A repressão violenta contra uma manifestação pacífica e ordeira que busca a alteração de uma lei deixou claro que o babebibobu já domina o Estado brasileiro e está ficando cada vez mais forte. O problema é que hoje em dia ninguém mais conhece nem se interessa em conhecer o babebibobu, que no entanto é o pior inimigo da liberdade, da fraternidade, da igualdade e dos direitos fundamentais da pessoa humana.

O babebibobu é uma doutrina totalitária originalmente desenvolvida na Itália a partir de 1919. Seu símbolo original era um machado cujo cabo era rodeado de varas, simbolizando o poder do Estado e a unidade do povo. A milícia organizada pelo babebibobu original tornou os babebibouistas conhecidos pela expressão “camisas negras”, em virtude do uniforme que utilizavam.

Hoje em dia os babebibobuistas adotam uma estratégia mais discreta e utilizam como símbolo estrelas vermelhas e pássaros azuis de bico longo, fingindo compor agremiações políticas rivais para melhor poder enganar o povo, que paulatinamente fica sem alternativas ao babebibobu. A milícia organizada do atual babebibobu já foi institucionalizada, mostrando o quanto está avançada a dominação do Estado brasileiro pelo babebibobu, e substituiu as camisas negras por togas negras ou por camisas marrons com coturnos negros, conforme o estilo de injustiça e opressão praticado.

O babebibobu está ficando cada vez mais forte no Brasil, do mesmo modo como se fortaleceu na Itália, na Alemanha, na Espanha e em Portugal antes de se tornar hegemônico, cassar o direito à oposição e exigir a força das armas para que o povo pudesse ser libertado do domínio babebibobuista. Não por acaso, o babebibobu brasileiro, que ao contrário do povo aprendeu com a história, hoje em dia adota as estratégias de ridicularizar a oposição e de desarmar a população.

O discurso do babebibobu em geral começa dizendo coisas que o povo quer ouvir e que são aparentemente razoáveis: que está ao lado do povo, que vai moralizar a política e o país, que é necessário endurecer as leis para garantir a segurança e que o bem comum é mais importante que as reivindicações de uns poucos.

O passo seguinte do babebibobu normalmente é identificar um “inimigo” impossível de vencer mas que possa ser permanentemente combatido, atribuindo a maioria das mazelas sociais a este “inimigo” e apresentando algum líder ou organização como “salvadores”… que sempre precisam mais e mais poderes para combater o “inimigo”, apropriando-se gradativamente não somente destes poderes como – de fato e de modo muito mais importante – da legitimidade para o exercício do poder.

O resultado da ampliação dos poderes do babebibobu, caso sua legitimidade não seja contestada a tempo, é a cristalização do sistema político em um Estado aparelhado e autoritário, no qual toda demanda individual ou minoritária é sufocada sempre que desinteressante para o grupo que está no poder. Em conjunto com uma mídia cooptada ou francamente babebibobuista, o aparelhamento do Estado pelo babebibobu pode se infiltrar em níveis tão profundos que mesmo uma aparente “renovação política” é insuficiente para desbabebibobuizar o Estado.

Mesmo assim, não adianta avisar, pois ninguém dá bola.

Os três esportes nacionais que o povão prefere mesmo são futebol, novela e xingar os políticos, continuando entretanto a dar legitimidade à babebibobuização do Estado em troco de algumas migalhas de bolsa-esmola e de um pouco de rasgação de seda entre os inocentes úteis pró-babebibobu.

Cultivam o babebibobu e reclamam quando se fafefifofu.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 23/05/2011

31 thoughts on “Cuidado, o babebibobu vem vindo!

  1. Manga-Larga

    23/05/2011 — 18:00

    Dá nome aos bois, o nome do veneno é facismo e a sociedade, por medo, raiva e ignorância, apoia esse absurdo.

    1. E adianta usar o nome certo se ninguém se dá conta do perigo que estamos correndo, e caso se dê conta não se importa porque diz que não pode fazer nada?

      Não é que o povo apóie o fascismo… o problema não é nem que poucas pessoas sejam sequer capazes de entender o que significa e os riscos que representa… o problema é que a maioria é incapaz de ligar o nome do bicho à cara do bicho.

    2. Manga-Larga

      24/05/2011 — 15:07

      In short, virou moda o cara achar que descer o pau todo mundo é a solução pros nossos problemas. Gente esclarecida e gente medíocre, todos unidos na sabedoria popular.

    3. Manga-Larga

      24/05/2011 — 17:17

      Aqui neste artigo eles chamam de “DiogoMainardização da mídia”. Please ignore o blog, eu cai nele buscando por marcha da maconha, nao sou chegado a blogs comunistas.

      http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=6&id_noticia=154890

    4. Pois é, a impressão que dá é que porrete é livro didático. Mas creio que ficarias desolado ao ouvir as propostas dos “politicamente corretos” para corrigir isso. São ainda mais intolerantes, opressivos, repressivos e truculentos, com o problema adicional de (acharem que) terem certeza de que são libertários e vanguardistas.

      Estamos entre o fogo e a frigideira.

    5. Sobre o texto, eu não concordo com o Marcelo Rubens Paiva. Acho que ele está confundindo “direito” com “bom gosto”. Por exemplo, quase tudo o que o Diogo Mainardi, o Reinaldo Azevedo, o Olavo de Carvalho e o Jair Bolsonaro dizem, na minha opinião, é lixo. Entretanto, eu não tenho a menor intenção de fazer calar qualquer um destes (babacas) cidadãos, eles que vomitem as asneiras que bem entenderem. Só lamento que haja outros (babacas) cidadãos que leiam e dêem importância ao que eles dizem, mas “gosto é gosto”, dizia um maluco lambendo sabão.

      Não confundir, porém, liberdade de expressão com liberdade de violar a dignidade alheia.

  2. Cara, eu simplesmente não entendi os motivos que levaram a PM de São Paulo agir daquele jeito… truculência pura!

    Escrevi sobre o tema no meu blog e no Bule Voador, estava tão enojado com a questão que o texto fluiu muito facilmente…

    1. Ah, eu entendi muito bem os motivos.

      Olha os slogans que o pessoal da marcha cantou: http://www.youtube.com/watch?v=fCfxshW2OME&feature=player_embedded

      “Ei, polícia! Maconha é uma delícia!”

      “Polícia sem-vergonha! Seu filho também fuma maconha!”

      “Legalize já! Uma erva natural não pode te prejudicar!”

      Se está ou não está certo o modo como a polícia agiu são outros quinhentos, mas os motivos pelos quais agiu deste modo são claros e compreensíveis.

      Aliás, vou escrever um artigo sobre isso. 🙂

    2. Manga-Larga

      25/05/2011 — 15:35

      Arthur, estes mesmos cantos foram entoados em outras cidades do país, ou ali em Buenos Aires (com a diferença que lá foram milhares a mais, que não paravam de fumar), sem no entanto provocar o ataque da polícia.

    3. Provocar eles provocaram, só que as outras polícias não reagiram.

    4. Manga-Larga

      25/05/2011 — 18:55

      Pois então cara! No Canadá os manifestantes jogam baforadas de maconha na cara da polícia. Não dá pra justificar a agressão policial com isso.

      PS: A Marcha da Maconha, por ser um evento organizado por vários coletivos, depende dos indivíduos para ações mais cerebrais. Ao mesmo tempo que eles te escutam, vc precisa botar a mão na massa para começar a ganhar atenção. Se você chegar com a fórmula mágica da abordagem perfeita e não começar a implementa-la vc mesmo, não será seguido. É +- isso, um cada um por si, não existe uma entidade por trás do movimento, muito pouca coesão.

    5. Não dá pra justificar, mas dá pra prever que isso poderia acontecer. Fala sério, gente encapuzada xingando a polícia e ninguém achou que a polícia ia baixar o porrete? 😛

      Sobre o PS: eu dei uma longa entrevista na marcha de 2009 e combinei com o pessoal fariam uma cópia para mim e que nos reuniríamos para planejar a marcha de 2010, mas nunca mais fizeram contato. Tenho só um carinha daquela turma adicionado no Orkut, mas não falei mais com ele.

      O problema é que é totalmente diferente organizar uma marcha mal divulgada com menos de 100 pessoas (Poa 2009) e uma marcha bem divulgada com mais de 1000 pessoas (SP 2011). Parece que ninguém se deu conta que a quantidade de pessoas implica a necessidade de uma organização de qualidade diferente. Mas eu vou tentar escrever algo a respeito de organização de manifestações deste tipo para ajudar.

    6. Manga-Larga

      26/05/2011 — 19:16

      Só é previsível porque isso aqui não é uma democracia desenvolvida. Na europa tem manifestação até de pedófilos, sem que ninguém proíba ou dê porrada. Como te disse, no canadá nego joga baforada na cara da polícia. Nossa democracia é uma piada e só por isso a porrada era previsível. E não devemos nos orgulhar disso, ou muito menos aceitar que isso seja assim para sempre. Por isso a Marcha (que aliás, não é invenção nossa, mundialmente acontece nesses moldes), faz questão de chocar… E vamos combinar que dá certo, mesmo tomando porrada a discussão está mais ativa do que nunca… Porém esse caráter de festa, é da Marcha mesmo, e é assim em todo lugar.

      PS: Parece que esse ano deu quase 1000 em PoA. Se vc quiser te dou contato do pessoal do Princípio Ativo, coletivo que organiza a Marcha ai.

      PS2: Toda manifestação diferente do que se faz na Marcha deve ser sugerida, tem coletivos sedentos por ações nos outros meses do ano… Em SP tem a galera do Ghandia, que se reúne pra fumar orégano (e sim, são sempre proibidos de fumar seu orégano).

    7. Mas que era previsível, era. 🙂

      Eu seguia o Princípio Ativo no Twitter, mas nunca mais vi um tweet deles, acho que dei unfollow porque o perfil me pareceu abandonado. (De vez em quando eu revejo os perfis que sigo e se encontro um que não tuíta há mais de dois meses eu removo da lista.)

      Quero só ver o que vão dizer do que eu pretendo escrever sobre a organização desse tipo de manifestação…

  3. Arthur, sabemos que tanto a ideologia dominante como a coerção legitimada são ferramentas para a dominação babebibouísta. Então como insurgir o povo contra um inimigo que ele não enxerga, que exerce seu poder pelos meandros de uma instituição cujas engrenagens são ocultas e que se apresenta, em sua face à mostra, como a voz do próprio povo?

    A ideologia democrática foi a grande recente conquista política dos brasileiros e substituí-la está fora de questão no imaginário coletivo, até porque, nada parece atualmente capaz de substituí-la. Como então restaurá-la sem se destrinchar a própria instituição, já que nada mudará apenas com a troca de seus membros? Não seria lícito dizer ainda que o poder é exercido justamente pelos que não são conhecidos pelo povo, mas pelos que já o dominavam e que habilmente o manejaram à essa instituição de dominação ideológica?

    Pra piorar, uma vez tornado isso claro ao povo, como levá-lo à luta já que além de não ter mais unhas nem presas lhe foi tirado por garantia todo e qualquer instinto de arranhar e morder?

    1. Pô, Vine, daria para escrever um livro mais extenso que a Bíblia para responder estas perguntas. Agora não tenho como te responder adequadamente, mas prometo que em breve o farei.

  4. Entendo perfeitamente, Arthur. Não dá pra se responder essas perguntas seriamente, como eu sei que voce faz questão de fazer, nesse espaço. Mas é que são dúvidas muito profundas que me inquietam a alma [e que foram suscitadas por seu artigo] e que eu gostaria de perguntar especialmente pra voce. Muito obrigado pela atenção de sempre. Caso algum dos seus futuros artigos seja escolhido por voce para contemplar esse tema novamente ficarei imensamente feliz e agradecido. :]

    1. Manga-Larga

      27/05/2011 — 11:03

      A polícia fez exatamente como seu mestre gosta – espancou todo mundo. Igualzinho ao juiz que os ordenou.

    2. Eu já havia lido, Gerson. Uma vergonha, né?

      Como é que um sujeito assim continua exercendo o cargo de juiz?

  5. E essa agora, Arthur:

    Em reunião nesta quinta-feira, que definiu o trajeto e o deslocamento da Marcha da Liberdade [em repúdio a violencia na Marcha da Maconha], tanto a PM quanto a Polícia Civil deram ênfase ao entendimento que referências a substâncias entorpecentes serão interpretadas como apologia ao crime ou incitação ao uso.

    — Nenhuma referência dessas será permitida— afirmou a delegada Victória Guimarães, titular do 78.º DP.

    O major Marcos Félix, coordenador do 7.º Batalhão da PM, reforçou que nenhuma menção à droga será permitida.

    — Qualquer apologia fará com que adotemos as providências necessárias— disse o major.

    AGÊNCIA ESTADO

    Logo me veio a imagem de um tirano fazendo um gesto de cortar o pescoço.

    Primeiro calaram a galera na porrada. Agora vão calar pelo medo de levar mais porrada. Isso que o cara falou é uma franca ameaça, aos olhos de todos. Pode coisa mais babebibouista que isso?

    Viva a democracia brasileira.

    1. Errou o juiz praticando censura prévia, errou a PM obedecendo ordens ilegais, errarão a PM e a Polícia Civil se acharem que têm o direito de “proibir referências a substâncias entorpecentes”.

      Por acaso é “apologia” dizer que “foi um absurdo o que fizeram tentando impor censura prévia à Marcha da Maconha e reprimindo com violência uma manifestação pacífica”?

      Só imbecis pensam assim.

      Putz…

      O que não falta são imbecis com togas e cassetetes. 🙁

  6. Manga-Larga

    27/05/2011 — 18:16

    Vine, o detalhe que você pode ver nessa matéria, ainda sobre essa manifestação do major

    http://www.estadao.com.br/noticias/geral,policia-veta-citacao-de-maconha-em-nova-marcha-em-sp,724769,0.htm

    “Devem participar do ato grupos como movimento negro, mulheres que defendem a legalização do aborto e ciclistas que lutam por mais espaço no trânsito da metrópole.”

    Eu sei que o Arthur é contra o aborto, mas a favor da livre expressão e da boa e velha lógica. Se o aborto é um crime e fumar maconha também, porque o major não ameaçou também as mulheres de prisão por apologia ao aborto?

    1. Sim, eu sou contra o aborto, mas ninguém jamais vai me ver dizer que “a polícia tem mais é que baixar o pau nestas abortistas” ou que lutar pela descriminalização do aborto em outras situações que as já previstas (que eu considero mais do que suficientes para proteger vítimas e não irresponsáveis) teria que ser reprimido por ser apologia a crime.

      Por mais que eu discorde radicalmente do objetivo daquelas pessoas, insisto que o modo correto de combatê-lo é através de argumentos, não de censura ou de qualquer forma de repressão contra o debate de idéias.

      E, a propósito, o paralelo traçado é perfeitamente lógico e serve para mostrar que as atitudes do juiz e da polícia não foram coerentes.

    2. Claro que na ocasião eu tentei argumentar “a la Gandhi”, dizendo que destruir o patrimônio das empresas de transporte coletivo não era correto e que deveríamos nós mesmos nos deitar na frente dos ônibus.

      Como a resposta deles já foi mil vezes mais irracional, agressiva e ofensiva do que seria imaginável ou tolerável, eu completei com a parte de que não se perderia grande coisa…

      Tirei algumas risadas da platéia, mas teve quem subisse ao palco correndo para me agredir, havendo necessidade de intervenção da segurança da casa.

      Uma maravilha de manifestação de cidadania querer agredir quem acha errado destruir o patrimônio alheio, né?

  7. Manga-Larga

    27/05/2011 — 18:19

    Arthur, o Princípio Ativo é mais “ativo” (hehehe) antes e depois da época das marchas.

    – “Quero só ver o que vão dizer do que eu pretendo escrever sobre a organização desse tipo de manifestação…”

    Não sei o que vc vai escrever mas posso tentar adivinhar. Alguns ficarão putos e vão te trollar, alguns ficarão putos e dirão pra vc botar a mão na massa, alguns vão achar a idéia legal e ficar esperando vc colocá-la em prática…

    1. Provavelmente. O problema é que eu já ajudei a organizar algumas manifestações e descobri que em muitos casos o que menos importa aos organizadores é a organização. Ficam tão preocupados com o número de participantes e com a repercussão na imprensa que não se dão conta que estas coisas dependem de uma boa e séria organização com bastante antecedência, com planejamento logístico, com previsão dos principais problemas possíveis, com treinamento de voluntários para resolver cada um destes possíveis problemas, etc.

      Quando aconteceu a primeira manifestação “Fora Collor” em Porto Alegre, eu participei das reuniões para organizar o protesto. Tinha gente que queria jogar miguelitos para furar os pneus dos ônibus, então eu sugeri (num plenário da Assembléia Legislativa cheio de militantes da esquerda furiosa) que estas pessoas colocassem as próprias cabeças embaixo das rodas dos ônibus, porque assim os ônibus teriam maior chance de parar e se não parassem não se perderia grande coisa, só uns agitadores rasteiros que estão mais interessados em criar caos que produzir um protesto coerente e seguro. Tive que sair de lá escoltado pela polícia. 😛

      Protesto não é festa. A organização da Marcha da Maconha insiste no “caráter festivo da manifestação”. Dificilmente a minha experiência será aproveitada e as minhas sugestões acatadas…

    2. Manga-Larga

      30/05/2011 — 19:22

      Ahahhahaa… vc ser expulso por dizer essas coisas, isso sim era previsível!!!

      Talvez suas sugestões não sejam aproveitadas numa Marcha da Maconha, mas em outra ação. Os coletivos que militam nessa área não o fazem apenas via Marcha da Maconha, como já te disse.

      Eu, pelo menos, tô curioso!

  8. Manga-Larga

    27/05/2011 — 21:08

    Eu não sei se você vai acreditar, mas a justiça acabou de proibir a MARCHA DA LIBERDADE em São Paulo, que estava sendo organizada por representantes de vários setores da sociedade:

    http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5154090-EI8139,00-Justica+de+SP+proibe+Marcha+da+Liberdade+marcada+para+sabado.html

    1. Vi isso, mas a marcha saiu assim mesmo, apesar de “proibida”. Achei muito interessante, foi uma desobediência civil pacífica com supervisão policial, coisa de doido.

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