Recentemente eu postei um artigo sobre alguém que incendiou a própria casa tentando espantar uma perereca no qual afirmei que “as mesmas criaturas que ateiam fogo em suas casas para espantar pererecas decidem a minha vida e a sua vida, porque elegem os governantes deste país com os mesmos critérios e a mesma sagacidade com que espantam pererecas”. No debate surgiu uma pergunta cuja resposta merece um artigo específico: “o que você exatamente propõe pra decidir quem vota ou não”. Eis o artigo. 

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Eu tratei deste assunto no artigo “voto universal desqualificado não é bom para o país“, mas isso foi nos primórdios do blog, quando o Pensar Não Dói mal tinha duas dúzias de visitas por dia, então vale a pena voltar ao assunto.

O que eu proponho para decidir quem vota ou não é a criação de uma Carteira Nacional de Habilitação Eleitoral, nos mesmos moldes da Carteira Nacional de Habilitação para o trânsito.

Quem quer dirigir um automóvel primeiro tem que provar que tem habilitação e muita responsabilidade, porque, além da própria vida, tem em suas mãos a vida de terceiros, sejam seus passageiros ou caronas, sejam os demais condutores de veículos, sejam os pedestres. Para aferir se o indivíduo está habilitado e se é suficientemente responsável para dirigir um automóvel, utilizamos um curso, uma série de exames teóricos e uma prova prática.

Do mesmo modo, quem quer dirigir um país através do voto primeiro tem que provar que tem habilitação e responsabilidade muito maiores, porque, além da própria vida, tem em suas mãos a vida de terceiros, em quantidade muito maior que um simples motorista. Portanto, nada mais lógico que aferir através de um curso, uma série de exames teóricos e uma prova prática se o indivíduo tem condições de fazer escolhas que afetarão profundamente a minha vida, a sua vida, a vida de 190 milhões de brasileiros.

É simples assim.

Votar não é exercer cidadania

Não sei se é em função do trauma causado pela ditadura militar, se é falta de uma análise política mais aprofundada ou se é apenas vontade de se enganar, mas muita gente confunde estas duas coisas.

Alguém que vota – vai até a urna, aperta uns botõezinhos e ouve uma musiquinha – por estar exercendo cidadania ou não. Isso depende totalmente de este alguém saber ou não saber o que está fazendo.

Se o indivíduo não conhece as alternativas entre as quais tem que escolher, então não está fazendo de fato uma escolha consciente e sim um exercício de preconceito irracional. Isso significa que o eleitor brasileiro deveria conhecer pelo menos o Estatuto e o Programa de cada um dos partidos políticos que já possuem alguma representação no Congresso Nacional, caso contrário vai votar no que ignora depois de comparar com o que não conhece. (Doeu aí?)

Se o indivíduo não conhece as funções, responsabilidades e limites de atuação de cada cargo para os quais está escolhendo ocupantes, então não está escolhendo criteriosamente que indivíduos são mais adequados ao exercício daquelas funções e sim caindo na história da Carochinha do candidato mais simpático, mais safado ou com o melhor marketing.

Um chimpanzé bem treinado pode carregar um título de eleitor, apresentá-lo ao fiscal de urna, assinar seu nome, dirigir-se á cabine de votação, copiar os números de uma cola eleitoral, retificar um erro de digitação, confirmar seu voto, pegar o título de volta e sacudir uma bandeira com os dizeres “voto consciente – democracia – cidadania” para comemorar seu feito.

Você diria que este chimpanzé “exerceu cidadania”?

Escolhas exigem pré-requisitos

Afirmar que nem todo mundo deveria poder votar não é “politicamente correto”, mas é uma grande verdade. Tanto quanto um cego não poderá jamais dirigir os veículos que temos hoje, porque lhe falta uma habilidade absolutamente necessária para o ato de dirigir, alguém que não é capaz de conhecer as alternativas eleitorais, as funções que devem ser preenchidas por estas alternativas e explicar coerentemente as diferenças esperáveis entre optar por uma ou outra alternativa para cada função não possui as habilidades necessárias para o ato de votar.

Votar não é um presentinho de consolo para que os incapazes não se sintam diminuídos. Mais de um milhão e trezentos mil abestados demonstraram claramente nas últimas eleições que são incapazes de realizar escolhas responsáveis e bem informadas, pois votaram em um candidato escolhido a dedo por uma coligação para atrair o “voto de protesto” dos otários que achavam que era um bom momento para uma brincadeira. A pilantragem agradece. A cidadania lamenta.

Exigir habilitação ENGRANDECERIA a democracia

O discurso de que “todos têm o direito de votar” é aparentemente um discurso libertário, mas na prática funciona exatamente como “todos têm o direito de dirigir”.

Se você consegue imaginar como seria o trânsito caso qualquer pessoa com 16 anos ou mais pudesse entrar em um automóvel e sair dirigindo pelas ruas das cidades sem prévia avaliação, então você é capaz de imaginar como funciona realmente nosso sistema eleitoral.

A quem interessa o falso “exercício de cidadania” correspondente aos votos dos alienados? Ora… às pessoas que são eleitas por eles, é óbvio!

Ou será que seriam eleitos os mesmos indivíduos, dos mesmos partidos, caso votassem somente as pessoas que sabem o que estão fazendo? Se for assim, então “voto consciente” é uma completa falácia e desmorona qualquer argumento pela razoabilidade da democracia.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 24/11/2010

37 thoughts on “Carteira Nacional de Habilitação Eleitoral – CNHE

  1. Roberto Tramarim

    24/11/2010 — 18:13

    Concordo plenamente e acrescento, deveria ter “habilitação” pra mais coisas além de votar, como ter filhos por exemplo. Não há o que se falar em “direitos” se estes prejudicam claramente a outras pessoas. Mas como você disse, isso não é politicamente correto.

    1. Aposto que um tal de Adolf Hitler tinha ideias bem parecidas com a ” “habilitação” pra mais coisas além de votar, como ter filhos por exemplo”. O que está bem implicito no “sistema de habilitações” é mais um fator pra separar “pessoas privilegiadas” (principalmente porque não estamos em um mundo de ‘oportunidades iguais’) do “resto”. Por exemplo, se Hitler tivesse conseguido alcançar seus objetivos e se futuramente ele adotasse a “habilitação” para terem filhos, o “critério de habilidade” provavelmente seria ser ariano, um grupo privilegiado no esquema de governo ideal dele. A questão fundamental da discussão está justamente nos critérios, onde está escrito que os meus, os seus, e os valores do Arthur sobre como criar um filho são os “corretos”? Falamos tanto de liberdade aqui, de legalização de drogas etc, mas quando chegamos no critério “voto”, ai é hora de restringirmos a liberdade para ‘melhorar’ a vida das outras pessoas, privando-as do direito mais simples temos, a característica básica que determina um ser útil para a manutenção da espécie, que é a reprodução? Eu penso que não.

    2. Roberto:

      É tudo uma questão de critérios. Hoje o critério é gandaia total, amanhã – quando explodirem os problemas derivados da gandaia total – o critério será aquele que os indivíduos, nações ou conglomerados mais poderosos quiserem impor a seu bel prazer.

      Os abusos poderiam ser evitados adotando critérios justos antes que as pressões ambientais sejam tão intensas que os mais poderosos decidam que força é um ótimo critério para que sobrevivam sem arcar com as conseqüências da irresponsabilidade histórica.

    3. Who:

      Se esse tiozinho aí pensava assim ou assado, não é relevante para mim. Eu penso por conta própria, acho ótimo quando encontro bons pensadores com as mesmas idéias e acho péssimo quando encontro maus pensadores com as mesmas idéias, mas não abro mão de pensar como penso independentemente de quem concorde ou discorde de mim: o que me faz mudar de idéia são apenas os argumentos que me são apresentados.

      No caso específico do voto, o critério de habilitação proposto por mim é muito razoável: quem sabe o que está fazendo pode, quem não sabe não pode. Não vejo razão alguma para abrir o direito de votar (ou seja, de decidir a minha vida) para quem não sabe o que está fazendo.

      E não vejo nenhuma relação entre essa obviedade e os absurdos propostos pelo tiozinho maluco que achava que a turma dele era a única bolachinha do pacote que tinha o direito de ser recheada…

  2. Acho que a questão aqui, não é julgar o que é politicamente certo ou o que não é, mas sim, conceituar uma maneira de selecionar os eleitores, uma vez que, obviamente, milhões deles não sabem nem em que votam, porém vejo uma espécie de “retrocesso social” nessa questão, pois se configuraria numa seleção que “segregaria socialmente” o nosso pais além do que ele já é.
    No entanto observo que seria salutar já que assim poderíamos mudar o futuro do nosso país de uma maneira positiva.

    1. Everton, todo analfabeto político já é socialmente segregado, pois ele não passa de massa de manobra para os interesses dos políticos manipuladores.

      Imagina que, ao invés de apenas cooptar o eleitorado manipulável através de mentiras e tergiversações, os partidos tivessem que convencer um eleitorado com grande capacidade crítica e noção clara das atribuições e limites de cada cargo.

      A própria fiscalização das ações dos partidos e dos políticos individuais seria muito mais eficiente. Só pra dar um exemplo notório, quem consciente e bem informado reelegeria um político cassado por corrupção?

  3. Hm, e quais exatamente seriam os itens dessa prova? Quem elaboraria a prova? Um pessoal com o mesmo nível de competência de quem elaborou o ENEM? Pare e pense Arthur, sem blablablacionismo politicamente correto, vou usar o mesmo exemplo que você usou e vou fazer exatamente o mesmo estilo de analogia que você fez (com raríssimas exceções, eu costumo não gostar de analogias, mas isso na verdade não é importante nessa discussão, fica só pra constar), o da CNH, vulga “carteira de motorista”, para obter uma é exigido um longo e CARO processo de seleção, em que ensinam, por meio de aulas teóricas e práticas. Agora, qual a garantia de que essa preparação supostamente funcional de fato da certo? Me diz, quantas pessoas você conhece que após passarem na prova teórica NÃO esqueceram o que são primeiros socorros, os tipos de via e suas respectivas velocidades máximas e mínimas no caso de não existir sinalização, o funcionamento básico do motor de um carro e até mesmo o que é direção defensiva? Aposto que não é a maioria, e olha que estamos falando de um conteúdo ridículo que é passado em duas semanas e que os “futuros motoristas” só não esquecem ao dobrarem a esquina após a aula porque ele vai precisar do conteúdo pra fazer uma prova, a qual reprovar cu$ta caro. Eu não consigo ver base nenhum na solução que você propôs (CNHE), não vejo possibilidades de ser aplicada em qualquer lugar (principalmente no país onde vivemos) sem ser uma media segregacionista.

  4. ERRATA!

    Nossa, estou caindo de novo na mania de não revisar meus comentários antes de enviar:

    “[…]vulga “carteira de motorista”. Para obter uma é exigido um longo e CARO processo de seleção, em que “ensinam” a dirigir, por meio de aulas teóricas e práticas.[…]Eu não consigo ver base nenhuma na solução[…]”

    Erros devidamente corrigidos – eu espero (:

    1. “Hm, e quais exatamente seriam os itens dessa prova? Quem elaboraria a prova? Um pessoal com o mesmo nível de competência de quem elaborou o ENEM?”

      Ah, essa é uma questão importante. Eu andei lendo as provas do ENEM e fiquei pasmo com o nível das questões. Em muitos casos a principal habilidade envolvida é ser capaz de reconhecer a ideologia da banca examinadora e assinalar a resposta absurda que a banca examinadora deseja. Noutros tantos a resposta independe completamente do texto introdutório da questão. O ENEM é um vexame sob qualquer ângulo de análise.

      Tudo isso, entretanto, não invalida o ponto central do meu argumento: que as vidas de terceiros não sejam decididas por quem não sabe o que está fazendo. Pode-se discutir qual o melhor modo de aferir as habilidades necessárias, como no caso da CNH de trânsito, mas não o fato que tanto um motorista quanto um eleitor inabilitados representam perigo para terceiros.

  5. Roberto Tramarim

    25/11/2010 — 10:55

    É obvio que basta a gente falar em responsabilidade e ja vem nego pensando em nazismo. Alias, uma das perfidas caracteristicas do nazismo era a intolerância para com outras idéias. Bem, não vou me alongar nisso por hora. Só digo que esta semana uma guria de 15 anos morreu depois de ser severamente espancada pelos pais, que largaram a garota no chão e foram dormir(sim, dormir). É uma pena que esses “pais” possam ter o “direito inquestionavel” de ter filhos. Mas infelizmente tem, e infelizmente qualquer tentativa de restringir isso será comparada a “nazismo”. Enquanto isso, outros infelizes irão nascer filhos de gente assim, mas claro, o que importa é o “direito inalienavel” de seres como aqueles poderem ter seus filhos, nem que depois os espanquem até a morte por uma imbecilidade qualquer e vão dormir em seguida. Claro que este é um caso divulgado entre tantos os que tem por ai.

    1. Se eu te garanto o direito à liberdade e simultaneamente garanto ao governo do teu país o direito de atuar sem intervenções, na prática eu não estou garantindo direito algum, estou apenas sujando papel para justificar qualquer rumo de ação que me seja conveniente. É isso que ocorre hoje em todo cenário de Direitos Humanos no mundo inteiro.

      As Nações Unidas não sabem nem sequer contar até 30. Na Declaração Universal dos Direitos Humanos está positivado o mecanismo lógico que impede a contradição acima descrita:

      “Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer direitos e liberdades aqui estabelecidos.”

      Infelizmente, na ONU ainda não conseguiram entender isso.

      O resultado é que alguns direitos são amplamente invocados para garantir o prosseguimento de atividades que claramente violam direitos de terceiros.

      A liberdade religiosa é invocada para violar os direitos dos homossexuais e para mutilar crianças, a autodeterminação dos povos é invocada para violar o direito de todo homem participar no governo de seu país e de ter direito ao acesso a tribunais independentes, e assim por diante.

      Do mesmo modo, tanto o direito ao voto quanto os direitos reprodutivos também podem ser usados para violar direitos de terceiros, bastando para isso que sejam completamente desregulamentados.

      O problema é que as pessoas em geral não fazem a ligação entre seus atos e as conseqüências de seus atos a não ser nos casos mais diretos e óbvios. Aí fica difícil demais até mesmo debater a questão, porque do outro lado provavelmente haverá alguém completamente surdo a qualquer argumento racional, resmungando ter filho… habilitação… Hitler… e foi-se o boi com a corda.

  6. Roberto Tramarim

    25/11/2010 — 11:00

    Sobre direito a voto, que é o tema do artigo, 1 milhão e 300 mil eleitores votam num palhaço que irá redigir leis que eu terei que seguir. É razoável que eu, no mínimo, tenha o direito de questionar o “direito” de pessoas que fazem do voto uma latrina e afete a minha própria vida. Ou não?

    1. Sim, meninas de quinze anos morrem por culpa dos pais, algumas mais novas são atiradas pela janela, outras pessoas mal tratam empregados, namorados, parceiros de casamento, pais, avós e inclusive os matam, o que pretende fazer? Habilitação para ser avó? Para ser chefe de alguém? Para ser FILHO ou NETO de alguém? Como uma “habilitação” vai resolver isso? Quem vai elaborar esta “habilitação”? Muito simples ter uma atitude radical sem pensar nas consequências dela, porque eu duvido que pessoas que mal dão conta de controlar o nascimento de filhos indesejados vão dar conta de controlar após serem “comprovadamente inabilitados” para terem filhos, assim como duvido que muitos vão aceitar o fato de não conseguirem a habilitação e vão ter filhos do mesmo jeito, depois que o espermatozóide fecundou o óvulo, acabou. Fazer o que? Abortar os filhos? Castrar todo mundo? Aplicar multas altíssimas para pessoas que não tem condições de paga-las? Criar um internato gigante para filhos sem país habilitados? Tem certeza que funciona?

      Não, não é razoável, porque como você disse, você está olhando para você, para a sua “própria vida”, já pensou em se colocar no lugar da grande quantidade de pessoas “inabilitadas” para votar que verão líderes sendo eleitos, líderes que elas não elegeram e que vão afetar a vida delas? E então, com a mesa virada agora, o que você acha? Que elas são menos capacitadas que você para escolher o que é melhor “para a vida delas”? Acha que pode decidir o que é bom para as pessoas no lugar delas e que tem capacidade para isso? E então eu quem sou intolerante aqui? Tem certeza? Não preciso citar apenas o nazismo, poderia passar horas a fio procurando vários exemplos de pensamentos intolerantes que seguem a mesma linha de raciocínio, até mesmo alguns fanáticos religiosos que atribuem características a Deus (que se existir – e não vem ao caso se eu acredito ou não, só pra constar -, com certeza não as possui) para explicar seus atos ou “linhas” de raciocínio.

      Já assistiu Laranja Mecânica? Eu não aprovo de modo algum o comportamento do Alex, o personagem principal, mas o que você apoia é algo bem semelhante ao tal “método ludovico” no filme, que consiste em retirar a liberdade das pessoas em nome de um soposto “bem comum”, como se alguém pudesse sair dando palpites na vida de todos tentando resolver fatos que julgam serem problemas restringindo liberdades.

      Me desculpe, mas essa é claramente uma linha de pensamento imperialista/fascista/nazista/inquisicionista/qualquer-outro-ista-intolerante, e não há qualquer blablabla de que “é diferente” que vá mudar isto. E não há também Tiririca eleito que seja pior do que um regimento intolerante de votação que é completamente inconsequente e arriscado.

    2. E para não deixar quaisquer dúvidas, assim como não apóio o comportamento do personagem “Alex” em “Laranja Mecânica”, não apóio e não concordo de jeito algum que “meninas de quinze anos morrem por culpa dos pais, algumas mais novas são atiradas pela janela, outras pessoas mal tratam empregados, namorados, parceiros de casamento, pais, avós e inclusive os matam”. Não estou apoiando esses tipos de comportamento de forma alguma, apenas discordo do método que você sugere para “resolver” isso, que fique bem claro.

    3. “Sobre direito a voto, que é o tema do artigo, 1 milhão e 300 mil eleitores votam num palhaço que irá redigir leis que eu terei que seguir. É razoável que eu, no mínimo, tenha o direito de questionar o “direito” de pessoas que fazem do voto uma latrina e afete a minha própria vida. Ou não?” (Roberto)

      É, é exatamente esta a idéia.

    4. “E então, com a mesa virada agora, o que você acha? Que elas são menos capacitadas que você para escolher o que é melhor “para a vida delas”?” (Who)

      Sim.

      Essa é a grande questão: existem diferenças de capacidade entre as pessoas. É por isso que cego não dirige automóvel. É por isso que tetraplégico não pode ser massoterapeuta. É por isso que doente mental não vota.

      Só o que estamos dizendo é que, no caso de decidir a vida dos outros, essa capacidade deveria ser avaliada com critérios funcionais realistas ao invés de critérios ideológicos “politicamente corretos” que na pratica violam totalmente a razão de ser de um processo de escolha.

      Podemos discutir quais seriam os critérios mais adequados, lógico, mas não vejo base lógica alguma em sustentar que “todo mundo tem que ter o direito de votar independentemente de qualquer coisa“, pois isso anula a própria razão de ser do processo eleitoral, que para fazer sentido deveria ser uma escolha consciente e bem informada.

  7. Manga-Larga

    25/11/2010 — 12:11

    Sou dos que pensa que a solução vem de baixo, parte da educação. Não há dúvidas que nossa sociedade é INCAPACITADA para várias coisas. Me causa enorme tristeza visitar as caixas de comentários de jornais como OGlobo. Lá, matérias falando sobre agressão a gays são infestadas por comentários homofóbicos, matérias falando sobre a violência no RJ são infestadas por comentários apoiando agressões do estado e explicitamente apoiando a execução sumária.

    O brasileiro infelizmente é incapaz de analisar criticamente as coisas em nossa volta, são meros reatores pontuais pautados pelo moralismo.

    1. Eu não teria dito melhor.

      Boa parte do que proponho freqüentemente é que as capacidades e habilidades sejam melhor aferidas em muitos casos: no sistema eleitoral, no sistema educacional, no sistema de segurança pública, etc.

      Há uma lógica consistente entre minhas diversas defesas sobre o que fazer em determinadas circunstâncias porque as ações e intervenções que proponho estão sempre alicerçadas nos mesmo princípios.

      O princípio básico é responsabilidade.

      Se as conseqüências das ações de X recaem somente sobre X, então ninguém tem que meter o bedelho na vida de X, a não ser para prestar auxílio ou solidariedade, desde que não contrarie a vontade de X, exceto no caso em que X esteja incapacitado para tomar decisões por conta própria.

      Se as conseqüências das ações de X recaem sobre terceiros, então os terceiros podem legitimamente exigir que X esteja adequadamente capacitado para exercer tais ações e também que haja limites claros para o alcance destas ações.

      Acredito que seja uma postura bastante razoável.

  8. Tweets that mention Carteira Nacional de Habilitação Eleitoral – CNHE | Pensar Não Dói -- Topsy.com
  9. Aaaa, passaram mais erros despercebidos, anyway, não importa, deu para enteder tudo. Arthur, não invalida, e eu nem disse isso, mas sim que o método que você propôs, além de ser completamente utópico, é ineficaz, é o que estou tentando mostrar. Não se deve proibir pessoas de votar, e de terem filhos, assim como não se deve proibir pessoas de fumarem maconha e usarem anfetaminas ou cocaína pelo simples motivo de que não resolvemos problema algum (SEJA QUAL FOR) desse jeito, apenas criamos mais e mais problemas. O que tem que ser modificado é a essência do eleitor, a verdadeira mudança ocorre quando ocorre um processo, uma revolução que infelizmente não acontece da noite pro dia, em que o eleitor realmente passa a possuir capacidade para votar de forma em que o país inteiro seja beneficiado. Eu não consigo ver o seu modelo de “habilitação” como um processo que muda a base eleitoral de um país, o que vai acontecer é que quem vai escolher quem vota ou não é quem detem o poder de fazer e aplicar a prova, se esse poder cai nas mãos de quem é eleito, então iremos retroceder vários anos e tornar um passado cheio de sofrimentos em vão, uma “habilitação” desse jeito é MUITO perigosa.

    1. Do jeito que falas, até parece que hoje em dia não ocorre escancaradamente uma vergonhosa manipulação do eleitorado.

      Se houvesse uma habilitação eleitoral, votar seria um direito valorizado e não um incômodo como muita gente considera. E quem lutou por um direito e teve que se capacitar para exercê-lo com certeza o exercerá de modo muito mais responsável que o quase milhão e meio de imbecis que votaram no Tiririca.

  10. Habilitação para votar!?
    Arthur, imagino que este deve ser um tópico em que propõe uma solução radical que não acredita, apenas para apontar um problema grande.
    Não importa se quem for montar a prova seja uma grupo composto por Jesus, Gandhi, e Einstein: um ideal vai ser sempre previlegiado.
    O que eu apoio é um grande investimento na educação e em condições para que todos tenham um bom acesso à informação.

    Deve ter uma genialidade incrível por trás deste Post, e do da mulher com a perereca, a qual eu ainda não captei! 😀

    1. Eu tenho alguns “mantras” escolhidos a dedo que orientam minha vida. Um deles é o seguinte:

      “A fórmula do sucesso garantido ninguém conhece, mas a fórmula do fracasso garantido é tentar agradar a todo mundo.”

      Provavelmente a única pessoa na face da terra que vai concordar com tudo que eu digo sou eu mesmo. Para qualquer outro leitor, algumas das coisas que eu escrevo serão boas, outras serão ruins. Faz parte do jogo. Se eu tentasse agradar a todos o tempo todo, não valeria a pena ler nada do que eu escrevo.

      A solução que eu proponho não é de fachada, não. Eu já disse algo parecido no artigo “voto universal desqualificado não é bom para o país“. Eu realmente acho um absurdo que um acéfalo capaz de votar no Tiririca tenha poder de influir na minha vida.

      Tua preocupação de que “um ideal vai ser sempre previlegiado” é pertinente. No caso do ENEM, por exemplo, as questões são altamente ideológicas. Não deveriam ser, mas são. E realmente é muito difícil evitar isso.

      Mesmo assim eu prefiro um sistema melhor com algumas distorções que um sistema péssimo supostamente sem defeitos. (Até porque é só “supostamente” sem defeitos, convenhamos.)

      Eu elenquei as três habilidades fundamentais para alguém se habilitar a votar:

      – conhecer as alternativas eleitorais;

      – conhecer as funções que devem ser preenchidas por estas alternativas;

      – saber explicar coerentemente as diferenças esperáveis entre optar por uma ou outra alternativa para cada função.

      As alternativas são os partidos e os indivíduos que estão se apresentando para defender os ideais de cada legenda.

      As funções são os diversos cargos eletivos. Não é aceitável que um candidato diga “Você sabe o que um deputado faz? Nem eu.” e que alguém vote nele exceto ele mesmo e com muito boa vontade a mãe dele.

      E eu me contento que o eleitor saiba explicar que a diferença entre o Partido Negociador Democrático e o Partido Impositor Totalitário seja que “um prefere negociar e o outro prefere impor suas idéias”. Desgraçadamente, duvido que 75% do eleitorado consiga articular uma frase tão complexa para produzir uma explicação tão profunda

      Se nem isso é exigível, então o voto da maioria é guiado por ilusões, preconceitos e manipulações diversas, o que – deveria ser óbvio – não é bom para essa mesma maioria.

  11. Who
    Fica extremamente dificil quando alguem “entende”(sic) o que a gente quer dizer de forma totalmente errada. Em nenhum momento eu disse querer decidir pelas pessoas as suas vidas, se entendeu assim, lamento profundamente. Tambem assisti Laranja Mecanica, e li livros como 1984, minha formação é totalmente libertária, o Arthur bem o sabe. Não fui eu quem trouxe a comparação com Hitler neste artigo do blog, porém sugiro respeito mútuo a partir daqui, se for chamado ou insinuado como totalitário, o que em nada tem a ver comigo, posso me sentir no direito de ofender de volta, e isso não acrescentaria nada a este blog, pois sempre fui muito respeitoso neste espaço.

    O que eu chamo de “razoável” não é decidir pela vida das pessoas arbitrariamente, é não ter minha vida decidida pelo voto de quem sequer sabe qual a função de deputado. Isto não é segregação nenhuma, se TODOS sabem pelo menos o que faz um deputado, TODOS tem o direito de escolher alguém pro cargo, mas é terrível quando alguem vota num deputado sem sequer saber o que o cargo representa. E sim, este voto pode decidir a vida de todos os que sabem o que vem a ser um deputado.

    Não estou negando direitos a ninguém, apenas exigindo um respectivo dever, se este direito tem influência na vida de terceiros, e isso vale até pra mim. O exemplo da CNH que o Arthur postou é claríssimo, ninguém é proibido de dirigir, mas para ter permissão pra dirigir é necessário uma habilitação e um exame que meça a capacidade para tal, como ter um brevê pra pilotar avião por exemplo. De fato impedir que quem não saiba dirigir conduza um veículo não é nenhuma arbitrariedade, e sim proteção a vida de terceiros, mas aprendendo a dirigir, a pessoa antes não autorizada agora pode faze-lo, ou seja, qualquer um pode dirigir, desde que demonstre capacidade para tal, se não tem agora, pode ter amanhã. E isto deveria valer pra muitas coisas. Não confundir com ideologias totalitárias que proibem algo a alguém por elas serem quem são, esta sim é odiosa. Ninguém vai “escolher” quem pode ou não votar, a qualquer momento em que demonstre um mínimo de conhecimento sobre política, qualquer um pode votar, se não hoje, talvez possa amanhã, só depende dele, de mais ninguém, ele não é proibido de votar devido a classe, etnia, sexo ou qualquer outra coisa, e sim de um conhecimento mínimo que, tão logo venha a ter, tem seu direito totalmente assegurado.
    Por ultimo, por favor, insisto que a comparação com totalitarismo foi totalmente desnecessária, posso entender sua objeção por reaças pois eu também as tenho, mas não os veja a todo momento e em qualquer lugar, vai acabar vendo um até onde não existe.

    1. Vamos lá.

      “Em nenhum momento eu disse querer decidir pelas pessoas as suas vidas, se entendeu assim, lamento profundamente.”

      Então simplesmente argumente e passe o seu real ponto de vista, como quer que eu entenda, já que acha que entendi errado, sem lamentações.

      “Não fui eu quem trouxe a comparação com Hitler neste artigo do blog, porém sugiro respeito mútuo a partir daqui, se for chamado ou insinuado como totalitário, o que em nada tem a ver comigo, posso me sentir no direito de ofender de volta, e isso não acrescentaria nada a este blog, pois sempre fui muito respeitoso neste espaço.”

      Ei, calma ai, quem está entendendo as coisas erradas por aqui não sou eu, não te chamei e nem insinuei que você é totalitário, falei que sua proposta para resolver um suposto problema segue uma linha de ideias intolerantes e citei exemplos, é algo bem diferente, não tive intenção alguma de te desrespeitar e muito menos ofender, apenas argumentei, isto é uma discussão e não consigo ver outro meio de construir discussões, se não argumentando. O próprio exemplo de Laranja Mecânica que eu citei se passa em uma democracia parlamentarista. Não leve a discussão para o lado pessoal, nem conhecer você eu conheço, não ganho nada agredindo você, apenas estamos discutindo em um espaço para discussões, o qual também respeito.

      Sobre o resto do seu comentário, que trata da questão em que estamos de fato debatando sobre, eu já fiz as minhas críticas em relação ao sistema de CNH e o porque é falho para um sistema de votação, não vou repetir aqui. O que você está desconsiderando é que de fato existe uma desigualdade grande (ou seja, que é algo a se levar em consideração, que não se pode desprezar) de oportunidades entre classes e etnias, ou você acha que a maioria das pessoas que não gostam ou não sabem sobre política, não o fazem porque não querem fazer? Analisemos sua resposta, dada antes mesmo de eu perguntar: “Só depende dele, de mais ninguém”. Isto parece algo em que a pessoa tira do ar “agora eu quero votar e etender tudo sobre política” e plim, feito, como se não existissem outros fatores. A constituição também garante o deireito a moradia para todos os cidadãos, são todos que as tem? É uma questão de simplesmente querer? Não, é questão de querer e correr atrás, mas me diga, como pode existir igualdade em uma competição em que as pessoas partem em diferentes pontos de largada? Eu não sei que tipo de liberdade é essa que você propõe em que um grupo de pessoas favorecidas podem alcançar a “linha de chegada” com mais facilidade do que pessoas menos favorecidas, e após isso interfirir na vida de todos.

      Sejamos mais objetivos:

      Sua proposta é: “vamos proibir de votar quem não entende o conteúdo sobre política requisitado pela prova que garante o direito de voto (não vou mais entrar tanto no mérito da prova, eu já a critiquei aqui: http://arthur.bio.br/2010/11/24/politica/democracia/carteira-de-habilitacao-eleitoral/comment-page-1#comment-149077 , e até agora não apareceu nenhum contra-argumento sobre as críticas que fiz)”

      Minha proposta eu já fiz no post da mulher que colocou fogo na própria casa, é bem inacabada, mas não mais do que o esboço de sistema de provas de habilitações porpostos aqui, em resumo é: “vamos modificar todo um sistema que se mostra ineficiente para que ele torne as pessoas mais críticas em relação a política, dando chances para as pessoas aprenderem sonre política e desenvolverem criticidade para escolherem de forma mais responsável possível seus representantes”

      A minha inclui as pessoas, dando oportunidades como meio de melhorar um sistema, a sua exclui pessoas e ignora vários fatores que eu venho citando.

      “posso me sentir no direito de ofender de volta”

      Já que você considera ofensa, você já a fez antes: “É obvio que basta a gente falar em responsabilidade e ja vem nego pensando em nazismo. Alias, uma das perfidas caracteristicas do nazismo era a intolerância para com outras idéias.”

      Algo que eu adoraria saber é porque você ignorou COMPLETAMENTE o que que eu escrevi sobre a “habilitação para ser pai”, me parece que foi porque você quer ignorar todas as falhas que tornam insustentável o sistema que você propõe, para parecer completamente justo e eficaz, a troco de.. nada! Oras, o que eu entendi de tudo até agora foi que: você falou que eu não entendi seu ponto de vista, ignorou um monte de coisa que eu disse, repetiu o que já tinha sido falado durante o post e a discussão do assunto sem me apresentar o que está supostamente faltando para o meu entendimento do seu raciocínio, me acusou de ter te ofendido e te desrespeitado, sendo que eu não o fiz, e ainda quer credibilidade?

      Sinceramente, eu não gostei do estilo da sua resposta (e isto NÃO é uma onfensa, é uma opinião minha apenas) , eu poderia ter feito a mesmíssima coisa que você fez e falar que você me chamou de ‘odioso’, bem aqui: “Não confundir com ideologias totalitárias que proibem algo a alguém por elas serem quem são, esta sim é odiosa.” e falar que me senti ofendido e desrespeitado e arrastar isso durante o todo o comentário, mas não é meu objetivo, que é basicamente discutir e argumentar.

  12. 1-Novamente diz que eu proponho excluir pessoas quando deixei bem claro que ninguém é excluido no que eu proponho.
    2-Estou calmo, só deixo claro que o que penso em nada tem a ver com a doutrina de Hitler, que sequer deveria ser mencionada no tópico.
    3-Meu Deus, falou em Hitler e eu disse que vem gente falando em nazismo, e eu critiquei o nazismo, fato que não acusei voce ou sequer seu pensamento de nada.
    4-Meu Deus parte 2, eu disse que odiosa é a ideologia totalitaria, não ataquei sua pessoa ou seu pensamento em nenhum momento, como não admito que ataquem minha pessoa ou minhas idéias, principalmente comparando-as a totalitarismo, e tal foi afirmado, o meu aparte é somente pra que nenhum de nós diga nada que seja ou sequer pareça uma ofensa, justamente por não nos conhecermos. Digamos que é um tanto dificil dissociar a ideia da pessoa, ou seja, não da pra dizer que sua lógica é imperialista/fascista/totalitaria e dizer que não te chamei de fascista, imperialista ou totalitario.
    5-Deixei bem claro o que quero dizer com “habilitação para fazer”, se ela não é aplicável, não o seria inclusive com a CNH.
    6-Não posso responder um contra-argumento de algo que não argumentei, isso automaticamente seria reconhecer que a percepção sobre o que eu disse procederia.
    7-Na boa Who, acho que seu primeiro argumento foi desnecessário e me soou ofensivo, mas ta de boa, acredito que não foi intencional de sua parte. Fica na paz.

  13. A CNH de trânsito em tese é “excludente”? Bem, se a resposta é “sim”, então eu não tenho em tese nada contra um sistema “excludente”. 🙂

    A CNH de trãnsito não impede as pessoas exerçam um direito, ela regulamenta o exercício de um direito (dirigir) de modo que o direito de outras pessoas (sobreviver) não seja violado.

    A diferença entre uma CHN de trânsito “excludente” e uma “razoável” está nos critérios de habilitação, estes sim podem ser excludentes ou razoáveis.

    Aliás, eu considero os atuais critérios excludentes e não razoáveis: por que raios alguém deveria obrigatoriamente assistir aulas teóricas e fazer aulas práticas ao invés de simplesmente chegar na prova e mostrar que sabe fazer o que tem que ser feito? Isso para mim é irracional e deveria ser mudado.

    Se alguém chegar na prova prática alegando que aprendeu a dirigir graças a um implante de um chip no cérebro feito por um alienígena quando foi abduzido na semana passada, se provar que sabe dirigir, tudo bem, isso é que importa para evitar danos a terceiros.

    Do mesmo modo, o que interessa numa CNHE são aquelas três habilidades citadas, todas elas razoavelmente fáceis de aferir e todas elas razoavelmente fáceis de desenvolver ao longo do ensino fundamental. Pra que serve o ensino fundamental, afinal, se não prepara o indivíduo para o mínimo exercício de cidadania?

  14. Eu entendi o raciocínio e (ainda) não vi falhas nesta parte dele, quem faz algo que afeta terceiros tem que demonstar capacidade.

    Mas e os impostos? Alguem deveria ser obrigado a pagar sem ter controle algum, mesmo indireto, com o que é feito com o seu dinheiro?

    1. Na teoria a contabilidade pública é aberta, portanto todos nós “sabemos” o que é feito com cada centavo de nossos impostos…

  15. Expliquei mal. Eu estava me referindo àqueles que ficariam impedidos de votar, mas teriam que continuar pagando impostos.

    1. Ninguém ficaria impedido de votar definitivamente, somente emquanto não se qualificasse para isso. Desde que a qualificação estivesse ao alcance de todos, bastando estudo e compreensão, não vejo problema algum. Não é assim hoje em dia com o exercício de qualquer atividade que exija algum conhecimento para que o resultado não seja aleatorio? Por que deveria ser diferente justo com o voto?

      Quanto aos impostos, eles não estão relacionados ao direito especifico de votar, mas ao usufruto dos serviços proporcionados pelo Estado, como manutenção da infraestrutura, serviços de saúde universais, etc.

  16. Entendi. A ideia é estranha, totalmente contrária ao modo habitual de pensar. Me faz sentir incomodado. Mas não vejo falha nela. Exceto talvez a dos impostos, mas sua resposta é válida. Entre a possível injustiça de negar voto a alguem que tem que pagar sem escolher quem vai gerir seus recursos e o completo desastre de dar direito a voto a pessoas incapazes de escolher concordo que o mal maior está na ultima opção.

    1. Esse é exatamente o ponto nevrálgico da questão: eu adoraria que todo mundo, sem exceção, ajudasse a debater e definir o que é melhor para o país, com um espírito de boa vontade e solidariedade, porém, perante a cruel realidade de que há gente que não sabe a diferença entre “senador” e “desembargador” e mesmo assim vota e decide a minha vida e a de terceiros, não vejo outra saída responsável senão exigir qualificação para o exercício do direito ao voto, tanto quanto para não colocar em risco a minha vida e a de terceiros todo mundo que quiser exercer o direito de dirigir um automóvel precisa se qualificar. É uma questão de responsabilidade.

  17. Bela solução à brasileira, abre-se um novo cartório e voilà, resolvido o problema!

    1. Que tal ler o artigo antes de comentá-lo?

  18. Aqui nem parlamentar precisa saber ler. Vereador não consegue ler requerimento: https://www.facebook.com/photo.php?v=562431907183887&set=vb.100002512486356&type=2&theater

    1. Assisti o vídeo. Absurdo completo, hein?

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