Se tem uma coisa que me incomoda na turma “politicamente correta” é a mania de impor sua visão de mundo achando que com isso estão promovendo a dignidade alheia. Não estão. Ao invés de exigir que o Estado dê condições para que todos tomem decisões livres, conscientes e bem informadas, o pessoal “politicamente correto” exige que sua visão de mundo seja imposta por lei e acatada por todos, mesmo os que deles discordam de modo livre, consciente e bem informado. A polêmica  sobre o uso da burca na França é um bom exemplo deste tipo de falso libertarianismo.

Primeiro exemplo:

No artigo intitulado “sobre o uso da burca na França“, Túlio Vianna afirma:

“Não existe direito à liberdade de ser oprimido. Da mesma forma que a mulher não tem a “liberdade religiosa” de ter seu clitóris mutilado, ela não tem o “direito de optar” por usar a burca, pois neste caso está claro que não é uma opção, mas uma opressão.”

Êpa! Como assim “não tem o direito de optar”, Túlio? Quem sou eu, quem és tu, quem é qualquer um de nós para impor a uma pessoa adulta, livre, consciente e bem informada o que ela tem direito ou não de fazer consigo mesma?

É uma aberração muito pior que o uso de burca fazer consigo mesmo isso aqui:

Ficaria melhor de burca (1)
Ficaria melhor de burca (1)

Ou isso:

Ficaria melhor de burca (2)
Ficaria melhor de burca (2)

Não é interessante que, apesar do horror que deve ser viver com a face deformada de tal modo, de todos os riscos para a saúde que essa escolha traz e da questionável sanidade mental de quem se submete a tal tratamento, ninguém esteja propondo a proibição total de tatuagens e piercings na França ou em qualquer país ocidental?

Não é interessante que ninguém esteja propondo multar quem ousar sair nas ruas com tatuagens ou piercings deformantes, que atentam contra a dignidade humana?

Ah, claro… nesses casos trata-se de “exercício de liberdade de expressão”, ou “direito ao próprio corpo”.

P: E por que no caso da burca não seria?

R: Porque a burca afronta as teses “politicamente corretas”, especialmente as teses feministas.

Dado que o feminismo é a forma de sexismo “politicamente correta” da atualidade e dado que o uso da burca é reservado ao sexo feminino, torna-se intolerável para o pessoal “politicamente correto” que alguém opte de modo livre, consciente e bem informado pelo uso de um adereço que esse pessoal considera “uma violação gritante ao direito fundamental à igualdade entre os gêneros que está consagrado nos estados democráticos contemporâneos”.

O objetivo da turma “politicamente correta”, portanto, não é “garantir a liberdade de escolha, para o bem e para o mal”, mas “garantir a liberdade de escolha desde que todo mundo opte pelo que consideramos correto”.

Segundo exemplo:

No rodapé de seu artigo acima linkado, Túlio Vianna remete a um artigo de Cynthia Semíramis intitulado “roupas também são uma forma de opressão“. Ora, bolas, isso qualquer naturista sabe que é verdade. Assim que li o título, fiquei entusiasmado. Porém, logo na primeira frase percebi que o raciocínio da autora seria totalmente parcial:

“Existe uma coisa que eu sempre comento com amigas/os e alunas/os: mulheres são tão seres de segunda categoria em nossa sociedade que são tratadas como propriedade de um homem o tempo todo.”

Eu me pergunto em que século ou em que planeta esse pessoal vive. Porém, para não desviar do assunto do artigo, vamos direto à parte que interessa:

“É por isso que dou toda razão a Nicolas Sarkozy quando ele afirma que a burca “reduz a mulher à servidão e ameaça a sua dignidade“. Em jogos de poder, roupas não são apenas um pano cobrindo e protegendo o corpo, mas um sinal claro de status social.

Ah, irão falar em liberdade de escolha. Que liberdade de escolha tem uma pessoa que, desde a infância, aprende que deve se portar e vestir de determinadas formas para reforçar sua feminilidade/condição social? E todos no espaço público reforçam essa mensagem afirmando que é assim que tem de ser, por respeito a uma questão cultural ou religiosa? Como essa pessoa será livre pra escolher se a pressão que ela sofre é para se submeter a essas regras, ou, como alternativa, ser acusada de desonrar a família e até morrer por isso?”

Vou responder todas estas questões.

Em primeiro lugar, quem é Nicolas Sarkozy para decretar que a burca ameaça a dignidade de uma mulher adulta, em plena posse de suas faculdades mentais, que deseja usar uma burca porque considera essa peça de vestuário uma proteção para sua dignidade?

Será que, se Nicolas Sarkozy disesse que “posar nua em poses obscenas ou de sexo explícito para revistas pornográficas reduz a mulher à servidão e ameaça sua dignidade” – algo com o que todos os “politicamente corretos” e em especial os/as feministas concordariam de imediato – haveria uma iniciativa legislativa para banir as revistas eróticas ou pornográficas da França ou de qualquer país ocidental, instituindo multas para quem posasse para tais fotos?

Não, né?

É sinal de que este discurso não está bem contado.

P: Por que a burca é mais combatida que as fotos de mulheres adultas fazendo sexo de todos os modos pervertidos e degradantes possíveis?

R: Porque a burca vem da cultura dos outros, sendo portanto um alvo fácil.

Eu queria ver a turma do “politicamente correto” combater a lavagem cerebral que o cristianismo impõe às crianças ocidentais, propondo a proibição total de expô-las a “ensinamentos” religiosos como “homossexualismo é aberração” antes dos 18 anos de idade, para evitar traumas e auto-rejeição nas crianças e adolescentes que futuramente se descobrirão homossexuais.

Eu queria ver a turma feminista combater o sexismo propondo a interdição e suspensão de alvará de funcionamento das igrejas cristãs em que somente homens podem ser ordenados sacerdotes, até que elas passem a ordenar sacerdotisas, alegando que “é papel do Estado proteger as mulheres da opressão e da misoginia” em uma época em que as mulheres “não têm poder de convencimento suficiente ainda, visto que estão em processo de autonomia e libertação”.

Mas vamos às demais questões.

P: “Que liberdade de escolha tem uma pessoa que, desde a infância, aprende que deve se portar e vestir de determinadas formas para reforçar sua feminilidade/condição social?”

R: Muito mais liberdade de escolha que eu, sendo naturista, tenho para não usar roupas em um dia de calor em que faça 39°C à sombra.

Será que agora a Cynthia Semíramis vai passar a defender prioritariamente a minha liberdade de não me submeter ao jugo da “paranóia repressora advinda da moralidade judaico-cristã da sociedade ocidental” ao perceber que eu tenho menos liberdade de escolha do que as muçulmanas adultas que optam de modo livre, consciente e bem informado por usar a burca em um Estado laico?

P: “E todos no espaço público reforçam essa mensagem afirmando que é assim que tem de ser, por respeito a uma questão cultural ou religiosa?”

Ué, e o que acontece no Brasil em relação ao uso obrigatório de roupas? Por acaso não é verdade que “todos no espaço público” me impõe que “é assim que tem que ser” devido a uma “questão cultural”?

Se o uso de burca deve ser totalmente proibido por ser uma “imposição cultural contra quem não tem opção de escolha”, então pelos mesmos critérios Cynthia Semíramis deveria imediatamente levantar a bandeira da obrigatoriedade do naturismo. Questão de coerência.

P: “Como essa pessoa será livre pra escolher se a pressão que ela sofre é para se submeter a essas regras, ou, como alternativa, ser acusada de desonrar a família e até morrer por isso?”

R: Certamente ela não será livre para escolher se for proibida de escolher.

Vejam o que diz Cynthia Semíramis no final de seu artigo:

“Um Estado laico realmente digno desse nome não pode permitir que, sob o pretexto de liberdade religiosa, seja mantido todo um sistema de opressão a mulheres, transformando-as em sub-cidadãs que precisam, a cada passo, se lembrar e propagandear que são propriedade masculina e que não têm autonomia sequer para se vestir da forma que desejarem.”

Entretanto, a autora quer negar às mulheres muçulmanas adultas a “autonomia para se vestir da forma que desejarem” mesmo quando elas mesmas manifestarem o desejo de usar a burca.

É o tal do negócio: “quero que as mulheres tenham total liberdade para escolher, desde que a escolha delas seja a que eu considero correta”.

Minha posição:

Defender “a dignidade inerente a todos os membros da familia humana e seus direitos iguais e inalienáveis” como um princípio exige a compreensão de que em cada caso concreto pode ser que o que pareça mais digno para uma pessoa não seja exatamente aquilo que parece mais digno para outra.

Atenção: isso não é relativizar o princípio, isso é aplicar o princípio corretamente desde que satisfeitos os pressupostos de escolha livre, consciente e bem informada, inclusive quanto às alternativas. Aberrações como a tortura não se encaixam no escopo aqui discutido e eu espero sinceramente não precisar explicar a diferença entre alhos e bugalhos.

A chave para trazer este tema de volta à racionalidade é questionar quais são as condições que devem ser criadas para que o direito de escolha seja legítimo.

Eu repeti as condições necessárias mais de uma vez neste artigo: que as escolhas sejam livres, conscientes e bem informadas. Vejamos então o que significa isso.

Escolha livre

Uma escolha livre não é necessariamente uma escolha feita sem qualquer tipo de pressão, pois não se pode eliminar por via legislativa as pressões culturais.

Uma escolha livre é uma escolha feita com a garantia de que as conseqüências da escolha não sejam desproporcionais à escolha.

Por exemplo, o sujeito que tatua o próprio rosto e coloca piercings deformantes para ficar parecido com um buldogue ou um dragão tem que arcar com a conseqüência de ser observado como um ET ao andar pelas ruas e não há legislação que possa proibir tal reação, por mais que o sujeito reclame que isso “atenta contra a dignidade” dele.

Do mesmo modo, quem anda pelas escadas de uma universidade sem calcinhas com uma minissaia que mais parece um cinto ou com um vestidinho que expõe o corpo muito além do razoável para aquele ambiente tem que arcar com a conseqüência de ser chamada de vadia.

Imagina ir pra universidade assim
Imagine ir pra universidade assim

Se uma pessoa hipotética (*) realizar essa ação hipotética (*), então a turba hipotética (*) não pode agredi-la fisicamente, mas pode expressar sua inconformidade verbalmente no mesmo nível em que foi provocada – no caso, baixo nível de todos os lados.

(*) Qualquer semelhança com algum caso porventura ocorrido no Brasil é mera coincidência…

Eu não agiria de modo tão deselegante, mas defendo o direito de quem o fez: se “expressar-se piranhescamente” não é ilegal para um lado, também não pode ser ilegal para o outro, tanto faz se através da vestimenta ou de palavras. Reclame somente quem nunca se sentiu ofendido por um gesto obsceno.

P: Pode o uso de burca ser uma escolha livre?

R: Claro que sim, bastando que haja garantias de que as conseqüências do uso ou do não uso da burca sejam as mesmas para o caso de quem andar de jeans e camiseta, ou com um chapéu viking, ou fantasiado de gorila. Nem mais, nem menos.

Tô usando isso porque proibiram a burca
Tô usando isso porque proibiram a burca
Escolha consciente e bem informada

Uma escolha consciente não é necessariamente uma escolha feita com a simples manifestação de vontade.

Uma escolha consciente é uma escolha feita com a garantia de que a pessoa que escolhe compreende as conseqüências de sua escolha e conhece outras alternativas relevantes e suas respectivas conseqüências. Afinal, sem alternativas não há “escolha”.

Por exemplo, o sujeito que põe um piercing na língua deveria ter que assinar um termo de responsabilidade em que reconhece estar ciente de que 98% dos cânceres de língua ocorrem em quem coloca piercing na língua.

Quantas pessoas que colocam piercings na língua estão cientes desta estatística? Quantas delas manteriam sua decisão de colocar um piercing na língua após tomar conhecimento desta realidade?

Outro exemplo são as meninas africanas submetidas à mutilação sexual.

Mesmo que elas fossem consultadas em idade suficiente madura sobre a desejabilidade do procedimento e mesmo que estivessem plenamente informadas das conseqüencias e aceitassem a perda do prazer sexual, será que elas aceitariam passar por isso se soubessem que no ocidente nenhuma mulher se submete a este procedimento doloroso e sexualmente incapacitante, mas mesmo assim são aceitas por toda a “tribo”?

Conhecer as alternativas faz toda a diferença.

Viva o câncer de língua, a bunda de fora e a burca!

Eu defendo o direito de ser otário, piranha ou usar burca.

Quer colocar piercing na língua, sabendo que 98% dos cânceres de língua são causados pelos piercings e que a maioria das pessoas acha isso nojento? Vai lá, meu querido, dou o maior apoio.

Quer usar microssaia mostrando metade da bunda na rua, sabendo que a galera vai te chamar de vadia pra baixo? Vai lá, minha querida, dou o maior apoio.

Quer usar burca, sabendo que é desconfortável, quente e que todo mundo em volta vai achar uma baita babaquice? Vai lá, minha querida, dou o maior apoio e ainda sugiro um modelito:

Burca sexy para muçulmanas moderninhas que conhecem seus direitos
Burca sexy para muçulmanas moderninhas que conhecem seus direitos

Não vejo nenhum motivo razoável para defender os otários, as piranhas e as (malucas) muçulmanas que quiserem usar burca das conseqüências de suas próprias decisões, desde que tomemos os devidos cuidados para que estas pessoas possam tomar decisões livres, conscientes e bem informadas.

Quem NÃO PRECISA de ajuda:

Fulaninho quer fazer isso ou aquilo e você acha um absurdo completo?

Verifique se ele sabe quais são as conseqüências dos atos pretendidos.

Verifique se ele conhece as alternativas.

Verifique se ele está fazendo aquilo porque realmente quer.

Perante três respostas positivas, cale a boca e saia da frente! Deixe o cara se arrebentar do jeito que bem entender, é decisão soberana dele e ninguém tem o direito de interferir, para o bem ou para o mal.

Por exemplo: tem gente que não gosta de usar cinto de segurança. Esse pessoal sabe as conseqüências de sofrer um acidente sem o cinto, conhece a alternativa de usar o cinto e não usa o cinto por questão de preferência pessoal. Isso tem que ser direito deles.

O Estado deveria criar um seguro especial obrigatório para esse pessoal não dar despesas extras para a previdência em caso de acidente e cobrar multa somente de quem for flagrado sem o cinto e não estiver em dia com esse seguro.

Assumir as conseqüências das próprias decisões  se chama responsabilidade e é requisito básico para o usufruto da liberdade de escolha, que por sua vez é requisito básico da cidadania.

O papel do Estado não é decidir no lugar das pessoas, é dar condições para que as pessoas tomem decisões livres, conscientes e bem informadas.

Estou me repetindo demais? É pra ver se martelando bem isso entra na cabeça de quem quer tomar decisões no lugar dos outros, infantilizando e imbecilizando as pessoas cuja dignidade e cidadania dizem proteger.

Quem PRECISA de ajuda:

Fulaninho quer fazer isso ou aquilo, ou alguém quer fazer isso ou aquilo com Fulaninho, mas existe pelo menos uma possibilidade de aquilo causar algum dano ao Fulaninho?

Verifique se ele sabe quais são as conseqüências dos atos pretendidos.

Verifique se ele conhece as alternativas.

Verifique se ele está fazendo aquilo porque realmente quer.

Se houver chance de que pelo menos uma destas questões não tenha resposta positiva, então intervenha decidida e decisivamente.

Por exemplo: crianças judias de oito dias de idade estão se submetendo à mutilação sexual do pênis por motivos religiosos porque realmente querem?

Mas onde raios estão os “politicamente corretos” e as feministas que se preocupam com a roupa das mulheres na França e ignoram as milhares de crianças indefesas vítimas de mutilação sexual por motivos religiosos no Brasil?

Ninguém se importa se estes meninos não têm escolha, se muitos deles ficam traumatizados e se volta e meia alguns deles perdem o pênis ou a sensibilidade no pênis devido a mutilação sexual por motivos religiosos?

Ahn… são meninos… quem se importa, né?

E ainda por cima estão aqui perto e integram uma comunidade tradicional, influente e com muitos membros riquíssimos.

Deixa pra lá.

É muito mais fácil e dá mais IBOPE esbravejar por causa das meninas africanas.

Discurso machista do patriarcado burguês opressor falocêntrico?

É uma lástima que seja necessário apresentar preventivamente um argumento de autoridade para demonstrar a correção das minhas teses, mas para evitar desde o princípio que eu seja acusado de ser “uma voz discordante” no mainstream dos Direitos Humanos (o que em outras questões, como a do intervencionismo humanitário, é verdade), trato de apresentar a posição da Anistia Internacional sobre a questão da proibição das vestimentas e símbolos islâmicos na França:

Anistia Internacional condena proibição do véu integral na França

A maioria de direita no parlamento francês aprovou a proibição do uso do véu integral. A Anistia Internacional diz que é “uma violação dos direitos de liberdade de expressão e de religião”.

“No geral, os direitos de liberdade de religião e de expressão garantem a todos a liberdade de escolher o que usar ou não. E esses direitos não podem ser limitados, simplesmente porque alguns – ou uma maioria – consideram esta forma de vestir objectável ou ofensiva”, acrescentou John Dalhuisen, um dos responsáveis da AI na Europa.

Quero ver chamarem a AI de “machistas representantes do patriarcado burguês opressor falocêntrico” e quejandos. E olha que eu estou ciente que o pessoal da AI provavelmente iria tergiversar e tirar o corpo fora se eu questionasse se “a liberdade de escolher o que usar ou não” inclui o direito – para mim evidente – de escolher usar nada e portanto andar nu pela rua.

A grande verdade é que ninguém acredita de verdade nos princípios que prega. Basta surgir uma conseqüência imprevista e desagradável qualquer para que surjam imediatamente as tergiversações e as exceções ad hoc para justificar o injustificável.

O pior é que eu nem posso reclamar, porque defendo o direito de ser otário. Mas, enquanto não tentarem me tirar o direito de chamar um otário de otário e uma piranha de piranha, tudo bem.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 15/07/2010

::

41 thoughts on “O direito de ser otário, piranha ou usar burca

  1. Eu até concordaria com este post não fosse o problema amplo. Há uma guerra em andamento. Uma luta por imposição de valores em que um dos lados não joga limpo. A burka está ligada a alguns valores a meu ver incaeitaveis numa sociedade moderna. Se ela fosse um fator isolado seria só algo desagradavel, mas no contexto em que se encontra é bem mais que isso.

    1. Gerson… Há uma guerra em andamento: uma luta por imposição de valores em que os dois lados não jogam limpo. No meu modo de ver, uma mulher deve ter todo o direito de usar uma burka se os requisitos expressos no sub-título “minha posição” estiverem plenamente satisfeitos, o que não é verdade nem lá nos países das burkas nem aqui nos países dos biquínis fio-dental.

      Tanto em um caso quanto no outro a dignidade das mulheres é desrespeitada e a verdadeira escolha não existe.

      Duvidas? Pede pra uma adolescente lá pelos 16 anos, de corpo bonito e cultura urbana de cidade grande ir para a praia usando um maiô decente e me diz o que 9 entre 10 delas vão responder a respeito de “ridículo” e “comentários dos outros”.

      Usar biquínis indecentes é mesmo uma “escolha verdadeira” das mulheres dos países ocidentais de cultura “liberal” de hoje em dia? Ou mostrar a bunda inteira virou uma obrigação para quem tem corpo bonito e não quer sofrer rejeição/ridicularização/bullying?

      A verdadeira guerra tem que ser para “dar condições para que as pessoas tomem decisões livres, conscientes e bem informadas”, o que nem o pessoal da burka nem o pessoal da “liberação feminina” quer de verdade.

      Não vejo pureza de propósitos e verdadeiro comprometimento com a dignidade e autonomia do ser humano em nenhum lado dessa guerra. Por isso escrevo.

  2. Eu até concordaria com esse post se realmente fosse o caso de a atitude de qualquer desses indivíduos não impactasse em picas minha vida.
    Mas para o querido “Quer colocar piercing na língua, sabendo que 98% dos cânceres de língua são causados pelos piercings e que a maioria das pessoas acha isso nojento? Vai lá, meu querido, dou o maior apoio.” Quem provavelemente vai acabar pagando pelo tratamento do querido são meus impostos, graças à mixórdia que é esse nosso SUS.
    Do jeito que as coisas funcionam no Brasil, onde o Estado arca com a miséria e pobrema de tudo e todos, onde o direito do fdp ser fdp está resguardado, e o pobre do cidadão de bem não tem nem pra quem reclamar, quem normalmente paga pelo direito do otário é o resto.
    Logo, sou totalmente contra o direito do otário ser otário. O resto que seja feliz e não me incomode.

    1. Estou respondendo isso com um artigo, Thaís. A ser publicado amanhã.

  3. Arthur, só para seu surto maior, veja a prova da OAB (XI Exame), no qual a questão é tratada. De acordo com o gabarito oficial, quem é contra a proibição da burca é relativista cultural, e quem é a favor é universalista.

    1. Tá querendo me fazer infartar, né?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *