Tem gente que estranha eu ser um sujeito com bom humor mas tratar freqüentemente de temas pesados, difíceis e polêmicos. Acontece que eu gosto tanto de resolver problemas (reais, nada de palavras cruzadas, sudoku e charadas) que eu me divirto muito estudando questões como segurança pública, tráfico de drogas, estratégias de combate à corrupção, violência urbana, terrorismo, essas coisinhas delicadas. Não é uma tendência mórbida, é só que estes são bons problemas que não estão sendo resolvidos adequadamente praticamente no mundo todo e eu acho o desafio interessantíssimo.

Por exemplo, estes tempos eu estava discutindo com um amigo sobre o Bin Laden e o Bush. Falei que o Bin Laden foi muito burro e contraproducente pra ferrar com a administração Bush, se é que não foi contratado para ajudá-la a atingir seus objetivos. Meu amigo perguntou “Por quê? Qual seria o melhor método para o Bin Laden ferrar o Bush?” Pronto, foi a deixa perfeita pra eu brincar de estrategista.

Eu expliquei que teria sido muito mais eficaz para o objetivo declarado do Bin Laden não jogar os aviões seqüestrados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center e os demais alvos e sim jogar apenas um dos aviões contra o WTC e ficar sobrevoando locais densamente povoados com os outros aviões, fazer alguma exigência duríssima porém factível e permitir que todos os passageiros usassem seus celulares livremente.

Meu amigo achou isso estranho, mas a lógica é muito simples:

Se Bush cedesse às exigências, ele se desmoralizaria perante o povo estadunidense e o mundo por violar a política dos EUA de não negociar com terroristas e abriria um precedente perigosíssimo que faria o número de ataques se multiplicar imensamente.

Se Bush derrubasse dois ou três aviões cheios de pessoas inocentes dentro, ao vivo em cadeia internacional de TV, babaus governo Bush e babaus Partido Republicano.

Se Bush ficasse indeciso ou procrastinasse excessivamente a decisão, a tensão seria monstruosa até acabar o combustível e os aviões cairiam sobre Nova Iorque e outras zonas densamente povoadas, o que provavelmente seria pior que derrubá-los.

Ou seja, de qualquer modo Bush estaria ferradíssimo.

Do jeito que Bin Laden agiu, ele ajudou o governo Bush, garantindo sua reeleição e a ampliação de seus poderes.

O passo seguinte foi ouvir de meu amigo que eu era um maluco psicopata, mais maquiavélico que o Bush e o Bin Laden juntos, etc., etc., etc., mas – poxa! – quem perguntou “qual seria o melhor método para o Bin Laden ferrar o Bush?” foi ele, não foi?

Este foi um desafio intelectual muito fácil, não precisei de mais que trinta segundos para bolar uma solução bem eficaz. Se ele perguntasse “qual a solução para a paz no mundo” eu me interessaria do mesmo modo e bolaria uma solução bem eficaz também. 🙂

Contratos de consultoria, favor dirigir-se ao “Cantinho do Leitor” e colar o código “xxx-privado-xxx” na mensagem. 🙂

Aviso Anti-Aporrinhação: xô, mau humor!

20 thoughts on “Eu gosto de resolver problemas

  1. Não me chamem de maluco por ser o primeiro a comentar meu próprio texto, é só pra fazer o registro de que hoje eu dei uma despoluída no visual do Pensar Não Dói: removi a lista de artigos recentes que listava o conteúdo da página inicial na própria página inicial, removi uns plugins em que ninguém clicava, mudei alguns títulos pra suavizar o visual e ainda estou pensando em mais algumas alteraçõezinhas desse tipo. A essência continua a mesma, só que com um visual mais leve.

  2. Muito boa a solução!

    Maquiavel ficou pra trás.

    Mas fiquei curioso pra saber qual seria a solução pra paz…

    1. Tá, nos próximos dias vou escrever um artigo intitulado “soluções para a paz mundial” ou algo assim. 🙂

      Obrigado pela visita e pelo elogio, Rico. Volta sempre! 😉

  3. cuidado que daqui a pouco o FBI vai atras de voce, rapaz.
    mas sim, eu concordo em grau genero e numero com voce.
    alias, leu as coisas sobre o tratado de copenhagen?

    feliz ano novo pra vc tambem!
    me mudei e fiquei sem computador e agora estou mais atarefada do que nunca… ta complexo…

    beijocas!

    1. Oi, Ana!

      Li algumas coisas sobre Copenhague, sim, mas percebi (e cantei a pedra) que nenhum acordo com metas objetivas seria assinado e confesso que me desinteressei. Tantas foram as vezes que vi excelentes sugestões se transformarem em meras cartas de intenções que decidi tratar de criar a minha própria estratégia de sobrevivência e criar uma nova estratégia para tentar reverter a situação. Essa estratégia ainda está em gestação e será anunciada aqui no blog futuramente.

  4. Pessoal, vocês acham que eu fui muito maquiavélico neste texto? 😛

    HO! HO! HO!

    O trecho “fazer alguma exigência duríssima porém factível e permitir que todos os passageiros usassem seus celulares livremente” originalmente tinha a seguinte redação:

    “fazer alguma exigência duríssima porém factível, jogar para fora das cabines os cadáveres degolados dos pilotos, anunciar que seria degolado um refém aleatoriamente escolhido a cada quinze minutos até que as exigências fossem atendidas e permitir que todos os passageiros usassem seus celulares livremente, inclusive os celulares com câmera, para que vídeos das degolas e fotos dos cadáveres mutilados fossem divulgadas para o mundo em tempo real

    Achei que não era preciso ser tão dramático pra ilustrar a idéia e removi os trechos em itálico pro texto não ficar muito pesado. Fui bonzinho com vocês, hein? 🙂

    Outra idéia interessante seria jogar o pessoal vivo lá de cima, com o celular ligado na mão, pra se esborracharem em cima de áreas residenciais. Como isso não entrou na pauta da conversa com meu amigo, resolvi não incluir a idéia no texto.

    Eu já li tanta barbaridade real por ser moderador de uma comunidade de Direitos Humanos que brincar com idéias trágicas não me choca há muito tempo. Chocante mesmo é saber que tem gente que planeja essas coisas não para escrever uma obra de ficção ou um texto jocoso e sim para submeter de fato outros seres humanos à dor, ao desespero e à infelicidade.

  5. Arthur,
    quer dizer então que, no final das contas, você estava era passando as férias no Afeganistão??? 😀
    As ideias são ótimas. Deve ser por isso que os terroristas não rendem muito. A CIA e outras ‘instituições’ costumam ser bem mais eficazes na arte do aterrorizar… 😉

    1. Mônica: sinto muito, não posso te dizer onde eu estava passando as férias, ou eu teria que te matar depois. 😛

  6. Pô, Artur,
    Muito bacana o seu blog – já tinha vindo aqui algumas vezes, mas é a primeira vez que comento.
    Pô que cara mala aquele tal Marcos – caraca!
    E o pior é que hoje (aliás, já há algum tempo, depois de ler coisas como “menino do Mep”, “ditabranda”, “ficha da Dilma” e que tais) o meu “espírito DCE” tá mais tiririca do que nunca. Mas pelo menos as nossas festinhas eram muuuuuuuuuito mais animadas que as festinhas deles.
    Ah, sim, essa sua teoria é de uma crueldade pavorosa – mas faz todo sentido. Que “mêda”!!!!
    Esperemos pelas sugestões para a paz no mundo (vai pedir alguma dica ao Olavo de Carvalho ou ao Reinaldo Azevedo?).
    Abração!

    1. Érico, seja bem-vindo! Muito obrigado pela visita e pelo elogio!

      Sabe, meu caro, eu gosto de política provavelmente tanto quanto tu gostas de jazz, mas como te sentirias se tivesses adquirido um ingresso para um show com Billy Eckstine, Art Blakey, Charlie Parker e Dizzy Gillespie, mas ao acenderem as luzes do palco aparecessem Tati Quebra-Barraco, Calcinha Preta, Cidinho e Doca, Dizgraça Nojenta?

      É por isso que eu não tenho comentado muito sobre política mesmo nos bons blogs sobre este este assunto. Ia falar o quê? O óbvio? Até poderia, mas prefiro ler quem tem mais talento para improvisar sempre sobre o mesmo tema.

      A teoria do Bin Laden foi só um exercício intelectual, claro, mas eu tenho minha própria versão sobre um ato de terrorismo de Estado que penso ser muito provável que venhamos a assistir: Somente os ricos e os paranóicos sobreviverão.

      Escrever sobre a paz no mundo não vai ser mole depois da expectativa que foi criada…

  7. Eu concordo com Bin Laden. Se um avião fosse para WTC e o outro ficasse sobrevoando áreas densamente povoadas, o avião seria abatido por um caça e o piloto do mesmo se tornaria herói. E essa história de herói é pra dar no saco do vivente… Já basta aquele Chesley ‘Sully’ Sullenberger…

    1. Marcus, imagina se houvesse um familiar teu no vôo e ele fosse abatido pelo exército do teu próprio país, ou se um familiar teu fosse atingido no solo e morto por um pedaço dos destroços do avião abatido pelo exército do teu próprio país, qual seria tua reação, aplaudirias o piloto e quem deu as ordens para o ataque?

      Como achas que se comportariam todos os demais que tivessem familiares, amigos e colegas nos vôos abatidos ou atingidos no solo?

      Como se comportaria a oposição? Como se comportaria a imprensa? Como se comportariam os urubus de plantão que aproveitam qualquer falha – real ou aparente – de um governante para malhar tudo que não esteja de acordo com a própria agenda?

      Sei não, acho tua teoria “ligeiramente” otimista demais…

  8. faz tempo que eu falo que o Bin era parceiro do Bush… aquelas estranhas ligações familiares são bastante suspeitas. Comenta-se entre os conspiradores por lá, que foi proposital o Bush estar numa escola para crianças na hora e fazer de conta que ficou surpreso. Por sinal, vi as imagens e relmente parece que ele só estava esperando a notícia.
    que camping foi esse que vc passou as férias?

    1. Eu também acho que existe uma grande chance de o ataque ter sido planejado por alguma instância interna dos EUA, com o aval – ou a encomenda – do governo Bush. Nada é tão eficaz para anular o senso crítico contra uma administração medíocre e prepotente do que um ataque “externo” perpetrado por um vilão estereotipado e fácil de odiar, cuja língua ninguém entende.

      Depois te falo do camping, em off.

  9. ah, mas a pergunta sobre o camping foi pra saber se o nome era do tipo abdul-abdula…ou Qamar Racif…

    1. Tem muito maluco na internet. Melhor deixar informações que permitam me localizar com exatidão para conversas privadas. Já é mais do que suficiente todo mundo saber que eu moro em Porto Alegre e que pretendo me mudar para algum município litorâneo para entenderem meus textos. 😉

  10. Grande Arthur,
    Cara, vou estar em Porto Alegre na próxima semana. Como é que eu faço prá entrar em contato contigo?
    Será que aí tem algum barzinho bacana, onde role jazz?
    De repente até dá prá gente tomar um chopp 🙂
    Abração!

    1. Taí a prova que eu estava certo quando falei aquilo pro Camargo: a internet tá cheia de maluco tentando me encontrar! 😛 🙂

      Hehehehe… eu vou te mandar o número do meu celular por e-mail, Érico!

  11. Os outros aviões seriam abatidos rapidinho e todos virariam heróis. É o que aconteceu com o avião em que os passageiros se rebelaram.
    Segundo, para o Bin Laden a melhor coisa foi a reeleição do Bush. Nunca antes da história dos EUA eles foram tão odiados ao fim do governo do W.

    1. Lucius, uma coisa é os próprios passageiros reagirem e a aeronave acabar desgovernada e cair, como diz a pouco plausível história oficial sobre um dos aviões do onze de setembro, outra bem diferente é o presidente ordenar abertamente que vários aviões cheios de pessoas inocentes sejam abatidos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *