Favelização ideológica: o “mito do bom selvagem” virou o “mito do bom pobre”

Existe um determinado tipo de ideólogo cuja pregação é sempre direcionada a nivelar por baixo a sociedade, como se todo refinamento cultural fosse pecaminoso e como se a pobreza e as limitações que a acompanham fossem grandes virtudes populares que devem ser impostas a todo custo a todos os extratos sociais. Normalmente isso dura até o sujeito colocar uma boa grana no bolso, depois o que mais se ouve ao cobrar coerência é que “não é bem assim”.

Entre as muitas versões com que este discurso se apresenta, selecionei um exemplo emblemático: o episódio do metrô no bairro Higienópolis da cidade de São Paulo. Para quem não sabe desta história, o enredo é simples: Higienópolis é um bairro rico, a prefeitura inventou de fazer passar um metrô por ali, os moradores do bairro se mobilizaram contra o metrô e os adoradores do “mito do bom selvagem” repaginado para “mito do bom pobre” deram o piti totalitário de sempre, tentando deslegitimar as preocupações e demandas dos moradores do bairro através da ridicularização.

Se eu tivesse encontrado na blogosfera supostamente pró-cidadania o reconhecimento da legitimidade das demandas dos moradores de Higienópolis, seguido de uma análise criteriosa, ponderada e sóbria dos benefícios e dos problemas decorrentes da tal obra proposta para o bairro, eu não teria muito o que escrever sobre o assunto. Entretanto, uma “análise criteriosa, ponderada e sóbria” não passa nem perto do discurso destes ideólogos, pois eles partem do princípio que não é necessária uma avaliação racional e muito menos razoável dos pontos de vista de “madames” e “playboys”, que são abertamente tratados como inimigos e não como cidadãos com interesses legítimos no que diz respeito a estrutura da cidade e do bairro em que vivem.

A seqüência usual da “argumentação” é uma extensa adjetivação que começa com “elitista”, passa por “nojo de povo” e desemboca em “excludente”, irônica e contraditoriamente ignorando a cidadania do morador do bairro nobre.

Traçam então uma série de ataques emocionais aos “aristocratas”, “burgueses” e “segregacionistas”, alegando que “a elite” possui “sonhos de exclusividade” e de “controle social” que “contrariam os ideais democráticos” e via de regra terminam citando o nazismo e até mesmo a eugenia, não raro degenerando em ofensa pessoal contra qualquer um que discorde dos clichês batidíssimos sobre “cachorrinhos com planos de saúde melhores que os trabalhadores” e deboches contra os gostos de “gente que tem nojo de cheiro de povo”.

E, claro, o pacote ideológico completo traz junto odes e loas ao “patrimônio cultural” do funk proibidão, do churrasco na laje e da dignidade do trabalho.

Eu estou farto de ler tanta hipocrisia.

Noventa e nove por cento destes arautos da chinelagem se mudariam imediatamente para bairros nobres e passariam a morar em condomínios fechados com segurança privada se ganhassem uma Megasena. E cem por cento assinaria de bom grado um abaixo-assinado contra a construção de uma estação de metrô bem na frente de suas casas.

O pessoal que usa todo aquele vocabulário de ideólogo de botequim para comentar episódios como o de Higienópolis não quer beneficiar uma parcela da população facilitando seu transporte, nem está pensando nos benefícios estruturais que a obra trará para o sistema de transporte urbano. O que esse pessoal quer é apenas ter o prazer de ferrar quem tem mais dinheiro. E o motivo é pura dor-de-cotovelo, porque se pudesse também gostaria de morar em um bairro nobre, bonito e com a melhor segurança que o dinheiro pode comprar.

Se esse pessoal fosse sincero em seu discurso, estaria falando sobre os benefícios para a cidade em construir a tal estação de metrô, estaria ouvindo atentamente as demandas dos cidadãos que moram no tal bairro nobre e estariam negociando uma solução que trouxesse o maior benefício para todos. Ao invés disso, esse pessoal se limita a atacar a legitimidade das demandas dos cidadãos mais abastados, o que nega seu próprio discurso sobre cidadania.

Cidadania tem que ser pra todo mundo, não tem? Ou será que ser tratado como cidadão é um privilégio que só os pobres merecem?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 24/05/2011

12 thoughts on “Favelização ideológica: o “mito do bom selvagem” virou o “mito do bom pobre”

  1. Francisco Monteiro Kamisaka

    24/05/2011 — 19:17

    Arthur, sendo você uma pessoa que prima por uma análise criteriosa e sóbria, esse seu texto está quase na mesma linha dessa blogosfera supostamente pró-cidadania que você criticou. Que existe marxismo de boutique e um monte de alarmista travestido de revolucionário, disso não tenho dúvida. Mas aí você querer colocar todos os milicos no mesmo balaio é de uma generalização bem mesquinha e rasteira.

    O motivo do protesto em Higienópolis teve fundamento sim. Aliás, quem não apresentou argumento convincente foram as pessoas do bairro que assinaram contra a construção da estação. Alguns motivos alegados eram do tipo “mas essa estação Angélica vai ficar a 650 metros da Higienópolis-Mackenzie”. Poxa como se isso fosse um problema. Aqui na mesma cidade de São Paulo, no bairro da Vila Mariana, algumas estações do metrô como Paraíso, Ana Rosa e Vila Mariana estão a cerca de 1Km de distância uma da outra e essa distância pode ser percorrida a pé em 10 ou 15 minutos. Então por que toda essa implicância em ter duas estações próximas em Higienópolis?

    Outros levantaram a questão do impacto das obras no trânsito da região. De fato São Paulo sofre dessa fragilidade: qualquer fator como uma breve chuva de verão já promove o caos no trânsito. E as obras do metrô se estenderiam por meses afetando o trânsito como é de praxe em qualquer projeto de construção civil. Mas as melhorias para o público de maneira geral estariam ali depois da estação pronta então acho que o benefício a longo prazo acabaria sendo muito maior do que o transtorno da obra.

    Eu já estive na Alemanha e passei três dias em Hamburgo. Fiquei impressionado com a malha ferroviária e metroviária da cidade. Uma das coisas que mais se vê são estações próximas umas das outras dentro das muitas linhas que se ligam, o que proporciona uma locomoção bem ágil para todos que vivem nos limites da cidade. Para quem gosta de citar a Europa como modelo de infraestrutura a ser seguido, aí está um dado interessante. Todo o metrô que SP tem não chega a ser um ferrorama se comparado com o de Hamburgo.

    Duro é ver gente reclamando da proximidade das estações e utilizado esse “argumento” pra ironizar o projeto da estação Angélica. Isso numa cidade como SP seria um alívio, pois só a região metropolitana tem mais de 20 milhões de pessoas. Os benefícios da nova estação em Higienópolis são bem claros.

    Os 3500 moradores que votaram contra só votaram contra e ficou por isso mesmo. Estou até agora esperando que pelo 35 desses moradores me apresentem as razões de “porque não ter uma estação na Avenida Angélica”. Mas não. A despeito de todos os problemas no transporte da cidade, simplesmente não querem a nova estão porque não querem. E quando apresentam motivos, são bem rasteiros como aqueles do Reinaldo Azevedo em sua coluna da Veja.

    E a questão do preconceito de classe também se faz presente na opinião de quem não quer o metrô na Av. Angélica. Desafio que me provem o contrário. E também é fato que preconceito é uma via de duas (senão várias) mãos; é um sentimento bumerangue – vai e volta. Existe nas madames que não querem a presença da “gente diferenciada” e nos supostos esquerdistas, para os quais marxismo é a corrente que prega que todo pobre é gente fina e todo rico é picareta.

    Mas só denunciar os maus militantes e criticar os bairristas ainda não é fazer justiça pelas causas que realmente interessam. Generalizar todos como “arautos da chinelagem” parece picaretagem intelectual da sua parte.

    Abraço!

    1. Francisco, por favor, faz um pequeno exercício: lê novamente o título, o primeiro parágrafo e o último parágrafo do texto, pulando todo o resto.

      [Pausa para a leitura solicitada.]

      Percebes?

      Não estou generalizando indevidamente, estou criticando especificamente “um determinado tipo de ideólogo cuja pregação é sempre direcionada a nivelar por baixo a sociedade”.

      O pessoal que eu chamo de “arautos da chinelagem” e cuja hipocrisia eu denuncio são os caras que cometem esse absurdo culto ao mito do bom selvagem (repaginado para o culto ao mito do bom pobre).

      É gente que, se tivesse condições financeiras para isso, assumiria com naturalidade o discurso oposto, porque suas intenções não são verdadeiramente interessadas em promover o bem estar do povo – das pessoas – e sim em desopilar as próprias limitações.

      Usando uma metáfora futebolística, tão em moda na última década nefte paíf, essa gente não vibra com a vitória do próprio time no campeonato e sim com a derrota do time rival. São como aqueles caras que fretam um avião para passar uma hora sobrevoando a cidade com uma faixa onde está escrito “eles estão fora”. Uma imensa mediocridade.

      Quanto aos que apresentam argumentos e fundamentam suas opiniões, como fizeste, eu respeito a todos e dialogo com todos. (A menos, é claro, que estejam defendendo algo absolutamente indigno como a tortura ou o racismo, ou que apelem para a baixaria.)

      Ficou mais claro agora?

  2. Francisco Monteiro Kamisaka

    25/05/2011 — 17:09

    Olá, Arthur! Depois dessa explicação o seu posicionamento ficou mais claro pra mim. Enquanto eu postava meu comentário anterior, confesso que estava meio em dúvida se você se referia a “determinado tipo de ideólogo” como sendo praticamente todo mundo que estava na manifestação. Mas como não encontrei uma ressalva para os manifestantes sérios comentei para lembrar que eles estavam lá (e em grande número).

    Então, retiro minha afirmação sobre o que me pareceu uma “picaretagem intelectual” sua.

    E continuando sua metáfora futebolística, ainda tem o grupo dos que não estão nem torcendo pela vitória e nem trollando a desgraça alheia. Simplesmente querem participar da festa não importando o motivo. O que interessa para alguns penetras é entrar no clima do oba-oba só pra se sentir parte do que está acontecendo.

    1. Ceeeeerto! 🙂

      Não citei “manifestantes sérios” porque não estava comentando esta ou aquela manifestação e sim a postura específica de algumas pessoas. (Aliás, de que manifestação estás falando? Da manifestação do pessoal do bairro ou de alguma contra o que o pessoal do bairro fez?)

      E eu conheço este tipo de penetra, também… Acabam sendo prejudiciais para todo mundo com bastante freqüência, não importa de que lado estejamos, porque reduzem a credibilidade do debate inteiro. No popular, são trolls.

  3. Francisco Monteiro Kamisaka

    25/05/2011 — 17:55

    Me referia ao Churrascão da Gente Diferenciada que fizeram em Higienópolis.

    1. Santa Babaquice, né, Batman? 🙂 Dei muita risada quando vi o papo de “gente diferenciada”. O mundo cada dia mais fica tragicômico.

      (Mas mesmo assim são cidadãos. O fato de eu achar babaquice o sujeito se intitular “gente diferenciada” naquele contexto não implica que eu não respeite o direito deles de dizer bobagem nem de fazer suas reivindicações. O que eu gostaria é que os argumentos de lado a lado melhorassem o nível e se tornassem mais coerentes.)

  4. Francisco Monteiro Kamisaka

    25/05/2011 — 19:52

    Bom, eu já acho que “gente diferenciada” foi um bom jargão. A manifestação pretendia ser e foi pacífica, então se intitular diferenciado deu um toque de humor bem positivo na coisa toda, ainda mais se levarmos em conta que o termo surgiu em tom de preconceito. Nós convertemos uma depreciação numa espécie de “auto afirmação”. Claro que tudo isso foi na brincadeira, apesar de que sempre tem gente que participa, se diverte e ainda assim não entende porque brincou. Tudo bem, paciência.

    E concordo com você que o nível dos argumentos poderia ser melhor para os dois lados. Infelizmente muitos que se diziam do nosso lado descambaram pro preconceito tosco. Péssimo porque não deveria ser assim. E por outro lado é até bom porque nessas horas vemos quem é de verdade e quem está com outras intenções na cartola. Não sei você, mas eu prefiro lidar com o preconceito escancarado do que ficar observando o ovo da serpente sem saber que bicho vai sair daí.

    O importante é que no fim o churrasco foi até melhor do que o esperado. Nem sei o que foi mais engraçado na história toda. O estopim foi a declaração de uma moradora que não queria gente diferenciada circulando na região. Na História não existe “se”, mas tem horas que eu gosto de imaginar se essa declaração nunca tivesse vindo à tona, e se os moradores do contra tivessem mostrado argumento mais embasado ao invés da mera implicância de sempre.

    Eu até daria razão (pouca mas daria) se tivessem argumentado sobre a questão do metrô ser construído justo onde está um supermercado Pão de Açúcar, visto que é um dos únicos ali no pedaço. Mas não. A Argumentação Prime foi que haveria um “aumento natural do comércio ambulante e, pelo tamanho previsto da Estação Angélica, pode virar um camelódromo e degradar o entorno.” Ah é? Será mesmo que juntaria tanto ambulante assim? Esse é o tipo de afirmação que demonstra que certos paulistanos não conhecem a cidade em que vivem. Qualquer transeunte que seja um bom observador sabe que, pelo menos nas regiões mais nobres e nas intermediações dos metrôs, a fiscalização da prefeitura é bem contundente contra o comércio ambulante irregular. A não ser por um ou outro chinês vendendo yakissoba, as estações de metrô não são umas Mecas do camelô. E mesmo o chinês mais teimoso costuma se dar mal. Eu mesmo sou freguês de um que já foi autuado pela polícia 5 vezes. Acho que ele persiste pela necessidade e porque a paciência chinesa deve ser muito grande mesmo.

    Um outro ponto interessante é que outras associações de bairro não tem a mesma eficiência que essa Associação Defenda Higienópolis. Aliás, normalmente não conseguem nem exigir recapeamento do asfalto, melhoria nas calçadas, iluminação pública etc. Já os defensores de Higienópolis vetam o metrô desde o ano passado. Que diferenciação, né?

    1. Como são as coisas… eu achei péssimo o slogan “gente diferenciada”, mas acho perfeitamente razoável a argumentação quanto à degradação do entorno. Sabias que cada vez mais tem gente se mudando para condomínios justamente porque um espaço privado é muito mais protegido contra a “degradação do entorno” que um espaço público?

  5. Francisco Monteiro Kamisaka

    26/05/2011 — 16:49

    Sei bem dessa procura cada vez maior por condomínios fechados. Nos últimos 15 anos, meu bairro vem se tornando cada vez mais vertical e não simpatizo com essa mudança. Até aí é só uma preferência pessoal. Comprei meu imóvel em 2009 e fiz questão que fosse uma casa.

    Acho que se refugiar num condomínio fechado só permite que as pessoas não vejam a degradação do entorno nos limites dos próprios muros. Não sei exatamente o que você tem em mente com degradação do entorno, visto que isso não é um conceito. Cada um tem sua própria noção de degradação que pode ir desde a construção de um elevado no meio da avenida e/ou até uma maior circulação de pessoas que vem de diferentes regiões da cidade.

    No caso do metrô, além da óbvia melhoria na infraestrutura os imóveis ficam mais valorizados. Meu bairro mesmo ganhou três estações (Alto do Ipiranga, Sacomã e Tamanduateí) nos últimos 3 anos e isso só revitalizou as regiões próximas.

    1. Francisco, como assim “degradação do entorno não é um conceito”? Não entendi o que quiseste dizer. Pra mim é claro que “degradação do entorno” é um conceito, afinal cada um tem sua própria noção de “casa” e nem por isso “casa” deixa de ser “um conceito”. Faltou alguma coisa na tua frase após a palavra “conceito”?

      Outra coisa: a mesma obra de infraestrutura pode causar valorização ou degradação, dependendo de quem avalia a situação. O próprio exemplo de uma estação de metrô pode ser usado para constatar isso. Se eu morasse em um bairro pobre e tivesse que pegar condução coletiva todos os dias às 06:30 para chegar no trabalho às 07:45, uma estação de metrô perto da minha casa (jamais na frente) seria bem-vinda. Mas onde eu moro de fato, praticamente no meio de uma mata linda e pouco impactada, uma estação de metrô seria uma das piores desgraças imagináveis, comparável a um aterro (pseudo-)sanitário no quintal.

      Imagino que o pessoal de um bairro nobre como o de Higienópolis em São Paulo (o qual não conheço) tenha a mesma visão que eu acerca de uma estação de metrô: uma visão do inferno. Por isso o caso de Higienópolis me chamou atenção: ao contrário dos arautos da chinelagem, eu consigo ver claramente o que incomoda os habitantes de Higienópolis e não sou preconceituoso a ponto de achar que, só porque eles têm muito mais dinheiro na conta corrente do que eu jamais ganharei em toda a minha vida, quaisquer demandas deles são automaticamente ilegítimas.

      A propósito, eu estou pensando seriamente em construir um condomínio fechado…

  6. Francisco Monteiro Kamisaka

    27/05/2011 — 19:49

    Eu também consigo ver o que incomoda certas pessoas de Higienópolis e nem de longe estou sendo preconceituoso. E uma estação de metrô ali não seria nenhuma visão do inferno, visto que o bairro já tem um intenso tráfego em algumas de suas principais vias e isso fica ainda pior em dias de jogo no estádio do Pacaembu, porque ambos são vizinhos colados.

    Digo tudo isso porque conheço bem o bairro: vejo alguns jogos no estádio; de dois em dois meses passo em consulta médica num local bem próximo do cruzamento das vias (Av. Angélica X Rua Sergipe) onde seria a nova estação; e estudo na PUC-SP que fica em Perdizes (outro bairro vizinho). Isso porque eu faço parte de alguns grupos – torcedores, doentes em tratamento e estudantes – que necessitam apenas passar pelo bairro. Ainda há os trabalhadores do bairro que compõem os supermercados, padarias, lanchonetes, restaurantes, portarias de condomínios, postos de gasolina, o shopping etc. Será que a locomoção dessas pessoas também não entra na demanda dos moradores do bairro? Afinal, todos eles usufruem desses serviços. E justamente essa auto-suficiência de serviços e entretenimento é o que ajuda a sustentar o status de bairro nobre.

    O engraçado é que na página do Facebook, a associação Defenda Higienópolis colocou: “É um movimento para mobilizar a bairro em defesa da qualidade de vida de seus moradores” (está escrito “a bairro” mesmo). Acho que a qualidade de vida desses moradores também está calcada no trabalho das milhares de empregadas domésticas contratadas ali pela região e que também entram no rol dos usuários de transporte público, então isso me faz crer ainda mais que o metrô oferece melhoria da qualidade de vida e não só para os moradores.

    Agora, o fato de que “eles têm muito mais dinheiro na conta corrente do que eu jamais ganharei em toda a minha vida” não é assunto meu. Não necessariamente preciso fazer chacota sobre a fortuna dos outros para defender uma proposta realista para a melhoria do transporte. Mas convenhamos que com chacota é unir o útil ao agradável, ainda mais quando eu lembro que “gente diferenciada” nem foi ideia original nossa. Melhor, impossível.

    Outro ponto é que Higienópolis é um bairro periférico do Centro de São Paulo e sempre que este fica congestionado, os bairros adjacentes também são impactados. A grande maioria das pessoas que tem Higienópolis como itinerário obrigatório encaram essa nova estação como um bálsamo urbano e nem de longe como degradação do entorno. Degradação tem diversas especificidades dependendo do local que se analisa. Ela não é a mesma coisa em qualquer ambiente por isso não concordo que dê para arrastar “degradação do entorno” como conceito. E usá-lo para justificar a não construção da estação Angélica é um tremendo contra-senso porque a expansão do metrô é justamente uma estratégia para desafogar a cidade dos automóveis.

    1. Olha como são as coisas: agora que escreveste aqui eu estou muito mais esclarecido do que foi possível me esclarecer lendo uns dez blogs onde este mesmo caso foi comentado. 😉

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