A primeira morte no massacre da Noruega foi causada pelo maluco assassino. Todas as demais mortes foram causadas pela prepotência e estupidez dos desarmamentistas organizados, pela famigerada imposição desarmamentista e pela cultura de submissão e covardia propagada por canalhas com pretensões fascistas e inocentes úteis com pretensões “politicamente corretas”. Sim, eu já disse isso antes. Quantas chacinas mais precisarão acontecer até que o mundo entenda isso?

Vamos recapitular a história: primeiro ocorreu o ataque à bomba contra o prédio que abriga o escritório do primeiro-ministro da Noruega, no centro de Oslo, deixando sete mortos e quinze feridos; depois ocorreu o ataque à tiros contra o acampamento de jovens do Partido Trabalhista na Ilha de Utoya, a 40 km de Oslo, deixando mais oitenta e cinco mortos.

Dramático, chocante? Sim.

Horrível, monstruoso? Sim.

Imprevisível, inevitável? Não.

Tragédias deste tipo são o resultado previsível da perniciosa ideologia que prega a reiteradamente aqui denunciada cultura de submissão e covardia que transforma o cidadão num debilóide incapaz e sempre dependente das instituições do Estado.

As exigências desta ideologia são simples: abdique do direito e da habilidade de defender sua própria vida e sua própria integridade física; abdique do direito e da habilidade de defender sua família e sua propriedade; torne-se um fraco, um submisso, um dependente; entregue toda a responsabilidade e todos os meios de defesa – especialmente as armas de fogo – ao governo, à polícia e ao judiciário; então bata no peito e grite orgulhosamente aos quatro ventos “eu sou um cidadão civilizado”.

Esse discurso é bonitinho na teoria, mas na prática você não se torna um cidadão, você se torna uma vítima indefesa. Uma ridícula, estupidamente sem alternativas e cada vez mais freqüentemente morta vítima indefesa.

Depois do massacre na escola em Realengo eu escrevi:

“Não reaja”, dizem os políticos, o judiciário, a polícia, a grande mídia e as ONGs pra lá de suspeitas. “Quem tem arma ou é polícia ou bandido”, dizem eles. O resultado é este: 12 adolescentes mortos, 11 feridos, 23 famílias traumatizadas para sempre e milhares de “casos isolados” do mesmo tipo acontecendo todo dia em todas as partes do país, com a única diferença que não são tão espetaculares e não servem para aumentar a audiência e o preço do intervalo comercial, portanto não despertam o interesse da grande mídia.

Pois “a história se repete, como farsa ou como tragédia”. Normalmente as duas coisas juntas.

O que aconteceu na Noruega? Ninguém reagiu.

Qual foi o resultado? Oitenta e cinco mortos.

Havia 560 pessoas na ilha e apenas um atirador.Você entende estes números?

560 x 1

E mesmo assim o atirador solitário matou 85 pessoas e saiu ileso e sorridente.

Assim como perguntei no caso do massacre na escola no Realengo, pergunto novamente em relação aos jovens noruegueses massacrados na ilha de Utoya:

Como é possível que mais de oito dezenas de jovens tenham sido mortos ou feridos por um lunático tão covarde que se entregou sem a menor resistência assim que chegou uma equipe da polícia?

Como é possível que ele tenha permanecido uma hora e meia atirando sem que ninguém entre cerca de 560 pessoas tenha gritado “PRA CIMA DELE, TODO MUNDO!”???

Resposta: porque, pelo visto, tanto no Brasil quanto na Noruega, e pelo que temo na maior parte do mundo, nossos jovens são doutrinados segundo a mesma ideologia que impõe uma cultura de submissão e covardia que os torna incapazes de lutar até mesmo por suas próprias vidas quando necessário.

As evidências de uma submissão vergonhosa

O agressor agiu livremente por uma hora e meia sem que ninguém lhe oferecesse qualquer resistência. Todos ficaram aguardando a chegada de um salvador. Para pelo menos 85 deles, o salvador nunca chegou.

Quinhentas e sessenta pessoas entraram em pânico e tentaram fugir sem sequer pensar em reagir, alguns se escondendo atrás de pedras, outros se jogando ao mar, outros se escondendo no banheiro.

Enquanto o agressor gritava que ia matar todo mundo, passeando entre corpos de vítimas já abatidas, alguns se fingiram de mortos e só não foram abatidos por sorte.

Vergonha das vergonhas, houve quem usasse outras pessoas como escudos humanos, “rezando para não ser visto” enquanto seus amigos eram alvejados e seus corpos acumulavam-se sobre ele ou caíam na água.

Até mesmo animais supostamente irracionais são capazes de atitudes muito mais dignas, solidárias e coordenadas.

O exemplo dos búfalos

O vídeo é este aqui: http://www.youtube.com/watch?v=Yt2HvbUxirQ

Ignorem o título original do vídeo, que está mal redigido. “Instinto materno mãe búfalo salva filhote de leões” faz parecer que o filhote salvo era um leãozinho. O título deste vídeo deveria ser “Manada salva filhote de búfalo de ataque de leões graças à ação corajosa e conjunta“.

O que vemos no vídeo?

1. Em um primeiro momento, perante um ataque de um predador mortal, o medo falou mais alto e os búfalos correram desesperados para salvar suas vidas. Compreensível assustar-se perante um ataque potencialmente fatal, certo?

2. Porém, assim que o susto passou, aqueles quadrúpedes supostamente irracionais que passam a vida pastando nas savanas olharam uns para os outros e não precisaram de palavras para dizer “nós somos búfalos ou somos humanos?” – eles tiveram a dignidade que os fez buscarem a coragem necessária para enfrentar juntos um grupo de predadores mortíferos para salvar um dos seus.

3. Não foi somente a mãe búfala que voltou para salvar seu filhote, foi a manada inteira, numa demonstração clara de solidariedade. Nenhum búfalo disse “deixa eu salvar a minha pele que isso não é problema meu”.

4. Os búfalos estavam com muito medo. Nenhum deles queria ser o primeiro a se aproximar dos leões. Avançaram a princípio timidamente, receosos, e mais de uma vez refugaram perante um rosnado. Mas aqueles quadrúpedes supostamente irracionais que passam a vida pastando nas savanas não se deixaram abater pelo medo. Sua dignidade e sua coragem superaram o temor.

5. Alguns búfalos mais ousados tomaram a iniciativa e atacaram a chifradas as leoas, logo percebendo que tinham ampla superioridade e que a manteriam enquanto permanecessem unidos. Alguns dos búfalos chegaram até mesmo a perseguir algumas das leoas por algumas dezenas de metros, retornando então à segurança da manada.

6. A manada de quadrúpedes supostamente irracionais que passam a vida pastando nas savanas salvou a vida do filhote.

Conclusão

Os búfalos não ficaram esperando alguém resolver o problema para eles. Nenhum búfalo pediu e muito menos implorou choramingando para os leões não matarem o filhote. Nenhum búfalo telefonou para a polícia. Nenhum búfalo se escondeu atrás de uma pedra, dentro de um banheiro ou no meio do mato. Nenhum búfalo discursou dizendo que estaria mais seguro se entregasse os chifres para a polícia búfala. Nenhum búfalo apareceu na TV defendendo que a única solução para aumentar a segurança de todos os búfalos era impor o Estatuto do Deschiframento.

Sabem por que os búfalos foram capazes de fazer contra um bando de predadores aquilo que quinhentas e sessenta pessoas não foram capazes de fazer contra um único agressor solitário? Simples: porque os búfalos não recebem a doutrinação para a submissão e para a covardia que nossos filhos recebem.

Se aquela manada de quadrúpedes supostamente irracionais que passam a vida pastando nas savanas tivesse recebido a educação que nossos filhos recebem, o filhote estaria morto. Está na hora de repensar a educação que queremos para nossos filhos, não está?

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 25/07/2001

44 thoughts on “A cultura de submissão e o massacre na Noruega

  1. Outro caso de registro fotográfico de búfalos mais corajosos e organizados do que seres humanos: http://noticias.terra.com.br/ciencia/animais/,ae66384312ce8410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

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