Na última sexta-feira lamentei profundamente não ter um bastão de baseball nem cabelo suficiente para fazer um moicano. Sorte dos gerentes de duas agências bancárias de dois bancos diferentes nos quais tenho conta-corrente. Ou melhor, tinha, porque desde ontem decidi não somente encerrar ambas as contas como ingressar em juízo contra pelo menos uma das duas instituições. Decidi pela tolerância zero em relação a qualquer mancadinha de qualquer empresa. Nada diferente do modo como eles sempre me trataram, diga-se de passagem.Vamos aos detalhes.

Algum tempo atrás eu tive furtados meus documentos, cartões de crédito e talões de cheque destes dois bancos. Menos de meia hora após o furto, comuniquei os dois bancos e a Serasa/SPC. No mesmo dia registrei um Boletim de Ocorrência com o detalhamento de todos os documentos, cartões de crédito e talões de cheque furtados. No primeiro dia útil após o furto comecei a peregrinação pelo escritório da Serasa/SPC e pelas agências bancárias para entregar cópias do BO.

Imaginem minha supresa quando, a partir de uma semana do furto, começaram a aparecer cheques devolvidos por falta de fundos na minhas contas dos dois bancos. E imaginem a surpresa ainda maior que tive quando, ao tirar extratos para conferir o que tinha ocorrido, descobri que ambos os bancos haviam compensado alguns dos cheques cancelados e lançado multas diversas e cobranças de taxas diversas pelo estouro das contas e pelo estorno dos valores.

Neste momento eu cometi um grande erro: fui conversar com meus gerentes de conta. Esclareci o que houve. Perdi tempo e dinheiro me deslocando pra lá e pra cá levando novas cópias de um BO que eles já haviam recebido e mostrando os documentos que comprovavam que eu os havia informado. Aceitei as desculpas dos gerentes e esperei pacientemente que regularizassem minha situação perante o Serasa/SPC e perante o Banco Central. E saí do episódio com muito estresse, diversos pequenos gastos e nenhuma compensação financeira pelos erros que os bancos cometeram.

Do que me valeu ser tolerante e ter boa vontade? Nada. Perdi dinheiro, perdi tempo, perdi a tranqüilidade e continuei sendo tratado como uma mera fonte de lucro por ambas as instituições. Ou seja, banquei o otário. E você também banca o otário sempre que aceita uma explicação ao invés de uma compensação em dinheiro quando o seu banco comete qualquer erro.

Os episódios de sexta

O banco X e o banco Y me mandaram avisos de que incluiriam meu nome no cadastro de inadimplentes da Serasa/SPC se eu não saldasse determinados débitos. Minha primeira providência, obviamente, foi conferir os extratos para verificar se eu tinha me perdido nas contas e deixado de pagar alguma fatura de cartão de crédito ou estourado algum limite. E descobri que eu não havia cometido erro algum.

O banco X estava exigindo que eu saldasse um pequeno valor negativo em minha conta corrente, equivalente a menos de um décimo de meu limite de crédito, porque eu não movimentava minha conta corrente há mais de noventa dias. Ora, se eu estou usando regularmente o crédito e não ultrapassei nenhum limite, porque tenho um crédito mais de dez vezes superior ao valor devido, como é que o banco registra meu nome no cadastro de inadimplentes?

O banco Y estava exigindo que eu saldasse um pequeno valor negativo em minha conta corrente, equivalente a menos de um décimo de meu limite de crédito, porque eu supostamente havia excedido o limite de minha conta corrente. Opa! Será mesmo? Uma conferência criteriosa dos extratos identificou dois lançamentos a débito indevidos, num valor mais de cem reais superior ao suposto estouro do limite da conta corrente.

Ou seja, eu tinha razão – eu tenho razão – nos dois casos. Não cometi nenhum equívoco, não estourei limite algum, não devo nada a ninguém. E tenho em mãos os documentos que comprovam isso.

No banco X

Munido dos documentos necessários, fui primeiro ao banco X, que é o mais próximo dos dois em relação a minha residência. Cheguei em minha agência e não consegui passar pela porta giratória. Tentei passar, a porta travou. Coloquei minhas chaves do carro e meu celular naquele maldito compartimentozinho de plástico para passá-los para dentro da agência, tentei passar de novo, a porta travou de novo.

