Educação doméstica (homeschooling) versus a péssima qualidade de ensino no Brasil

O Aristein postou um comentário no artigo “Meus filhos não irão à escola!“, eu comecei a responder e logo percebi que a resposta daria um novo artigo sobre a qualidade do ensino no Brasil. Eu passei por todo o sistema educacional brasileiro, da pré-escola ao pós-graduação, e considero simplesmente medíocre sua estrutura, seu funcionamento, seus objetivos e suas pífias tentativas de aprimoramento, que não passam de surtos de maquiagem em um Frankenstein. Precisamos com urgência criar alternativas que substituam gradual porém rapidamente este monstrengo reprodutor de mediocridade.

Jogamos fora os melhores anos de nossas crianças sem desenvolver a habilidade de aprendizado delas, colocando-as na escola já na fase decrescente da curva de organização neurológica.

Do ensino fundamental só se salvam aprender a ler e a escrever, três das quatro operações e a pau e corda um que outro aluno excepcionalmente retém algum rudimento extra de outras matérias. Apresentamos currículos ridículos, totalmente inúteis e sem fundamento em 90% do tempo.

O ensino era péssimo com 180 horas por ano durante oito anos, então algum imbecil teve a idéia brilhante de mudar o calendário escolar para 200 horas por ano durante nove anos. A idéia é que “pouca merda é ruim, muita merda deve ser melhor”.

O ensino médio é totalmente voltado para o ingresso na universidade, apresentando conteúdos “importantíssimos” no cotidiano da população, como binômio de Newton e números quânticos, que ninguém jamais usará para porcaria nenhuma, salvo uma ou outra rara exceção que não justifica submeter milhões de brasileiros, geração após geração, a esses conteúdos sem qualquer propósito.

Matemática financeira, por sua vez, que é extremamente útil no cotidiano, desde a hora de conferir se o juro cobrado pela loja é mesmo o anunciado até calcular o quanto custa realmente um bem financiado, não faz parte do currículo do MEC, não cai no vestibular e portanto quase nenhuma escola se preocupa em ensinar.

A justificativa para lecionar matérias inúteis é tão rdiícula quanto mentirosa: “ensinar a pensar”. Ora, bolas… quer dizer que não se pode utilizar conteúdos úteis para ensinar a pensar? Só se pode ensinar a pensar lecionando baboseiras que ninguém vai jamais usar para qualquer propósito prático? Mas será que o pessoal que usa essa desculpa esfarrapada não tem vergonha na cara?

No ensino superior só se encontra superioridade no nome, porque a imensa maioria dos estudantes universitários só são distinguíveis dos quadrúpedes pelo número de pernas. E estes são os profissionais que vão nos prestar serviços. O Fantástico apresentou recentemente uma reportagem em que um mérdico diagnosticou que uma paciente tinha “um cristal de colesterol com uma cândida em cima” e justificou isso dizendo à paciente “você, a sua mãe ou a sua avó materna dela freqüentaram espiritismo”. (!!!) Desnecessário maiores comentários, né?

Isso sem falar que a homeopatia – cujo princípio básico, diluições infinitesimais de compostos supostamente ativos escolhidos esotericamente, baseia-se em uma “memória da água” comprovadamente inexistente, e que em todos os estudos duplo-cegos rigorosos sempre obtém os mesmos resultados do efeito placebo – é reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina e praticada por dezenas de milhares de profissionais, o que mostra que a estupidez é oficial e institucionalizada.

Em nível de pós-graduação – das especializações caça-níqueis de fundo de quintal aos doutorados de muitas universidades consideradas de referência – eu raramente encontrei um nível de ensino superior ao do ensino médio. Pelo contrário, na maior parte das vezes encontrei níveis de ensino piores, em quase todas as universidades que visitei – que foram diversas, entre particulares e federais.

“Professor” que distribui lista de textos disponíveis no xerox do prédio e atribui cada um a um grupo para apresentar seminrário é o que mais tem. Aí vemos um colega sem a menor experiência ou técnica didática e o menor conhecimento da matéria “dar aula” sobre um tema com o qual ele nunca teve contato antes. E normalmente a “aula” não passa de leitura de partes selecionadas do texto e algum método audiovisual qualquer para conferir uma pseudo-seriedade ao momento.

Então, prezados leitores, se eu pareço “radical demais”, é por bons motivos. Eu não vou permitir que meus filhos sejam mediocrizados à força por um Estado incapaz de prestar serviços essenciais com a mínima qualidade razoável se eu posso prover a meus filhos uma educação muito melhor em casa, utilizando apenas meus próprios recursos.

Eu pretendo ensinar meus filhos a ler desde o berço, muito antes que eles tenham capacidade de falar. Vou conversar com eles sempre em Esperanto, para que se tornem pelo menos bilíngües desde o nascimento. Se a mãe deles topar usar somente uma língua estrangeira, eles serão trilíngües desde o nascimento. Português eles vão aprender de qualquer modo, seja em contato com os avós ou com outras crianças, então não preciso me preocupar com isso. Bastará ofertar literatura de boa qualidade em língua portuguesa para que eles adquiram linguagem culta correta a partir de bons modelos. O resto o ambiente provê naturalmente.

O currículo que tenho em mente envolve matemática, lógica, método científico, diversas ciências, direito, medicina, esportes, música e diversas outras habilidades, inclusive empreendedorismo e liderança, além de permitir o desenvolvimento de interesses próprios da criança.

Crianças são curiosas, gostam de aprender e instintivamente procuram imitar os adultos. Quem quiser ensinar uma criança a andar de bicicleta só precisa andar de bicicleta na frente dela e ela vai tentar fazer o mesmo. A partir daí basta um pouco de orientação e supervisão. A maior parte dos conteúdos pode e deve ser transmitida através de variações desta técnica básica. Ninguém precisa de diploma universitário para fazer isso. É assim que a mãe leopardo ensina os filhotes a caçar.

Socialização? Muito melhor que ocorra sob a supervisão de um grupo de pais conscientes e comprometidos com o processo de educação de seus filhos do que em uma escola onde um único profissional geralmente desinteressado e mal pago é responsável pela supervisão de trinta crianças diferentes por ano.

Não consigo imaginar uma única desvantagem do sistema de ensino doméstico (homeschooling) em relação ao atual sistema de ensino brasileiro. A não ser, é claro, que os pais sejam completamente debilóides e totalmente descomprometidos com a educação e com a capacitação dos próprios filhos para se tornarem cidadãos produtivos e seres humanos felizes e realizados. O que, aliás, é a premissa básica de um Estado que proíbe a educação em casa.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 16/04/2010

52 thoughts on “Educação doméstica (homeschooling) versus a péssima qualidade de ensino no Brasil

  1. Não sei se esta informação já chegou até você, de qualquer forma compartilho:

    http://www.avidasacerdotal.com/2011/11/o-homeschooling-esta-liberado-no-brasil.html

    O importante aqui é o teor do artigo e a resposta que Henrique Lima deu ao comentário de Diogo Chiuso. Sei da sua opinião sobre igreja e Olavo de Carvalho… 😉

    1. Tem uma mentira nessa jogada. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) não tem equivalência à Emenda Constitucional no Brasil, porque não foi “aprovada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros”, conforme redação do artigo 5°, parágrafo 3° da Constituição Federal, introduzido pela Emenda Constitucional 45. Podes conferir esta redação na primeira disposição da EC 45, neste link:

      http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc45.htm

      O Pacto de San José da Costa Rica ou Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH) sim, tem equivalência à Emenda Constitucional, mas ele não cita o trecho reproduzido na matéria que linkaste, pois “Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos”, segundo reconhece o próprio artigo linkado, é o artigo 26.3 da DUDH.

      Já o trecho “Os pais e, quando for o caso, os tutores, têm direito a que seus filhos e pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.”, como diz no artigo linkado, é o artigo 12.4 da CADH, que entretanto trata especificamente da educação religiosa e moral, ou seja, no fundo só permite que os pais decidam que o filho não assistirá as aulas de ensino religioso.

      Portanto, é FALSO que “não há qualquer óbice jurídico ao homeschooling no Brasil”. A DUDH não tem poder de lei, a CADH não garante esse direito e os juízes estão perfeitamente amparados pela lei a fazer cumprir a determinação do ECA de que “Os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino” (art. 55).

      Se não fosse assim, simplesmente não haveria problema. Bastaria entrar com uma ação cautelar exigindo o cumprimento da CADH e poderíamos com relativa facilidade oferecer ED sem entraves legais.

      Um dos motivos pelos quais existe uma gigantesca resistência à ED no Brasil é que, tomado ao pé da letra, o artigo 26.3 da DUDH permitiria aos pais simplesmente oferecer nenhuma educação, sem que o Estado tivesse qualquer possibilidade de interferir, uma vez que “nenhuma” é um caso particular de “gênero de instrução”. (Lógico que é uma interpretação que passa longe do bom sesno, mas sabe como é cabeça de bacharel em direito…)

      É por isso que não gosto de Olavo de Carvalho em particular e da turma dele em geral: eles forçam a barra muito além da razoabilidade para tentar impor suas ideologias. Textos como aquele que linkaste acabam gerando falsas expectativas (inclusive de “perseguição religiosa”, o que é explorado por Olavão & Cia para se auto-cacifar perante sua comunidade de influência), desorientando as pessoas, causando frustrações intensas quando elas tentam colocar em prática o que lhes foi dito ser possível e assim desmobilizando-as para construirem alternativas realmente factíveis dentro do nosso ordenamento jurídico, como por exemplo a constituição de estabelecimentos que cumpram todas as regras necessárias para serem considerados “rede de ensino regular” e que orientem e supervisionem a Educação Doméstica com todas as garantias pedagógicas necessárias para as crianças e todas as garantias legais necessárias para os pais.

      Eu tenho um projeto nesta área, mas ainda não está maduro para ser debatido. Isso só acontecerá depois que eu me mudar e tiver tempo para fazer umas pesquisas e organizá-lo melhor. Não some, Cassia, vou querer debater isso contigo. 😉

  2. Oi, somos de Blumenau. Vc usou a palavra certa: organizar. Sabe, tenho passado muitas horas estudando aqui no pc, leio muito e interajo sempre que posso nos grupos, mas sinto certa falta de união, talvez as pessoas tenham medo de aparecer (já que somos criminosos… rsrs) ou por desinteresse, não sei. Estamos no começo, é até compreensível… De qualquer forma estou à disposição. Desejo melhoras e sucesso em seu novo empreendimento. Fique bem!
    Obs. Há um encontro de famílias adeptas marcado para janeiro, em Taquara. Não poderei ir infelizmente, mas estamos pouco a pouco organizando esses eventos. http://eddomiciliar.blogspot.com/2011/11/primeiro-encontro-gaucho-de-familias.html

  3. Arthur, infelizmente para mim essas coisas relativas à legislação são meio “grego”. Leio muito, estou antenada e até entendo um pouco, mas aí deixo para quem é da área. Imagine, estou começando a faculdade de Artes, melhorando o Inglês, estudando Língua Portuguesa, Matemática, Filosofia, e outras coisas mais para poder passar informações de qualidade para meu filho… (devagar para não pirar, claro) então confio nas informações que vc passou e acredito que a união fará nossa força, ok? Não vou sumir não, vc tem meu e-mail, não é? Sempre que quiser, escreva!

  4. (respondi no post sobre as leis…)

  5. Olá Arthur, não sei se a Lorena passou-lhe este link, estou repassando para mantê-lo (e a quem interessar)informado: http://desescolariza.blogspot.com/
    São postagens sobre a PEC 444 de 2009, bem interessante.
    Boa semana!

    1. Obrigado, Cassia. Vou conferir o link, sim. Meu interesse na área só aumenta.

  6. Arthur, provavelmente você não leu os últimos comentários do artigo citado pela Cassia – e também parece ter lido com muita má vontade o artigo mesmo. Ele não cria falsas expectativas, mas trata-se apenas de uma sugestão para brigar na justiça pelo direito de educar os filhos à revelia da ação nefasta do Estado.

    Nos comentários do artigo, o autor explica que o Pacto de S. José não tem, segundo entendimento do STF, status de Emenda Constitucional.

    Enfim, não há ninguém forçando a barra – isto é uma interpretação fantasiosa da tua parte. Lá apenas se discute uma possibilidade, deixando claro o autor (último parágrafo): “a coisa é um pouco mais complicada”.

    Leia com mais atenção e com boa fé. Ninguém está querendo te enganar, tampouco enganar aos outros.

    Saudações, Ronald

    1. Ronald, fazia tempo que eu tinha escrito aquela resposta para a Cassia, então fui conferir novamente em função do teu comentário. Volto a afirmar: sim, aquele texto cria falsas expectativas. Tenta entender o motivo:

      – Tratados internacionais de Direitos Humanos têm status superior ao da lei ordinária no Brasil, mas somente quando ratificados “em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros”.

      – A DUDH não é um tratado deste tipo, INFELIZMENTE. Ninguém mais do que eu considera este documento a melhor diretriz para a defesa dos Direitos Humanos que já foi produzida e reconhecida internacionalmente, mas ela não foi ratificada “em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros”, portanto não adquiriu status de emenda constitucional.

      – A CADH, por sua vez, é um tratado deste tipo, porque foi de fato ratificada “em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros”, tendo portanto aquirido status de emenda constitucional.

      Ora, se a DUDH não tem força de lei, o trecho dela que diz que “Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos” é uma bela carta de intenções, mas desgraçadamente não passa disso e não pode ser invocado em juízo como se força de lei tivesse.

      Já a CADH tem força de lei, portanto o trecho dela que diz que “Os pais e, quando for o caso, os tutores, têm direito a que seus filhos e pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.” pode e deve ser invocado em juízo como garantia acima de qualquer disposição da LDB, do ECA ou de qualquer lei ordinária, mas trata apenas da educação religiosa e moral, não tendo força para impedir a determinação do ECA de que “Os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino” (art. 55).

      Mais claro que isso, impossível.

      Então, como é que o autor lá diz que “juridicamente, não há nada que proíba os pais de adotar o homeschooling para os filhos”? É óbvio que há: é o artigo 55 do ECA. Não querer ver isso é querer tapar o sol com a peneira.

      Induzir as pessoas a ingressar com ações judiciais dispendiosas, desgastantes e de antemão inúteis, porque mal fundamentadas é uma baita FORÇAÇÃO DE BARRA, sim. E o Olavo de Carvalho e o Henrique de Cunha Lima, por suas formações e pretensões de gurus-e-mentores-de-consciências não podem ser considerados ingênuos e vítimas de uma interpretação superficial equivocada de terceiros, Eles é que vão vitimar terceiros com sua interpretação equivocada, induzindo as pessoas a ingressar em juízo achando que possuem terreno firme sob seus pés quando na verdade estarão marchando sobre areia movediça.

      E tudo isso pra quê?

      Para poderem posar de líderes consoladores dos “pobres cristãos” injustiçados pela “justiça atéia esquerdopata” em função de “perseguição religiosa”.

      Dá um tempo. Quem luta por liberdade com responsabilidade somos eu, a Cassia e inúmeras pessoas que se interessam por qualidade de ensino, estímulo intelectual, desenvolvimento de habilidades, formação cidadã. A turminha do Olavão só quer mesmo é o direito de fanatizar as crianças sem interferência para aumentar seu exército de zumbis detratores da cidadania alheia, como bem mostra este trecho do texto:

      “outro direito que se depreende das aludidas normas é o de rejeitar qualquer conteúdo ministrado nas escolas regulares que seja considerado impróprio pelos pais, como o famigerado kit gay”

      Isso não é um movimento pela cidadania, é um movimento pela intolerância.

  7. Olá Arthur

    Não sei se já está sabendo… Chegou a hora da definição sobre a aprovação ou rejeição da emenda sobre a Educãção domiciliar.

    http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/409783-PROJETO-PREVE-POSSIBILIDADE-DE-EDUCACAO-BASICA-SER-FEITA-EM-CASA.html

    Se puder, de uma força em suas publicações e contatos.

    Obrigada,

    Lorena

  8. Meio atrasada aqui, mas quero deixar o meu relato. Com três anos eu já sabia ler e desenhava letras, pois meu pai se utilizava de livros infantis pra me fazer dormir e, segundo ele, eu comecei a pedir pra ler também. Ele passou a me ensinar a ligar os sons com os grafemas, e quando viu, eu já lia sozinha. Com sete anos, fui para a 1ª série, mas a professora pediu para a diretora me incluir na turma da 2ª série, porque ela não tinha mais o que me ensinar, já que eu estava alfabetizada. Passei todo aquele ano frequentando a 2ª série, e no final fui aprovada para prosseguir para a 3ª série. Com mais ou menos 3 meses, uma instância superior à diretoria da escola, não sei especificar qual era, agora, determinou que eu voltasse à 2ª série, alegando “imaturidade emocional”. Eu tinha 8 anos, estava indo tão bem, ou até melhor, do que os alunos mais velhos na mesma sala, e mesmo assim me jogaram de volta pra 2ª série.
    Com 12 anos fui agraciada com uma bolsa de estudos na melhor escola de inglês que havia aqui em São Paulo na época. Fiz apenas 4 meses de curso, mas depois disso prossegui, sozinha, com um dicionário e letras de música, e com 14 anos, pasme, eu falava inglês melhor do que a professora da 8ª série. Mas nunca consegui incluir devidamente esta habilidade em um curriculum pois me falta um certificado de proficiência, pois nunca mais pus os pés numa escola de inglês.

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