Eu pensava que histórias bizarras como esta tinham necessariamente que ser inventadas… até me inteirar dos detalhes da história de Leonardo e Mariana durante minhas últimas férias. Respirem fundo (com o perdão do trocadilho que depois vocês vão entender) que a história é longa mas interessante.

Este artigo é  baseado em fatos reais.

Eu conheci Leonardo em um camping de Florianópolis no ano de 1987. Sem duplo sentido, o cara armou a barraca na minha frente e em função disso começamos a conversar de vez em quando. Minhas férias terminaram, voltei para Porto Alegre e só fui reencontrar Leonardo novamente no ano 2000, por acidente, andando de ônibus em Floripa. Batemos um papo e nos perdemos novamente até 2006, quando tivemos um novo encontro fortuito, novamente em um ônibus, numa das raríssimas vezes que usei esse meio de transporte desde 2002. Pois nestas últimas férias, passando por uma parada de ônibus, reconheci Leonardo, parei e ofereci uma carona. Foi então que fiquei sabendo da maluquice que passo a relatar.

A origem de tudo

Leonardo conheceu Mariana, uma baiana que veio estudar no sul, um pouco antes daquele verão em que nos conehcemos acampando. Sem que ele soubesse, Mariana se apaixonou por ele. Ninguém sabe exatamente por que cargas d’água, mas Mariana se tornou uma grande amiga de Leonardo e nunca se declarou. Leonardo, por sua vez, apaixonou-se por outra garota, declarou-se e começaram a namorar. Mas aparentemente isso não abalou a amizade com Mariana. Aparentemente.

Mariana começou a namorar o melhor amigo de Leonardo. Esse é o tipo de coisa que me faz lembrar daquela frase do Faustão: “vê se isso tem como dar certo!” E logo em seguida a gente vê uma videocassetada. Pois foi no que deu.

O namoro de Leonardo passou por fases boas e ruins, até que um dia ele se separou da namorada “para sempre”. Saiu para passear com Mariana. Ela disse que não estava mais namorando, que isso também era definitivo, vai daqui, vai de lá, e os dois amigos terminaram a noite em um motel.

Não vou contar os detalhes, é claro, mas pela descrição de Leonardo a semana seguinte foi bem intensa e interessante. O problema é que a separação de Leonardo não tinha sido tão definitiva assim. A recém-ex-namorada voltou, alguns anos de relacionamento pesaram mais do que aquela semana, ele reatou com a ex. E Mariana? Reatou com o ex também.

Viagem no tempo

Vinte anos depois, Leonardo e Mariana se encontraram por acidente, curiosamente também em um ônibus. Deve ser sina do Leonardo encontrar gente em ônibus. Sentaram lado a lado, sem perceber, até que de repente se reconheceram. Refeitos da surpresa, começaram a conversar e colocar em dia as informações de duas décadas passadas. Leonardo continuava solteiro. Mariana estava casada e tinha um filho. Trocaram telefones, combinaram se falar de novo “um dia desses”.

No dia seguinte, passaram algumas horas pendurados ao telefone. Mariana finalmente confessou que sempre fora apaixonada por Leonardo. Um dia depois, encontraram-se novamente. Leonardo, devido à revelação, passou a olhar Mariana com outros olhos. A relação dos dois pegou fogo muito rapidamente.

Mas peraí, Mariana não era casada?

Bem, avaliem vocês se aquela relação pode ser chamada de casamento.

O “casamento” de Mariana

A informação que tenho é que o casamento de Mariana há muitos anos era um casamento de fachada, devido à doença mental do marido. Segundo o relato da própria Mariana, com quem tive looooongas conversas nestas férias, o marido há muitos anos perdeu completamente o interesse pelo sexo, pela família, pela vida social e por qualquer coisa que não seja… fedorenta!

O marido de Mariana é enfermeiro. Ele é muito respeitado e seu trabalho muito elogiado nos dois hospitais em que trabalha, porque sempre faz questão de atender os pacientes que vomitaram ou defecaram na cama, os pacientes que estão com infecções purulentas e os pacientes que chegam com sérios problemas de higiene. Em resumo, os pacientes que ninguém quer atender porque ninguém agüenta o fedor. Mas o marido de Mariana está sempre muito bem disposto a atendê-los.

Vocês já estão achando a coisa absurda? Calma, sempre pode piorar.

O marido de Mariana praticamente só come coisas como feijão com ovo e repolho ou outras que promovam o mesmo tipo de reação intestinal que vocês podem muito bem imaginar que essa mistura provoque. Lembrem-se: ele só se interessa por coisas fedorentas. E ele dorme na mesma cama que Mariana. Mas o auge da piração vem agora.

O marido não lava o pé. Não lava porque não quer. Ele mora lá na… arrãm. Eu me empolguei.

O marido não lava o pé. Não lava as meias, também. Nem areja os sapatos. Ele gosta do cheiro de chulé. E, segundo Mariana, ele tem um chulé poderoso, daqueles de derrubar urubu do céu.

Agora vocês imaginem cheirar um par de meias usado diariamente por um chulezento desses por duas semanas seguidas sem trocar. Imaginem o aroma. Deu nojinho? Não, né? Deu um nojão.

Pois imaginem três ou quatro desses pares de meias colocados dentro da fronha do travesseiro que o marido de Mariana usa para dormir. Imaginem aquela mistura concentrada de parmesão, roquefort, camembert, carniça e bafo de tiranossauro recendendo na madrugada ao lado de seus narizes. E não adianta enfiar o nariz embaixo das cobertas, porque de lá vem toda hora um vento quente temperado com feijão, ovo e repolho. Tá de bom tamanho o nojo agora?

Pois é a isso que Mariana se submete nos últimos seis anos, desde que nasceu seu filho e seu marido começou a apresentar essa “exótica” preferência.

O desespero de Leonardo

Eu sei o que vocês estão pensando neste momento: “mas como é que essa mulher consegue continuar casada com um homem assim?!”

Gente, eu não entendo. E o Leonardo muito menos.

Quando o Leonardo se inteirou de todos os fatos, ele convidou Mariana para abandonar essa situação absurda e ir morar com ele. A resposta foi “não”.

Indignado com os abusos que Mariana sofria, um Leonardo exasperado perguntou se ela não achava isso tudo inaceitável. A resposta foi “não”.

Mas o que levou Leonardo à loucura foi a continuação da resposta: “inaceitável é o fato de você não aceitar as minhas escolhas, o meu tempo e o meu jeito de lidar com a situação”.

A explicação de Mariana

Mariana diz que tem muito medo de perder a guarda do filho em uma disputa judicial e que  “precisa de certas condições” para resolver sua relação com o marido.

Estas condições seriam em parte emocionais, como “estar psicologicamente preparada para a separação”, e em parte financeiras, como poder pagar um aluguel, a escola do filho (caríssima), as atividades terapêuticas extra-curriculares como a escolinha de futebol (caríssima) e o acompanhamento médico e psicológico (caríssimos).

Ela não aceita a possibilidade de receber ajuda de Leonardo porque “não quer nunca mais depender de homem algum”.

As sacadas de Leonardo

Leonardo me fez perceber quatro coisas:

Primeiro, que o marido de Mariana é perfeitamente funcional no trabalho e nas ocasiões sociais em que haja observadores desconhecidos ou pertencentes à hierarquia profissional.

Segundo, que ele mantém perfeitamente limpos e troca diariamente a camisa, a calça e o avental brancos, repetindo apenas as meias e as cuecas. (Vou poupá-los dos detalhes sórdidos quanto à “degustação de cuecas usadas”, certo, pessoal?)

Terceiro, que o salário do “maluco” é bem maior que o de Leonardo.

Quarto, que a principal fonte de problemas emocionais da criança é o péssimo relacionamento com o pai, que o ignora na maior parte do tempo e só se lembra dele para gritar e intimidar quando contrariado – o que eliminaria a necessidade de terapia extra-curricular e acompanhamento médico e psicológico caso a criança fosse afastada do ambiente inóspito e do tratamento hostil a que é submetida.

Essa última constatação quase me fez gritar “touché!”, mas Mariana mostrou-se inacessível ao argumento.

A apoteose da loucura

Quando o marido começou a pirar, Mariana abandonou o emprego de personal trainer em uma academia de musculação e foi vender perfumes em uma loja em um shopping center. Fez isso para ter uma desculpa para ir de carro para o serviço e poder terminar o expediente, tomar um banho, mudar de roupa, colocar um bom perfume, dirigir com os vidros fechados e o  ar-condicionado ligado para não pegar poeira nem suar e assim chegar em casa sempre limpinha e cheirosa, eliminando qualquer possibilidade de interesse sexual por parte do fedorento.

Quando começou a se encontrar com Leonardo, Mariana passou a inventar histórias para o supervisor de vendas, para poder sair mais cedo de vez em quando e portanto não mudar o horário de chegar em casa. Normalmente dizia que o marido teve que dobrar um plantão e não podia pegar o filho na escola, podendo assim sair uma hora e quinze minutos mais cedo.

O problema foi quando Mariana dormiu no motel em um encontro com Leonardo e acordou quase uma hora após o horário em que deveria ter chegado em casa. Havia sete chamadas no celular, que tinha sido esquecido no modo silencioso. Mariana entrou em pânico.

Leonardo não entendeu o motivo para tamanho pânico. Bastava dizer que esqueceu o celular na loja e que o trânsito estava ruim, ou que tinha ficado conversando um pouco com as meninas da cafeteria, afinal era o primeiro atraso e não havia passado nem uma hora ainda. Mas Mariana estava histérica.

Mariana tinha os olhos vidrados, alucinada, olhando para o nada, balbuciando idéias desconexas e repetindo que “não era suficiente”. Leonardo queria saber o que “não era suficiente” e Mariana disse que nenhuma desculpa seria suficiente para evitar “um grande problema”.

Leonardo pediu calma e disse que ela estava exagerando, que bastava manter a normalidade, que era perfeitamente razoável um atraso eventual por um motivo banal. Era só dizer que comeu algo azedo e precisou pasar meia hora no banheiro. Mariana disse que o marido ia perguntar “por que então você não foi ao médico?” e ficou balbuciando repetidamente “não é suficiente”, “não é suficiente”, “não é suficiente”.

Alguns minutos depois, Mariana disse que daria um jeito, pegou o carro e saiu correndo. Leonardo foi dirigindo atrás, pois o caminho era o mesmo. Imaginem a surpresa de Leonardo quando Mariana pára o carro ao lado de uma ribanceira, fecha a porta e empurra o carro morro abaixo!

A explicação de Mariana: “neste lugar não pega celular. Eu perdi o controle do carro, caí lá embaixo, por sorte não me feri mas tive medo de me mexer porque podia ter fraturado a coluna sem perceber. Só quando me acalmei foi que percebi que estava bem e subi. O carro tem seguro. Assim eu tenho uma justificativa suficiente para o atraso e só gasto a franquia.”

Close na cara de espanto do Leonardo. Fim da história.

Agora eu pergunto:

Eu entendo que uma pessoa aparentemente saudável e equilibrada possa desenvolver uma doença mental, como parece ser o caso do marido de Mariana, mas que raios pode fazer com que outra pessoa também aparentemente saudável e equilibrada se submeta a tão doentio jogo de terror e submissão com tamanho compromisso e empenho?

Outra coisa: Leonardo conhece minha comunidade Melhores Conselhos Possíveis e me perguntou o que fazer. Eu disse para ele que a última coisa que ele deveria fazer seria colaborar com a manutenção dessa loucura. Ele concordou e contou que já tinha dito isso a ela, mas que estava tão chocado com a situação que queria ouvir o que mais alguém pensa a respeito. Foi por isso que eu decidi escrever este artigo e pedir a opinião dos meus leitores.

O que vocês acham que está realmente acontecendo?

Será que a história de Mariana está bem contada? (Lembrem-se que não tenho a versão do marido dela, até porque ela diz que não posso visitá-los porque ele não recebe visitas.)

Que conselhos vocês dariam ao Leonardo?

Ironia das ironias

Pra acabar o artigo com uma risada: ironicamente, no início do casamento Mariana chamava o marido pelo apelido carinhoso de… “Cheiro”!

33 thoughts on “O marido não lava o pé. Não lava porque não quer.

  1. Tem muita coisa errada, com os envolvidos ou comigo que acho essa história bizarrísima. Enfim, ou protogonistas são malucos ou o maluco sou eu.

    Bem, se Leonardo fosse meu amigo, eu diria para ele tentar ajudar a Mariana de alguma forma, mas diria também para ele pular fora porque ela é roubada na certa.

    1. Concordo 100%, tanto é que minha primeira frase foi esta:

      “Eu pensava que histórias bizarras como esta tinham necessariamente que ser inventadas… até me inteirar dos detalhes da história de Leonardo e Mariana durante minhas últimas férias.”

      Como a história é de Leonardo e Mariana, eu não narrei o que tentei fazer. Quando conversei com Mariana, tentei fazê-la ver que a situação dela já se arrasta há tantos anos sem que ela tente fazer coisa alguma que ninguém – nem eu, nem Leonardo – vai acreditar que ela vá realmente fazer alguma coisa para se libertar dessa loucura.

      Ela diz que o problema é perder o filho. Eu já dei o prognóstico de quando ela vai se separar do marido: se ninguém agredir nem matar ninguém nos próximos doze anos, quando o guri completar a maioridade ela finalmente vai se separar.

      O problema é que aí todos terão suas vidas irremediavelmente destruídas por quase duas décadas de abusos cujas seqüelas não haverá junta de psiquiatras que resolva.

  2. Roberto Tramarim

    06/07/2010 — 20:07

    Acho que a relação Leonardo-Mariana perdeu o “bonde da história”. Explico: não que seja impossível eles terem uma relação saudável, mas a epoca propicia onde eles poderiam começar um relacionamento com mais chances de duração( nenhum deles tinha filho, não havia o “pé-sujo”, etc…) ja passou. Agora, se Leonardo e Mariana quiserem ter uma relação séria, ambos terão que ceder muito e, pelo menos um, terá que ceder demais: Ou Mariana de abandonar a “forma como ela lida melhor com o pé-sujo”, ou o Leonardo de ficar envolvido no triangulo deles com o pé-sujo.
    A única coisa que posso fazer é torcer pelo melhor desfecho possível pra ambos. Mas a vida prega peças e é imprevisível, veremos o que ela reserva pra Leonardo e Mariana.

    1. Velhinho… eu desaconselhei expressamente que Leonardo compactuasse em qualquer grau com a loucura da relação Mariana-Fedorento. A minha preocupação é orientar o Leonardo para não se meter em (mais) encrenca.

      Imagina se o Leonardo faz uma denúncia para o Ministério Público com base na Lei Maria da Penha. É bem capaz que a Mariana negue tudo e ainda acuse o Leonardo de calúnia, injúria e difamação junto com o Fedorento, para não desagradá-lo.

      Estou sem idéias razoáveis. É por isso que pedi sugestões. Não posso orientar “dogbertianamente” um cara que pode acolher meu conselho e depois não saber agir como agiria.

  3. Eu acho que se a Mariana não quer se separar e acha que o Leonardo não está respeitando o tempo dela, que ele deveria se afastar e respeitar o tempo dela…
    Por mais que ele goste dela, não adianta, ela tem que acreditar que a situação dela é insustentável. E pelo que eu li ele já tentou conversar com ela, você já tentou conversar com ela e ela persiste.
    Talvez se ele se afastar ela perceba.
    Não dá muito pra fazer nada além disso, é minha humilde opinião.

    1. Ana, eu simplifiquei demais as coisas para caber em um post de tamanho razoável, isso não ficou claro.

      A real é que eles se reencontraram há três anos, tentaram ficar juntos sem o Leonardo saber de todos os detalhes que eu contei, a Mariana acabou optando pelo marido, depois de dois anos e meio eles se re-reencontraram e aí o Leonardo ficou sabendo da história completa mas a coisa não anda pra lado algum…

  4. Meu cunhado, psiquiatra, costuma dizer que em uma relação doentia o melhor é receitar Prozac….para os dois.Neste caso existe o filho….que precisa ser cuidado….e não é por malucos,rs.
    Essa relação deve ter alguma coisa boa….caso contrário…..já teriam se separado…..ou procurado ajuda.
    Se eu fosse esse seu amigo….procurava alguém mais equilibrado…..mas sabes como é paixão….cega-surda-burra!

    1. Não sei, Lya… eu particularmente acho que a relação Mariana-Fedorento é um caso de co-dependência regado a muita negação da realidade.

      O Leonardo me pareceu bem lúcido – apesar de frustrado – ao afirmar que se a Mariana quisesse romper com essa situação ele ajudaria, mas que não ia colaborar em nada com a manutenção da loucura. Seria o que eu faria, então acho que é uma idéia razoável. 🙂 Hehehe…

  5. Parafraseando o filósofo neo-existencialista Luciano Huck: Loucura, loucura. loucura!
    Só falta o cheiroso ler este post, descobrir tudo e atirar o Abelardo e a Heloísa, digo, o Leonardo e a Mariana, no “pântano do fedor” (quem tem filhos que assistem Backyardigans vai saber do que eu tô falando).
    É Seu Artur, esse mundo está completamente maluco!!!!!

    1. Esse comentário estava na caixa de SPAM, salvei por pura sorte. Quando acontecer de sumir um comentário, avisa na hora no Cantinho do Leitor ou ele desaparecerá para sempre assim que eu entrar e apagar os SPAMs.

      Érico, toda vez que eu lembro desta história me vem à memória o filme “Os Goonies”, em que havia o “poço do fedor eterno”. 😛

      Backyardigans é uma série que só passa na TV por assinatura, é isso? Aí deu pra bola, eu me nego a pagar TV por assinatura para assistir mais propaganda que na TV aberta, cancelei todas as assinaturas há mais de um ano e descobri que existe vida fora da telinha quando fiz isso. 🙂

  6. “inaceitável é o fato de você não aceitar as minhas escolhas, o meu tempo e o meu jeito de lidar com a situação”.

    A mulé já fechou os ouvidos pra qualquer conselho, o Leonardo não pode fazer nada por ela, por enquanto. Essa foi a vida que ela escolheu.

    E não acho certo o Leonardo se aproveitar dessa situação, ele se achando O salvador de Mariana. Tá na cara que o interesse dele próprio pesa muito nessa de querer fazer alguma coisa por ela.

    1. Teles, não entendi uma coisa: por que “se aproveitar dessa situação”? Leonardo “tem interesse” em Mariana, claro: como pessoa, como amigo, como amante, tudo junto. Qual o problema?

      Sei lá, não vejo Leonardo como “aproveitador”. Se ele não tivesse interesse algum em Mariana – ou apenas um interesse vago como eu e tu podemos ter em relação às crianças famintas de Bangladesh, que não podemos ajudar diretamente – seria melhor?

      Não leva a mal as perguntas, estou tentando entender tua posição.

      Ah, concordo 100% com o que disseste sobre Leonardo não poder fazer nada se Mariana tiver fechado a questão. Se ele fizesse uma denúncia para o Ministério Público, Mariana provavelmente deporia a favor do Fedorento, para não descontentá-lo. E se ele fizesse uma denúncia ao Conselho Tutelar, para tentar proteger a criança, é bem possível que o guri fosse retirado de casa e Mariana veria isso como a materialização de seus pesadelos, unindo-se ainda mais ao Fedorento para reaver o filho. Talvez isso até fosse melhor para o guri a longo prazo, mas duvido que Leonardo vá comprar uma briga contra tudo e contra todos supondo que o Conselho Tutelar vá fazer um bom serviço para o bem da criança a longo prazo. Nossas instituições não têm essa credibilidade, o que desanima qualquer um para tentar fazer alguma coisa tão drástica ao invés de simplesmente se afastar da encrenca.

  7. Bom, é uma história bizarra mesmo. Agora, do relato, a única pessoa que com certeza tem problemas psicológicos (ou mentais) sérios é a Marina. Quanto ao comportamento do marido dela, como só temos a versão da própria Marina, não é possível afirmar nada com certeza…..pelo menos até que uma terceira pessoa presencie esses comportamentos bizarros do mesmo. Afinal de contas, quem garante que isso tudo não é uma invenção da mente doentia dela? Enfim, devido a essa incerteza fica até difícil dar um conselho para o Leonardo sem cair em algum tipo de erro de avaliação. Talvez o mais prudente para ele seja afastar-se dessa mulher. Vai cuidar da vida dele e se no futuro ela reaparecer separada do marido, então, quem sabe?

    1. NRA, fazia tempo que não comentavas por aqui, hein?

      Olha, vou te confessar que eu adoraria visitar a Mariana em casa para sondar melhor essa história, mas ela já me proibiu expressamente de fazer isso alegando que o Fedorento ia me receber muito bem mas depois ia transformar a vida dela em um inferno por ter permitido a minha visita. Isso corrobora tuas desconfianças, não é mesmo?

      Acho que o único modo de ter certeza seria invadir a privacidade deles sem que soubessem, instalando câmeras ocultas para verificar o que realmente acontece. Será que existe alguma maneira de fazer isso dentro da lei, com autorização/acompanhamento judicial?

  8. Ah… Maluco. Quer um conselho gratuito de um especialista em manias(Eu coleciono várias)? Corre senão morre!!!

    Caçá Mariana, é doido? Sintetizando o questionamento: Tem um Palio véio aqui na garagem, propriedade de minha noiva, e usufruto compartilhado. A franquia do seguro é 800 merreca. Eu nunca, jamais, never, em hipótese alguma, destruiria o carro e gastaria 800 birujacks só pra dar uma boa desculpa pra ela.

    Mas se o Leonardo a quer de volta. 1º torça pro Cheiro ter uma morte trágica e rápida. 2ºSepara uns 10% do salário pagando uma terapia fudida pra Mariana, e sempre mantenha Lexotan no bolso, nunca se sabe quando vai precisar desse bagulho.

    Falando sério agora. Se essa guria chegou a tal ponto no pânico de não conseguir se justificar ao marido, provavelmente as indiossincrasias(peguei pesado agora) já abalaram a própria sanidade dela. No lugar do Leonardo eu corro como uma lebre desse relacionamento, antes que isso venha a ME afetar pessoalmente.

    1. Esse comentário estava na caixa de SPAM, salvei por pura sorte. Quando acontecer de sumir um comentário, avisa na hora no Cantinho do Leitor ou ele desaparecerá para sempre assim que eu entrar e apagar os SPAMs.

      É, as idiossincrasias são fogo. 😛

      Impressão minha ou todo mundo está sugerindo ao Leonardo cair fora enquanto pode enquanto Mariana não assumir uma atitude mais saudável por si mesma?

  9. “Teles, não entendi uma coisa: por que “se aproveitar dessa situação”? Leonardo “tem interesse” em Mariana, claro: como pessoa, como amigo, como amante, tudo junto. Qual o problema?”

    Pelo que entendi da história, Leonardo não tem interesse em ver a Mariana feliz com o marido dela ou até com outro, e sim com ele próprio, Leonardo. É com esse oportunismo que não concordo.

    Ok, ela se declarou pra ele, disse que era o grande amor da vida dela e blábláblá. Logo em seguida disse pra não se meter na vida dela. Ou seja, Mariana não está boa da cabeça.

    “todo mundo está sugerindo ao Leonardo cair fora enquanto pode enquanto Mariana não assumir uma atitude mais saudável por si mesma?”
    É o que eu faria.

    1. “Pelo que entendi da história, Leonardo não tem interesse em ver a Mariana feliz com o marido dela ou até com outro, e sim com ele próprio, Leonardo. É com esse oportunismo que não concordo.”

      Bem, eu também preferiria ver a Angelina Jolie feliz comigo ao invés de feliz com o Brad Pitt. Sorte dele que ela nunca me confessou estar apaixonada por mim. 😛

      Isso não é esperável devido à natureza humana?

  10. Humor involuntário:
    Quando você falou que ela empurrou o carro ribanceira abaixo achei que a intenção dela era se suicidar. 😀

    1. Não, ela cometeu um carricídio por causa do atraso, mesmo. 😛

  11. “Eu entendo que uma pessoa aparentemente saudável e equilibrada possa desenvolver uma doença mental, como parece ser o caso do marido de Mariana”
    Sim, Arthur, isso é perfeitamente possível… e tratável, na minha opinião. Já ouvi falar de casos muito estranhos, por exemplo, de pessoas que sentem uma vontade incontrolável de se mutilar, chegando inclusive a colocar a perna dentro de um balde de gelo até que a mesma crie uma gangrena e tenha que ser amputada. Meu ex é psiquiatra e psicanalista, eu sou apaixonada por psicanálise, conversamos muito até hoje sobre coisas assim.
    “mas que raios pode fazer com que outra pessoa também aparentemente saudável e equilibrada se submeta a tão doentio jogo de terror e submissão com tamanho compromisso e empenho?” Na minha opinião só dois sentimentos têm poder suficiente para mantê-la nesse jogo: amor ou culpa. Só um desses dois (ou os dois juntos) são capazes de gerar atos tão “heróicos”. Me dá a impressão que ela precisa de uma boa terapia tanto quanto o marido.
    “Que conselhos vocês dariam ao Leonardo?”
    Acho que não há muita coisa que ele possa fazer. Se a decisão não partir dela, dificilmente será uma decisão definitiva. Ou seja, ela sempre voltará atrás e cada vez mais dependente do marido. Decidir por si mesma será o primeiro passo para que ela se liberte pra valer e começe uma nova vida. Quem sabe, aí sim, com o Leonardo.
    Abraço.

    1. Essa do balde de gelo para causar a amputação é uma idéia doentiamente inteligente. O frio acaba inibindo a dor de modo eficaz para suportar a agressão aos tecidos. O que me espanta é que alguém inteligente o suficiente para pensar em uma estratégia dessas não consiga chamar ajuda a tempo.

      Mas nem só amor e culpa podem gerar atitudes como a de Mariana. O medo também é poderoso. E uma avaliação de prioridades bastante equivocada igualmente.

  12. Arthur

    “…mas ela já me proibiu expressamente de fazer isso alegando que o Fedorento ia me receber muito bem mas depois ia transformar a vida dela em um inferno por ter permitido a minha visita. Isso corrobora tuas desconfianças, não é mesmo?”

    Sim, certamente. Afinal de contas, segundo ela, além de fedorento o cara é ciumento ou violento (ou os dois)?

    “Será que existe alguma maneira de fazer isso dentro da lei, com autorização/acompanhamento judicial?”

    Com certeza não.

    Agora, além dos problemas psicológicos e mentais, nessa historinha de amor parece que o casal já perdeu o bonde. Eles estão no terceiro “encontro”, e se não aconteceu ou não deu certo nos dois primeiros é porque não tem que dar.

    1. Ciumento, com certeza. Violento, não sei. Ela diz que ele nunca bateu nela, mas tem um comportamento altamente intimidatório. É difícil julgar com base apenas nos depoimentos dela.

      Pô, como é que a lei/justiça não permite colher as provas necessárias para comprovar um comportamento abusivo que se encaixa perfeitamente na descrição de violência doméstica?

      Art. 7o São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:

      I – a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal;

      II – a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;

      (Lei Maria da Penha)

      Se não há como reunir provas válidas em um tribunal, porque o agressor não admite a presença de testemunhas e a lei/justiça não admite o uso de gravações, pra que é que serve essa porcaria de lei? Só para os casos em que alguém desmonta o outro na porrada?

  13. Analisando a história pelos fatos apresentados, só posso dizer que o marido de Mariana tem apenas um fetiche por fedores, enquanto que Mariana é a psicologicamente instável e necessita de intervenção de um psicólogo ou quem sabe até de um psiquiatra, sem contar que ela perdeu a muito tempo seu amor próprio e auto-respeito por se submeter a uma situação exarcebada e que é aumentada ainda mais por suas ilusões.

    Quanto ao Leonardo, digo-lhe para ter integridade e ser verdadeiro consigo próprio e não se meter numa relação que só havia amizade e depois houve um pouco de energia sexual.

    1. Alex, se as informações da Mariana são corretas, o comportamento dele excede em muito um simples fetiche: ele é abusivo e se encaixa nos pressupostos da Lei Maria da Penha, logo acima descritos.

  14. Olha, parece que todo mundo tá concordando que a Mariana é saudável e só o marido dela que é problemático. Bom, sei não. Enquanto lia a história, só conseguia imaginar que a ‘maluca’ aí é ela. Dele, como já dito, não dá pra saber uma versão. A versão dela é estranha, muito estranha.

    Pra mim, parece que ela é que é maluca, e não quer se separar dele. Aliás, sabe-se lá se é verdade que ele é doido mesmo… Vai ver ela inventou isso tudo…

    1. Que pena que não vi esta resposta à época. Olha, André, eu andei investigando um pouquinho, falei com a mãe a com o filho da Mariana, falei com um filho do primeiro casamento do marido da Mariana, e obtive mais de uma vez a confirmação de que o fedorento realmente é fedorento… 🙁

  15. Arthur

    E a continuação dessa história? A Mariana já foi internada?

    1. Não foi. Continua com o fedorento até hoje.

  16. Estou com a NRA, já internaram a Mariana e seu absurdamente louco marido?
    O que o Leonardo quer com essa maluca submissa?
    Coisas que a Bru não entende…

    1. Nem o Arthur, Bru. Nem o Arthur.

  17. Mirley Fernandes

    05/02/2013 — 19:28

    Ela que deve ser doida, submetendo o filho a conviver debaixo do mesmo teto desse doido fedorento! Alem de nao ter mais amor proprio, parece nao ter pelo filho tbm. Nao sei o que adianta ter aulas disso e daquilo, estudar em uma boa escola e ser um menino psicologicamente sofrido por causa do pai. Mas ta cheio de mães desse tipo por aí que enchem a boca e dizem ” eu faço tudo pelo meu filho” . Mas na hora do vamos ver mesmo, nao fazem é absolutamente nada. Vamos supor que mesmo que ela nao tivesse se envolvido com o Leonardo, pra mim ela ja seria doida continuando um ” casamento” desses. E Leonardo, a esa altura do campeonato, espero que ja tenha desistido dela! Hahahahahah

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