Multaram mais de 200 cinemas por não exibir o percentual mínimo de produções medíocres e desinteressantes em que o púbilco consumidor não está interessado. É o Governo Federal e sua maravilhosa política de “ou você tem o prejuízo espontaneamente, ou eu imponho o prejuízo a você”.

Mais de 200 cinemas brasileiros multados

A Ancine acaba de fechar um relatório que revela o descumprimento da lei de cota de tela pelo país. Segundo a pesquisa, de 535 complexos de cinema analisados, 219 (41%) não cumprem o percentual de exibição de filmes brasileiros criado por um decreto do Governo Federal. Todos terão que pagar uma multa referente a 5% da renda média diária da bilheteria dos cinemas.

Minas Gerais tem mais da metade (52%) das salas que descumprem a lei, seguido de São Paulo (49%) e Rio de Janeiro (36%).

Por Lauro Jardim (Original aqui.)

É isso aí… se a produção local é uma porcaria, institua-se cotas ao invés de melhorar a qualidade. Quem sabe inventam uma lei para obrigar o Mc Donald’s e o Bob’s a incluírem um percentual de “pratos brasileiros” no cardápio? Como eu sou gaúcho, sugiro incluir churrasco e carreteiro de charque. Talvez os baianos sugiram sugiram incluir o acarajé. E por aí vai, na mesma linha lógica de “vamos obrigar o mercado a oferecer algo que o consumidor não está procurando”.

Eu fico louco com isso. E olha que eu quase infartei quando descobri que Quebrando um Tabu, o excelente documentário do Fernando Henrique Cardoso sobre a mais importante questão de saúde e segurança públicas do início do século XXI, simplesmente não estava sendo exibido em Florianópolis, uma capital de Estado, enquanto Kung-fu Panda, um besteirol de entretenimento descartável, estava em exibição em diversas salas.

Feliz ou infelizmente, porque faço apenas uma constatação e não um juízo de valor, o mercado consumidor não é regulado nem regulável por canetaço.

Obrigar as salas de cinema a exibir filmes que não darão lucro – pois as salas ficarão às moscas – só causa prejuízos para todos:

– para o consumidor, porque obriga o cinema a cobrar ingressos mais caros nos outros filmes para compensar a ociosidade imposta às salas pela exibição de tranqueiras desinteressantes;

– para o cinema, porque ingressos mais caros reduzem a acessibilidade e portanto acabam reduzindo o potencial de expansão do negócio;

– para o governo, porque negócios reduzidos implicam menos impostos.

Ou seja: ninguém sai ganhando. Por que fazem essa estupidez, então?

Há que se verificar quem são os “amigos do rei” que estão ganhando com essa violência cometida contra o mercado.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 05/07/2011

10 thoughts on “Mais uma tentativa de revogar a lei da oferta e da procura por canetaço

  1. Manga-Larga

    05/07/2011 — 18:38

    Pois é, parece que não interessa a ninguém quebrar o tabu em Floripa, tb fiquei muito puto. Mas e o tal canetaço não garantiria a exibição deste filme aqui?

    1. Sim, garantiria a exibição deste ótimo documentário e também de dezenas de filmecos de segunda linha que deixariam os cinemas às moscas durante muitas sessões.

      O problema é que não existe – nem eu gostaria que existisse – um critério de qualidade para selecionar que filmes deveriam ser exibidos porque são bons ou importantes.

      Muito mais razoável é a solução de Porto Alegre para esse tipo de problema: a cidade tem várias salas “alternativas”, onde passam inúmeros filmes de caráter “não comercial” ou “não mainstream”. Nada de canetaço, nada de discriminação, simplesmente uma ótima utilização de espaços menores que podem ser dedicados a produções de menor apelo popular sem deixar ociosas as grandes salas que lotam de gente interessada em ver um urso panda falante distribuir pontapés a esmo.

      Muito melhor que tentar regular o mercado no canetaço seria fomentar a criação de espaços alternativos à tendência de cinema-só-nos-shoppings. Que fiquem os grandes cinemas nos grandes shoppings e os pequenos cinemas (pequenas “salas de projeção”, melhor dizendo) em outros ambientes, como supermercados e postos de gasolina. Ou não dá pra ter uma salinha aqui e outra ali com lotação para 50 pessoas para passar produções alternativas e funcionar em horários alternativos? (Eu iria ao cinema às 2h da madrugada eventualmente, se existisse essa possibilidade.)

  2. Joaquim Salles

    06/07/2011 — 12:09

    Veja em http://www.pliber.org.br/Blog/Details/123 – Governo saqueará cinemas veja o post.
    “Mais de 200 cinemas serão multados esse ano por não cumprimento da cota mínima de exibição de filmes nacionais. Mais um desrespeito do estado à propriedade privada, o que mostra que o governo é sócio majoritário de todos os cinemas, podendo mandar e desmandar, sob a mira de uma arma, o que será exibido.

    É lamentável que indivíduos pacíficos continuem sendo saqueados pelo governo apenas porque não seguem suas exigências arbitrárias. Tais leis odiosas precisam ser revogadas e o governo deve ser impedido de legislar sobre qualquer coisa que não trate de início de agressão, porque do jeito que as coisas estão, o verdadeiro criminoso é o governo.”

    1. Só pela expressão “início de agressão” eu já tinha percebido que se tratava do LIBER, o partido da Lei das Selvas travestida de liberdade.

      O LIBER é um exemplo fantástico do poder da combinação entre um discurso hipócrita bem planejado e uma massa de inocentes úteis que pensam que estão lutando por um belo ideal.

      Muita cautela em relação ao LIBER. Eles constituem a maior ameaça ideológica às liberdades e garantias individuais que já nasceu neste país depois do integralismo (o fascismo brasileiro).

      Aliás, sacanagem um partido de extrema direita usar o nome “LIBERtários” para confundir a população quanto a seus verdadeiros interesses. Mas isso já faz parte da lógica mal intencionada da legenda desde o início.

  3. As universidades poderiam recebere incentivos para a exibição desses filmes nacionais ou documentários ou filmes artísticos, melhoraria a iteração das universidades com a sociedade, poderia haver uma filtragem de qualidade, as universidades poderiam criar grupos de discussão (e como faz falta aos adultos de opinião formada discutirem seus conceitos), a interferência do governo no mercado seria pequena, entre outras possibilidades.

    1. Olha só, pessoal… não é difícil pensar em alternativas bem simples, interessantes, práticas e viáveis para divulgar a produção artística nacional sem meter o bedelho no mercado de modo deletério.

      Valeu, André!

  4. Governo fascista da nisso.

    1. E ninguém se dá conta que o fascismo está crescendo entre nós como abóbora na m…

  5. É isso aí, o governo continua a tratar o brasileiro como IDIOTA que deve ser tutelado na sua vida profissional e também na vida pessoal.

    Os governantes deste país trabalharam tão árduamente para idiotizar o brasileiro que agora pensam que não somos capazes nem de escolher aquilo que queremos assistir.

    Ou será que é para justificar o dinheiro investido em produções de baixa categoria que de outra maneira teriam apenas a platéia dos que receberam incentivos fiscais para produzi-la?

    De qualquer maneira isso só acontece porque deixamos! Nós é que somos frouxos e deixamos eles nos ditarem o que devemos ser.

    Se fosse eu o dono do cinema pagaria a multa com gosto! Ou então exibiria brasileirinhas durante a madrugada!

    1. Infelizmente, Nelson, o povo não mantém contato com seus “representantes”, nem acha que política seja um assunto importante no dia-a-dia, a não ser para discutir no mesmo nível como se partido fosse time de futebol. Aí não dá mesmo para esperar que o povo deixe de permitir que ditem o que ele deve ser. 🙁

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