Acabo de passar por uma grande decepção pessoal: alguém de minhas relações pessoais roubou minha máquina fotográfica, do porta-luvas do meu carro, quando eu lhe dei uma carona. Como é que alguém pode chegar ao cúmulo da baixeza de roubar um amigo?

O que me deixa pasmo é que esse foi apenas um entre diversos outros episódios decepcionantes do mesmo tipo.

Emprestei R$ 500,00 para alguém, supostamente minha amiga, viajar com urgência para não perder o enterro do irmão. O enterro foi há três anos, ela falou diversas vezes em pagar a dívida nos dois anos seguintes, nunca me devolveu um centavo e agora parou de falar no assunto.

Fechei um negócio com alguém, supostamente meu amigo, que ficou de me vender um barco que precisava de um conserto prévio. Em agosto de 2010 ele disse que o barco estaria reformado e a minha disposição em mais ou menos um mês, eu fiquei esperando e ele ficou dizendo que não estava encontrando quem fizesse o conserto, até que em maio de 2011 ele me informou que não me venderia mais o barco porque havia fechado outro negócio com outra pessoa sem sequer me consultar nem avisar antes.

Isso entre outros quatro ou cinco exemplos que eu não vou citar aqui porque se trata de pessoas com as quais eu ainda preciso conviver por algum tempo.

Muito mais do que a máquina fotográfica, os R$ 500,00 ou o barco, eu prezava a amizade destas pessoas. Muito mais do que uma mercadoria paga antecipadamente e entregue com um ano de atraso, que uma viagem cancelada depois que eu havia comprado as passagens, que um dinheiro perdido por puro descaso, que críticas descabidas feitas só pelo prazer de incomodar ou que um jantar combinado e descumprido, o que me incomodou em cada um destes episódios foi a postura das pessoas após o ocorrido.

O que está acontecendo, afinal, que as pessoas simplesmente não vêem problema algum em dar sua palavra e não cumprir, em pedir dinheiro emprestado e não devolver, em destruir o que custou caro a um amigo e não ressarcir e até mesmo em roubar descaradamente como se isso fosse justo e ainda por cima ofender-se com a crítica quando cobradas por suas atitudes?

Quando alguém diz que “está em marcha uma terrível degradação moral da sociedade”, não demora mais que um segundo para surgir outro alguém que cospe chavões como “não se pode impor um código moral a ninguém”.

O problema é que, se “cada um é livre para agir como quer, quem não gostar que se afaste”, e se toda traição a um código de conduta ético é vista como “direito de cada um, problema de quem se expõe”, então que tipo de relacionamento é viável estabelecer na sociedade de hoje?

Estamos condenados a tratar cada amizade como se fosse mera cumplicidade entre safados e ladrões, sob pena de levar facadas nas costas e ainda passar por ingênuos e otários?

É esse o tão propalado “mundo diferente” que “é possível construir”?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 20/05/2011

3 thoughts on “Afinal, o que há de errado com as pessoas?

  1. É aquela história, né, ‘não faça com os outros aquilo que você não quer que seja feito com você’, complementada pela ‘faça com os outros o que quer que seja feito com você’. Se as pessoas usassem essas duas regrinhas mais amiúde, um montão de problemas continuariam ali, no cantinho deles, sem perturbar a vida da gente…

  2. Está cada vez mais difícil confiar nas pessoas, não dá pra saber de que lado vem a facada. Até mesmo com aquelas que escolhemos pra estar do nosso lado ‘pra sempre’ temos que ficar sempre de olho aberto. Traição hoje é comum (e não digo só traição sexual, mas a traição da confiança).

    “Quando alguém diz que “está em marcha uma terrível degradação moral da sociedade”, não demora mais que um segundo para surgir outro alguém que cospe chavões como “não se pode impor um código moral a ninguém”.”

    Sempre aparece um.

  3. http://www.youtube.com/watch?v=O9loB_fDrM0&feature=player_embedded

    Daqui a pouco o furto não vai ser passivel de pena mais e milhões de bandidos estarão soltos, esse pais vai beirar o caos, eu realmente tenho que continuar tentando me mudar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *