A obrigatoriedade do uso de roupas é uma violência contra o indivíduo saudável

O ser humano nasce nu, como qualquer outro animal, e não sente vergonha de sua nudez até que lhe seja imposta a noção absurda de que há algo de errado em sua própria natureza. Como isso é feito na infância, idade em que o indivíduo ainda não tem defesas contra tal abuso, tal aberração é introjetada e contamina todo o desenvolvimento psiquico do indivíduo, constituindo um importante elemento na formação de neuroses que coletivamente geram uma sociedade doente.

O mecanismo é fácil de compreender: a criança aprende que tem que esconder o corpo porque tem algo de errado com ele. Logo, tem algo de errado com ela. Como ela não fez nada errado, a coisa errada só pode ser parte de seu próprio ser. Está plantada a semente de uma trágica neurose e a sociedade vai regar e adubar muito bem essa plantinha reprimindo posturas corporais, gestos e palavras que a criança não tem sequer maturidade nem informação para compreender.

Os indivíduos que conseguem perceber a doença social escondida sob o manto da pseudomoralidade vigente deparam-se com um sistema legal engendrado para garantir a manutenção da doença: aceitar-se e mostrar-se simplesmente humano, andando pelas ruas sem máscaras sociais e corporais, é considerado crime.

Somente uma sociedade de neuróticos, recalcados, tarados e sexomaníacos poderia chamar de “atentado ao pudor” o reconhecimento da própria humanidade e o reencontro da própria pureza.

Instituíram a doença, criminalizaram a saúde.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 14/12/2010

Para entender melhor este assunto, leia também:

Andar nu pela rua: “o mais básico de todos os Direitos Humanos”

17 thoughts on “A obrigatoriedade do uso de roupas é uma violência contra o indivíduo saudável

  1. Tweets that mention A obrigatoriedade do uso de roupas é uma violência contra o indivíduo saudável | Pensar Não Dói -- Topsy.com
  2. Wow, a lógica eu já conhecia mas nunca tinha sido tão bem colocada! haha

    E é a mais pura verdade. Muitos vão ler e criticar sem pensar duas vezes, ou nenhuma sequer, mas que é muito mais lógico em termos naturais, usar roupas para se esquentar e não para tapar partes indesejadas de se ver em público…Agora imagina um ônibus lotado saindo da faculdade no horário de pico… Hmmm, hehehehehe

    1. Concordo, realmente nunca tindo visto tão bem colocada essa questão. Mas acho que não é sensato fazermos suposições sobre como seriam determinadas situações do nosso cotidiano numa outra realidade. Exatamente pelo fato de nessa outra realidade a educação e o pensamento vigente são diferentes do nosso hoje. Logo geram situações e respostas a essas situações diferentes.

    2. Cabeça Ativa:

      Tocaste em dois pontos muito importantes. Primeiro, que roupas podem ser úteis e práticas quando utilizadas de modo racional, para nossa proteção. É o caso de roupas nos protegem do frio, do calor (pensa nos bombeiros), de injúrias físicas (arranhões ao caminhar no mato) e químicas (respingos de óleo ao fazer uma fritura). Segundo, que roupas podem ser pouco práticas e até perniciosas quando usadas de modo irracional (burca, batina, hábito, terno e gravata no verão, tudo a mesma estupidez) ou para o propósito de permitir que toleremos melhor um abuso cometido contra nós (andar em um ônibus lotado como se fôssemos sardinha em lata).

      Uma sociedade naturista seria muito mais racional e saudável, pois jamais desenvolveria um meio de transporte tão desrespeitoso e abusivo como o ônibus urbano, em que as pessoas são amonotadas e espremidas umas contra as outras, num flagrante desrespeito a seu espaço pessoal e sua dignidade.

    3. Natan:

      Respondi ao Cabeça Ativa antes de ler tua resposta. Eu diria que algumas suposições nos são lícitas, como por exemplo a de que a natureza dos transportes seria diferente. Lógico que seria impossível prever exatamente que diferença seria essa, mas creio que podemos arriscar dizer que não seríamos espremidos como sardinhas em lata porque não teríamos sufocada nossa noção de espaço pessoal.

      Queres fazer uma experiência interessante sobre espaço pessoal? Basta chegar em um cinema quase vazio e sentar na poltrona ao lado de alguém que já esteja lá. A mesma pessoa que não se importaria nem um pouco que alguém ocupasse a poltrona imediatamente ao lado caso o cinema estivesse cheio provavelmente manifestará visível estranheza, desconforto ou rejeição com a mesmíssima aproximação caso o cinema esteja vazio.

      Com as roupas funciona do mesmo modo. Minha turma naturista de vez em quando faz um churrasco no bar da praia, ao redor de uma grande mesa com um banco comprido de cada lado da mesa. Eu percebo claramente que a distância que as pessoas sentam umas das outras quando estão completamente despidas é diferente da distância que as pessoas sentam umas das outras quando estão nuas. Já os casais não mudam a distância que sentam entre si quando nus ou vestidos. Isso mostra claramente que as roupas forçam uma proximidade social que não seria aceitável caso as pessoas não tivessem sua noção de espaço pessoal sufocada pelas roupas.

  3. Manga-Larga

    14/12/2010 — 09:49

    Ok, muitas das leis atuais são incongruentes e absurdas, mas no meu caso prefiro focar na mais irracional e danosa delas: a proibição da maconha. Senão daqui a pouco vão dizer que eu defendo que a pessoa fume maconha e saia peladão pelas ruas 😀

    1. Bem, se isso foi uma provocação para que eu fizesse esta afirmação explicitamente, vou engolir a isca: eu defendo que todo mundo possa fumar maconha e sair pelado pelas ruas. Qual o problema? 😉

      Não fazendo bobagem doidão,
      não jogando a ponta no chão,
      não sentando sem proteção,
      não tenho qualquer objeção. 😉

  4. Deixa de ser chato,vai!

    Tanta gente precisa ficar rico,rs.

    Vendendo tecido,confeccionando roupas,vendendo roupas.

    Psicólogos,terapeutas,psiquiatras…..precisam ganhar dinheiro.

    Já te contaram que esse planeta já foi o paraíso?

    Todos andavam nus e mascavam as pobres folhas livremente.

    Ninguém se metia na vida de ninguém,esqueça aquela cobra neurótica,e eram felizes.

    Mudaram porque era um tédio só aquela coisa de paraíso,rs.

    Quero meu paraíso de volta!

    1. É o velho papo aquele: “abrir um mercado é a arte de criar novas necessidades”. Vale tanto para cacarecos eletrônicos quanto para afeto e revista de mulher pelada. Talvez por isso toda tentativa de humanizar nossa sociedade esbarre contra interesses econômicos tão poderosos.

  5. augusto rochadel

    15/12/2010 — 12:26

    Concordo plenamente. Eu acho realmente estranha uma lei que nos impede de sermos o que somos. A lei reflete a moral cristã, que não representa toda a população brasileira, portanto não deveria ser endossada por nosso governo. Admito que eu mesmo possuo as tais neuroses, e sei que me sentiria um tanto quanto incomodado e desconfortável, caso nossa sociedade se tornasse naturista de repente! Porém sinto ser a coisa certa a se fazer, e pouco a pouco me acostumaria com a idéia.

    1. Augisto, a gente tem que lutar contra essas neuroses, elas não vão embora sozinhas. Eu me tornei naturista justamente para viver de modo mais saudável e digo com certeza que valeu a pena superar o estranhamento inicial. Recomendo. 🙂

  6. tá… mas, quando sai a postagem sobre o aumento dos parlamentares? ou nem merecem mais assuntar?

    1. Há duas semanas não vejo TV, não ouço rádio nem leio jornal. Estou meio perdido, ficando um pouco na casa de um, um pouco na casa de outro, até poder construir minha casa, o que só deve acontecer lá pela metade de janeiro…

  7. Feliz Natal Dom Arthur.

    1. Feliz natal, caríssimo amigo! 🙂

    1. Sabe o que me estressa nessas discussões? É que cada um parte de um resultado e sai procurando argumentos que sustentem esse resultado. Desse modo tudo que é discutido é um monte de alegações pernósticas de ambos os lados.

      Neste caso específico eles vão discutir se a nudez é ou não é “liberdade de expressão”. Acho ridículo isso. O que tem que ser discutido é se a nudez de Fulano constitui ou não algum tipo de cerceamento dos direitos de Sicrano. Se constitui, deve ser regulada ou proibida pelo Estado. Se não constitui, Sicrano que vá lamber sabão.

      Meu argumento é simples: ninguém tem o direito de “não querer ver” um ser (ente) humano que está simplesmente exercendo seu direito de ser (verbo) humano, nem tem o direito de obrigá-lo a cobrir sua humanidade como se algo de errado houvesse com sua essência humana a ponto de ela precisar ser oculta por ser vergonhosa.

      Mas acho razoável que certos detalhes do comportamento de quem deseja usar seu direito natural à nudez sejam regulados. Por exemplo, não acho razoável que pessoas nuas possam usar assentos públicos sem utilizar uma proteção higiênica – uma canga ou toalha. Nem acho razoável que pessoas nuas se portem de maneira ostensivamente provocativa ou constrangedora, como ao praticar certos exercícios ou esportes: http://olimpiadas.uol.com.br/album/2012/07/27/poses-constrangedoras-na-olimpiada.htm#fotoNavId=pr8374704

      E adivinha: eu, que sou naturista, não acho que a nudez deva ser 100% liberada em 100% dos eventos em 100% dos locais. Mas tenho a convicção de que a não-proibição da nudez deveria ser o caso padrão e não o contrário. Isso deveria ser válido especialmente em ambientes públicos. Já nos ambientes privados o mercado que regulasse a proporção de ambientes onde a nudez deveria ser obrigatória, opcional ou proibida. Por exemplo, supondo que houvesse público para isso, se 5% dos restaurantes se tornassem áreas naturistas obrigatórias, 10% se tornassem áreas naturistas opcionais e 85% mantivessem a proibição à nudez, a diversidade de opções em nossa sociedade aumentaria ou diminuiria? O mercado atenderia as necessidades e interesses de mais pessoas ou de menos pessoas? Foras os fascistas que querem obrigar todos os outros a seguirem os seus conceitos de certo e errado, haveria mais gente contente ou menos?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *