Quando eu digo que o mundo está cheio de imbecis, tem gente que me critica por ser “elitista e arrogante”. Arrã. Quando um professor chama a polícia para conter um fedelho de oito anos, a polícia atende ao chamado, o policial usa spray de pimenta contra a criança, os superiores do policial ao invés de punir o policial sem noção justificam sua ação devido à agressividade do garoto e um canal de TV questiona se o uso do spray de pimenta foi justificado… é porque são todos um bando de imbecis, não há outra explicação.

A coisa aconteceu naquele país de malucos de onde se pode esperar todo tipo de absurdo, é claro. Mas, levando em consideração que vi muitos debilóides daqui dando razão ao policial, não pude me furtar de comentar o assunto.

Polícia americana usa spray de pimenta contra menino de 8 anos

Para mãe, filho foi tratado como criminoso comum.
Polícia justificou ação alegando que alguém poderia se machucar.

No entanto a mãe do menino, Mandy Elliott, destacou que seu filho foi tratado como um criminoso comum. “Eu tenho certeza de que o que ele estava fazendo não era certo, mas ele tem 8 anos”, disse a mulher.

“Nossos agentes tiveram que fazer algo para acalmar a situação antes que alguém se machucasse”, disse Steve Davis, do departamento de polícia de Lakewood.

Do G1, em São Paulo

Um policial usou spray de pimenta contra o menino americano Aidan Elliott, de oito anos, porque a criança estaria perturbando a aula em uma escola em Lakewood, no estado do Colorado (EUA).

Policial usou spray de pimenta contra menino de oito anos.  (Foto: ABC News/AP)Policial usou spray de pimenta contra menino de oito anos. (Foto: ABC News/AP)

A polícia do Colorado justificou a ação do agente alegando que o comportamento do menino era agressivo. O adolescente subiu em móveis da sala de aula enquanto segurava um pau.

Só para não perder o foco, vou fazer de conta que não vi chamarem uma criança de oito anos de adolescente.

Vamos pensar um pouquinho a respeito deste episódio?

Em primeiro lugar, chamar a polícia já foi uma estupidez.

Se um professor não consegue conter um garoto de oito anos com um pedaço de pau na mão, ele tem que ser demitido por completa incompetência e incapacidade de exercer o cargo. O que esse profissional faria se o garoto tivesse levado um canivete para a aula? Pediria para o atendente do 911 o telefone da Counter Terrorist Unit?

Em segundo lugar, a polícia atender esse chamado foi outra estupidez.

Se fosse eu o atendente do 911, diria o seguinte:

“O quê? A senhora está solicitando força policial para conter um garoto de oito anos com um pedaço de pau na mão? Lamento, senhora, todas as nossas unidades estão ocupadas. Uma viatura foi despachada para tirar um gatinho de cima de uma árvore, outra foi despachada para atender uma ocorrência de furto de pirulito numa creche e outra foi despachada para socorrer uma mãe que levou uma mordida no seio de seu bebê de seis meses. Assim que tivermos uma viatura disponível, entraremos em contato.”

Em terceiro lugar, usar spray de pimenta num fedelho de oito anos deveria ser punido com (pelotão de fuzilamento) uma grave sanção disciplinar ou até mesmo a abertura de um processo de exoneração, tamanha é a estupidez do ato. NADA justifica uma imbecilidade deste porte, a não ser talvez se o garoto estivesse com uma .40 carregada em mãos… e olhe lá…

Se tivesse um pingo de miolo, esse policial teria engrossado a voz e dito: “Garoto! Largue já esse pedaço de pau! Desça da mesa e venha comigo à sala do Diretor!” Aposto que teria 99% de chance de ser obedecido no ato. Se não fosse, bastava ir lá, “desarmar” o garoto, pegá-lo pelo pulso e levá-lo à sala do diretor.

Em quarto lugar, justificar a ação desse policial é ato ridículo de corporativismo, porque ele deveria ser punido pelo abuso.

Passar a mão por cima de um piripaque de um fedelho ninguém aceita, mas de um abuso absurdo de um policial ninguém questiona. Por essas e outras que as polícias são tão “confiáveis”. O que esses policiais usariam para resolver uma pequena discussão entre vizinhos? Um lança-mísseis?

Em quinto lugar, ao contrário do que alguns estão dizendo, no meu modo de ver aquilo que a mãe do garoto disse não foi uma justificativa para o erro do garoto, acho que o que ela estava criticando foi o abuso do policial.

“O garoto só tem oito anos”, logo não é necessário uso de spray de pimenta.

Querem saber?

Spray de pimenta precisa levar na cara quem acha que foi razoável qualquer um dos atos desta seqüência tragicômica de imbecilidades, pra ver se entende o absurdo que foi cometido contra uma inofensiva criança de oito anos “armada” com um simples pedaço de pau.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 17/04/2011

10 thoughts on “Polícia usa spray de pimenta contra menino de 8 anos

  1. Eduardo Marques

    18/04/2011 — 13:17

    Já fizeram algo assim antes nos EUA, mas foi com uma menina negra. Algemaram-na. Esses policiais americanos são muitos seguros de si mesmo, não?

    1. Sim, eu me lembro deste caso. A menina estava fazendo birra, chamaram a polícia, a polícia veio e algemou a menina. Uma vergonha de proporções épicas.

      O pior é que este tipo de abuso parece ficar cada vez mais comum por lá. Recentemente houve um episódio de revista de uma menina de seis anos. Acho que estavam procurando uma metralhadora e um lança-granadas dentro da roupinha dela, ou algo assim.

      E os desarmamentistas querem que o cidadão honesto confie sua segurança a terceiros com esse tipo de treinamento…

  2. Joaquimde Campos Salles

    18/04/2011 — 13:34

    “Se um professor não consegue conter um garoto de oito anos com um pedaço de pau na mão, ele tem que ser demitido por completa incompetência e incapacidade de exercer o cargo. O que esse profissional faria se o garoto tivesse levado um canivete para a aula? Pediria para o atendente do 911 o telefone da Counter Terrorist Unit?”

    Sim, aqui em São Paulo o professor “tem” que fazer isso, chamar a policia e não usar arma alguma; pois se não serão processados pelo pais da criança, com o aplauso da omissa Prefeitura de São Paulo. É “proibido” ao professor se defender de agressão física ou socorrer crianças. Vários casos semelhantes já foram parar na justiça com o apoio da Prefeitura ao agressor ( com faca e tudo) E viva aos nossos políticos, com a desculpa de inclusão, criarem uma comunidade de excluídos sociais.

    A criança é sempre considerada “tadinha” pela prefeitura e nem berrar devemos…. ( 🙁 )

    Outra coisa, um professor que tentar socorrer uma criança ferida também será processada com o apoio da prefeitura. E isso esta acontecendo em São Paulo.O Professor não pode dar primeiro socorros!. Tem que chamar o SAMU e Policia e fim! Se a criança morrer por falta de primeiro socorros , paciência! Se o professor socorrer, fizer uma procedimento de socorro, sera processado e afastado.

    1. Ninguém pode ser proibido de se defender. E omissão de socorro é crime. Se a prefeitura de São Paulo age contra a lei, é caso de o sindicato dos professores estudar uma possível ação de impeachment contra o prefeito para colocar ordem na casa.

  3. Joaquim de Campos Salles

    18/04/2011 — 13:35

    P.S.

    Quando falo “arma” pelo professor quero dizer: desarmar, se defender contra o canivete ou algo semelhante.

    1. No meu estágio curricular obrigatório eu dei aula para uma turma do terceiro ano do Ensino Médio noturno. Se eu fosse revistado ao entrar na escola, jamais teriam me deixado dar uma única aula. 🙂

      Sabe o que eu acho (uma graça) tragicômico? Que os professores e professoras se sujeitem a esse tipo de abuso. Como é que uma pessoa que se pretende “educador” baixa a cabeça e dá o mau exemplo de submissão contra abusos do Estado?

      Três vezes na minha vida eu procurei uma vaga para lecionar, em três escolas diferentes.

      A primeira escola me negou a vaga por discriminação sexual, alegando que estavam em busca de uma professora e não de um professor. (Sendo que passei por mais duas vezes pelo mesno tipo de discriminação, uma vez em uma seleção para laboratorista em um hospital e outra vez em uma seleção para coordenar um laboratório de ecologia numa pós-graduação no interior do estado.)

      A segunda escola ofereceu um salário aviltante e eu mandei o diretor enfiar a vaga na orelha.

      E a terceira escola revistava os professores na entrada e na saída, mas não os alunos. Falei que aquilo era ridículo e ofensivo, que nessas condições eles não teriam meus serviços, levantei no meio da entrevista e fui embora.

      Pois não é que o vigilante queria me revistar na saída da escola, porque se eu tinha entrado para entrevista para a vaga de professor eu deveria passar pelos mesmos procedimentos que todos os professores? (!!!)

      Eu disse pro vigilante que ele fosse revistar o crânio de quem tinha inventado aquela estupidez e que abrisse logo a porta antes que eu chamasse a polícia e desse queixa contra ele e contra a diretora da escola por cárcere privado. Ele titubeou, eu peguei o celular e liguei 190. Antes que a polícia atendesse a chamada, ele abriu a porta. Eu saí e ele ficou lá resmungando impropérios.

      Quem pretende atuar como educador não pode sob hipótese alguma dar qualquer mau exemplo a seus alunos. Entre dar aulas constrangido, humilhado ou de qualquer forma limitado e lavar privadas ou pedir esmolas, podes ter certeza que eu visto um hábito cor de açafrão, arranjo uma tigela de monge mendicante e saio por aí a pregar o desapego às coisas materiais.

  4. Joaquim de Campos Salles

    18/04/2011 — 17:01

    “Ninguém pode ser proibido de se defender. E omissão de socorro é crime. Se a prefeitura de São Paulo age contra a lei, é caso de o sindicato dos professores estudar…”

    Concordo com sua colocação, porem a ideologia vigente, a crença ensinada nos cursos de pedagogia, a linha “vaquinha de presépio”, misturada com as crenças batistas/evangélicas copiada de fora, está a muitos anos criando essa cultura absurda. Dizer “aih, tadinho” e não fazer nada é a regra Criar de fato excluídos sociais, pessoas sem capacitação, isso pode. Criar pessoas habilitadas, capacitadas e questionadoras isso só é permitido nas escolas particulares. A escola publica ( tirando as universidades e escolas técnicas) é uma mera creche de luxo, com o apoio da sociedade que vota. Professores e bedeis são meras babás.

    Agora escolas gratuitas, como a Fundação Bradesco por exemplo, são odiadas e massacradas verbalmente pelos ideologos que estão no poder da educação publica. Não importa para eles que alunos que saem dessas escolas sejam capacitados; o que importa é que não seguiram a crença oficial . Ridículo essa situação…

    1. Sim, a cúpula dos sindicatos quase sempre é diretamente vinculada aos partidos políticos que propagam a ideologia do coitadismo estudantil e deixam desprotegidos os profissionais da educação. Porém, como a maioria gosta do discurso de “primeiro temos que ganhar melhor para depois produzir melhor”, continuam sendo eleitos. Por que achas que abandonei o magistério?

      Achas que uma proposta destas http://arthur.bio.br/2009/10/28/educacao/como-qualificar-o-ensino-publico teria chance de ser aprovada por mais de 5% da categoria? Nem a pau, Juvenal.

  5. Pergunta capciosa: a discriminação sexual q vc “sofreu” ao procurar vaga de professor é contra homens ou contra mulheres? Procurar mulheres para serem professoras ñ é sinal de que achem que elas são mais inteligentes.

    “Women are directly fitted for acting as the nurses and teachers of our early childhood by the fact that they are themselves childish, frivolous and short-sighted; in a word, they are big children all their life long–a kind of intermediate stage between the child and the full-grown man, who is man in the strict sense of the word. See how a girl will fondle a child for days together, dance with it and sing to it; and then think what a man, with the best will in the world, could do if he were put in her place.” (Schopenhauer)

    http://en.wikisource.org/wiki/Of_Women

    1. Se eu perdi a vaga para uma mulher, pelo simples fato de eu ser homem e ela ser mulher, então a discriminação sexual foi contra um homem, pouco importa a razão subjetiva de quem cometeu a discriminação.

      Além do mais, nenhuma das escolas era uma creche, pré-escola ou escola de ensino fundamental incompleto, onde de fato “women are directly fitted for acting as the nurses and teachers of our early childhood”, embora não pelos motivos que Schopenhauer cita e sim pela afinidade natural da fêmea com o filhote de tenra idade, uma obviedade para quem tem formação em ciências biológicas e uma intolerável discriminação sexual machista do patriarcado falocêntrico opressor histórico para quem tem formação em certas “ciências” humanas.

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