Muita gente culpa o consumidor de drogas pelo financiamento do crime organizado. Eu entendo a lógica básica deste raciocínio: “se ninguém quisesse comprar drogas, ninguém ia querer vender drogas, portanto não haveria tráfico de drogas”. Entendo mas não posso concordar, porque há uma premissa totalmente errada nesta hipótese.

Vamos analisar o mercado de uma outra substância qualquer. Leite, por exemplo. Ora, o consumidor de leite quer comprar leite, portanto alguém quer vender leite, e nem por isso existe tráfico de leite.

Tanto no caso das drogas quanto no caso do leite, o interesse e a atitude do consumidor são os mesmos: ter interesse em uma mercadoria e procurar adquiri-la.  Portanto, é evidente que não é o consumidor que promove o tráfico. É lógico que tem que ser outra coisa.

Em um caso e outro, existe um consumidor que quer comprar e um fornecedor que quer vender. Portanto, também não é a existência de um fornecedor e nem tampouco de um acordo comercial (um compra, outro vende) que promovem os males do tráfico. O que sobra para explicar este fenômeno, então?

Sobra somente a única diferença entre um mercado e outro: um deles o Estado legaliza, regulamenta e controla, enquanto o outro o Estado proíbe, não regulamenta e não controla. Não há outro agente interferente nestes mercados. Logo, é a proibição das drogas que explica os males do tráfico.

Simples assim.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 11/07/2011

 

54 thoughts on “O consumidor de drogas é culpado pela violência do tráfico?

  1. Olá Arthur!
    Encontrei seu blog por acaso na internet e confesso que fiquei encantada com a qualidade dos artigos e, salvo alguns casos que faço questão de ignorar, principalmente pelo nível de respeito e arguição nos comentários. Tornei-me leitora silenciosamente assídua.
    Porém, deparando-me com este artigo e seus respectivos comentários, fiquei realmente curiosa com uma questão.
    Concordo com o livre arbítrio do indivíduo que deseja usar drogas. Não acredito que a proibição traga qualquer benefício porque quem quer usar, vai usar – não importa o quanto proíbam ou dificultem.
    Até aí, Ok: quer fumar maconha, fume; quer cheirar cocaína, cheire – que seja. Todos sabem o mal que faz e usa quem quer.
    Mas… e no caso do crack? Pergunto isso porque tive o desprazer de conviver com usuários deste tipo de droga e afirmo categoricamente: eles perdem totalmente a capacidade de sociabilizar, viram zumbis, agressivos e perigosos.
    Não acho coerente permitir que alguém que optou por se entreter com crack se torne um perigo em potencial para a sociedade. Tampouco acho coerente que o Estado se encarregue dos cuidados com esse indivíduo, uma vez que foi sua escolha.
    Imaginando uma legalização do uso das drogas, o custo de uma necessária intervenção em um usuário que vira “zumbi” recairia sobre os contribuintes – o que também não concordo. E se fossemos avaliar mais profundamente o caso, uma intervenção entraria em desacordo com os direitos do cidadão em querer continuar utilizando a droga.
    Prender até poderia ser uma solução, mas mantendo os pés no chão e conhecendo a incapacidade do nosso governo em manter a ordem e segurança para o povo, qual seria uma solução cabivel neste caso?
    Não sei se consegui me fazer clara e objetiva no questionamento.

    1. Oi, Naty. Tomara que continues assídua, mas não silenciosa! 😉

      Tenho um artigo para publicar sobre drogas entre hoje e amanhã e no artigo seguinte vou citar e responder as tuas questões, certo?

  2. Ok Arthur! Ficarei no aguardo. 🙂

  3. A lógica que vc apresentou para justificar o ‘comércio de drogas’ é absurda. Você está esquecendo de um pequeno detalhe, que é a natureza das substâncias. Beber leite, não altera o estado psiquico de ninguém, beber leite não causa disfunção quimica no cérebro. Uma pessoa que deixa de beber leite não larga seu trabalho, não pega uma arma para conseguir dinheiro para comprar mais leite.

    Será que você não percebe que as drogas destroem a capacidade de uma pessoa ser útil a sociedade?

    Uma pessoa que bebe leite não se torna um dependente quimico!

    Drogas causam danos ao cérebro de uma pessoa. Uma sociedade é feita de pessoas. Uma pessoa com estado alterado de consciência não se adequa a sociedade alguma, não produz nada, não soma nada, não compartilha nada.

    Um drogado é basicamente um doente, um covarde, um fraco, alguém que precisa de uma fantasia na cabeça para não encarar o mundo como ele é, e por isso se torna um parasita, um fardo para as pessoas sadias carregarem.

    Ai vc vai dizer que o alcool também é droga, mas é liberado.

    Sim o alcool é droga também, e é liberado.

    Porém a capacidade que o alcool tem de danificar cerebro de alguém é infimo se comparado com os efeitos nocivos das drogas quimicas.

    Não conheço nenhum bebado que ficou louco por tomar cachaça ou que tenha cometido atrocidades com seus semelhantes por um copo de pinga, geralmente o bebado fica ali no canto dele, sendo inútil, mas não causando mal direto aos outros, e costumam morrem de cirrose hepática e não baleados em assaltos ou crimes.

    Preciso argumentar mais?

    Re-pense seu ponto de vista.

    1. Para complementar….

      Uma pessoa alcoolizada que pega no voltante e atropela alguém, pode matar por sua incapacidade motora causada pelo efeito do alcool.

      Alcoolizados não matam nem roubam por estado de abstinência.

      Está é uma grande diferença.

    2. Pfff… Mais do mesmo.

    3. Eu tenho tédio desse tipo de argumento. São tão obviamente baseados em pura intolerância que não tenho mais paciência para responder.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *