Three Mile Island. Chernobyl. Fukushima. Angra dos Reis. Eu espero já estar morto de velhice quando alguma grande agência internacional de notícias colocar estes quatro nomes em seqüência na reportagem de capa de sua página na internet, mas isso pode acontecer ainda em meu período de vida… e no seu.

Eu me recordo vividamente do meu primeiro contato com a questão da energia atômica: foi na “Semana Ecológica Alternativa” promovida pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul em 1983. Saí do último dia de palestras com um exemplar em mãos do livro “Pesadelo Atômico”, de José A. Lutzenberger, um libelo contra o uso de energia atômica cuja validade permanece total.

Pesadelo Atômico - José A. Lutzenberger

É incrível que atualmente pouca gente saiba quem foi Lutzenberger, apesar de ter sido Secretário Nacional de Meio Ambiente com status de ministro de 1990 a 1992 e de ser nada mais, nada menos, que o mais ilustre e importante ecologista brasileiro de todos os tempos, falecido em 2002. Porém, se houver realmente vida após a morte, esteja onde estiver, Lutzenberger deve estar inconformado repetindoEu te disse! Eu te disse! Eu te disse!“.

Lutzemberger

Os ecologistas daquela geração tínhamos cinco grandes preocupações: a energia nuclear, a poluição, a destruição dos ecossistemas, o crescimento populacional e o efeito estufa, este último hoje rebatizado de aquecimento global. Lutamos de todas as maneiras para alertar o país e o mundo contra estes cinco grandes perigos: desde a distribuição de zines (cópias mimeografadas ou fotocopiadas de panfletos artesanais) pelas ruas das cidades até a organização de grandes conferências internacionais em conjunto com os Estados nacionais como a de Estocolmo em 1972 e a do Rio de Janeiro em 1992, que ficou conhecida como “Eco-92”. E o mundo não abriu os olhos.

os-tres-macacos-sabios

Hoje, em nome de todos os ecologistas daquela geração, eu aponto o dedo na cara de todos os políticos, economistas e outros irresponsáveis que debocharam de nossos alertas e faço coro ao espírito do velho Lutz: “Eu te disse! Eu te disse! Eu te disse!”. Mas o sabor desta vitória moral é amargo.

Pouco me interessa tripudiar sobre os irresponsáveis quando o preço do reconhecimento de que os ecologistas da velha guarda estávamos corretos é uma seqüência de tragédias geradora de imenso sofrimento e desespero, com a destruição de inúmeras vidas no presente e a certeza de que muito mais vidas serão destruídas no futuro. O que realmente me preocupa é que até mesmo a presente tragédia no Japão já está sendo minimizada pelos canalhas e pelos inocentes úteis de sempre, com o velho blá-blá-blá pseudo-racional de que “a energia atômica é imprescindível para o desenvolvimento”, de que “os benefícios superam os riscos” e de que “não se pode abortar o uso de uma tecnologia tão importante por causa de uns poucos acidentes excepcionais”.

Mas será mesmo que os acidentes com a energia atômica são “excepcionais”? Nós sempre ouvimos dizer que o risco de acidentes atômicos são “menos que um em um milhão”. Certo, então vamos fazer um pequeno cálculo:

1, 2, 3 e 4) Em 1957 escapa radioatividade de uma usina nuclear inglesa situada na cidade de Liverpool. Somente em 1983 o governo britânico admitiria que pelo menos 39 pessoas morreram de câncer, em decorrência da radioatividade liberada no acidente. Documentos secretos recentemente divulgados indicam que pelo menos quatro acidentes nucleares ocorreram no Reino Unido em fins da década de 50.

5) Em setembro de 1957, um vazamento de radioatividade na usina russa de Tcheliabinski contamina 270 mil pessoas.

6) Em dezembro de 1957, o superaquecimento de um tanque para resíduos nucleares causa uma explosão que libera compostos radioativos numa área de 23 mil km2. Mais de 30 pequenas comunidades, numa área de 1.200 km², foram riscadas do mapa na antiga União Soviética e 17.200 pessoas foram evacuadas. Um relatório de 1992 informava que 8.015 pessoas já haviam morrido até aquele ano em decorrência dos efeitos do acidente.

7) Em janeiro de 1961, três operadores de um reator experimental nos Estados Unidos morrem devido à alta radiação.

8) Em outubro de 1966, o mau funcionamento do sistema de refrigeração de uma usina de Detroit causa o derretimento parcial do núcleo do reator.

9) Em janeiro de 1969, o mau funcionamento do refrigerante utilizado num reator experimental na Suíça, inunda de radioatividade a caverna subterrânea em que este se encontrava. A caverna foi lacrada.

10) Em março de 1975, um incêndio atinge uma usina nuclear americana do Alabama, queimando os controles elétricos e fazendo baixar o volume de água de resfriamento do reator a níveis perigosos.

11) Em março de 1979, a usina americana de Three Mile Island, na Pensilvânia, é palco do pior acidente nuclear registrado até então, quando a perda de refrigerante fez parte do núcleo do reator derreter.

12) Em fevereiro de 1981, oito trabalhadores americanos são contaminados, quando cerca de 100 mil galões de refrigerante radioativo vazam de um prédio de armazenamento do produto.

13) Em janeiro de 1986, um cilindro de material nuclear queima após ter sido inadvertidamente aquecido numa usina de Oklahoma, Estados Unidos.

14) Em abril de 1986 ocorre o maior acidente nuclear da história (até agora), quando explode um dos quatro reatores da usina nuclear soviética de Chernobyl, lançando na atmosfera uma nuvem radioativa de cem milhões de curies (nível de radiação 6 milhões de vezes maior do que o que escapara da usina de Three Mile Island), cobrindo todo o centro-sul da Europa. Metade das substâncias radioativas voláteis que existiam no núcleo do reator foram lançadas na atmosfera (principalmente iodo e césio). A Ucrânia, a Bielorússia e o oeste da Rússia foram atingidas por uma precipitação radioativa de mais de 50 toneladas. As autoridades informaram na época que 31 pessoas morreram, 200 ficaram feridas e 135 mil habitantes próximos à usina tiveram de abandonar suas casas. Esses números se mostrariam depois absurdamente distantes da realidade, como se verá mais adiante.

15) Em junho de 1996 acontece um vazamento de material radioativo de uma central nuclear de Córdoba, Argentina, que contamina o sistema de água potável da usina.

16) Em dezembro de 1996, o jornal San Francisco Examiner informa que uma quantidade não especificada de plutônio havia vazado de ogivas nucleares a bordo de um submarino russo, acidentado no Oceano Atlântico em 1986. O submarino estava carregado com 32 ogivas quando afundou.

17) Em março de 1997, uma explosão numa usina de processamento de combustível nuclear na cidade de Tokai, Japão, contamina 35 empregados com radioatividade.

18) Em maio de 1997, uma explosão num depósito da Unidade de Processamento de Plutônio da Reserva Nuclear Hanford, nos Estados Unidos, libera radioatividade na atmosfera (a bomba jogada sobre a cidade de Nagasaki na Segunda Guerra mundial foi construída com o plutônio produzido em Hanford).

19) Em junho de 1997, um funcionário é afetado gravemente por um vazamento radioativo no Centro de Pesquisas de Arzamas, na Rússia, que produz armas nucleares.

20) Em julho de 1997, o reator nuclear de Angra 1, no Brasil, é desligado por defeito numa válvula. Segundo o físico Luiz Pinguelli Rosa, foi “um problema semelhante ao ocorrido na usina de Three Mile Island”, nos Estados Unidos, em 1979.

21) Em outubro de 1997, o físico Luiz Pinguelli adverte que estava ocorrendo vazamento na usina de Angra 1, em razão de falhas nas varetas de combustível. Na época ele declara: “Está ocorrendo vazamento há muito tempo. O nível de radioatividade atual é progressivo e está crítico.”

Fonte dos dados acima: Cola da Web. (Meus agradecimentos a Robson Slonkowskyj pela compilação dos dados.)

22, 23, 24, 25, 26 e 27) Em março de 2011, três reatores da usina de Fukushima, no Japão, explodem após um terremoto. O quarto pega fogo e mais dois apresentam superaquecimento. Duas semanas depois, já haviam sido detectados isótopos radioativos oriundos da tragédia em locais tão distantes quanto na Islândia, na Suíça e no Reino Unido.

28) Em março de 2011, em Tokai, ao sul de Fukushima, a bomba de resfriamento do reator falhou.

29) Em março de 2011, em Onagawa, ao norte de Fukushima, as leituras de radiação superam os níveis considerados “aceitáveis”.

Deve ter havido inúmeros outros “pequenos” incidentes e acidentes, mas estes 29 acima elencados já são suficientes para os propósitos deste artigo. A pergunta que faço é:

Se a probabilidade de acidentes em uma usina atômica é “menos de uma em um milhão”, então onde raios estão as outras 29.000.000 de usinas atômicas existentes no planeta?

Outro bom cálculo: de acordo com o site Worldometers, a população mundial no momento em que escrevo este artigo é de cerca de 6.913.000.000 de pessoas. Ora, se existissem 23.000.000 de usinas e outras unidades atômicas no planeta, para justificar a tão propagada balela de que a probabilidade de acidentes atômicos é “menos de uma em um milhão”, então teria que haver  cerca de uma usina atômica para cada 238 habitantes do planeta. Faça a divisão e confira você mesmo.

Os arautos da energia atômica dizem que “é possível aprender com os erros e melhorar os protocolos de segurança”, mas insistem em cometer o pior e mais básico de todos os erros, que é o simples uso de energia atômica. O único protocolo de segurança realmente eficaz é abolir completamente o uso de energia atômica. A não ser, talvez, que alguém invente uma maneira de construir usinas atômicas na Lua para produzir energia ou cacarecos que posteriormente seriam sabe-se lá como enviados para a Terra. Nem mesmo colocar uma usina atômica em órbita seria seguro, como nos ensinou o Skylab.

Infelizmente, a coisa toda funciona assim: preocupados com as pequenas mazelas do cotidiano, com as faturas dos cartões de crédito, com o capítulo de hoje da novela, com o aumento da mensalidade da escola e com a posição de seu time na tabela do campeonato, os “cidadãos” ignoram solenemente as grandes causas que realmente conduzem suas vidas.

Então, quando uma chuva torrencial causa enchentes ou desabamentos que matam centenas e desabrigam milhares, ou quando uma usina atômica vomita nuvens radiativas que matarão uns poucos mas condenarão muitos às agonias do câncer e dos defeitos genéticos, estes “cidadãos” reclamam dos políticos enquanto dura a indignação e depois voltam mansamente a se anestesiar com novela e futebol.

E estes “cidadãos” têm a cara-de-pau de dizer que os usuários de drogas químicas é que são um perigo para a sociedade.

A humanidade precisa entender que, se a demanda por energia do sistema econômico só pode ser produzida por via atômica, então qualquer “desenvolvimento” subseqüente não passa de um grotesco retrocesso.

energia-nuclear-nao-obrigado

Vejamos o caso de Angra: as usinas 1 e 2 teoricamente resistem a terremotos com magnitude até 6,5 graus na escala Richter e a ondas de até 7 metros. Certo. O que acontece se houver um terremoto de escala 8,0 na escala Richter? O que acontece se houver um tsunami com ondas de 10 metros? Alguém pode garantir que estas coisas não vão acontecer?

Os cataclismos naturais, entretanto, não são o maior nem o principal perigo. Devido à poluição (especialmente à poluição de carbono devida ao consumo de combustíveis fósseis), à destruição dos ecossistemas, ao crescimento populacional e ao efeito estufa (ou aquecimento global), o planeta está sofrendo uma desestabilização climática de conseqüências inimagináveis.

Sabemos que o derretimento dos glaciares da Groenlândia e da Antártida elevarão o nível das águas no mínimo em mais de 6 metros. (Alguns cálculos indicam uma elevação de até 12 ou 14 metros.) Milhões de pessoas perderão não apenas suas casas como também suas cidades. Imensas áreas agrícolas simplesmente desaparecerão submersas. Os continentes vão encolher. O aumento da temperatura da superfície dos oceanos causará furacões em locais nunca antes atingidos por tais fenômenos climáticos. O que virá pela frente que ainda não sabemos?

cataclismo

Para piorar a situação, é fácil prever que este imenso cataclismo planetário não será enfrentado com estoicismo, racionalidade s solidariedade. Populações tomadas pelo medo não costumam agir de modo pacífico e ordeiro, repensando seus valores e corrigindo gradativamente os rumos da política. Ao invés disso, o que ocorre na maioria das vezes é a sedução por ideologias oportunistas e beligerantes. Junte-se isso ao constante desenvolvimento da tecnologia bélica e teremos o cenário perfeito para o caos. O que nos traz de volta à questão da energia atômica.

Como sabemos, os primeiros alvos de qualquer guerra são as instalações militares e as instalações produtoras de energia das regiões atacadas.

Durante a Guerra das Malvinas, em maio de 1982, o destróier britânico Sheffield afundou depois de ser atingido pela aviação argentina. De acordo com um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica, o navio estava carregado com armas nucleares, o que põe em risco as águas do Oceano Atlântico próximas à costa argentina.

Alguém aí já se deu conta que “as águas do Oceano Atlântico próximas à costa argentina” são as mesmas águas que banham a costa brasileira?

Quem pode prever que capacidades terão as armas utilizadas em guerras futuras? Há poucos anos tomamos conhecimento dos “mísseis inteligentes” controlados remotamente e que só explodem depois de penetrar profundamente no solo, para atingir instalações subterrâneas. Alguém pode garantir que o aperfeiçoamento facilmente previsível desta tecnologia jamais será utilizado para atacar usinas atômicas em território inimigo? E, pouco importa onde isso aconteça, a atmosfera não distribuirá elementos radiativos por todo o globo? Contra países que possuem usinas atômicas, qualquer guerra convencional se torna uma guerra atômica e qualquer conflito localizado se torna uma ameaça global.

Um dos argumentos mais estúpidos que já me foram apresentados em favor da energia atômica é que também haveria milhões de mortes se alguém resolvesse explodir a Usina Hidrelétrica de Itaipu, portanto não haveria sentido em optar pela energia hidrelétrica em relação à energia atômica.

Ora, além de uma catástrofe não justificar a outra, a verdade é que os efeitos da destruição de uma usina hidrelétrica e da destruição de uma usina atômica seriam de natureza completamente distinta: no primeiro caso os principais danos ocorreriam quase todos nas primeiras horas ou dias, com alguns poucos danos residuais localizados e pelo período de umas poucas semanas, enquanto no segundo caso os danos ocorreriam ao longo de semanas ou meses, com danos residuais atingindo imensas áreas ao longo de décadas, séculos ou milênios.

A pior de todas as loucuras, entretanto, é a apropriação (indébita) do discurso ecologista pelos arautos da energia atômica. Argumentam eles que a produção de energia atômica é “limpa” porque não gera emissões de carbono e que deve ser descentralizada para evitar os riscos oriundos de possíveis catástrofes envolvendo grandes plantas atômicas. Imagino o cadáver de Lutzemberger se revolvendo na cova quando escuto ou leio uma patacoada deste naipe.

A produção descentralizada de energia atômica implicaria a existência de uma extensa rede de mini-usinas atômicas e de depósitos de lixo atômico espalhados pelo território nacional, com o conseqüente problema do transporte de insumos e rejeitos. Para que se tenha uma idéia do potencial de risco desta completa insanidade, o Acidente Radiológico de Goiânia, também conhecido como a Tragédia do Césio 137 de Goiânia, foi causado por apenas 19,26 gramas de cloreto de césio-137 e os resultados foram os seguintes:

“Maria Gabriela foi um dos pacientes tratados no Hospital Marcílio Dias, no Rio de Janeiro. Foi a primeira vítima da contaminação, falecendo no dia 23 de outubro de 1987 de complicações relativas à contaminação com césio. Outra vítima, considerada o retrato da tragédia, Leide das Neves Ferreira, ingeriu involuntariamente pequenas quantidades de césio depois de brincar com o pó azul. A menina de seis anos foi a vítima com a maior dose de radiação do acidente. Não conseguiu sobreviver e morreu no dia 23 de outubro de 1987, duas horas depois da tia. Foi enterrada em um caixão blindado, erguido por um guindaste, por causa das altas taxas de radiação. O seu enterro virou uma disputa judicial, pois os coveiros e a população da época não aceitavam que ela fosse enterrada, mas sim cremada para que os seus restos mortais não contaminassem o solo do cemitério. Depois de dias de impasse, Leide foi enterrada em um caixão de chumbo lacrado para que a radiação fosse contida.”

“A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) mandou examinar toda a população da região. No total 112.800 pessoas foram expostas aos efeitos do césio, muitas com contaminação corporal externa revertida a tempo. Destas, 129 pessoas apresentaram contaminação corporal interna e externa concreta, vindo a desenvolver sintomas e foram apenas medicadas. Porém, 49 foram internadas, sendo que 21 precisaram sofrer tratamento intensivo; destas, quatro não resistiram e acabaram morrendo.”

“Após vinte e três anos do desastre radioativo, as várias pessoas contaminadas pela radioatividade reclamam por não estarem recebendo os medicamentos, que, segundo leis instituídas, deveriam ser distribuídos pelo governo.”

“A limpeza produziu 13,4 toneladas de lixo atômico, que necessitou ser acondicionado em 14 contêineres que foram totalmente lacrados. Dentro destes estão 1.200 caixas e 2.900 tambores, que permanecerão perigosos para o meio ambiente por 180 anos. Para armazenar esse lixo atômico e atendendo às recomendações do IBAMA, da CNEN e da CEMAm, o Parque Estadual Telma Ortegal foi criado em Goiânia, hoje pertencente ao município de Abadia de Goiás, onde se encontra uma “montanha” artificial. Assim, os rejeitos foram enterrados em uma vala de aproximadamente 30 (trinta) metros de profundidade, revestida de uma parede de aproximadamente 1 (um) metro de espessura de concreto e chumbo, e sobre a vala foi construída a montanha.”

(Dados tirados da Wikipédia.)

Repetindo: isso tudo foi causado por 19,26 gramas de cloreto de césio-137.

Imaginem agora o que certamente acontecerá se houver dezenas ou centenas de mini-usinas atômicas recebendo centenas ou milhares de quilogramas de insumos e enviando centenas ou milhares de quilogramas de lixo atômico pelas estradas ou por transporte aéreo ou fluvial para algumas dezenas ou centenas de depósitos de rejeitos radioativos espalhados pelo país inteiro.

Usinas Atômicas

Imaginem que qualquer falha humana, acidente mecânico, abalo sísmico, ataque militar ou ação terrorista pode colocar não algumas gramas e sim alguns quilogramas de lixo atômico circulando pela atmosfera, contaminando os rios e o solo de regiões imensas e sendo concentrado nos organismos vivos em doses cada vez mais elevadas devido ao fenômeno da magnificação biológica.

Com todos estes riscos, em nome de que, pergunto eu, os arautos da energia atômica querem nos convencer de que “os riscos são mínimos” e que “podem ser contidos com a correta aplicação dos protocolos de segurança”, insistindo que temos que utilizar a mais perigosa de todas as tecnologias jamais inventadas ou imaginadas na história da humanidade? Do “progresso”? Do “desenvolvimento” econômico?

Os arautos da energia atômica agem com o mais abjeto descaso pela saúde e pela felicidade de todos nós, de nossos filhos, de nossos netos e de bilhões de inocentes vivos ou ainda por nascer. Se permitirmos que estes irresponsáveis nos convençam a prosseguir na trilha ensandecida da proliferação atômica “para fins pacíficos”, nenhuma tragédia, nenhuma desgraça, nenhum sofrimento será suficiente para nos punir pelo legado maldito de nossa vergonhosa omissão.

A Mãe de Todas as Tragédias é a estupidez humana.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 31/03/2011

9 thoughts on “A Mãe de Todas as Tragédias

  1. Energia nuclear,sou contra!

    Se meu conforto depende de uma porcaria dessas,eu dispenso.

    Fico assustada pela capacidade que os “inteligentes” possuem
    de ser burrrros.

    Para onde vai o lixo desses lugares?

    Como é armazenado?

    Que segurança me dão de que esse lixo não vai custar meu futuro?

    1. O lixo destes lugares é armazenado em… prosaicos tonéis!

      Os tonéis são colocados em depósitos, normalmente subterrâneos.

      Segurança nenhuma. Tanto pode acontecer um terremoto quanto um ataque militar ou terrorista e arrebentar com tudo. Não há como dar garantia alguma quando o assunto é energia atômica.

  2. Se constroem hidrelétricas, acabam com o ecossistema e blá, blá blá!!!
    Se é energia solar, chove muito no Brasi!!
    Sé é energia heólica, por aqui não venta tanto.
    PORRA, vá morar no meio do mato, e usar lamparina à querosene!!!
    Ops…querosene aumenta o aquecimento…..KKK

    1. Na verdade eu vou morar no meio do mato e usar eletricidade gerada por energia eólica e painéis solares. 🙂

      Só acho uma pena que não existam no mercado carros movidos pelo Motor Ecológico Elko Elsbett.

  3. Concluo que sempre foi possível uma vida livre
    dessas porcarias todas que
    nos colocam em risco.

    Só que a inteligência dos seres pensantes não permite isso.

    Vivemos no tempo do “prazer” e muitos ainda não descobriram a dor
    desse prazer.

    Lamentavelmente eu estou na lista dos que aprendem com a dor e não com o amor.

    Não importa,estou aprendendo.
    Antes tarde do que nunca.

    Este é um dos espaços qwue ajudam nesaas reflexões.

    1. Obrigado pelo elogio ao blog.

      Mas que tal colocar como primeira lição deste aprendizado pela dor o aprendizado sem dor?

  4. O desejo de aprender “sem dor” muitas vezes não passa de um desejo.

    Veja a paixão,como ela deixa burro,ridículo,cego…o mais inteligente dos mortais.

    Por mais que façamos um esforço desmedido,em algum momento estaremos agindo como estúpidos,e sofrendo por isso.

    Tenho o número 3 como limite.
    Errar a primeira vez é humano,a segunda vez é burrice,a terceira vez é loucura mesmo.

    Sei que estou longe de ser a pessoas que sonho ser,mas me esforço para errar o mínimo possível.

    Este planeta é uma estação de aprendizado,aqui não tem seres perfeitos.

    Estamos aqui acertando nossas contas.

    Nada do que aprendemos se perde.
    A luz que conquistamos não tem como se apagar.

    Aquilo que tocamos,vai nos tocar também ….de alguma forma.

    1. “Aquilo que tocamos,vai nos tocar também… de alguma forma.”

      Aplicada à radiação ionizante, esta constatação é especialmente macabra…

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