Governo e oposição, movidos por interesses eleitorais, disputam a paternidade do Programa Bolsa-Família e fazem propaganda de seu lado positivo: ele tirou muita gente da miséria e trouxe estas pessoas para o mercado consumidor. Governo e oposição, movidos por interesses eleitorais, silenciam perante o lado negativo do Programa Bolsa-Família: ele perpetua a dependência de um imenso contingente de miseráveis ao auxílio governamental para manter um padrão aquisitivo mínimo sem exigir dos beneficiários contrapartidas que efetivamente os qualifiquem para deixarem de depender do benefício, pois isso não dá voto. Os danos culturais e as conseqüências sócio-econômicas de longo prazo que essa visão eleitoreira de curto prazo trará ao Brasil serão imensos.

Você é um náufrago em uma ilha paradisíaca onde em se plantando, tudo dá. Seu companheiro de aventura é um selvagem nativo chamado Cidadão de Bem, uma companhia agradável quando tudo vai bem mas que muda de comportamento quando as coisas vão mal (Sexta-Feira é o companheiro do Robinson, não misture as histórias).

Num belo sábado, você e Cidadão de Bem estão a passear pela praia, entretidos em um colóquio sobre o ângulo mais fotogênico dos orangotangos, quando encontram um sujeito caído na beira da praia, quase morto de cansaço. É outro náufrago. Está tão debilitado que não consegue nem erguer a cabeça e mantê-la na mesma posição por muito tempo. Sua situação é crítica.

Depois de batizar o sujeito de “Sábado” – ora, que criatividade a minha – você e Cidadão de Bem tratam do coitado, tentando garantir sua sobrevivência. Dão-lhe água de coco para hidratá-lo e para que comece a recuperar suas forças, dão-lhe um banho de água doce, colocam nele roupas secas,  levam-no para um abrigo e alimentam o sujeito por alguns dias.

Sábado começa a se recuperar, mas não mostra interesse em nenhuma das atividades neecssárias à manutenção de sua própria sobrevivência. Ele não busca água na bica, não quer aprender a pescar com lança, não acompanha Cidadão de Bem em busca de frutos silvestres e não chega nem perto da área em que você cultiva batatas e bergamotas, os dois únicos gêneros alimentícios que você conseguiu salvar do seu naufrágio.

No início você e Cidadão de Bem toleram a atitude dele – afinal o coitado sofreu tanto – mas logo começam a se sentir incomodados. O sujeito come uma parcela significativa da produção de alimentos, passa o dia sentado embaixo de um coqueiro esperando os cocos caírem e ainda reclama que os cocos não caem com regularidade adequada e em quantidade suficiente para satisfazer suas necessidades. Tudo bem que ele chegou à praia fraco, debilitado e sem saber como sobreviver naquele mundo estranho, mas ele pode aprender a cuidar um pouco melhor de si mesmo e também a contribuir para a produtividade, o progresso e o bem-estar do grupo, não pode? Não, não pode.

Quando você explica a Sábado que ele já está alimentado e agora precisa aprender a pescar e começar a colaborar com a produção de alimentos, ele se revolta.

“- Eu me chamo Lúmpem! E eu não pedi para estar aqui, fui despojado de meus pertences e lançado em uma condição de vida miserável que eu não desejo. No meu país, os políticos diziam que as classes dominantes tinham uma dívida histórica comigo, então o governo me dava dinheiro todo mês e não me exigia nada em troca. Agora vocês têm obrigação de cuidar de mim!”

Você e Cidadão de Bem olham pasmos um para o outro e depois para Lúmpem, que depois de seu discurso cruzou os braços e ficou olhando enraivecido para os dois. Então Lúmpem diz: “E vão pescar de uma vez, que já está na minha hora de jantar!”

Desta vez é Cidadão de Bem que fala primeiro. Ou melhor, fala e age: “Vai botar um trabalho nesse corpo, vagabundo!” e sai esbolachando a cara de Lúmpem, que depois de levar meia dúzia de bofetadas corre para o mato jurando vingança.

Você então prevê problemas. Lúmpem pode estar em qualquer lugar. Como você vai dormir tranqüilo, sabendo que Lúmpem pode surgir a qualquer momento para tomar seus mantimentos, suas ferramentas e talvez até matar você? Agora você precisa de um sistema de segurança para se proteger de Lúmpem.

Você e Cidadão de Bem passam a sofrer limitações em seus deslocamentos, pois Lúmpem está à espreita. Passam a gastar uma boa parte de seu tempo vigiando seus pertences. Outra parte do seu tempo útil – e muito esforço – precisa ser gasta para recompor os danos causados por Lúmpem nas cercas de proteção e para repor os mantimentos e ferramentas roubados por Lúmpem. Definitivamente, a chegada de Lúmpem deteriorou a sua qualidade de vida e a de Cidadão de Bem.

Até que um dia você consegue capturar Lúmpem.

Cidadão de Bem, voltando de uma pescaria, vê Lúmpem amarrado e já desce a bordoada. Você impede o espancamento e explica que não é certo agredir quem não pode se defender. Cidadão de Bem reclama que isso é o que Lúmpem fazia roubando mantimentos na calada da noite e é o que ele pretendia fazer emboscando vocês em momentos de descanso ou desatenção. Você diz que não pode se rebaixar ao mesmo nível, que o erro do outro não justifica o seu erro. Então Cidadão de Bem diz que então é problema seu lidar com Lúmpem, porque ele não tem que ser responsabilizado pelas decisões dos outros e muito menos tem que sustentar vagabundo, e sai juntando suas ferramentas.

Oh, céus! E agora?

Você pessoalmente não é culpado pelo surgimento de Lúmpem. O naufrágio que levou Lúmpem a surgir em sua vida é um fato pretérito que ocorreu independentemente de sua vontade ou de seu poder de decisão. Mas você precisa lidar com Lúmpem agora.

Cidadão de Bem, que era seu aliado quando tudo estava funcionando bem ou quando estava protegendo apenas os próprios interesses, lavou as mãos, reuniu seus pertences e tirou o corpo fora, eximindo-se da responsabilidade de lidar com Lúmpem.

Você não tem recursos suficientes para lidar com Lúmpem sozinho. Você até pode exigir de Cidadão de Bem um pouco de “solidariedade forçada”, pois você provê batatas e bergamotas, mas isso coloca você e Cidadão de Bem em atrito e não resolve o problema de ambos terem que sustentar Lúmpem, que continua se negando a aprender a pescar, preferindo ser sustentado ou roubar. Afinal, Lúmpem estava acostumado a ganhar tudo sem ter qualquer obrigação em contrapartida.

E aí, o que você vai fazer? Como você vai convencer Lúmpem que ele não tem mais direito a ser ressarcido por nenhuma “dívida histórica” e que agora precisa aprender a se tornar produtivo?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 29/07/2010

63 thoughts on “O mal que o Programa Bolsa-Família causará ao Brasil

  1. A ÚLTIMA:

    Comentando a única parte que faz sentido comentar neste contexto: quem fez a pergunta fui eu e não vou aceitar a inversão dela. Primeiro tu respondes qual o problema em exigir contrapartidas e depois eu respondo tuas perguntas a respeito.

    As contrapartidas estão expostas no programa:
    http://www.mds.gov.br/bolsafamilia/condicionalidades

    O que você quer ampliar as contrapartidas e relacioná-las com desempenho, impondo um juízo de valores, numa moral quase calvinista. Discordo, primeiro conceitualmente, conforme é a interpretação do modelo Beveridgeano de renda mínima, segundo por uma simples condição de igualdade. Igualdade é tratar os iguais de maneira igual e os diferente de maneira desigual.
    A parcela da população que estamos tratando não está em condições de igualdade com um funcionário público, com ensino superior, boas condições de trabalho e um bom-salário.
    Essa parcela está exposta a um risco social inerente e iminente: violência (familiar e ambiental), desnutrição e precariedade material. Não é com uma quantia que lhes garante apenas a subsistência alimentar que você pode exigir desempenho ou eficiência. Não se trata de um regime trabalhista e sim de um programa social.

    1. Eu editei a resposta acima, porque ela havia sido publicada incompleta. Acho melhor leres novamente.

  2. Um salário mínimo já seria pouco….imaginem….

    A grande maioria ganha 62,00 Reais.Se tiver filhos…cada um ganha 20,00 Reais….se tiver um quarto ele nõ recebe nada.

    Uma família com renda de 140,00 Reais pode receber entre 62,00 e 200 Reais.
    Se o filho tiver entre 16 e 17 anos o valor é de 33,00.
    Se os irmãos forem gêmeos …só um deles pode receber.

    Isso não passa de esmola…eleitoreira….como sempre foi.

    Afirmo que se fosse uma preocupção séria do governo…o valor seria outro.

    Se o governo realmente se importasse …nossa realidade s eria outra.

    E se NÓS nos importássemos ….nosso país seria outro.

    1. Lya, não é bem assim. A lei estabelece esses valores, mas diz que o governo pode alterá-los. No final o valor acaba sendo discricionário.

      Lei 10.836

      Art. 2° § 6° – Os valores dos benefícios e os valores referenciais para caracterização de situação de pobreza ou extrema pobreza de que tratam os §§ 2° e 3° poderão ser majorados pelo Poder Executivo, em razão da dinâmica socioeconômica do País e de estudos técnicos sobre o tema, atendido o disposto no parágrafo único do art. 6º.

      Art. 6° As despesas do Programa Bolsa Família correrão à conta das dotações alocadas nos programas federais de transferência de renda e no Cadastramento Único a que se refere o parágrafo único do art. 1º, bem como de outras dotações do Orçamento da Seguridade Social da União que vierem a ser consignadas ao Programa.

      Parágrafo único. O Poder Executivo deverá compatibilizar a quantidade de beneficiários do Programa Bolsa Família com as dotações orçamentárias existentes.

      Ou seja, basta que se aloque discricionariamente dotações do tamanho que bem se entender aos programas de transferência de renda ou que se consigne “outras dotações orçamentárias” e está tudo liberado.

      A lei no Brasil é sempre feita para parecer que é uma coisa, quando na verdade é bem outra.

  3. Bons argumentos, porém não concordo, os filhos de um pobre que subiu para a classe média vai ser criado de acordo com sua renda, terá valores e referências baseadas no meio em que foi criado, se existe alguém que tem na sua memória o programa que a ajudou a sair da situação e pode desenvolver um comportamento como esse (o que eu acho difícil) é o pai, o primeiro beneficiado, e não acredito que a pessoa mude seus valores éticos a tal ponto de começar a roubar, só porque foi ajudado inicialmente, achei a visão um tanto quanto elitista. Venho de família que é exemplo disso, meus avós eram pobres e suas proximas gerações foram aumentando de renda e de classe, as referencias com que foram criados cada uma dessas gerações foi totalmente diferente uma da outra, assim como será a proxima. Acredito que o programa funcione sim, se vier acompanhado de mais medidas a fim de fazer com que essas pessoas subam de classe e passem a consumir e produzir também, para isso precisamos de forte investimento na educação, e é o que espero para o proximo governo.

    1. Paulo, educação é solução para a próxima geração, isso se a influência da cultura doméstica do coitadismo não suplantar a “fantástica” capacitação para o empreendedorismo e a cidadania promovida por nossa “incrível” escola pública.

      O cerne do meu argumento é absolutamente coerente com a racionalidade econômica: se é verdade que as pessoas respondem a incentivos (e é), então qual exatamente é o incentivo oferecido por um programa que dá dinheiro sem exigir qualquer contrapartida?

  4. Ricardo Anzil

    02/01/2011 — 22:57

    Arthur a resposta para a comtrapartida dos que recebem o bolsa familia é simples, eu te ajudo com dinheiro e você e sua familia me da votos,lógico que tudo isso é camuflado com a linda frase “igualdade social”, todos nós sabemos que nunca vai existir igualdade social por vários fatores como, oportunidade, inteligência, dom da pessoa,escolaridade,cultura e por ai vai.Essa igualdade social que tanto pregam não passa de uma grande mentira, só existira igualdade se todos tiverem o mesmo tipo de oportunidade na vida, e isso é humanamente impossível.Esse seu texto é um morro no estômago das pessoas que defendem esse tipo de assistencialismo barato, parabéns.

    1. Que pena que não vi esse comentário à época. O problema, Ricardo, é a interpretação da palavra “igualdade”. Igualdade de direitos é ótimo. Igualdade de oportunidades é impossível de aferir, mas permanece como meta válida enquanto fizermos investimentos para ampliar a oferta de oportunidades para todos. Igualdade de resultados, porém, é impossível sob qualquer ótica, pelo simples fato de as pessoas não serem iguais entre si nem em interesses nem em capacidades. Reduzi-las todas a um Mínimo Denominador Comum costuma nivelar todo mundo muuuuuuuito por baixo, porque há milhões de indivíduos que são “primos entre si” no sentido matemático do termo.

  5. Saiu os novos números nocivos da corrupção do Brasil.

    São 69 bilhôes que se desvia por ano dos cofres públicos.

    Só esses nímeros da pra colocar 34 milhôes de crianças na escopa por ano.

    Construir 2 milhôes de casas populares.

    Fazer 170 mil novos leitos em hospitais.

    Corrupção mata, pode-se considerar arma de destruição em massa.

  6. Bolsa-Esmola e o “retorno garantido”
    .
    A prova agora está escancarada. Como muitos sempre souberam, o Bolsa-Esmola nunca foi um programa de combate à pobreza, ou de fomento de condições estruturais para a pessoa deixar a “miséria” e ingressar definitivamente em uma vida produtiva e auto-sustentável.
    Mas sim foi um projeto puro e simples de compra de votos para garantir a alienação da população analfabeta e desinformada e a perpetuação do PT no poder. Um projeto bem pensado, diga-se de passagem, imiscuido com aquelas desonestidade e torpeza que só os vilões mais canalhas possuem.
    Quem dera os recebedores de esmola tivessem acesso às palavras de Hélio Bicudo, fundador do PT, que nas últimas eleições abandonou o partido para votar no adversário, José Serra:
    ________________________________________________________
    “Os planos do PT pra esse governo, eu acho que eles começaram com a primeira eleição do Lula. A perpetuação do PT no poder. Com o Lula ou com terceira pessoa. Eu me lembro na ocasião em que começaram a falar do bolsa família e tal, eu perguntei ao José Dirceu: “Mas como é que vocês entendem essa questão da bolsa família… porque o Lula sempre falou que as pessoas precisavam ter 3 refeições, o café da manhã, o almoço, o jantar e tal… é nessa linha, ou educar ou não e tal…” E ele me disse: “Olha, você já pensou o que representa isso em matéria eleitoral? Nós vamos beneficiar 12 milhões de famílias, por exemplo. 12 milhões de famílias são mais de 40 milhões de votos.” É isso que é a bolsa família. Quer dizer, não há nada mais profundo do que o problema eleitoral. Quer dizer, você recebe dinheiro pra votar”.
    .
    http://www.defesadademocracia.com.br/2010/10/16/helio-bicudo-jose-dirceu-me-disse-bolsa-familia-sao-mais-de-40-milhoes-de-votos/

    1. Grande verdade. Mas sabe o que é que me CANSA, Nelson? Olha o nível dos comentários lá no endereço que linkaste…

  7. Agora, com o aparente “sucesso” do plano vil com o usufruto do poder eterno, precisa o PT assegurar que suas ovelhas não se dispersem do “PasTor”, e que venham eternamente comer da sua mão.

    __________________________________________________________

    Observem o que diz e o que faz o próprio governo, na matéria do Estadão:

    1 -“Com o objetivo de estimular a emancipação dos beneficiários do programa Bolsa Família, o governo decidiu assegurar às famílias dos que eventualmente voltarem à situação de pobreza a possibilidade de recuperar o benefício sem burocracia até 36 meses depois de abrirem mão voluntariamente dos pagamentos. A medida ganhou o nome de ´retorno garantido´.

    2 -“Em quase oito anos do Bolsa Família, são raros os casos de entrega voluntária dos cartões de pagamento, e o ministério nem sequer tem dados sobre a emancipação dos beneficiários.

    3 – “As regras do programa não preveem tempo limite de manutenção do benefício.
    (…)
    Segundo ela [Tereza Campelo, minstra do desenvolvimento social], não há meta de emancipação definida até 2014, prazo para o cumprimento da meta de erradicação da pobreza extrema no País.”

    http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,bolsa-familia-assegura-volta-a-quem-se-desligar,774605,0.htm
    ____________________________________________________________

    Além disso, o governo aumenta agora o limite máximo dos beneficiários para 5 (cinco) filhos. Ou seja, ele premia os pais irresponsáveis dando mais dinheiro para eles!

    Não só isto, ele incentiva aqueles que mal conseguem sustentar a si próprios, a fazer mais filhos, que, óbvio, estes no futuro também não poderão se sustentar a si próprios, então eles farão mais filhos para receber mais dinheiro, e por aí vai.

    1. E os “intelectuais” dizem que ninguém faria um filho para ganhar a merreca do bolsa-família… sinal que desconhecem mesmo como pensa o miserável.

  8. Esta é a equação da MISÉRIA, não a do desenvolvimento.

    Na prática, friamente falando, o programa Bolsa-Esmola transfere a renda dos trabalhadores para os vagabundos. Ele transfere o dinheiro (e com ele a força de trabalho, a disposição, o tempo, o esforço dedicado ao estudo e à labuta) daqueles cidadãos que são competentes, responsáveis e se dedicam a uma vida produtiva, para aqueles cidadãos incompetentes, irresponsáveis, e que preferem receber esmola dos outros do que buscar seu auto-sustento e o de suas famílias. Na prática o que acontece é que o governo devia compulsoriamente o dinheiro dos eleitores que votam na oposição para COMPRAR os votos dos eleitores que estão dispostos a vender o seu poder de voto em troca de uns trocados.

    O programa não tem prazo para terminar. Mas a “erradicação da miséria no pais” tem! Coincidentemente o prazo estipulado pelo governo é o ano eleitoral de 2014, quando o partido em questão tentará novamente usurpar do poder. Alguém advinha se a miséria estará “erradicada” até lá? Sim, eu adivinho: ela não será “erradicada”. Ela estará exatamente igual está agora, porque o PT descobriu a fórmula: é dela que o PT precisa para se eternizar no poder.

    1. E nem que toda a oposição vá junta para a TV denunciar isso vai adiantar alguma coisa. Pode ter certeza: 2014 é PT na cabeça de novo, não interessa se com Dilma, Lula ou José Dirceu na cabeça, ou qualquer um outro. A fórmula está longe de esgotar seu poder.

  9. Uma vez perguntaram a raposa, se ela preferia ser um cão de caça ou uma raposa?

    Ela disse: Ser cão de guarda tem comida, bebida a sua diposição, um dono pra te proteger e te da abrigo e pouca ou quase nenhuma liberdade. Uma raposa tem que correr atrás de comida, bebida, uma toca segura, é uma vida mais difícil, mas tenho liberdade de ir onde eu quero, a hora que quero, comer o que me da vontade, jamais trocaria minha vida por uma de um cão que tem o dono como pai-baba, ou seja, nada vale a liberdade de uma raposa de depender de um dono.

    1. Eu sei disso. Estou deixando de ser um cão de caça do Estado para me tornar uma raposa da iniciativa privada. Dá medo, mas é entusiasmante!

  10. Prof. Totó

    03/05/2012 — 21:21

    A bolsa familia claramente é compra de votos e quem paga a conta são os que votam conscientemente.O governo petista é mentiroso e irresponsáve:mentiroso porque o Brasil “CRESCE” com o sacrifício social dos que aceitam (tu não precisa porque eu já estou te pagando/saude,educação,segurança pública de miseráveis).Irresponsável porque tráz uma copa do mundo com a assinatura do que concordou e agora reclama.Se o governo fosse bom não precisava da base “ALIENADA”,isto é,aliada.

  11. Prof. Totó

    03/05/2012 — 21:41

    A bolsa familia tem que ser pelo rendimento do aluno e não pela presença.A familia não está facilitando a aprendizagem. Muita gente não quer mais trabalhar e nem se interessam para se qualificarem.As classes sociais são apenas faixas numéricas do IBGE.A classe média que paga a conta está endividada, enquanto os que recebem a bolsa miséria não sabem investir nos alunos,que não vale mais que 1(um) sofá.A população com menos de 1 ano está caindo mesmo com os assistecialismos.A zona rural está se acabando, o IBGE sabe disso;isto o PT não fala na TV

  12. O texto e antigo, vi agora e acho que, apesar de ser uma metáfora bastante simplista, dar dinheiro gratuitamente a quem quer que seja, pouco ou muito (dinheiro conseguido com o esforço do povo trabalhador brasileiro), é um grande absurdo. É óbvio que os beneficiarios vão ficar mal acostumados. Dinheiro de graça, quem não quer??
    Não entendo como alguém pode defender isso.
    Qualquer um , pobre ou não , que se interesse por empregar o tempo estudando (em vez de ficar vendo novela, bbb, ou qualquer outra merda) pode conseguir um bom emprego, passar num concurso e ter uma vida razoável. Estudar não é tão ruim assim, não adoece nem mata ninguém, nem quem é preguiçoso e quer viver às custas de terceiros. Pode até não conseguir um salário alto, mas certamente é melhor que uma esmolinha.

    1. Olha a fonte da notícia (“segunda rodada de Avaliação de Impacto do programa, realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social”) e me diz se tem alguma chance de ter credibilidade…

      As raposas que administram o galinheiro falariam a verdade sobre o destino das galinhas que “saem de férias e decidem emigrar para plantações de milho distantes e paradisíacas”? Garanto que não faltariam fotos e depoimentos de galinhas felizes chafurdando no milho para embasar essa “notícia”…

      Outra coisa… Se tem uma coisa que é fácil de fazer é mentir com números. Mas quem tem um mínimo de experiência fareja a trampolinagem de longe. Queres ver um exemplo?

      O Brasil gasta 0,5% do PIB – um mundaréu de dinheiro – com o Bolsa-Família (dado constante na própria reportagem citada). Mas os resultados são pífios, como podemos ver pelos números apresentados no último parágrafo da reportagem:

      A proporção de crianças com desnutrição crônica caiu de 14,7% para 9,7% entre os beneficiários e 15,8% para 11% no outro grupo analisado. O baixo peso teve queda de 7,8% para 5,8% entre os não auxiliados e 7,2% para 5,9% nos beneficiários. A diferença nos casos de desnutrição aguda, no entanto, é grande: enquanto os entrevistados fora do Bolsa Família viram um aumento de 8% para 9%, os auxiliados registraram diminuição de 7,7% para 7,4%.

      Veja bem: 14,7% menos 9,7% são 5%. 15,8% menos 11% são 4,8%. E 5% menos 4,8% são apenas 0,2% de diferença na redução da desnutrição infantil apesar do investimento de 0,5% do PIB!

      Mesmo raciocínio: 7,8% menos 5,8% são 2%. 7,2% menos 5,9% são 1,3%. E 2% menos 1,3% são apenas 0,7% de diferença na redução do baixo peso apesar do investimento de 0,5% do PIB!

      E a “grande” diferença nos casos de desnutrição aguda segue a mesma lógica: 8% menos 9% são -1%. 7,7% menos 7,4% são 0,3% (desempenho pífio, quase zero, apresentado como “grande”). E -1% menos 0,3% são -1,3%, diferença ínfima que só se tornou minimamente significativa porque a situação geral piorou.

      Quando um país gasta 0,5% do PIB (que é a soma de toda a riqueza produzida no país) em um programa e obtém “melhorias” para a população atendida da ordem de menos de 1% de diferença em relação à população não atendida, isso significa um IMENSO FRACASSO, que no entanto está sendo apresentado como “grande sucesso”.

  13. Pelo aumento do Bolsa Família!
    http://www.youtube.com/watch?v=cuFH4E4SLmI

    1. Tô sabendo… Esse vídeo colocou alguns fóruns de debate em polvorosa.

      Mas o que se pode esperar de um programa assistencialista que absolutamente nada exija de esforço em busca da autonomia? Quem satisfaz suas necessidades através do Programa Bolsa-Família tende a simplesmente achar que é justo ganhar aquele dinheiro porque é pobre, tende a achar que o benefício que deveria ser temporário é um direito trazido por sua condição miserável. Aí, quando eu e outros reclamamos que o PBF ensina o povo a agir como o Lúmpen deste artigo, dizem que somos negativistas, que somos elitistas, que isso e aquilo… Mas até agora os que pensamos assim não erramos em nenhuma análise.

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