Recebi há dois dias um e-mail de uma boa amiga e sincera defensora dos Direitos Humanos com questionamentos pungentes referentes a minha posição contrária ao feminismo, que ela considera “um movimento que teve tantas conquistas importantes para todos”. Redigindo a resposta, percebi que os esclarecimentos que prestei a minha amiga deveriam ser expostos publicamente, porque ajudariam muita gente a compreender minha posição. Com vocês, portanto, a íntegra da resposta.

Querida amiga, minha posição é bastante simples e coerente.

Eu sou um defensor radical dos Direitos Humanos universais, inerentes e inalienáveis, muito mais do que a ONU e sua política do “vamos bater papo e tentar resolver na boa” enquanto pessoas inocentes são massacradas por ditaduras cruéis e sanguinárias e muito mais do que os políticos enroladores que só discursam usando os Direitos Humanos como bandeira para fazer pose perante a intelectualidade e a mídia internacional mas praticamente nada fazem para por em prática a garantia universal dos direitos e liberdades fundamentais.

Por mim, no âmbito internacional, seria formado um grande exército de defensores dos Direitos Humanos e atuaríamos com vigor – e se necessário através da força das armas – para defender a dignidade e a felicidade dos imensos contingentes de pessoas ao redor do mundo que são cotidianamente submetidas a todo tipo de abuso, começando pelos que sofrem os maiores flagelos, como as mutilações e torturas, a fome, a escravidão, a submissão sexual, entre outros. Eu iria feliz para a linha de frente. Sou o cara que, mesmo contra a opinião dos “politicamente corretos” que acham que os oprimidos precisam se organizar sozinhos contra seus opressores em nome da “autodeterminação dos povos”, sempre defendeu Direitos Humanos já, nem que seja na porrada. Continuo o mesmo.

Por mim, no âmbito nacional, seria organizado um imenso mutirão para investigar todos os políticos, membros do Judiciário e agentes do Estado e excluir definitivamente da vida pública todos os que tiverem praticado atos de corrupção, ativa ou passiva, depurando assim o Estado brasileiro para termos chance de investir em infraestrutura e em políticas de desenvolvimento sustentável para trazer todos os brasileiros honestos ao exercício da cidadania, em plena igualdade, sem exceções. Quanto aos corruptos e demais criminosos, vamos tentar recuperá-los com dignidade, sem descambar para a vingança.

Dito isso, passo a responder teu questionamento.

“Não entendo como você pode condenar um movimento (feminismo) que teve tantas conquistas importantes para todos.

As falsas feministas que  existem por  aí não podem servir para justificar tanta raiva.

Desculpe, mas preciso entender.”

(Texto ligeiramente modificado para evitar tua identificação.)

Bem, amiga, eu reconheço tranqüilamente que o feminismo em seus primórdios teve uma grande importância no combate a inúmeras injustiças que eram cometidas contra as mulheres.

Entretanto, após mais de vinte anos freqüentando todo tipo de evento ligado aos Direitos Humanos, convivendo com as atuais feministas e prestando atenção tanto a seu discurso quanto aos resultados práticos que vejo na política e até mesmo na legislação, estou convencido que o atual feminismo não constitui uma luta por direitos iguais para todos.

O que eu vejo hoje em dia – e há muito tempo – é um movimento feminista em busca de privilégios, sustentado por mitos e paranóias, cujas lideranças sempre que têm chance destilam ódio contra os homens, nivelando-os todos ao nível de “machistas representantes do patriarcado falocêntrico opressor” ou outra palhaçada do mesmo naipe.

HOMENS E MULHERES não merecem injustiças nem viver em desarmonia. Quando o Legislativo e o Judiciário de um país começam a sinalizar uma caça às bruxas contra o sexo masculino, produzindo aberrações como uma Lei Maria da Penha que protege explicitamente apenas as mulheres, deixando os homens vulneráveis à terrível insegurança jurídica de depender do “bom senso” dos juízes de primeira instância para a aplicação – ou não – da lei de modo a preservar a isonomia entre os gêneros que nossa Constituição Federal de 1988 exige nos termos do seu Artigo 5°, inciso I, é sinal que a balança da igualdade dos direitos já ultrapassou o ponto de equilíbrio e pendeu para o sexismo de sinal invertido.

No artigo “Não existe feminista em navio que está afundando” eu citei diversos posicionamentos típicos das feministas, sobre serviço militar, igualdade salarial, prazos de licença-maternidade e licença-paternidade, direitos e deveres sobre os filhos, opção de trabalhar ou dedicação integral à família, violência e aborto, proteção legal contra violência, papéis de gênero e respeitabilidade de reivindicações.

Até o momento em que escrevo isso, nenhuma das respostas refutou qualquer uma de minhas afirmações, sendo que aquele é o artigo mais comentado da história do blog até o momento em que escrevo isto.

Também não apareceram aqui alguns blogueiros e blogueiras feministas que eu sei que ficaram sabendo do artigo. É falta de argumentos ou é tratamento de silêncio? De qualquer modo, nenhuma contestação foi apresentada.

Tudo que se vê nas respostas de quem discordou de mim, pelo menos até a 128ª resposta, são afirmações de que “eu não conheço o ‘verdadeiro’ feminismo”, de que “tudo que eu falo é ridículo” e de que por criticar o feminismo “eu sou machista e misógino”.

Estas respostas coincidem com o que eu vejo no movimento feminista organizado em ONGs, palestras, simpósios, painéis, mesas-redondas, iniciativas legislativas, manifestações, etc.

Portanto, minha amiga, não fui eu quem mudou. Os meus ideais continuam os mesmos: defesa radical dos Direitos Humanos universais, inerentes e inalienáveis; igualdade de direitos em todos os níveis para todas as pessoas; afirmação incondicional da dignidade humana sem discriminações de qualquer natureza. Quem mudou foi o feminismo, que da luta por direitos iguais passou a demonizar os homens e de todos os modos tentar implantar um abjeto sexismo de sinal invertido como se fosse justa uma espécie de “vingança histórica”.

Poderá o feminismo recuperar a orientação adequada e voltar a ser um movimento em busca de igualdade?

Não creio. Isso porque a mudança do feminismo não é devida a uma mudança de orientação, mas decorrente de sua própria lógica interna. Sua degeneração estava contida em sua fundamentação teórica e em seus valores e pressupostos desde o início. Simplesmente chegou o momento em que o feminismo deixou de representar uma contribuição positiva para a sociedade e passou a promover injustiças.

O feminismo é um movimento de ação afirmativa do sexo feminino.

Enquanto as mulheres possuíam menos direitos legais que os homens, como o direito de votar e serem votadas, fazia sentido uma ação afirmativa de gênero. Hoje em dia as mulheres possuem mais direitos legais que os homens e o movimento feminista segue em busca de mais e mais privilégios legais para as mulheres. Há muito que isso deixou de ser uma luta por direitos iguais.

A premissa básica do feminismo é que “fêmea+ismo=bom” enquanto “macho+ismo=ruim”. O movimento feminista está atrelado a estes conceitos de modo indissociável, portanto não terá condições de se reciclar e voltar a ser um movimento em busca da igualdade. Isso está claríssimo na postura das lideranças feministas, desde o famigerado SCUM Manifesto, definitivamente uma obra de referência feminista, passando o discurso das feministas na blogosfera, que enxergam estupro e violência sexual até mesmo no comportamento alimentar de vampiros e na transformação de lobisomens, ou que consideram a simples expressão de opinião de um homem na caixa de comentários de um blog feminista uma tentativa de “determinar pra gente, pobres mulheres indefesas, o que é legítimo e o que é opressivo“, até os pressupostos e estilo de moderação discriminatórios, autoritários e abusivos de comunidades feministas no Orkut que chegam ao absurdo de cassar o direito dos homens – mesmo os feministas – expressarem sua opinião porque isso seria “homens dizendo como as mulheres devem pensar”, como prova este tópico:

[FIXO] Aviso aos homens na comunidade

Comunicamos por meio desse tópico o que foi decidido e aceito pela maioria dos participantes atualmente ativos na comunidade:

1- Aos participantes masculinos são permitidas a participação (sujeita a aprovação prévia da moderação) e leitura, sendo proibidas a criação de tópicos e postagens em tópicos existentes. Atualmente e por período indeterminado, a comunidade tem voz exclusivamente feminina.

2- Os participantes que descumprirem a regra acima terão a postagem excluída e serão advertidos uma vez. Se repetido o comportamento, serão removidos da comunidade.

3- O participante masculino que desejar divulgar um link, tradução ou material que considere enriquecedor para a comunidade, deverá encaminhar o que for às moderadoras que, aprovando, poderão vir a fazer a postagem.

Atenciosamente,

A moderação

E não adianta dizer que estes são “casos isolados”, que “eu não conheço as verdadeiras femiistas”, porque o SCUM manifesto é amplamente apoiado por milhares de feministas, os blogs que eu citei são de duas professoras universitárias feministas – formadoras de opinião – e a comunidade onde homem não pode falar tem 1678 integrantes que, se não concordam com tal absurdo, no mínimo são coniventes.

A misandria é a tônica do feminismo.

Por tudo isso, minha amiga, o conselho que este “machista empedernido representante do patriarcado falocêntrico historicamente opressor das mulheres” tem para oferecer a ti e a todas as mulheres e homens que querem realmente lutar por uma sociedade mais justa e harmônica, em que homens e mulheres possuam os mesmos direitos e deveres, convivam em harmonia e possam buscar sua felicidade sem enfrentar discriminação por gênero ou orientação sexual, é muito simples: abandonem a ingenuidade, não se deixem mais enganar pelo discurso de promoção da igualdade do feminismo quando está claro que a prática feminista não é mais essa. Vamos defender os Direitos Humanos.

Chega de “fêmea+ismo=bom” e “macho+ismo=ruim”. Não se constrói a igualdade inventando desigualdades de direitos nem discriminações de qualquer ordem. Basta de tendenciosidade. Somos todos apenas humanos.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 19/07/2010

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38 thoughts on “Carta aberta a uma feminista ingênua

  1. Engraçado, se aparecer um grupo de homens querendo acabar com a prostituição, as feministas vão dizer que as prostitutas estão sendo oprimidas pelo machismo opressor e que tem o direito de se prostituir.

    Vai entender!

    1. Claro que entendo: qualquer coisa que um homem disser sobre as mulheres é uma “tentativa de controle do patriarcado falocêntrico opressor histórico sobre o corpo das mulheres” etc.

      Não tem escapatória: se opina, está tentando controlar, se não opina, está mostrando descaso pelo bem estar das mulheres. Este jogo é viciado de A a Z.

    2. maria de lourdes

      03/12/2011 — 18:12

      Pior que já vi uma situação assim.Por isso que odeio de todo coração as feministas,não me sinto defendida nem representada por elas.Quem eu vejo nos defendendo na íntegra são homens,por mais incrível que pareça.As feministas de hoje querm é que as mulheres não mudem de mentalidade( podem e devem continuar sendo fúteis,acéflasa,vulgares),mas exijam respeito e valorização.

      Agora,tem muita coisa falsa que o ator alega,prova de que ele desconhece a realidade nossa de mulher.O Brasil tem um quadreo absurdo de violência doméstica,exploração sexual etc.Nós não temos os privilégios e igualdade que ele alega e a lei maria da penha é aprova de como a violência de gênero ainda é absurda.E não existe esta de “homem vulnerável á lei”,tem leis aí para todo mundo,´so não tinha uma específica para a violência de gênero,ou seja,só acrescentaram mais uma no código penal que como todas as outras,dificilmente será aplicada.E no Orkut,procure comudades sobre machismo que vc verá regras igeuias ou até piores,comunidades nos xingando,pregando estupros de lésbicas e tudo o mais.E misandria é auto-defesa;machismo é que começou com esta estória de ódio.É um argumento estranho para alguém que diz ter participado de defesa dos direitos humanos,parece mesmo que vc está atacando o feminismo em si e não as idiotices das feministas.

    3. “Agora,tem muita coisa falsa que o ator alega,prova de que ele desconhece a realidade nossa de mulher.”

      Estás redondamente equivocada, Maria de Lourdes.

      “tem leis aí para todo mundo,´so não tinha uma específica para a violência de gênero”

      E não tinha mesmo que ter uma lei específica para “violência de gênero”. Toda violência injustificada deve ser combatida, por que raios haveríamos de inventar categorias de violência específicas para proterger um pouco mais ou um pouco menos este grupo ou aquele? Isso não faz sentido algum.

      “misandria é auto-defesa”

      Não, não é. Misandria é cretinice pura, tanto quanto misoginia.

      “parece mesmo que vc está atacando o feminismo em si e não as idiotices das feministas”

      Pois não tenha dúvidas: eu sou 100% anti-feminista. Considero o feminismo uma degeneração ideológica perniciosa para a humanidade.

      Eu sou um defensor dos Direitos Humanos universais, inerentes, inalienáveis e iguais para todos os membros da família humana, não admito criar distinções de qualquer tipo entre os seres humanos. Aliás, nem eu nem a DUDH. Leia a declaração com atenção, expecialmente o artigo XXX.

  2. Feminista ingênua cai fora rapidinho. Mulher feminista com esse papo de “verdadeiro feminismo” é uma filha da puta hipócrita. É até bom não perder muito tempo com elas. O Manifesto SCUM, para quem não leu, eu devo colocar no nosso blogue um dia destes, mas aqui vão uns trechinhos na nossa postagem “O Manifesto SCUM pode explicar o Movimento LGBT?”:
    http://avezdasmulheres.blog.com/2012/07/23/o-manifesto-scum-pode-explicar-o-movimento-lgbt
    Mas o que é engraçado é que essas lésbicas mal disfarçadas nunca vão descer o porrete nas amiguinhas que já pregaram o extermínio de homens, que diz que os homens são estupradores em potencial ou alguma coisa assim. Mas basta você publicar o caso de uma biscate que vive da pensão do pai do filho dela enquanto envenena a criança contra ele que as mulheres decentes se sentem representadas:
    http://avezdasmulheres.blog.com/2013/03/26/mexeu-com-uma-mexeu-com-todas-no-pensao-alimenticia-um-roubo
    Foi bom te conhecer. Já pus um atalho no nosso A Vez das Mulheres de Verdade.
    Beijos
    Abigail

  3. Maria de Lourdes, odeia as feministas mas fala como uma, hein! A Lei Vadia da Penha não significa explosão de violência contra a mulher, só prova o quanto essas lésbicas querem poder e fazer canalhice. Amigos, leiam o texto “Feminismo Híbrido”.
    Beijos

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