Livre-se dos imbecis! (O dia em que comecei a seguir meus próprios conselhos.)

Hoje é um dia ímpar. Não no calendário, que é dia 22, mas na minha vida. O dia de hoje é um divisor de águas. A partir de hoje, eu pretendo passar a seguir meus próprios conselhos.

Pode parecer estranho, mas eu tinha muito disso: aconselhava as pessoas a se livrarem dos problemas que elas cultivavam como “problemas de estimação” mas não me afastava dos meus próprios “problemas de estimação”. Isso muda a partir de hoje.

Por exemplo: eu sempre disse para as pessoas se afastarem dos imbecis. Cheguei a me tornar conhecido no Orkut como “São Dogbert” porque usava esta imagem em meu avatar:

Dogbert display

Entretanto, eu mesmo sempre insisti em dialogar com os imbecis até o ponto de incorrer naquele célebre ditado que diz o seguinte:

“Se você discute com um imbecil por algum tempo, chega um momento em que não é mais possível identificar quem é quem.”

Mea culpa. Mea maxima culpa.

Felizmente, isso é passado.

Vocês que me conhecem devem estar se perguntando o que houve para eu chutar o pau da barraca deste modo, eu que sempre fui extremamente paciencioso com todos os meus interlocutores. Vou explicar.

Exemplos da vida virtual

Desde quando eu ingressei no Orkut eu participei de duas comunidades: Direitos Humanos e Super Liga dos Moderadores. Entrei nestas comunidades antes mesmo de criar a minha Melhores Conselhos Possíveis.

Percebem o que há em comum entre as três? De um modo ou de outro, as três tinham por objetivo o bem estar das pessoas. A comunidade de Direitos Humanos buscava afirmar a dignidade humana e o respeito pelo ser humano. A comunidade Super Liga dos Moderadores buscava ajudar as pessoas a lidar com as diversas dificuldades oriundas das inúmeras falhas do Orkut e do descaso da Equipe Orkut em atender as necessidades dos usuários. E a comunidade Melhores Conselhos Possíveis buscava ajudar diretamente as pessoas que quisessem recolher opiniões de terceiros antes de tomar alguma decisão em suas vidas.

Eu me dediquei à moderação da comunidade de Direitos Humanos desde 2005. Para não gastar muito tempo explicando as dificuldades de moderar esta comunidade, digamos apenas que não foi exatamente um mar de rosas: ela sempre foi uma das comunidades mais atacadas por trolls no Orkut.

Pois não é que o dono da comunidade abandonou a comunidade, os demais moderadores se afastaram e eu fiquei lá sendo metralhado por todos os lados, tanto pelos trolls quanto pelos próprios defensores de Direitos Humanos, que me cobravam incessantemente uma atuação “24/7” como se eu não precisasse dormir nem tivesse uma vida aqui fora?

Lutei de todos os modos possíveis para salvar aquela comunidade: contatei inúmeras vezes o dono da comunidade, os demais moderadores e o suporte do Orkut, até que finalmente chutei o pau da barraca e fechei a comunidade.

Surpresa: o problema foi resolvido. Os membros ativos migraram para a nova comunidade de Direitos Humanos, cujo controle compartilho com outros defensores de Direitos Humanos, e tudo que preciso fazer é ir expulsando quem posta qualquer coisa na antiga comunidade. Tudo que era necessário fazer era me livrar dos imbecis.

Também na Super Liga dos Moderadores eu fui moderador desde 2005 ou 2006. Não tenho como saber a data exata, porque após a mudança da moderação (o antigo dono desistiu do Orkut, transferiu a comunidade e deletou seu perfil devido ao péssimo atendimento ao usuário da Equipe Orkut) um imbecil me expulsou de lá sem me informar a data de ingresso e deletou todas as minhas mensagens dos últimos seis anos.

Minha expulsão e o apagamento de minhas mensagens foi um gesto de intolerância e de vingança, porque eu denunciei que o imbecil estava fazendo acusações infundadas em público e apelando para a baixaria ao fazer comentários sobre a vida sexual dos membros da comunidade. Como o moderador imbecil é amiguinho do dono imbecil, que aparentemente ou é incapaz de ler entender o que aconteceu (apesar de as provas estarem na lixeira da comunidade de que fui expulso e apesar de todo o episódio ter sido explicado claramente em outra comunidade) ou está de acordo com a baixaria, decidi não me importar mais com isso.

Surpresa: o problema foi resolvido. Parei de me preocupar com o andamento de uma comunidade moderada por moleques, não preciso mais conviver com baixaria e não preciso mais gastar tempo explicando o óbvio. Tudo que era necessário fazer era me livrar dos imbecis.

E quanto à comunidade Melhores Conselhos Possíveis? Ora, continua funcionando numa boa. Se você quiser pedir conselhos ou ajudar outras pessoas que pedem conselhos, ingresse na MCP. A moderação promete que imbecis não vão se criar por lá. 😉

Exemplos da vida real

Eu passei cerca de seis anos tentando ajudar duas pessoas a abandonar as drogas. Estas pessoas sempre me pediram ajuda e sempre juraram que estavam fazendo o máximo possível em busca de recuperação. Fiz tudo que estava a meu alcance: passei horas e horas e horas dando apoio emocional, orientação, suporte financeiro, consegui escola e trabalho, estive sempre presente. Sete anos depois, a situação delas ainda era rigorosamente a mesma e só o que elas diziam era “eu não consigo, eu não consigo, eu não consigo”.

Ah, não conseguem? Certo. Já que elas não conseguem, pra que é que eu vou continuar me matando? Elas que se matem sozinhas. Avisei que não vou mais aparecer, me despedi e sumi de vez.

Surpresa: o problema foi resolvido. Parei de gastar dinheiro, paciência, esforços e esperança em vão. Joguei fora o chip com o número que elas usavam para me chamar no meio da madrugada pedindo ajuda (leia-se: dinheiro) e hoje durmo a noite toda em paz, sabendo que há causas que merecem muito mais minha atenção do que pessoas quem não fazem força alguma para se ajudar. Tudo que era necessário fazer era me livrar dos imbecis.

E houve casos de pessoas que eram de minhas relações pessoais, é claro. Não vou entrar em detalhes, porque o fim do relacionamento não implica o fim do respeito, mas vou registrar que houve algumas amizades das quais me afastei não por não gostar das pessoas, não por não confiar mais nelas, não por não respeitá-las, mas porque estas pessoas insistiam em atitudes que repetidamente solicitei que deixassem de lado porque me estressavam além da conta do tolerável.

Ora, se o meu conselho para as pessoas sempre foi afastar-se do que lhes faz mal e procurar construir algo positivo ao invés de combater moinhos de vento e de tentar mudar a cabeça dura de quem não lhes dá ouvidos, como pude eu demorar tanto tempo para acatar meu próprio conselho? Apesar de não ter sido agradável a ruptura, tratei de me afastar de quem me fazia mal.

Surpresa: o problema foi resolvido. Parei de me estressar sem necessidade, abri os olhos para o mundo, comecei a fazer novas amizades e meus projetos pessoais deslancharam. Tudo que era necessário fazer era me livrar dos imbecis.

Conclusões

1) Livre-se dos imbecis. Às vezes você achará que um imbecil tem alguma habilidade especial que torna interessante sua presença, ou que não é conveniente arcar com o estresse de afastar-se ou de expulsá-lo de sua vida, mas essa é uma armadilha traiçoeira. Sinceramente, a barganha quase nunca vale a pena.

2) Jamais se torne amargo. O imbecil de hoje provavelmente será o mesmo imbecil amanhã, mas isso não é uma regra absoluta. Algumas pessoas conseguem fazer um exame de consciência e modificar suas atitudes. Outras pessoas não são nem serão necessariamente iguais aos imbecis que você já encontrou. Não seja você também um imbecil por prejulgar os outros.

3) Seja alegre e positivo. A influência mais deletéria dos imbecis é roubar a nossa energia e o nosso bom humor. Não se deixe exasperar pela imbecilidade, nem se desgaste tentando convencer ou corrigir os imbecis. Busque companhia compatível e vá viver a vida com leveza.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 22/03/2011

10 thoughts on “Livre-se dos imbecis! (O dia em que comecei a seguir meus próprios conselhos.)

  1. Eduardo Marques

    22/03/2011 — 21:55

    Acho que o que eu vou dizer não tem muito a ver com isso, mas tb tive problemas com o Orkut. Eu participava da comunidade Violino. Apesar de ter gente disposta a ajudar e respondendo perguntas o tempo todo, os participantes eram quase todos arrogantes, antipáticos e preconceituosos.

    Uma vez chegou um cara da Bahia perguntando se tinha alguém de lá na comunidade. Putz, foi horrível como várias pessoas (até um moderador e o que mais respondia perguntas relacionadas a violino) responderam coisas relacionadas a berimbau, preguiça, etc. #NOJO

    Acho que algum grupo de brasileiros devia fazer um site de relacionamentos para nós em vez de depender dos americanos. O Orkut já sucks, e o Facebook tá demorando pra pegar. Quer participar comigo?

    1. Eduardo, o problema de criar um novo site de relacionamentos é semelhante ao de criar uma nova cmunidade temática no Orkut: a maioria da população não vai entrar em um novo site tanto quanto a maioria dos usuários do Orkut não entra na segunda ou terceira maior comunidade sobre o mesmo tema, todos querem “participar” da primeira, da maior, daquela onde encontram “todo mundo”. É o maldito “efeito manada”.

      Eu gostaria de criar um site de relacionamentos absolutamente elitizado. (Tá faltando gente com coragem para dizer isso em público, acho que vou escrever um artigo para escancarar isso de vez.) Identificação pelo número do cartão de crédito, tarifa mensal para acessar, *ban* eterno do site para quem trollar. Ah, que paraíso seria livrar-se dos imbecis do Orkut!

  2. Como diz um personagem no livro ‘Good Omens’ (Belas Maldições), ‘Misery wants company’ – algo como ‘a infelicidade quer companhia.’ O caso é: a gente tá a fim de ser essa companhia? Eu não, e é por isso que há muitos anos decidi que, se não posso controlar quem vai estar na mesma estrada que eu, ainda cabe somente a mim escolher ao lado de quem eu quero andar.
    Uma vez você comentou aqui que o meu blog era mais ou menos como uma reunião de amigos passando férias em Bora Bora. Adorei a comparação, porque é isso mesmo que eu tento fazer lá e em todo lugar – ser leve. Nem sempre é possível, mas o exercício diário da delicadeza tem sido um dos maiores achados na minha vida… 🙂
    bjk

    1. Eu lembro da comparação. Na ocasião eu também disse algo como “já ler o Pensar Não Dói é como passear nas ruas de Bagdá vestido com uniforme militar e sacudindo uma bandeira dos EUA”, ou algo parecido. Enfim, algo bem tranqüilo. 🙂

      Meu problema com estilo é o seguinte: como raios vou tratar com a leveza do Crônicas Urbanas os temas do Pensar Não Dói? Eu posso até intercalar uns textos água-com-açúcar (os brutos também amam) 😛 mas fica meio difícil defender a legalização das drogas, criticar a corrupção endêmica no Brasil e propor intervenções internacionais com uso de força militar para defender Direitos Humanos num estilo leve e delicado…

      Digamos que eu sou o cara do “nem sempre é possível”. 😛

      Mas até que acho que comecei a pegar o jeito, aos poucos. Tomara. 🙂

  3. Dicas valiosas, Arthur.

    “Apesar de não ter sido agradável a ruptura, tratei de me afastar de quem me fazia mal.”
    Passei por isso recentemente. Foi curioso, porque, desde muito tempo, dentro de mim já soava um alarme, dizendo que era melhor sair do barco antes dele afundar. Mas na época não entendi esse sinal. Talvez por ingenuidade ou por só ver o lado bom das pessoas. É um dos meus defeitos.

    1. Teles, somos dois. Eu já sofri muito por julgar meus relacionamentos pela suposta intenção do outro – que eu sempre acho que é sincera e positiva – e não pelo bem ou pelo mal que os relacionamentos em si me causavam. Mas eu estou aprendendo.

      Por exemplo, eu não acho que as duas pessoas usuárias de drogas que citei no texto tivessem qualquer coisa contra mim, ou que tivessem interesse em me prejudicar. Muito antes pelo contrário, está claro que sempre foi interesse delas me paparicar e me manter contente para poder continuar a contar com minha presença e com minha ajuda. O problema é que isso não estava fazendo bem nem para mim, nem para elas. A decisão de romper aquele vínculo foi muito racional, mas trouxe um imenso alívio emocional.

  4. Acho a palavra “imbecil” um pouco forte para designar alguém que pode pensar o mesmo de nós. A divergência de opiniões é frequente não apenas na blogsfera, mas na vida em geral, e a melhor maneira de enfrentá-la é evitar o confronto direto, já que é direito de cada um o livre pensamento. A saída estratégica, como você fez, é a melhor solução quando não há mais ambiente para uma comunidade, que, afinal, deve ser uma associação de pessoas com convicçõe semelhantes e não um antro de discórdias.
    Beijo
    Adri

    1. Sim, Adriana, eu sempre me preocupei com o fato que o outro também poderia poderia me considerar um imbecil. A virada do dia 22 aconteceu justamente quando me “caiu a ficha” de que pouco me importa a opinião de um imbecil. Se ele acha que o imbecil sou eu, problema dele. No fundo é até melhor que ele pense assim, pois desse modo se manterá à distância. 😉

      O problema não é a divergência de opiniões. Nunca foi. Pelo contrário, eu gosto da diversidade de opiniões, do contraditório, do debate bem intencionado e bem fundamentado. É isso que faz a gente aprender novos assuntos e aprender a defender adequadamente nossas opiniões. Um processo assim é muito positivo. (Verifica o que digo sobre o Kalama Sutra na minha página de apresentação pessoal, cujo link está no alto do blog.)

      O problema é o sujeito que lê (por exemplo) um texto meu com uma defesa da legalização das drogas e vomita que se eu estou defendendo isso é porque sou um mau caráter que está tentando legislar em causa própria para se drogar sem ser importunado pela polícia mesmo que isso custe a vida de nossos jovens, ou alguma asneira do gênero.

      O problema é o sujeito que comete uma imbecilidade, deleta sem resposta nem registro a denúncia que postei contra a imbecilidade que ele cometeu, me expulsa tanto da comunidade principal quanto da comunidade administrativa (para eu não poder mostrar a imoralidade que ele está cometendo), distorce o episódio e continua me ofendendo em público sem que eu possa me defender.

      Quem faz esse tipo de coisa é certamente um imbecil, alguém sem dignidade nem vergonha na cara, gente de quem eu decidi me manter afastado a partir do dia 22 simplesmente porque eu percebi que não me faz a menor falta, independentemente de qualquer característica positiva que possa ter, porque toda barganha neste sentido não vale a pena, cobra um preço caro demais.

  5. Ótimos conselhos! Eu também custei a perceber que devia me livrar de alguma “cargas” inúteis, mas finalmente cheguei nisso.

    1. Pois é, Asa, agora o que terei que fazer é me treinar para manter essa decisão no cotidiano. Acho que dei um ótimo primeiro passo no dia 22, conhecendo um pessoal cuja amizade farei questão de cultivar. 😉

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