Meus leitores sabem que eu sou biólogo, mestre em ecologia e ecologista de carteirinha desde criança. E sabem que o último domingo foi o “Dia Internacional do Meio Ambiente”. Pois bem, eu não li nada a respeito, não ouvi nenhum programa de rádio, não assisti nenhum programa de TV, não apaguei as luzes por uma hora, não fui a nenhuma manifestação nem fiz porcaria nenhuma a respeito do “assunto do dia”. Por quê? Leia o artigo para saber, oras. 🙂

A nossa situação – nossa enquanto espécie – é a seguinte: vivemos em um planeta finito, limitado, sem alternativa de “fuga para as estrelas” ou bobagens semelhantes. Fato: é aqui que temos que viver ou morrer.

A situação do nosso planeta é a seguinte: trata-se de um planeta habitado, cujos parâmetros climáticos dependem da estrutura e do funcionamento da biosfera. Fato: a temperatura média do planeta subiu cerca de 1°C no último século.

Dados estes dois fatos indiscutíveis, se este mundo fosse governado por gente minimamente responsável ou minimamente preocupada com a sobrevivência e com o bem estar dos próprios filhos e netos, uma pergunta haveria de se impor:

– O que podemos fazer para ajudar a estabilizar o clima do planeta?

Ao invés disso, o que vemos é o pessoal que controla a política e a economia no planeta tirar o corpo fora ruminando o discurso hipócrita e descabido de que “não há consenso científico” sobre a causa do aquecimento global.

Os cientistas, por sua vez, com sua habitual inabilidade de falar para o grande público e tendo por preocupação principal não dar declarações que possam pegar mal para suas carreiras acadêmicas, protagonizam a ridícula novela “Não Há Dados Suficientes Para Dizer Com Certeza” – mais extensa que o seriado “As the world turns“.

E, seja qual for o grau de importância da influência antrópica no atual aquecimento global, tudo que podemos ter certeza é que ela certamente continuará sendo intensificada “até que haja evidência concreta”, ou seja, até que a água bata na bunda do Cristo Redentor. Como espécie, é evidente que somos primitivos demais para agir de modo inteligente, cauteloso e digno.

O discurso de que “estamos fazendo o possível”, porém, é lucrativo. Todo mundo ganha com ele: os governos, que usam o discurso ecológico para se promover; as empresas, das mercearias de bairro aos grandes conglomerados multinacionais, que usam o discurso ecológico para vender as mesmas porcarias de sempre mas com um verniz verde; e as ONGs “ambientalistas”, que usam o discurso ecológico para arrecadar fundos que servirão para sustentar campanhas ineficazes com propostas anacrônicas que em nada contribuem para melhorar a saúde do planeta. Todo mundo ganha, menos, é claro, o planeta. Ou seja: para além do tempo de vida dos atuais beneficiados pelo discurso vazio, todo mundo perde.

Exemplos de campanhas estúpidas que compõe este discurso: economizar água, usar transporte coletivo e levar sacolas retornáveis para o supermercado.

Vamos desmascarar estas campanhas estúpidas, que na verdade são perniciosas – pois muita gente engole essas pílulas douradas e acha que está fazendo algo que preste fazendo essas bobagens, quando poderia estar fazendo algo realmente relevante pela saúde do planeta – e sugerir novamente uma agenda tecnicamente muito mais razoável para proteger a saúde do planeta.

Economizar água

Você já deve ter visto várias vezes campanhas para fechar a torneira enquanto escova os dentes, tomar banho rápido e desligar o chuveiro enquanto se ensaboa, não lavar a calçada com mangueira, etc., “para não esgotar os recursos hídricos do planeta”. Pois é, isso é tudo balela.

Água não “gasta”. Água é indestrutível. Água não é “reciclável”, é reciclada de fato o tempo todo pela biosfera. Você pode usar dez mil litros de água para escovar os dentes, pode tomar banhos de uma hora de duração sem desligar o chuveiro para se ensaboar e pode lavar a calçada com mangueira à vontade e a quantidade de água disponível no planeta continuará rigorosamente a mesma. A única diferença perceptível será no seu bolso, na hora de pagar a conta da água.

Por que então insistem tanto em “economizar água”?

Simples: porque os mananciais de onde a água é retirada para consumo humano estão sendo tão poluídos que os poderes públicos não têm mais capacidade para tratar a água poluída que captam e tratá-la adequadamente para que se torne potável. Pelo menos não a preços razoáveis, que não sejam denunciados a cada eleição.

Água nunca vai faltar no planeta. Água limpa são outros quinhentos.

E por que não fazem, então, campanhas para a conservação dos mananciais de onde é captada a água para consumo humano, de tal forma que ela se mantenha abundante, barata e universalmente disponível?

Ora, bolas… e você acha que os governos vão bater de frente com o agrobusiness, muito em especial com os arrozeiros, que utilizam água gratuita em quantidades assombrosas, que poderiam servir para escovar os dentes da humanidade inteira a cada colheita?

Você acha que os governos vão bater de frente com as grandes empresas, muito em especial com as indústrias químicas, que utilizam água baratíssima em quantidades igualmente assombrosas, tanto para abastecer seus parques produtivos quanto para levar embora seus dejetos tóxicos sem tratamento?

Você acha que os governos vão fazer os investimentos necessários em obras invisíveis para despoluir grandes mananciais de água, para o benefício da vida aquática e da vida silvestre que faz uso destes recursos, ao invés de construir viadutos e asfaltar vilas para angariar votos?

E você acha que as ONGs “pró-ambiente” vão deixar de receber os financiamentos e doações dos governos e das indústrias brigando diretamente com eles? Ou, se brigarem diretamente com eles, como faz o Greenpeace sem resultado prático algum (vide o episódio do Código Florestal, mais um caso de protestos inúteis do movimento ecológico), você acha que as ONGs ambientalistas vão usar estratégias resolutivas ao invés de espetaculares correndo o risco de perder o financiamento dos associados?

É muito mais fácil fazer você de trouxa e dizer que a culpa pela suposta escassez de água é sua, que escova os dentes com a torneira aberta.

Usar transporte coletivo

Você já deve ter lido coisas como “transporte coletivo é mais ecológico”, ou propagandas nos próprios ônibus urbanos alegando que aquele veículo é movido a “diesel ecológico” ou pataquadas do gênero. Ou, pior ainda, deve ter ouvido algum “ecologista” dizer que não usa automóvel porque “andar de ônibus é muito bom”. Arrã.

Em primeiro lugar, todo veículo que utiliza combustíveis fósseis contribui para o “aquecimento global”, na verdade para a desestabilização climática dom planeta, jogando na atmosfera carbono que estava há milhões de anos indisponível para a biosfera.

Em segundo lugar, como eu já expliquei nos artigos Você acha mesmo que “faz a diferença”? e As conseqüências do pré-sal, a escala individual (ou seja, a sua decisão) tem um impacto totalmente irrelevante para o funcionamento de um sistema econômico baseado na extração e na queima de combustíveis fósseis em grande escala.

Ande você de bicicleta, de automóvel ou de ônibus, a Petrobrás vai continuar retirando milhões de barris de petróleo de baixo da terra e do mar, estes milhões de barris de petróleo continuarão a ser queimados e qualquer coisa que você faça será irrelevante perante o impacto da Petrobrás, capitaneada pelo governo brasileiro.

Em terceiro lugar, ter que esperar em pé, muitas vezes viajar em pé, andar espremido como sardinha numa lata, num sistema sem o menor respeito pelo conforto e pela dignidade das pessoas e sem liberdade de itinerários nem horários é uma desgraça. Por essas e outras é que o automóvel continua a ser um sonho de consumo e pouca gente dá atenção aos ecochatos amantes do transporte coletivo.

Usar sacolas retornáveis

Todo mundo usa as sacolas plásticas descartáveis do supermercado para acondicionar o lixo. Usando sacolas retornáveis, torna-se necessário comprar sacos plásticos para acondicionar o lixo.

Gera-se o inconveniente de carregar sacolas que antes não se carregava, gasta-se com a sacola descartável, passa-se a pagar por um produto que antes se recebia “de graça” (o preço das sacolas plásticas descartáveis é embutido no preço das demais mercadorias) e continua-se a usar plástico para embrulhar o lixo, tendo-se portanto dois gastos extras e nenhum benefício. Coisa de otário.

Isso quando a própria sacola retornável não é de plástico!

E toda essa palhaçada serve para que objetivo?

No fundo, meramente para fazer propaganda de uma suposta consciência ecológica que na verdade não existe.

No fundo, no fundo, toda essa “onda ecológica” não passa de mero mote para mais e mais do mesmo: descaso governamental, oportunismo empresarial e bálsamo para consciências que preferem se enganar a fazer alguma coisa que seja realmente significativa para a saúde do planeta.

O que fazer, afinal?

Eu já respondi esta pergunta antes. O retorno foi tão pequeno que me desinteressei em escrever os artigos subseqüentes detalhando o que chamei de Agenda Para Ontem Se Quisermos Ter Um Amanhã, mas nesta época do ano, com todo mundo falando abobrinhas sobre ecologia, é difícil evitar de voltar ao tema. Minha Agenda é composta por apenas cinco itens:

Agenda Para Ontem Se Quisermos Ter Um Amanhã

Arthur Golgo Lucas

1) Fim do crescimento populacional para ontem.

2) Fim do consumo de combustíveis fósseis para ontem.

3) Fim do desmatamento e início da recuperação florestal para ontem.

4) Fim da superexploração e poluição dos oceanos para ontem.

5) Fim da violação dos Direitos Humanos para ontem.

O primeiro item é necessário para eliminar a pressão por “desenvolvimento” de novas fronteiras agrícolas e urbanas, além de reduzir a pressão da rapina de recursos naturais até que a lógica planetária de reciclagem seja finalmente compreendida e adotada pela espécie humana.

O segundo item é necessário para eliminar o reingresso de carbono fóssil na biosfera, que está adaptada às taxas atuais e não tem capacidade de absorção das imensas quantidades de carbono que estão sendo reintroduzidas.

O terceiro item é necessário para permitir aos ecossistemas florestais que recomponham sua capacidade de manter estáveis os regimes hídricos e de temperatura, essenciais para a manutenção do clima como o conhecemos. E, claro, para recapturar um pouco do carbono fóssil irresponsavelmente já lançado na biosfera.

O quarto item é necessário para permitir aos ecossistemas marinhos que mantenham sua diversidade biológica e sua estrutura trófica e que recomponham sua produtividade, da qual a humanidade tem e terá muita necessidade.

O quinto item é necessário para garantir a estabilidade política e social, bem como “a liberdade, a justiça e a paz no mundo”, como diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Mas…

“Peraí, Arthur” – já estou prevendo a reação – “o que é que os governos, as empresas e as ONGs ambientalistas podem fazer para viabilizar estes itens tão imensos desta Agenda?”

Simples:

1) Fim do crescimento populacional para ontem.

Controle populacional se faz através do acesso à informação e aos métodos anticoncepcionais. Isso é obrigação dos governos, mas as empresas e as ONGs poderiam ajudar muito em ambas as áreas.

O que se vê por aí, entretanto, é ou descaso ou ideologização radical tanto da temática da educação quanto da anticoncepção.

Por um lado, diversos grupos religiosos negam a existência do problema da superpopulação e insistem em estimular os mais vulneráveis à doutrinação para que ponham no mundo mais gente miserável para sofrer – e pagar dízimo.

Por outro lado, diversos grupos ideológicos estão mais interessados em garantir que as mulheres possam assassinar seus filhos ainda dentro do útero do que em garantir que elas tenham acesso à educação de qualidade e a métodos anticoncepcionais.

Uma boa idéia seria tratar de divulgar informação sobre anticoncepção e facilitar o acesso a métodos anticoncepcionais a quem mais precisa deles, ignorando obviamente os imbecis que dizem que evitar o surgimento de mais miseráveis no mundo é “racismo”.

2) Fim do consumo de combustíveis fósseis para ontem.

Substituição de combustíveis fósseis por combustíveis renováveis depende principalmente de pesquisa e de colocação no mercado de veículos e de outras tecnologias que utilizem outras fontes de energia que não o petróleo, o carvão e o gás natural. Isso pode ser feito por qualquer governo, qualquer empresa, qualquer ONG.

Portanto, ao invés de encher o saco ano após ano após ano com a lenga-lenga inútil do “Dia Sem Automóvel” e quejandos (como o “Dia da Terra” em que se deve deixar as luzes desligadas por uma hora), que são medidas irrelevantes tanto em termos de impacto ambiental quanto em termos de redirecionamento do desenvolvimento da matriz energética, os interessados deveriam se concentrar em pesquisar e colocar no mercado veículos e outras tecnologias que utilizem energias provenientes de fontes renováveis.

3) Fim do desmatamento e início da recuperação florestal para ontem.

Os dois principais motivos pelos quais ocorre desmatamento são a ampliação das fronteiras agrícolas e pecuárias e a urbanização. Ambos se tornam muito menos necessários quando ocorre a estabilização da população, por isso este item é fortemente dependente do primeiro. Mas há muitas outras coisas que os governos, empresas e ONGs podem fazer para reverter o quadro de destruição das matas e florestas.

A primeira coisa a fazer, evidentemente, é tornar o desmatamento oneroso ao invés de permitir que ele seja lucrativo. Isso é uma coisa que só o governo pode fazer, instituindo leis que exijam a conservação ambiental e perseguindo até as últimas conseqüências os infratores, com multas, desapropriações e cadeia.

Como é mais realista esperar o planeta pegar fogo, porque é mais fácil as árvores se defenderem a golpes de karatê do que os políticos direcionarem o desenvolvimento econômico de modo sustentável, as ONGs podem monitorar o desmatamento por satélite e ingressar com ações judiciais exigindo a imediata cessação do impacto e a recomposição do ambiente sempre que detectarem violações da lei. Mas, enquanto o cenário das ONGs ambientalistas estiver dominado por gente que ainda acha uma boa idéia fazer baderna como se fosse protesto, estratégia que não produz resultado positivo algum desde a década de 1970, dificilmente veremos algum avanço nesta área.

Contra as tentativas (mais hora, menos hora, quase sempre bem sucedidas) de anistiar os antigos infratores e modificar os textos legais para permitirem mais e mais desmatamento, as ONGs ambientalistas deveriam fazer o dever de casa, aprender com o exemplo de José Lutzemberger e fazer campanha para que outros países não comprem produtos brasileiros sem certificação ambiental, já que o nosso consumidor é um banana que não está nem aí se a madeira e a carne que consome foram produzidas por trabalho escravo ou infantil e muito menos se houve desmatamento. Se doer no bolso, governo e empresas se mexem.

4) Fim da superexploração e poluição dos oceanos para ontem.

Os oceanos são fundamentais tanto para a produção de alimentos quanto para a manutenção do clima, mas continuamos a tirar deles mais do que podem produzir e a tratá-los como se fossem a cloaca da humanidade. Nem mesmo a exposição na imprensa internacional da vergonhosa formação de uma ilha de lixo plástico no Oceano Pacífico parece ser suficiente para que os governos e as empresas mudem suas atitudes em relação aos oceanos.

Em geral eu sou contrário a estratégias de “conscientização da população”, mas em alguns casos isso pode funcionar. Não é o caso de mostrar imagens de animais sendo mortos, porque na real ninguém dá bola nem pras crianças pedindo esmola no semáforo para fumar crack, que dirá pra baleias e golfinhos mortos.

Mas é o caso de mostrar ao grande público quais produtos de pesca estão contaminados em cada mercado, coisa que uma ONG com uma boa estrutura laboratorial ou com suficiente capacidade financeira para mandar amostras para laboratórios comerciais poderia fazer e que poderia impactar suficientemente o mercado a ponto de fazer governos e grandes empresas se mexerem. Afinal, se o consumidor ficar com medo de sofrer alguma contaminação, tenderá a migrar para outros produtos.

As ONGs também poderiam produzir alimentos com garantia de proteção ambiental no processo, concorrendo com o agrobusiness. Afinal, o discurso dos agricultores orgânicos e das ONGs ambientalistas não é de que “orgânico é mais saudável e mais barato”? Provem isso na prática, oras! Se doer no bolso, governo e empresas se mexem. (Já falei isso antes?)

5) Fim da violação dos Direitos Humanos para ontem.

É difícil imaginar como criar um mundo sustentável com atitudes econômica ou eticamente insustentáveis. Não somente a derrubada de florestas, a pesca excessiva e a poluição colocam nosso planeta em risco, mas também as violações aos Direitos Humanos colocam em risco as pessoas, as comunidades e a paz entre as nações.

Respeitar a dignidade das pessoas é simples, fácil, gratuito e está ao alcance de todos. Só não faz quem não quer.

Os crimes cometidos em Abu Grahib, por exemplo, não foram “excepcionais”. O desrespeito aos Direitos Humanos é o padrão de atuação dos Estados Unidos da América, apesar das negativas dos aduladores e puxa-sacos da auto-intitulada “maior democracia do mundo”.

A situação no Brasil não é muito diferente, como bem pode constatar qualquer um que visite um hospital público, uma escola pública ou um presídio. Apesar do populismo eleitoreiro, o Brasil tem andado como caranguejo na área dos Direitos Humanos, tanto na política interna quanto na política externa.

O que fazer a respeito? Não sei ao certo. Dizer que é necessário mudar a cultura do povo é muito óbvio, assim como é muito óbvio dizer que o mesmo povo precisa aprender a votar melhor.

Talvez a solução esteja em criar escolas independentes com propostas pedagógicas humanistas, mas não com aquele discurso pernóstico sobre não ser detentor do saber, blá-blá-blá, facilitar a aprendizagem, blá-blá-blá, construtivismo rasteiro, blá-blá-blá, aprender com o aluno, blá-blá-blá cidadania, blá-blá-blá e mais blá-blá-blá. Isso é papo de quem finge que ensina porque não sabe fazer.

Talvez a solução seja simplesmente dar o exemplo no cotidiano, mas como competir com o mau exemplo das novelas, que deseducam durante 198 capítulos mostrando os tipos mais mau caráter se darem bem o tempo todo e só mostram um desfecho (nem sempre) decente nos 2 últimos capítulos? E como competir com o mau exemplo do futebol, que deseduca mostrando a cada partida que é bonito vencer com gol de mão e que é mais gostoso ver o adversário perder do que o próprio time ganhar?

Conclusão

Se você ficou curioso com a chamada deste artigo e queria saber por que apesar de minha formação e de meu histórico de lutas no movimento ecológico eu não participei de nenhuma das atividades da “Semana Internacional do Meio Ambiente”, deve ter percebido que o motivo é simples:

Eu desconsidero todos os “dias de consciência ecológica” porque não há nada de novo no front, somente a picaretagem pseudo-ambiental e mal intencionada dos governos, das empresas e das ONGs auto-intituladas ambientalistas ou ecológicas que pensam que ainda vivem na década de 1970.

Quando surgir novamente um movimento ecológico sério, que não queira viver de saudades e anacronismos, por favor me avisem. Mais do mesmo eu já cansei de assistir.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 09/06/2011

23 thoughts on “Semana Internacional da Picaretagem Pseudo-Ambiental

  1. “Talvez a solução esteja em criar escolas independentes com propostas pedagógicas humanistas, mas não com aquele discurso pernóstico sobre não ser detentor do saber, blá-blá-blá, facilitar a aprendizagem, blá-blá-blá, construtivismo rasteiro, blá-blá-blá, aprender com o aluno, blá-blá-blá cidadania, blá-blá-blá e mais blá-blá-blá. Isso é papo de quem finge que ensina porque não sabe fazer.”

    Bom, só não concordo com essa parte. Como educador, por vezes percebo que o maior problema da educação são as escolas: lugares fixos, com professores fixos, seguindo um conteúdo fixo para adequar uma turma fixa em um horário fixo para que, num período fixo de tempo, tenhamos alunos que apenas completam uma média do que uma sociedade quer. O problema é que somos 7 bilhões de humanos, e não há dois humanos com o mesmo metabolismo, e muito menos dois humanos com mentes iguais. Diante disso, o que falta nos educadores é apenas essa percepção da diferença, adequando o construtivismo a quem se adequa ao construtivismo, sala de aula a quem se adequa a sala de aula e peripatetismo a quem se adequa a peripatetismo. O que falta é apenas a sensibilidade e a percepção diante do outro, e, se esse outro for um aluno, será meio caminho andado.

    1. Félix, a função primária do professor é ensinar as disciplinas da grade curricular, não é “facilitar a aprendizagem”. Com raríssimas e honrosas exceções, todas as pessoas que eu ouvi defenderem o discurso da “facilitação da aprendizagem” não sabiam dar uma aula decente nem transmitir os conteúdos obrigatórios da disciplina que supostamente estavam habilitadas a lecionar. E, não por acaso, todas se alinhavam a uma certa linha ideológica “politicamente correta” cuja mediocridade bem conhecemos.

      Na aula de matemática o aluno tem que aprender a somar 2+2 e encontrar 4. Não tem que ser doutrinado que a soma é uma operação burguesa, nem que o resultado pode ser 5 provisoriamente enquanto ele constrói seu conhecimento, nem que ele tem que respeitar a opinião do coleguinha que acha que 2+2=7, nem que é aceitável escrever “çoma”. Isso tudo é lixo. E tem muita gente que defende esse tipo de lixo.

      Mas acho que se trata de um problema de desequilíbrio ecológico. Alguém tinha que introduzir um predador de imbecis no ambiente docente. 🙂

  2. Francisco Monteiro Kamisaka

    09/06/2011 — 18:50

    Arthur, muito bom esse seu texto, assim como todos os outros sobre ecologia. Engraçado que ontem mesmo, voltando da faculdade, conversei com um amigo sobre isso e inevitavelmente discutimos sobre a “eficiência” dessa lenga-lenga de sacolas retornáveis, conscientização sobre reciclagem. De um lado eu, dizendo que nosso trabalho de formiga não é páreo para o tamanduá da Petrobrás, e do outro ele, tentando exaltar as virtudes de fazer o que está ao alcance. Não que eu ache que reciclar é inútil, mas só essas ações esparsas não vão salvar o planeta.

    Mesmo que toda a comunidade do meu bairro recicle latinha, as empresas que exploram bauxita não vão diminuir nem 1% a exploração desse minério. Eu encontro muita dificuldade em discutir ecologia porque geralmente as pessoas estão tão piamente convencidas de que já fazem a parte delas que não querem sair de sua zona de conforto.

    Lendo vários dos seus textos gostaria de saber de você se existe um plano de ação eficiente nesse sentido. O que fazer acho que você já deixou bem claro, inclusive eu já tinha isso mais ou menos em mente, mas não poderia explicar melhor do que você.

    Acho que boas ideias e boas intenção não faltam (inclusive o inferno está cheio delas), mas na hora de por em prática a coisa complica – e muito. Anos atrás tive um professor de geografia que tentou se candidatar deputado e procurou uns amigos do PSDB. A principal proposta de governo dele seria o controle da natalidade. Os amigos dele disseram algo na linha de “Pode esquecer! Se você propuser isso, a igreja vai fazer de tudo pra te derrubar e você nunca mais vai se candidatar nem pra síndico de prédio”.

    Eu poderia dar um exemplo real para cada tópico da sua “Agenda Para Ontem Se Quisermos Ter Um Amanhã”, mas esse comentário ficaria enorme. Então pergunto: na prática, o que você tem em mente ou que exemplo pode apresentar de uma solução que já esteja em funcionamento?

    1. Francisco, eu tenho um projeto de grande escala em mente, mas ainda está em fase de planejamento. Vai demorar alguns anos para sair do papel, mas espero que seja uma obra de impacto. Por enquanto, se eu te contar mais que isso, terei que te matar depois. 🙂

  3. Eduardo Marques

    10/06/2011 — 12:39

    Acho que você está enganado sobre crescimento populacional. Não existe mais essa coisa de problema de super-população. Em países com alta qualidade de vida, o problema é o oposto: baixa natalidade. Já é ponto comum dizer que o aumento da qualidade de vida diminui a natalidade. No futuro, esse será o desafio. Vc está desatualizado.

    O problema dessas famílias que têm filhos demais é que vivem em uma condição de miséria extrema. Resolveria se os ajudassem a sair dessa pobreza. O chato é o governo não fazer nada por eles e só aparecer para cobrar impostos, que eles pagam nas poucas coisas básicas/essenciais que conseguem comprar, e mandar pararem de se reproduzir.

    1. Não, eu não estou desatualizado: http://www.worldometers.info/population/ A população mundial ainda está crescendo assustadoramente rápido. E o maior crescimento é sempre entre os que menos condições têm de sustentar os próprios filhos, logo é este público que mais precisa fazer controle de natalidade.

  4. Bom Arthur, esse fenômeno deve ocorrer por aí, no sul. Aqui, no nordeste, o que encontramos são professores conteudistas (interessados somente na grade curricular). Esse problema demandaria uma discussão ainda maior, porém, em resumo, o problema é: “um modelo educacional não serve para todos os seres humanos devido à multiplicidade de suas experiências”. Da mesma forma, a função de professor ou se extende para todos os seres humanos, ou apenas para os que realmente sabem o que estão fazendo (nada desse discurso de que é profesor pq é fácil arranjar emprego).

    Porém, só é possível prevenir isso dando uma educação de qualidade ao aluno, e de altíssima flexibilização, investindo no Humanismo, no Autoconhecimento e na Vida Prática e Cotidiana. A educação não tem isso hoje em dia.

    Outro problema é que falta liberdade para aprender o que realmente queremos aprender. Lembro que, quando era aluno de ensino fundamental, eu peguei um livro de biologia e o li inteiro. Fiquei apaixonado por Botânica. Na escola, porém, ainda estávamos estudando A Água na aula de ciências. A professora seguia estritamente o conteúdo, e não levou em conta as necessidades ou habilidades de seus alunos: éramos produzidos em série. Resultado? Duas semanas depois, meu amor pela Botânica esfriou e, quando vim ter finalmente essa aula em outra série, foi com um professor tão ruim que nem me interessei por esse assunto.

    Por outro lado, em grupos de estudos, em pesquisa científica e outras alternativas estudantis aprendi o equivalete já a três cursos universitários. Tudo isso porque fui deixado livre para escolher meus horários, minhas turmas, meus textos, meu lugar de estudos, meu professor, e até mesmo o método que seria usado para o estudo.

    Por isso, apesar de não concordar com o utopismo de alguns professores que mal sabem lidar com uma turma de três crianças, prefiro acreditar que a função primária do professor não é simplesmente transmitir um conteúdo, mas permitir com que esse aluno torne-se, futuramente, autossuficiente na própria aprendizagem, daí o termo comumente mal-utilizado “Facilitador”.

    Eu, como professor, por exemplo, luto para que um dia minha profissão torne-se obsoleta.

    1. Os “facilitadores” em geral são apenas teóricos – porque não sobrevivem à sala de aula. São aqueles que não perdem um congresso, estão sempre em contato com o sindicato e disparam “melhores salários e condições de trabalho” até mesmo quando o filho pequeno pergunta o que eles querem no Dia dos Pais ou Dia das Mães. É aquela turma que aparece na capa do jornal à frente das passeatas que antecedem greves. E que acham que responder as dúvidas dos alunos é ruim porque “formata a cabeça do aluno, que deve buscar construir seu próprio conhecimento”. É desta praga que falo.

      Quanto às grades curriculares, um comentário necessário: são péssimas, ridículas, anacrônicas, obsoletas, inúteis e mesmo prejudiciais porque tomam o tempo necessário para o aprendizado útil. E isso vale para praticamente todo o ensino fundamental e médio. É óbvio que precisamos de uma grade curricular decente – até para não dar margem a estes doidos que dizem que as escolas não podem ter currículos “formatados” porque “despersonalizam” os alunos.

  5. Bom, de qualquer maneira, devo ser uma raridade, pois odeio congressos de Pedagogia e Educação. Prefiro ler os caras, tirar o que é de bom, experimentá-los em sala de aula e, se der certo, manter o passo. Por outro lado, odeio o conteudismo e, sempre que posso, priorizo aquilo que será útil no cotidiano daquele aluno.

    Claro que concordo que temos uma péssima grade curricular, mas na verdade, o problema é que temos grades curriculares fixas, o que atrasa a adaptabilidade do ensino diante de novos formatos tecnológicos ou sociológicos.

    Voltando ao meio ambiente, acredito que devemos procurar um meio-termo entre os 5 passos que vc citou, e o “cada um faz a sua parte”. Um não elimina o outro a grosso modo, apenas o que precisamos é descapitalizar todas as ações eco-sustentáveis, para evitar que se tornem produtos, e criar pesquisas sérias sobre os impactos dessa ou daquela tecnologia (como o plástico ou a eletricidade, por exemplo).

    O problema é que descapitalizar algo tão grandioso envolve mexer com as bases do próprio sistema econômico, o que me faz pensar: Mesmo com a necessidade sendo para ontem, não seremos capazes de modificar todo um sistema econômico nem mesmo para depois de amanhã. Daí, soluções do “faça sua parte” serem ainda viáveis. No grosso, concordo com o resto do texto.

    1. Francisco Monteiro Kamisaka

      10/06/2011 — 20:01

      Félix, estou contigo. Não poderia me expressar melhor.

    2. Não acho viável “descapitalizar” no sentido que parece que empregaste o termo. Mas acho viável desmascarar as ações cosméticas e paliativas que hoje são chamadas de “ecológicas” por puro interesse mercadológico.

      O “faça sua parte” é viável apenas na escala local. Se ninguém jogar lixo no chão e nem no terreno baldio, o bairro fica limpo. Mas na escala global o lixo tem que ir para algum lugar, e aí o planeta não tem como ficar limpo independentemente da ação individual. (Não levo em consideração os malucos que dizem para “não consumir” e voltar à idade da pedra lascada.) Aí é necessário uma POLÍTICA de não-geração de lixo ou de reciclagem total, com a proibição de atividades que não reciclem seus resíduos.

      Aliás, isso é importantíssimo: não basta não ser consumista, não basta não produzir lixo, não basta reciclar o máximo que pudermos, é necessário OBRIGAR todos os demais a agir assim também. É por isso que “campanhas de conscientização” jamais serão eficazes: basta meia dúzia de sociopatas descumprirem a regra e babaus.

      Por exemplo, lembras daquela campanha contra os mosquitos? Todo mundo coocando areia no fundo do pote das plantas para não juntar água, recolhendo garrafas, latinhas, pneus e quaisquer objetos que possam acumular água da chuva… e basta UM vizinho deixar uma piscina cheia, descoberta e sem tratamento e babaus campanha de conscientização no bairro inteiro, TODO MUNDO se ferra por causa de um irresponsável. É por isso que a ação individual é inócua.

  6. Francisco Monteiro Kamisaka

    10/06/2011 — 19:45

    Arthur, dá pelo menos uma palhinha aqui pra gente. Se o seu projeto for uma roubada, a gente te mata aqui mesmo antes que o estrago seja de grande impacto. Que tal?

    1. Por enquanto o projeto *é* uma grande roubada. 😛 Estou pensando MUITO em como viabilizá-lo, mas ainda não tenho certeza de que caminho tomar. Não quero dar detalhes em público para não correr o risco de ver um espertinho se lançar na frente e ocupar o espaço do projeto com uma proposta de menor qualidade porém mais “palatável”. Mas em breve vou começar a comentar partes do projeto aqui no blog. 😉

  7. “Mesmo com a necessidade sendo para ontem, não seremos capazes de modificar todo um sistema econômico nem mesmo para depois de amanhã. Daí, soluções do “faça sua parte” serem ainda viáveis. No grosso, concordo com o resto do texto.”

    Arthur, achei o artigo muito legal, como sempre. Mas,tenho que te confessar algo. No meu caso, que sou leiga nessa área, acabo tendo uma sensação de que o que posso fazer não faz diferença e de que o que faz diferença, não posso fazer. =(

    Sendo assim, fico com a sensação de que, pra mudar algo, seria preciso que todo mundo tivesse uma consciencia muito maior do que de fato tem, para se organizar em ações maiores. Apesar de verdadeiramente considerar o tema relevante, a realidade é que esse cenário no qual as pessoas tem essa consciencia e, consequentemente, podem agir, me parece meio utópico. Enfim, confesso que me sinto meio desmotivada e pouco crédula, como se o problema fosse uma rua sem saída! O que voce sugere para uma pessoa como eu, por exemplo…quais são os recursos que eu tenho, como cidadã comum e leiga, para contribuir?

    1. “No meu caso, que sou leiga nessa área, acabo tendo uma sensação de que o que posso fazer não faz diferença e de que o que faz diferença, não posso fazer.” (Juliana)

      Bem-vinda ao clube. :-S Se te serve de consolo, eu sou biólogo, mestre em ecologia, e tenho a mesma sensação. É por isso que estou empenhado em bolar uma ferramenta para tentar fazer algo que faça diferença, como comentei acima para o Francisco.

  8. Rafael Holanda

    12/06/2011 — 19:21

    Gostei do artigo Arthur. Me fez lembrar uma lição aprendida recentemente com o meu professor de Tópicos em Ecologia, o profº Drº Wanderley Bastos, que, para que os biólogos e aqueles quem entendem e/ou se interessam pela conservação ambiental tenham mais chances de convencer a qualquer pessoa da importância dessa consciência todas as explicações devem ser vistas sob um aspecto econômico. E, para mim, é justamente isso que complica o meio de campo.

    Lembro-me de um debate que tive com um primo meu (graduando em Ciências Contábeis) onde ele alegava que nenhum dos conservacionistas lembrava que a grama que o boi come também realiza fotossíntese. Eu já tava com um discurso sobre a perda da biodiversidade engatilhado quando eu percebi que ele não entenderia lhufas do que eu falaria, então tomei outro caminho e apontei o potencial biotecnológico que existe na floresta. Esse ele, aparentemente, absorveu bem.

    Em conclusão, acredito que só surgirá uma verdadeira atitude conservacionista quando a floresta em pé der mais dinheiro que uma carrada de bois.

    1. Rafael, só não vai pensar que eu gosto disso. Eu abomino a necessidade de falar em termos econômicos para ser compreendido ou levado a sério. Considero a mais terrível mediocridade ter que argumentar com o valor econômico da floresta ao invés do valor ambiental, estético ou simplesmente o direito de as próximas gerações também conhecerem e usufruírem da estabilidade ambiental e da beleza da floresta. Se eventualmente argumento usando a lógica econômica, não é por gosto, é por desespero. Maldita a cultura que não consegue ver a abismal diferença entre “valor” e “preço”.

  9. Muito bom Arthur! Parabéns pelo texto. Sou teu fã, filosoficamente falando. Pena que uma geração não ensina a próxima! A nossa só pode sonhar em ensinar algumas coisas pros nossos netos. A nossa já era! A dos nossos filhos está igualmente ferrada. Se sobrar planeta é por que conseguimos colocar alguma coisa nos ouvidos dos nossos netinhos. Não ensinando ecologia! Podemos começar pela “agenda para ontem”. Mas note que ela é toda política. Na verdade ela nem é uma agenda, mas uma proposta para uma revolução política. Ela é praticamente uma utopia se confrontada com o interesse vigente. Qualquer um dos cinco itens mete a mão tão profundamente no bolso de tanta gente que haveria uma retaliação sangrenta se fosse levada realmente a sério por alguma estrutura sócio-governamental que dissesse: “Acabou a farra macacada! Daqui pra frente o que fica valendo é a Agenda Para Ontem Se Quisermos Ter Um Amanhã”. E aí o pau ia correr solto a ponto do amanhã acabar na véspera.

    1. Gratíssimo pelo elogio, caríssimo. E eu garanto que não abuso dos superlativos. 🙂

      Eu sei que a implementação da APOSQTUA (fica estranha a sigla, né?) exigiria uma revolução no pensamento político. O que me assusta é que não conheço ninguém no Movimento Ecológico que assinaria embaixo dessa agenda e se perguntaria “como podemos ajudar a fazer isso?”. E todas as previsões apontam o “ponto sem retorno” do desequilíbrio climático (chamado de “aquecimento global”) para algum ponto neste primeiro quarto de século. Não dá pra entender como essa geração de “ecologistas” de araque sucedeu a geração de José Lutzemberger, Augusto Carneiro, Magda Renner, Henrique Roessler e outros deste porte.

      E a farra vai acabar, pode ter certeza. A única escolha que temos é se por bem ou por mal. O problema é que acabar com a farra por bem exige proatividade, solidariedade e decência, artigos em falta neste planetinha atrasado…

      Pergunta pro Pierre se ele me dá uma carona até a casa dele?

  10. Francisco Monteiro Kamisaka

    15/06/2011 — 20:12

    Arthur, então fico na expectativa de um texto sobre o seu projeto. Não que eu queira empreender algo do tipo porque ecologia não é minha área e ainda pretendo estudar muito até pensar em empreendedorismo, seja ele qual for. Isso se o planeta estiver vivo para futuros negócios.

    1. Sacanagem te deixar mais curioso, eu sei, mas não é um projeto empresarial, se fosse isso eu me atiraria de cabeça imediatamente. O problema é que o projeto depende da participação de muita gente e eu ainda não encontrei o “tom” certo para motivar os participantes. Mas tem mais gente pensando no assunto junto comigo e devemos lançar um piloto dentro de uns dois anos para fazer os primeiros testes.

  11. “Uma boa idéia seria tratar de divulgar informação sobre anticoncepção e facilitar o acesso a métodos anticoncepcionais a quem mais precisa deles, ignorando obviamente os imbecis que dizem que evitar o surgimento de mais miseráveis no mundo é “racismo”.”

    É a ÚNICA idéia possível.

    Mas veja bem,uma mulher com vida sexual ativa de 17 anos não pode fazer laqueadura,nem se tiver 35 e vários filhos.

    Os postos NÃO atendem adequadamente.

    E quando NINGUÉM faz sua parte,sobra para a mulher pobre e desinformada,ela que não transe!

    Eu,dentro dos meus limites,tento fazer o possível.
    Sabendo que essa atitude não me torna a pessoa mais popular do mundo.

    Primeiro devemos orientar,colocar a disposição das que necessitam todos os métodos existentes,depois cobrar com severidade.

    1. Absurdo alguém não poder decidir por uma laqueadura se quiser.

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