Este segundo artigo sobre a entrevista de Marcos Rolim ao iG deu trabalho. Pensei mil vezes em como estruturar a apresentação das idéias para que o leitor do Pensar Não Dói não tivesse que alternar entre uma página e outra. Acabei optando por reproduzir a entrevista seguida de minha própria resposta à pergunta do iG e minha crítica ao discurso do Rolim. Acho que o texto ficou simples e claro, então vamos direto ao que interessa.

Clique aqui para ler a parte 1 deste artigo.

iG – O senhor defende uma política de desarmamento no Brasil. Como seria?

Marcos Rolim – O Brasil tem uma política de entrega voluntária de armas, que combina com o Estatuto do Desarmamento, que tornou mais restritos a compra e o porte de armas. Mas isso virou sinônimo de desarmamento no Brasil. O que proponho é mais radical, é o banimento, proibir o uso das armas de mão, como revólver e pistola, que são de difícil percepção.

A ideia do banimento é que ninguém pode ter uma arma de mão, a não ser a polícia. Receberia uma pena de cadeia longa. Na Inglaterra, são dez anos de prisão, o uso de armas de mão é criminalizado. Isso justificaria a destruição de 14 milhões a 15 milhões de armas de mão no Brasil, legais e ilegais. Assim, se enxuga o mercado, criminalizando de forma mais grave e cortando um dos caminhos fáceis do abastecimento do mercado ilegal de armas, que é o mercado legal. Todas as armas são vendidas legalmente e depois vendidas ilegalmente ou roubadas.

Arthur – Eu defendo uma política de cidadania armada semelhante à da Suíça, mas um pouco mais radical, pois lá o alistamento e o treinamento militar são obrigatórios para os homens e opcionais para as mulheres, enquanto eu defendo a idéia de alistamento e treinamento militar obrigatórios para ambos os sexos, sem dispensas por “excesso de contingente” ou de qualquer outra natureza que não invalidez permanente e antecedentes criminais.

Obviamente esta não é uma solução simpática para a maioria, porque no páis onde impera a Lei de Gerson todo mundo quer que os outros façam força e corram riscos para defender a sua própria vida. Este é um fator que atravanca tremendamente o desenvolvimento do Brasil e impede a adoção de medidas que nos tornariam muito mais prósperos e seguros.

Na Suíça, por exemplo, o cidadão honesto é tratado como parte da solução, não como parte do problema, e o resultado é que a Suíça vive em paz e tranqüilidade, com baixíssimos índices de criminalidade, desmentindo totalmente a visão estereotipada de que um país em que os cidadãos estejam armados se transforme em um bangue-bangue sangrento como querem fazer crer os desarmamentistas.

O mito do bangue-bangue vem dos EUA, onde acontecem freqüentes episódios de tiroteio e massacres em escolas. Este exemplo é sempre citado pelos desarmamentistas como “prova” de que armas nas mãos dos cidadãos honestos são perigosas. Entretanto, minha proposta nem de longe passa pela verdadeira gandaia que é o sistema estadunidense, em que qualquer maluco com um cartão de crédito pode comprar um rifle pelo correio e munição suficiente para começar a Terceira Guerra Mundial no supermercado da esquina.

O que eu proponho, insisto, é um sistema semelhante ao da Suíça, em que o cidadão recebe treinamento e tem seu desempenho avaliado ao longo de 18 a 21 semanas antes de voltar para casa com um fuzil municiado e assim tornar-se um protetor de sua comunidade. Em 8 dos 12 anos seguintes é obrigatório um retreinamento de 2 a 3 semanas anuais, em que o indivíduo é atualizado e avaliado novamente para garantir que seu desempenho corresponda sempre aos níveis desejados. O tempo total de treinamento é inferior a um ano, menor portanto que o tempo do Serviço Militar Obrigatório no Brasil, distribuído ao longo de diversos anos, o que torna o treinamento mais leve e mais eficiente, pois o indivíduo nunca “enferruja”. É um sistema prático, eficaz e amplamente testado, que poderia facilmente ser implementado no Brasil.

Quanto à “difícil percepção” das armas de mão, isso é uma vantagem na mão de cidadãos honestos, porque os criminosos de qualquer modo continuarão a portar armas de mão para cometer seus crimes.

iG – As primeiras informações mostram que um dos revólveres usados pelo atirador teria sido roubado.

Rolim – São duas armas que, na sua origem, foram vendidas legalmente. Depois, foram revendidas, furtadas, caíram na ilegalidade. A migração de armas nacionais para o mercado ilegal, vendidas legalmente no Brasil, é de mais ou menos 80% das armas. Há uma parte que vem de fora, mas que também no seu país tiveram uma origem legal.

Arthur – Sim, pelo menos uma das armas usadas no massacre foi uma arma roubada. Por causa disso, os desarmamentistas querem proibir todo mundo de ter uma arma, para não abastecer o mercado de homicidas malucos através de furtos. Este argumento é muito comum e seria medíocre se não fosse ridículo demais para poder ser chamado de medíocre. Os assaltos a bancos são sempre realizados com carros roubados. Devemos proibir a população inteira de possuir automóveis para não abastecer o mercado de assaltantes de banco devido aos furtos de veículos? Tenham santa paciência.

Os propagadores deste clichê absurdo se esquecem do exemplo do tráfico de drogas, outro mercado que tentam coibir inutilmente. A proibição das drogas é antiga no Brasil, certo? Qual foi o resultado obtido? Consumo crescente, lucros do tráfico crescentes, violência crescente, corrupção policial e dos membros do Judiciário crescente, gastos públicos crescentes, fascistização da política crescente e nenhuma solução à vista, nem mesmo em um horizonte distante, porque este mercado é atraente demais e lucrativo demais para se submeter a qualquer bloqueio. O caso do mercado das armas é idêntico.

Quanto mais insistirmos na estupidez proibicionista, tanto mais atraente e lucrativo se tornará o tráfico de armas. Portanto, este dado que meu colega defensor dos Direitos Humanos cita é totalmente inútil para prever o que acontecerá se insistirmos na repressão ao comércio de armas. Quando não houver armas para serem furtadas dos cidadãos honestos e desviadas pelos policiais corruptos, os bandidos passarão a se organizar melhor e o tráfico internacional de armas se tornará cada vez mais intenso em nosso país.

Se quisermos que os bandidos não roubem armas dos cidadãos honestos, não temos que tirar as armas dos cidadãos honestos, temos que ensinar estes cidadãos a usarem melhor suas armas para se defenderem de todo e qualquer tipo de agressão injusta, sejam furtos, roubos, invasões de domicílio, seqüestros ou o que for. Eu aposto na capacitação do cidadão honesto, não na sua imbecilização, como apostam os desarmamentistas.

iG – Mesmo com uma política de desarmamento, o atirador não poderia ter acesso a uma arma?

Rolim – Seria muito mais difícil. Se tirarmos as armas e inviabilizarmos a compra, o que vai acontecer é que vai subir muito o valor das armas contrabandeadas. Isso não vai resolver o problema das quadrilhas de traficantes, por exemplo, que podem comprar armas da polícia e do Exército. Mas, com uma política dessas, ficaria muito improvável esse tipo de violência.

Arthur – Eu fico pasmo com esse tipo de “raciocínio”. O Rolim reconhece que, se inviabilizarmos a compra, o contrabando vai ficar mais lucrativo e vai aumentar. Ele também reconhece que, além do contrabando, existem outras alternativas para obtenção de armas ilegais. E ele conclui dizendo que, com essa política furada e ineficiente, os problemas que ele acabou de reconhecer que vão aumentar… vão diminuir. Só eu percebo que isso não faz qualquer sentido? Algum professor de lógica pode me fazer o favor de lançar alguma luz sobre esta questão?

Outra coisa que me espanta é o seguinte: que os criminosos já conseguem e continuarão sempre conseguindo armas com facilidade, não há dúvida, mesmo que essa faciildade diminua um pouco. Porém, o cidadão honesto passará da grande dificuldade atual para a quase total impossibilidade, aumentando o déficit de segurança do cidadão honesto. Ninguém entre os desarmamentistas percebe esta obviedade?

iG – Não é preciso mais segurança nas escolas? Há quem defenda um policial em cada escola.

Rolim – Seria inviável. Agora, acho necessário que municípios e Estados dêem atenção maior à segurança. Não significa policial na escola, mas um porteiro, uma porta que esteja sempre fechada. Às vezes, uma escola tem cinco ou seis possibilidades de entrada. Outra coisa é o uso de uniforme obrigatório. Há evidências de que o uso de uniforme, além de melhorar a disciplina, a convivência, a concentração dos alunos, é também uma medida de segurança importante. Se todos estão uniformizados, é mais fácil perceber alguém que não está como um suspeito.

Então, um portão que fica fechado, um acesso só, um porteiro, são coisas básicas e viáveis, que não são caras. Também chegou o momento de nos darmos conta que as escolas precisam ter um plano de gerência de crise, como vários prédios públicos têm. Como existem planos contra incêndio, é preciso um plano para tiros. Cada escola deve ter um plano de emergência sobre como lidar com tiroteios, dentro ou fora da escola, com muita simulação, para que todo mundo saiba o que fazer. Como nunca lidamos com isso, não há plano. Tomara que não aconteça, mas acho que um massacre como esse pode se repetir.

 

O portão de entrada perfeito da escola dos desarmamentistas. Tranca inviolável, detetor de metais e leão-de-chácara com cara de poucos amigos. Só falta um cachorro farejador para detectar o cheiro de cigarros e baseados e submeter as crianças e adolescentes à revista íntima.
O portão de entrada perfeito da escola dos desarmamentistas. Tranca inviolável, detetor de metais e leão-de-chácara com cara de poucos amigos. Só falta um cachorro farejador para detectar o cheiro de cigarros e baseados e submeter as crianças e os adolescentes à revista íntima.

 

Arthur – É claro que é necessário mais segurança nas escolas. Não por causa deste massacre, que é um caso inédito no Brasil, mas por causa da situação calamitosa em que se encontra a segurança de nossas escolas há muito tempo. Assistimos cotidianamente alunos serem perseguidos, humilhados e agredidos em episódios grotescos de bullying, aulas serem inviabilizadas por algum imbecil fumando e tocando o último funk proibidão no fundo da sala, sexo livre entre adolescentes nos banheiros, drogas serem vendidas nos corredores, professores acuados serem calados por ameaças e os mais insistentes em não ceder à criminalidade serem agredidos a ponto de abandonarem a profissão, restando traumatizados e enojados com o descaso oficial de governo após governo que considera a educação uma simples rubrica incômoda no orçamento.

É óbvio que seria inviável colocar um policial em cada escola. O que poucos têm coragem de dizer é que, se fosse viável, seria inútil e portanto indesejável, porque caro e ineficaz. Se houvesse um policial em frente à escola em Realengo, o maluco poderia chegar desarmado e simplesmente arrebentar a cabeça do policial com uma marretada de surpresa, tomar as armas e os pentes de balas reservas do cadáver e então entrar atirando.

A não ser, é claro, que os desarmamentistas resolvam proibir também o porte de martelos, marretas, machadinhas, picaretas, trancas de direção, macacos de automóvel, facas, canivetes, estiletes, pedras, pedaços de pau… Aliás, que tal tornar obrigatório que os cidadãos só possam sair à rua à pé, algemados com as mãos nas costas, com uma corrente curta unindo as pernas e escoltados por um grupo de policiais? Ficaria meio difícil de carregar os cadernos até a escola, mas é tudo em nome da segurança!

Quanto a uma porta única permanentemente fechada, este é o sonho de todo assassino serial. Basta vigiar este acesso único e nenhuma vítima terá por onde escapar e nenhum socorro terá por onde entrar. Uma dupla de atacantes, como aconteceu em Columbine, dividiria o “trabalho” assim:

“Você vigia primeiro e impede a entrada de socorro, enquanto eu chacino a molecada. Depois de matar uns trinta, eu venho aqui trocar de posto. Vamos revezando, assim os dois se divertem.”

O uso de uniforme é viável em uma escola primária, porque as crianças podem ser facilmente obrigadas a utilizá-lo, mas encontra resistência considerável em qualquer escola secundária e é inviável em uma universidade. É, portanto, uma solução falsa, pois nenhum assassino serial armado seria confundido com uma criança, mesmo que estivesse uniformizado, e nenhum ambiente onde um assassino serial armado poderia se confundir com os alunos aceita a violência da despersonalização causada pelo uniforme. As exceçõs são as Forças Armadas e as polícias, mas os membros destas andam armados e são treinados para usar as armas que portam. Xeque-mate para a suposta utilidade do uniforme.

As “soluções” dos desarmamentistas vão sempre no sentido de retirar cada vez mais a liberdade das crianças, dos adolescentes e dos cidadãos honestos, impedindo-os de se deslocar livremente, impedindo-os de se defender adequadamente e impedindo-os de pensar racionalmente, o que é feito através de uma terrível doutrinação para a submissão incondicional a todo tipo de restrição e limitação supostamente em nome de sua própria segurança, que seria “garantida” por “profissionais habilitados” segundo as orientações de “especialistas”.

Alunos curtindo a hora do recreio em absoluta segurança na escola dos desarmamentistas.
Alunos curtindo a hora do recreio em absoluta segurança na escola dos desarmamentistas.

Qual é então o “plano de emergência sobre como lidar com tiroteios, dentro ou fora da escola, com muita simulação, para que todo mundo saiba o que fazer“, segundo Rolim e os desarmamentistas? Nenhum, porque, como ele mesmo diz, “Como nunca lidamos com isso, não há plano.” E o pouco que ele sugere só pioraria a situação, como demonstrei.

O meu plano é viável, simples, barato e eficaz: uma pistola .40 na cintura de cada professor e de cada funcionário da escola, todos devidamente capacitados para reagir com agilidade e eficiência em defesa das vidas dos alunos. A não ser, é claro, que as aulas estejam sendo ministradas por psicopatas e maníacos desequilibrados que na primeira oportunidade chacinariam os próprios alunos.

Com este equipamento, o professor põe conhecimento na cabeça de seu filho.
Com este equipamento, o professor põe conhecimento na cabeça de seu filho.
Com este equipamento, o professor evita que ponham uma bala na cabeça do seu filho.
Com este equipamento, o professor evita que ponham uma bala na cabeça do seu filho.

iG – O senhor está falando do fenômeno “copycat”, ou seja, a tendência para que crimes como esse sejam reproduzidos por outras pessoas?

Rolim – Há um certo grupo de pessoas que são psicopatas, com graves distúrbios, que ficam sabendo de casos como esse e encontram um caminho. O efeito já está demonstrado no próprio caso de Realengo. Certamente ele acompanhou os massacres ocorridos nas escolas dos Estados Unidos e se encantou. Pode acontecer outras vezes. Se houver cuidados, há a possibilidade de diminuir o dano.

Arthur – Sim, é claro que há a possibilidade de diminuir o dano: basta que haja gente capacitada, treinada, imediatamente disponível, com o equipamento adequado e disposta a fazer o que é necessário fazer para interromper a agressão assim que ela inicia. Não adianta contar com um policial sozinho na entrada da escola. Não adianta contar com um ou dois seguranças desarmados. Não adianta choramingar em busca de misericórdia. Não adianta telefonar para a polícia. (Em Realengo ninguém ligou para a polícia, foi um aluno desesperado correndo pela rua que encontrou acidentalmente um policial. Não fosse esse golpe de sorte, haveria mais uns dez, vinte ou trinta mortos e feridos.)

Os pais e mães que assumem a responsabilidade pela vida de seus filhos ao invés de confiar no sistema totalmente falido de segurança pública do Brasil deveriam exigir que haja nas escolas vários cidadãos honestos, capacitados e permanentemente preparados para agir rapidamente em defesa de seus filhos. Quem? Os mesmos professores e funcionários que convivem com as crianças e adolescentes diariamente, conhecem todos os alunos e circulam por todo o ambiente a todo momento.

iG – É possível que um massacre como esse se repita no Brasil?

Rolim – Se fosse para pensar daqui a dois três anos, vai acontecer de novo. O normal, tomando a experiência, é que isso se repita. Não é para distribuir pânico nem para acharem que vai ocorrer. Mas se pegarmos o tamanho do Brasil, o número de escolas e de armas disponíveis, é provável que aconteça. Há um episódio impressionante, do Maníaco do Parque [homem que estuprou e matou pelo menos seis mulheres em um parque de São Paulo, em 1998].

Deu-se muito destaque, ele foi capa de revistas, deu entrevista na televisão. Ele se transformou em uma espécie de celebridade no Brasil. Passaram três ou quatro meses e apareceu um serial killer em Rio Grande (RS). Quando ele foi preso, a imprensa chegou e ele disse, com um certo orgulho, que queria superar o Maníaco do Parque. Quando viu a história, encontrou um caminho. Acho provável que aconteça, mas tomara que não.

Arthur – É claro que isso vai se repetir. Maluco é o que não falta no Brasil. Já tem gente no Orkut falando em “bater o recorde” não de Wellignton Menezes de Oliveira, mas de Cho Seung-Hui. Os professores e funcionários continuam impotentes e destreinados para lidar com um agressor armado. Ligar para a polícia é inútil. Os desarmamentistas estão acovardando a população, convencendo-a de que ela é debilóide e incapaz de se defender, precisando depender de salvadores que detenham o monopólio da força. E os covardes por natureza e os inocentes úteis utópicos estão multiplicando o discurso imbecil de que cidadãos honestos são perigosos, mesmo que capacitados e bem treinados, a menos que portem um distintivo preso no peito. É o cenário perfeito para a repetição deste tipo de tragédia.

iG – No caso da escola em Realengo, é importante entender as motivações do atirador para evitar que casos como esses se repitam?

Rolim – A questão central do episodio é o tema das armas, porque o que podemos fazer de mais eficiente é diminuir a potencialidade de letalidade de eventos desse tipo. Nós temos uma dificuldade de aceitar a ideia da maldade. O fato é que a maldade faz parte da essência humana e nem sempre há uma explicação razoável. Diante dos indicadores, é muito provável que ele tivesse um grave distúrbio mental. Mas afirmar isso agora é irresponsabilidade. Não há elementos mínimos e talvez nunca se tenha, porque ele está morto. O que vai haver são opiniões influenciadas pelo fato, que são questionáveis porque surgem sob o fluxo da emoção. Tudo vai ser sempre hipótese. O fato é que ele pode ser louco, ter um distúrbio, qualquer coisa, mas jamais teria condições de matar 12 crianças se não estivesse armado.

Arthur – A questão central do episódio é o tema das armas, mas não porque seja possível reduzir a letalidade de ataques deste tipo, uma vez que tais episódios são imprevisíveis e os assassinos seriais costumam planejar seus ataques. A questão central do episódio é o tema das armas porque o que podemos fazer de mais eficiente é armar o cidadão honesto e capacitá-lo para defender a si mesmo e a terceiros perante uma agressão armada sem choramingos nem falsas esperanças de que a polícia vai chegar a tempo de impedir uma tragédia, porque se isso fosse possível a matança em Realengo teria sido evitada.

Quanto à afirmação de que o assassino jamais teria condições de matar 12 crianças se não estivesse armado, eu já respondi isso no artigo anterior, mas demonstra apenas falta de criatividade. Existem mais maneiras de matar do que maneiras de preparar Neston. O que não existe é como se defender de um assassino serial com portas fechadas, grades na janela, telefones celulares, choramingos e passeatas contra a violência com lencinhos brancos na mão.

iG – A questão de um possível bullying na infância não é importante?

Rolim – Tudo que ouvi são hipóteses, não apareceu algo concreto. Essa especulação tem sua razão, porque a gente sabe que a maioria dos casos de massacre em escolas nos Estados Unidos esteve associado a vingança por bullying. Alguns eram considerados gays pelos colegas e uma forma de manifestar a virilidade, associada às armas de fogo, era voltar lá e matar as pessoas. É possível que ele tenha sofrido bullying, mas não sabemos. Ele tem um problema de ordem sexual, não é casual que as vítimas foram quase todas meninas. Há a história da pureza e da virgindade, que ele encontrou na religião um certo amparo para a sua misoginia. Mas é muito improvável detectar essas coisas, não é simples. A solução não é por aí. Se ele não tivesse acesso a armas e carregadores, poderia produzir um mal, mas não com essa gravidade.

Arthur – Para o assunto que estamos debatendo, a questão do bullying é irrelevante e a suposta misoginia do assassino também é irrelevante. (Ele atirou em 12 meninas e 10 meninos, portanto não houve seleção de alvos pelo sexo. O mais provável é que, como em geral as meninas se sentam mais à frente e os meninos mais ao fundo, a péssima pontaria do assassino só tenha permitido que ele atingisse com precisão fatal os alvos mais próximos.)

Wellington Menezes de Oliveira era um atirador medíocre: ele disparou 62 tiros e só acertou 22 adolescentes desarmados, indefesos, paralisados pela doutrinação da cultura de submissão e orientados pelos professores a permanecer em seus lugares à espera da morte.

Agora eu entendo por que diversos adolescentes morreram choramingando submissos e implorando misericórdia a um algoz implacável ao invés de atacá-lo em fúria desesperada: o treinamento cotidiano na ideologia insana de submissão e acovardamento a que nossas crianças são submetidas domou o instinto de sobrevivência delas de tal modo que elas não conseguiram nem sequer lutar ou fugir para tentar salvar as próprias vidas. Que tipo de educação é essa que impomos a nossas crianças e adolescentes que aumenta suas chances de morrer choramingando ao invés de lutar para viver?

Não importa que motivo leva um maluco a invadir uma escola e assassinar crianças e adolescentes em série, importa como fazer cessar imediatamente qualquer agressão deste tipo assim que ela começar. Com absoluta certeza, não é mandando os alunos ficarem quietos à espera da morte ou de um herói salvador que salvaremos suas vidas em casos assim e que os ensinaremos a ser bem sucedidos na vida.

Se os alunos eram jovens demais para saber o que fazer, os professores deveriam no mínimo ter estabilidade emocional e rapidez de raciocínio para avaliar a situação, perceber sua gravidade e gritar “PRA CIMA DELE, TODO MUNDO!!!” dando o exemplo e partindo pra porrada. Em casos desta natureza, somente a violência pode salvar vidas inocentes.

Os desarmamentistas estão comemorando a “atitude heróica” do Sargento Alves, um cidadão honesto armado e capacitado a usar uma arma para defender as pessoas, mas querem impedir que outros cidadãos honestos andem armados mesmo que estejam capacitados a usar uma arma para defender as pessoas. É uma total incoerência.

Os desarmamentistas alegam o Sargento Alves não é um cidadão honesto qualquer, é um policial preparado. Ora, qual a diferença entre o Sargento Alves e outro cidadão honesto que receba capacitação e treine adequadamente para defender terceiros mas não seja policial? A farda? O distintivo? Que bom, então é só distribuir fardas e distintivos para todo mundo e o problema está resolvido.

Se, entretanto, foi o treinamento do Sargento Alves e o tiro que ele disparou que interromperam a chacina e não sua farda e seu distintivo, então é hora de treinar o cidadão honesto para defender a própria vida e de outros inocentes, para que ninguém mais morra choramingando e pedindo misericórdia a um agressor implacável.

É hora de seguir o exemplo suíço, no qual a ação do cidadão honesto é a solução, e não as teorias alucinadas de quem diz que somos o problema e que ficamos mais seguros quando somos impossibilitados de nos defender.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 13/04/2011

30 thoughts on “Metralhando o discurso desarmamentista de Marcos Rolim (parte 2)

  1. Concordo plenamente com a sua exposição Arthur. Lembrei de uma frase do Benjamin Franklin que cabe perfeitamente aqui:
    “Qualquer sociedade que daria um pouco de liberdade pra ganhar um pouco de segurança não mereceria nenhuma das duas e perderia ambas.”

    1. Outra boa frase de Benjamin Franklin:

      “Quando todas as armas forem de propriedade do governo e dos bandidos, estes decidirão de quem serão as demais propriedades.”

      Gostaste das fotos inseridas no artigo e suas legendas?

  2. Sim, ficaram ótimas. O humor é sem dúvida um dos seus pontos fortes quando você precisa fazer o leitor refletir sobre o óbvio ululante. Arthur, mais uma vez fico espantado como seu discurso soa radical ao mesmo tempo que transborda de uma sobriedade lógica de dar alívio ao espírito. Fico imaginando em quantas questões estamos afundados até o pescoço em debates inócuos e superficiais, quando não nocivos e ideológicos, por não ter a capacidade crítica de colocar à prova as premissas antes de aceitar uma conclusão. Como você lida com a superficialidade das opiniões das pessoas que encontra no seu cotidiano? Não é de se espantar que você queira mudar de planeta.

    1. Vine, muito obrigado por este comentário, não tens idéia de como fico feliz quando alguém percebe que por trás da forma ainda não adequadamente lapidada de meus textos existe “sobriedade lógica” e consistência. (Adorei a expressão.)

      Acho que cinco anos de Orkut estragaram bastante o meu estilo, porque acostumei a escrever de modo excessivamente objetivo e direto devido ao pequeno espaço e à velocidade das discussões. Aos poucos espero desenvolver um texto mais leve, eliminando essa aparência de “radical no mau sentido”, mas por enquanto vou contando com a paciência dos leitores em relação a esta minha limitação.

      Lidar com a superficialidade não é fácil para mim. Quando ela vem acompanhada de inconsistência lógica, então, é exasperante. Por exemplo, eu tenho ganas de bater com a cabeça (do outro, não a minha, que não sou doido) na parede quando vejo alguém apresentar, como argumento para o desarmamento, “raciocínios” como este:

      Armas são feitas para matar.
      Matar é errado.
      Logo, ninguém deve ter armas.

      Mas o que é realmente desanimador é ver um absurdo destes, explicar que ambas as premissas são falsas, explicar que mesmo que fossem verdadeiras a conclusão não decorre da premissa (falácia non sequitur) e ouvir asneiras como:

      – Ah, armas não servem para matar? Então dê um tiro na própria cabeça.

      Ou:

      – Ah, então você acha que matar é certo?

      Ou:

      – Ah, esse papo de falácia é muito teórico, na prática não é assim que funciona.

      Aí dá vontade de emigrar de planeta, mesmo. Mas eu lido com isso com paciência e tenho usado a indignação que surge perante os casos mais absurdos deste tipo para me fornecer energia para bolar estratégias para combater este tipo de fenômeno em mais ampla escala.

      Nos próximos anos vou lançar alguns projetos que talvez façam diferença na vida de muita gente. Não posso dar detalhes agora, mas os leitores do blog serão os primeiros a saber. 😉

  3. Eu imagino, mesmo. Se até eu me sinto desesperado as vezes com opiniões que eu encontro ao longo do dia, voce deve sofrer cem vezes mais. Mas que bom que é assim, se voce conseguir transformar isso em combustível pra projetos maiores. Tenho certeza que se existe um projeto capaz de fazer a diferença na vida de muita gente, seria um levado a cabo por voce. Cada luz acesa ilumina o ambiente um pouco mais, e é assim com os seus artigos. Tomando por base o blog e a paciencia que voce tem ao lidar com os leitores, a humildade em sempre estar disposto a encontrar o melhor caminho e a verdade, e a grandeza de espírito pra tentar fazer do mundo um lugar melhor, e talvez mais difícil ainda, de fazer do homem um ser melhor, fico realmente muito feliz de saber dos seus planos. Quanto ao seu estilo radical, não vejo como um empecilho, vejo como uma qualidade. Acho necessário para acordar o espírito do leitor. E é um alívio, num mundo onde os pensamentos são cozinhados a banho maria. :]

    1. Uau! Sem palavras para agradecer! 😮

  4. Sou a favor do porte de arma liberado para todos cidadãos, com uma legislação forte para quem matar outra pessoa sem ser em legitima defesa.

    Como acontece nos EUA, pode comprar qualquer arma com carteira de identidade, mas se você matar alguém sem ser no caso de se defender ou defender a vida de sua família, vai passar o resto da vida na prisão. O cara lá pensa duas vezes antes de atirar no outro sem motivo e proibir pessoas bebendo de portar arma com pena quem for pego bebendo e usando arma.

    99, 99999999 % dos crimes de homicidios e assalto são feitos por armas ilegais e quem é que manda as amrma ilegais para o país e drogas, quem? quem? A FARC. E quem anda de mão dada e sempre recebeu dinheiro para campanhas, quem? quem? Quem acetar ganha uma barra de chocolate.. HEHE..

    1. “Liberdade com Responsabilidade”, Nelson. Esse é o segredo de uma civilização avançada.

      Quanto à relação entre as FARC e um certo partido político brasileiro, acho que ainda vamos ouvir falar muito sobre isso…

  5. Eu pergunto a vocês, se a funcionária da lanchonete de realengo tivesse uma arma guardada no balcão, quando aquele doente subiu armado, quantas mortes ela teria evitado?

    Teria salvo 13 vidas diretamente, alvejado o algoz das garotas.

    É muito facil ser a favor do desarmamento quando se tem seguranças particulares ARMADOS. Desarme tambem seus seguranças! Hipócrita politicos!

    80%? Quer dizer que o cidadão compra uma arma de fogo (pagando todos os impostos e enfrentando a burocrácia do inferno +- = R$3.000,00) e depois a vende para criminosos (ilegalidade começaria aqui +- = R$500,00 [preço de um .38 nas bocas de fumo]). Acho que isso não é um negócio lucrativo.

    “A mais o bandido rouba a arma do cidadão…”, aqui o estado não cumpriu o dever de proteger o cidadão.”

    “Cerca de 80% das armas apreendidas pela polícia têm origem legal”

    80% tinha origem legal. É mesmo! Todas elas foram fabricadas por indústrias legalizadas, o que não foi o caso das 20% restantes, que foram fabricadas em alguma metalúrgica de fundo de quintal, e não tiveram, portanto, origem legal…

    Como é fácil torturar as informações até elas confessarem o que vocês, desarmamentistas, querem!

    Como sabes disso? Já frequentou algum clube de tiro? Já fez treinamento de tiro defensivo?

    Se arma de fogo é ineficaz para a defesa, então por que as forças policiais a usam, assim como seguranças de empresas privadas, assim como os traficantes que protegem sua “boca de fumo” com armas? Isso é ser ineficaz?

    ” Um homem armado é um cidadão, um cidadão desarmado é um sudito”.

    Arma de fogo é que nem camisinha, ” melhor ter e não precisar, do que precisar e não ter”.

    1. Pois é, Nelson, mas vá explicar para alguém já convertido à religião do desarmamento que seus dogmas se chocam com a realidade. É um tipo de fundamentalismo inconseqüente tão obtuso, tão obtuso, que não se encontra espaço sequer para começar a fazer uma análise razoável.

  6. Arthur

    Hoje a melhor forma de lidar com proplemas tão sérios, como Violência, prostituição, drogas, tráfico de pessoas e animais, caça ilegal, aborto é a regularizão, acompanhado com uma lei super-rígida no que tange ao descumprimento.

    Por exemplo, na Autralia tem bordeis de luxo, que tem autorização para funcinar, lá quem adminitra o lugar são as garotas de programa, pagam impostos e são obrigadas a fazer uma série de medidas para cuibir o cafetanismo, as drogas e as armas ilegais dentro do recinto.
    ]Os bordeis usam detectores de metal na entrada, os clientes são revistados para ver se tem drogas, são obrigados a usar camisinha e a mostrar todo mês exames de HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, tem que tomar banho antes da relacôes, tem que tirar um cartão eletrônico da casa com as informaçôes pessoais. Quem agredir alguma GP, for pego portando droga, armas ilegais, não apresentar exames de sangue, agredir qualquer GP, terá seu acesso proibido aos bordeis.

    Sem falar que lá, possui sala de musculaçao, sinuca, biblioteca e etc.

    1. Virou clubinho. 😛

  7. Na Africa temos safares legalizados e criaçôes de animais selvagens em cativeiro para venda e reposição ao habitate natural.

    O cara rico paga milhares de dolores para caçar um rinoceironte, um leão e outro animal, é proibido a caçar femêas e filhotes, quem fizer é condenado a morte,só é permitido caçar de 1 a três animais por ano, só pode matar animais velhos e doentes não é permitido mira telescopica, tonaod assim a caça mais emcionante para o caçador por ser mais dificil abater o animal, o dinehiro ajuda a pagar os custos do parque, a contratar novos guardas para fiscalizar os caçadores ilegais e a carne do animal abatido é doado a polulçao local para alimentação.

    Diminuiu e muito a caça clandestina.

    Os criadores de leôes em cativeiro, vendem cada leão do criadoro a um custo de 70 mil dores, fazem inseminação antificial e em pouco tem eles multiplicaram a população de leões, inclusive os leôes brancos que são raros, os que não vendem, eles repôe na selva, todo mês, eles vendem eses lôes pra reservas do mundo todo e zoologicos.

    A populção de lôes aumentou bastante nas reservas onde tem os criatórios.

    Sem falar nos outros animais silvestres que são criados para vender a carne, onde a inseminação artificial multiplica o número bem maior se fosse criado na selva.

    No caso das drogas, é bem diferente a regularização.

    Cça é ruin? É, Prostitução é ruin? é..

    Mas não adianta, melhor coisa a fazer é adaptar ao mundo, tentar tirar proveito de algo com um politica séria.

    Aborto, somente seria permitido em caso de estupro e risco para mãe. Não é justo assassinar a criança no ventre por que a mocinha na que ficar com o corpinho feio e ter que assumir respnsabilidade.

  8. Bom fugir um pouco do assunto, mas foi para mostrar que a regularização é um boa opção de coibir o crime envolvidos nesses atividades.

    1. Sim, em muitos casos o mal causado pela atividade é muito menor que o mal causado pela ilegalidade da atividade. É o caso das armas e das drogas…

  9. Arma entregue na Campanha do Desarmamento é apreendida dentro de escola em Praia Grande

    Uma menina de 14 anos foi apreendida com uma pistola 6,35mm nesta quarta-feira ( 28.9) dentro da Escola Estadual Lions Club, que fica na Rua Ordovaldo Bruzete, Jardim Quietude, Praia Grande, litoral sul de São Paulo.
    Após a apreensão a adolescente confirmou que a arma pertencia a dois outros colegas de escola.
    O delegado Douglas Borguez informou que os outros dois adolescentes já tinham passagem pela polícia, um por tráfico de drogas e o outro por homicídio. De acordo com o delegado, ao consultar a numeração da arma, foi constatado que a mesma havia sido entregue na Campanha de Desarmamento em uma delegacia de Casa Branca, interior de São Paulo.
    “ Ainda não sabemos como ela foi parar nas mãos dos adolescentes”, comenta Borguez.
    Na opinião de Bene Barbosa, presidente da ONG Movimento Viva Brasil, isso somente leva ainda mais descrédito para Campanha do Desarmamento. “Que a campanha é ineficaz para desarmar os criminosos já estava muito claro, agora devemos imaginar que o efeito é exatamente o contrário, e armas entregues estão chegando às mãos de crianças e criminosos”.
    Os menores já foram liberados pelo Conselho Tutelar e a Polícia Civil deverá instaurar inquérito para apurar o desvio de armas da Campanha de Desarmamento.
    Não foi a primeira vez que isso acontece no litoral de São Paulo, em 2005, durante a primeira Campanha de Desarmamento, pelo menos 11 armas entregues foram desviadas apreendidas com criminosos de Santos.
    http://www.mvb.org.br/noticias/index.php?&action=showClip&clip12_cod=1543

    1. Maravilha de Campanha de Desarmamento…

      … mas alguém tinha mesmo alguma dúvida de que essa porcaria de campanha estúpida não atingiria os objetivos declarados?

  10. “É legal esse “pedido” de “efetiva necessidade???”

    Em outras palavras, pq para comprar um carro eu posso apenas simplesmente desejar ter mais um carro (mesmo não tendo necessidade de mais um) e para comprar uma arma eu não posso apenas alegar que desejo pq gosto???

    O engraçado é que para comprar um carro(que matam muito mais do que armas) vc só precisa dar uma entrada e ja sai com ele,o vendedor nem pergunta se vc é maior ou menor de idade,se vc tem capacidade de usar aquele veiculo,eu acho mais perigoso um carro nas maos de um bebado do que uma arma nas maos de um pai de familia.

    1. É uma aberração. A lógica deveria ser exatamente a mesma de comprar um carro. Mas é sabido amplamente que a PF tem orientação a não conceder porte de arma – e de preferência nem autorização de compra – tanto quanto possível.

      Aliás, “autorização de compra”… que fedor de totalitarismo!

  11. Polícia Federal já começou o desarmamento
    Ontem assisti a uma palestra do delegado federal que titulariza a delegacia da região para alunos do curso de Direito. A ideia era esclarecer as peripécias da profissão, mas ele foi além:

    Disse que, hoje, não concede mais autorização para aquisição de arma lícita. A ninguém. Amparado no “Estatuto do Desarmamento”, não permite a compra nem nos casos extrema necessidade.

    Motivo da intransigência? Porque assim ele quer.

    Ou seja, se assim quer o delegado federal, presume-se que assim também quer a Política Federal. Esta, por sua vez, tem sua volições ligadas a quem lhe coordena, ou seja, o governo federal. O (não) querer do delegado nada mais é do que o (não) querer do governo federal.

    Pior: o ilustre ainda soltou a pérola: “gente, faça um bem à sua família e à sociedade: entregue sua arma. Segundo dados da ONG Viva Rio, 80% do número de homicídios é causado por armas lícitas. Entregue sua arma à PF e receberá indenização, além de ver a olho nu sua arma ser destruída.”

    “Mas e as armas de coleção, de guerras passadas?”

    “Entregue-as que também destruiremos.”

    […]

    O Professor estava certo: de que adianta o povo ter se manifestado no referendo se, por portarias ministeriais e regulamentações orgânicas, toda a vontade popular é suprimida e, por consequência, a lei é relativizada?

    Sr. delegado federal, O POVO VOTOU A FAVOR DA COMERCIALIZAÇÃO DE ARMAS!

    Quem é o senhor para negar autorização?

    1. A voz do povo é a voz de Deus. Mas o governo é ateu.

  12. Marcos Rolim = sociopata esquerdoide

    1. Eu acho que o Rolim é um cara bem intencionado mas que analisa a realidade por um prisma ideológico distorcido.

    1. Ele e a esposa teriam sido massacrados, ninguém saberia quem foram os bandidos que fizeram aquilo, os culpados sairiam livres, o caso entraria para as estatísticas de violência do país e o delegado não perderia um centavo de salário, nem o cargo, nem um minuto de sono.

    2. A propósito, se a arma estava legalizada e o disparo aconteceu dentro da propriedade do agricultor, então ele não pode ser processado por porte ilegal. Porte ilegal é quando o sujeito carrega a arma para além dos limites de sua propriedade. Ter uma arma legalizada em casa não é “porte”, é “posse”, e é absolutamente legal.

      Impressão minha ou estes casos de legítima defesa com arma de fogo ultimamente estão sendo divulgados como estratégia de intimidação, sempre com ameaça de processo contra quem teria sido trucidado caso não se defendesse?

  13. Rafael Holanda

    20/06/2012 — 19:47

    Uma idéia que tive seria toda arma obtida legalmente por um cidadão passaria previamente por aqueles testes de balística que verificam as ranhuras no cano da arma. Assim, teríamos uma “impressão digital” da arma e estas seriam facilmente verificáveis num caso criminoso.

    Mas falo isso sem o conhecimento de quanto custam e quanto tempo levam tais testes, então existe uma chance dessa idéia ser inexequível.

    1. Bastaria disparar cada arma meia dúzia de vezes ao vender, encaminhar as balas para um scan 3D de alta resolução, digitalizar os dados e armazená-los num mainframe no Ministério da Defesa. Qualquer bala disparada no território nacional poderia ser checada contra todo o banco de dados em alguns segundos ou minutos. Mas há um problema nesta lógica: armas podem ter os canos substituídos.

      Na boa? O que temos que ter é todo cidadão honesto armado. Com a imensa queda na criminalidade que isso provocaria, a polícia teria todo tempo do mundo para investigar crimes de verdade ao invés de ficar enchendo o saco de guri com um baseado na mão e de cidadão honesto que se defendeu de uma agressão.

  14. Joaquim Salles

    16/01/2013 — 17:56

    Voltando a debate recorrente. O Filósofo do Jô, Paulo Ghiraldelli, colocou no facebook ( ver em http://www.facebook.com/ghiraldelli.filosofia) o post abaixo:

    Filósofo Paulo Ghiraldelli
    A INDÚSTRIA DE ARMAS E A DIREITA começaram uma campanha contra o desarmamento. Eles querem fazer parecer que arma na mão das pessoas comuns as protegem. As estatísticas mostram que arma nas mãos das pessoas que não são militares treinados, volta-se contra elas mesmas. Pega criança, cai nas mãos de bandido, isso quando não termina por acertar o próprio cara que atira. Mas sempre tem um idiota no Facebook para repassar a o post pago para a frente. Paulo Ghiraldelli

    “Isso é um argumento valido?” penso aqui comigo. Parece uma falacia a frase a cima, mas fiquei na duvida. O que acha desse tipo de argumento: x% não tem capacidade de usar armas e essa irão para bandidos ( ou algo assim)?

  15. Joaquim Salles

    16/01/2013 — 18:53

    Saiu agora pouco na mídia “Obama anuncia pacote de US$ 500 milhões contra violência armada”

    http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2013-01-16/obama-anuncia-pacote-de-us-500-milhoes-contra-violencia-armada.html

    Resumindo: a questão das armas volta as paradas de sucesso 🙂

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: