“Par eu ganho, ímpar você perde”, ou “como manipular um plebiscito”

A turba desarmamentista, capitaneada pela Rede Globo, sofreu uma fragorosa derrota no referendo sobre o desarmamento. Agora, aproveitando-se da comoção nacional devida ao massacre na escola de Realengo, procuram organizar em regime de urgência uma nova consulta popular para tentar manipular o povo brasileiro e forçá-lo a escolher não ter escolha. Tudo bem, desarmamentistas, organizem uma nova consulta popular… Mas que seja um plebiscito pra valer sobre desarmamento, e que desta vez a vontade das urnas seja respeitada.

O povo brasileiro decidiu pelo NÃO AO DESARMAMENTO há menos de seis anos. Vergonhosamente, o governo ignorou a vontade das urnas e promoveu o mais completo desarmamento do cidadão honesto que a lei – e a interpretação distorcida e maldosa da lei – poderiam permitir.

Agora, como resultado do desarmamento do cidadão honesto, o número de crimes contra a vida tem aumentado e os desarmamentistas aproveitam os resultados de sua ideologia ilusória e inconseqüente para produzir medo e histeria coletiva, tentar manipular emocionalmente o povo brasileiro e levá-lo a votar contra seus interesses, tornando-o cada vez mais vulnerável e dependente de terceiros para a proteção de sua vida, de sua família e de sua propriedade.

Querem um novo plebiscito? Tudo bem, façamos um novo plebiscito. Mas façamos um plebiscito pra valer, nos seguintes termos:

“SIM AO DESARMAMENTO” significará o banimento total de armas de fogo no Brasil, inclusive para as polícias, que passarão a adotar o mesmo sistema usado na Inglaterra, país que os desarmamentistas usualmente apontam como exemplo de política cidadã, consciente e desejável de desarmamento.

“NÃO AO DESARMAMENTO” significará o fim da discricionaridade de qualquer órgão do poder público para a concessão de porte de arma, passando este a ser concedido de modo obrigatório e livre de taxas a qualquer cidadão sem antecedentes criminais que fizer um curso de defesa pessoal e um curso de tiro, passar numa avaliação psicológica idêntica à das polícias e uma avaliação de desempenho idêntica à das políciais.

Para que governantes mal intencionados não burlem a vontade expressa nas urnas, inviabilizando a posse de armas de fogo através de impostos e taxas altíssimos, a propriedade e o porte de armas de fogo passarão a ter as mesmas regras de registro, habilitação, impostos e taxas percentualmente equivalentes às praticadas em relação ao mais barato automóvel popular comercializado no Brasil.

Minha proposta completa:

(Pule a leitura deste quadro se não estiver interessado nos detalhes.)

O IPI de revólveres e pistolas terá o mesmo percentual do IPI do mais barato carro popular.

Será criado o IPAF (Imposto sobre Propriedade de Arma de Fogo), cujo valor será calculado usando o mesmo percentual relativo ao preço de mercado que é cobrado sobre o mais barato carro popular vendido no país. (Só para ilustrar: se o carro custa R$ 20.000,00 e o IPVA é de R$ 500,00, então se a arma custar R$ 2.000,00 significa que o IPAF será de R$ 50,00.)

Será criada a CNHPAF (Carteira Nacional de Habilitação para o Porte de Arma de Fogo), com validade em todo o território nacional, para substituir toda a burocracia atual que atravanca o direito do cidadão honesto de portar uma arma de fogo. A CNHPAF terá as categorias RP, “revólveres e pistolas”, CE, “carabinas e espingardas” e AE, “armas especiais”, sendo que esta será dividada em subcategorias conforme a evolução do mercado de armamentos e poderá exigir requisitos extras em relação às duas categorias anteriores.

Os critérios para obtenção da CNHPAF categorias RP e CE serão os mesmos critérios para concessão de CNH, ou seja, o indivíduo será habilitado, não a arma. Isso significa que o cidadão habilitado poderá portar qualquer arma legalmente registrada em qualquer lugar do território nacional, do mesmo modo que um condutor legalmente habilitado pode conduzir qualquer veículo da categoria para a qual está habilitado em qualquer parte do território nacional.

A duração da CNHPAF categorias RP e CE terá mesma validade de uma CNH categoria A ou B, a que for de maior duração, e o custo da renovação da CNHPAF terá o mesmo custo da renovação de uma CNH categorias A ou B, a que for de menor custo.

A aquisição e o registro de armas de fogo serão livres para todo cidadão sem antecedentes criminais, constituindo crime tanto o porte inabilitado quanto o empréstimo para pessoas não habilitadas, mas não o empréstimo para pessoas devidamente habilitadas na categoria correta.

Todos os revólveres e pistolas constituirão uma categoria única para efeito de habilitação, independentemente de calibre, sendo liberado o comércio, a posse e o porte de calibres hoje considerados “restritos” como os revólveres calibre .38 Super Alto, calibre .357, calibre .357 magnum, calibre .44, calibre .44 magnum, calibre.45 Colt e 45 Auto e as pistolas calibre .9mm, calibre .10 mm, calibre .40, calibre .357, calibre .44 Magnum e calibre .45.

Passarão a ser permitidos os acessórios adequados para o refinamento da precisão do tiro, tais como equipamentos para visão noturna (óculos, periscópios, lunetas, etc.), dispositivos ópticos de pontaria com aumento igual ou maior que seis vezes ou diâmetro da objetiva igual ou maior que trinta e seis milímetros e dispositivos de pontaria que empregam luz ou outro meio de marcar o alvo.

Para carabinas e espingardas, ficará mantida a atual legislação referente aos calibres, passando a serem permitidos os acessórios acima citados.

Sempre lembrando que esta é a minha proposta, que eu não falo em nome do movimento contra o desarmamento e que uma proposta consensual deve ser produzida ouvindo todos os interessados.

Cada lado terá igual tempo na TV e nas rádios para expor seus argumentos, durante um período não inferior a três semanas, sendo livre o debate na internet. E o povo decidirá o que é melhor para ele.

Afinal, é um plebiscito pra valer, no qual a população poderá escolher entre livrar o país da circulação de armas de fogo legais (porque as ilegais já não deveriam estar circulando!) e o diteito do cidadão honesto possuir de fato armas de fogo para sua defesa pessoal, de sua família e de sua propriedade ou é um jogo de cartas marcadas no qual a população não terá uma alternativa para expressar sua vontade?

O povo vai poder escolher entre armar-se e desarmar-se ou entre “permanecer quase totalmente desarmado” e “ficar totalmente desarmado”?

Você jogaria par ou ímpar com a regra “par eu ganho, ímpar você perde”?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 14/04/2011

12 thoughts on ““Par eu ganho, ímpar você perde”, ou “como manipular um plebiscito”

  1. Boa proposta. Que espécie de plebiscito é esse, em que não há opção de deixar as coisas como estão?

    Falando sobre a cultura de submissão, olha que interessante: se vc for ao site da amazon.com e buscar a palavra “survival”, vc vai encontrar vários e vários títulos sobre o tema, como
    “SAS Survival Handbook, Revised Edition: For Any Climate, in Any Situation” ou
    “How to Survive the End of the World as We Know It: Tactics, Techniques, and Technologies for Uncertain Times”.

    Agora vá até o site da Livraria Cultura e procure “sobrevivência”. O que vc vai achar? Livros de auto-ajuda!
    “Guia de sobrevivência para pessoas sensíveis”,
    “Guia de sobrevivência na selva empresarial,
    “Guia de sobrevivência da garota descolada”,
    “Manual de sobrevivência para suicidas”,
    “Guia de sobrevivência para sereias fora d’água” (kkkkk).

    E sobrevivência de verdade? NENHUM. Livros assim poderiam ter ajudado muitas pessoas durante as enchentes.

    Livros e blogs americanos sobre sobrevivência falam abertamente sobre armas e auto-defesa, tratam armas como uma provisão qualquer, assim como água e comida. Como faria um brasileiro em uma ocasião que exigisse sobrevivência? Rezaria para as otoridades fazerem alguma coisa?

    1. Gostei dos títulos que citaste. Comecei a pensar na possibilidade de traduzir algum destes livros ou de escrever algo do gênero. E é verdade, nós usamos a palavra “sobrevivência” em um sentido figurado na maior parte das vezes, tanto que esquecemos seu significado literal. (Na verdade, eu mesmo criei uma comunidade no Orkut chamada “Guia de Sobrevivencia no Orkut”.) 😐

      Aviso importante: rezar para as otoridades é pecado mortal. Não se deve rezar para o demônio. 😉

  2. Aliás, caso ainda não conheça este abaixo assinado:

    http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=REF2005

    1. Interessante isso. Mas minha posição é contrária: eu quero um plebiscito. Da outra vez foi um referendo, em que o povo só podia aprovar ou desaprovar uma parte da lei. O problema é que o povo não queria a íntegra da lei, como ficou claro pela vitória do NÃO em absolutamente TODOS os estados.

      Já que a turma do SIM levantou essa lebre, que não volte atrás: estou articulando com a turma do NÃO a confeccção de um projeto de lei substitutivo ao Estatuto do Desarmamento. Os desarmamentistas não queriam consultar o povo? Pois vamos consultar o povo!

  3. Arthur, dei uma olhada na nova propaganda desarmamentista do governo no youtube, olha só que sucesso:

    47 pessoa(s) gosta(m), 3701 pessoa(s) não gosta(m)

    Só em apenas um semana que lançaram.

    1. Mas a campanha é “um sucesso”. 😛

  4. http://www.youtube.com/watch?v=AvYZYyxfhws

    Até gostava do Fábio assunção, achava ele um puta ator, mas depois dessa, ou ele tem sérios problemas mentais ou é muita cara de pau.

    Será que ele não sabe que as armas ilegais que ajudaa manter o tráfico de drogas ao qual ele estar sofrendo o pão que o diabo amassou pra sair do ´vício da cocaína?

    1. Este vídeo sobre mostra porque armas tem que ter controle, não podem estar na mão de qualquer um. Nem a proibição nem o outro extremo, como nos EUA:
      http://www.youtube.com/watch?v=GY7FrEBmoho

      Tem alguns Darwinitos nele (com transmissão hereditária de características).

    2. Isso é vingança, né, Gerson? Confessa!

      PelamordeDeus… Assistindo uma coisa dessas eu chego a ficar com medo de escrever as coisas que escrevo. Eu me sinto como se eu estivesse distribuindo metralhadoras na jaula dos macacos no zoológico. 😮

    3. AHUAHUAHUAHUAHUAHH!! Não é vingança não. Como você diz, não existe sistema à prova de imbecis.

      E você deixa claro que tem que haver uma seleção, não é só chgar, pedir e levar uma arma.

      Mas assusta mesmo. A idiotice humana parecesem limites.

      Podia até ser uma nova seção do seu blog, o “Não Pensar Dói”!

    4. Não dá… na real o blog inteiro é sobre isso. 😛 Só me falta agora atualizar meu modo de escrever para parecer menos messiânico e mais divertido.

      Não tens idéia de quantas vezes eu já pensei em substituir o sub-título “Em busca de vida inteligente na Terra” por “Um blog sobre a estupidez humana”. Só não fiz isso porque ia atrair trolls.

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