Dicas muito básicas para blogueiros muito novatos não criarem blogs muito ruins

Tem gente que gosta, tem gente que odeia, tem gente que não está nem aí para o que eu escrevo. Mas todo consegue ler o que eu escrevo, porque o Pensar Não Dói tem um estilo de letra, uma disposição de cores e uma estrutura de texto planejados para tornar o blog altamente legível. Esse não é o caso de muitos blogs que tenho encontrado por aí, então resolvi relembrar como tomei as primeiras decisões sobre a aparência do meu blog, quando eu ainda era totalmente novato, na esperança que isso seja útil para alguém.

Tipo e tamanho de letra

A primeiríssima decisão que eu tomei é que o tipo de letra do meu então futuro blog seria escolhida entre as fontes de mais alta legibilidade. Pesquisei rapidamente sobre fontes mais legíveis e escolhi como primeira opção para a coluna central a fonte tipo Verdana e deixei como segunda opção qualquer fonte Sans Serif. Nas colunas laterais a fonte padrão era Tahoma e eu não mudei nada. Simples, básico e sem frescuras.

Você leria o Pensar Não Dói se eu tivesse escolhido um estilo de fonte como os da ilustração abaixo?

http://3.bp.blogspot.com/_06sBvGKzT-o/RsX0mlLR7tI/AAAAAAAAAY0/QT8whrNVJRE/s320/28fontes.jpg

Pois é, neu eu.

E que tal ler um texto que quase exige meter o olho dentro da tela?

Letras menores que 12 são difíceis de ler e letras menores que 10 são freqüentemente ilegíveis na maioria dos monitores menores que 17”.

Textos em itálico são menos legíveis que textos em letra normal, portanto o melhor é usar a formatação em itálico com moderação.

Contraste entre texto e fundo

Como regra gera, escolher uma seleção de cores pré-definida é o mais seguro para principiantes, mas quem me conhece do Orkut sabe que minha marca registrada é escrever com letras verdes e por isso o texto do Pensar Não Dói estava fadado a ser escrito em letras verdes desde alguns anos antes de eu ter a idéia de fazer um blog. A conseqüência foi que eu precisei editar um pouco de HTML e testar diversos tons de verde até encontrar um tom que eu considerasse esteticamente agradável e que não cansasse os olhos. Imaginem se eu tivesse escolhido este tom aqui.

Até a cor dos links dentro dos textos foi planejada: eles são de um azul que nem se destaca demais nem se confunde com o verde do resto do texto e tem a mesma intensidade de brilho, o que permite uma leitura confortável.

A escolha da cor de fundo – confesso – foi feita a facão: decidi simplesmente manter a cor de fundo original do tema Athaualpa para WordPress. Originalmente eu pretendia usar um cinzinha ligeiramente menos brilhante, mas não tive paciência para descobrir que parte do HTML do tema precisaria editar para fazer isso.

Eu passo horas em frente à tela sem me cansar e a meia dúzia de amigos consultados a respeito achou bom, mas, se alguém achar ruim a escolha de cor de fonte ou de fundo do Pensar Não Dói, avise e sugira algo para fazermos um teste. Quem sabe você prefere algo como na imagem abaixo?

Legibilidade Zero

Cruel, né? Este é um exemplo real, escolhido aleatoriamente. Letras claras sobre fundo escuro ficam péssimas em monitores de tubo e nos monitores de LCD mais antigos. Letras escuras sobre fundo escuro ficam péssimas em todos os monitores. Letras brilhantes demais cansam muito os olhos.

Eu já encontrei letras púrpuras sob fundo preto, letras vermelhas sobre fundo verde brilhante, letras rebuscadas sobre fotos de vegetação, letras piscando, etc. Se o pessoal que faz isso quiser guardar alguma informação ultra-secreta no lugar mais protegido contra leitura do mundo inteiro, basta publicar tal informação em seus blogs.

Disposição dos elementos

Quando defini a disposição dos elementos do Pensar Não Dói, segui uma lógica bem definida: eu queria que cada área do blog contivesse somente os elementos pertencentes a um mesmo conjunto de funções.

Bem no alto, acima do nome do blog, há os links para as páginas fixas. A primeira é a famosa “sobre o autor”, que contém o meu nome completo na URL para que eu seja facilmente localizado por quem estiver me procurando na internet. A segunda é o “Cantinho do Leitor”, com um formulário para contato e as instruções sobre como me mandar uma mensagem privada sem ter que me pedir e-mail.

Logo abaixo há o nome do blog, a imagem fixa que o caracteriza, um sub-título e um banner que apresenta diversas imagens em rodízio aleatório. Isso não é apenas perfumaria, estes elementos compõe a identidade visual do blog.

A coluna do centro é a principal e exibe o conteúdo original do blog.

A coluna da esquerda registra as contribuições externas, puxa o saco dos comentaristas mais freqüentes e apresenta os links externos ao blog.

A coluna da direita oferece diversas maneiras de localizar meus artigos no blog: por data, por número de comentários, por tema, por tag e por busca.

Tudo muito simples e objetivo, né? Mesmo assim eu já levei paulada aqui porque alguém achou o Pensar Não Dói “desorganizado”. Suponho que na verdade a pessoa que disse isso tenha achado o Pensar Não Dói visualmente poluído devido ao grande número de itens de navegação, mas isso é chute.

O visual do Pensar Não Dói poderia ser despoluído sem perda de funcionalidade com a remoção da lista de comentaristas mais freqüentes e a remoção da redundância na coluna da direita. É provável que a lista de comentaristas mais freqüentes seja removida conforme o blog se torne mais popular, para não estimular a participação de comentaristas fúteis que comentam com o mero objetivo de aparecer na lista à esquerda. Eliminar a redundância na coluna da direita dependerá dos resultados da análise do Google Analytics, o que já ultrapassa um pouco o nível das “dicas muito básicas”, então essa análise fica para o futuro.

O equilíbrio é difícil de encontrar e eu provavelmente peco pelo excesso de opções, mas tem muita gente que tem como único elemento de navegação o arquivo do blog por data. São blogs não navegáveis, em que o leitor para fazer uma busca precisa folhear página por página até encontrar o que quer. Se o blog tem algumas centenas de postagens, dificilmente o leitor terá paciência de procurar qualquer coisa lá dentro.

Finalmente, o Pensar Não Dói tem duas caixas de busca interna, uma no cabeçalho e outra ao final da coluna da direita. O motivo é simples: caso não seja encontrado o artigo procurado ao terminar de rolar a tela até embaixo, não é necessário rolar tudo de volta para fazer uma segunda busca.

Sim, eventualmente eu sou muito detalhista. Não, você não precisa ser tão paranóico. Cada um com seu estilo.

O conteúdo

Eu escrevo sobre assuntos que me interessam, sobre assuntos que me incomodam e eventualmente sobre sugestões de pauta que recebo. Falo sério, faço piadinhas e evito sutilezas que podem ser mal interpretadas. Elogio, critico e dou a cara a tapa. Respondo as perguntas que me são feitas, converso com os leitores na caixa de comentários sempre que possível e deleto ofensas, baixaria e provocações baratas. Mas isso sou eu.

Cada um fala sobre o assunto que quiser. Cada um escreve com a seriedade que preferir. Cada um se expõe o quanto achar adequado. Cada um se comporta como achar que deve. Em suma, cada um escreve como bem entende. O problema é quando ninguém entende, nem o próprio autor.

INcapacidade argumentativaAí é dose pra mamute.

Conclusão

Para não espantar os leitores um mínimo de cuidado com o visual é necessário: letras de uma fonte simples de tamanho próximo a 12, cores que permitam uma boa visualização em qualquer tipo de monitor, algumas facilidades de navegação e textos com mensagens compreensíveis.

Isso é tão básico que fiquei em dúvida se deveria ou não postar o artigo e correr o risco de ser confundido com o Capitão Óbvio, mas ele usa letras cinzas pequenininhas sobre fundo preto, então não tem perigo.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 17/01/2010

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Ei, pessoal, por favor me avisem se as imagens ultrapassarem a largura da coluna central. Aqui ficou perfeito, mas eu não pude testar em outras resoluções de vídeo.

17 thoughts on “Dicas muito básicas para blogueiros muito novatos não criarem blogs muito ruins

  1. Obrigado pela aula professor Arthur! Agora posso me considerar um blogueiro-PhD formado pelo Instituto Dom Golgo Lucas. Ortomolecularmente falando respondi ao desafio, embora de forma tangencial e não pré-salina, já que outra coisa que observei blogando é que os ocasionais leitores detestam textos longos e sem brechas para seus próprios pensamentos.

    1. Bá, pergunta pra Mônica quem é o rei dos textos longos na caixa de comentários dela…

      Mas essas dicas são básicas, Romacof. Tem gente por aí muito mais capacitada que eu pra dar dicas sobre como construir um blog de sucesso. Há estratégias de SEO, estratégias de citação, estratégias de interligação de artigos, estratégias de repetição de termos no corpo dos artigos para fins de cálculo de densidade de palavras-chave, estratégias de utilização das ferramentas como o Google Analytics, um monte de coisas.

      Claro que eu acabo de me entregar, pois citar isso tudo já é indicativo de alguma leitura a respeito, 🙂 mas na real eu decidi conscientemente não me preocupar muito com isso. Sabe como é, hiperativos têm uma certa tendência de se tornarem obsessivos com o que gostam, eu passaria algumas horas por dia fazendo revisões de textos, resumos, links e diversos outros elementos só para ter certeza que o Pensar Não Dói ficaria bem rankeado no Google. Prefiro encarar o blog com prazer e não com esse tipo de preocupação.

      “Dom Golgo Lucas”? Gostei! 🙂

  2. Olá Arthur!!

    Adorei suas dicas de como criar um blog. Mas espero sinceramente q vc não tenha se referido a mim, quando disse q seu blog era poluído. Longe de mim, criticar qualquer coisa q alguém altamente capacitado e inteligente como vc, tenha feito. E isso é sincero, pq considero seus comentários e seu material muito rico em informações e com alta dose de personalidade forte e de opinião firme. Me lembro quando disse q seu blog era poluído visualmente, mas é q mulher adora cores e falta um pouco disso no seu blog (um toque feminino, mas seria muito pedir isso pra vc, já q vcs homens enxergam apenas 10 cores, de acordo com seu comentário (04/01/10)…rsrsrs). Bjs

    1. Ah, Valéria, foste tu quem me puxou as orelhas… eu estava em dúvida se tinha sido tu ou a Rê. Postei um comentário lá no blog dela, ela não deve ter entendido lhufas. 🙂

      Como assim “vcs homens enxergam apenas 10 cores”, existe mais do que isso??? 😛

  3. Arthur, discordo sobre esta parte:

    “Letras claras sobre fundo escuro ficam péssimas em monitores de tubo e nos monitores de LCD mais antigos.”

    Como você mesmo deixou claro, tudo depende da escolha das cores. Óbvio que um texto em branco sobre um fundo preto fica extremamente chocante, mas não é o caso da imagem que você postou (aliás, a imagem tá distorcida, mas vi o blog, e a fonte é cinza). Talvez seja gosto seu, não o acho esquema daquele blog ruim, muito pelo contrário.

    Na hora da escolha, o que deve falar mais alto é o contraste.

    Abraços.

    1. Teles, eu vou te emprestar o meu monitor e depois veremos se vais continuar a discordar de que aquele é um bom exemplo de má legibilidade. 🙂

      Nos monitores LCD modernos qualquer esquema de cor que não seja muito desgraçado é bem mais legível do que o mesmo esquema de cores em um antigo monitor de tubo, com mais de dez anos de uso, como é o caso do meu.

      Do mesmo modo que eu, muita gente ainda usa essas velharias. O site da campanha Crack Nem Pensar, por exemplo, é praticamente ilegível no meu monitor.

      sites com letras escuras sem serifas tamanho 12 sobre fundo claro são perfeitamente legíveis aqui.

  4. Tentei postar um comentário ontem, mas o buraco negro da blogosfera deve ter pulverizado tudo… 🙁

    Era mais fácil editar alguns elementos quando eu tinha blog no Blogger, porque lá o código html fica disponível pro usuário ‘brincar’. Já no WordPress.com (meu blog está hospedado nele e não em um servidor externo), isso é muito mais limitado e varia de acordo com o template escolhido. Pequenos contratempos eventuais, mas é que já me afeiçoei ao WordPress! 🙂

    Quanto ao contraste de fundo e fonte, concordo com o Tales. Conheço alguns blogs cuja leitura é bem tranquila, mesmo não tendo uma combinação de cores tradicional. O tipo de fonte (serifada ou não), os espaços em branco para descanso visual, o uso de elementos gráficos como fotos, o tamanho das postagens, etc etc etc, tudo isso influi e ajuda (ou prejudica) a leitura.

    1. O WordPress é a melhor plataforma de blog que existe hoje em dia, disparado. E não estou ganhando um centavo para dizer isso.

      Quanto ao wodpress.com especificamente, confesso que não sei. Não experimentei o wordpress.com porque eu queria um domínio totalmente meu, sem nenhuma possibilidade de alguém deletar alguma coisa ou fazer desaparecer meu blog inteiro em função de uma “política de conteúdo” nebulosa.

      Meu blog é .br e está hospedado na Hostnet, uma empresa séria, com excelente atendimento, localizada no território nacional e portanto 100% acessível à ação do Judiciário brasileiro. Existe um contrato de prestação de serviços que deve ser cumprido por ambas as partes e se houver algum conflito entre contratante e contratada eu posso conversar com eles pelo telefone, posso conversar com eles pelo helpdesk e em última instância qualquer uma das partes pode ingressar em juízo para resolver a questão. Mesmo que eu perdesse na justiça o direito de manter um determinado conteúdo no ar pelos servidores da Hostnet, o domínio arthur.bio.br é meu e eu poderia migrá-lo para os provedores de outra empresa com todo o seu conteúdo, sem que o internauta percebesse qualquer coisa. Maravilha!

  5. É Teles, Mônica. 😀

    P.S.: gostei do seu blog.

  6. Ooops, my bad… 🙂
    Eu ando lendo tudo pela metade e saio deduzindo tudo, até falei sobre isso outro dia, quando li numa placa um anúncio de ‘festival de missas’ e era ‘festival de MASSAS’!

    PS: obrigada! 🙂

  7. Ah… Que safadeza, a referência é a mim???

    huahua…

    qualquer dia, de tanto me encherem o saco, eu mudo as cores do template e simplifico ele, Arthur. Mas por enquanto, tou com preguiça…

    Mas as dicas fazem sentido, não posso negar. Mas não mudo por enquanto….

  8. UM ÓTIMO EXEMPLO DE COMO NÃO FAZER UM BLOG RUIM É PEGAR O TEU E FAZER TUDO AO CONTRARIO!!!!!
    AFF!!!! FICAR CRITICANDO O TRABALH DOS OUTROS EM DETTRIMENTO AO SEU, SÓ PORQUE VC NÃO É UM CAMPEÃO DE AUDIENCIA, ALIÁS NÃO ESTÁ NEM ENTRE OS MIL MAIS ACESSADOS, É NO MINIMO RIDÍCULO!!!!
    JÁ SEI O QUE VAI DIZER: OGRO, OGRO, OGRO, BLÁ, BLÁ, BLÁ….
    MAS FALA SÉRIO, QUEM SABE O DIA QUE VC OUVIR UM POUCO OS OUTROS AO INVÉS DE FICAR TANCAFIADO NESTAS SUAS IDEIAS ANOS 70, SEU BLOG MELHORE!!!!!
    PENSE ARTHUR BIO!!!! PENSAR NÃO DÓI…….

    1. Olha, teu problema se resolve com Almeida Prado 46.

  9. Gostei de seu post!

    Uma coisa que nós blogueiros precisamos se atentar é quanto à usabilidade. Um blog mal cuidado e que é difícil de ser usado acaba tornando o blog ruim mesmo que o conteúdo seja de qualidade.

    Abraços!

    1. Valeu, Renato. Abração!

  10. Tudo bem, Arthur?

    Estou montando meu blog, gostaria que você dissese se estou no caminho certo.

    Boca Maldita- http://bocamaldit.blogspot.com.br/

    Abraço!

  11. Faltou um esse em “dissesse”. Herro de dijitassão…

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