A radicalidade é fundamental para que a ciência possa progredir. Há certos princípios que, uma vez estabelecidos, não podem voltar a ser questionados até que se esgotem todas as possibilidades de avanço dentro daquele quadro conceitual. Se os chamados paradigmas da ciência fossem contestados diariamente, a ciência voltaria sempre ao bê-a-bá e teria sempre que reinventar a roda. Por outro lado, se os paradigmas da ciência nunca fossem contestados, a ciência estagnaria perante fenômenos que não pudessem ser explicados dentro dos quadro conceitual vigente.

Thomas Kuhn definiu bem a questão da vigência e da substituição dos paradigmas na ciência em seu livro “a estrutura das revoluções científicas“. Existe o período de “ciência normal”, em que o progresso da ciência é constante sob um determinado paradigma, e o período de crise seguido de adoção de um novo paradigma, que é o que caracteriza uma revolução científica.

O que nós temos que ter em mente é que uma revolução científica, com a queda do paradigma vigente e o estabelecimento de um novo paradigma, é um evento raro,  traumático, que abala toda a compreensão de mundo da ciência. Por exemplo, quando o paradigma de um universo newtoniano foi substituído pelo paradigma de um universo einsteiniano, isso abalou a compreensão de noções profundamente enraizadas na mais básica das ciências, que é a física.

Entretanto… isso invalidou a ciência normal produzida durante a vigência do paradigma newtoniano? NÃO. O universo newtoniano não deixou de existir, nós vivemos totalmente imersos nele. Simplesmente percebemos que nossa realidade é um caso especial de um conjunto de fenômenos mais amplo, melhor abrangido pela descrição do universo einsteniano. Ciência bem feita dificilmente se mostra inválida, em geral se mostra apenas incompleta.

Por exemplo, tomemos a noção de moto-perpétuo, um equipamento capaz de gerar a energia necessária para seu próprio funcionamento contínuo enquanto produz trabalho. Isso era impossível para a física newtoniana e continua impossível para a física einsteniana, não importa o quanto aprofundemos a complexidade do estudo.

Um dia desses, no mês passado, eu encontrei um sujeito em um bar na localidade onde vou morar e começamos a conversar. O cara me contou que trabalhava com geração de energia. O assunto me interessa, especialmente no que diz respeito a energias limpas, e fiquei ouvindo o sujeito descrever um “projeto revolucionário” que havia tomado os últimos quinze anos da vida dele e um investimento total da ordem de dois milhões e meio de reais, 80% disso financiado por um patrocinador (um mecenas).

Lá pelas tantas eu percebi que o projeto dele nada mais era que um moto-perpétuo. No momento que eu percebi isso, eu disse “mas isso é um moto-perpétuo, isso não existe” e o sujeito respondeu “não existia”.

O que vocês acham que eu fiz? Valia a pena argumentar? Se após  quinze anos de pesquisas e dois milhões e meio de reais investidos o sujeito ainda não percebeu que está em busca do absolutamente impossível, não vou ser eu quem vai se estressar tentando esclarecer para ele as leis da termodinâmica. Eu passaria por reacionário, inimigo da evolução da ciência, obtuso, etc. Então eu simplesmente disse que queria ver em funcionamento a tal máquina que ele está construindo. Adivinham o que ele respondeu? Pois é: “ainda falta resolver alguns detalhes”. Arrãm.

É por isso que a ciência precisa ser radical em defesa de seus paradigmas. Este sujeito está jogando fora toda a sua vida e sua inventividade quixotescamente. Ele jamais construirá um moto-perpétuo, posso afirmar radicalmente sem medo de errar. Aliás, se eu estiver errado nisso, então toda a física produzida desde sempre terá que ser descartada e teremos que recomeçar a estudar a física partindo novamente do zero. Alguém acredita que isso irá acontecer?

Para por abaixo um paradigma científico deve haver um problema muito importante e insolúvel segundo o paradigma vigente que seja bem explicado segundo uma concepção teórica distinta porém consistente e robusta, ou seja, sem falhas lógicas internas e com alto poder explicativo.

Assunto completamente diferente são as descobertas realizadas no contexto da ciência normal, por mais fantásticas que sejam. Por exemplo, a clonagem da ovelha Dolly não derrubou nenhum paradigma científico, pois tudo que foi feito para obter aquele resultado seguiu a cartilha tradicional das ciências biológicas, não tendo ocorrido nem sequer a formação de novos conceitos. Tratou-se tão somente de um avanço da ciência normal, por mais fantástico e emocionante que tenha sido, por mais divisor de épocas que tenha sido.

Bem, quer dizer que boa ciência é somente a ciência normal?

Não.

Este é o momento adequado de observar a crítica de Karl Popper às idéias de Thomas Kuhn, expressas no Colóquio Internacional sobre Filosofia da Ciência de Londres, em 1965, sob o título “a ciência normal e seus perigos“.

Popper desde o princípio deixa claro que não está interessado em discutir o vocabulário utilizado para descrever os fenômenos e sim os fenômenos em si, por isso traça paralelos entre o vocabulário usado por Kuhn e seu próprio vocabulário. Ele reconhece a existência da “ciência normal” como definida por Kuhn e em conseqüência a existência de uma “ciência extraordinária” que é responsável pela ruptura de um paradigma. O que Popper não reconhece como válido no discurso de Kuhn é que a “ciência normal” seja de fato “o normal da ciência”.

A crítica de Popper possui dois eixos principais.

O primeiro é que, ao contrário do que sugere a descrição linear de Kuhn, com seu sistema de “ciência normal – crise – ruptura – novo paradigma – nova ciência normal”, não é impossível o diálogo entre cientistas que trabalham sob paradigmas diferentes, mas apenas difícil devido às diferenças tanto de vocabulário quanto de enfoque para a abordagem dos problemas, tendo havido ao longo da história proveitosos debates entre teorias concorrentes.

O segundo e muito mais importante é que, ao condicionar o desenvolvimento da ciência à aceitação das teorias científicas pela comunidade cientítifica, Kuhn estabelece um relativismo entre o que seja boa ciência e a dinâmica psicológica ou sociológica da comunidade científica, o que é temerário e irracional.

Sobre o primeiro eixo da crítica popperiana eu tenho uma ressalva a fazer: no meu modo de ver, Popper e Kuhn não discordavam entre si, tendo sido traídos pelo vocabulário que usavam e talvez pela excessiva formalidade usual no debate entre acadêmicos do porte de ambos.

Penso que a estrutura proposta por Kuhn é válida dentro da escola regida por um paradigma, enquanto a crítica de Popper é válida no contexto de distintas escolas científicas que trabalham cada uma regida por um paradigma e que coexistem e dialogam entre si. O ferramental e a metodologia de uma escola pode ser incompatível com os de outra, como diz Kuhn, mas isso não impede que dialoguem, como diz Popper. Ambos estão corretos em suas afirmações.

Isso não deve ser interpretado, é bom que fique claro, como se houvesse a possibilidade de duas diferentes escolas científicas estarem simultaneamente corretas enquanto fazem afirmações contraditórias. O que estou falando é que é possível desenvolver simultaneamente programas de pesquisa baseados em premissas contraditórias. Porém, neste caso necessariamente um deles estará equivocado. (Não é o caso entre a física newtoniana e a física einsteniana, pois aquela é um caso particular desta. É o caso entre a teoria do éter e a teoria da relatividade restrita, que utiliza o conceito de vácuo, pois uma exige a negação da outra e não podem estar ambas corretas ao mesmo tempo.)

Sobre o segundo eixo da crítica popperiana, alinho-me a Popper. Tanto quanto Popper, (acredito) tenho a convicção de existir apenas e tão somente uma única verdade, absoluta, objetiva, à qual podemos nos aproximar e da qual podemos nos afastar independentemente de nossas preferências, desejos e expectativas, dependendo tão somente de nosso conhecimento, seja a verdade agradável ou desagradável, desejável ou deplorável. Portanto, a adesão ou não adesão da maioria dos cientistas, ou mesmo de todos, a uma determinada teoria, não é critério razoável nem defensável para estabelecer seu conteúdo de verdade, que permanece ou inexiste independentemente de conhecimento, preferência ou consenso humanos.

Quando descreve uma revolução científica como um grande movimento dos membros de uma comunidade científica abandonando um paradigma para apropriar-se de outro, Kuhn relativiza o conteúdo de verdade da ciência a um fenômeno psicológico ou sociológico, o que é logicamente inadequado. Ainda que todos os matemáticos passassem a afirmar que dois e dois são cinco, publicar tal aberração em periódicos indexados e ensinar isso nas universidades, tal movimento da comunidade científica não tornaria maior o conteúdo de verdade da matemática.

Popper repudia essa relativização e critica fortemente o recuo para a esfera da psicologia e da sociologia para estabelecer as metas da ciência ou definir seu possível progresso.

Cotejadas com a física, a sociologia e a psicologia estão cheias de modas e dogmas não-controlados. A sugestão de que podemos encontrar aqui algo parecido com uma “descrição pura, objetiva” está claramente equivocada. Além disso, como pode o retrocesso a tais ciências, a miúdo espúrias, ajudar-nos a resolver essa dificuldade? (…) E a quem desejam consultar: ao sociólogo (ou psicólogo, ou historiador) “normal” ou ao “extra-ordinário”? (Popper)

“Modas e dogmas não-controlados” como crítica à incapacidade destas ciências para compor um quadro conceitual consistente contra o qual cotejar as sub-disciplinas e relativo ao qual se pode fazer juízo de adequação. Chegamos portanto ao ponto de convergência que eu queria explicitar entre Kuhn, Popper e eu: a característica que em Kuhn se expressa como consistência relativa ao paradigma, em Popper se expressa como rigor lógico e que eu prefiro chamar de radicalidade científica.

“Radical” vem de “raiz”, sendo o vocábulo metaforicamente utilizado para implicar um senso profundo de compromisso com um ideal, ou com os fundamentos ou alicerces de um sistema de valores. Sem esta radicalidade, o sistema desmorona, minado por suas próprias incongruências e vícios.

Para explicar por que prefiro essa terminologia, recorro mais uma vez às palavras de Popper:

“Claro está que eu nem sonharia brigar por causa de um termo. Mas gostaria de sugerir que poucos cientistas lembrados pela história da ciência foram “normais” no sentido de Kuhn, se é que houve algum que o fosse.” (Popper)

Interessantemente, todos estes citados por Popper possuíam um radical compromisso com a boa ciência, aquela cujas conjecturas são realmente ousadas em busca do descobrimento de novas explicações relevantes para o entendimento da realidade porém cujos mecanismos de detecção de erro são imensamente rigorosos e obstinados. A boa ciência é inimiga de frivolidades, superstições, noções vagas, pressupostos ocultos e explicações ad hoc.

Este é o fulcro da minha crítica aos pretensos “revolucionários da ciência” que supõe poder superar todo o corpo de conhecimento de ciências muito bem estabelecidas criando uma máquina de moto-perpétuo e aos pretensos “libertários da ciência” que pensam que estão produzindo alguma contribuição significativa aderindo a correntes de pensamento político ou filosófico totalmente incapazes de atender a critérios de cientificidade nem sequer minimamente consistentes.

Uma figura do porte de Popper pode dizer com todas as letras que a psicologia, a sociologia e a história sejam disciplinas “a miúdo espúrias”, a quem recorrer seria “retrocesso”, sem se preocupar com os faniquitos que isso provocará entre psicólogos, sociólogos e historiadores.

O que preocupa a mim, um anão sobre os ombros deste gigante, além do fato de que poucos conhecem ou reconhecem a sabedoria das palavras dele, é o fato de muitos terem faniquitos não quando se critica disciplinas com certo prestígio acadêmico, mas quando se critica esta ou aquela picaretagem sem o menor fundamento racional ou plausibilidade, que melhor faríamos eliminando totalmente da história futura da humanidade.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 19/05/2010

25 thoughts on “A boa ciência é e tem que ser radical

  1. Olá Arthur,

    Bem, eu gostaria de criticar a sua visão de radicalidade. Principalmente no que tange a determinismo. Prigogine explica muito bem no seu livro “O fim das certezas” o qual te recomendo -com certa veemência (hehehe).

    Tanto quanto Popper, tenho a convicção de existir apenas e tão somente uma única verdade, absoluta, objetiva, à qual podemos nos aproximar e da qual podemos nos afastar independentemente de nossas preferências, desejos e expectativas, dependendo tão somente de nosso conhecimento, seja a verdade agradável ou desagradável, desejável ou deplorável.

    Nesta afirmação você recusa todo o avanço ocorrido na física moderna no último século e perde a perspectiva de que, longe da situação de equilíbrio, um sistema não apresenta padrão determinístico, mas sim probabilístico. O demônio de Laplace falha conceitualmente ao modelar, por exemplo, situações de turbulência.
    Falando do meu dia-a-dia, pelo incrível que pareça, grande parte dos avanços que vislumbramos hoje em Mecânica dos Fluídos se deve a correlações matemáticas obtidas de modelos em bancada de laboratório, portanto de maneira empírica. Com os dados obtidos em experimento, variando geometrias, velocidades e demais parâmetros (o que chamamos de condições de contorno) e de porte de instrumentos de medição cada vez mais sofisticados, é possível estabelecer padrões de comportamento. Note a força disso, não é a partir da forma integral de uma lei que se determinamos o formato de uma asa ou a pá de um ventilador, mas a partir de correlações matemáticas.
    Não é por menos que pagaremos bilhões aos franceses para que nos ensinem a produzir caças… porque há muitos anos eles investem (já que, diferente de nós, a França é um país sério e que investe pesado em pesquisa), em laboratórios e em recursos humanos de maneira que acumularam conhecimento tal que os possibilita estar na vanguarda tecnológica da aviônica.
    Grupos adimensionais tais como os índices de Reynolds, Prauldt, Bond, Eckert, Fouriet, Fourrier, Grashof, Colburn, Jacob, Lewis, Nusselt, Peclet, Scherwood, Stanton, Weber… e outros… e note que estou “restrito” às ciências térmicas, garantem a repetibilidade de certas correlações matemáticas (obtidos de forma empírica), num determinado domínio, sob algum erro.
    O que eu quero dizer com tudo isso é que não há teoria unificadora, não há equação integral e nem previsibilidade exata de uma condição futura, quando estamos tratando de um sistema fora das condições de equilíbrio.

    Einstein estava errado quando disse que Deus não joga dados…

    E, no mais, deixa o louco com o motocontínuo dele… há outros loucos por aí que acham que o mundo consegue se desenvolver apenas com energia de fontes “alternativas” [:)]

    1. Marcus, eu não “recuso todo o avanço ocorrido na física moderna no último século” nem tampouco “perco a perspectiva de que, longe da situação de equilíbrio, um sistema não apresenta padrão determinístico, mas sim probabilístico”, porque não é disto que trata a afirmação de que “existe apenas e tão somente uma única verdade, absoluta, objetiva”.

      O que Popper e eu rejeitamos é a noção de que “a verdade” seja relativa, ou seja, que a realidade possa ser descrita de modo contraditório e ainda assim permanecer consistente. Paradoxos lógicos não ocorrem na física. Um evento específico ou ocorre, ou não ocorre. O gato de Schrödinger não está meio vivo e meio morto até que a caixa seja aberta. O próprio Einstein reconheceu isso em uma carta a Schrödinger.

      Do mesmo modo, o fato de não conseguirmos determinar ao mesmo tempo a posição e a velocidade de uma partícula subatômica não quer dizer que a partícula em questão não possua uma posição e uma velocidade.

      O apelo ao cálculo probabilístico pode ser o limite último da capacidade de modelagem da realidade, mas não estabelece um limite para a estrutura da própria realidade. Pode muito bem ser que a estrutura última do universo simplesmente não seja acessível à descrição científica. Aliás, eu tenho convicção de que este é o caso, e invoco o Teorema da Incompletitude de Gödel em suporte da minha afirmação: nenhum sistema lógico consistente pode descrever a si mesmo, logo não pode existir no universo uma descrição consistente do próprio universo.

      Ironicamente, pode até ser que o Stephen Hawking – ou algum outro “crânio” – consiga elaborar uma “teoria de tudo” correta, mas jamais poderemos ter certeza disso, porque ela não poderá ser provada. Se for provada correta, é porque está errada. 🙂

      Nem Popper nem eu somos positivistas lógicos. 😉

    2. Quanto a deixa o louco com seu moto-perpétuo, foi isso que eu fiz. Não adianta discutir com maluco. É por isso que eu não vou discutir contigo sobre a evidente possibilidade e total desejabilidade de desenvolver a economia utilizando apenas energias derivadas da solar. 🙂

      Hehehehe…

  2. Acho que ganhei uns 10 pontos de QI lendo este artigo, hehehe.

    Talvez o cara do bar tenha incorporado os conceitos da Lei da Atração ao projeto dele. Você não devia recriminá-lo. Vai que ele reinventa a Física e depois joga na sua cara. 😀

    Arthur, já considerou ativar o “leia mais” nos posts que aparecem na página inicial do blog?

    1. Teles, tomei a liberdade de editar teu comentário para corrigir a formatação do HTML, creio que agora está como pretendias.

      Lei da Atração? Fala sério… Aquela picaretagem intitulada “O Segredo” é insuportável. O pessoal que acredita naquilo fica abilolado. Já deixei de falar com pelo menos duas pessoas que sempre que alguém está analisando um assunto criticamente interrompiam para pedir pro pessoal “não contaminar o ambiente com más energias”. Não dava pra falar *nada* exceto papo-alienado-de-seicho-no-iê que elas vinham dar sermão sobre “energias positivas”. Tamanha era a produção de abobrinhas que eu não tive paciência para aturar mais as criaturas…

      Ué, o “leia mais” está ativado! Basta clicar em [Ler texto completo] para continuar a ler os textos do blog. Em geral eu só deixo os três primeiros textos completos na página inicial e vou inserindo a tag “more!” (“leia mais”) conforme vou publicando novos artigos. Não entendi… o que exatamente sugeres?

  3. O apelo ao cálculo probabilístico pode ser o limite último da capacidade de modelagem da realidade, mas não estabelece um limite para a estrutura da própria realidade. Pode muito bem ser que a estrutura última do universo simplesmente não seja acessível à descrição científica. Aliás, eu tenho convicção de que este é o caso, e invoco o Teorema da Incompletitude de Gödel em suporte da minha afirmação: nenhum sistema lógico consistente pode descrever a si mesmo, logo não pode existir no universo uma descrição consistente do próprio universo.

    o fato de não conseguirmos determinar ao mesmo tempo a posição e a velocidade de uma partícula subatômica não quer dizer que a partícula em questão não possua uma posição e uma velocidade.

    Não é uma questão de sofisticação de instrumentos de medição…

    http://en.wikipedia.org/wiki/Wave%E2%80%93particle_duality
    http://en.wikipedia.org/wiki/Scattering_theory
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_da_incerteza_de_Heisenberg

    1. Eu sei que não é uma questão de soficticação de instrumentos de precisão. Olha bem o que eu disse: “nenhum sistema lógico consistente pode descrever a si mesmo, logo não pode existir no universo uma descrição consistente do próprio universo”. Isso não tem a ver com instrumental, é uma impossibilidade lógica.

  4. Arthur, não se surpreenda com a pergunta, talvez inusitada. Pra você, o que é a mediunidade e o que é a reencarnação.

    1. São duas coisas que eu não sei se existem e que infelizmente não há instrumental científico para investigar. Por quê?

  5. se não há instrumental científico elas deixam de existir?

    1. A pergunta correta é outra: se não há prova de que essas coisas existem, com base em quê alguns alegam que elas existem?

      O ônus da prova é de quem alega que algo existe ou ocorre, caso contrário eu poderia alegar que fadas, gnomos, duendes, sacis-pererês, mulas-sem-cabeça, lobisomens, vampiros, bule das almas, unicórnio rosa invisível e monstro de espaghetti existem e poderia exigir reconhecimento de todas estas coisas e das mitologias que as rodeiam em pé de igualdade com os fenômenos verificáveis e com as leis da física.

      Assim que alguém me apresentar uma prova de que a mediunidade e a reencarnação existem, não terei problema algum em reconhecer estes fenômenos. Até lá, não vejo motivo algum para reconhecer conteúdo de verdade nas alegações de existência destes fenômenos, nem tampouco para reconhecer ponderação nas atitudes baseadas na suposição de que eles existam.

  6. É que na página inicial, como agora, às vezes fica um postão, demanda muita rolagem até chegar ao anterior. E se forem três postões, demora muito mais pra chegar aos posts passados.

    Sugestão à toa.

    1. Isso me incomoda também.

      Há duas alternativas para resolver esse problema:

      1) Posso colocar uma widget de posts recentes na coluna da direita, assim seria possível acessar diretamente os primeiros dez ou quinze posts. O problema é que o blog já teve essa widget instalada e as estatísticas mostravam que ninguém clicava nela. Como ela consumia bastante espaço MySQL e não estava sendo útil, eu a removi.

      2) Posso colocar na página inicial somente o parágrafo introdutório de cada artigo, mas acredito que isso faria muita gente deixar de ler os artigos, por pura preguiça. Internauta gosta de tudo mastigadinho. Além disso, a cada vez que alguém lesse um artigo, teria que retornar à página inicial e carregá-la novamente para ter acesso aos demais artigos, gerando tráfego inútil.

      Nenhuma destas soluções me parece adequada.

      O que eu poderia fazer para contornar esse problema seria manter visível apenas o primeiro parágrafo de cada artigo que ficasse muito longo, mesmo que ele estivesse no alto da página, mas creio que isso diminuiria as chances de alguém ler os seguintes devido ao mesmo problema de ter que voltar à página inicial.

      Não existe o equivalente à tag “more” que force a abertura do artigo completo em outra janela/aba? Isso resolveria o problema de ter que recarregar a página inicial novamente, então eu poderia adotar a estratégia de apresentar somente o primeiro parágrafo de cada artigo longo sem reduzir tanto as chances de leitura dos artigos seguintes.

      Levar um blog a sério é mais difícil do que parece, né?

  7. Não, a pergunta correta é essa mesma. Há não muito tempo, como falamos em outros comentários, não havia microscópios, então, se seguirmos sua lógica, não havia bactérias.
    Estamos evoluindo, meu caro, e, embora sempre exista os embusteiros que se aproveitam da facilidade popular em crer, há gente séria estudando o que ainda não é possível mensurar com os instrumentos atuais.
    quando eu falo da radicalidade da ciência, considero que precisa haver menos preconceito, mais abertura para novas possibilidades, mais humildade, pois ainda há muito o que se aprender sobre esse universo em que estamos mergulhados.

    1. Não, a inexistência de microscópios não implicava a inexistência de bactérias. A hipótese bacteriana era uma hipótese testável para uma série de fenômenos verificáveis como a fermentação, o apodrecimento e certas doenças, ainda que na ausência (temporária) de instrumentos específicos capazes de testar a hipótese.

      Do mesmo modo, o desvio da luz pela gravidade era uma hipótese testável ainda que tivéssemos que esperar a ocorrência de um eclipse para fazer o teste.

      O problema com a hipótese mediúnica e com a hipótese reencarnacionista é que não há modo de testá-las nem fenômenos verificáveis que justifiquem a formulação de tal hipótese.

      Quem souber de tais fenômenos está perdendo tempo, deveria tratar de ganhar o milhão de dólares que James Randi oferece a quem conseguir provar que eles existem:

      http://www.randi.org/site/index.php/1m-challenge.html

      Observa o exemplo da acupuntura: ninguém sabe como a acupuntura funciona, sabemos que a explicação dos meridianos e quejandos é uma explicação instrumental (ou seja, não é realista, mas mimetiza suficiente bem uma explicação que permite um certo grau de controle sobre o fenômeno), mas existe suficiente comprovação de que seu efeito é distinto do efeito placebo, então tem alguma coisa ali, apesar de não ser o que os acupunturistas afirmam!

      Quando me falam de mediunidade e de reencarnação, eu fico na expectativa de que me mostrem pelo menos que tem alguma coisa ali, para poder conferir a estes supostos fenômenos pelo menos o grau de “fenômenos a serem investigados”, mas até o presente momento eu desconheço provas que alcem estes supostos fenômenos a essa categoria.

      Aliás, eu e James Randi desconhecemos, pois ninguém ganhou ainda aquele milhão de dólares. Mas é lógico que já surgiu a “explicação” de que um “verdadeiro médium” não se interessa por dinheiro, apesar de todos eles aceitarem alegremente doações em dinheiro para financiar suas obras de caridade…

    2. Acho que até dá pra elaborar testes que comprovem, ao menos parcialmente a mediunidade. Tipo, perícia grafotécnica nos escritos de um morto, ou obtenção de informação privilegiada desse morto. O cara escreve algo, lacra e depois de morto comunica a um médium. Ou pelo menos olha pra algo escrito em outra sala e comunica ao médium. (essa seria fácil e daria pra fazer em tempo real). O problema é que não vi nada assim até agora.

      Já a reencarnação tem algumas pesquisas interessantes. Mas dá muito mais trabalho pesquisar.

  8. A resposta é esta: uma loucura vivida por um indivíduo e simplesmente isto, uma loucura isolada; um loucura compartilhada pode não ser uma loucura, existindo ou não equipamentos que avaliem e dimensionem o fenômeno. O fato é que quando duas ou mais mentes participam sensorialmente de uma experiência ela passa a ter existência no universo compartilhado independentemente de a física gostar ou não gostar disto. (E sejamos adultos: estamos todos de cara!) Sou pragmático. Um crítico das religiões, religiosos e crentes. Um descrente das verdades absolutas. Mas um ficcionista que há 60 anos observa e pensa. E digo: perdi a conta das vezes que já fui obrigado a dizer junto com outras pessoas: “E agora? Alguém aí arrisca uma explicação para o que aconteceu?”

    1. Loucura compartilhada para mim continua a ser loucura. Olha o que tem de gente que se mata uns aos outros na Irlanda e no Oriente Médio porque supostamente o mesmo Deus mandou uns arrebentarem com os outros em Seu nome.

      A não ser, é claro, que a mesma entidade ou um grupo de entidades tenha se manifestado dizendo coisas inconsistentes para fazer os humanos se arrebentarem uns aos outros em um imenso jogo planetário de gladiadores que morrem para deleite de observadores.

      Se partirmos do princípio que todas as crenças podem ser pura sacanagem de entidades que estão se divertindo às custas dos seres humanos, aí começa a ficar plausível a idéia de que possa haver alguma comunicação entre um suposto “outro plano” e nossa realidade.

  9. ei, Romacof, aqui, to aqui na outra ponta, mas no mesmo barco…

  10. Arthur, dá uma olhada nesse blog:
    http://www.dudewearelost.blogspot.com/

    Quando você clica em “leia mais” o script exibe o restante do conteúdo do post na mesma página.

    Será que o WordPress tem algo do tipo?

    1. Genial, isso seria muito bom. Ou um “leia mais” que abrisse em outra página. Vou ver se descubro algo assim. Se encontrares algo, avisa, por favor!

  11. “O problema com a hipótese mediúnica e com a hipótese reencarnacionista é que não há modo de testá-las nem fenômenos verificáveis que justifiquem a formulação de tal hipótese.”

    O que vc leu até hj a respeito do assunto?

    1. Muita coisa ao longo de muitos anos, mas a principal informação entre todas é esta: “To date, no one has passed the preliminary tests.”

      http://www.randi.org/site/index.php/1m-challenge.html

      😉

  12. então é melhor não discutir.

    1. Dizem que, neste aspecto, futebol e religião se igualam. 🙂

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