A indústria automobilística existe há mais de um século, mas a incompetência absoluta de todas as marcas para resolver questões básicas de conforto e praticidade é espantosa. Se você discorda desta minha afirmação, é porque nunca andou de automóvel em um dia de chuva.

Eu poderia citar mais uns dez exemplos, mas resolvi selecionar somente aqueles que se aplicam a um dia de chuva, ou seja, uma situação pela qual todo motorista passa com freqüência e que nenhum engenheiro da indústria automobilística pode alegar desconhecimento.

– Qual é a principal diferença entre um automóvel e uma motocicleta em um dia de chuva?

R: o automóvel tem quatro rodas e a motocicleta tem duas.

Nenhum dos dois oferece conforto ou praticidade na chuva.

Se você discorda desta afirmação, diga-me então:

– Onde raios pode-se colocar um guarda-chuva encharcado e pingando sem molhar a própria roupa, o estofamento ou os tapetes ao entrar num automóvel no meio de um baita toró?

R: na sarjeta.

Simplesmente não existe um único compartimento planejado especificamente para colocar um guarda-chuva molhado em nenhum dos modelos que eu conheço. Espero que nos comentários alguém esclareça que já existe algum modelo que tenha um local adequado especialmente planejado para essa finalidade, para que eu retenha um pingo de esperança na humanidade, mas vocês hão de concordar comigo que é uma vergonha que em mais de um século de indústria automobilística a maioria absoluta dos modelos no mercado não contemple esta necessidade.

– Em qual dos vidros de um automóvel é mais importante haver um desembaçador que funcione rapidamente?

R: no vidro de pílulas de calmante.

Por algum motivo para mim incompreensível, nenhum automóvel tem um desembaçador eficiente instalado no vidro da frente, embora muitos tenham desembaçadores eficientes instalados no vidro de trás. Será que nos dias de chuva a recomendação do fabricante é que se dirija de marcha-a-ré?

As soluções de desembaçamento do vidro dianteiro – que se você pensar bem não é um “pára-brisa” – são todas enjambrações de mau gosto: ou você tem que passar a mão ou um pano, ou tem que esperar um jato de ar quente ou frio desembaçar o vidro. Mas quem disse que os ocupantes do veículo querem aquecer ou esfriar o interior do veículo?! Somos obrigados a conviver com o calor ou com o frio indesejados para poder enxergar a pista adiante, enquanto que para olhar para trás já existem instalados aquecedores que desembaçam o vidro rápida e eficientemente sem prejudicar em nada a visibilidade. Por que ninguém jamais instalou o mesmo equipamento no vidro dianteiro?!

– Que vidro do carro é possível abrir na chuva?

R: o das pílulas de calmante, é claro. Você não leu a resposta anterior?

Antigamente a maioria dos automóveis tinha vidros em posição vertical. Hoje em dia, praticamente todos os automóveis têm os vidros inclinados, com a base mais afastada do centro que o topo. Ou seja, antigamente era possível abrir as janelas de um dos lados do carro quando a chuva vinha do outro lado, mas nos modelos de hoje é impossível abrir qualquer janela, não importa de que lado venha a chuva.

Se o seu carro tem ar-condicionado, você pode escolher entre sufocar ou congelar para desembaçar o vidro dianteiro. Se o seu carro só tem ar quente, sua única opção é sufocar. Se não tem nenhum dos dois, sua única opção é dirigir com o vidro aberto, levando chuva na cara, na roupa, no estofamento do banco, no tapete…

Sim, fisicamente existe a opção de carregar um paninho e desembaçar o vidro dianteiro manualmente a cada trinta segundos, mas legalmente essa opção é punida com multa de 80 UFIR e quatro pontos na carteira:

Código de Trânsito Brasileiro

Art. 252. Dirigir o veículo:

V – com apenas uma das mãos, exceto quando deva fazer sinais regulamentares de braço, mudar a marcha do veículo, ou acionar equipamentos e acessórios do veículo;

Aliás, quando fui procurar o valor da UFIR para informar quanto seria a multa hoje, encontrei a informação de que a UFIR foi extinta há mais de uma década, mas continua em uso:

Código de Trânsito Brasileiro

Art. 258. As infrações punidas com multa classificam-se, de acordo com sua gravidade, em quatro categorias:

I – infração de natureza gravíssima, punida com multa de valor correspondente a 180 (cento e oitenta) UFIR;

II – infração de natureza grave, punida com multa de valor correspondente a 120 (cento e vinte) UFIR;

III – infração de natureza média, punida com multa de valor correspondente a 80 (oitenta) UFIR;

IV – infração de natureza leve, punida com multa de valor correspondente a 50 (cinqüenta) UFIR.

§ 1º Os valores das multas serão corrigidos no primeiro dia útil de cada mês pela variação da UFIR ou outro índice legal de correção dos débitos fiscais.

§ 2º Quando se tratar de multa agravada, o fator multiplicador ou índice adicional específico é o previsto neste Código.

§ 3º (VETADO)

§ 4º (VETADO)

O problema é aparentemente “resolvido” pelo parágrafo primeiro… que diz apenas “ou um outro índice legal de correção dos débitos fiscais”, sem especificar qual outro índice, o que pode gerar uma insegurança jurídica fenomenal… Mas, enfim, voltemos aos automóveis e a chuva.

– Se você está dirigindo na chuva e vê uma grande poça d’água em frente, como deve entrar nela?

R: a pé.

Se você entrar em uma grande poça d’água com seu automóvel, existe uma grande chance de ter que sair dela a pé. Por algum motivo incompreensível, o distribuidor e a saída do escapamento ficam nos piores lugares possíveis para quem tem que passar por uma poça d’água.

O distribuidor, assim como diversos outros componentes da parte elétrica, fica vulnerável aos respingos de água que venham de baixo para cima, porque não existe qualquer proteção anti-respingos para o motor e para as partes elétricas nos automóveis. E adivinhem: basta passar rapidamente até mesmo por uma pequena poça d’água para que as rodas do próprio veículo joguem respingos de baixo para cima em direção ao motor e às partes elétricas. Até parece que é um sistema produzido para se auto-sabotar.

O escapamento, por sua vez, em geral fica no ponto mais baixo dos automóveis, exatamente o primeiro lugar onde vai entrar água caso seja necessário passar por uma grande poça d’água. Se o motorista cometer qualquer erro, tirando o pé do acelerador ou tendo que parar ou mudar de marcha, é praticamente certo que vai entrar água no escapamento, o motor vai morrer e o carro só vai sair dali guinchado rumo à oficina.

Portanto, a melhor coisa a fazer é sacrificar os sapatos e a calça, entrar na poça caminhando devagar, verificar a profundidade dela e se não há obstáculos submersos, planejar o melhor percurso, voltar encharcado para dentro do carro, não pensar no estofamento e tratar de passar pela poça d’água bem devagar, em primeira, com o pé esquerdo premendo parcialmente a embreagem e o motor em alto giro, sem parar. Torcendo, é claro, que o motorista da frente não deixe o carro morrer e que o motorista de trás espere você sair da poça antes de entrar nela, para não impedir seu retorno se o carro da frente morrer.

Depois disso você pode largar o guarda-chuva em cima de um banco, abrir a janela e voltar para casa cantando na chuva alegremente, sem preocupações.

Há prazeres que só a indústria automobilística oferece.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 29/10/2010

21 thoughts on “Os automóveis e a chuva

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  2. hahaha, é bem por aí mesmo!
    Sem contar que, em dias de chuva, certos motoristas deveriam ficar presos e amarrados ao pé da mesa pra evitar que saiam de casa. Quando não são os malucos sem-noção que dirigem como se nada estivesse acontecendo do lado de fora do carro, são os malucos sem-noção que ficam com medo de tudo e todos! 😛

    1. Mônica, que tal equipar a polícia rodoviária com um “sem-noçômetro”? 😉

  3. “Onde raios pode-se colocar um guarda-chuva encharcado e pingando sem molhar a própria roupa, o estofamento ou os tapetes ao entrar num automóvel no meio de um baita toró?”

    Só maluco sai de automóvel no meio de um baita toró nas nossas cidades alagadas. Deve ser por isso que eles não providenciaram um local próprio no interior do automóvel para armazenar um guarda-chuva encharcado.

    “Em qual dos vidros de um automóvel é mais importante haver um desembaçador que funcione rapidamente?”

    O desembaçador eficiente é o ar-condicionado, em temperatura moderada. No meu carro funciona perfeitamente. Agora, se o ar está pifado, já era……haja paninho….

    “Que vidro do carro é possível abrir na chuva?”

    No meu carro, nenhum. E tome-lhe ar-condicionado novamente.

    “Se não tem nenhum dos dois, sua única opção é dirigir com o vidro aberto, levando chuva na cara, na roupa, no estofamento do banco, no tapete…”

    Ar-condicionado para mim já é item de segurança e não somente de conforto. Se o seu carro não tem, providencie um o mais rapidamente possível.

    “Se você está dirigindo na chuva e vê uma grande poça d’água em frente, como deve entrar nela?”

    Não deve entrar. Por incrível que pareça, carro não foi feito para andar na água. Para isso existem outros meios de transporte mais adequados.

    1. O meu carro tem ar condicionado, mas quem disse que eu quero ligar o ar condicionado e modificar a temperatura interna do veículo para poder desembaçar o vidro dianteiro?

      O pior é que nem dá pra apenas lançar o ar do ar condicionado contra o vidro, mantendo uma janela semi-aberta pra conservar a temperatura igual à temperatura ambiente, porque os vidros são inclinados e não existem mais ventarolas.

      Agora… “não deve entrar” é piada, né? TENTA circular em dia de chuva sem entrar em nenhuma poça em qualquer cidade brasileira.

      Só concordo com uma das tuas afirmativas: há meios de transporte bem mais adequados que o automóvel para andar na água. Eu mesmo já andei de caiaque pelas ruas da minha cidade em dias de “baita toró”. Pensei até em sugerir à Câmara de vereadores de Porto Alegre para trocar o nome da cidade para “Nova Veneza”. 😛

  4. A questão das poças fica por responsabilidade do saneamento, quem tem que cuidar disso é o governo fazendo um bom sistema de escoagem de água, sobre guardar o guarda chuvas no carro, hmm, eu acho que capa de chuva é muito mais eficiente e prática, da pra enfiar em uma sacolinha e ta tudo ótimo. Agora, a questão do desembaçador é uma piada, até hoje também não sei porque não adotam o sistema desembaçador traseiro para todos os vidros do carro, não é possível que eles não dão conseguem fazer aquela fitinha transparente ou branca, ou mais fina e talvez espelhada, e não necessariamente marrom. Carros foram feitos pra dar dor de cabeça e levar nosso dinheiro embora, não para serem funcionais, práticos, duráveis e econômicos. Eu acho um absrudo cobrarem uma fortuna em carros tão fracos quantos os nossos populares, eu olho pro Mini Cooper inglês de 1959 e olho pros nossos carros “populares”(que novos custam no mínimo 60 salários mínimos, e olhe lá) e vejo tão poucas diferenças, talvez a maior delas é que substituiram outros materiais por um monte de plástico, talvez uma injeção eletrônica, pois acho que os Minis usavam carburadores, mas não sei ao certo.

    1. Uma coisa é a questão da má estrutura das cidades, outra coisa é a incompetência (ou o descaso) da indústria automobilística, que não implementa soluções técnicas extremamente simples para aumentar o conforto e a segurança dos veículos que produz.

      E faça-me o favor… pretendes que a gente entre no automóvel vestindo uma capa de chuva encharcada? E depois de destruir o estofamento, devemos dirigir com uma incômoda capa de chuva ou despi-la dentro do imenso espaço que os carros oferecem para mudar de roupa e aí dobrar a capa molhada e colocá-la no porta-luvas? 🙂

      Não é mais simples, fácil e razoável projetar um compartimento específico para guarda-chuvas e colocar quatro ou cinco deles em locais estratégicos ao alcance de cada passageiro?

  5. De fato poderiam sim existir compartimentos para guarda chuvas, mas eu continuo preferindo a capa de chuva, você tira rapidinho antes de entrar no carro e só leva uns respingos, só é treinar um pouco e manter a calma na hora haha, então você entra no carro, dobra a capa e coloca em uma sacolinha antes de colocar no porta luvas, ai só é bota o cd do The Who pra tocar e seguir o caminha de casa feliz, ou não, se a chuva for forte e você tiver muita dificuldade pra enxergar as faixas na pista (pra mim esse é o pior problema em dirigir na chuva, ganha essa com as mãos e os pés amarrados nas costas :)). O que você especificamente chama de “soluções técnicas extremamente simples”?

    1. Faz o teste com a capa de chuva e depois conta pra gente o resultado. 🙂

      As “soluções técnicas extremamente simples” são as que citei: compartimentos adequados para os guarda-chuvas, desembaçador elétrico para o vidro dianteiro igual ao do vidro traseiro, proteção e disposição mais elevada das partes que não podem ser molhadas, etc.

  6. Golgo,
    Sobre o desembaçador dianteiro, pode ter certeza de q a indústria automotiva já gastaram e ainda vão gastar milhões de patacas tentando achar a solução – ou um desembaçador invisível dentro do vidro ou um vidro térmico. Lembre-se q é um problema ainda maior nos países com climas frios, q são ¿coincidentemente? aqueles q dominam essa indústria.

    Enquanto não acham, sugiro q vc adote com os outros problemas do carro a postura da própria indústria em relação ao do desembaçador dianteiro: aproveitar as vantagens e conviver com as desvantagens, pois o mundo real dos objetos e mecanismos é regido por leis implacáveis.

    Naquele programa “American Inventor”, uma mulher apareceu com a idéia de modificar o próprio guarda-chuva: no topo, tinha um copo telescópico q descia com o guarda-chuva fechado, isolando a água dentro. Infelizmente, as supra-citadas implácaveis leis não deixaram o projeto dar certo.

    1. Véio, eu já fiz o teste de dirigir com uma rede de pesca de malha fina e fio grosso tapando completamente o vidro dianteiro do veículo, uma situação muito pior do que os meros fiozinhos quase imperceptíveis do desembaçador do vidro traseiro. O resultado: a rede não atrapalhou a visibilidade praticamente nada.

      Esse é mais um caso do tipo “tomar leite com manga mata”.

      A única lei implacável que eu reconheço nesta seara é a da preponderância da estupidez sobre a razoabilidade, típica do Homo “sapiens”. 😐

  7. “O meu carro tem ar condicionado, mas quem disse que eu quero ligar o ar condicionado e modificar a temperatura interna do veículo para poder desembaçar o vidro dianteiro?”

    E qual o problema de fazer isso? Faço normalmente e não vejo problema nenhum.

    “Agora… “não deve entrar” é piada, né? TENTA circular em dia de chuva sem entrar em nenhuma poça em qualquer cidade brasileira.”

    Bom, se é uma simples poça, você pode entrar que o seu carro não vai sofrer nada. Se é uma área alagada, aí só com um carro como aqueles jipes cuja saída do cano de descarga é no alto, perto do teto. Então, se é uma área alagada, você NÃO deve entrar com o carro nela. Simples, não?

    Quanto ao local próprio para colocar o guarda-chuva, uma coisa que teria que ser tratada no projeto do compartimento seria: o que fazer com a água pingando do mesmo? Deixa acumular no tal compartimento? Criar um vaporizador para secar a água? Não é tão simples assim.

    1. O problema de fazer isso é conforto térmico, oras. Uma coisa é precisar desembaçar o vidro dianteiro, outra coisa é ter que suportar uma temperatura desconfortável para conseguir enxergar a estrada.

      Sobre as poças… em que país tu vives? Na minha cidade é comum que imensas poças – de lado a lado da via – se formem em ruas e avenidas de mão única e sem desvios laterais. Não existe a opção de não entrar na área alagada.

      Quanto ao que fazer com a água que pinga do guarda-chuva no interior do compartimento que o conteria, a solução mais simples e barata é deixar a água escorrer para fora do carro por uma mangueira.

  8. “O problema de fazer isso é conforto térmico, oras. Uma coisa é precisar desembaçar o vidro dianteiro, outra coisa é ter que suportar uma temperatura desconfortável para conseguir enxergar a estrada.”

    Bom, temos experiências diferentes sobre isso. Onde tu mora?

    “Sobre as poças… em que país tu vives? Na minha cidade é comum que imensas poças – de lado a lado da via – se formem em ruas e avenidas de mão única e sem desvios laterais. Não existe a opção de não entrar na área alagada.”

    Cara, eu moro no Rio de Janeiro. Aqui tem um lugar chamado Praça da Bandeira, que fica ABAIXO do nível do mar, na qual não se forma poça e sim um verdadeiro alagamento. NADA passa ali. O jeito é simplesmente parar e esperar. Portanto, dependendo da área alagada, nem ônibus passa. Se for menor a profundidade, passa ônibus e aqueles carros com a saída do escapamento no teto. Então, elevar o cano de descarga só vai resolver os seus problemas em alguns casos, a não ser que botem a saída lá no teto (e haja aumento da poluição).

    “Quanto ao que fazer com a água que pinga do guarda-chuva no interior do compartimento que o conteria, a solução mais simples e barata é deixar a água escorrer para fora do carro por uma mangueira.”

    Beleza, e se o guarda-chuva for daqueles do tempo do vovô, que medem 1 metro de comprimento? Qual compartimento horizontal ou vertical vai ser capaz de contê-los?

    1. Moro no sul do Brasil. Região sub-tropical. Variações de temperatura de mais de quinze graus Celsius no mesmo dia não são raras na primavera e no outono. Sol escaldante e chuva torrencial no mesmo dia também não.

      Quanto ao tamanho do guarda-chuva, eu já ficaria bem contente se os carros fossem planejados para conter um guarda-chuva dobrável. Eu prefiro os guarda-chuvas enormes, do tamanho de um guarda-sol, mas compraria um guarda-chuva menor especificamente para usar no carro.

  9. “Faz o teste com a capa de chuva e depois conta pra gente o resultado.”

    Eu não costumo usar nem guarda chuva e nem capa de chuva, geralmente eu saio correndo no meio da água e seja o que for, mas ainda vou comprar uma capa de chuva só pra fazer o teste hahaha.

    Em relação ao desembaçador dianteiro, eu acho bem interessante a possibilidade de colocar um no vidro dianteiro igual ao do traseiro, mas será que as linhas não incomodariam e não atrapalhariam a dirigir? eu acho que seria interessante se o carro não tiver ar condicionado, mas se tiver, um jeito ótimo de desembaçar (que desembaça mais rápido que o desembaçador traseiro) é ligar o ar apenas na saída do vidro da frente, na velocidade mais fraca (se quiser desembaçar de uma vez liga forte e depois deixa ligado fraco para não voltar a embassar) e em uma temperatura apenas fria, não gelada, todo ar condicionado tem controle de temperatura, alguns já até tem o controle especifico de quantos graus deseja, acredito que por volta dos 23°, 25° seja algo confortável, ou então, se for dos controles mais comuns, usa só a metade da parte azul mais perto da vermelha, vai ver que da pra usar como desembaçador sem passar frio. Eu sempre uso esse método e usei hoje mesmo de manhã, faça o teste 🙂

    Aliás, ar condicionado tem que ser usado em temperatura moderada se não fica muito desconfortável, independente da velocidade do vento, 99% das pessoas que eu vejo usar ar condicionado no carro sempre deixam na temperatura mínima, me incomoda de um tanto que você não faz ideia.

    “ompartimentos adequados para os guarda-chuvas, desembaçador elétrico para o vidro dianteiro igual ao do vidro traseiro, proteção e disposição mais elevada das partes que não podem ser molhadas”

    Concordo com tudo, desconsiderando um detalhe: acho apenas que o desembaçador dianteiro não deve atrapalhar a visão, se inventassem um jeito de adapatar o desembaçador traseiro de forma que fique invisível, acho que deveriam colocar em todos os vidros, inclusive nos retrovisores, sem dúvida alguma. Gostaria de saber onde você colocaria o escapamento também, porque eu não compraria um carro com escapamento saindo do teto ou qualquer coisa parecida, você compraria?

    1. Já fiz o teste dirigindo com uma rede de pesca sobre o vidro dianteiro. Não atrapalha. A diferença do ângulo de paralaxe P” (devido á diferença de distância entre o vidro dianteiro e a via de circulação) resolve o problema. Com linhas ínfimas iguais às dos desembaçadores de vidros traseiros a interferência seria irrelevante.

  10. “Já fiz o teste dirigindo com uma rede de pesca sobre o vidro dianteiro.”

    Hahahahahahaha, se eu te falar que eu imaginei a cena aqui você vai acreditar? Bem, concordo sem pestanejar então com desembaçadores em todos os vidros e nos retorvisores também, só fico com dúvidas sobre o que fazer com o escapamento.

    1. Claro que acredito. Afinal, tu não acreditaste quando eu disse o que fiz? Confiança é uma via de duas mãos. 🙂

      Quem me conhece pessoalmente há bastante tempo já nem estranha mais, mas quem me conhece há pouco tempo jura que sou doido porque eu acredito mesmo nas coisas que falo, o suficiente para pôr em prática minhas idéias.

      Quando eu disse que não tinha mais paciência para trabalhar no serviço público e que estava procurando uma fonte de renda alternativa para poder me exonerar, ninguém acreditou.

      Quando eu disse que tinha feito sociedade com um hippie para investir em maricultura e que ia trocar o serviço público por esta atividade, todo mundo achou que eu era louco.

      Agora que o projeto de maricultura está em pleno andamento e que estou prestes a me mudar em definitivo de uma capital com 1.300.000 habitantes para uma aldeia de pescadores com 3.000 habitantes, todo mundo tem certeza que eu sou louco. 😛

      Mas o fato é que eu coloquei em um lado da balança o dinheiro garantidinho no final do mês e no outro lado da balança minha liberdade e cheguei à conclusão que a liberdade valia mais.

      “Mais louco é quem me diz… e não é feliz… não é feliz!”

      Então, caríssimo, dirigir algumas centenas de metros com uma rede de pesca em cima do vidro dianteiro para testar a visibilidade não chega a ser uma façanha. 🙂

  11. “Então, caríssimo, dirigir algumas centenas de metros com uma rede de pesca em cima do vidro dianteiro para testar a visibilidade não chega a ser uma façanha.”

    Não mesmo, muito menos loucura, mas que é engraçado é hahaha. Acho bem digno você por em prática todas as suas ideias, é exatamente o tipo de coisa que fazem as pessoas subirem no meu conceito.

    Mas hm, e onde podem colocar os escapamentos dos carros? Ainda quero saber a resposta dessa 🙂

    1. Ah, é verdade, acabei esquecendo de falar sobre os escapamentos!

      Existe mais de uma alternativa para resolver esta encrenca.

      A alternativa mais óbvia é colocar a saída do escapamento mais pro alto. Não precisa ser muito mais pro alto, pode ser no mesmo nível da distribuição e com um formato de “J” invertido: os gases seriam direcionados de volta ao chão. Não entendo por que dizem que faria grande diferença em termos de poluição colocar o escapamento um pouco mais acima ou mais abaixo, mas enfim…

      A alternativa mais simples é construir o escapamento em forma de “U” invertido: os gases subiriam, desceriam e seriam lançados no mesmo lugar de sempre. Mesmo com o veículo parcialmente submerso, a água não conseguiria jamais subir pelo cano, garantindo a segurança e a continuidade do funcionamento do veículo.

      Passando às alternativas mais complexas e caras, poder-se-ia (ah, as mesóclises!) colocar no escapamento válvulas que impedissem o refluxo de água.

      Também seria possível colocar no escapamento um pequeno turbo compressor que mantivesse um fluxo forçado de ar independentemente da porcaria que o motorista fizesse trocando marchas e desacelerando na hora errada.

      São inúmeras as alternativas.

      O que me espanta é que ninguém implementa nenhuma delas.

      Como é impossível que nenhum engenheiro de produção ou qualquer outro funcionário de nenhuma das marcas ao redor de todo o mundo tenha percebido o problema, a conclusão a que chego é que nenhuma indústria destas está nem aí para o problema, eles querem mais é construir carros com aparência sedutora e capacidade para imbecis se matarem em altas velocidades, carregando junto vítimas inocentes.

      A indústria automobilística é um expoente de peso da filosofia expressa no artigo “Somos gado, criados para o abate“.

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