Eu nunca deixo de ficar pasmo com o fato de muita gente “acreditar” em coisas completamente absurdas, por mais que se demonstre que aquilo não somente não tem fundamento como de fato é completamente contrário à razão, à lógica e até à física do universo. Eu entendo o desconforto das pessoas ao questionar informações que lhes foram apresentadas ou em tenra infância, ou por pessoas em quem elas confiavam, ou ambas, mas não entendo a incapacidade das pessoas de assumir a defesa da informação verdadeira quando esta é cabalmente demonstrada.

Primeiro exemplo: astrologia

Se bem me lembro o fato que vou relatar ocorreu na Inglaterra na década de 1980, mas não tenho mais as referências para conferir. Se alguém encontrar as referências, favor informar para que eu as inclua no artigo.

Foi feito um estudo investigando em cartórios os registros de casamentos e de divórcios de alguns milhares de casais. Não houve qualquer correlação estatística significativa entre quaisquer signos para definir uma maior compatibilidade entre os noivos, tanto na avaliação dos casamentos quanto na avaliação dos divórcios. Nada. Tanto os casamentos quanto os divórcios tiveram distribuição absolutamente aleatória entre os signos, demonstrando a total irrelevãncia desta suposta característica.

Lógico, aí surgiu um espertinho dizendo que a pesquisa não deu certo porque também deveria ser considerado o ascendente, visto que ele assume maior importância após os 30 anos e isso é que influenciaria a taxa de divórcios.

Para quem tem formação científica seria necessário explicar que, se o fator principal não teve influência significativa, então muito menos teria um fator secundário. Porém, como a intenção do estudo era demonstrar os fatos para um público leigo, os cientistas decidiram refazer todos os cálculos utilizando os ascendentes também.

O estudo foi ampliado e nesta segunda etapa foram buscados os registros de nascimento de cada indivíduo incluído no primeiro estudo. Para evitar novas alegações de que “o ascendente não é suficiente, tem que ver a posição da lua” e depois “a posição da lua não basta, tem que ver a conjunção de vênus com urano para descobrir se a regência do aspecto afetivo não estava em fase de retrogradação” e assim por diante ad infinitum, os cálculos foram feitos em duas etapas: a primeira levou em consideração somente o signo e o ascendente, para refutar a alegação de que era o ascendente que influenciaria os divórcios após os 30 anos; a segunda utilizaria um pesado algoritmo de análise multivariada para procurar qualquer possível relação significativa no mapa astral inteiro.

O resultado foi cabal: nenhuma relação significativa foi encontrada nem para signo e ascendente, nem para qualquer outro conjunto de características do mapa astral.

Não surpreendentemente, a publicação dos resultados deste estudo não alterou absolutamente nada do discurso dos astrólogos nem da credulidade popular na astrologia.

Segundo exemplo: homeopatia

O caso da homeopatia é imensamente mais grave que o caso da astrologia, porque enquanto a astrologia é praticada por picaretas independentes, a homeopatia é praticada por profissionais com curso superior e reconhecida como especialidade médica pelo conselho de regulamentação e fiscalização da profissão.

O princípio que rege a homeopatia é a “memória da água”. A história é longa e quem quiser saber os detalhes pode consultar os sites QuackWatch e HomeoWatch, mas basicamente o que aconteceu foi que a mundialmente famosa e respeitada revista científica Nature deu uma tremenda barriga, tão escandalosa quanto o caso do boimate, publicando um artigo não adequadamente revisto que alegava que a água manteria uma “memória” das substâncias com que tivesse entrado em contato, retendo também suas propriedades.

A Nature pouco depois reconheceu a barriga e publicou um desmentido do tal artigo, esclarecendo que nenhuma tentativa posterior de repetir os supostos resultados nele descritos foi bem sucedida, mas o mal já estava feito: toda uma pseudo-ciência foi desenvolvida para explorar as possibilidades comerciais abertas pela suposta memória da água. Afinal, os picaretas são muito inventivos e oportunistas.

De lá pra cá, inventaram que diluições maiores são ainda mais eficientes que diluições menores, violando o princípio de dependência de dosagem, inventaram que “semelhante cura semelhante”, deturpando o princípio imunitário que permite o funcionamento das vacinações, inventaram tanta besteira escandalosamente implausível e frontalmente contrária aos mais básicos e sólidos conhecimentos científicos que a única explicação possível para o Conselho Federal de Medicina ainda reconhecer a homeopatia como especialidade médica é este é um caso claro de raposas administrando um galinheiro em escala nacional.

Vá entretanto discutir isso com alguém que admira imensamente seu (curandeiro) “médico” homeopata graças às longas e atenciosas consultas, às recomendações detalhadas e ao astral positivo que ele imprime às conversas, deixando o paciente convencido de que o tratamento será bem sucedido. As próprias vítimas da picaretagem vão defender aguerridamente estes profissionais e vão garantir que (a pajelança) o tratamento funciona. É claro que funciona: homeopatas são especialistas em utilizar o efeito placebo, tenham consciência disso ou não.

Percebam que eu não imputo dolo aos homeopatas – eu reconheço tranqüilamente que muitos devem ser meros crédulos iludidos com as informações que lhes foram transmitidas por figuras com aparência de autoridade científica nas quais eles acreditavam e a quem nunca puderam questionar devido à absolutamente insuficiente formação científica de nosso péssimo sistema de ensino nacional, do ensino fundamental ao ensino superior.

O fato verdadeiramente aterrador continua sendo o vergonhoso reconhecimento  pelo Conselho Federal de Medicina de uma pseudo-ciência incapaz de provar que seus resultados sejam distintos do efeito placebo. Quem reconhece oficialmente uma picaretagem anti-científica porém lucrativa como especialidade médica tem condições morais de falar que defende a saúde da população ao invés do mero interesse econômico da categoria?

Terceiro exemplo: aleluia, irmãos!

De todos os exemplos de irracionalidade que eu posso me lembrar, poucos são mais amplamente difundidos e aceitos corriqueiramente do que certas crenças religiosas.

Não é incrível que pouquíssimos questionem o fato de que basta alguém se auto-intitular “pastor” e dizer que fala em nome de um judeu morto há dois mil anos, com base em um livro de origem duvidosa que registra fatos duvidosos supostamente ocorridos há mais de dois mil anos em outro continente, sob outra cultura, sabe-se lá com que intenções políticas ou econômicas, para que muita gente passe a seguir sem questionar as orientações destes indivíduos, chegando ao ponto de vender todos os seus bens e doá-los a eles esperando obter uma suposta Graça Divina?

Isso é a mais pura insanidade, mas pode ser assistida diariamente em praticamente qualquer lugar do país. Basta haver meia dúzia de casinhas formando uma aldeiola e lá estará uma “Igreja do Santo Dízimo Explorador de Esperanças Irracionais”.

O que mais me espanta, entretanto, é o fervor com que as vítimas defendem seus algozes e as sandices que eles proferem. Tem gente que destrói sua vida e a vida de seus familiares, repudia veementemente qualquer chamamento à mais elementar racionalidade e renuncia a qualquer possibilidade de levar uma vida digna e feliz em função da necessidade de defender uma crença absurda contra qualquer questionamento.

Essas pessoas são doentes mentais, é claro, mas não é “politicamente correto” dizer isso porque poucos questionam a diferença entre “liberdade de crença” e “liberdade de exploração de doentes mentais travestidos de cidadãos em suposto exercício do direito de liberdade de crença”.

Graças a essa confusão vergonhosa, tem gente por aí jurando que mulher peluda vestida como saco de batata agrada a Deus, que salvar vidas doando sangue é errado e que negar o exercício da plena cidadania a outras pessoas em função de mitos anacrônicos de povos alienígenas quanto à sexualidade é algo razoável.

Como tem otário nesse mundo.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 13/05/2010

17 thoughts on “Crença, ignorância e irracionalidade andam de mãos dadas

  1. Querido amigo,eu sou uma campesina das cochilhas do Rio Grande.
    Minha mãe,como todas as mulheres daquela região,fazia parto rezando nas barrigas das mulheres,rs.
    Rezava para N.S do Bom Parto.Invocava a ajuda dos espíritos,quando via que algo podia não dar certo.
    Minha mãe rezava com brasa,com raminho vede e com espada de São Jorge.
    Curava com chás,unguentos e um balaio de coisas altamente questionáveis.
    Eu não posso provar o que sei,mas te asseguro que a fé pode remover montanhas.
    Te garanto que milagres existem,basta acreditar neles.
    E se te disser que “sinto” a energia das coisas,vais me chamar de maluca,rs.
    Não vejo espíritos,nem falo com eles,mas eu sinto quando eles estão por perto.
    Não posso provar,mas a prece tem sido minha “panacéia” nos últimos vinte anos.
    Uma poderosa panacéia,devo dizer.
    Faço parte daquela multidão
    que reza,que usa o símbolo da cruz e que invoca a força dos anjos.
    Quando eu estava na mesa de cirurgia, eu vi a equipe espiritual que acompanha meu médico.
    E eles se deixaram ver porque, pedi ajuda aos espíritos, com toda força e fé do meu coração.
    Faço meditação com a chama violeta e já resolvi muitos dos meus medos com ela.
    A fé e a esperança não fazem parte do mundo racional, nem das ciências exatas.
    Essas coisas fazem parte do mundo invisível que nos rodeia.
    Acredito nos mestres espirituais tanto quanto acreditava no abraço protetor de minha mãe.
    O abraço de minha mãe afastava os pesadelos,rs.
    O mundo mágico da fé e da esperança só é acessível
    aos que ousam desafiar a ciência.
    O mundo da espiritualidade está fechado para os que sabem tudo.
    Mas está aberto para aqueles que sabem que existe muito mistério entre nascimento e morte.
    E que a ciência com toda sua lógica, não sabe como gerar vida.
    A ciência sabe como alterar uma semente,mas não sabe fazer a semente.
    Ela sabe como o coração funciona,mas não sabe como fabricar um coração vivo.
    A ciência sabe como prolongar a vida,mas não sabe como obrigar uma pessoa a amar outra.
    A ciência não tem meios de ir aonde a fé e a esperança vivem.
    A ciência é boa,mas a fé e a esperança é que salvam os sonhos.
    E se ter fé e esperança é ser louco e otário…..eu fico do lado dos loucos e otários,rs.

    1. Lya, a busca da Verdade deve nos levar em primeiro lugar ao abandono da superstição. É bem possível que as rezas com Espada de São Jorge da tua mãe tenham mesmo produzido algum efeito: isso se chama efeito placebo, é algo conhecido pela ciência.

      Discordo radicalmente que a fé e a esperança advenham do desafio à ciência. A fé e a esperança advém do desconhecimento. Quando se sabe, não há sentido em ter fé ou esperança, porque o resultado é conhecido.

      A ciência não sabe se existe ou se não existe um mundo espiritual. A ciência não possui ferramentas para investigar muitas das alegações dos místicos. O que a ciência sabe é que muitas das alegações dos místicos são falsas, seja porque contrariam a lógica, seja porque contrariam a física, e para investigar a ponto de poder afirmar isso a ciência possui ferramentas de primeira qualidade.

      Observa bem e verás que eu critiquei justamente quem usa de misticismo e superstições para finalidades que estão muito longe de serem positivas.

  2. Caro Artur,

    Gosto quando você questiona ideologias, expõe suas falhas e tal. Mas não caia na tentação de generalizar as coisas.
    Talvez não tenha sido sua intenção, mas foi o que senti no segundo parágrafo do terceiro exemplo.

    Sem ter a intenção de provocar, faço referência a um texto antigo: é preciso separar, antes de tudo o joio do trigo.

    Concordo que existem pessoas que, por não terem capacidade de discernimento, seja por serem psicologiamente frágeis, seja por terem pouca instrução, seguem essas doutrinas abomináveis, que você cita no final do texto. Também concordo que há quem explore essas mesmas pessoas.

    Há, porém, outro tipo de pessoas. Pessoas que seguem um caminho não porque estão sendo manipuladas por interesses de algum mentor, mas porque descobriram uma Verdade que é maior que tudo nessa vida.

    Pessoas que não negam sua fé, mas tem capacidade de discernir entre o que é ético ou não.

    Pessoas que, por mais que creiam que estão neste mundo só de passagem, amam os próximos como a si mesmos. Se importam com as questões políticas e sociais. Se importam com a família. Se importam em construir um mundo melhor.

    Eu estou entre estas pessoas.

    1. Teles, meu caro, observa o título do artigo e perceberás que ele foi alterado. Após “crença” havia a palavra “fé”, resíduo de uma terrível falha de revisão. Não que eu considere “fé” uma coisa necessariamente boa, mas não era cabível a palavra no contexto da crítica do artigo.

      Sim, é necessário separar o joio do trigo. O problema é que eu tenho visto muito mais joio do que trigo na seara cristã, há muito tempo.

      As “doutrinas abomináveis” citadas no final do artigo são apenas a ponta do iceberg (existe palavra em português para “pedrão de gelo à deriva”?), mas de modo geral a cristandade está doente.

      A minha Bíblia tem apenas duas páginas: uma com a Parábola do Bom Samaritano e outra com a Parábola dos Talentos. Dito de modo bem simplificado, fazer ativamente o bem ao próximo e esforçar-se por fazer bem feito e multiplicar o bem.

      Não é isso que eu encontro em todas as denominações cristãs com que entro em contato.

      Eu vejo um apego imenso a doutrinas absurdas, selecionadas a partir do texto bíblico conforme a conveniência.

      No mesmo Livro do Levítico temos a condenação à homossexualidade e a obrigatoriedade de apedrejar até a morte quem trabalhar ou acender fogo aos sábados. Qual o critério para dizer que uma das determinações do próprio Deus ainda é válida e a outra não?

      Se focarmos nossa análise no Novo Testamento, veremos que a cristandade inteira deveria ir para o inferno. Quase nada do que foi ensinado por Jesus Cristo é ativamente praticado pelos cristãos. Vou usar o mesmo exemplo do parágrafo anterior. Silas Malafaia disse no Congresso Nacional que a homossexualidade se compara à zoofilia, sem o menor respeito ao público homossexual. O papa Bento XVI disse em Fátima que as uniões entre pessoas do mesmo sexo são um perigo para a sociedade. Aí eu pergunto: esses dois estão agindo como Jesus Cristo ensinou na Parábola do Bom Samaritano? Esses dois estão agindo como Jesus Cristo agiu quando levaram uma adúltera a Sua presença para que Ele a julgasse? Ou esses dois estão pervertendo a essência dos ensinamentos de Jesus Cristo, agindo de modo a causar o mal para quem só quer viver em paz sem prejudicar ninguém?

      Se existe uma Verdade Espiritual, assim com maiúsculas, ela não está contida em nenhum livro “sagrado”, ela está ao alcance de todo ser humano que A busque na prática do Bem. Não é isso que eu vejo na cristandade, nem em inúmeras outras religiões. Eu vejo dogmas, ritos e interesses materiais superarem em muito qualquer verdadeira busca pelo crescimento espiritual.

      Pessoas como as que tu descreveste são pessoas espiritualmente saudáveis. Ao invés da crença supersticiosa de que “professar o nome de Jesus Cristo” as levará ao Céu, independentemente do modo como elas tratam o cônjuge, o vizinho, o colega de trabalho e o desconhecido que cruza seu caminho, as pessoas saudáveis dizem uma palavra de incentivo ao filho, devolvem o troco correto no ônibus, conversam sobre política procurando alternativas para melhorar a sociedade e fazem uma doação para uma obra assistencial ao invés de doar para a “fogueira santa”.

      É desse tipo de gente que o mundo precisa, não dos ruminadores de preces vãs e pagadores de dízimo para picaretas. Bem-vindo ao clube. 🙂

  3. houve um tempo em que a ciência não tinha instrumentos para analisar bactérias… mesmo assim elas existiam. Quarks e positrons viajam pelo universo e há bem pouco tempo nem imaginávamos isso… mas eles existiam.

    1. Correto. Por ignorância se acreditava em explicações esdrúxulas para o que hoje sabemos ser causado por bactérias. Provavelmente hoje acreditemos em algumas besteiras que a ciência vai desvendar daqui a algum tempo.

      O que me incomoda é que tem gente que continua acreditando em besteiras que já foram explicadas ou refutadas pela ciência há tempos.

      Mas o pior de tudo é essa gente que insiste em prejudicar os outros alegando que “Deus quer assim” ou – não sei qual o mais absurdo – que “a ciência ainda não estabeleceu definitivamente um motivo plausível para que o outro seja respeitado”. (!!!)

      Já percebeste que tem muita gente que diz que não aceita a homossexualidade alegando que a ciência ainda não provou que isso é uma característica intrínseca e não uma opção? É incrível como tem poucas pessoas que percebem que, para essa gente, o homossexual só deve ser respeitado se ele não tiver escolha em ser homossexual, caso contrário ele tem que ser reprimido para se adequar à “escolha certa”. Essa gente que pensa assim é fascista até os ossos, mas ficaria ofendida de ser identificada assim.

  4. mas havia muita gente falando em microorganismos, talvez até com outros nomes, e sendo execrados pelos papas das academias de ciência. Nunca podemos descartar a possibilidade de que a ciência ainda venha a confirmar coisas que hj algumas pessoas execram. Radicalismo só serve pra homem bomba. Nazistas eram radicais. Talibãs são radicais. A ciência não pode ser. Ciência que não é aberta, não é ciência. Quanto à religião, cada um tem a que seu intelecto consegue suportar.

    1. Peraí… não confunde radicalidade com incapacidade de autocrítica e de renovação. Eu sou da opinião que a ciência tem que ser MUITO radical, mas isso tem sua explicação e não é uma defesa disso que estás chamando de radicalismo e que eu chamaria de fanatismo irracional.

      Eu comecei a escrever uma “respostinha” e virou um artigo dos bons. Creio que vou postá-lo neste fim de semana. E suponho que vais gostar, mesmo que discordes. 😉

  5. Eu não espero que acreditem no que eu acredito. Só espero que me respeitem,porque eu mereço.
    Em uma comunidade do orkut,eu fui xingada porque disse que acredito
    em vidas passadas e em anjos.
    Fui chamada de louca,porque disse que uso pedras para tirar a dor.
    Eu quero viver em um mundo onde qualquer pessoas seja livre para acreditar no que bem entender,e se outras pessoas também acreditarem…..problemas delas. Liberdade é isso.

    1. Lya, se tu disseres que acreditas que esses seres míticos existem, tudo bem, desde que não atues de maneira irracional em função desta crença. Infelizmente, não é isso que acontece.

      Tem empresa que seleciona candidato com base no mapa astral. É uma imbecilidade, o resultado é a simples aleatorização da seleção (vira sorteio) e pode preterir os melhores candidatos por candidatos que não tem qualificação adequada.

      Tem gente que seleciona namorado com base em mapa astral. Sobre isso eu já falei acima.

      Se tu usas pedras para tirar a dor de ti mesma, isso é problema teu.

      Tem gente que usa chazinho pra combater leucemia.

      Tem gente que usa preces para combater câncer.

      Se é a própria leucemia ou o próprio câncer, isso é problema deles.

      Mas e quando é a leucemia ou o câncer dos outros?

      E quando alguém convence o outro a fazer isso consigo mesmo?

      Sinto muito, Lya, mas não posso concordar com a liberdade de causar dano aos outros por motivo de crença irracional. Quem alega conhecimentos especiais que influenciam o bem estar alheio tem o ônus da prova de que isso funciona ou deve ser interditado do exercício de qualquer atividade que possa causar danos a terceiros.

      Astrologia é uma aberração sem sentido, tem um artigo aqui no blog explicando os motivos.

      Homeopatia é uma pseudo-ciência baseada em um erro de publicação de uma revista que logo retificou o erro. O fenômeno sobre o qual se baseia toda a homeopatia simplesmente não ocorre. Não poderia jamais ser aceita como especialidade médica, pois é puro curandeirismo.

      E os malucos dessas seitas ridículas que ensinam que sovaco cabeludo e roupa de saco de batata são a alegria do Senhor tinham que ser todos metralhados, se não pelo mau gosto, então pra evitar a transmissão dos genes deles adiante… vai que esse nível de alienação é hereditário, não devíamos correr o risco… 😛

      Religião só deveria poder ser ensinada depois que o indivíduo tivesse sólida formação científica e pelo menos 18 anos, pra ter um mínimo de maturidade para avaliar os ensinamentos e decidir se quer aquilo para si ou não. Ensinar dogmas absurdos para crianças é aproveitar-se do período de formação do superego para formar fanáticos incapazes de questionar informações irracionais.

  6. vou esperar a postagem

    1. Derivou para uma análise da meta-estrutura da ciência e sua evolução segundo Kuhn e Popper, mais os meus palpites…

      A maior parte ficou pronta de primeira, mas ainda tem umas arestas a aparar. Devo mexer de novo nisso amanhã e publicar amanhã ou no final da tarde de segunda-feira.

    2. Demorou, em função do episódio do Alex Castro, mas aqui está o artigo devidamente desbastado de suas arestas inadequadas, especialmente repetição de termos. Não gosto de publicar texto algum antes de substituir algumas expressões que costumo usar com excessiva freqüência ao rascunhar.

      Aqui está:

      http://arthur.bio.br/2010/05/19/ciencia/a-boa-ciencia-e-e-tem-que-ser-radical

  7. ashuhasuhaus… “mulher peluda vestida como saco de batata”, esse tipo de ofensa dá cadeia Arthur. rsrsrsrs

    Ao meu ver as pessoas podem acreditar no que quiserem e fazerem o que quiserem, desde que isto não prejudique ou faça mal à terceiros. – Quer fumar, vá lá, fume! – Mas não numa habitáculo com mais trocentos não fumantes.

    Porém, acredito piamente (trocadilho, rsrs) que seria muito mais proveitoso alguém, ao invés de gastar seu tempo indo em igrejas e doando parte do seu salário para esta (msm pq o padre precisa comer… e manter a igreja), fazer sim um trabalho voluntário em algum asilo de idosos ou crianças ou em associações filantrópicas para crianças/pessoas portadoras de necessidades especiais…

    Assim o indivíduo estaria ajudando além de si próprio a muitos outros com um resultado muito melhor para a sociedade a longo prazo do que ficar rezando e pedindo e pedindo a uma entidade superior (seja qual for que acredite) e agradecendo a este no final o que já conseguiste (por capacidade própria), só para ficar mais aliviado de tanto pedir.

    Portanto, acredite em si, tenha auto-respeito e amor próprio, desenvolva e evolua sua integridade e compaixão pelos outros; e mais importante ainda faça algo pelos outros, algo consistente, sem ficar dependendo de pedidos feitos ao sobrenatural. Seja consciente, presente e procure se melhorar a cada dia, sem ilusões!

    1. Alex, eu já vi brigas homéricas em comunidades do Orkut por causa de questões estúpidas do tipo se usar batom é pecado ou se Adão tinha umbigo. Eu não subestimo a capacidade do ser humano ser burro. Mas tem coisa por aí que até um Equus asinus identificaria como charlatanice e tem gente que defende com garras e dentes. Aí é cruel.

  8. Eu também parei na parábola do bom samaritano. Mas citar o Malafaia para defender os homossexuais S/A não coisa de humandades? A ciência explica.Ah, e a liberdade individual de crer ou não crer em alguma coisa é um preceito bem liberal, algo propagado pelo charlatão-economista mor Smith (mais humanidades). O mundo é complicado mesmo.

  9. O conhecimento é maldito » Iconoclastia Incendiária

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