Eu estava lendo um artigo em que o Romacof prega o voto nulo e mais uma vez me vi às voltas com esta questão: será que o voto nulo é o melhor voto de protesto? Eu tenho minhas dúvidas. Convido os internautas que aqui aportarem a opinar a respeito.

A lógica do voto nulo é a de explicitar a não representatividade dos parlamentos e dos governantes. Entretanto, quem é que não sabe que aquele monte de picaretas não representam ninguém exceto seus próprios interesses? A crise de representatividade já é evidente e isso não muda a política. Para mim é difícil imaginar que diferença faria aumentar o atual índice de votos nulos de 10% (em conjunto com os votos em branco) para 50%. Isso faria os políticos tomarem vergonha na cara? Isso modificaria os interesses em jogo? Como, se os mesmos picaretas continuariam a ser eleitos pelos 50% de eleitores restantes?

Por outro lado, enquanto não surge uma alternativa política realmente eficaz para acabar com essa bandalheira (e surgirá ao menos uma, anotem o que eu digo), acredito que existam outras formas mais interessantes de voto de protesto. Por exemplo, o voto em partidos “nanicos” altamente ideológicos e combativos, como PSTU e PCO.

Existe uma certa poesia nesta lógica. Meia dúzia de deputados destes partidos incomodariam tanto na Câmara dos Deputados, denunciando manobras dos grandes partidos, interpondo questões de ordem, solicitando diligências e fazendo barulho, que algum benefício poderia advir da loucura.

Um grupo de radicais desta natureza jamais se tornaria tão numeroso a ponto de poder causar algum prejuízo real às instituições, mas atuaria intensamente como fiscal da democracia, mesmo que não fosse essa sua intenção. Se os caras querem transformar o país numa ditadura socialista ou operária, que importa? Eles jamais atingirão massa crítica para tanto. O que importa é que, enquanto acreditarem que isso é possível (e tem louco pra tudo), eles vão lutar bravamente contra “os interesses da burguesia e do imperialismo ianque blá-blá-blá” fiscalizando a atuação dos outros partidos e torrando muito o saco dos outros políticos. Não é uma forma de justiça poética?

Ah, sim, pode ser que eles sejam cooptados. É um risco real. Mas aí a gente começa a votar em algum outro Partido Revolucionário Ultra-Radical Fora da Casinha e mantém a lógica. Afinal, estamos falando de voto de protesto, não é? Eu diria que essa é uma forma de tornar útil o voto de protesto.

E você, o que acha?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 11/05/2010

28 thoughts on “Será que o voto nulo é o melhor voto de protesto?

  1. a primeira coisa realmente a ser mudada é a obrigatoriedade do voto. Voto obrigatório numa democracia é uma piada. A obrigatoriedade está nos levando a uma eleição onde não serão discutidas idéias, e sim apenas haverá a disputa pela simpatia popular. Se não fosse obrigatório, os candidatos precisariam cativar seus eleitores com propostas, e não com posicionamento em relação a determinados assuntos que são de gosto popular. Experimenta o Serra dizer, como o seu partido já disse, que o bolsa família é uma forma de perpetuação no poder. Mais do que nas outras, nessa eleição vai valer mais um bom marketeiro que um programa de governo, e é por isso mesmo que concordo com o voto nulo, ou mais, acho que seria bem mais marcante a ausência. Não votar amparado pela lei. Como? Ora, como eu faço, sempre estou numa cidade que não é meu domicílio eleitoral. Dá trabalho? Talvez, mas só se consegue avanços democráticos com algum empenho. Por enquanto, com o sistema vigente, não voto. A não ser que algum candidato me conquiste com um programa de governo voltado para uma reforma séria no sistema educacional Brasileiro.
    VOTO OBRIGATÓRIO JAMAIS SERÁ VOTO VÁLIDO.

    1. Mas e aquela história de que “quem não ajuda a escolher não pode reclamar das escolhas feitas”, como é que fica?

  2. Adorei a idéia.
    Lembro que já votei em um macaco(Tião) e ele “quase” se elegeu,rs.
    Já imaginaram um macaco no parlamento?

    1. Imaginar, não imaginei. Eu vejo isso todos os dias no noticiário. Tem mais de 500 assim em Brasília.

  3. Caro Lucas. Comigo você não precisa comprar a briga porque eu a lhe dou de graça só pelo prazer de contra-argumentar com quem tem substância. Sou pelo voto nulo pelas seguintes razões:
    1) é um direito meu, dentro da absurda obrigatoriedade democrática de votar já aventada pelo Cesar, não votar no menos ruim, ou no que não me representa, ou no que não tem ideologia, ou no que apenas necessita do meu voto para prostituí-lo como uma carta branca que lhe dá imunidade junto às burras do governo.
    2) é um direito meu, sendo obrigatório votar, usar o meu voto da única forma que não pode ser comprado.
    3) e é um direito meu sonhar, por mais idiota que isto possa parecer, que um dia a massa crítica do eleitorado gritará para a opinião internacional : “Os eleitos representam uma minoria que ainda não parou para pensar.” “Os eleitos chegaram ao poder pelos seus próprios votos e pelos votos de seus clientes.”
    Não concordo com a definição de que o voto nulo seja um voto de protesto. O voto de protesto clássico foi o que elegeu em 58 o rinoceronte Cacareco como o vereador mais votado de São Paulo. Aqueles votos foram anulados mas eram votos de protesto da mesma forma que os foram os de Enéias com um risco e uma loucura maiores.
    O voto nulo é um voto triste, indignado, incrédulo, abismado, e estupefato frente à má qualidade dos candidatos ditos honestos e à esquizofrênica atitude dos espertos que se mantêm impunemente ad aeternum graças a uma máquina publicitária paga por nós.
    O voto nulo é um grito pela morte da democracia. O voto nulo é o voto da minoria que pensa. O voto nulo é a prova de que ainda há vida inteligente no país.
    Concordo com o Camargo. Voto obrigatório numa democracia? Isto é uma piada. Nenhum candidato tocou com sua mágica a minha mente e me convenceu de que é um prazer ir até lá e votar nele. Não apareceu este cara. Não apareceu esta idéia. Mas o sistema me obriga a votar porque o Brasil tem que bater mais um recorde de votos na maior demonstração democrática do planeta. Então eu vou lá e digito 999 e confirmo. E saio com a consciência limpa. Sem ser cúmplice de ninguém, sem ter vendido meu voto, e sem ter alimentado os sonhos de mais um psicopata.

    1. Acompanho o blog há pouco, mas já gostei dele. Cara, só uma observação que me ocorreu enquanto lia seu comentário: quem não gosta de política está fadado a ser governado por quem gosta, certo? Essa premissa não seria a mesma no caso do voto nulo? O protesto, existem outras instituições e lugares onde ele cabe melhor, não? O voto é obrigatório – na minha opinião ainda bem – então não é melhor aprender a jogar o jogo do que fazer uma manifestação? Bom, é isso. Forte abraço ao Arthur, pelos ótimos textos, e ao Romacof pelo nível do comentário. Até mais.

    2. Romacof, eu em nenhum momento discordo que votar nulo seja direito do eleitor. E até acho que se pudéssemos superar a marca de 50% de votos nulos isso causaria balbúrdia suficiente por uns tempos… mas não vejo como isso resolveria o problema, que é estrutural.

      Não gostaste da minha sugestão de eleger meia dúzia de cachorros loucos para morder aquele bando de parasitas?

  4. Eu acho que a gente deveria gastar energia na construção de uma alternativa, ou então apelar para o terrorismo poético.

    1. Marcus, o que seria “terrorismo poético”?

  5. [Lei nº 4.737/65]
    ______________________________________________________________________________
    “Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do estado nas eleições federais e estaduais, ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações, e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.” (Fonte: Código civil)

    Acho uma ferramenta válida de protesto, bem sacada, inclusive. Mas sou um idealista. De acordo com o que dita a lei, no dia em que a mídia for independente e cobrar isso em favor do povo, o populacho raciocina e seremos libertos.

    1. Contar com a mídia para conscientizar o povo? Isso não é idealismo, é delírio! 😛

      Eu me lembro do caso Collor. O Collor foi deposto por muito menos do que já se apurou no governo Lulla. Cadê a imprensa “cidadã” para chamar os “caras-pintadas” a fazer manifestações pelo impeachment do presidente-que-nada-sabe?

  6. Arthur,
    Pus um comentário ontem mas não foi publicado.
    O que aconteceu?
    Vou tentar pôs novamente (como ele ficou meio longo, eu salvei no woed – rs, rs, rs).
    Abração!

    1. Está faltando uma parte abaixo, né? Quero ler inteiro!

  7. Grande Arthur,
    É por isso que eu gosto de passar por aqui! Afinal de contas, pensar não dói, mas dá um trabalho…
    O problema do PSTU é o slogan. Pois é, aquelas velhas e surradas palavras de ordem que usávamos na época do movimento estudantil, tipo: “o povo unido, jamais será vencido” e outras preciosidades pré-diluvianas.
    Já pensou, Arthur, bolar um slogan marcante pro PSTU, sem usar nenhuma palavra que afronte as sensibilidades das donzelas mais recatadas? É complicado.
    No mais, creio que o modelo de democracia brasileiro (ou à brasileira) é que merece ser repensado. Clientelismo, fisiologismo, corrupção, um congresso nacional alheio às necessidades da população, ensimesmado, que muitas vezes se mantém como refém do poder executivo por uma conveniência corporativa (afinal, não vivemos num estado democrático de direito, com independência entre os poderes e o célebre sistema de freios e contrapesos proposto por Montesquieu?).
    De qualquer modo, tendo a crer que a sua solução é mais interessante que a do Romacoff, embora a respeite, sobretudo por conta de seus bem construídos argumentos: “o voto nulo é um voto triste, indignado, incrédulo, abismado, e estupefato frente à má qualidade dos candidatos ditos honestos”.
    (continua…)

  8. (continuação)
    Outro agravante é que se a esquerda brasileira é ruim – o PT, tido até a eleição de Lula como uma espécie de reserva moral na política brasileira mas que, infelizmente, acabou por reproduzir as mesmas práticas clientelistas e fisiológicas que tão duramente criticava – a direita consegue ser ainda pior! Aliás, a direita brasileira (que sempre se autodenomina “centro” – centro de que?) está, certamente, entre as piores direitas do universo – Palpatine tem muito o que aprender com os coronéis da política brasileira.
    Saliente-se que o governo Lula tem bem mais acertos do que erros, mas no que tange à defesa da ética e da transparência, este foi, certamente, um dos pontos mais negativos desse período. Difícil para um sujeito que passou a vida inteira votando em candidatos do PT assistir aos convescotes entre luminares do partido e figuras emblemáticas do conservadorismo tupiniquim.
    De qualquer modo, sua “modesta proposta” é bastante interessante. O voto nesses partidos nanicos não deixa de ser uma forma de protesto, ao tempo em que: a) equilibra um pouco a correlação de forças no congresso; b) põe no encalço de deputados e senadores sujeitos que irão infernizar-lhes a vida e, certamente, haverão de expor (ou escancarar) as entranhas do congresso, como fazia da senadora Heloísa Helena (com cujas opiniões eu posso até não concordar, mas que não deixo de reconhecer que se trata de uma pessoa valorosa).

    (continua – tentei postar em uma única vez e não consegui, por isso estou fazendo picadinho de comentário)

    1. érico cordeiro
      “O problema do PSTU é o slogan.”–ainda bem que é só isso, o PSTU pelo menos é um partido moderno e democrático.
      “a direita consegue ser ainda pior!”–Por que? A esquerda faz o mesmo que a direita, com mais capricho, e sem oposição.
      “Saliente-se que o governo Lula tem bem mais acertos do que erros,”–BLEAAAAAARGH!
      “Palpatine tem muito o que aprender com os coronéis da política brasileira.”–Ele tomou o poder, na maciota, em nome do bem, parece mais com alguem di isquerda cumpanheru. Só num alembru quem é.


    2. “o PSTU pelo menos é um partido moderno e democrático.”

      PLOFT!

      [Autor do blog caído no chão. Estará respirando?] 😛

    3. Pelo bem do Arthur tenho que maneirar nas piadas…

    4. Ah, tudo bem. Caí de tanto rir, mesmo. 😛

  9. Gostei da sugestão do Marcus Vinicius, de apelar pro terrorismo poético… 🙂
    Só não entendi o que seria exatamente.
    Fiquei aqui pensando em coquetéis molotov com poemas do Drummond, ou então em explodir algum prédio público utilizando a obra de Fernando Pessoa… Quem sabe até mesmo atirando um livro de poeminhas (pode ser do tipo dr. Seuss, de quadrinhas infantis) no gabinete do Luiz Inácio?
    abraço

    1. Graças a esse teu comentário, Mônica, eu tive a idéia para divulgar um meme. Quantos blogs será que conseguiríamos fazer multiplicar um texto composto pela colagem de dois ou três textos antiiiiigos mas ainda muito pertinentes, mais um pequeno comentário pessoal de cada blogueiro?

      Eu vou montar o texto nos próximos dias e centralizar a organização do cruzamento dos links. Todo mundo que entrar na corrente me informa e eu atualizo a listagem de links para que todos possam por sua vez atualizar as suas. Vai se tornar um texto muito “encontrável”. 🙂

  10. Mas e aquela história de que “quem não ajuda a escolher não pode reclamar das escolhas feitas”, como é que fica?

    fica que reclamar por reclamar nunca leva a nada. Leva a alguma coisa trabalhar a ética no seu meio de influência e vincular a essa ética propostas, idéias, sugestões bem fundamentadas. Não devemos reclamar de quem foi eleito pelo fato de ter sido eleito, mas sim reclamar da sua ação, pq se vc não votou no Lulinha paz e amor nas duas últimas eleições, isso não significa que não possa cobrar dele um bom governo.

    1. Excelente esclarecimento. Gratíssimo.

  11. http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2004/12/296700.shtml

    Caos – Terrorismo Poético…
    Por Hakim Bey 06/12/2004 às 22:30

    Um presente de natal.
    CAOS – TERRORISMO POÉTICO & OUTROS CRIMES EXEMPLARES
    Por Hakim Bey

    (Este livro foi lançado pela Conrad Editora do Brasil – 2003. Tradução de Patricia Decia & Renato Resende – http://www.conradeditora.com.br)

    Caos: Os panfletos do Anarquismo Ontológico
    (Dedicado a Ustad Mahmud Ali Abd al-Khabir)

    CAOS

    O Caos nunca morreu. Bloco intacto & primordial, único monstro digno de adoração, inerte & espontâneo, mais ultravioleta do que qualquer mitologia (como as sombras à Babilônia), a original & indiferenciada unidade-do-ser ainda resplandece, imperturbável como as flâmulas negras frenética & perpetuamente embriagada dos Assassinos1.
    O caos é anterior a todos os princípios de ordem & entropia, não é nem um deus nem uma larva, seu desejos primais englobam & definem todas coreografia possível, todos éteres & flogísticos sem sentido algum: suas máscaras, como nuvens, são cristalizações da sua própria ausência de rosto.
    Tudo na natureza, inclusive a consciência, é perfeitamente real: não há absolutamente nada com o que se preocupar. As correntes da Lei não foram apenas quebradas, elas nunca existiram. Demônios nunca vigiaram as estrales, o Império nunca começou, Eros nunca deixou a barba crescer.
    Não. Ouça, foi isso que aconteceu: eles mentiram, venderam-lhe idéias de bem & mal, infundiram-lhe a desconfiança de seu próprio corpo & a vergonha pela sua condição de profeta do caos, inventaram palavras de nojo para seu amor molecular, hipnotizaram-no com a falta de atenção, entediaram-no com a civilização & todas as suas emoções mesquinhas.
    Não há transformação, revolução, luta, caminho. Você já é o monarca de sua própria pele – sua liberdade inviolável espera ser completa apenas pelo amor de outros monarcas: uma política se sonho, urgente como o azul do céu.
    Para lograr abrir mão de todos os acentos & hesitações ilusória da história, é preciso evocar a economia de uma Idade da Pedra lendária – xamâs & não padres, bardos & não senhores, caçadores & não policiais, coletores paleoliticamente preguiçosos, gentis como sangue, que ficam nus para simbolizar algo ou se pintam como pássaros, equilibrados sobre a onda da presença explícita, o agora-sempre atemporal.
    Agentes do caos lançam olhares ardentes a qualquer coisa ou pessoa capaz de suportar ser testemunha de sua condição, sua febre por lux et voluptas. Estou desperto apenas no que amo & até o limite do terror – todo o resto é apenas mobília coberta, anestesia diária, merda para cérebros, tédio sub-réptil de regimes totalitários, censura banal & dor desnecessária.
    Avatares do caos agem com espiões, sabotadores, criminosos do amor louco, nem generosos nem generosos nem egoístas, acessíveis como crianças, semelhantes a bárbaros, perseguidos por obsessões, desempregados, sexualmente perturbados, anjos terríveis, espelhos para a contemplação, olhos que lembram flores, piratas de todos os signos & sentidos.
    Aqui estamos, engatinhando pelas frestas entres as paredes da Igreja, do Estado, da Escola & da Empresa, todos os monolitos paranóicos. Arrancados da tribo pela nostalgia selvagem, escavamos em busca de mundos perdidos, bombas imaginárias.

    A última proeza possível é aquela que define a própria percepção, um invisível cordão de ouro que nos conecta: dança ilegal pelos corredores do tribunal. Seu eu fosse beijar você aqui, chamariam isso de um ato de terrorismo – então vamos levar nossos revólveres para a cama & acordar a cidade à meia-noite como bandidos bêbados celebrando a mensagem do sabor do caos com um tiroteio.

    TERRORISMO POÉTICO (TP)

    Dançar de forma bizarra durante a noite inteira nos caixas eletrônicos dos banco. Apresentações pirotécnicas não autorizadas. Land-art2, peças de argila que sugerem estranhos artefatos alienígenas espalhados em parques estaduais. Arrombe apartamentos, mas, em vez de roubar, deixe objetos Poético-Terroristas. Seqüestre alguém & o faça feliz.
    Escolha alguém ao acaso & o convença de que é herdeiro de uma enorme, inútil & impressionante fortuna – digamos, 5 mil quilômetros quadrados na Antártica, um velho elefante de circo, um orfanato em Bombaim ou uma coleção de manuscritos de alquimia. Mais tarde, essa pessoa perceberá que por alguns momentos acreditou em algo extraordinário & talvez se sinta motivada a procurar um modo mais interessante de existência.
    Coloque placas de bronze comemorativas nos lugares (públicos ou privados) onde você teve uma revelação ou viveu uma experiência sexual particularmente inesquecível etc.
    Fique nu para simbolizar algo.
    Organize uma greve em sua escola ou trabalho em protesto por eles não satisfazerem a sua necessidade de indolência & beleza espiritual.
    A arte do grafite emprestou alguma graça aos horríveis vagões do metrô & sóbrios monumentos públicos – a arte-TP também pode ser criada para lugares públicos: poemas rabiscados nos lavabos dos tribunais, pequenos fetiches abandonados em parques & restaurantes, arte-xerox sob o limpador de pára-brisas de carros estacionados, slogans escritos com letras gigantes nas paredes de playgrunds, cartas anônimas enviadas a destinatários previamente eleitos ou escolhidos ao acaso (fraude postal), transmissões de rádio piratas. Cimento fresco…
    A reação do público ou choque-estético produzido pelo TP tem de ser uma emoção menos tão forte quanto o terror – profunda repugnância, tesão sexual, temor supersticioso, súbitas revelações intuitivas, angústia dadísta – não importa se o TP é dirigido a apenas uma ou várias pessoas, se é “assinado” ou anônimo: se não mudar a vida de alguém (além da do artista), ele falhou.
    TP é um ato num Teatro da Crueldade sem palco, sem fileiras de poltronas, sem ingressos ou paredes. Pare que funcione, o TP deve afastar-se de forma categórica de todas as estruturas tradicionais para o consumo de arte (galerias, publicações, mídia). Mesmo as táticas da guerrilha Situacionista do teatro de rua talvez já tenham se tornado conhecidas & previsíveis demais.
    Uma primorosa sedução praticada não apenas em busca da satisfação mútua, mas também como um ato consciente de uma vida deliberadamente bela – talvez isso seja o TP em seu alto grau. Os Terroristas-Poéticos comportam-se como um trapaceiro totalmente confiante cujo objetivo não é dinheiro, mas transformação.
    Não faça TP Para outros artistas, faça-o para aquelas pessoas que não perceberão (pelo menos não imediatamente) que aquilo que você fez é arte. Evite categorias artísticas reconhecíveis, evite politicagem, não argumente, não seja sentimental. Seja brutal, assuma riscos, vandalize apenas o que deve ser destruído, faça algo de que as crianças se lembrarão por toda a vida – mas não seja espontâneo a menos que a musa do TP tenha se apossado de você.
    Vista-se de forma intencional. Deixe um nome falso. Torne-se uma lenda. O melhor TP é contra a lei, mas não seja pego. Arte como crime; crime como arte.

  12. Arthur! O nanico pode até ser inocente enquanto não for seduzido, ou comprometido inadvertivamente pelos velhos e espertos moradores da casa, e absorvido pelo fisiologismo da corporação. Mas o nanico é antes de tudo um alienado, tanto quanto eu com minha estúpida proposta de voto nulo. Louco por louco prefiro a mim que me conheço. O resumo deste papo está nas palavras de Érico:
    “…creio que o modelo de democracia à brasileira é que merece ser repensado. Clientelismo, fisiologismo, corrupção, um congresso nacional muitas vezes refém do poder executivo por uma conveniência corporativa…”.
    Mas alguém me mostra um meio de repensar o modelo? Pelo voto? Pela mídia assistente que bate palmas para o que acontece no picadeiro? Pela ação isolada de nanicos deslumbrados? Pelo equilíbrio fiscalizador dos poderes cúmplices? Ou por um milhão de assinaturas pela ficha limpa que já nasce depois de ter limpado várias bundas? Os caras pintadas não servem pois pensam que derrubaram Collor quando foram usados como massa vistosa encobrindo a falta de apôio político dele! O Cacareco já morreu! A internet não! Pelos comentários vejo que a inteligência não! E a massa crítica? E o celular? E o torpedo? E o momento certo? Será que o poder dos psicopatas é tão forte que não pode ser sacudido?
    A mensagem “Digite 999 e Confirme” tem 21 tecladas. A maioridade multiplicada exponencialmente. Simples. Nas vésperas. Uma tentativa talvez inglória. Uma demonstração de que não morremos. Não vamos anular a eleição mas podemos mostrar que estamos aqui. Que estes empregados não nos interessam. Nós somos os patrões! Afinal, o que significa democracia? Quem disse?: “…pensar não doi mas dá um trabalho!”

  13. Acho mais razoável discutir o fim do voto obrigatório. Num país que se diz que respira a democracia, a obrigação por si só, é uma contradição colossal.Vota quem quiser ou sinta engajamento político no exercício do voto. Com certeza melhoraria a qualificação dos políticos que pleiteiam algum cargo, seja no executivo ou no legislativo, aliás deveríamos também poder escolher juízes ou promotores no judiciário com exceção na alta instâncias como o STF.
    Temos um contingente enorme que votam, isso representa custos, é preferível ter uma minoria qualificada ou compelida e consciente no exercício do voto, do que a maioria que vota por votar.
    Essa é a minha opinião, considero o voto nulo como um ato extremo que só funcionaria se todos sem exceção fizesse isso, do contrário, isso não passa de descontentamento que não se refletirá nas pretensões dos políticos.Ainda mais que extinguiu-se o uso das cédulas, voto verdadeiramente cacareco seria mais viável que o voto nulo.

  14. Retificando:
    O voto cacareco seria mais efetivo que o próprio voto nulo, se o voto fosse na base da cédula, mas infelizmente isso foi tempos atrás.Uma pena…

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