No artigo original com o mesmo título, que estava mais para brincadeira e não pretendia ter continuação, a leitora Regina fez uma pergunta séria sobre a comunicação entre homens e mulheres. Eu comecei a responder e percebi que valia a pena compor um novo artigo para debater o tema a sério.

Esta foi a pergunta:

“Nós as mulheres não conseguimos entender qual a dificuldade de conversar e esclarecer as coisas. Quando a gente quer conversar, os homens são evasivos e monossilábicos, não entendo porque não são objetivos e nos deixam com mais dúvidas do que quando começamos. Também sentimos dificuldade em entender o que eles querem nos falar, mas são exigentes em que expressemos as coisas. Me esclareça, por favor.” (Regina)

Bem, eu não acho que seja assim.

Sempre que converso sobre este assunto eu lembro de uma cena do filme “Tootsie”. (Para quem não conhece ou não lembra do filme, recomendo procurar em uma locadora.) Neste filme o personagem do personagem do Dustin Hoffman ouve da mulher por quem está apaixonado que ela gostaria que “pelo menos uma vez na vida um homem fosse sincero com ela e a abordasse dizendo claramente que gostaria de levá-la para a cama”. Então, em outra cena e sem o disfarce feminino, ele se aproxima desta mulher e fala exatamente o que ela disse que queria que um homem dissesse.

Resultado: mal ouve a proposta, ela joga uma taça de champagne na cara dele e se afasta com a maior cara de desprezo.

Eu tenho um amigo cuja namorada vivia perguntando a ele se ele tinha alguma fantasia sexual “diferente” que quisesse realizar com ela. Ele tinha várias, mas muito prudentemente receava manifestar sua vontade porque duvidava que ela tivesse mente aberta o suficiente para realizar qualquer uma delas, talvez até para ouvir alguma delas. Ela insistiu tanto, deu tantas garantias de que ele podia pedir o que quisesse, que ele acabou dizendo: “tá bem, já que tu queres tanto realizar alguma fantasia diferente, que tal se a gente fizer xxxxxxxxx?”

Resultado: mal ouviu a proposta, ela torceu o nariz, assumiu um ar indignado, disse que jamais esperava um absurdo desses dele e que estava tudo terminado entre eles a partir daquele momento.

Eu tive uma paquera virtual maravilhosa com alguém que conheci na pré-história do Orkut e com quem passava horas e horas a conversar no MSN e até por telefone, apesar de ela morar na Europa. Ela me chamava de “amore mio” e dizia lamentar a grande distância que nos separava. Um dia eu disse que tinha uma surpresa para ela: que ela não procurasse emprego de férias naquele ano, porque eu viajaria para conhecê-la pessoalmente e, caso ao vivo nosso interesse mútuo se confirmasse, faríamos um passeio romântico pela Europa.

Resultado: mal ouviu a proposta, ela empalideceu, desligou a webcam, me bloqueou no MSN, deletou o Orkut e nunca mais falou comigo.

Portanto, a minha convicção é que os homens aprendem a ser “evasivos e monossilábicos” com as mulheres, de tanto verem que os desejos por elas expressos raramente expressam a realidade e que falhar em adivinhar o que elas realmente pensam, realmente sentem e realmente querem traz resultados negativos drásticos, enquanto que calar gera apenas um breve resmungo contra a “incorrigível natureza masculina”.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 23/08/2010

21 thoughts on “As mulheres não sabem se comunicar com os homens (exemplos)

  1. Manga-Larga

    23/08/2010 — 21:21

    Assino embaixo. Na verdade não só as mulheres, a maioria dos humanos não diz o que pensa. E diz o que não pensa. É aprender a viver com esta dicotomia, ou ficar sozinho!

    1. Verdade. Mas eu não me recordo de conhecer homens que achem que as mulheres têm que adivinhar o que eles pensam, sentem e querem sob pena de ter um faniquito e romper a relação.

  2. Dando um pitaco: estudos neurofisiológicos da Universidade da Basiléia comprovam que as mulheres preferem respostas monossilábicas para quaisquer proposições feitas por elas. De preferência as resposta deve ser não apenas mono, ou bissilábicas, como também evasivas, ou dúbias. Coisas do tipo: “talvez”, “quem sabe”, “pode ser”, “você, hein?”, “hum, hum” são as preferidas, pois permitem que o complexo processo sináptico que induz ao encontro aleatório de probabilidades no constante pensamento errático das mulheres continue sem interrupções desagradáveis feitas por respostas elaboradas que exijam desvios na elaboração. Jamais seja definitivo a menos que seja para concordar. “Sim, querida!” cai muito bem (evidentemente como uma resposta bem colocada dentro de um contexto). “Não!” deve ser evitado, a menos que transbordante de conotações de admiração e espanto, sendo irrelevante o objeto deste espanto! “Te amo” é bem aceito em quase todos os momentos. Jamais diga três palavras a menos que elas exijam. Neste caso “te amo muito” é um bom coringa. Se repentinamente elas perguntarem para você “O que está pensando neste momento, agora, diga, diga!” Responda docemente (jamais assustado) “Em você!” Mas nunca se esqueça: seja qual for a situação, seja qual for o resultado, sejam quais forem os motivos, no final, você estará fodido.

    1. É, esse é o manual básico. 😛

  3. Seus argumentos vieram de um filme, uma namorada de um amigo e de um namoro virtual? Você precisa de uma namorada.

    1. Meus exemplos para este artigo vieram de um filme, da uma namorada de um amigo e de uma paquera virtual. São apenas um gancho para ilustrar uma opinião e começar um bate-papo sobre o assunto, não chegam a constituir uma tese sobre psicologia de gênero. Mas queres saber? Estou mesmo solteiro e disponível. 🙂

  4. hahaha!
    A resposta pra tanta dúvida, eu acho, é deveras simples. E foi dada brilhantemente pelo Mark Gungor neste vídeo aqui:

    http://www.youtube.com/watch?v=1TIeTuVO_uY&feature=search

    Ah, acho que você bolou as trocas. Tootsie é com o Dustin Hoffman. Robin Williams fez Mrs. Doubtfire. Acho que a confusão é porque em ambos os atores se vestem de mulher pra resolver as pendências… 🙂

    1. Ih, pensei na cara de um e escrevi o nome do outro. Valeu pelo aviso, já corrigi no texto. 😉

      Mas o Mark Gungor pegou só uma parte da questão. Faltou explicar por que as mulheres fazem perguntas cujas respostas elas não querem ouvir de modo algum (“você acha que eu estou gorda?”, etc.) e por que elas dizem que querem A quando na verdade querem B (todos os exemplos do artigo). Suponho que ele não tenha como explicar essa parte, devido ao que se poderia chamar de “condições intrínsecas”. 🙂

  5. Trazendo filmes aos comentários, em War Inc. o ator principal explica que a palavra PESSOA vem de PERSONA que vem de uma palavra cujo significado é MÁSCARA. Partindo desse princípio, ninguém é o que é. Sendo assim, somos uma “interface” do que realmente somos perante a sociedade em que vivemos.

    Até acredito que a maioria da forma de pensar da mulher e do homem, essas diferencas marcantes e desnecessarias, vem sim de filmes e da própria história cultural. Como seria legal se todos pudessemos ser 100% sinceros, mas isso me parece impossível quando os interesses de um ser humano passa a ser uma folha de papel com uma foto de algum presidente ou animal e um número, e nao a integridade de uma pessoa em sua comunidade.

    1. Sim, eu conheço a questão da PERSONA e da “interface”, mas o problema não é o fato de mantermos reservada uma parte de nossa personalidade e sim o fato de a parte que apresentamos aos outros ser incoerente, instável ou irascível.

  6. Manga-Larga

    24/08/2010 — 17:08

    Sobre ser 100% sincero, gostaria de indicar o filme “Invention of Lie” (A invenção da Mentira).

    Retrata um mundo onde todos só falam a verdade, quando um dos habitantes “inventa” a mentira e vira aquele mundo de cabeça para baixo… ótima reflexão!

    1. Interessante isso. Se puder, vou conferir a dica.

  7. Eduardo Marques

    24/08/2010 — 22:17

    Peraí, num intindi. O que foi que a garota entendeu com sua proposta de ir à Europa?

    1. Segundo a irmã dela, com quem mantive a amizade virtual, ela entendeu exatamente o que era pra entender: que eu a visitaria para que a gente pudesse se conhecer melhor. Ninguém entendeu a reação dela, nem eu, nem as irmãs dela, nem o pessoal que sabia de nossa história.

  8. As mulheres não sabem se comunicar com os homens « Intangível e Imutável
  9. Nossa, mas essas mulheres são loucas!! hahaha

    1. Que bom que nisso concordamos! 🙂

  10. Um mundo onde o medo ou o oportunismo não impeçam o ser humano de se mostrar como é,esse é o sonho de todos nós.

    No entanto,ninguém quer ser rejeitado pelos seus defeitos,os fakes mostram isso de forma clarissíma,
    ou a maioria deles.

    1. Mas se a pessoa sabe se comunicar por trás de um fake, o que a impede de se comunicar com a própria cara?

      Isso é caso psiquiátrico.

  11. Imagine uma criatura com centos e tantos fakes….pode ser o que bem entender,sem risco algum.

    1. Estamos lidando com um troll assim na comunidade de Direitos Humanos. Volta e meia ele acaba expulso, por mais que tente disfarçar. O “sotaque das idéias” é inconfundível.

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