Nós cientistas do ramo da biologia não temos qualquer dificuldade de aceitar que os seres humanos – e os animais – tenham seu comportamento parcialmente determinado por fenômenos ou características psicológicas, culturais ou derivados de outros elementos da organização social, simplesmente porque sabemos que desenvolver uma psiquê, uma cultura e organizações sociais diversas é uma característica possível para estes organismos. Já os cientistas do ramo das “humanidades” têm uma imensa dificuldade de aceitar que os seres humanos – e os animais – tenham seu comportamento inescapável e absoutamente determinado por fenômenos ou características biológicas, das quais a psiquê, a cultura e as diversas organizações sociais, políticas e econômicas são apenas casos particulares.

Existe uma hierarquia entre os fenômenos e entre as ciências: antes de mais nada o mundo é físico e comandado pelas leis da física; tudo que acontece na química é delimitado pelas leis da física; tudo que acontece na biologia é delimitado pelas leis da química; e tudo que acontece na psicologia, na antropologia, na sociologia, na história, na economia e na política é delimitado pelas leis da biologia.

As “leis” da física, da química e da biologia não são jamais violadas e nem podem ser negociadas ou transcendidas. O “determinismo” de cada nível é inescapável e absoluto.

A questão intrigante é a seguinte: os físicos não se incomodam com isso, os químicos não se incomodam com isso, os biólogos não se incomodam com isso, mas os psicólogos, antropólogos, sociólogos, economistas, historiadores e cientistas políticos costumam ter piripaques e dar pitis homéricos por causa disso, o que demonstra claramente o quanto estas “ciências” estão impregnadas de achismos político-ideológicos.

Não seria ridículo um químico dizer que as reações que estuda “não se submetem è entropia” porque a entropia é uma teoria que veio da física?

Não seria ridículo um biólogo dizer que os organismos que estuda “não se submetem à estequiometria” porque a estequiometria é uma teoria que veio da química?

Entretanto, psicólogos, antropólogos, sociólogos, economistas, historiadores e cientistas políticos revoltam-se perante a constatação banal de que somos primatas, procurando negar quaisquer explicações de ordem biológica para o comportamento humano individual, em grupo ou em sociedade.

Essa negação da realidade faz estas “ciências” construírem quadros teóricos tragicomicamente caricatos, inventando categorias analíticas e hipóteses funcionais absolutamente desconexas da realidade mais básica do ser humano.

Há psicólogos que tentam trabalhar exclusivamente no plano das idéias desvios de comportamento que possuem explicações neurológicas. E dê-lhe anos e anos de terapia cara, ineficaz, frustrante e freqüentemente prejudicial onde uma intervenção medicamentosa ou cirúrgica seria necessária.

Há antropólogos e sociólogos que se agarram desesperadamente à tese de que “tudo é cultural” e vomitam teorias “politicamente corretas” que tendem a produzir estresse, neurose e conflito social através da ação de grupos de pressão que lhes absorvem as idéias e saem propondo ou mesmo impondo políticas absolutamente incompatíveis com a natureza humana.

Há economistas – e escolas de pensamento econômico – que teorizam um Homo oeconomicus movido por abstrações totalmente alheias às reais motivações humanas e que com isso fazem parecer normais os mais aberrantes exemplos de desvios patológicos de comportamento, chegando ao ponto de apresentar tais exemplos como padrão a ser seguido pelas pessoas e pelas sociedades.

E há historiadores e “cientistas políticos” que viajam na maionese com explicações furadas sobre “determinismo histórico”, ou sobre “luta de classes”, ou “ciência dialética” (HAHAHAHA!!!), conduzindo ao erro legiões de seguidores tão incapazes de uma análise realista quanto seus mestres e que convulsionam por décadas ou séculos o desenvolvimento humano em busca de quimeras irrealizáveis.

Sendo que existem, é claro, os espertalhões que se aproveitam destas tendências em proveito próprio, auferindo fama, prestígio acadêmico, influência política ou simplesmente muito dinheiro.

Eu gostaria de saber por que isso ocorre de modo tão intenso e freqüente nas ditas “humanidades”.

A biologia tem uma explicação parcial para o caso: tudo começa na busca de sucesso reprodutivo, o que nos animais gregários é facilitado por uma posição hierárquica superior no grupo, o que pode ser obtido através das mais variadas estratégias, desde a simples força bruta até os mais intrincados mecanismos de simulação e fraude. Parecer forte, ou parecer importante e respeitável, muitas vezes é mais efetivo para o sucesso reprodutivo do que de fato desenvolver estas características. Esta motivação e as estratégias dela derivadas permeiam todo o espectro de ações humanas e suas importâncias não podem ser subestimadas.

Nem nos sonhos mais ousados do “biólogo mais biologicista”, entretanto, poderia prosperar a idéia de explicar apenas pela busca do sucesso reprodutivo toda gama de neuroses, conflitos sociais e excrescências político-econômicas já desenvolvidas pela humanidade. Fenômenos mais complexos se instalaram na dinâmica da espécie humana devido ao desenvolvimento das habilidades cognitivas e intelectivas que permitiram a estruturação de grupos cada vez maiores, com divisão de tarefas cada vez mais complexa e com intrincadíssimos jogos de poder, exigindo o desenvolvimento de quadros conceituais e metodológicos de maior complexidade que aqueles necessários para estudar o comportamento de seres que não desenvolveram tais habilidades cognitivas e intelectivas.

Mas que ramo da ciência é hoje capaz de estudar o homem partindo de premissas realistas quanto a sua natureza?

O grande entrave a ser removido para possibilitar o desenvolvimento científico necessário para entender adequadamente estes fenômenos é precisamente a negação da natureza simiesca do ser humano, postura na qual absurdamente insistem a psicologia, a antropologia, a sociologia, a economia, a história e a ciência política.

Será que os biólogos terão que desenvolver uma “homosapientologia” para preencher essa imensa lacuna da ciência?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 08/09/2010

34 thoughts on “Por que as “ciências humanas” negam a realidade?

  1. Tweets that mention Por que as “ciências humanas” negam a realidade? | Pensar Não Dói -- Topsy.com
  2. Vou apresentar você pro Pongo, se ele voltar do Canadá. Ficarão horas falando. Mas em tese pode ser apontado um erro em sua dissertação muito bem argumentada: a falta de exemplos palpáveis, ou palatáveis se os opositores forem caras que botam tudo na boca. Veja: Deus Todo Poderoso criou o céu e terra há 10 mil anos. Nesta empreitada, quando o universo ficou pronto, com seus bilhões e bilhões de galáxias, cada uma com seus bilhões de estrelas, Deus fez estas coisas fofas, que somos NÓS, e NOS colocou no terceiro planeta da estrela Sol, no braço de Orion da Via Láctea. Ponto final, meu chapa! Agora você quer nos fazer crer que o Homem evoluiu do macaco? Que coisa mais nojenta! Você acha que o fato de NÓS compartilharmos (agh!) 98,5% do NOSSO DNA com o do chimpanzé prova alguma coisa? Você acha que descobertas fossilizadas datadas como tendo milhões de anos provam alguma coisa? NÓS temos a Palavra Escrita de Deus. Isso sim! é um argumento. Isto sim! é um exemplo. É um relato histórico inquestionável. Onde estão os seus exemplos homem de pouca fé?

    1. Acho que terei uma oportunidade para conversar com o Pongo ao vivo no próximo sábado. Pergunta pro pessoal do Zôo se liberam ele pra uma visita rápida em trânsito. 🙂

      Acho divertidas essas alegações de fé contra todas as evidências e incompatíveis entre si (ver mitologia judaico-cristã versus mitologia hindu, só pra dar um exemplo gritante).

      Engraçado que nenhum desses homens de muita fé anda sobre a água nem remove montanhas simplesmente mandando que elas saiam de onde estão…

  3. Meus dois neuronios estao tendo dificuldades em compreender esse teu post…
    Assumo desde já que não possuo conhecimento nenhum para discutir sobre esse assunto com você, simplesmente Tico e Teco acharam o texto abstrato demais e, das duas, uma: ou me falta um conhecimento anterior para poder entender o post ou, como disse Romacof acima, faltam exemplos palpáveis no texto. (ou ambas as alternativas! 🙂 )
    A pergunta do titulo parte da afirmação de que as ciências humanas negam a realidade. Não consegui descobrir que “realidade” está sendo negada.
    Quais seriam os fenômenos e as caracteristicas biológicas que determinam inescapável e absolutamente o comportamento dos seres humanos e animais e que as ciências humanas estariam negando? E de que maneira as explicações de ordem biológica para o comportamento humano e a natureza simiesca do ser humano estariam sendo negadas, uma vez que as leis da biologia não podem ser violadas, negociadas ou transcendidas?
    No exemplo do psicólogo, que trabalha exclusivamente no plano das ideias, me parece tão somente mais um caso de profissional incompetente (pra não dizer de má fé, se ele souber que seu paciente precisa de uma intervenção cirúrgica).
    Mas gostaria de saber a que exatamente você se refere quando menciona: as políticas absolutamente incompatíveis com a natureza humana que são impostas por antropólogos; os aberrantes exemplos de desvios patológicos de comportamento que os economistas apresentam como padrão a ser seguido; as explicações furadas dos historiadores (principalmente quais seriam as tais explicações furadas e por que elas são furadas)
    E, finalmente, quais seriam as premissas realistas da natureza do homem?
    Espero não te ofender com tantas perguntas, sou apenas uma curiosa que gostou do assunto, mas não entendeu o que leu…

    1. Luísa, a realidade que as “ciências humanas” negam é a natureza simiesca do ser humano.

      Em ciência, devemos observar sempre a Navalha de Occam, o princípio que estabelece que não se deve estabelecer pressupostos além dos estritamente necessários para a descrição de um fenômeno. Ou, dito de modo mais popular, “a explicação mais simples é a melhor”.

      Por exemplo: se observamos amplamente na natureza que o sexo que produz grande quantidade de gametas pequenos e móveis busca sucesso reprodutivo através da maximização do número de fecundações e que o sexo que produz pequena quantidade de gametas busca sucesso reprodutivo através da maximização dos fatores de nutrição e segurança, é um pressuposto totalmente desnecessário inventar uma teoria cultural vinculada ao modo de produção e ao desenvolvimento histórico da sociedade para justificar o comportamento mais promíscuo dos machos que das fémeas.

      O que fazem, entretanto, escolas inteiras de pensamento das ditas “humanidades”? Negam a realidade simiesca humana e inventam doutrinas escalafobéticas segundo as quais “o patriarcado opressor falocêntrico” se organiza sub-repticiamente para “dominar e pautar a libido feminina e oprimir as mulheres”, blá-blá-blá.

      Navalha de Occam neles: o ser humano é um símio, símios machos obtém sucesso reprodutivo fecundando várias fêmeas, o modo de fazer isso é através da defesa de recursos e território pela força bruta, ponto. Um toque de refinamento aqui, outro ali, para substituir a força bruta por maneiras mais complexas de exercer poder, e temos bem clara a explicação de por que o mundo político e econômico é dominado pelo sexo masculino – e vai permanecer assim, apesar de haver alguma participação feminina.

      (Este é o momento em que as feministas costumam ter piripaques e dar piti, mas o mundo é como é, não adianta chiar.)

      A militância anti-racional (muito pior que irracional) que tenta reduzir homens e mulheres a entidades “culturalmente determinadas” não tem como eliminar os instintos diferentes dos dois sexos e muito menos como pasteurizar os interesses e estratégias diferentes dos dois sexos, conduzindo movimentos políticos que produzem resultados desagregadores e neurotizantes para a sociedade.

      Começou a ficar claro agora?

  4. Manga-Larga

    08/09/2010 — 13:00

    Muito boa a reflexão, o ser humano realmente segue idealizando uma imagem de si mesmo e tenta de várias maneiras afastar-se dos animais que somos. Existe um medo muito grande em certas pessoas de considerar tal fato como verdade óbvia. Seríamos piores se aceitássemos outros seres vivos como “quase-nós”? Só para quem tem complexo de inferioridade!

    1. Bem nessas.

      Não entendo como tem gente que pensa que negar a realidade poderia melhorar a realidade.

  5. Gostei da Luisa. BEM menos debochada do que eu, mas a mim você já conhece… Ou seja, sábio guru, eu como médico não só acredito no vovô macaco como sou um Pongo em muitas situações. Mas reitero. Dê-nos exemplos. Ave. (Vamos cutucá-lo guria, que é assim que funciona a cachola de Dom Arthur)!!

    1. Foi suficiente o exemplo ou preciso postar mais?

  6. Entendo (acho) seu ponto, Arthur, e acredito que uma maior aproximação com as ditas ciências duras só irão enriquecer as humanidades.

    Contudo, embora você negue isso desde o início do post, a sua crítica (acertada) à redução culturalista da realidade flerta perigosamente com à redução biologizante. Veja o seu exemplo da aplicação da navalha de Occam: sei lá, façamos perguntas diversas, algo como “por que os portugueses se embrenharam Amazônia adentro nos séculos XVII e XVIII?” Porque o ser humano é um símio, etc.; ou “por que Hitler decidiu invadir a Polônia?” Porque o ser humano é um símio, etc.; “por que os romanos destruiram Cartago?” Porque o ser humano é um símio, etc.

    Obviamente estou fazendo ironia rasa com seu exemplo. O que quero dizer é que a verdade do enunciado não é suficiente para responder a uma pá de questões. E fico me perguntando (não sei mesmo) se a Navalha de Occam seria suficiente para os desdobramentos das questões das ciências humanas – que devem reconhecer esse primado, esses impulsos deterministas, claro, para compreender como construímos nossos sistemas de organização, de relação, seus “refinamentos”, suas ilusões e um longo etc.

    Abraços!

    1. Ver comentário mais abaixo.

  7. Obrigada, Arthur!
    Acho que entendi seu ponto de vista. Se você puder me esclarecer só mais uma coisinha…
    “Natureza simiesca do homem” X “Toques de refinamento para exercer o poder de maneira mais complexa”.
    Pelo que apreendi da sua resposta, esse toque de refinamento seria o que nos diferencia dos símios (além do pequeno percentual de DNA como colocou Romacof). Em assim sendo, esse refinamento não afastaria ou atenuaria, de qualquer modo e não sei em qual medida, a natureza simiesca do homem, abrindo espaço para as teorias das “humanidades”?
    Insisto nas perguntas porque me parece absurdo e não consigo acreditar que alguém em sã consciência, e principalmente “escolas inteiras de pensamento das ditas humanidades”, negue as leis da biologia que, como você disse, não podem ser violadas, negociadas ou transcendidas.
    Me veio em mente o clássico caso do legislador que pretende revogar a lei da gravidade… 🙂

  8. Relendo o post, acredito que você fez a devida ponderação no parágrafo seguinte, aquele que se inicia com “Nem nos sonhos mais ousados do “biólogo (…)”.

    Enfim, eu percebo, mesmo na seara dos estudos culturalistas, um cuidado com as relações de determinação (de qualquer espécie). O R. Chartier mesmo, um dos grandes nomes da história cultural, ponderou melhor suas críticas depois de ser acusado de ter caído no extremo oposto – e criado uma espécie de tirania do cultural. Peter Burke diria, nesse debate, que livrar-se dos determinismos materiais não poderia implicar em desconsiderar (no trabalho historiográfico) o dado fundamental de que os fatores materiais são uma variável inescapável, afinal, os homens reagem, adaptam-se, enfrentam, trabalham, etc. sobre as limitações/potencialidades do meio ambiente físico, dos recursos a longo prazo e por aí vai.

    1. Sim! Eu reconheço perfeitamente que temos como indivíduos e como espécie características que nos tornam casos especiais no reino animal e que são necessários quadros teóricos e metodológicos também especiais para estudar estas características.

      Por conseguinte, reconheço também que a redução pura e simples ao arsenal tradicional da biologia não seria refinada o suficiente para produzir estudos adequados daquelas propriedades emergentes típicas da nossa espécie em contraste com os demais primatas.

      O que eu critico não é a existência de “ciências humanas” – pelo contrário, eu reconeço tanto sua necessidade que chego a clamar por uma que seja “realmente realista” – e sim o fato que as “ciências humanas” estão hoje a nos desorientar porque partem de premissas falsas.

      O fato TERRÍVEL nessa história é que das elocubrações teóricas destas ciências surgem movimentos sociais alucinados que se propõe a conduzir a sociedade ao “nirvana politicamente correto” e na verdade só produzem conflitos, injustiças e neuroses. É o caso da Lei Maria da Penha, que intensifica a “Guerra dos Sexos” a longo prazo e da Lei da Palmada, que estimulará a violência e a criminalidade em níveis inéditos para nosso país.

      O que é que falta em qualquer um dos dois casos citados? R: Reconhecer que o ser humano é um primata. Ambas estas leis tentam suprimir a realidade biológica do ser humano, por isso é óbvio que o resultado da aplicação de ambas será o oposto do desejado.

  9. Dom Arthur! Volto ao assunto do avô símio. Fato inegável do ponto de vista genético, evolutivo e biológico. Mas é possível compreender porque as ciências que tratam do homem fecham os olhos a todos os argumentos inquestionáveis, num paralelismo às suas colocações exemplares do biólogo que nega a química e do químico que nega a física, e assim por diante. Houve um momento na evolução em que a mutação Homo ganhou um elemento novo. E este elemento não tem equivalente no mundo símio. Penso logo existo. Discuto meu ponto de vista. Faço inferências e silogismos. Uso a razão. Embora tenhamos que reconhecer que isto mais pareça um apêndice exótico em muitos indivíduos da nossa espécie, a razão sempre será um subproduto da mente que antes não existia. Parece que as mutações que ocorreram nestes 1,5% de DNA permitiram uma forma de pensar focada neste diferencial e que serve de combustível para “escolas inteiras de pensamento das ditas “humanidades””! Concordo que a negativa categórica da origem símia seja uma forma de pensar que daria náuseas a um Darwin ou a um Dawkins, mas um momentâneo e acadêmico “fechar os olhos” para tentar teorizar até que ponto a razão criou realmente um bicho novo é compreensível. Eles não fazem isto por mal. Um dia eles fecham o círculo e encontram o caminho.

    1. Eu não nego que temos propriedades emergentes que não são adequadamente tratadas pelo arsenal teórico e metodológico da biologia tradicional!

      O que me incomoda é que tem maluco dizendo até que “devido ao desenvolvimento da ética” o ser humano deveria “deixar totalmente de consumir carne”, só para dar um exemplo extremo de negação da realidade biológica. O ser humano é onívoro e continuará sendo onívoro não importa o quanto desenvolva a ética, porque ética não altera necessidades nutricionais nem funcionamentos enzimáticos. Mas vai tentar explicar isso pra um vegan radical (pleonasmo, né?).

      Outro exemplo dos bons é o feminismo. As feministas dizem que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos e deveres, exceto pelo fato de elas merecerem muitos direitos a mais. 😛 Porém, “curiosamente”, quem for monitorar o comportamento pessoal destas ativistas vai descobrir que a maioria absoluta das heterossexuais entre elas reproduz os mesmos padrões de comportamento que criticam como “machismo”. (Apesar de todo o discurso igualitário, não existe qualquer diferença de comportamento entre as feministas e quaisquer outras mulheres no tocante a dividir despesas com os homens, que continuam obrigados a pagar restaurante, motel e gasolina, que são os exemplos clássicos. Sem falar que eu NUNCA vi uma feminista protestar contra a diferença de preços de ingresso em casas noturnas, essa “objetificação perniciosa do corpo feminino para satisfazer a libido masculina”. Mas aí rola uma vantagenzinha pras mulheres, pra que ser coerente com o que prega, né? Quando interessa, explorar o interesse simiesco é justificável.)

      Mas, voltando ao foco, o problema é identificar as propriedades emergentes exclusivas de nossa espécie dentro de um quadro conceitual realista, que não negue nossa realidade biológica em função da emergência destas propriedades. Isso porque, aconteça o que acontecer no ambiente cultural, o ser humano não vai passar a se nutrir satisfatoriamente em ampla escala sem alimentos de origem animal e as mulheres não vão passar a contratar garotos de programa em larga escala como os homens fazem. Essas determinações são e permanecerão biológicas, sendo equivocado e pernicioso tratá-las como culturais.

  10. Manga-Larga

    11/09/2010 — 09:12

    Acho que me faltam títulos para discutir com tamanha desenvoltura quanto os senhores, mas sempre questionei a suposta “inteligência” humana, será que somos os únicos providos de tal manifestação? Será que os demais animais não possuem, ainda que de modo mais rudimentar, algum senso de lógica e raciocínio?

    1. Claro que possuem. Nós (bem, nem todos nós) 😛 apenas desenvolvemos estas características em um nível diferenciado.

  11. Caro Manga-Larga! Uma coisa nós temos mais do que todos os outros seres vivos deste planeta. Nunca antes na história deste pedaço de rocha houve uma espécie com tanta responsabilidade agregada como a nossa. Só falta exercê-la!

    1. Res-pon-sa-o-quê? 😛

  12. Roberto Tramarim

    14/09/2010 — 18:00

    Arthur, a sociologia, a antropologia e a psicologia entre outras são fantásticas se levadas com a seriedade e ISENÇÃO que físicos, químicos e biólogos costumam ter em suas áreas. As áreas que citei de cara são essenciais pra entender e desenvolver a relação homem-sociedade. A Psicologia por exemplo foi desenvolvida inicialmente por cientístas.
    Antes de mais nada é necessário analisar o perfil de quem procura as tais ciências. Enquanto nas áreas de exatas e biológicas predomina um sentido de descoberta do funcionamento humano, nas áreas de humanas impera um impositivismo pessoal, muitas vezes recalcado e ressentido com “traumas pessoais”. A maioria dos que buscam humanas não estão interessados em descobrir, eles ja “descobriram”(ta na mente deles), a especialização seria um meio de ter autoridade de impor suas “descobertas”. E que “descobertas” são estas? Cada um tem uma, e em geral são as respostas conveniêntes a seus próprios problemas pessoais(distribuição de culpas- “se eu sou homem e o mundo é ruim, a culpa é das mulheres(sic), logo eu sofro por culpa das mulheres” – e o inverso também vale, como vale pra outras classificações além do sexo)
    O que atrapalha é a quantidade de “traumatizados” que invadiram as áreas humanas, e posso falar com tranquilidade de quem tem uma e faz outra graduação em ciências humanas.
    As imposições “politicamente corretas” que existe em muitas áreas de humanas faz parte desse processo, são baseadas muito mais em ressentimentos pessoais do que numa lógica razoável de como é o funcionamento real do humano enquanto animal que é. O problema é que a “parte doutrinária” das disciplinas humanas ja está tomada por impositores de “verdades imaginárias”. Eu, como operador em humanas, lamento profundamente que visões tortas prejudiquem tanto a área de humanas, a ponto de psicólogos, sociólogos e antropólogos serem considerados “retardados mentais” pelos que detém conhecimento técnico-científico do funcionamento humano. Não que estes não tenham razão na maioria dos casos, mas o que revolta é saber que gente séria que atua nas áreas de humanas acaba tendo sua imagem contaminada pela conduta irresponsável da maioria e, principalmente, do quanto que pessoas que poderiam e deveriam ser auxiliadas pelas ciências humanas são miserávelmente entregues a análises absurdas de doutrinados e ressentidos.
    Triste.

    1. Uma vez eu contei para alguém que pretendia criar um bercinho de bebê aos moldes de uma “caixa de Skinner” para facilitar os cuidados com os bebês. A choradeira foi tão grande que até de nazista fui chamado.

      Não é tragicômico que um profissional não consiga distinguir a aplicação de um conhecimento técnico com propósitos altamente práticos e positivos de uma ideologia que em nada tem a ver com o uso da tecnologia?

      Tens total razão ao dizer que “Enquanto nas áreas de exatas e biológicas predomina um sentido de descoberta do funcionamento humano, nas áreas de humanas impera um impositivismo pessoal, muitas vezes recalcado e ressentido com “traumas pessoais”. A maioria dos que buscam humanas não estão interessados em descobrir, eles ja “descobriram”(ta na mente deles), a especialização seria um meio de ter autoridade de impor suas “descobertas”.”

  13. Bem, acredito que as ciências humanas (psicologia, ciência humana?) lutam contra obviedades. Mas devido a estas obviedades as humanidades não podem auxiliar no processo de construção do conhecimento? O tio Kant deve estar se revirando no túmulo ao ver seus dnas espalhados num ambiente tão hostil e irracional. Se não fosse ele e sua turma eu iria ao barbeiro curar minha insônia, os cientistas ainda estariam pesquisando no quintal de casa.

    1. Em ciência ninguém é indispensável. Se Isaac Newton não tivesse descrito a gravitação universal, alguém o teria feito, mais cedo ou mais tarde.

  14. Entretanto em alguns assuntos concordo. No quesito ‘feministas insuportáveis’ estou de acordo, não há feminismo completo – é tudo pela metade. As mulheres estão ganhando igual, bebendo igual e sendo irresponsavelmente (algumas) promiscuas no campo sexual. Mas continuam em busca do ‘mais bonito’, do ‘mais rico’, do ‘mais visivelmente aceitável’ pela sociedade, seguindo uma lógica evolucionista. Pobres dos desafortunados (estéticamente falando) que assim como eu, somos postos na repescagem na conquista das fêmeas!

    1. Biologia evolutiva rules…

  15. Sabrina Maria

    08/10/2010 — 21:21

    Nossa, sou café com leite por aqui, mas tenho essa linha de pensamento do “avô símio” desde o colégio, acredito que se assumíssimos nossa natureza símia, aprenderiamos muito mais com os animais e com a natureza em geral e com certeza seriamos seres humanos bem melhores e teriamos uma sociedade muito mais organizada! Estou generalizando ou sendo utópica? Mas acredito muito que a aceitação do homem como BICHO, facilitaria qualquer compreenção a respeito de comportamentos tão hostis, gananciosos e catastroficamente mais irracionais do que qualquer comportamento animal, porém, estamos em constante evolução, correto? Porém acredito que essa discussão é o início de uma nova geração de pensadores, e que mais cedo ou mais tarde, não teremos mais como negar nossa natureza, ou ela própria nos extinguira! E essa realidade é maior do que qualquer ciência, aliás, ela é uma realidade básica, é pura matemática, pois é obvio! Obrigado pela oportunidade!

    1. Bem-vinda, Sabrina. Obrigado pelo comentário e desculpa a bagunça no teu texto. O CAPTCHA bagunça toda a acentuação. Vou tentar resolver isso…

  16. Fiquei incomodado pela crítica à Psicologia. Frentes como Psicanálise e Behaviourismo revoltam-se perante a constatação banal de que somos primatas?

    1. Os psicanalistas sim, os behavioristas muito menos. Panorama geral, claro.

    2. Mas os comportamentalistas “tábula rasa” negam bastante influência biológica, tentam mudar comportamento animal. Tentavam, acho que essa visão está em declínio. Mas ainda tem quem defenda.

  17. O igualitarismo é uma revolta contra a natureza

    Da uma lida.

    http://mises.org.br/Article.aspx?id=1206

  18. Tem um texto excelente que eu li sobre relativismo, segue abaixo:

    Falácia do Erro de Paralaxe e o Relativismo

    Erro de paralaxe é um termo da física, onde um observador interpreta erroneamente um fenômeno por não estar nas condições certas para descrevê-lo com precisão. Nesse caso, o observador vê algo diferente do que realmente está acontecendo e como ele está coletando os dados no campo da realidade, acredita que sua observação é certa mesmo que tenha sido feita de forma imprecisa.

    Exemplo: Duas pessoas estão num carro. O ponteiro está marcando uma velocidade X que é a que o motorista observa estando de frente para o ponteiro ( na condição ideal para descrever a observação). A pessoa que está no banco do carona, vê uma velocidade diferente, uma velocidade Y. O carona diz que o ponteiro está marcando Y. O motorista o refuta dizendo que a velocidade marcada pelo ponteiro é X. A pessoa do banco do carona, por estar com a visão em perfeitas condições e totalmente lúcida, não concorda que o ponteiro está marcando X.

    A pessoa do banco do carona está errada, pois ela está numa posição em que seu raio de visão capta a imagem do ponteiro de uma maneira imprecisa, onde o ângulo da sua visão traduz a imagem do objeto da maneira adequada a sua posição, “e não a real posição do objeto no espaço”.

    Para que esse raciocínio fique mais claro, pegue seu monitor coloque em várias posições diferentes observando-o de várias posições diferentes. Você verá que em cada posição ele passa a impressão de ter um tamanho e forma diferente do que realmente tem. Esse é o princípio do erro de paralaxe.

    Agora, o assunto tratado será o relativismo, mas não o relativismo moral. O relativismo tratado aqui é aquele que prega que não existem verdades absolutas, de que toda a verdade é relativa, onde seus seguidores repetem um jargão que muitos já devem ter visto “ a verdade é relativa. O que é verdadeiro pra você pode não ser verdadeiro pra mim.” Com base na compreensão do exemplo citado acima, você já terá uma noção de onde os relativistas tiraram tal idéia.

    O relativismo prega que cada pessoa possui uma realidade diferente, de que realidade é somente aquilo que um indivíduo conhece. Isso vem desde Protágoras que afirmou que “o homem é a medida de todas as coisas”. Não lembro ao certo de como surgiu tal idéia, mas parece que foi numa discussão entre Sócrates e Protágoras, onde Protágoras disse algo desse tipo(não tenho certeza): “Sócrates, o que é verdadeiro para mim, pode não ser verdadeiro para você. Por exemplo, se encostarmos-nos a essa água, ela pode ser quente para mim, ou fria para você e vice-versa.”

    Houve grandes embates em que Sócrates, Platão e Aristóteles cada um na sua época buscaram diversas maneiras para refutar o relativismo e provar que a verdade existe, onde um bom exemplo é o Organon de Aristóteles onde ele postula as bases da lógica formal e faz diversas contestações aos sofistas (que em sua maioria eram relativistas).

    Como se procederam tais embates não interessa, pois refutarei esses e outros erros da ilogicidade do relativismo através dos meus conhecimentos científicos e reflexões lógicas.

    Comecemos com a indagação de Protágoras que foi onde se deu início ao pensamento relativista. O raciocínio de Protágoras está errado porque ele mistura sensação com acontecimento. A sensação que se tem de um acontecimento nem sempre traduz o que realmente acontece. Se a água estava fria e Protágoras a sente quente ou morna, sua sensação não descreve a temperatura da água. Por exemplo, se estamos com a mão gelada e a introduzimos na água gelada, teremos a impressão de que a água não está gelada, mas se introduzimos a mão quente na água gelada, sentiremos a água bastante gelada. “SENSAÇÃO TÉRMICA NÃO TRADUZ TEMPERATURA”. Se introduzirmos a mão na água independente da sensação que temos, um termômetro sempre marcará a mesma temperatura. Ou seja, ele traduz a real temperatura da água e não o que sentimos ou deixamos de sentir. Esse exemplo é o mesmo do erro de paralaxe, onde a falha está no sentido da visão, e aqui no sentido do tato.

    Se a pessoa está de acordo com os fenômenos observados e descritos com precisão ela está certa na sua indagação, do contrário, está errada. Logo, se um indivíduo afirma que estrelas são menores do que a terra e outro afirmam que são várias vezes maiores, o segundo está certo, já que ele está de acordo com a realidade e não aquilo que seus sentidos captam que é comum a todos parecerem que as estrelas no firmamento são pequenas.

    O erro de todo o raciocínio relativista está nesse ponto: achar que o que se conhece por realidade é um processo de fenômenos traduzidos onde cada indivíduo faz sua tradução, e como cada tradução diverge de pessoa para pessoa a realidade (verdade) é relativa a cada um. Se concordarmos com tal pensamento, somos levados a pensar em coisas absurdas, como se um bêbado fosse tão racional quanto uma pessoa sóbria e um usuário de heroína e outro de Crack vivem em realidades distintas que fazem tão sentido quanto alguém que nunca usou drogas.

    Tal absurdo é fulminado pelo seguinte processo: A realidade é uma só; Percepção da realidade não altera a realidade; Pessoas que pensam e agem de maneiras distintas não vivem em realidades distintas, apenas agem e pensam de formas distintas dentro do mundo real; O que é real são os fenômenos observados que permanecem irrefutáveis, tais como os conhecimentos matemáticos, físicos e químicos que não apresentaram falhas até hoje; Se tais conhecimentos falham, a falha não está contida no que descreve o conhecimento, mas sim no erro de interpretação humana.

    Por fim, o relativismo ainda tem uma última válvula de escape que é a alegação de que a realidade como um todo é imaginada de que nada existe de fato. Além de essa afirmativa ilógica entrar em contradição com o que foi postulado acima, ele é ilógico em si mesmo, pois sua alegação teórica não entra em acordo com a experiência prática. Se a realidade é imaginativa em toda sua complexidade, então é a mente humana que determina tudo e molda tudo.

    Não pela ação física como, por exemplo, cortar árvores e fazer mobília, mas sim, pelo próprio pensamento, como se o pensamento humano determinasse tudo. Isso se apresenta como falso, pois primeiramente, sabemos que se pessoas pensam de forma distinta – e imaginam de formas distintas – logo, se assim o fosse, os objetos e fenômenos que se apresentam na realidade estariam alterando-se continuamente. Tudo seria um completo caos. Em segundo lugar, digamos que todos pensem da mesma maneira. A cada dado momento, tudo ao nosso redor teria que se modificar, pois não há ninguém que fique num estado de paralisia mental.

    A realidade não é imaginada, pois isso seria o mesmo que dizer que sem humanidade nada existiria, mas existem diversos registros de que antes da existência da humanidade o mundo e o universo já existiam.

    O relativismo é perigoso, absurdo e imbecil. É perigoso porque dá validade a todo o tipo de ato e não só abre as portas ao anarquismo, mas também joga no lixo anos e anos de conhecimento. É absurdo porque é totalmente insustentável na prática. É imbecil porque tem formado cada vez mais imbecis que seguem essa idéia patética. Só me conformo a pensar que quem aceita tal idéia o faz por pura ignorância ou conhecimento de que está errado no que diz, pois uma pessoa que procura ser honesta busca a verdade e não abraça qualquer teoria promissora que busca racionalizar qualquer estupidez que venham a pensar.

    Não é a toa que tantos pós-modernos se identificam com ele.

    http: // reflexoes-masculinas. blogspot. com . br / 2011 / 08 / falacia-do-erro-de-paralaxe-e-o . html ? view = sidebar

    1. Muito bom! 🙂

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