No Planeta dos Macacos, mulher incendeia a própria casa para afugentar perereca

Tem gente que fica com a maior bronca por causa do sub-título deste blog. (O original, “Em busca de vida inteligente na Terra”.) Já levei bronca e fui acusado de cabotinismo, presunção e outras impropriedades similares. Meus leitores habituais já sabem que minha pena é ácida por inconformidade, não por prepotência, então resolvi reunir na categoria “Planeta dos Macacos” alguns exemplos aleatórios para esclarecer os leitores eventuais quanto aos motivos de minha inconformidade…

Segue a cópia da notícia original no G1 e meu comentário.

‘Perdi tudo’, diz mulher que ateou fogo em casa para espantar perereca

Costureira afirma ter horror a esse tipo de anfíbio.
Incêndio acidental ocorreu na noite de terça, no interior de SP.

A costureira que ateou fogo em sua casa ao tentar espantar uma perereca afirmou nesta quarta-feira (10) que perdeu todos seus pertences. O incêndio ocorreu por volta das 22h30 de terça-feira (9), no bairro Vila Esperança, em Piquete, a 217 km de São Paulo.

Marli de Faria Rodrigues Alves, de 59 anos, se assustou ao ver, no banheiro próximo ao pequeno quarto onde vive sozinha, o anfíbio com cerca de 2 centímetros. “Não tenho medo de nada, moço, mas [ao ver] perereca eu atravesso a rua”, disse ao G1.

Para espantar o bicho, encharcou um pano com álcool, o amarrou a uma haste e tocou fogo. A mulher entrou no banheiro com a tocha improvisada em mãos. O plano, porém, não deu certo e a perereca, em vez de fugir, saltou na direção de Marli. “Dei um tapa e ela caiu sobre minha cama.”

Com medo, ela tentou novamente atingir o anfíbio com a chama, mas a tocha esbarrou na garrafa de álcool utilizado na criação da tocha. “Aconteceu uma explosão e o fogo atingiu tudo.”

Vizinhos chamaram o Corpo de Bombeiros e, enquanto o socorro não chegava, os próprios moradores ajudaram a costureira. “Eles não foram dez, foram onze”, brincou. Além da cama, Marli perdeu sua máquina de costura, televisão, DVD, aparelho de som, colchão e outros pertences. “Perdi tudo”, resumiu. Mas e a perereca, onde foi parar? “Ah, só Deus sabe”, afirmou, bem humorada, apesar da tragédia.

Ainda bem que ela está rindo. Eu ainda não decidi se rio ou choro.

Dá licença, medo de perereca?!?! Entre todos os medos imbecis, infundados, ridículos e dignos (?) de escracho, o que poderia ser pior que medo de perereca? Medo de Tele-Tubbies? Medo de pijama de flanela? Medo de arco-íris? Medo de ver um Tele-Tubbie vestido de pijama de flanela fugindo do arco-íris? Difícil isso, minha imaginação não chega a tanto. Mas isso não é a pior parte.

Por algum motivo que Freud não explica, tem gente que tem medos bestas: hipopotomonstrosesquipedaliofobia, triscaidecafobia, coulrofobia. Na minha opinião, o tratamento adequado a essas besteiras é pelotão de fuzilamento, mas isso não vem ao caso. O que importa agora não é o que a tal pererecafóbica da notícia sentiu e sim o que ela fez quando se confrontou com seu “medo”.

Como raios alguém dotado de um cérebro humano pode ter a brilhante idéia de espantar uma perereca com uma tocha em chamas antes mesmo de fechar a garrafa de álcool?!?!

Eu não entendo.

Uma atitude tão absolutamente irracional, desproporcionada e desajeitada ultrapassa todos os limites do tolerável para a espécie supostamente mais inteligente do universo conhecido. Já nem é caso de dizer, como o Faustão, “vê se isso tem alguma chance de dar certo”. Nem o General Urko teria uma idéia tão estúpida.

Então, quando eu critico uma coisa dessas, vem um “politicamente correto” e diz que eu tenho que “respeitar as diferenças” alegando que eu “todo mundo é inteligente a sua maneira” e quejandos?

Ah, pára!

As mesmas criaturas que ateiam fogo em suas casas para espantar pererecas decidem a minha vida e a sua vida, porque elegem os governantes deste país com os mesmos critérios e a mesma sagacidade com que espantam pererecas.

Não é pra pedir “pára o mundo que eu quero descer!“?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 11/11/2010

38 thoughts on “No Planeta dos Macacos, mulher incendeia a própria casa para afugentar perereca

  1. Roberto Tramarim

    11/11/2010 — 17:18

    Eu tinha medo de palhaços quando era criança(hehehe), até hoje nem eu consigo descobrir porque, atualmente não sinto nenhuma fobia em palhaços. Na verdade não existe fobia mais inexplicável que “medo de baratas”, e muita gente tem, algumas coisas da mente humana ainda são nebulosas. Eu tenho um método que me ajuda muito, toda vez que algo me aflige, não importa o que seja, eu vou fundo dentro deste algo, e tem dado excelentes resultados. Talvez lembre um pouco aquela teoria da esfinge, “Decifra-me ou devoto-te”.
    Bom, indo então ao ponto “planeta dos macacos”, o que você quer?! Lembra-se que uma época queriam proibir o alcool liquido?(mais uma do então ministro da saúde e candidato derrotado a presidencia este ano). Sabe quando ele teve a “idéia” de fazer isso? Quando um imbecil, fazendo uma churrascada com amigos, chega na churrasqueira pra aumentar o fogo, pega o litro de alcool e joga o alccol direto do litro que estava na mão dele na churrasqueira acesa, se queimou todo né(quem brinca com fogo…). Na época eu disse que não queria ser impedido de usar alcool liquido por causa de idiotas que não saibam usa-lo. Nem preciso dizer que tive que ouvir a ladainha que nem todos são iguais e lalala, como se a diversidade humana tivesse espaço pra que estúpidos desse calibre devam ser protegidos do governo as custas do sacrificio de todos. Uma coisa é se solidarizar com a dor que um imbecil causa em si mesmo, outra é viver em função da imbecilidade do imbecil, mas se tentar explicar, entra no exemplo do DVD que sabes bem qual é.
    Planeta dos…

    1. Pois é… nem todos são iguais, então nivelemos por baixo, este é o mantra da ANPI (Associação Nacional de Protetores de Imbecis). Aí cansa a paciência do vivente com miolo.

      Como eu gosto de resolver problemas, fico pensando se a solução adequada não seria semelhante à indicação de idade nos brinquedos.

      Ao invés de “adequado para crianças maiores de seis anos”, nos produtos “perigosos” como álcool líquido poderia haver um aviso como “adequado para (símios) adultos com capacidade intelectual superior a uma criança de seis anos”.

      Que tal? 🙂

  2. Eu tenho medo da polícia rodoviária. Eles enxergam bem demais!!! Eles conseguem ver a gente num lugar em que a gente não está!!! Os caras são muito bons. Também tenho medo dos pacientes que entendem, numa receita impressa usando um software apropriado, que um remédio que é para ser tomado três vezes por dia por sete dias deve ser tomado sete vezes por dia por três dias. Este leitor desmiolado pode causar o maior angu. Isto dá medo. Pergunta pra mulher da perereca se álcool funciona nestes dois casos. No aguardo. Assinado: Leitor Medroso.

    1. Ah, pois é, eu já fui multado mais de uma vez em uma cidade onde eu não estava. Vão ter olhos bons assim no inferno, pra conseguirem me ver até onde não estou.

      Essa dos pacientes não me assusta porque medicina foi a primeira profissão que eu descartei com certeza. Acontece que eu nasci no dia do médico, então havia uma certa expectativa que eu abraçasse essa bronca. Só que – graças a Deus! – eu percebi a tempo que não existe espaço para atuação de um médico com o modus operandi que eu queria implantar. (Numa palavra: HOUSE. Isso há 25 anos.) E também percebi que a medicina me mataria de estresse muito rapidamente, porque eu não consigo manter “distância profissional” e sofreria imensamente a cada caso que não pudesse resolver. (Por isso há 25 anos eu já pensava em um modus operandi como o da série HOUSE.)

      Mas há muito mais coisas das quais tenho medo. Algumas delas ligadas à medicina.

      Por exemplo: por que raios não se oferece uma prancheta para todo paciente que não pode se comunicar falando??? minha avó esteve internada, ficou entubada e consciente por dias e ninguém teve a idéia de levar uma prancheta, papel e caneta para ela se comunicar por escrito. Só quando eu voltei de uma viagem, três dias depois, é que ela pôde se comunicar, porque eu levei uma prancheta, papel e caneta.

      Outra: por que raios não se testa a atividade cerebral de pacientes aparentemente desacordados??? Teve um caso de um sujeito aparentemente em coma que ficou vinte anos ouvindo as conversas em volta e na verdade ele tinha uma paralisia. Dá pra imaginar a agonia e o sofrimento deste indivíduo? E tudo teria sido diferente se fosse procedimento padrão tentar se comunicar com o paciente “desacordado” enquanto se monitora a atividade cerebral dele.

      Mais uma: por que raios não se fornece maconha para quem faz quimioterapia??? Para mais de 60% dos pacientes, maconha fumada é a única coisa que faz com que as terríveis náuseas de quimioterapia se tornem toleráveis. Como é que os oncologistas não estão fazendo o maior estardalhaço e o CFM não está fazendo a maior pressão política possível para legalizar esse coadjuvante de tratamento que salvaria tantas vidas e atenuaria tanto sofrimento?

      E por aí vai…

  3. Passei boa parte da minha vida com medo de escuro.

    Fobias são patéticas….para quem não as tem,rs.

    1. Tratamento proposto:

      Interne o paciente em uma cela vazia, bem iluminada, no início de um labirinto escuro. Informe o paciente que há comida e água no final do labirinto. Informe o paciente que para comer e beber ele terá que atravessar o labirinto seguindo as indicações exclusivamente pelo tato. Quem sair do labirinto estará curado.

      Cordialmente,

      Dr. Hannibal Lecter

  4. Manga-Larga

    12/11/2010 — 08:08

    Eu só tenho medo de pijama de flanela, quando dentro do pijama tem um general moralista querendo me obrigar a consumir apenas as suas drogas.

    “…o tratamento adequado a essas besteiras é pelotão de fuzilamento…”

    Você deu aquela tradicional “exageradinha” em virtude da indignação, não foi? Não acredito que você, um defensor dos DH e opositor do aborto, estaria de acordo com uma execução motivada por medo de quem é assassinado.

    Mas concordo com o cerne do artigo: o voto desse pessoal desprovido de inteligência vale tanto quanto o meu e o seu (se bem que duvido que a mulher da perereca tenha um blog e muito menos tenha capacidade de influenciar o voto alheio). É por este motivo que plebiscito no Brasil só serve pra fazer de conta que temos uma democracia, já que o resultado aferido é tudo menos um produto democrático.

    1. É claro que um defensor radical dos Direitos Humanos como eu não fuzilaria ninguém por ter medo de perereca. Eu apenas enterraria essa pessoa trancafiada em um caixão cheio de pererecas, sendo alimentada por sonda, até que os batimentos cardíacos dela se normalizassem indicando que ela está calminha, calminha. 🙂

      Falando sério agora:

      Esse é o mal da comunicação escrita: no texto não dá pra ver que eu estava rindo ironicamente ao escrever aquela parte do pelotão de fuzilamento. Era pra ser apenas uma piadinha-desabafo en passant, mil perdões se isso não ficou claro.

  5. Minha filha tinha medo de BORBOLETA.
    Por achar que era um medo
    sem fundamento….um dia tive a BRILHANTE idéia de colocar uma pequena borboleta amarela em sua mão.
    Ela desmaiou e eu quase morri
    de arrendimento.
    Doeu muito não ter respeitado o seu medo.
    Que para mim,que amo borboletas,era algo sem lógica.

    Minha irmã mais velha carrega a culpa de me ter controlado,quando eu era crinça,pelo medo.

    Eu tinha PAVOR de pena.
    E ela fazia um círculo com penas e me deixava dentro dele tremendo de medo.

    Ela era tão criança quanto eu.Só queria liberdade para brincar e não ficar presa a uma irmã pequena.
    E porque tinha certeza que eu não ia sair do lugar,usava essa estratégia,rs.

    Eu não lembro disso,nem fiquei magoada com o que ela fez,mas ela se culpa.
    E não adiantou eu dizer que não lembro.

    Meu caro amigo,não podemos julgar os outros pela nossa medida.
    Milhares de pessoas são mais inteligentes que nós.
    Mais bonitos,mais educados,mais elegantes,mais criativos,mais humanos,mais jovens,mais amados……mais tudo,rs.
    O que para nós é motivo de riso para outro pode ser motivo de choro.

    Quero crer que fazes de propósito esses comentários,rs.

    Não acredito que acredites no que falas,logo tu que és tão sensível.

    O ser humano é limitado mesmo, e que bom que é assim.
    EU não ia querer a vida perfeita dos que nunca erram.
    Os que nunca erram também nunca aprendem.
    E os que nunca aprendem estão mortos.

    1. Tratamento proposto:

      Forneça um travesseiro de penas para o paciente dormir, sem que ele saiba se tratar de um travesseiro de penas. Após uma semana de uso do travesseiro, pergunte ao paciente se ele gostou do travesseiro.

      Perante uma resposta afirmativa, informe o paciente que a maciez e conforto por ele sentidos devem-se ao fato de ser um travesseiro de penas.

      Perante uma resposta negativa, use tratamento de choque: cubra o paciente com piche e jogue-o numa piscina cheia de penas. Se ele não infartar, ficará curado.

      Cordialmente,

      Dr. Hannibal Lecter

  6. Roberto Tramarim

    12/11/2010 — 17:27

    Ta vendo Arthur? O que era pra ser um debate sobre a influencia da imbecilidade no cotidiano e como isso mexe em nossas vidas virou um debate sobre fobias (hehehe), e isso porque voce postou uns exemplos de fobia pra “explicar” caso de seu artigo. Eita macaco dos planetas.

  7. Dá licença, medo de perereca?!?! Entre todos os medos imbecis, infundados, ridículos e dignos (?) de escracho, o que poderia ser pior que medo de perereca? Medo de Tele-Tubbies? Medo de pijama de flanela? Medo de arco-íris? Medo de ver um Tele-Tubbie vestido de pijama de flanela fugindo do arco-íris? Difícil isso, minha imaginação não chega a tanto. Mas isso não é a pior parte.

    Por algum motivo que Freud não explica, tem gente que tem medos bestas: hipopotomonstrosesquipedaliofobia, triscaidecafobia, coulrofobia. Na minha opinião, o tratamento adequado a essas besteiras é pelotão de fuzilamento, mas isso não vem ao caso. O que importa agora não é o que a tal pererecafóbica da notícia sentiu e sim o que ela fez quando se confrontou com seu “medo”.

    ACHO QUE LI ISSO AQUI…ERRADO!

    Minhas desculpas,amigo,não sou genial como tu,rs.

    1. Ei, eu estava zoando na parte sobre “pelotão de fuzilamento”, isso ficou claro, né?

  8. Eduardo Marques

    12/11/2010 — 20:39

    Isso tem alguma ligação com o post anterior?

    1. Não.

      O artigo anterior é uma repostagem de três anos atrás em outro blog. Este artigo é um desabafo devido a uma reportagem recente.

      Por quê?

  9. Eu assumo que sou uma MACACA,rs.

    Passei anos fazendo terapia
    porque não dormia no escuro.

    Me consola o fato de não ser a única MACACA neste planeta.
    Mesmo os genios possuem seus momentos de MACACO,rs.

    Enquanto a fobia é um transtorno de ansiedade a estupidez é só uma ignorância.

    É ÓTIMO TRATAR ASSUNTO SÉRIO COM LEVEZA,rs.

    1. Todo mundo tem seus momentos de macaquice, claro… o problema é quando alguém perde tudo que tem por causa de uma decisão consciente que desde o primeiro momento está na cara que é uma burrice monumental que não tem como dar certo.

  10. Roberto Tramarim

    13/11/2010 — 11:01

    Hehehehehe, mas é que todo mundo ficou no tema fobia e esqueceu o que o Arthur quis dizer. Até porque é gostoso falar de fobia, das nossas e dos outros. To vendo que o artigo do Arthur vai virar terapia de grupo (gargalhando).

    1. Fenômeno interessante a ser estudado. Será que o Dr. Zaius está disponível? 🙂

  11. Confesso que sou uma burralda de carteirinha…volta e meia e lá estou eu….cometendo erros hilários. Sendo boazinha comigo mesma,o consolo é ver que não sou a única burrinha deste planeta,rs.

    O síndico do meu prédio teve a sábia idéia de por um fradinho ….no asfalto…para impedir que carros estacionem na entrada da garagem,rs.
    Esqueceu que o máximo que se pode fazer, no asfalto, é pintar sinalizações,rs.

    1. O que é um “fradinho”?

      O único “fradinho” que conheço é um animal. (Uma ave.)

  12. Vou reblogar lá na minha gaiola, pode?Linkado e tudo(se é que tu queres estar linkado a um pardieiro,mas lá a macacada anda livre, só aparece quando tem bananas!)
    Mas uma coisa devo comentar, é que há muito as pessoas perderam a noção de como reagir as coisas no Brasil.
    Antigamente, um suspeito de corrupção (mesmo se não fosse realmente culpado), tinha vergonha, e se escondia, fugia.Hoje, este, comprovadamente culpado, ostenta sua cara de pau e alega inocência, e se salva pelo benefício da dúvida,fazendo a macada confusa, por agir de maneira contrária a uma pessoa culpada.(assim como o psicopata,cuja frieza muitas vezes passa mais inocencia do que culpabilidade)
    Ou, quando as meninas vão para o Funk,funkar, e você passa a achar que isso agora é ser normal, legal, ou que a juventude é assim mesmo, sem questionar o ambiente,ou o resultado das atitudes juvenis.
    Vou voltar para meu galho,please, já está salvo lá,esperando, diz se eu posso!

    1. Claro que pode. 🙂 Bem-vinda e retorna sempre, Ana!

      Essa do funk pode dar o que falar… por incrível que pareça, por lei esse troço agora é “patrimônio cultural” no Brasil. Sabias disso?

  13. Arthur, poxa, defensor dos DH, comentando sobre imbecilidade exemplificando a mulher?
    Julgo-me imbecil para o meu contexto; no dela, talvez seja uma gênia. (Vi sua crítica contra um “politicamente correto”, mas sua resposta foi apenas: “Ah, pára!” !)
    Ok, a história já estava pública, mas sinceramente, não vejo que conclusões positivas podem ser tiradas deste post. Sua tradicional solução radical em virtude da indignação normalmente é entendível. Aqui só vejo prepotencia!
    Temos duas medidas que podemos tomar: proibir o uso de álcool líquido, e nos admitir burros demais para tomar conta de nós mesmos, ou investir na educação.

    1. Ué, o que é que tem eu ser defensor de Direitos Humanos com o fato de eu exemplificar minha inconformidade com a completa falta de bom senso de muita gente com uma atitude estúpida cometida por uma mulher desconhecida? Não entendi.

      De fato, não existe uma solução radical apontada neste artigo: é apenas um desabafo. Curiosamente, até agora ninguém comentou o cerne da questão que me incomoda, apesar de ela ter sido colocada em destaque, dentro de um quadro, como fechamento do artigo. Assim sendo, o debate que eu esperava não ocorreu.

  14. Gostaria de dizer que a última parte do meu comentário foi sarcástica, porque lendo agora eu não senti o mesmo tom que tinha quando escrevendo. O que quis dizer é que pessoas sempre vão cometer burrices, sendo estudadas, ou mesmo se tudo viesse com um manual de instruções.

    A questão do voto obrigatório ficou mais parecendo que pessoas “imbecis” não devem ter direito ao voto. “Se voce bota fogo na sua casa e perde tudo por falta de pensar, é óbvio que não tem condições de votar.”

    Essa discussão, porém, não está clara como cerne da questão, mesmo colocada dentro de um quadro, como fechamento do artigo, para um leitor usual do blog.
    “Curiosamente” isso mostra uma grande imbecilidade dos seus leitores para entender o que escreveu, ou sua em se fazer claro para os outros. 😛

    1. Ahá! Ainda bem que não sou o único que percebe que a comunicação escrita tem desses percalços! 😉

      Sobre a questão do voto… é, é isso mesmo: quem não tem miolo não devia poder votar. TREMO NAS BASES ao imaginar essa pererecafóbica definindo a minha vida nas urnas.

      Mas sobre o “curiosamente”, não, isso não mostra que eu ou meu leitor somos imbecis, porque o artigo não foi mesmo estruturado de modo a propor claramente um debate político. A possibilidade existe, está lá, mas outro enfoque chamou mais a atenção dos leitores. Tudo bem.

  15. Caro Arthur,FOBIA é coisa muito séria.

    Não vejo como fazer brincadeira com elas.
    Para fazer piada,só quem nunca teve uma.

    E quem nunca teve uma fobia,não pode falar sobre o que desconhece,né?

    Me perdoa,mas não consigo ver a ligação entre fobia e burrice.

    Fradinho……
    Deixo um link, com foto, sobre esses pequenos monstrengos que aprapalham
    nosso alegre caminhar,rs.

    Continuo chamando-os de “fradinhos”,pode ser que tenham outros nomes,tão encantadores quanto este,rs.

    http://pomeu.com/cotidiano/fradinho-nossa-vergonha/

    1. A burrice não está em ter uma fobia, mas em construir uma tocha improvisada, acendê-la e sair brandindo as chamas por uma casa de madeira, ainda por cima com a garrafa de álcool ainda aberta!

      Por mais que eu ainda considere injustificável esse medo bobo, não teria sido (muito mais inteligente) muito menos burro prender a perereca com um copo e uma folha de papel (põe o copo em cima dela e passa a folha de papel por baixo para prender o bicho, depois joga no quintal), ou matar a perereca a sapatadas, ou chamar alguém para tirar o bicho de lá?

      Ah, obrigado pelo link com a explicação!

  16. Arthur, não entendo muito de Direitos Humanos, mas por não me parecer algo ético expor esta mulher de forma que degrade a imagem dela, senti alguma coisa errada. Outra, retirar o direito de voto por um ato considerado estúpido, mas que prejudicou apenas ela mesma? Não sei se isso é muito legal não. Afinal, sempre vai existir fobias e ações desesperadas para afugentar Tele-Tubies e palhaços.

    Sobre o voto não obrigatório, teria que existir uma campanha de concientização política. Muito mais do que algo: “vote voce também!”, uma que esclarecesse o porque de votar. Caso contrário, haveria uma manutenção da alienação das massas, e se tornaria uma decisão feita pela elite.
    Por outro lado, se proibida a campanha política com capital privado, dado o mesmo tempo de tv para os candidatos e o direito de resposta de candidatos, quando criticados pela mídia, na mesma mídia que o criticou, e feito existir uma igualdade de destaque entre candidatos, talvez haveria senso crítico para uma eleição igualitária mesmo com o voto obrigatório.

    1. Existe alguma maneira de noticiar o que essa pessoa fez sem “degradar a imagem dela”? Ou instituímos a censura para proibir a imprensa de noticiar qualquer estupidez, para que seu autor não tenha a imagem “degradada” por seus próprios atos, ou não há solução para o problema da imagem. Eu prefiro proibir apenas que sejam violadas a intimidade, a privacidade e a honra.

      Sobre “retirar o direito de voto por um ato considerado estúpido, mas que prejudicou apenas ela mesma”, não é esse o foco. O problema não é ter prejudicado apenas a si mesma, mas o fato de ter demonstrado completa incapacidade de avaliar as conseqüências de seus atos.

      Não é de hoje que eu digo: eu não sou um democrata. Não vejo possibilidade de o regime chamdo “democracia” ser capaz de promover adequadamente os ideais que são chamados de “ideais democráticos”. Lamentavelmente persiste a ilusão de que a democracia seja algo sagrado e inquestionável, como se tivéssemos atingido o “fim da história (#francisfukuyamafeelings) e não pudéssemos produzir algum regime mais avançado, menos conflituoso, mais justo e menos vulnerável às distorções políticas que esse mero conjunto de regras apelidado de “democracia”.

      O que eu não consigo entender é como é que tanta gente supostamente esclarecida e inteligente pode relacionar de forma tão visceral “votar” com “exercer cidadania” sem perceber que uma coisa não tem nada a ver com a outra e que existem diversas alternativas muito mais eficientes e eficazes para fazer valer a vontade popular que o mero funcionamento de um sistema eleitoral com voto universal e secreto.

      Achas razoável que apresentemos uma lista de alimentos para um chimpanzé no zoológico e digamos para ele “vote nos alimentos que deseja que componham sua dieta”? Não, porque ele não faz a menor idéia de para que servem aquelas letrinhas, certo?

      Então, por que é que quando alguém diz que “analfabeto não deveria votar”, ou que “quem não tem compreensão adequada do sistema político não deveria votar”, tanta gente acha isso o fim da picada? Não é muito diferente do exemplo do chimpanzé no zôo, com o agravante que o eleitor está decidindo a vida de terceiros e não somente a própria.

  17. Ouvi de certas pessoas….que votariam na Dilma para que o LULA continuasse mandando,rs.

    Ouvi de certas pessoas….que o Lula no poder NÃO representava o PT no poder.

    Concordo contigo que analfabetos de toda ordem não tivessem direito de votar.

    Mas não abro mão da democracia.
    Não até que apareça algo MUITO melhor.

    1. Eu costumo dizer que a melhor maneira de acabar com a democracia é aperfeiçoá-la ao máximo possível. Uma vez que a democracia funcione tão bem quanto possa, no limite de suas capacidades, ficarão tão claros seus terríveis defeitos que teremos vergonha de tê-la defendido por tanto tempo e trataremos com urgência de planejar sistemas políticos muito melhores. 🙂

  18. Apesar de não ser o exatamente o ponto central da postagem, hm, acho a discussão interessante, eu sou completamente a favor de uma república parlamentarista, e nada de torrar dinheiro com campanha de conscientização e blábláblá que não resolve PN, sou contra qualquer vínculo entre candidatos e iniciativas privadas, com medida punitiva de NUNCA mais poder exercer qualquer cargo público, mais uma multa determinada pelo tamanho do “vínculo” do candidato, tem que ser tudo financiado pelo estado, quantias iguais para todos, nada de panfletagem, apenas propaganda eleitoral na TV em agluns canais (já explico), com tempo igualmente distribuido para todos, e discursos ao vivo, sendo pré determinados os locais, com datas e loalidades distribuídas de forma igual para todos os candidatos. Outra medida importante seria a regulamentação da mídia de rádio, tv e impressa (não é CONTROLE e nem CENSURA), dois dos critérios da regulamentação seriam que meios que falam de política tem que falar APENAS de política, seriam exatamente esses os meios para a propaganda eleitoral, o outro critério seria uma distribuição justa das concessões (distribuição feita por uma análise do passado e das proposições de quem deseja montar uma emissora de rádio/tv, e não por influência$ política$), assim poderiamos regulamentar várias rádios “piratas” também e acabar com a farra de “uma emissora com uma penca de emissoras afiliadas”, uma emissora é uma emissora e ponto, que redistribua o sinal pro país inteiro.

    Agora eu entro na parte em que realmente tem a ver com a postagem da mulher que botou fogo na casa.

    “As mesmas criaturas que ateiam fogo em suas casas para espantar pererecas decidem a minha vida e a sua vida, porque elegem os governantes deste país com os mesmos critérios e a mesma sagacidade com que espantam pererecas.”

    Hm, eu acho que seria um tremendo de um retrocesso tentar definir critérios pra decidir quem vota ou não, mesmo a maior parte das pessoas (não todas, óbvio) que ‘não sabem’ votar, ‘não sabem’ porque “não querem saber votar”, ‘não sabem’ na verdade porque tem uma minoria que tem mais poder do que todos nós que não quer que ninguém ‘saiba’, por isso que eu sou contra o voto obrigatório e contra o financiamento por iniciativas privadas de campanhas eleitorais, oras, acham que o político vai defender os interesses de quem votou nele ou de quem deu dinheiro pra ele aliciar um monte de eleitores? Sem voto obrigatório reduzimos muito o número de pessoas que votam SEM CRITÉRIOS POLÍTICOS, afinal, assim como nós temos o direito de escolher candidatos, a mulher que tacou fogo na casa também tem, assim como nós temos nosso critérios, espero que ela tenha os dela, por mais “imbecis” que sejam, o importante é que existam. O DIREITO de voto, e NÃO a OBRIGATORIEDADE, juntamente com o que propus sobre as campanhas eleitorais, iria revolucionar o sistema eleitoral, muito mais justo do que definir critérios (por curiosidade, o que você exatamente propõe?) pra decidir quem vota ou não.

    “[…]“quem não tem compreensão adequada do sistema político não deveria votar”[…]”

    O que exatamente seria uma “compreensão adequada do sistema político”? Acho que a frase ficou meio vaga e abstrata.

  19. Fico imaginado aqui com meus botões: será que foi mesmo fobia que a fez por fogo na casa, ou vontade de ganhar móveis novos???
    Nestes tempos de exagerada soliadriedade (paternalismo politico mesmo), duvido se não esteve lá pelos lados onde mora esta dona uns dois ou tres mui bem intencionados candidatos a qualquer coisa, oferecendo mundos e fundos a esta “inocente” senhora em troca de alguns suspiros apaixonados e agradecidos:” Ah, que omi bão”.
    Eu nunca tive medo de palhaço, mas agora tenho:Tem um no poder e, pior, apregoando que pior do que tá, não fica!!!
    Será???
    Acreditem senhoras e senhores, os imbecis têm poder de persuasão.
    Aqueles “coitadinhos” estão na verdade querendo nos f…

    1. Solidariedade excessiva?

      Mas que raio de planeta é esse onde tem solidariedade em excesso?

      Me conta que eu vou correndo pra lá, assim que conseguir uma nave espacial baratinha…

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