vê e se experimenta falseia o modelo.”

      Sim, nós estamos mesmo desesperados, mas é porque bestas irresponsáveis têm acesso a espaços de grande audiência para divulgar ignorância.

      Em primeiro lugar, a questão não é mesmo de “aquecimento global” e sim de mudança climática – no caso, causada pelo aquecimento global, que por sua vez está sendo causado pela imensa quantidade de carbono fóssil que está sendo orgiasticamente lançado de volta à biosfera. Ou seja, ninguém está mudando o discurso, é perfeitamente lícito e tecnicamente correto referir-se ao mesmo problema das duas maneiras. Eu, por exemplo, prefiro a expressão desestabilização climática, que descreve muito melhor o que realmente está acontecendo.

      Em segundo lugar, o artigo citado mente ao afirmar que nada falseia o modelo climático dos “alarmistas”. Na última década do século XX tivemos oito dos dez anos mais quentes do século. Na primeira década do século XXI tivemos temperaturas médias ainda mais elevadas. Uns dois domingos atrás o Fantástico mostrou uma série de fotos e filmagens de diversas geleiras ao redor do mundo, todas elas muito menores do que estavam há poucas décadas e mostrou que todas estão reduzindo de tamanho em velocidades a cada dia maiores. Se é verdade que aqui ou ali houve uma nevasca maior, este dado representa apenas uma anomalia localizada que em nada afeta o modelo geral.

      “A questão de Lindzen, ele deixa claro, não é saber se existe ou não algum aquecimento — já que a Terra vem esquentando e resfriando há milhões de anos —, mas se procede o alarmismo. E ele deixa claro que não.”

      Estupidez é como pimenta: em pitadas pode ser deglutível, mas em colheradas é intragável. Sim, a Terra vem esquentando e resfriando há milhões de anos… mas quando foi a última vez que havia seis bilhões de pessoas para sofrer os efeitos? E quando foi a última vez que houve um aumento de mais de 2°C em um período tão curto quanto um século ou dois?

      Além disso, que papo é esse de “ele deixa claro que não”? Onde está a tal explicação esclarecedora? Eu vi apenas denúncias vagas de interesse em financiamentos, enquanto que o que interessa nessa discussão são os termômetros.

      “Lindzen deu o exemplo de Kerry Emanuel, seu colega no MIT, que apenas se tornou conhecido quando afirmou que os ciclones tropicais poderiam tornar-se mais intensos com o aquecimento global. Depois disso, passou a ser inundado com distinções profissionais.”

      Ótimo. Afinal, é isso mesmo. Uma coisa está diretamente ligada a outra. O que esse sujeito queria, que seus colegas mentissem? 😛

      “Mas, para Lindzen, o caso mais curioso é o de Wally Broecker, cujo trabalho mostrou claramente que ocorrem mudanças súbitas do clima sem influência antropogénica, mas que também abraça vigorosamente as teses do alarmismo, daí retirando um elevado reconhecimento.”

      O que tem de curioso nisso? Quem é que não sabe que existem mudanças climáticas que não são causadas pelo homem? A questão é que a atual mudança climática está sendo causada pelo homem, simples assim. Que tentativa medíocre de embolar o meio de campo.

      “As afirmativas dele contra o “aquecimento global” vinham ganhando corpo. Dessa vez ele se empenhou em fundamentar, segue abaixo o texto. Por curiosidade, o que acha disso?”

      Cadê os fundamentos?

  7. Eu queria saber se a divergência citada entre Lindzen (que pelo visto o papa desse novo viés “anti-aquecimento global) e os outros cientistas que estão no IPCC procede ou é mais uma pirotecnia da pequena midia petroleira.

    1. O clima da Terra não está nem um pouco interessado em consenso. Não se trata de democracia, nem de negociação, nem de “ser razoável” no sentido de “ouvir todo mundo um pouquinho”. OU a Terra vai continuar numa boa OU não vai, não tem meio termo.

      Na minha nada modesta opinião, a postura mais absurda e irresponsável é a de quem acha que o melhor é ficar de braços cruzados, esperando para ver que lado do debate climático tem razão, quando todos os indícios apontam na direção de uma clara desestabilização climática global já em curso.

      O que nós “alarmistas” – cientistas e ecologistas responsáveis – estamos dizendo é que na dúvida, não ultrapasse os 2°C. Enquanto isso, os “ponderados” sugerem meter o pé no acelerador acima dos 350 km/h, pois seria uma “petulância brutal e agressiva” dar uma “receita de bolo, prontinha” para o motorista do Ônibus Espacial Terra só porque adiante tem uma curva que impede a visão do trecho seguinte da estrada.

      Parece que ninguém está se dando conta que este planetinha é o único lugar que temos para sobreviver. “Pára o mundo que eu quero descer” é uma expressão que faz sucesso justamente por sua ironia, pois não existe alternativa a não ser sobreviver ou morrer na Terra.

      Nunca desde a Grande Extinção do Permiano, em que morreram 95% das espécies do planeta, houve um aumento tão rápido da quantidade de CO2 na atmosfera. Leiam: http://pt.wikipedia.org/wiki/Extin%C3%A7%C3%A3o_do_Permiano-Tri%C3%A1ssico

      O risco que se corre hoje é semelhante àquele ocorrido há 251 milhões de anos. Primeiro se atinge o ponto sem retorno de degelo dos glaciares, com um “mísero” aumento de 2°C em relação à temperatura média pré-industrial, depois o degelo gera o aumento do nível dos mares e outras alterações que elevam o aquecimento total a 5°C acima da temperatura média pré-industrial e finalmente este aquecimento promove a “erupção” de bilhões de toneladas de metano armazenado no fundo dos mares, elevando a temperatura média em 10°C acima da temperatura média pré-industrial.

  8. Tem gente dizendo que o planeta está esfriando porque houve registros de queda de temperatura em alguns pontos dos oceanos.

    1) Se a Terra estivesse esfriando, não estaríamos assistindo o derretimento das geleiras em todo o planeta. É só olhar para uma seqüência de fotos do Kilimanjaro ao longo dos últimos cinqüenta anos para saber se ele está acumulando neve ou perdendo neve. A Groenlândia chega a ter rios caudalosos de água derretida sumindo mar adentro. As geleiras seculares da Antártida estão recuando a limites nunca antes registrados. Tuvalu está adquirindo terras na Austrália para migrar toda a sua população porque vai desaparecer da face da Terra, engolido pela elevação do nível do mar. E por aí vai.

    2) Se a temperatura dos oceanos estiver mesmo diminuindo, isso é extremamente preocupante – e é sintoma claro de aquecimento global. Como? Simples: os oceanos só podem diminuir de temperatura ao mesmo tempo em que as temperaturas atmosféricas estiverem crescendo (como mostram os registros feitos em terra) se houver uma imensa quantidade de água gelada sendo lançada neles, fruto do derretimento das geleiras.

    3) As variações na intensidade da atividade solar são importantes do ponto de vista meteorológico e irrelevantes do ponto de vista climatológico. Eu já expliquei isso no Pensar Não Dói: o ciclo solar de Schwabe tem em média 11 anos de duração e intensidade variável, serve como indicador para se prever uma estação mais quente ou mais fria, mas não passa disso. Para entender o clima e não a meteorologia é necessário observar as mudanças nas tendências do comportamento do planeta em uma escala de tempo maior que a meteorológica. Nos últimos cento e nove anos tivemos os catorze anos mais quentes dos últimos cento e nove anos. A chance de isso ser devido a uma variação aleatória dos ciclos de Schwabe é estatisticamente desprezível.

    4) O importante mesmo não é se teremos um aquecimento ou um esfriamento, é se teremos alguma mudança climática. Qualquer mudança climática significativa em um planeta superpovoado e sem acesso a recursos externos será fatal para bilhões de pessoas em um curto período de tempo. Esse é um risco que não deveríamos estar dispostos a correr, custe o que custar em termos econômicos.

    5) O Pensar Não Dói tem uma tag chamada “aquecimento global” e outra chamada “desestabilização climática”. Ambas apontam rigorosamente para os mesmos artigos, porque a primeira é o nome com que o fenômeno tem sido chamado na mídia e a segunda é o nome que eu considero correto para o fenômeno.

  9. A que ponto chegam os alarmistas!

    1. A que ponto, né?… Escrever em um blog dizendo que as pessoas deveriam aprimorar sua cultura científica e criar alternativas políticas e econômicas solidárias e ecologicamente sustentáveis é mesmo uma atitude muito radical, coisa de extremista… Chama a Polícia Federal e me denuncia por “terrorismo intelectual”! 🙂

  10. DIZEM QUE UM DOS PRINCIPAIS CAUSADORES DO AQUECIMENTO GLOBAL,É A CRIAÇÃO DE REBANHOS…QUAL A SUA OPINIÃO FRENTE TAL AFIRMAÇÃO ARTHUR?

    1. Thais, existe sim uma contribuição importante de metano, que é um gás estufa, oriunda dos rebanhos e das plantações de arroz, mas este metano é carbono reciclado. O grande problema que nos ameaça é a reinjeção de carbono fóssil na biosfera através do consumo de combustíveis fósseis, que são compostos de carbono há muito tempo indisponível à biosfera.

  11. obrigada Arthur.

  12. esses dias eu vi esse vídeo: http://youtu.be/winWWplmyMk

    queria saber o q tu tem a dizer

    1. Já falei sobre isso em algum lugar, não lembro onde…

      Basicamente: o consenso do IPCC e da comunidade científica é de que o aquecimento global atual é antrópico. Um maluco aqui e outro ali sempre vão aparecer dizendo o que as pessoas querem ouvir: que a farra de consumo dos recursos do planeta pode continuar à vontade e que não é necessário fazer controle algum de natalidade. E vão receber espaço na grande mídia porque esse discurso atende os interesses de seus financiadores.

      Dá uma olhada nos artigos destas seções do blog:

      http://arthur.bio.br/category/meio-ambiente

      http://arthur.bio.br/category/ecologia

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