Acabo de passar por um “acidente” que me fez sentir muita dor, talvez um dos três piores episódios de dor da minha vida. Impossibilitado até mesmo de me virar na cama sem ajuda, tudo que eu podia fazer era pensar. Afinal, Pensar Não Dói, felizmente. E não pude deixar de pensar nas vítimas de dores e sofrimentos que não podem contar com ajuda nenhuma porque para elas o mundo é composto apenas por algozes e vítimas, sem nenhuma esperança de ajuda por parte de certos “defensores” dos Direitos Humanos.

Pensei na menina de 13 anos que foi morta a pedradas pelo “crime” de ter sido estuprada por três homens. Eles saíram do episódio sem qualquer punição, ela foi acusada de adultério (!!!) e morta a pedradas perante um estádio cheio de gente interessada em assistir ao “espetáculo”. Quem tentou defendê-la foi parado a tiros. Céus, que vontade de jogar napalm em cima daquele estádio enquanto a turba aplaudia a execução. (Claro, nem tudo que se tem vontade de fazer se deve fazer.)

E pensei em inúmeros outros exemplos, como as crianças que sofrem excisão clitoriana e os sociólogos e outros (filhos da @#$%) “politicamente corretos” que defendem a “cultura” local ou que defendem “diálogo com vistas à sensibilizaçãodos perpetradores da prática. Algo como pedir “senhor torturador, por favor, entenda que sua prática faz dodói, não seja malvadinho, veja como é bom ser um bom menino, trá-lá-lá”. Muito realista.

“Ué, Arthur, mas tu não és defensor dos Direitos Humanos? Como podes criticar quem segue as normas internacionais? Não sabes que a ONU monitora todas estas questões e que o Brasil é constitucionalmente não intervencionista?”

Sou um defensor dos Direitos Humanos, claro. Dos mais radicais. Quem acompanha o blog está cansado de saber disso. Justamente por isso eu sou tomado pela mais profunda indignação ao ver gente que se supõe “defensora dos Direitos Humanos” vomitar justificativas furadas para não proteger quem está sendo injustamente submetido a dor e sofrimento.

Existem dois tipos de não-intervencionismo: o não-intervencionismo de quem teme causar danos a valores humanos e o não-intervencionismo de quem teme gastar valores para defender humanos.

Quando eu estava sentindo dores, sem poder sequer me virar de lado na cama sem ajuda, a última coisa em que eu pensava era em quem iria me ajudar. Podia ser alguém da família, podia ser um amigo, podia ser um vizinho, podia ser um desconhecido que ao passar pela rua me ouvisse gemer de dor e invadisse a casa para me ajudar. Que me importa de onde vêm a ajuda quando eu não tenho como ajudar a mim mesmo? Qualquer um que me ajude está fazendo a coisa mais decente, honesta e legítima do mundo.

Um certo tipo de “defensor dos Direitos Humanos”, entretanto, considera mais importante “respeitar as culturas” do que evitar que crianças estupradas sejam apedrejadas pelo “crime” de “adultério”, ou que pessoas sejam mutiladas para nunca mais sentir prazer sexual do que “impor conceitos de uma cultura sobre a outra”, porque “todas as culturas são válidas”. Esse tipo de gente me dá nojo.

Esse tipo de gente não é “defensor dos Direitos Humanos”, é meramente defensor de conveniências políticas e econômicas. Se tivessem vergonha na cara e um mínimo de empatia e solidariedade pelo ser humano, jamais vomitariam asneiras como “deve-se respeitar igualmente todas as culturas”.

Há culturas que são melhores que as outras e há culturas que são abomináveis e devem ser extintas. Isso tem que ser dito com todas as letras, todos os dias, para que comecemos a repensar os fundamentos de nossas ações e omissões – e para dar proteção ao ser humano, que é quem sente dor ou prazer, sofrimento ou contentamento.

“Ah, quem é você para achar que sabe dizer quais são as culturas ‘superiores’ e ‘inferiores’? Os nazistas achavam que podiam dizer quem era ‘superior’ e quem era ‘inferior’, e sabemos o que eles fizeram.”

Essa é a objeção mais freqüente quando digo que há culturas que são melhores que outras. Acho ótimo que esta seja a melhor objeção que esse pessoal tem a apresentar, porque é uma objeção extremamente fácil de demolir.

Em primeiro lugar, os nazistas eram racistas. Eu me refiro a culturas, não a raças. Quem não sabe distinguir uma coisa da outra pode clicar no “x” lá no alto da página porque não vai adiantar nada ler este artigo.

Em segundo lugar, existe um critério simples e poderoso para distinguir uma cultura melhor de uma cultura pior: a preferência dos indivíduos quando são bem informados sobre as diversas alternativas.

Se eu, você ou aquela menina duas vezes vitimada (pelo estupro e pela injustiça de ser condenada por ter sido vítima de um crime) pudéssemos observar, estudar e questionar o comportamento dos integrantes da minha cultura, da sua cultura e da cultura dela por tempo suficiente para compreender profundamente os fundamentos e as implicações dos conceitos e do modus vivendi de cada uma das três culturas e depois pudéssemos decidir sob qual das três preferimos viver, certamente nenhum de nós três escolheria viver sob a cultura onde crianças inocentes são apedrejadas até a morte pelo “crime” de terem sido estupradas.

Ou, dito de forma mais simples e direta: após informar tudo muito bem explicadinho e ter certeza de que todo mundo entendeu como funcionam as coisas aqui e lá, perguntem para os defensores da cultura em que se comete mutilação sexual de meninas se eles preferem viver onde vivem hoje ou se preferem se mudar de mala e cuia para o local onde existe essa cultura e se integrar totalmente à tradição local. E perguntem para as meninas de lá se elas preferem viver lá ou aqui. Ou perguntem se quem saiu daqui pra lá quer voltar, e se quem saiu de lá pra cá quer voltar. Qual será a resposta previsível de cada um?

Não existe relativização cultural que justifique a estupidez de dizer que “todas as culturas merecem igual respeito” quando sabemos que algumas são nitidamente preferidas pela quase totalidade dos seres humanos em relação a outras.

Dor e prazer são fenômenos biológicos. Não são “historicamente determinados”, nem “culturalmente construídos”, nem “economicamente balizados”, por mais que sofrimento e contentamento tenham componentes culturais.

Esse papinho obsoleto pra boi dormir sobre determinação histórica, cultural ou econômica, com absurdo desprezo à biologia, já deveria estar há muito tempo confinado aos livros de história, narrando as desventuras de uma era enlouquecida em que se esqueceu que o ser humano é um animal. E é por ser um animal humano que o ser humano precisa ser protegido das bestas desumanas que defendem a passividade, a não-intervenção e o faz-de-conta-que-lidamos-com-o-problema-do-jeito-mais-civilizado-possível quando há pessoas sendo sistematicamente submetidas à dor e ao sofrimento.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 24/06/2011

67 thoughts on “Com “defensores” de Direitos Humanos assim, os violadores fazem a festa

  1. Na verdade o Zelaya não conseguiu exatamente porque foi detido. E bem a tempo.

    1. É o que eu também acho. Graças a isso Honduras não se tornou a “República Bolivariana de Honduras”.

  2. Francisco Monteiro Kamisaka

    04/07/2011 — 18:06

    Vou tentar continuar o raciocínio a partir dessa metáfora grosseira… AHAAHAHAAH! A diferença cabal entre ela e o caso de Honduras é que o “seu bêbado” causou (supostos) danos consideráveis antes mesmo de chegar à porta e o Zelaya (poor man) propunha mudanças na Constituição, mas antes isso seria decidido num plebiscito, algo bem legítimo numa democracia. A Suprema Corte hondurenha só piorou a situação. Devia ter permitido esse bendito plebiscito já que não havia garantia nenhuma que daria causa a favor ou contra o presidente. E caso fosse favorável seguida de mudança na Constituição, e daí?

    Vai, pode falar que eu continuo tampando o Sol com a peneira. Definitivamente não entendo a implicância contra o bolivarianismo.

    1. Francisco, digamos que o ex-presidente da República, entusiasmado com seus 84% de popularidade ao final do segundo mandato, resolvesse fazer um plebiscito para mudar as regras do jogo e permitir sua própria re-re-eleição, ou talvez a possibilidade de quantas reeleições o povo quisesse conferir a ele.

      Aí a nossa Suprema Corte (o STF), provocado pela oposição, analisaria a situação e diria: “não, não pode mudar as regras no meio do jogo, esse plebiscito é casuístico e ilegítimo, não pode ser realizado”, ou seja, um pronunciamento claro e cabal a respeito do mérito da questão, exatamente como no caso do plebiscito que Zelaya queria realizar em Honduras.

      Então o presidente, do alto de seus 84% de aprovação popular, diria “que se dane o STF, eu VOU consultar o povo, que é quem tem que decidir” e encomendaria as cédulas necessárias para a consulta do seu amiguinho Ahmadinejad, aquele que foi eleito sem nenhuma dúvida quanto à lisura do pleito e que meteu bala nos baderneiros que não sabiam perder e foram fazer arruaça nas ruas de todo seu país.

      Que mal teria, né? Seria apenas “um plebiscito, algo bem legítimo numa democracia”.

      E, quando ele fosse “impixado” por desobediência, o Matthias e o Francisco diriam “GOLPE!!! O STF DEU UM GOLPE DE ESTADO!!!”

      Afinal de contas, o STF “devia ter permitido esse bendito plebiscito já que não havia garantia nenhuma que daria causa a favor ou contra o presidente”.

      E daí se desse, né? Seria “a vontade do povo”.

      .
      .
      .

      O problema de comentar esse tipo de assunto – sei disso há tempos, mas não aprendo a morder a língua – é que eu posso mostrar e demonstrar por A + B que Zelaya cometeu crimes e colocou as instituições hondurenhas em risco, mas isso vai adiantar tanto quanto mostrar no Replay que o Maradona fez um gol de mão no episódio que ficou conhecido como “o gol com a Mão de Deus”: não tem um único argentino que vá dizer “que lástima, que terrível falta ética, esse maradona é um safado, o gol teria que ser anulado e a Argentina deveria ser punida com a desclassificação da Copa”.

      Tal unanimidade quer dizer que o gol foi válido?

      Não.

      Significa apenas que muita gente se beneficiou com a injustiça.

      Igualzinho ao que muita gente torcia que acontecesse com o “companheiro” Zelaya.

      Só que em Honduras os juízes apitaram o pênalti e deram cartão vermelho pro malandro. 🙂

  3. E dai, Francisco?

    Há um pequeno detalhe. Piquititchinho.

    Como em Honduras já houve problemas, a Constituição de lá proibe explícitamente, claramente, peremptóriamente, definitivamente e quantos outros “mente” se quiser colocar ai que alguem tente a reeleição. Se alguem tentar é afastado na hora. Sumariamente (oh, outro “mente”!). É o equivalente a uma cláusula pétrea. Zelaya foi bem alem do primeiro estágio.

    1. Pois é, Gerson, eu tinha até esquecido desse “detalhe”.

  4. Desculpem a demora. O trabalho estava me impedindo… Por isso que sou a favor de carga máxima de 20 horas semanais! 🙂

    Vamos lá:

    Francisco,

    “André, eu não me importo que haja uma força cultural influenciando a outra. Que seja ocidental, ou do extremo oriente, do pólo norte ou do pólo sul, tanto faz. Agora, se tal influência só implica em mudanças para que tudo continue como está ou contribuir para o pior, então essa “mãozinha” não vale nada.”
    Não entendi. Se o “american way of life” “invadir” a Somália, e as pessoas começarem a viver nessa realidade, o clérigo vai achar que isso é uma invasão tão nociva quanto a invasão militar mesmo. E isso vai implicar em mudança para melhor: pode falar o que quiser da cultura ocidental, mas não se pode falar que ela não liga para uma vida humana, ou sofrimento humano.

    “Superação envolve um longo processo em praticamente todos os casos. Problemas sociais em quaisquer países vão perdurar por tempo indefinido refutando-se ou não a situação.”
    É verdade. E se aqueles países que já passaram por aquele determinado problema ficarem só olhando, muitas pessoas vão morrer, vão ser torturadas, etc. Nesse caso, uma intervenção externa cairia em ótima hora para aquelas pessoas que estão e serão torturadas e mortas até que o país supere os seus problemas por conta própria.

    “Razoabilidade não é uma espécie de “Maria vai com as outras” e parte dela encontra paralelo com o método científico de Descartes. Dizer “que ela não é razão de modo algum” é muita sacanagem.”
    Ahááá!!! Se parte dela encontra paralelo no método científico de Descartes, então eu estava certo! Descartes bolou um belo Método, né… Infelizmente (ou felizmente, se você for religioso), adivinha só onde ele funda toooooodo o seu argumento? Em deus!

    “André, sua crítica só serve para você mesmo. A conversa chegou até aqui por que todos que participaram articularam sua própria lógica durante todo o discurso. Se isso não for acreditar na própria razão, então nada mais faz sentido já que tudo o que foi dito está baseado em “entidades infundadas”. Suas citações sobre Kant foram bem legais, mas agora você se embananou.”
    Então, quando eu disse que você se contradisse, foi pq você contrariou a sua própria lógica (ainda que esse termo, “sua própria lógica”, não é exato, mas vá lá). Resumindo, você disse X implica Y. Aí eu disse que, se X implica Y, então o seu argumento implicava Y, pq era X. Aí você disse que não, que seu argumento X não implicava Y. Entendeu? Foi você mesmo que disse que X implicava Y, pra depois dizer que, para o seu argumento, não. Aí é que está a contradição interna da “sua própria lógica”.
    Quando a nada fazer sentido, você quase tem razão. O certo é que nada faz sentido NECESSARIAMENTE. E esse é o problema. Se não há algo absoluto para embasar qualquer coisa, ainda que por meio de outras coisas, então essa coisa não é necessária, e, portanto, é tão válida quanto sua negação. O direito à vida, por exemplo. Se não há algo absoluto fundando o direito à vida, então o direito à vida é só uma convenção, tão válida quanto o não direito à vida. Daí que eu deduzi a força da cultura como determinante. Isso tem inconvenientes, claro, mas enfim, melhor isso do que nada (reitero: essa não é a minha posição, e nem é uma posição bem pensada).
    Eu não me embananei. Minha afirmação é a mesma desde o começo: não há algo fundando a razão. Kant assumiu isso. Descartes não assumiu. Para ele, HÁ algo fundando a razão: deus. Daí que você dizer que se baseia no método cartesiano só pode ser verdadeiro se você se fundar em deus como o garantidor das verdades, como o absoluto que garante a validade das coisas. Não me pareceu ser seu caso…

    1. Posso meter o bedelho mais uma vez?

      Em primeiro lugar, concordo com a carga máxima de 20 horas. Mas de preferências mensais, não semanais. 🙂

      Em segundo lugar, eu li o Discurso do Método. Não me parece que o absoluto em que Descartes funda seu método seja necessariamente “Deus”. Descartes chamava esse absoluto de “Deus”, mas se substituirmos esse rótulo por outro equivalente, como “Natureza”, o método de Descartes me parece igualmente válido. Na verdade, me parece rigorosamente idêntico.

      Justamente por causa desse intercâmbio possível entre “Deus” e “Natureza” no Discurso do Método eu não descarto Descartes (hehe) sob a alegação de que seu Método dependa de crença. Pelo menos não mais do que qualquer outro método que exija a crença de que existe uma realidade, de que nós mesmos existimos e de que existe causalidade, lógica e coerência no Universo.

  5. Francisco Monteiro Kamisaka

    05/07/2011 — 21:07

    Arthur, que o Zelaya cometeu erros isso é fato. Não estou defendendo o cara. Pode provar os crimes dele por A + B que, se der C, eu vou concordar. O que não dá pra aceitar é que em cima disso a oposição dele fez barbeiragem com consequências muito piores: exilaram o presidente sem nem ao menos julgá-lo corretamente, cercos a embaixadas, toques de recolher. Isso sem contar os presos, mortos e feridos. Isso tudo é golpe cuspido e escarrado.

    Discordo da maneira como você caracteriza esse episódio de Honduras comparando com um “faz de conta que isso acontecesse no Brasil”. Para historiador não existe “se”. O que importa são os fatos consumados. Sua menção ao gol do Maradona é engraçadinha, reconheço, mas comparar com o assunto em questão é caricatura, não serve.

    1. Francisco, dizer que “Zelaya cometeu erros” é mais ou menos como dizer que “Átila, o Huno, era desagradável”. É um ligeiro eufemismozinho. 🙂

      Pô, Zelaya descumpriu ordens diretas da Suprema Corte e conspirou em conjunto com uma força estrangeira. Era pra ter ido direto pra cadeia, não pro exílio. Sei lá que raios levaram os impixadores de Zelaya a pisar na bola e chutar os fundilhos do pijama do sujeito para fora do país, mas isso não pode tirar o foco da questão de que o primeiro “errinho” foi de Zelaya.

      E prender, matar e ferir gente não é sinônimo de golpe. Em época de contra-golpe, com partidários do golpista sendo apoiados pela maioria dos equivocadíssimos governos e imprensa mundial, que atiçaram a população contra as instituições hondurenhas, pode muito bem ter sido apenas o melhor que se podia fazer.

      Quanto a comparar assuntos aparentemente “incomparáveis”, vai te acostumando… 🙂 Eu com freqüência lanço mão de comparações que buscam mostrar os princípios por trás dos fenômenos. No caso específico, eu estava falando de conveniências x ética, portanto a comparação não é despropositada, não. Nem caricatural. É apenas restrita ao princípio que pretendia demonstrar, sem deixar de lado o bom humor na hora de argumentar sobre um assunto pesado. 😉

  6. Francisco Monteiro Kamisaka

    05/07/2011 — 21:09

    Gerson, o referendo não significava simplesmente a reeleição do Zelaya. Esse referendo abriria um novo processo constituinte, que só ocorreria depois do fim do mandato dele. O Zelaya pisou na bola em ignorar a decisão da Suprema Corte.

    Falando assim dá a impressão que causa pétrea é tabu. Não pode mexer, mamãe não deixa, papai não quer. Vale lembrar que aqui no Brasil houve uma Assembléia Nacional Constituinte que revogou cláusulas pétreas da Constituição de 1967, admitindo o regime monárquico de governo (sei lá por que raios) e retirou do texto a obrigatoriedade do regime republicano. Isso foi umas das configurações da nossa Constituição Federal de 1988.

    1. Francisco, lê a história de Honduras (pode ser na Wikipédia), observa a instabilidade política histórica do país e tenta entender por quê existe por lá tanto zelo em evitar golpes como o que o conspirador Zelaya planejou e estava executando.

      E Cláusula Pétrea é pétrea por um bom motivo. Se qualquer golpistazinho pudesse mudar a seu bel-prazer as cláusulas que não lhe interessam manter na Constituição, então a Constituição não passaria de um rascunho permanente a ser modificado pela vontade do governante da vez ao invés de servir como base para a estabilidade institucional de uma nação.

  7. Francisco Monteiro Kamisaka

    05/07/2011 — 21:40

    André, sua demora está desculpada. Agora, vamos ver o que você me trouxe de presente.

    “Não entendi. Se o “american way of life” “invadir” a Somália, e as pessoas começarem a viver nessa realidade, o clérigo vai achar que isso é uma invasão tão nociva quanto a invasão militar mesmo. E isso vai implicar em mudança para melhor: pode falar o que quiser da cultura ocidental, mas não se pode falar que ela não liga para uma vida humana, ou sofrimento humano.”

    Em nenhum momento eu disse que o American Way of Life não se importa com a vida humana. Em todo caso, você pode apontar as mudanças para melhor que o estilo americano, por si só, poderia promover na Somália, fiquei curioso para ver como você vai fazer isso alegando o Kant.

    “Ahááá!!! Se parte dela encontra paralelo no método científico de Descartes, então eu estava certo! Descartes bolou um belo Método, né… Infelizmente (ou felizmente, se você for religioso), adivinha só onde ele funda toooooodo o seu argumento? Em deus!”

    Pela sua ênfase, cheguei a pensar que nosso problema estava resolvido, mas você continua repetindo as mesmas coisas apoiando-se em Kant e tentando pinçar contradições nos meus argumentos e, dessa vez, se utilizando de falsas citações bibliográficas.

    Descartes não funda seu argumento em deus. No método científico, a razão surge da dúvida. Segundo ele, através da dúvida se chega à razão e a partir desta pode-se chegar a deus. Há uma diferença enorme entre usar a razão para justificar deus e usar deus para justificar a razão. Dizem as más línguas que Descartes só “provou” a existência de deus para driblar os censores da época. Eu tenho dúvidas quanto ao que ele pretendia e faço coro junto àqueles que acham que essa é a parte mais fraca de sua argumentação.

    “Eu não me embananei. Minha afirmação é a mesma desde o começo: não há algo fundando a razão. Kant assumiu isso. Descartes não assumiu. Para ele, HÁ algo fundando a razão: deus. Daí que você dizer que se baseia no método cartesiano só pode ser verdadeiro se você se fundar em deus como o garantidor das verdades, como o absoluto que garante a validade das coisas. Não me pareceu ser seu caso…”

    Você continua se embananando porque tenta colocar qualquer prática cultural em grau de equivalência. Até onde conheço Kant é por sua teoria sobre uma obrigação moral única e geral. Não me parece possível que o autor da frase “Age de tal modo que a máxima da tua ação se possa tornar princípio de uma legislação universal” dê margem para o tipo de interpretação que você está expondo. Sua lógica é autodestrutiva porque se nada mais faz sentido, então nosso papo acabou; o artigo que iniciou essa discussão não faz sentido; todo o blog não faz sentido; e vou me desconectar da internet para não ler mais nada e que se danem as meninas mutiladas da Somália, o golpe de Honduras, Descartes, Kant e toda a patota de filósofos.

    Expliquei acima que o fundamento do pensamento cartesiano não é deus. Pode reler o Descartes se achar que minha explicação não basta. Não que eu seja um fiel seguidor dele, mas fundar a razão em deus, isso ele não fez.

    Sem querer ser deselegante, mas acho que você está inferindo sentido no trabalho do Kant para validar seus argumentos. Você fez uma referência muito ruim sobre o método científico e isso me faz duvidar da validade do restante dos seus argumentos e de outros já expostos anteriormente. Isso já está me cheirando à desonestidade intelectual. Pode dizer de qual livro do Kant você tirou essas ideias porque eu vou lê-lo. E só volto nessa discussão com você depois de ter terminado as 600, 800 ou sei lá quantas páginas tiver a obra do Kant a qual você se refere. Podemos fazer assim?

    Não me parece justo continuar discutindo com alguém sem confiar na validade de suas fontes (se é que as fontes dizem o que se apregoa). Muito menos me parece sensato abandonar a conversa, me encolher em posição fetal no canto do quarto com o dedão na boca, chamando pela minha mãe enquanto escuto Nothing else Matters do Metallica só porque nada mais faz sentido. Se for assim, então, Arthur, pode parar de meter o bedelho e fechar o blog!

    Então vamos lá, André, qual é o livro do Kant que eu preciso ler antes de voltar nesse assunto contigo? É o Crítica da Razão Pura? Crítica da Razão Prática? Crítica do Julgamento? Outro, qual?

    Engraçado que eu comecei a discussão esperando algo próximo de uma solução para a Somália e acabei aqui, “defendendo” Descartes e Zelaya. Que tristeza de vida!

    1. Metendo o bedelho de novo:

      “Sua lógica é autodestrutiva porque se nada mais faz sentido, então nosso papo acabou; o artigo que iniciou essa discussão não faz sentido; todo o blog não faz sentido; e vou me desconectar da internet para não ler mais nada e que se danem as meninas mutiladas da Somália, o golpe de Honduras, Descartes, Kant e toda a patota de filósofos.” (Francisco)

      “Não me parece justo continuar discutindo com alguém sem confiar na validade de suas fontes (se é que as fontes dizem o que se apregoa). Muito menos me parece sensato abandonar a conversa, me encolher em posição fetal no canto do quarto com o dedão na boca, chamando pela minha mãe enquanto escuto Nothing else Matters do Metallica só porque nada mais faz sentido. Se for assim, então, Arthur, pode parar de meter o bedelho e fechar o blog!” (Francisco)

      HAHAHAHA!!! Adoooooooooro quando um interlocutor crítico e sensato dá um piti desses e no entanto fica evidente que não é um piti e sim um recurso argumentativo radical porém de bom humor. Faz o blog valer a pena! 🙂

      Mas eu quero mesmo comentar é isso aqui:

      “Engraçado que eu comecei a discussão esperando algo próximo de uma solução para a Somália e acabei aqui, “defendendo” Descartes e Zelaya. Que tristeza de vida!” (Francisco)

      Francisco, a Somália tem solução. Com o orçamento dos bombeiros da cidade de Nova Iorque eu vou lá e salvo o país, chuto os piratas pro espaço, instituo um novo sistema político e de segurança e saio de lá reverenciado como herói. Quer que eu explique como? Posso preparar um artigo especialmente para isso! 🙂

  8. “Em nenhum momento eu disse que o American Way of Life não se importa com a vida humana. Em todo caso, você pode apontar as mudanças para melhor que o estilo americano, por si só, poderia promover na Somália, fiquei curioso para ver como você vai fazer isso alegando o Kant.”
    Aí é que está. Eu não vou. Eu poderia sim apontar as mudanças para melhor (por exemplo, não vai mais ter apedrejamentos de mulheres), mas não usando Kant, pois ele não é parâmetro definitivo. Usá-lo seria como usar o deus católico para esse mesmo fim. Seria só um ad hoc.

    “Pela sua ênfase, cheguei a pensar que nosso problema estava resolvido, mas você continua repetindo as mesmas coisas apoiando-se em Kant e tentando pinçar contradições nos meus argumentos e, dessa vez, se utilizando de falsas citações bibliográficas.”
    Olha, acho que nosso problema jamais estará resolvido. Eu não estou me apoiano em Kant. Apenas o citei pq vc diz usar a razão como norte moral, então mostrei que há alguém famoso por usar a razão como norte moral, e que fez uma obra imensa, que cai num argumento infundado (volto a ele depois). Sobre as falsas citações, é uma acusação forte, mas sem problema. Vejamos.

    “Descartes não funda seu argumento em deus. No método científico, a razão surge da dúvida. Segundo ele, através da dúvida se chega à razão e a partir desta pode-se chegar a deus. Há uma diferença enorme entre usar a razão para justificar deus e usar deus para justificar a razão. Dizem as más línguas que Descartes só “provou” a existência de deus para driblar os censores da época. Eu tenho dúvidas quanto ao que ele pretendia e faço coro junto àqueles que acham que essa é a parte mais fraca de sua argumentação.”
    A razão surge da dúvida? Bem, Descartes parte de uma proposição indubitável (pra usar o próprio termo): penso, sou. Não me parece que ele esteja partindo de uma dúvida, já que o próprio termo que ele usa é ‘proposição indubitável’. E é a partir dessa proposição que ele vai separar as idéias claras e distintas (as proposições verdadeiras), e, as que forem análogas a essas, também serão verdadeiras. Ocorre que há proposições que são tão claras e distintas que eu não teria como duvidar de sua veracidade, e daí surge a esperança de que eu possa declará-las tão válidas quanto o próprio cogito (o eu, que penso, logo, existo). No entanto, essas proposições não apresentam o mesmo caráter privilegiado da existência do eu. Posso conceber que exista um Deus tão poderoso a ponto de ter me criado de modo que eu me engane mesmo nas proposições que me parecem indubitáveis, e continuarei a ter certeza de que existo, mas todas as proposições que pareciam indubitáveis como ocogito aparecerão incertas e passíveis de dúvida. Bom, o negócio é longo, mas já deu pra ver que ele partiu de uma proposição indubitável – e não da dúvida – para fundar todo o seu método. Resumindo, é deus que vai garantir que qualquer ente fora do cogito seja verdadeiro. Isso tudo está nas Meditações Metafísicas. Fique à vontade para apontar uma citação bibliográfica falsa. E, caso você queira, eu posso continuar passo-a-passo até chega a deus (meu foco aqui foi apenas mostrar que ele partiu de uma certeza para chegar a outra certeza que fundamenta todo o resto).

    “Você continua se embananando porque tenta colocar qualquer prática cultural em grau de equivalência. Até onde conheço Kant é por sua teoria sobre uma obrigação moral única e geral. Não me parece possível que o autor da frase “Age de tal modo que a máxima da tua ação se possa tornar princípio de uma legislação universal” dê margem para o tipo de interpretação que você está expondo”
    Pois eh, isso é importante. De fato, Kant fala isso. Só que ele, em algum momento, define o que é essa legislação universal? NÃO. Ora, ele simplesmente parte de sua própria cultura (já que ele mesmo sequer considera as mulheres como seres racionais; faz ressalvas aos ‘povos dos mares do sul’). Ora, para o fundamentalista islâmico, apedrejar a menina ‘adúltera’ cabe bem em uma definição moral universal.

    Engraçado a forma como você falou sobre a minha lógica, sobre as coisas não fazerem sentido. É o mesmo comportamento de quando Nietzsche disse que deus estava morto: se deus está morto, tudo é permitido. Parece que você, ao ver que eu estou ‘atacando’ a razão como norte moral, se vê no mesmo beco sem saída que aqueles, na época de Nietzsche, viram seu norte moral sendo atacado, e ficaram sem chão.

    “Expliquei acima que o fundamento do pensamento cartesiano não é deus. Pode reler o Descartes se achar que minha explicação não basta. Não que eu seja um fiel seguidor dele, mas fundar a razão em deus, isso ele não fez.”
    Fez sim, e, se faltava a citação bibliográfica, agora não falta mais. “ah” – você poderá dizer – “mas Descartes está provando a existência de deus neste livro, e não fundando a razão”. Não é verdade. Ele está, sim, provando a existência de deus. Mas, além disso, ele é bem claro ao dizer que, sem essa investigação – que culminará em deus – NADA fora do cogito é garantido, de modo que qualquer coisa sem esse fundamento garantidor das coisas fora do eu não pode sequer ser chamado de verdade, quanto mais de absoluto.

    “Pode dizer de qual livro do Kant você tirou essas ideias porque eu vou lê-lo. E só volto nessa discussão com você depois de ter terminado as 600, 800 ou sei lá quantas páginas tiver a obra do Kant a qual você se refere.”
    ?????????? Não entendi MESMO isso aqui. Você quer q eu mostre onde Kant NÃO funda seu argumento??? Ué, como assim????? Se ele NÃO fundou seu argumento, como eu posso mostrar??? Faz sentido você pedir pra eu mostrar onde Descartes funda a razão em deus. Eu mostrei. Mas não faz sentido você pedir pra eu mostrar onde Kant NÃO funda seu argumento em alguma coisa.
    Na verdade, acho o contrário, né. Eu disse que Descartes faz tal coisa, então coube a mim mostrar isso. Se você está dizendo que há um fundamento absoluto em Kant, então é você que deveria mostrar, não acha? Ou, pelo menos, explique melhor o que você quer que eu lhe aponte, em Kant. Pq eu realmente não entendi (ou, se entendi, então não tenho como lhe mostrar uma coisa que ele NÃO escreveu)…

  9. Só dando um exemplo rápido do ‘funcionamento’ das máximas kantianas:
    Se eu minto sobre algo, essa ação é imoral pq eu não posso querer que mentir faça parte de uma lei universal. Ok.

    Parênteses:
    (Um dos aspectos, sei lá, curiosos, disso é que, como tudo deve ser feito sem jamais se levar em consideração a intenção, e somente a ação, e se ela tem uma base em uma máxima, então se um assassino que está atrás de um amigo meu pergunta onde esse meu amigo está, e eu minto para salvar a vida desse amigo, eu estarei sendo imoral).

    Enfim, foi só uma curiosidade à parte. O negócio é que eu não posso mentir. Mas quem disse que não? Ora, não posso pq não posso querer que isso faça parte de uma legislação universal. Tá, mas e se eu quiser? Então o mundo ficaria inviável. Tá, e o fato de o mundo ficar inviável é um problema MORAL pq? Não é. É um problema, de fato, mas não moral, e pode ser contornado de muitas formas.

    Enfim, você vê aí algum problema no que estou dizendo? Há alguma mentira? Caso veja, pode apontar. Caso não veja, eu te pergunto: onde você vê aí alguma fundamentação definitiva e absoluta? Não há. É sempre partindo do pressuposto de que ‘seres racionais’ pensariam fariam assim, e não assado. Mas nada fundamenta isso.

    No fundo, é o princípio do bom senso, nada mais. Ocorre que o princípio do bom senso é bom, e tal, mas é puramente prático, então pode levar (e muitas vezes leva) a injustiças.

    1. Esse paradoxo do assassino já foi usado há 2.600 anos, pelo Buda, para mostrar que a Sabedoria tem razões que a própria Razão desconhece. 🙂

      (Tá, é clichê, mas é verdade.)

  10. Crianças, espanquem à vontade os argumentos um do outro, só não batam com o teclado na cabeça do coleguinha, tá? 🙂

  11. Francisco Monteiro Kamisaka

    07/07/2011 — 19:47

    Sim, André, Descartes se faz essa proposição indubitável, que por sinal veio depois da dúvida metódica. Ou seja, esta ainda é colocada em primeira instância, afinal o que ele queria era um conhecimento que resistisse à dúvida mais obstinada; um conhecimento do qual não haja razões para duvidar. Concordo contigo que ele não conseguiu.

    O exagero é dizer que isso “não é razão de modo algum” só porque o cogito não é um fundamento absoluto. Não precisa ser cartesiano admitir a validade do método científico. Ademais, é perfeitamente possível levá-lo em consideração sem fechar o ciclo que Descartes fez do cogito até deus e depois de volta para o cogito.

    “Engraçado a forma como você falou sobre a minha lógica, sobre as coisas não fazerem sentido. É o mesmo comportamento de quando Nietzsche disse que deus estava morto: se deus está morto, tudo é permitido. Parece que você, ao ver que eu estou ‘atacando’ a razão como norte moral, se vê no mesmo beco sem saída que aqueles, na época de Nietzsche, viram seu norte moral sendo atacado, e ficaram sem chão.”

    Acho que eu deveria ter usado esse smilezinho 🙂 para indicar a ironia. Mas enfim, agora já foi. Voltando…

    Não vou me sentir sem chão caso você ou qualquer outro me contraponha um argumento. Posso flertar com algumas ideias, mas não pretendo me casar com nenhuma delas. Mikhail Bakhtin tem uma afirmação sensacional que diz “nem a minha língua pátria é minha, pois esta também me foi dada”. Deu pra perceber que eu não pretendo fundamentar no absoluto qualquer coisa que seja e também não estou preocupado porque Descartes não o conseguiu.

    “?????????? Não entendi MESMO isso aqui. Você quer q eu mostre onde Kant NÃO funda seu argumento??? Ué, como assim????? Se ele NÃO fundou seu argumento, como eu posso mostrar??? Faz sentido você pedir pra eu mostrar onde Descartes funda a razão em deus. Eu mostrei. Mas não faz sentido você pedir pra eu mostrar onde Kant NÃO funda seu argumento em alguma coisa.”

    O que eu quero é ler a mesma referência sobre Kant que você leu. Independente de ele ter conseguido fundamentar ou não a razão absolutamente (se é que é possível) eu quero saber de qual obra você tirou essa informação.

  12. Francisco Monteiro Kamisaka

    07/07/2011 — 20:01

    Arthur, como falei pro André acho que eu deveria ter usado isso :). Realmente pareceu um piti e eu não tentei ser radical nem no sentido “brucutu” e nem no sentido de “raiz”.

    Já conferi a história de Honduras na Wiki e não ajudou muito. Sem a historicidade dos eventos não dá pra concluir grande coisa. O “zelo” das autoridades hondurenhas com a constituição é compreensível só que isso não pode se cristalizar num tabu. Apesar de não considerar Zelaya o cara mais indicado para o serviço foi a oposição dele que derrapou na curva e saiu da pista.

    1. Bem, eu interpretei o “piti” como um “recurso argumentativo radical”, ou seja, um “vamos esclarecer isso aqui – pô! – senão a gente não tem como prosseguir”. Não foi mais ou menos por aí?

      O importante na história de Honduras para nosso debate é a incrível instabilidade política que caracteriza o país desde a idade da pedra. Justamente agora que eles conseguiram uma certa estabilidade, vem um caudilho mequetrefe querer dar um golpe bolivariano de Estado, é impedido pela pronta e justa intervenção das instituições encarregadas de defender a lei e a justiça… e todo mundo se põe a apoiar o caudilho mequetrefe.

      Quer saber? Tenho a impressão que os poderes executivos de todas as américas ficaram mesmo é com medo do precedente: “puxa, depois dessa não podemos mais fazer besteira, vai que os tribunais se aliam aos exércitos para nos obrigar a cumprir a lei”. Lógico que eles não querem essa aliança entre a justiça e a força. A justiça é muito melhor quando condena só ladrões de galinha, contra os quais ninguém acha ruim usar a força…

      E esse papo de que “foi a oposição dele que derrapou na curva e saiu da pista” não tem sentido, Francisco: a oposição a ele foi a Suprema Corte, todo o Congresso Nacional, o exército e a maioria do povo. E só se opuseram depois que ficou claro que ele estava conspirando com uma força estrangeira para dar um golpe de Estado, iniciativa que já estava em andamento, a ponto de Zelaya já estar desobedecendo abertamente as decisões da Suprema Corte.

      Aliás, porque ninguém entre os partidários do golpista responde quando eu comento que ele estava conspirando com uma força estrangeira e desobedecendo as decisões da Suprema Corte? Só falam que ele foi chutado embora de pijamas no meio da madrugada, como se isso tivesse acontecido espontaneamente. E as ações prévias dele, conspiração e desobediência, ninguém viu nem lembra?

  13. Francisco Monteiro Kamisaka

    07/07/2011 — 20:06

    Só uma pergunta, Arthur. Depois que você pacificar a Somália, constrói um teleférico bacanudo que nem esse aqui? Já pensou que legal?

    1. Interessante isso. Eu digo que tenho um plano pra resolver a situação da Somália – que dizes ser de teu interesse – e ao invés de perguntar “o que é?” tu fazes troça da idéia antes mesmo de conhecê-la. Hmmm…

  14. “O “zelo” das autoridades hondurenhas com a constituição é compreensível só que isso não pode se cristalizar num tabu.”

    Uma frase interessante. Autoridades obedecerem à Constituição de seu país é… um tabu!

    1. Também vi isso, mas nem quis entrar no mérito. Nosso país tem agido deste mesmíssimo modo: querer que os políticos cumpram a lei é “muito radicalismo”, há que se considerar “a cláusula do possível”. Ou seja, só é possível ser corrupto. E tem muita gente que aplaude. Muita mesmo.

  15. Francisco Monteiro Kamisaka

    08/07/2011 — 18:30

    Gerson, tem certeza que a Suprema Corte de Honduras obedeceu a Constituição no processo do Zelaya?

  16. Francisco, respondendo rigorosamente, quanto à deposição, sim.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *