A revista Superinteressante preparou um teste de conhecimentos sobre drogas com dez questões. Eu acertei todas. Não que isso signifique grande coisa, porque a maior parte do teste é irrelevante. Mas fiquei pasmo ao ver que, ao invés de me dar os parabéns, o autor do teste tratou de ressalvar que a razão de meu alto desempenho “pode ser apenas curiosidade”, como se ter conhecimento sobre a questão das drogas fosse típico de viciados!

Até que não me saí mal no teste, hein?
Até que não me saí mal no teste, hein?

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Preconceito absurdo

Observem bem a frase com que o teste “saúda” quem acerta todas as questões:

“Saber muito sobre as drogas não faz de você necessariamente um viciado. Ter muita informação sobre o assunto pode ser apenas sinal de curiosidade.”

Isso mostra claramente que o autor do teste pensa que o padrão é que quem sabe muito sobre as drogas é um viciado e que a exceção é que ter informação sobre o assunto seja apenas sinal de curiosidade.

Por que raios o resultado para quem acerta todas as questões não é um inequívoco “Parabéns!” por ser alguém muito bem informado?

Irracionalidade generalizada

Quando temos que justificar por que temos conhecimento sobre determinado assunto e fazer ressalvas quanto aos motivos que levam uma pessoa a ter este conhecimento, é sinal que há muito tempo o assunto não é mais tratado com objetividade e isenção.

Se isso acontece até mesmo nas páginas de uma revista que normalmente trata a questão das drogas de modo esclarecido e razoável, em um artigo que certamente passou por mais de um revisor e ninguém percebeu esta tremenda gafe, é de se imaginar o tamanho do estrago que a desinformação proposital e as campanhas demonizadoras das drogas já causaram na cultura popular.

Conseqüências

É em função deste tipo de pensamento preconceituoso e distorcido que as políticas sobre drogas imitam os piores exemplos do mundo ao invés de imitar os melhores.

Nove entre dez palpiteiros preconceituosos e desinformados insistem em adotar políticas cada vez mais repressivas apesar de todas as evidências em todo o mundo serem de que, quanto mais se reprime o tráfico, mais aumenta a criminalidade, a violência e a corrupção.

Poucas vezes eu encontrei um momento melhor para citar o ditado “tentar apagar fogo com gasolina”.

Existe solução?

Para a questão das drogas, é claro que existe solução. Quem quiser saber como reduzir a níveis ínfimos a violência e a corrupção geradas pela proibição das drogas só precisa clicar na tag drogas aqui do blog e ler os artigos correspondentes.

Para a questão do preconceito, já não tenho a mesma certeza. Se todo detentor de conhecimento é visto com desconfiança pelo simples fato de estar bem informado, significa que os preconceituosos só confiam nos ignorantes. Aí foi-se o boi com a corda.

Conclusão

Se você quiser obter credibilidade e grande aceitação, diga que não sabe de nada. Nunca antes na história deste país isso funcionou tão bem.

Sinal dos tempos.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 30/07/2010

16 thoughts on “Preconceito contra drogas confunde conhecimento com indício de drogadição

  1. “Saber muito sobre as drogas não faz de você necessariamente um viciado. Ter muita informação sobre o assunto pode ser apenas sinal de curiosidade.”
    Te encostou na parede, Arthur.

    1. Que nada, Teles. O autor do teste só demonstrou ser preconceituoso.

      É como se ele tivesse dito isso: “Saber muito sobre as armas não faz de você necessariamente um assassino serial. Ter muita informação sobre o assunto pode ser apenas sinal de curiosidade.”

      Ou, continuando a brincadeira: “Saber muito sobre DSTs não faz de você necessariamente um promíscuo. Ter muita informação sobre o assunto pode ser apenas sinal de curiosidade.”

      Dá pra zoar muito com isso… 🙂

  2. “Se todo detentor de conhecimento é visto com desconfiança pelo simples fato de estar bem informado, significa que os preconceituosos só confiam nos ignorantes” Essa matou a pau Artur, nem precisava ter escrito mais nada. Ja no meu teste deu “vc escutou a vovó”, ironico não. Me admiro a Superinteressante ter publicado esse infeliz teste. É nessas horas que lembro da frase da “minha vovó”, PERDEU DE FICAR QUIETO!

    1. Sério que a resposta é “você ouviu a sua vovó” por teres acertado menos do que dez questões? 😮 Mas isso é uma loucura! Significa que ouvir a vovó evita que o sujeito se vicie porque ele fica menos informado!!! ARGH!

      Vou lá errar oito questões pra ver o que acontece. Peraí.

      .
      .
      .

      ARGH!

      Olha o absurdo que é o resultado para dois acertos:

      Você bebe sim! E tá vivendo…

      Você não conhece muito sobre as drogas. Provavelmente sabe dos efeitos dos álcool e que alguns medicamentos devem ser vendidos só com prescrição médica. Aprenda a diferenciar melhor as drogas e cuidado para não aceitar o que não conhece.”

      Quer dizer que o sujeito quase completamente ignorante no assunto “bebe sim e está vivendo”, ou seja, está usando uma droga legal, está acabando com a própria saúde, mas como a droga que ele está usando é legalizada, então pode contnuar se matando, é só não arriscar a conhecer algo que o governo não permite e está tudo bem…

      Realmente, que baita pisada na bola da Superinteressante!

  3. Eduardo Marques

    31/07/2010 — 14:46

    Do mesmo jeito, quem disser q é a favor da liberação do uso de drogas é visto como potencial drogado.

    Outra coisa: será que o cara da Super não estava sendo irônico?

    1. Não, não acredito em ironia. E, se foi esse o caso, foi de uma irresponsabilidade extrema, porque a revista Superinteressante é voltada para um público muito jovem e seria um absurdo que tivesse vários “níveis de leitura” contraditórios entre si.

      Essa aberração provavelmente foi produzida por um conservador proibicionista que foi encarregado de construir o teste, inseriu nele sua posição ideológica e usou um vocabulário supostamente “descolado” para se aproximar do padrão de redação da revista.

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  5. Você acertou 6 questões
    ( 1, 2, 3, 4, 7, 8 )
    Você escuta sua vovó
    Você ouviu histórias de amigos e conselhos da família. Lembra-se de alguma coisa também das aulas de ciências. Mas não adianta se referir às drogas pelos seus apelidos que você não vai entender muito bem.

    HUeuhaeuhaeuhae que teste enganado!!!!!!!

    1. De onde é que eles tiraram essa história de apelidos de drogas???

  6. bola, branco, bala, doce…. apelidos ao invés dos nomes das substâncias.

  7. Você está certíssimo meu caro.

    Como diz o ditado: O ignorante sempre trata novos conhecimentos com descrença.

    1. Ou, no extremo oposto, como se fossem uma revelação “divina”, inquestionável, mandatória.

      Já o bom senso, o caminho do meio, a ponderação… pfff… são raríssimos.

  8. Eu errei 3 respostas….sniffff….

    A palavra droga,vem de Drogaria….lugar onde se vende as drogas legalizadas,mas…….

    1)Origem da palavra: droga vem da palavra droog ( holandês antigo) que significa folha seca. Isto porque, antigamente, a maioria dos medicamentos era à base de vegetais.

    2)A etimologia da palavra é controversa. Sua origem já foi atribuída às línguas bretã, grega, irlandesa e francesa, mas a versão mais aceita prega que ela vem mesmo do holandês droog (seco). O termo seria uma referência aos carregamentos de peixe seco que chegavam à Europa, muitas vezes estragados. A associação com as substâncias químicas talvez se deva ao seu gosto estranho e à sua procedência estrangeira.

    3) O termo droga, entretanto, só começou a ser usado na Idade Média e a sua origem é controversa.e várias possibilidades têm sido admitidas; as mais verossímeis são:

    1. Do baixo alemão droghe vate, expressão que designava o recipiente onde se guardavam as ervas secas.[1]
    2. Do neerlandês droog, que quer dizer seco.[2]
    3. Do céltico, com a acepção de má qualidade. Falam a favor desta hipótese os vocábulos droug em bretão, e droch em irlandês.[3]
    Qualquer que seja o seu étimo, o termo droga, de acordo com a maioria dos léxicos, designa a substância ou matéria da qual se extrai ou com a qual se prepara determinado medicamento.

    4)A origem etimológica da palavra DROGA é incerta. A palavra pode ter derivado de DROWA (árabe), cujo significado é bala de trigo. Droga, ainda, pode ser originária de DROOGE VATE (holandês), cujo significado são tonéis de folhas secas. Isto porque antigamente quase todos os medicamentos eram feitos à base de vegetais.

    5)De origem controversa, a palavra droga pode ter origem do persa droa (odor aromático), do hebraico rakab (perfume) ou do holandês antigo droog (folha seca, porque antigamente quase todos os medicamentos eram feitos à base de vegetais).

    6)A origem etimológica da palavra DROGA é incerta. A palavra pode ter derivado de DROWA (árabe), cujo significado é bala de trigo. Droga, ainda, pode ser originária de DROOGE VATE (holandês), cujo significado são tonéis de folhas secas. Isto porque antigamente quase todos os medicamentos eram feitos à base de vegetais.

    A primeira língua a utilizar a palavra tal como a conhecemos hoje foi o francês: DROGUE (ingrediente, tintura ou substância química ou farmacêutica, remédio, produto farmacêutico). Atualmente, a medicina define droga como sendo: qualquer substância capaz de modificar o funcionamento dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento. Portanto, nota-se que a palavra droga se refere a qualquer substância capaz de modificar um funcionamento orgânico, seja essa modificação considerada medicinal ou nociva. Os antigos, inclusive, não acreditavam que as drogas fossem exclusivamente boas ou más. Os gregos, por exemplo, entendiam que qualquer droga se constitui em um veneno potencial e um remédio potencial, dependendo da dose, do objetivo do uso, da pureza, das condições de acesso a esse produto e dos modelos culturais de uso.

    1. DE onde vieram estas informações?

  9. Da Internet,rs

    Para tu veres o quanto todos sabem e …..ainda existem dúvidas.

    Na minha infância,farmácia era drogaria e cresci sabendo que todo medicamento é uma droga,rs.

    Não encontrei fontes fidedignas.

    1. Sim, mas de que sites? Algum site acadêmico?

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