Mulheres sempre acham que o melhor momento para trocar o sofá de lugar é aos trinta minutos do segundo tempo da final do campeonato. Mulheres sempre acham que a vontade de dar uma rapidinha pode esperar até secarem o cabelo. Os exemplos poderiam chegar à casa dos milhares, mas felizmente eu sou um homem escrevendo um artigo e não uma mulher discutindo relação. Suspire com alívio e deixe a porcaria da casa para arrumar depois de ler este texto, raios!

Aviso Anti-Aporrinhação: xô mau humor!

No artigo inaugural da categoria “domesticidades” eu postei a seguinte comparação entre o senso de oportunidade masculino e seu equivalente (?) feminino:

Homens possuem senso de prioridade e praticidade: se depois da refeição bate uma bobeira, é hora de dormir. A louça não vai fugir, pode perfeitamente esperar uma soneca após o almoço ou mesmo até o dia seguinte.

Mulheres possuem programas inflexíveis: a hora de lavar louça é quando termina a refeição, dormir tem que esperar. Só que a hora boa da bobeira pós-refeição passa logo e não volta, então soneca adiada é soneca perdida.

Nos últimos dias, após intensa pesquisa de campo, eu obtive mais uma vez diversas corroborações desta tese.

Eu e minha amiga fomos até a videolocadora escolher alguns filmes para assistir durante o feriado da Páscoa. Eu queria ver novamente a trilogia de “O Poderoso Chefão”, “Bastardos Inglórios”, “Wall-E”, “Kung-fu Panda” e “Wood & Stock”. Sete filmes para quatro dias de feriadão, acho que não é muito.

Chegou o namorado dela, conversamos mais um pouco os três, acabamos substituindo “Wall-E” por “Meu nome não é Johnnie”, “Kung-fu Panda” por “Ratatouille” e deixamos “Wood & Stock” no freezer. Reservamos tudo para quinta-feira.

Depois de feita a reserva, sabe lá Deus o porquê, ela deciciu não retirar os filmes na quinta-feira, deixou para sexta. Obviamente “Bastardos Inglórios” não estava mais disponível, subitamente “O Poderoso Chefão” se tornou longo demais, “Wood & Stock” já não parecia atraente, não tenho mais a mínima idéia do motivo pelo qual “Meu nome não é Johnnie” acabou ficando na prateleira e “Ratatouille” ficou para outro dia.

Ou seja, nada do plano foi cumprido. Mas isso fica para comentar em outro artigo. O fundamental aqui é o que aconteceu quando fomos assistir o único filmeco porcaria que retiramos em substituição aos sete originalmente planejados: ela simplesmente decidiu dormir e deixou a mim e ao namorado dela assistindo o filme.

Sim, lógico que eu disse na hora que não fazia sentido passar três dias escolhendo filmes e planejando assisti-los juntos para na hora H a criatura ir dormir… e lá veio o sermão padrão: “isso é porque tu não trabalhas de manhã, teus horários são desregrados, blá-blá-blá”.

Sim, claro, minha amiga. Nunca na tua vida de estudante universitária tu foste a uma festa na sexta-feira à noite porque tinhas aula de manhã. Tá bom.

No sábado conseguimos retirar “Bastardos Inglórios”. Catei uma pizza no freezer, compramos um refrigerante, ela fez uns bolinhos de arroz deliciosos, jantamos, batemos papo, mudamos o DVD de posição, colocamos o filme… e ela decidiu que era hora de lavar a louça, lavar roupa, arrumar o quarto e sei-lá-mais-o-quê. Onze da noite do sábado de Páscoa.

“Podem assistir, eu tenho muito o que fazer.”

Ah, pára! Se isso não é paranóia feminina de arrumação na hora errada, então é provocação. Será que não havia outro horário em que seria possível lavar a louça e arrumar o guarda-roupa? Não, óbvio que não. E dê-lhe sermão: “eu não durmo a manhã toda, eu trabalho a semana inteira, eu não vou ter tempo para fazer tudo o que preciso fazer, blá-blá-blá”.

Sim, claro, minha amiga. Das vinte e quatro horas do dia, cinco dias por semana, seria impossível encontrar vinte e quatro minutos por dia para arrumar o guarda-roupa, é claro que era imprescindível fazer isso na madrugada do domingo de Páscoa com um DVD retirado que tinha que ser entregue no dia seguinte.

No domingo minha amiga foi almoçar na casa do namorado e eu fui visitar minha afilhada, que mora próximo dele. Passei na casa dele para buscá-los na noite de domingo e fomos assistir “Ratatouille”, que eu havia retirado junto com “Bastardos Inglórios”. Mas antes, é claro, às onze horas da noite do domingo de Páscoa, era hora de colocar roupa na máquina de lavar, varrer a casa, arrumar a cozinha…

Impressionantemente, “Ratatouille” ela assistiu conosco até o fim.

O outro lado da moeda

Quando minha amiga ler este artigo aqui, vai dizer que eu estou retratando somente um dos lados da moeda, que eu sou bagunçado com horários, etc. Tudo bem, eu reconheço que tenho um relacionamento meio conturbado com os fusos horários e que em Londres eu provavelmente chegaria para o chá das cinco pelo horário de Brasília, mas o ponto aqui é “senso de prioridade e praticidade”. A louça não ia fugir da pia e a roupa não ia fugir do armário, mas o DVD tinha dia certo para ser devolvido.

Aliás, quando fui devolver os DVDs a locadora já havia fechado e tive que pagar mais uma diária no dia seguinte, mas pelo menos eu assisti os três filmes que retirei. Isso faz mais sentido que retirar três filmes e assistir só um por preferir lavar louça e guardar roupa, não faz?

9 thoughts on “A paranóia feminina por arrumação na hora errada

  1. kkkkkkk
    É bem por aí mesmo, se bem que eu conheço homens que também enrolam pra assistir filme, sair de casa, etc, só as desculpas é que são diferentes…
    Você precisa conversar com meu irmão, que tem 3 mulheres em casa (esposa + duas meninas). Às vezes, já dentro do elevador, uma volta porque esqueceu de passar batom. Daí a outra resolve trocar de bolsa. Tudo pronto? Não, acho que vou levar um casaco!
    É assim mesmo, cada um deixa o sexo oposto maluco com as manias mas, pensando bem, tá ruim? Eu, de minha parte, tenho nada do que reclamar não… 😉
    bom vê-lo mais amiúde no seu próprio blog!

    1. AAAAAHHHHHHHH!!! Isso me lembra uma vez que eu namorei uma menina que tinha duas irmãs e moravam com a mãe. Se a gente conseguia sair em menos de duas horas para ir ao cinema, era motivo de comemoração!

      Obrigado pelas boas-vindas. 😉

  2. Hahaha, podia ser pior: conheci outro dia uma garota que tem 8 (sim, oito!) irmãs. Com a mãe, é a Casa das Nove Mulheres. O pai, a essa altura, já deve ter um lugarzinho garantido no Céu!!! 😀

    1. Me conta em que cidade elas moram para eu não correr o risco de incluir em algum roteiro de viagem! 😛

  3. Ainda bem que nem todas mulheres são iguais,rs.

    1. É, o endereço muda. 😛

      Hehehehe…

  4. Muito bom esse post, Parabéns !

    1. Obrigado, Eduardo.

  5. O mais incrível desse texto que você colocou é que ironicamente é verdade. Eu tenho que admitir. Mas como sou feminista, meu caro… Isso é apenas uma desculpa para criticar as mulheres, afinal, é incrível como TODA MULHER é ciumenta, como TODA MULHER demora pra colocar um batom, ou como TODA mulher tem paranóia para limpar a casa; É incrível a probabilidade masculina: é mais fácil que TODAS as mulheres cometam o mesmo erro do que somente UM HOMEM tenha falta de paciência, seja infiel ou sejam preguiçosos. Ah, que isso, seu texto ficou demais, mas ainda tem formas de se debater algo a favor do feminismo.
    De qualquer forma, amei o texto. E ah, por mais que a mulher seja chata e demorada, fala sério: não vale a pena esperar HORAS E MILÊNIOS para escolher um sapato sendo que em seguida tenha aquela BOCA LINDA E MARAVILHOSA TE ENCHENDO DE BEIJOS SENSUAIS E EXCITANTES E COZINHANDO UMA COMIDA DELICIOSA? Tipo, você criticou sua amiga, mas também elogiou a comida dela. E afinal, se ela assistiu somente um filme, a decisão não é dela? 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *