Já que todo mundo está comentando a coisa pelo lado de “bandidos X cidadãos honestos”, ou “bangue-bangue no trânsito”, trago aqui um lembrete: nem de longe esta questão é a mais perigosa ou dramática no que diz respeito ao desarmamento.

O Brasil passou recentemente (em 1964 e mais gravemente em 1969 com o AI-5) por um golpe de Estado que subverteu a ordem legal, aniquilou as instituições, destruiu a cultura democrática, perseguiu, torturou e matou gente inocente pelo “crime” de escrever artigos criticando o governo e pelo “crime” de querer a volta da normalidade legal, jurídica e institucional.

P: Isso aconteceria na Suíça?

R: Nem que todas as vaquinhas da Nestlé tussissem.

Um povo desarmado, além da obviedade de se tornar presa fácil para os criminosos (tanto os que têm o crime por única profissão quanto aqueles que recebem um salário do Estado e mesmo assim cometem crimes), é presa fácil para o próprio Estado onde vive.

A história está cheia de exemplos de golpes de Estado e da implantação de regimes tirânicos, invariavelmente contra povos que não posuem a menor possibilidade de se defender. Em muitos casos, o governo – inicialmente legítimo – de um país promoveu o desarmamento dos cidadãos e logo em seguida usurpou o poder e não raro cometeu chacinas contra a população indefesa.

Em 1929, a União Soviética desarmou a população ordeira. De 1929 a 1953, cerca de 20 milhões de dissidentes, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Em 1911, a Turquia desarmou a população ordeira. De 1915 a 1917, um milhão e meio de armênios, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Em 1938, a Alemanha desarmou a população ordeira. De 1939 a 1945, 13 milhões de judeus e outros “não arianos”, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Em 1935, a China desarmou a população ordeira. De 1948 a 1952, 20 milhões de dissidentes políticos, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Em 1964, a Guatemala desarmou a população ordeira. De 1964 a 1981, 100.000 índios maias, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Em 1970, Uganda desarmou a população ordeira. De 1971 a 1979, 300.000 cristãos, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Em 1956, o Camboja desarmou a população ordeira. De 1975 a 1977, um milhão de pessoas “instruídas”, impossibilitados de se defenderem, foram caçados e exterminados.

Pessoas indefesas caçadas e exterminadas nos países acima, no século XX, após o desarmamento da população ordeira, sem que pudessem se defender: 56 milhões.

Fonte: Homem Sonhador.

Este é o ponto em que eu costumo ouvir comentários sobre “teoria da conspiração” e “terrorismo psicológico”, os quais, evidentemente, são completamente desprovidos de razão: nada permite nem ninguém pode prever o que acontecerá na política brasileira e mundial sequer nos próximos dois anos, muito menos nas próximas duas décadas.

A imprevisibilidade da política é justamente o que deve nos levar a adotar uma atitude cautelosa, mantendo a população honesta fortemente armada, lembrando que não é impossível, em um mundo onde ainda se matam mulheres estupradas pelo crime de adultério, onde arrancam-se partes dos corpos de crianças de ambos os sexos por razões religiosas e onde se faz uma perigosíssima experiência alterando de modo incauto o clima do único planeta que todos temos para sobreviver, que haja novos golpes de Estado tanto no Brasil quanto em qualquer outro país do mundo.

Mais do que uma obscura possibilidade hipotética, a história recente do Brasil e do mundo mostra que é um risco real que sejamos submetidos a um regime tirânico e que não possamos nos defender porque sonhadores metidos a politicamente corretos trataram de eliminar qualquer possibilidade de resistência popular e garantir o monopólio da violência a grupos que na história recente do país já promoveram rupturas institucionais, torturas, mortes e desaparecimentos contra cidadãos inocentes que apenas desejavam não serem submetidos à opressão e à tirania.

Às armas, cidadãos!

Mais cedo do que pensamos, nossas vidas poderão depender de nossa capacidade de reagir a um golpe engendrado pelos que hoje tentam nos tornar vulneráveis e indefesos.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 20/04/2011

51 thoughts on “Às armas, cidadãos!

    1. Obrigado por trazer essa noticia Gerson. Afinal se a segurança é falha e estamos a merce de marginais, pelo menos temos que ter o direito de nos defendermos, já que a situação esta fora de controle, é como jogar as ovelhas para os leões. Por mim liberava ate na rua pois os marginais vão agora focar em ataques a quem não estiver dentro de casa. É revoltante ver a burocracia para uma questão de suma importancia e urgente como essa.

    2. O país que vê o cidadão honesto com desconfiança é um país dominado por criminosos.

  1. Meio old más

    O mais novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, disse em entrevista ao G1 que não deve ser feita nova consulta popular sobre desarmamento em razão da tragédia de Realengo, no Rio de Janeiro. Defensor do desarmamento, ele avalia que o “povo votou errado” ao manter, no referendo de 2005, o comércio de armas de fogo.

    Para Fux, que assumiu o posto de ministro do STF em março por INDIindicação da presidente Dilma Rousseff, o desarmamento é “fundamental”, mas, para isso, não é necessário plebiscito e sim aplicar a lei e se estabelecer uma política pública de recolhimento de armas.

    “Não [se] entra na casa das pessoas para ver se tem dengue? Tem que ter uma maneira de entrar na casa das pessoas para desarmar a população”, afirmou nesta quinta (14) ao G1.

    http://g1.globo.com/politica/noticia/2011/04/novo-plebiscito-sobre-armas-e-desnecessario-diz-luiz-fux.html

    1. Eu não tinha visto essa sobre entrar na casa das pessoas. A perversão da petralhada é monumental. Eu acho ótimo que um técnico da saúde pública entre na minha casa para procurar focos de dengue e me orientar para evitar a disseminação da doença. Mas eu não quero um jagunço oficial invadindo a minha casa para confiscar meus instrumentos de defesa contra a bandidagem.

  2. Saiu o livro da violência e as armas
    tradução

    hungout
    https://www.youtube.com/watch?v=zrRvGXEaCes

  3. Arthur
    belo hungout

  4. Lembrei de um trecho do Hino Nacional de Portugal, um dos hinos mais bonitos que conheço:

    “Às armas, às armas!
    Sobre a terra, sobre o mar.
    Às armas, às armas!
    Pela Pátria lutar.
    Contra os canhões marchar, marchar!”

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