Há meses que é sempre assim naquela maldita agência. Cada cliente é tratado como um criminoso em potencial, que tem que se submeter a uma humilhante revista em público, exibir seus pertences e abrir bolsas e até roupas para provar que não está portando armas e não vai assaltar a agência. Muita gente reclama, mas nada muda.

Ontem minha paciência acabou. Quer dizer que o banco erra, faz uma cobrança extemporânea e indevida, me ameaça com restrição de crédito e exposição pública à vergonha como se eu fosse um caloteiro, me obriga a sair de casa e perder tempo e dinheiro pra me deslocar para resolver o erro deles e quando eu chego na agência ainda sou tratado como criminoso?! Ah, mas vão pro inferno!

Peguei meu celular e as chaves do carro de volta, tentei novamente passar pela porta giratória e assim que ela travou cruzei os braços, travei com o pé o retorno da porta, saquei o celular e anunciei já aos berros: “Eu estou de saco cheio de ser tratado como criminoso toda vez que venho a essa agência, então ou vocês abrem essa porcaria ou chamam a polícia pra resolver o problema, porque daqui eu só saio pra dentro da agência ou de uma delegacia. E, se vocês chamarem a polícia, eu vou chamar a imprensa.”

Não deu trinta segundos e o gerente da agência chegou correndo, me reconheceu e mandou abrir a porta pra eu entrar. Passei pelo sujeito sem nem olhar pra ele, resmungando algo como “porcaria de porta desgraçada que só serve pra encher o saco e ninguém manda regular direito” e fui direto falar com a minha gerente de conta. Como sói acontecer, ela estava com uma fila grande para atender e eu estava com pressa para ir ao banco Y na mesma tarde. Então, pra poupar tempo, fui tirar um extrato completo… e a porcaria do cartão estava bloqueado e não consegui ter acesso a meus próprios dados.

Surtei.

Espero que ninguém tenha infartado de susto durante os trinta segundos que eu demorei para pegar o cartão de volta e sair da agência berrando aos quatro ventos minha indignação e meu inconformismo com o péssimo tratamento dispensado aos clientes. Como o caso do banco Y era mais grave e urgente, deixei o caso do banco X para a semana seguinte e tratei de ir resolver o problema que tinha maior prioridade.

No banco Y

No banco Y a porta giratória não criou problema, mas minha gerente de conta estava em horário de almoço. Não era horário de almoço, mas fingi engolir a desculpa e resolvi aguardar. Veio então a gerente da agência me atender. Ou melhor, me enrolar e tentar me convencer que eu tenho que pagar várias vezes a mesma coisa.

Vou ter que explicar os antecedentes para que vocês entendam o caso. Acontece que dois anos atrás eu fiz um empréstimo a pagar em vinte e quatro parcelas iguais para adquirir um equipamento de trabalho. Tudo transcorreu normalmente até a 21ª parcela, então o banco foi comprado por outro e nos últimos três meses as últimas parcelas foram lançadas com valores superiores aos devidos. Como eu só movimentava minha conta neste banco para pagar as parcelas fixas, não conferi os extratos e só descobri que havia algo errado quando chegou o comunicado do Serasa/SPC.

A gerente então disse que os valores em excesso eram “repique” das parcelas em atraso. Seja lá o que ela queira dizer com “repique”, o fato é que não havia “parcelas em atraso”, pois os débitos sempre foram e continuavam sendo lançados integralmente em conta corrente. Foi o lançamento de valores indevidos que fez estourar meu limite, gerou multas e fez estourar novamente meu limite no mês seguinte.

Questionei o lançamento de parcelas de valor diferente do contratado sob a rubrica “financiamento” e ela começou com um papo “de acordo com as novas regras do banco Y…” – o que eu interrompi dizendo “ei, eu não fiz contrato algum com o banco Y, eu tenho um contrato com o banco Z, que vocês adquiriram e cujos contratos precisam honrar. O que eu tenho que pagar é rigorosamente o que consta no contrato original, não me interessam as novas regras do banco Y”. Neste momento a gerente subiu o tom de voz e disse “eu estou tentando explicar, se o senhor vai sair ignorando então eu não vou poder estar lhe atendendo”.

Pra quê…

Eu já estava pelas tampas com a palhaçada no banco X, então quando a gerente do banco Y engrossou a voz tentando me intimidar com essa pérola de gerundismo foi como dar um tabefe num pote de nitroglicerina. Explodi no ato: “Não queres me atender, não me atende. Não faço a mínima questão de ser atendido por uma incompetente que não sabe nem como falar com um cliente. Pelo menos a minha gerente de conta sabe falar com educação. Queres que eu espere por ela pra resolver o que tu não és capaz de resolver?”

Ela não esperava essa resposta. Falou qualquer coisa sobre chamar a segurança. Um nanossegundo depois os dois seguranças que estavam no saguão chegaram por trás de mim, um com a mão no cassetete e outro com a mão na arma, sem no entanto sacar dos respectivos equipamentos. Um deles perguntou, dirigindo-se a ela: “algum problema?” E aí eu me virei e respondi: “é claro que tem algum problema! O que não falta aqui é problema! Essa cobrança indevida é um problema! Esse banco é um problema! Essa mulher é um problema! E tudo que eu quero é me livrar de uma vez por todas de todos esses problemas!”

Coitados dos seguranças, a força que eles tiveram que fazer para não rir foi monumental…

Enfim a gerente percebeu que umas duzentas pessoas estavam observando, fez um gesto para os seguranças se afastarem e baixou o tom de voz para algo mais próximo do que pode ser considerado razoável no meio de um episódio desses. Eu não fiz muita questão de baixar o tom de voz.

Ela voltou com o papo de “novas regras”, eu interrompi dizendo que não existe “nova regra” que justifique cobrar duas vezes o mesmo débito nem cobrar débitos indevidos e ela disse que então o meu assunto era com o departamento jurídico do banco Y.

Excelente conselho.

É exatamente o que vou mandar um advogado fazer, depois de me informar direitinho quanto a meus direitos com a Associação PROTESTE de Defesa do Consumidor.

Aliás, buscar informação sobre os Direitos do Consumidor e exigi-los integralmente é exatamente o que pretendo fazer por padrão daqui em diante.

Minha decisão

Salvo completa impossibilidade jurídica, nunca mais eu tolerarei sem compensação financeira qualquer erro de uma instituição que me trata apenas como fonte de lucro.

Pense bem

Para abrir uma conta corrente e obter um limite de crédito não basta chegar no banco e dizer pro gerente “oi, eu sou o Fulano, filho do Seu Sicrano e da Dona Beltrana, vim abrir uma conta”. Você tem que provar que é o Fulano, tem que provar que é filho do Seu Sicrano e da Dona Beltrana, tem que provar que mora em tal lugar e – absurdo dos absurdos – tem que provar que ganho o suficiente para merecer ter uma conta deste ou daquele tipo. Não importa quem você é, só importa quem os seus documentos dizem que você é e o quanto ganha.

Não bastasse isso, tudo, absolutamente tudo lhe é cobrado: para você deixar o seu próprio dinheiro sob a guarda do banco, que investe esse dinheiro como bem entende sem consultá-lo nem compartilhar com você os lucros decorrentes do empréstimo do seu dinheiro a terceiros, você tem que pagar uma taxa mensal ou anual; para ter acesso ao relatório de movimentação do seu próprio dinheiro, você tem que pagar uma taxa; se você “ganhar” um limite de crédito, tem que pagar uma taxa; se você usar o  limite de crédito que “ganhou”, tem que pagar uma taxa; se você cometer um erro e ultrapassar o limite de crédito que “ganhou”, tem que pagar uma taxa e uma multa; se você pedir desculpas pelo equívoco, além ter que pagar uma taxa e uma multa, vai pagar também um mico, porque você não é importante, só o seu dinheiro é.

Então, pergunto eu, por que raios você haveria de não cobrar uma taxa e uma multa quando o banco errar? Por que raios você haveria de se contentar com um simples “sinto muito, mil desculpas, essas coisas acontecem, vamos resolver o mais rápido possível” se o mesmo não é aceito quando você atrasa um pagamento ou ultrapasso um limite?

Você não pode negociar com o banco “olha, inclui aí no contrato que vocês têm que me pagar a multa que eu arbitrar segundo meus critérios de ‘razoabilidade’ quando vocês cometerem algum erro”. Não, isso os bancos não fazem, simplesmente porque são a parte mais forte da relação comercial e assim eles definem 100% das regras do contrato. Não existe negociação, existe uma exploração descarada. E praticamente ninguém faz alguma coisa para que o povo não seja explorado deste modo (muito menos o atual governo, porque nunca antes na história deste país os bancos arrancaram tanto dinheiro do povo com o franco aval do governo).

Igualdade de tratamento

Desde a última sexta-feira eu tomei uma decisão e convido você a fazer o mesmo: se o seu banco não liga pra você e não lhe oferece um prazo razoável para que você corrija sem quaisquer custos um equívoco seu, trate o seu banco do mesmo modo que ele trata você. Se o seu gerente de conta não telefonar para avisar de um problema, então não ligue também quando perceber que eles cometeram um erro. Muito menos vá até a agência. Vá direto para o procedimento de cobrar uma taxa, exatamente do mesmo modo como seu banco faz com você. Isso é apenas igualdade de tratamento.

O preço a pagar

Sim, você provavelmente terá que ingressar em juízo. Sim, você provavelmente será discriminado e irá para a famosa “lista negra”, o cadastro supostamente secreto que os bancos privados mantém ilegalmente e usam para intimidar os cidadãos para que eles não busquem seus direitos na justiça. E sim, você provavelmente terá que abrir uma conta em um banco estatal, ou ingressar em juízo para obrigar seu banco a explicitar os critérios usados toda vez que lhe negarem algum crédito normalmente disponível.

Você pode optar entre duas alternativas:

1) Você pode optar por tolerar um tratamento injusto e humilhante para ter acesso fácil a um crédito fácil porém caro quando precisar.

2) Você pode optar por exigir um tratamento justo e digno sabendo que vai ter que lutar por isso e pagar um preço por sua dignidade.

Entre crédito e dignidade, cada um sabe o que vale mais para si.

Na minha sempre nada modesta opinião, é justamente porque não queremos nos incomodar que nós nos incomodamos ainda mais. As grandes instituições se aproveitam da acomodação dos seus clientes e das dificuldades que o consumidor tem para fazer valer seus direitos e abusam descaradamente das pessoas. Os bancos em especial são notórios por esta atitude. Isso é algo que só será revertido se um contingente suficientemente grande de gente capaz de pensar mudar sua atitude e passar a reivindicar radicalmente seus direitos e a exigir um tratamento justo e digno.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 07/11/2010

27 thoughts on “Trate seu banco do mesmo modo que seu banco trata você

  1. Christina Castilho

    07/11/2010 — 17:49

    A raiva que a gente passa nas instituições bancárias e outras prestadoras de serviço é o suficiente para infartar e arrancar alguns anos de vida de qualquer cidadão. Já aturei tanta pataquada indecente desse tipo que tb já decidi: agora qualquer deslize será resolvido na justiça. E olha que não é pouca a compensação financeira para realmente compensar o estresse que a gente paga, a falta de respeito e o descaso.
    E imagino agora, com a sombra da ameaça da volta da CPMF, quantos de nós voltarão a fazer transações em dinheiro vivo e guardar o que resta num cofre ou no colchão…

    1. Pois é, meu pai é associado da PROTESTE e eu devo me associar também esta semana. Vou criar o hábito de consultar a associação com freqüência e tratar de me tornar um consumidor bem informado e que sabe exigir seus direitos.

      Já sobre a CPMF… eu sei que é um imposto irritante, porque aparece em todos os extratos bancários, mas eu sempre fui favorável à cobrança universal deste imposto. Terrível é saber que os especuladores da bolsa de valores não pagavam CPMF. Tomara que isso seja corrigido caso o imposto volte.

  2. Manga-Larga

    07/11/2010 — 19:23

    Isso acontece o tempo todo e é muito difícil de combater. Estes dias fiz upgrade da minha conexão, a promoção oferece um modem wireless para o meu plano, fui logo avisando que meu modem atual não suportaria a nova velocidade e portanto eles deveriam esperar o modem novo chegar antes de mudar a velocidade. Falei isso porque sei como os caras são “barbeiros”. Resumindo, óbvio que o que eu temia aconteceu, fiquei 2 dias sem internet e como trabalho em casa, foram dois dias sem receber. O atendimento dos caras só servia pra me fornecer mais um protocolo de 12 dígitos pra eu anotar e me deixar ainda mais nervoso. Mas e aí, vai fazer o que? A maioria dos advogados cobra adiantado para começar a se mexer, para o cidadão comum o buraco é mais embaixo!

    1. Direito é a profissão mais absurda do mundo. Não é uma aberração que mesmo que saibamos de nossos direitos e que possamos encaminhar uma petição ao Judiciário nós tenhamos que pagar um terceiro para ter nossos direitos respeitados ou restituídos? Cada centavo que gastamos com essa finalidade é um acinte ao bom senso, à razoabilidade e à decência. Se a causa se deve a uma violação de direitos, quem teria que pagar 100% das custas de qualquer embate jurídico seria exclusivamente a parte que violou os direitos da outra. Mas o direito não foi criado para promover a justiça.

  3. Joaquim Salles

    07/11/2010 — 22:50

    Além dos danos materiais solicite danos morais também. Só pesando no bolso os bancos melhoram…

    Tenha um ataque de loucura e solicite uma declaração para o Banco dizendo o que deve (ou não deve). Vai ser outro parto…

    E quanto a porta…:) seja naturista 🙂 entre na agencia pelado e permaneça assim 🙂 afinal não afirmam que todos nos somos ladrões 🙂

    Uma dica que me passaram é o pequenas causas. Outra dica é a queixa ao Banco Central, normalmente o Banco corre atraz para resolver.

    1. Gostei das dicas do dano moral e do Banco Central, mas essa de bancar o naturista dentro da agência só na Espanha. 😛

  4. Manga-Larga

    08/11/2010 — 11:06

    Arthur, nos deixe a par do andamento desses seus perrengues!

    1. Já estou sabendo que terei meu nome indevidamente incluído no cadastro do Serasa/SPC, porque não haverá prazo para evitar o lançamento. Que inferno.

  5. Num dia de folga vou aproveitar seu post pra comentar o que a NET aprontou comigo e minha esposa, e como procedemos.

    1. Envolve granadas e metralhadoras? Vontade não falta…

  6. Bah… isso é passivel de se entrar, dependendo do valor, até no JEC, nem precisa de advogado!

    QUe horror, e olha tudo o q pagamos de taxas e etc etc! Isso da revolta!!

    Ah, e quanto ao meu post… minhas melhores amigas moram em Floripa, Santa Cruz e Curitiba e são “onipresentes” apesar da gente se ver raramente, kkkkkkkkkk.

    1. Pois é… no ensino médio a gente estuda os números quânticos dos elétrons mas não estuda como fazer valer os nossos direitos.

      Quase ninguém sabe o que é JEC. Eu sei o que é, mas na prática não sei onde encontrar um na minha cidade nem como utilizar.

      Por essas e outras é que eu escrevi o artigo seguinte a este aqui.

      (Ah, agora entendi teu uso do termo “onipresente”.) 🙂

  7. Vã aí três citações do bom velhinho:

    “Shakespeare destaca no dinheiro duas propriedades: a)é a divindade visível, a transmutação de todas as propriedades humanas e naturais no seu contrário, a confusão e a inversão universal de todas as coisas; ele confraterniza impossibilidades; b)é a prostituta universal, o proxeneta universal dos povos e dos homens” (Marx).

    “As qualidades do dinheiro são as qualidades de seu possuidor. O que eu sou e consigo não é determinado, de modo algum, pela minha individualidade. (…) Eu, que por intermédio do do dinheiro, consigo tudo o que o coração humano deseja, não possuo eu todas as capacidades humanas? Assim, meu dinheiro não transforma todas as minhas incapacidades no seu contrário?” (Marx)

    E, finalmente, como os bancos nos vêem:
    “O que existe para mim por intermédio do dinheiro, aquilo por que eu posso pagar (i. é, que o dinheiro pode comprar), tudo isso sou eu, o possuidor de meu dinheiro. Meu próprio poder é tão grande quanto o dele. As propriedades do dinheiro são as minhas próprias (do possuidor) propriedades e faculdades. O que eu sou e posso fazer, portanto, não depende absolutamente de minha individualidade. Sou feio, mas posso comprar a mais bela mulher para mim. Consequentemente, não sou feio, pois o efeito da feiúra, seu poder de repulsa, é anulado pelo dinheiro. Como indivíduo sou coxo, mas o dinheiro proporciona-me vinte e quatro pernas; logo, não sou coxo. Sou um homem detestável, sem princípios, sem escrúpulos e estúpido, mas o dinheiro é acatado e assim também o seu possuidor. O dinheiro é o bem supremo, e por isso seu possuidor é bom. Além do mais, o dinheiro poupa-me do trabalho de ser desonesto; por conseguinte, sou presumivelmente honesto. Sou estúpido, mas como o dinheiro é o verdadeiro cérebro de tudo, como poderá seu possuidor ser estúpido? Outrossim, ele pode comprar pessoas talentosas para seu serviço e não é mais talentoso que os talentosos aquele que pode mandar neles? Eu, que posso ter, mediante o poder do dinheiro, tudo que o coração humano deseja, não possuo então todas as habilidades humanas? Não transforma meu dinheiro, então, todas as minhas incapacidades em seus contrários?” (Marx)

    1. Concluímos então que o bom velhinho era apenas um escrevinhador, posto que o verdadeiro virtuoso era Engels? 😛

      Ou, por outro lado, era com virtudes que Engels abastecia Marx? 😉

  8. Tweets that mention Trate seu banco do mesmo modo que seu banco trata você | Pensar Não Dói -- Topsy.com
  9. Arthur,
    nunca tive problemas com meu banco (toc toc toc) mas agora que ‘ele virou outro’, também estou super alerta. Há um tempo estive na agência e comentei com uma funcionária ‘nossa, vocês realmente já estão funcionando como o banco Tal’. Ela perguntou ‘comassim’ e eu respondi ‘filas, atendimento lento, tudo que não existia no outro.’ Como eu vou até a agência de vez em nunca, isso não chega a tirar meu sono.

    Aqui em casa a gente é associado ao IDEC e ao ProTeste, e sempre foi uma ótima ideia, ambas são super eficientes (pelo menos no que a gente precisou). Tive um aluno juiz de pequenas causas que contava histórias arrepiantes sobre como instituições bancárias, telecomunicações, TV a cabo, etc. enrolam o cliente até vencê-lo pelo cansaço, no melhor estilo SCC (Se Colar, Colou). Infelizmente, a gente tem que partir pra justiça de cara, sem muita conversa. Eles não estão a fim de resolver seu problema, aó querem ganhar tempo.
    abraço

    1. “Infelizmente, a gente tem que partir pra justiça de cara, sem muita conversa.”

      Sem nenhuma conversa.

      O banco não liga quando bate um cheque sem fundo, ele compensa, faz a gente se explodir no Banco Central e ainda cobra multa. A gente paga tarifa pra ser ferrado.

      O banco não liga quando uma taxa de serviço que esquecemos de calcular nos faz ultrapassar o limite da conta, ele lança imediatamente o débito da taxa e da multa. Por que deveríamos agir diferente?

      Olha, Mônica, vai batendo muito na madeira, porque pela minha experiência é só uma questão de tempo…

  10. Não, não envolve armamento pesado.
    Envolve uma puta odisséia de desrespeito e cobranças indevidas, que resultou na devolução do dinheiro com multa equivalente a 100% do valor pago revertida em nosso favor como previsto no Art. 42 do CDC.

    Quando tirar uma folga conto os detalhes desse breguete, mas gostaria de deixar um comentário:

    O Procon é uma repartição pública que funciona. Não sei como é o atendimento em outros lugares, mas o atendimento em Divinópolis(MG) e Belo Horizonte foi bastante ágil e competente.

    1. PROCON pra mim é como enterro de anão e cabeça de bacalhau: dizem que existe, mas eu nunca vi.

      Conta essa história em detalhes no teu blog e linka aqui que eu faço uma postagem pra pedir pro pessoal ler lá. 😉

  11. Essa do Pequenas causas também é muito boa, e pode ser utilizada em conjunto com o Procon, foi inclusive me recomendada por um funcionário do mesmo.

    Juizado especial e Danos morais neles, coisa que acho que você faz jus.

    1. Eu queria mesmo é dar um jeito de gravar as ligações que são feitas para o meu celular, porque os caras gravam e a gente não, essa é uma assimetria que prejudica o consumidor. (E a SKY, por exemplo, simplesmente se negou a cumprir a lei e encaminhar a cópia da gravação da conversa telefônica em que fizemos um acordo que eles não cumpriram.)

      Hoje em dia tem celular que navega na internet, toca MP3 e MP4, bate fotografia, faz filmagem, prepara a pipoca e gela o guaraná, mas nenhum deles grava as ligações, que é uma função importante e necessária.

  12. Manga-Larga

    09/11/2010 — 11:57

    Fiz um financiamento de carro diretamente na concessionária. Não me foi fornecida cópia do contrato, tive que solicitar meses depois. Quando recebi a cópia, verifiquei que haviam quase 2 mil reais em taxas indevidas. O procom foi atencioso, mas não solucionou nada – marcou uma audiência conciliatória onde o banco negou-se a apresentar uma proposta de acordo (segundo eles, é praxe quando há diferença financeira mto grande entre as partes). Depois desse episódio, fui orientado pelo Procom a entrar com um processo para exigir meu ressarcimento. Por sorte, minha prima é advogada e fez um precinho especial pra mim (R$400 adiantados). Ontem aconteceu a primeira audiência conciliatória no juizado especial, onde novamente o banco negou-se a apresentar uma proposta de acordo. Agora estou esperando os próximos passos da novela. Devo dizer que o assunto arrasta-se há mais de um ano, meus 400 pila já se foram e ainda não recebi nada em troca.

    1. Todas as grandes instituições trabalham em cima do fato consumado. A gente sempre tem que assinar um contrato e esperar que nos mandem uma cópia, já percebeste isso?

      Tem também o caso das cópias das gravações de conversas telefônicas que supostamente deveriam ser encaminhadas ao consumidor em 10 dias úteis após a solicitação – ver resposta acima, para o Danilo.

      Do jeito que a coisa anda, a gente tem que ter um celular com gravador, uma filmadora e um scanner portátil sempre em mãos…

  13. Corre uma lenda aqui pela cidade que diz que as portas dos bancos, ao menos por aqui, não travam por detectores de metais, mas sim por um cidadão que assistindo as cameras decide se trava a porta ou não, já ouviu falar sobre isso? E porque “banco X” e “banco Y”, não pode falar o nome dos bancos pra eu correr deles?

    1. Já ouvi essa história. Se for verdade, o otário que faz isso no banco onde eu fui barrado é um sádico que merece o bilhete azul.

      Os dois bancos estão nesta lista:

      http://noticias.r7.com/economia/noticias/telefonia-e-bancos-sao-campeoes-em-reclamacoes-20130911.html

  14. Danilo LaGuardia, o bem informado, vai lhe informar como proceder.

    Outra que me foi informada no Procon de Beagá. No dia questionei se eu poderia solicitar lá minhas gravações de ligação pra NET pra atrelar como prova no Juizado Especial.

    Me informaram que não, mas me passaram o endereço de onde eu poderia fazer isso em Belo Horizonte. Em Porto Alegre, obviamente você vai ter que se informar do endereço, mas de repente o Juizado de BH te informa isso por telefone.

    Esse é especializado em queixas contra telefonia, mas um Graham Bell de 5 minutos não mata ninguém.

    Juizado Especial Cível Unidade UFMG.
    Endereço: Avenida Alvares Cabral Nº211, Centro.
    BH/MG.
    Tel: (31)3224-1515
    Atendimento: 7h 30min às 18:30

    As gravações de ligação por parte das operadoras é imposição da própria legislação, pra que assim exista prova documental da queixa, coisa que o consumidor não se preocupa, ou não tem recursos pra executar do aparelho que utiliza.

    No caso do CDC hà também outra ferramenta espetacular que é a Inversão de ônus de prova. Ou seja, caso preste queixa, você não tem que provar culpa de ninguém, eles é que são culpados até que provem a inocência. Mas o mesmo não vale pro juizado especial, que é onde o consumidor lesado recolhe uma indenização mais parruda. Aí o esforço com as provas é seu.

    Mas dá uma ligadinha pro juizado especial ou pro Procon de Porto Alegre, e eles te informam sobre como requisitar suas gravações.

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