O cupim da madeira é um animal que vive entre os destroços da destruição que ele mesmo causa. Ele vai roendo todos os recursos disponíveis, tornando sua própria situação cada vez mais insegura, até que sua casa desmorona porque não tem mais sustentação. Então milhares de cupins morrem esmagados ou ao relento, ou predados devido à falta de abrigo, mas a espécie não se extingue porque se reproduz abundantemente e se dispersa antes de cada previsível catástrofe. Qualquer semelhança entre o comportamento do cupim e o de muitos seres humanos que vivem na miséria não é mera coincidência. E os resultados de agir como cupins, é óbvio, são semelhantes aos resultados dos cupins. 

Muitas pessoas estariam vivendo muito melhor se simplesmente não agissem como cupins, roendo os recursos dos quais precisam para bem viver por puro descaso, desleixo e expectativa de receber novas doações. Não que a Síndrome do Cupim não afete quem trabalha, mas é muito mais comum entre os beneficiários de caridade, por motivos óbvios.

A Síndrome do Cupim é um fator econômico tão importante que não sei como não há obras de referência sobre ela. Talvez haja e eu não esteja informado, ou talvez poucos cientistas sociais se arrisquem a escrever sobre um assunto que lhes renderá centenas de dedos acusatórios apontados pelos patrulheiros ideológicos do “politicamente correto”, sei lá. Mas o que não falta é material de estudo, pois os casos são tão abundantes quanto os cupins.

Para escrever este artigo fiz uma lista de cupins que conheci ao longo dos anos e fiquei surpreso com sua extensão: mais de trinta só entre os que eu sei citar o nome. Eis aqui os três exemplos mais significativos.

O Cupim Mendigo

O caso mais grave de Síndrome do Cupim que conheci foi o de Jean Pierre (nome real), já falecido. Não conheço sua origem, já o conheci como morador de rua. Sei que ele tinha família mas se negava a morar com eles e não os visitava. Ignoro os motivos. O fato é que Jean Pierre cresceu na vizinhança de minha casa e muitos moradores das redondezas o conheciam e tentavam ajudá-lo.

Inúmeras oportunidades de trabalho foram oferecidas a Jean Pierre, mas ele nunca se interessou. Tudo que ele queria na vida era ganhar comida de graça, ganhar roupas de graça, ganhar uns trocados sem fazer nada e freqüentar o Bailão do Cardoso uma vez por semana pra dançar e encher a cara – com ingresso e bebida pagos pelas doações da vizinhança, é claro.

Apesar de ser um completo inútil, Jean Pierre sempre foi aceito e bem tratado no bairro. Um de meus vizinhos chegou a permitir que Jean Pierre dormisse primeiro na garagem de sua casa, depois na oficina mecânica de sua propriedade, até que finalmente teve que expulsá-lo por não tolerar seus maus hábitos de higiene, sua indolência e sua absoluta falta de compromisso com sua própria saúde e bem estar.

As pessoas se preocupavam com ele e tentavam conversar com ele para ver se ele gostaria de estudar, trabalhar ou sabe-se lá o que fazer, mas ele sempre desconversava. Instalou-se sob a escada de uma casa abandonada, onde dormia, comia e fazia suas necessidades, tudo no mesmo local. Jean Pierre raramente tomava banho, e marcava seu território com o fedor da imundície que produzia e no meio da qual vivia. Era um miserável obstinado em se destruir, rejeitando tudo que exigisse qualquer compromisso, por mínimo que fosse.

Uma vez, numa noite fria em meio a um inverno rigoroso, Jean Pierre bateu em minha porta perguntando se eu tinha alguma roupa quente que pudesse lhe dar. Eu tinha. Dei-lhe um blusão de lã de boa qualidade, que eu quase não usava mais porque um pingo de água sanitária tinha causado uma pequena mancha. No dia seguinte, ao ir para o trabalho, passei na rua por um traficante que eu havia entrevistado havia pouco tempo (e que já é falecido). O sujeito estava vestido com o blusão que eu havia dado a Jean Pierre, com a inconfundível manchinha a garantir que não havia engano algum na identificação da peça.

Tão certo quanto dois e dois são quatro, nas semanas seguintes ficou claro que Jean Pierre, do mesmo modo como 60% a 80% da população de moradores de rua de Porto Alegre, tinha começado a fumar crack. Tornou-se inconveniente. Passou a achacar os vizinhos com freqüência, pedindo sempre dinheiro e rejeitando comida. Foi pego pelo menos duas vezes furtando as casas dos mesmos moradores que sempre tentaram ajudá-lo. Como as notícias voam em qualquer comunidade pequena, passou a ser evitado por quase todos. E continuou a negar as ofertas de ajuda dos poucos que ainda queriam evitar que ele cavasse um buraco fundo demais para se enfiar.

Jean Pierre morreu aos vinte e poucos anos, assassinado com duas balas na cabeça. Dizem as fofocas do bairro que ele foi executado devido a uma dívida com o tráfico, mas analisando seu retrospecto fica claro que o que realmente o matou foi a Síndrome do Cupim.

Jean Pierre roeu tudo que tinha: roeu suas relações com a família, roeu suas oportunidades, roeu sua saúde, roeu sua dignidade, roeu o apoio da comunidade e finalmente roeu sua própria vida, como um cupim. E morreu predado como um cupim.

O Cupim Empresário

João Ricardo, “o Japa Coreano” – que na verdade é brasileiríssimo – é o protótipo por excelência do Cupim Humano. Mestiço de coreano com brasileira, ele é chamado de “japa” pela turma de amigos por pura implicância, pois ninguém jamais o viu irritar-se com outra coisa. Quando alguém o chama de “japa”, a cena é invariavelmente a mesma há mais de trinta anos: ele começa a explicar que é descendente de coreanos, é interrompido pela frase “não enche o saco, japa” e sai bufando e xingando em coreano. Dois minutos depois já está conversando na boa com o implicante da vez. Mas divago.

João Ricardo foi proprietário de um pequeno hotel com uma vista linda na serra gaúcha. Ou, melhor dizendo, nos últimos anos foi proprietário de uma pequena espelunca que em outras eras foi um pequeno hotel com quartos com piso em tatame, parede em cerejeira e cortinas de seda. Nada disso existe mais. Ao longo das últimas três décadas, João Ricardo negligenciou de tal maneira a manutenção do estabelecimento e permitiu que a destruição avançasse tanto sobre o imóvel que até mesmo seus fregueses mais fiéis deixaram de freqüentar o local por considerá-lo fora de condições mínimas de habitabilidade. E, como veremos adiante, a coisa não parou por aí.

A primeira vítima foi o sistema elétrico. Uma tomada deu curto-circuito aqui, uma lâmpada parou inexplicavelmente de funcionar ali, e as gambiarras começaram a se instalar. Uma extensão foi puxada de um quarto para o outro para ligar um ventilador, depois outra foi pendurada em um prego para ligar um benjamim com uma lâmpada, depois as instalações provisórias se tornaram o estilo permanente do hotel.

A segunda vítima foi o telhado. Uma telha quebrou aqui, outra telha foi deslocada pelo vento ali, e as goteiras começaram a aparecer, sendo “resolvidas” empurrando os móveis para lá e para cá conforme a posição dos pingos. Daí em diante o ritmo de destruição foi acelerado.

Desgastados pelo constante arrastar de móveis, os tatames ficaram vincados e passaram a dificultar justamente o constante arrastar de móveis. Foram, portanto, removidos e colocados empilhados em um dos quartos, para uma futura seleção e talvez recuperação que nunca aconteceu. Os móveis, por sua vez, agora arrastados contra um piso de cimento cru, passaram a perder lascas na base.

As penteadeiras foram destruídas uma a uma, restando somente as gavetas, que passaram a ser usadas empilhadas umas sobre as outras. As poltronas pareciam ter sido atacadas cada uma por seiscentos gatos que precisavam afiar as unhas. As camas começaram a ficar com as pernas moles e perder pedaços dos estrados, que iam se quebrando com a movimentação constante. E nada era substituído nem recebia manutenção adequada, somente algumas eventuais enjambrações para permitir que alguém passasse a noite.

Com a degradação da estrutura, o funcionamento invariavelmente é atingido. Os hóspedes começaram a escassear. Chegou um momento que somente os antigos conhecidos se hospedavam ali, pois os recém-chegados olhavam as condições do local e iam embora. Quando a estrutura inteira do hotel começou a ceder, impedindo o fechamento das portas e esmagando os canos, o que deixou os quartos permanentemente abertos e sem banheiros, uma guaribada rápida garantiu mais uma temporada de funcionamento, mas depois não houve salvação.

João Ricardo, um cupim que não tinha religião, agora é zen: zen hotel, zen grana, zen nada.

O Cupim Trabalhador

Florisvardo já começa mal nessa história pelo nome, mas o que arrebenta mesmo com a vida dele é a Síndrome do Cupim. Convivi por pouco tempo com Florisvardo, mas foi o suficiente para pegar nojo do sujeito – e olhem que para eu dizer isso de alguém o sujeito tem que caprichar na inconveniência ou na cafajestice. E esse cara capricha. A especialidade desse cupim é roer suas relações sociais.

Por motivos que não vem ao caso mas que certamente eram contrários a minha vontade, minha convivência com ele era necessariamente diária. Adotei, portanto, uma política de boa vizinhança. Embora tenhamos culturas e interesses muito diferentes, no início isso não atrapalhou nosso diálogo. Com o tempo, entretanto, o sujeito cometeu tantas cafajestices que roeu toda e qualquer possibilidade de entendimento, de modo que sua inclusão neste relato tem um doce sabor de vingança.

Florisvardo trabalhava em um restaurante. Chegava atrasado todos os dias. Dizia na frente de qualquer um que fazia seu trabalho muito melhor que os colegas, portanto merecia esse privilégio. Tipo assim o que o Romário sempre fez e sem deixar de ser adulado até o final da carreira, só que um copeiro de restaurante não é tão difícil de substituir.

Do mesmo modo como qualquer um que tripudie sobre seus colegas, Florisvardo logo passou a ser hostilizado no trabalho. Primeiro deixaram de se oferecer para ajudá-lo, depois passaram a se negar a ajudá-lo quando solicitava, até que passaram a sabotá-lo. E o cara se emendou? Não, ele continou agindo assim até sofrer um pequeno acidente e ser demitido.

O sujeito voltou a trabalhar no mesmo lugar, mas para isso teve que se humilhar, teve que implorar o emprego de volta e agora tem que trabalhar muito mais do que trabalhava antes, sem nenhuma regalia de horário e com um péssimo sistema de folgas. Mas isso não é tudo.

Florisvardo morava em um apartamento dividido com um conhecido. Florisvardo dormia na sala, o outro sujeito no quarto. Quando ele viajou de férias, franqueou temporariamente o quarto a Florisvardo, com a condição de que no dia de seu retorno as coisas voltassem ao arranjo usual. Florisvardo concordou. Imaginem a surpresa do sujeito quando, ao retornar de férias, encontrou Florisvardo ainda instalado no quarto dizendo que tinha pensado melhor e que não cumpriria o acordo.

Conhecendo bem a pessoa com quem ele dividia o apartamento, posso dizer sem dúvida que Florisvardo não teve a menor noção do perigo que correu. O cara ouviu as alegações de Florisvardo, sentou-se na beirada da cama e disse calmamente apenas isso: “eu acho melhor que tu cumpras tua palavra”. Como pa bo enten me pala bas, Florisvardo levou suas coisas para a sala – menos a confiança e a boa vontade do outro, para sempre perdidas.

Pouco tempo depois deste episódio, a situação se acirrou e Florisvardo teve que deixar o apartamento. Adivinha onde ele foi morar? Numa peça nos fundos da casa do dono do restaurante. Ou seja, além de perder as regalias no trabalho, agora Florisvardo está 24h/dia sob vigilância do patrão.

Por roer todas as suas relações sociais, Florisvardo perdeu o emprego, a dignidade, o teto e a privacidade, além é claro de todo o controle sobre a própria vida.

Conclusão

A Síndrome do Cupim é devastadora. Destrói praticamente tudo o que toca: saúde, bens materiais, relações sociais e, claro, o bem estar e a segurança das pessoas. Jean Pierre estaria vivo e saudável se tivesse um mínimo de cuidado para não roer suas oportunidades. João Ricardo estaria rico e confortável se tivesse um mínimo de cuidado para não roer sua fonte de renda. Florisvardo estaria tranqüilo e seguro se tivesse um mínimo de cuidado para não roer suas relações sociais. E muita gente estaria em melhores condições do que vive hoje se tivesse um mínimo de cuidado para não roer os recursos necessários para melhor poder cuidar de si mesma e de sua família.

Quando vejo certas pessoas se queixarem da vida, ou certos ideólogos se queixarem das péssimas condições de vida de grandes parcelas da população, eu não nego que causas externas tenham importância nestas condições, mas me ponho a pensar em como estas pessoas poderiam estar melhor se, ao invés de queixar-se das causas externas desfavoráveis, tratassem de assumir um compromisso maior consigo mesmas do que querem que os outros assumam com elas.

Fico pensando em quanto sofrimento desnecessário existe neste mundo imenso porque tanta gente espera que a salvação venha de fora, de alguma suposta divindade, do governo, de um prêmio na loteria, da caridade alheia, do suporte da família, ao invés de procurar em primeiro lugar ajudar a si mesma pelo menos não jogando fora ou desperdiçando por desleixo e descaso o pouco que tem.

Os cupins da madeira pelo menos tem a desculpa de serem animais irracionais que nada podem fazer para mudar seu destino. Mas os cupins humanos não têm nenhuma desculpa para não cuidarem de si mesmos da melhor maneira que puderem.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 15/08/2011

40 thoughts on “A Síndrome do Cupim

  1. Em todos os casos citados,as pessoas foram vítimas de si mesma.

    Pessoas assim existem aos montes.

    Gente que se odeia,que odeia viver,que odeia o mundo.

    Errar é humano,insistir no erro é loucura !

    Estamos aqui aprendendo sobre tudo,principalmente sobre nós mesmos.

    Somos seres num eterno processo evolutivo.

    1. “Vítimas de si mesmas” é uma ótima descrição das vítimas da Síndrome do Cupim. 🙂

  2. Espetacular. Arthur, tua capacidade literaria ‘e fantastica. Ja’ escreveste um livro?

    1. Puxa, estou surpreso com esses elogios. 🙂 Um dos motivos pelos quais eu criei o blog foi justamente tentar reconstruir minha habilidade de expressão escrita, que tinha sido praticamente destruída por cinco anos de Orkut. Lá eu tinha que produzir um texto curto e extremamente simples se quisesse ter a mínima chance de ser lido e compreendido, sem a menor oportunidade de encontrar eco para qualquer argumento mais elaborado. De um certo modo, ao me dedicar tanto ao Orkut eu fui o cupim de minha própria habilidade de expressão escrita.

      Após dois anos de blog ativo, eu acho que estou começando a conseguir me soltar, mas ainda estou na fase de “escrever o que dá na telha”, sempre de improviso, sem qualquer estudo de estruturação de texto ou de técnicas literárias. Mas pretendo me dedicar um pouco mais a isso.

      Tenho sim o objetivo de escrever alguns livros – três projetos já são antigos e estão aguardando eu me sentir capacitado para a tarefa – mas ainda não me sinto pronto. Tenho o mau hábito de escrever alguns artigos com o fígado ao invés de planejar a experiência do leitor de modo a facilitar o entendimento e a aceitação dos meus argumentos. Terias alguma sugestão em relação a isso?

    2. Posso falar de mim, que sou leitora ecletica, mas que (ultimamente) nao tenho tido estimulo para ler grandes obras. Como escritora, abandonei o Portugues ha’ anos quando me mudei do pais. Tenho melhorado gradativamente a minha capacidade de escrever em outra lingua, mas ‘e uma descricao tecnica, muito diferente de um conto, ou um artigo de um blog. Talvez por isso minhas respostas no teu blog sejam extensas, talvez meio chatas. E’ o meu gosto por escrever que se soltou.

      O que mais me agrada em texto nao tem nada a ver com o fato de concordar ou discordar do seu conteudo. E’ como num filme.

      O que me agrada mais num texto, num livro ou num filme ‘e quando o autor/diretor me da’ espaco para vivenciar a experiencia, reformular minhas ideias, vislumbrar a sua interpretacao do tema. O leitor precisa de espaco. Espaco para ler, compreender, reagir.

      E as melhores obras para mim, `as vezes causam boa impressao na hora, e parecem ok, e depois, horas, dias depois, eu me pego reverberando falas…a densidade do debate proposto pela obra foi grande e com efeito imediato, mas tambem retardado. Uma obra que ajuda a reler as coisas da vida. Por isso eu gosto de reler textos e rever filmes. Na segunda lida/vista, vejo coisas que tinham passado desapercebidas, mas nao menos importantes.

      Acho que ‘e isso. O texto nao pode ter um fim nele mesmo. Ele tem que propor um debate (interno ou externo) e dar espaco para o leitor amadurecer a ideia, construir a partir daquilo ali.

    3. Engraçado… nos três últimos meses eu estou seguindo o caminho oposto: estou redescobrindo as grandes obras, estou lendo os clássicos – de meu gosto e interesse, é claro, porque ninguém consegue ler “tudo”. Aqui a meu redor estão “J’Accuse” de Emile Zola; “Senso Comum”, de Thomas Paine; “Discurso do Método” de René Descartes; “A Desobediência Civil” e “Walden” de Henry David Thoreau; “Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens”, “O Contrato Social” e “Os devaneios do caminhante solitário” de Jean Jacques Rosseau; “Viagem de um naturalista ao redor do mundo” de Charles Darwin; “Os Analectos” de Confúcio.

      E, claro, não somente os clássicos… “Caminho da Sabedoria, Caminho da Paz”, de Sua Santidade o 14° Dalai Lama; uma biografia de Albert Einstein; uma biografia de Mahatma Gandhi; uma biografia de Steve Jobs; dois livros de contos da Martha Medeiros e dois do David Coimbra; um monte de livros com as tirinhas do Dilbert, de Scott Adams; mais um que outro que nem merece menção e que nunca mais vou abrir novamente.

      PRECISO intercalar os clássicos sociais com leituras mais amenas porque, se não faço isso, no final do terceiro seguido OU eu pego uma metralhadora e saio fuzilando políticos OU eu infarto ou tenho um AVC de tanta indignação com a mediocridade dos homens públicos de hoje.

      Se eu tenho uma razoável capacidade de me expressar, por outro motivo não é que por ser um bom leitor. Mas ainda acho que para me arriscar a escrever eu preciso amadurecer mais alguns meses pelo menos, porque preciso começar a testar algumas técnicas para organizar um volume maior de pensamentos e argumentos de modo inteligível, coerente e não muito maçante…

      Escrever em outra língua é algo que eu preciso começar a tentar também. Só que essa outra língua é o ESPERANTO, a única língua realmente inter-nacional viva do mundo moderno. 😉

      Vou ler e reler os critérios que apontaste neste comentário. Não acho que eu esteja a altura deles ainda. Mas isso não vai me desanimar. 🙂

  3. Esse é o tipo de Cupim que mais tem hoje em dia:

    Os caras que conheço tem 28 anos e são uns quebrados, moram mal e estam acabados.
    Pegavam mulher na faixa etária em que elas estavam mais ligadas a aparência, bem como numa época em que não se espera que o sujeito tenha carro, casa etc. Ninguém espera que um cara de 16~19 anos tenha carro, casa e esteja estabilizado na vida.

    Já a partir dos 28 esse tipo de cobrança passa a existir. Esses amigos gastam energia e desperdiçou anos de sua vida correndo atrás de puta e não investiu em si mesmo, agora eles tão lenhados, pq não podem oferecer o que a mulherada exige de um cara da faixa etária deles.

    É por isso que sempre digo que a vida do homem começa aos 30.
    Se vc investir 10 anos de sua vida, dos 15 aos 25, por exemplo, a estudar pra caralho e conseguir um emprego com salário bacana e talz, vai chegar aos 28 com um carro bacana e grana pra pagar o motel.
    Se cuidar da aparência, não bebendo demais, não comendo muita merda, não engordando feito um porco, provavelmente aparentará menos idade do que tem.
    Dae tu pega mulher de 18 a 45 anos.

    Quando eles batiam lá em casa pra me chamar pra praia, eu tava estudando. Eu dizia que não ia, me chamavam de nerd etc, que estudava depois.

    Agora eles tão comendo o pão que o diabo amassou.

    Mas sim o fato de que a maioria só quer curtição e não investem em si mesmos, eles aproveitam aquele embalo achando que nunca vai acabar.
    Só que acaba…

    1. Fiquei curioso a respeito de uma coisa, Nelson: qual seria o equivalente da Síndrome do Cupim para as mulheres nesta tua visão de mundo?

  4. Pelo o que eu vi dos sintomas da Síndrome do Cupim, me pareceu o que os psicólogos chamam de Depressão. Em outras palavras, “gente que se odeia,que odeia viver,que odeia o mundo” conforme escrito pela Li.
    Dizem que a Síndrome do Cupim é o mal do século e que atingirá a maioria da população humana. Só resta descobrir a causa desta epidemia e de que modo as pessoas são contaminadas por esta síndrome.
    Como todos que leram este texto, também conheço pessoas com a Síndrome do Cupim, me incluindo dentre estas pessoas que conheço.

    1. No caso do cupim mendigo ‘e provavelmente mais que depressao. A maior parte dos indigentes tem problemas psiquiatricos serios, que podem ser geneticos ou adquiridos (incluindo intoxicacao por alcool, crack e outras substancias quimicas que alteram o afeto e a capacidade de viver socialmente, bem como de cuidar de si proprio). Algumas destas doencas podem ser apenas controladas com medicamentos. E’ muito comum ver a desagregacao completa do pensamento e da propria vida em pessoas que sofrem destes disturbios. Uma pena.

      Mas concordo contigo que a depressao nao detectada ou nao tratada tem uma potencialidade grande como causa da sindrome do cupim.

    2. Bem, as causas da Síndrome do Cupim podem incluir a depressão, concordo 100%, mas não acho que este seja o caso de nenhum dos três indivíduos citados no artigo.

      Jean Pierre era expansivo e debochado até começar a fumar crack, quando se tornou mais fechado.

      João Ricardo também é expansivo e ainda vive de bom humor mesmo no meio dos escombros de sua vida.

      Florisvardo não é um sujeito expansivo, mas é caprichoso com o que faz a ponto de ter conseguido ser recontratado.

      A postura de nenhum deles me parece compatível com um quadro depressivo típico, mas eu não me arriscaria a dar um diagnóstico clínico baseado nestes dados, é claro.

      Eu adoraria fazer um estudo para descobrir se a Síndrome do Cupim é tratável com antidepressivos e psicoterapia, mas desconfio que a profilaxia mais eficiente seria educacional: creio que o melhor remédio contra a Síndrome do Cupim deve ser ensinar as pessoas a serem proativas, responsáveis, independentes, empreendedoras e resolutivas.

  5. “Fiquei curioso a respeito de uma coisa, Nelson: qual seria o equivalente da Síndrome do Cupim para as mulheres nesta tua visão de mundo?”

    As chamadas baladeiras, passam a vida namorando cafas, levando pé na bunda atrás de pé na bunda, rejeitam os caras bons e quando chega aos 30 perdeu o poder de barganha com o corpo, não conseguem arranjar ninguém para constituir família, pois todos já sabem da sua vida pregressa, da sua má reputação.

    A maioria dos homens não gostam de mulheres com kilometragem alta, e com razão.

    ESSAS SÃO AS CUPINS.

    1. Certo, entendi, obrigado pelo esclarecimento.

    2. Bom, nunca vi problemas em mulheres de quilometragem alta. Há inclusive alguns ganhos inerentes em se comprometer com essas mulheres, rsrs.

    3. Félix: desde que o compromisso seja mútuo, dá pra se comprometer com qualquer ser humano. O problema é achar alguém que também pense assim e que assuma o mesmo nível de compromisso…

  6. Essas mulheres são fúteis, superficiais, exatamente pela beleza e facilidade de ter tudo o quer nas mãos, não deram valor as coisas boas da vida, não estudaram e sempre dependeu de homem para tudo.

  7. Não quero proibir elas de nada, se quiser ser meretriz que seja, quiser ser puritana que seja, cada um tem seu direito de fazer o quer da vida.

    Só não concordo com essas feministas hipocritas que adoram da palpite na vida dos outros, achando que os homens devem seguir o pensamento delas e abandonar seus criterios de escolha.

  8. Em relação ao que você disse do cara culpar tudo e a todos pelo seu fracasso, concordo, o mais comum é esse tipo de desculpa:

    Capitalismo é o mundo real. Não surpreende que todas as mazelas do mundo são ‘culpa do capitalismo’, ou seja, do comportamento natural do homem.

    Não se responsabiliza pelo que faz da própria bunda? Culpe o capitalismo.
    É um inepto que não consegue emprego? Culpe o capitalismo.
    É um drogado que torra toda a grana em pedra e não consegue sair da miséria? Culpe o capitalismo.
    Estudou até a quarta série e não consegue comprar um carro de luxo? Culpe o capitalismo.

  9. E muito comum botar a culpa no capitalismo, no sistema.
    Será que os bilhôes desviados no Brasil é culpa dos EUA ou de alguma entidade cosmica?
    Os bilhôes que a ONU parou de mandar para a África por ter sido desviado por ditadores e presidentes corruptos é culpa do eua?
    A venezuela de hugo chavez riquissima em petroleo e o povo passando mais fome do que antes de ele ter tomado o poder é culpa do EUA?
    E os paises arabes ricos em petroleo que ao inves de investir no seu desenvolvimento, investe em armas é culpa do EUA?

    Se todo dinheiro que se roubou no Brasil tivesse ido para o lugar certo, hoje seriamos a maior potencia do mundo, mas foram desviados para o bolso de politicos corruptos.

  10. Uma coisa que Barak Obama falou uma vez numa entrevista:

    Disse que os negros ficam a vida toda com vitimismo culpando os brancos por tudo que há de ruin com eles.

    Ele disse que se seguisse o pensamento comodista de vitima, ele não teria estudado e se tornado presidente dos EUA provavelmente teria morrido em alguma gang.

    Os negro americanos quando leram essa declaração, chamaram ele de traidor.

  11. Ao Nelson: concordo com tudo que disseste.

    Quando a gente nao consegue lidar com a frustracao de ser responsavel pelo seu proprio fim (no sentido de finalidade) quando este fim nao ‘e bem o que a gente gostaria, ‘e muito facil de deslocar o sentimento e se aliviar dizendo que a culpa ‘e do fulano por eu nao ter feito isso ou aquilo. A culpa ‘e do capitalismo, como disseste, ou do Governo, como eu disse antes. Ou dos US. Ou dos russos. Ou dos gays, sei la’.

    Uma vez eu ouvi um cara que tinha problemas pulmonares e cardiacos me dizer que tinha desistido de ir a cursos contra tabagismo (sessao de terapia em conjunto em ambulatorio especializado no controle de tabagismo, pratica que comprovadamente aumenta o indice de sucesso em parar de fumar versus simples conselho medico em consultorio de generalista), porque uma vez ele foi a um destes cursos num hospital e o ministrante era um idiota (na visao dele que me conta a historia), e que ele achava que nao valeria a pena perder o precioso tempo dele numa segunda tentativa, ja’ que os ministrantes destes cursos deviam ser todos uns idiotas.

    Eu perguntei a ele: e por que voce pararia de fumar? Ficou quieto me olhando com cara de espanto. Eu segui: por acaso voce ia parar de fumar para bajular o ministrante? ou sera’ que o ministrante nao interessa, mas sim a sua esposa que esta’ aqui do seu lado lhe apoiando todas as vezes em que vem aqui, para nao falar em voce mesmo, e no resto de pulmao que ainda respira neste corpo? Ele baixou a cabeca, olhou para a esposa e disse com lagrimas nos olhos que era muito ruim enfrentar a “derrota” de nao conseguir parar de fumar, over and over again. A media de tentativas para conseguir parar de fumar (tabaco) para sempre, em populacoes ocidentais, ‘e de 5. Uns conseguem mais rapido, outros mais devagar. No mesmo dia o cara se inscreveu num destes cursos, foi acompanhado mais de perto por seu medico no consultorio para apoio adicional, recebeu auxilio farmacologico e esta’ sem fumar ha’ 4 anos.

    Muitos negros americanos se revoltaram de fato contra o obama por esta e outras declaracoes. “Nao poderia dizer isso, reforca o preconceito, tem alma de branco!” Quem gritou isso na minha opiniao faz parte da mesma turma que nao aceita “dia de orgulho de nao-gays”.

    Enfim, nao eram estes a quem Obama falava. Ele falava para todos os outros que voltaram a estudar logo que um negro foi eleito presidente e disse aquilo.

    Nunca e’ tarde para mudar algo, para fazer algo, para reviver ou repensar algo. O ser humano ‘e dinamico e gosta de progresso. Se nao fosse assim nao haveria espaco para consumismo.

    1. Paulinha, a questão é que existe uma parcela de responsabilidade pessoal e existe uma parcela de responsabilidade de causas externas para quase tudo que acontece em nossas vidas.

      Se não reconhecemos nossa responsabilidade, passamos a vida culpando “o sistema” (ou sei lá quem ou o que) por nossas desventuras e nada fazemos para melhorar nossa situação, o que, é claro, é um baita sintoma de Síndrome do Cupim.

      Por outro lado, se negamos a responsabilidade do “sistema” na produção de injustiças, cometemos a tremenda injustiça de responsabilizar as vítimas de um sistema excludente, injusto e corrupto pela totalidade de suas desventuras, como se ter nascido na favela, em uma família desestruturada, com gravíssimas carências nutricionais, afetivas e educacionais não fosse desvantagem relevante perante o indivíduo que nasce em berço de ouro, com saúde perfeita, pleno suporte familiar e todas as oportunidades imagináveis.

      Nem tanto ao individualismo, nem tanto ao coletivismo, portanto. 😉

  12. Arthur, sobre os comentarios literarios:

    Eu nao sei se gostas do David Coimbra e da Martha Medeiros. Citaste os dois mas nao sei se como exemplo de bom texto. Eu os aprecio, muito. O David Coimbra tambem da’ um bom espaco para o leitor ir digerindo a historia e criando suas proprias perguntas, que vao tendo seguimento no texto, pois e’ como se ele fosse adivinhando.

    Eu acho que a gente so’ fica bom numa coisa repetindo, muitas e muitas vezes. Se tens projeto de escrever um livro, comece ja’. Este vai ser assim. O proximo vai ser melhor, depois melhor, e assim por diante. Se ficares pensando em como um livro perfeito seria por 5 anos, e escrever em 1 ano, ao final de 6 anos, tudo que foi produzido foi um livro somente, por um autor iniciante. Perdeste a chance de todo o retorno de quem poderia ter lido, junto com o teu proprio processo de amadurecimento. Se ao contrario escreveres 1 livro a cada 2 anos, ao final de 6 anos, ‘es um autor mais experimentado, que ja’ tem 3 livros na praca, iniciando um projeto diferente. Passaste pela experiencia pratica de lidar com mais que uma editora, contratos, prazos, feiras.

    O outro problema de planejar demais uma ideia, ‘e que fica dificil de se divorciar dela, e entao se torna um trabalho cronico, que nao deslancha, inacabado. Um amor patologico que atravanca a vida do amante. Faz ele ficar na seguranca do seu projeto perfeito, e se protege de progredir na vida.

    Tens 3 projetos? Nao escreva 3 livros ao mesmo tempo. Pegue o projeto mais simples dos 3, ou o mais excitante para ti. E ataque este. S’o quando estiver na Editora e pronto ‘e que podes pegar o proximo. Servira’ de estimulo para concluir o anterior: pegar o proximo. E’ uma cachaca.

    O motivo de eu nao ler obras mais expressivas ‘e que eu estou muito focada na profissao, pois para atingir meus sonhos profissionais, tive que percorrer caminhos tortuosos. Isso me fez gastar mais tempo do que se tivesse conseguido certas coisas pela ordem direta.

    Entao, uma das obras literarias que leio no momento, diariamente, e com muito gosto, ‘e o Blog Pensar Nao Doi. 🙂

    1. Sim, gosto do texto dos dois. Não concordo com todas as idéias deles, mas isso não me impede de apreciar o modo como são expressas. Os dois são bons escritores.

      E sim, concordo que não dá pra ficar na preparação e só na preparação, muita coisa só se aprende fazendo. Não pretendo estacionar nesta fase, só que estou em um momento em que tenho tantas coisas a fazer que assumir mais uma tarefa representaria uma sobrecarga “inlidável”. (Na falta de achar na memória uma palavra adequada já existente, cria-se um neologismo que expresse o conceito. Ato corriqueiro em Esperanto, pena que “errado” em português a menos que o sujeito já tenha a reputação de um Machado de Assis.)

      Confesso que fiquei aqui me roendo de curiosidade quanto aos “caminhos tortuosos”. Não vejo a hora de poder passar umas horas conversando contigo, como aquela vez na Praça da Redenção, lembras? Faz só umas duas décadas e pouco. 🙂

      Fico lisonjeado com tua atenção e o teu gosto pelo meu blog, espero me manter à altura deste interesse. Não em todas as postagens, porque como dizem “nem Jesus Cristo agradou a todo mundo, que chance eu tenho?”, mas pelo menos na média. Empenho não há de faltar.

  13. Nelson,eu tenho uma curiosidade
    sobre o que muitos homens dizem sobre as mulheres,rs.

    Sei que até existem mulheres assim,mas não as encontro.

    No meu mundo,as mulheres possuem outros valores.E os homens também.

    Até poderia pensar que é coisa de geração,mas tenho filhas,sobrinhas,vizinhas…..
    E não as vejo com esses olhos,rs.

    Fui mãe adolescente,me casei 3 vezes e nunca avaliei os homens por suas posses,muito menos pelo seu físico.

    Pode ser pelo fato de eu gostar muito de gente.
    Acho que gente é tudo de bom.

    Na minha cidade existe um belo trabalho social chamado “Toca de Assis”,lá eles tiram pessoas das ruas,dão casa,trabalho e um motivo para essas pessoas voltem a acreditar em si mesmas e na vida.

    É muito triste quando uma pessoa perde a capacidade de amar.

    Muita gente que não está nas ruas,está na mesma condição desses descritos pelo Arthur.

    Pior, tem gente muito rica nesta situação.
    Por falta de amor,por si mesmo e pelos outros.
    Torra tudo que tem com bobagens,e acaba ficando só.
    Dependente da generosidade alheia.

    Outra coisa bastante triste,é o nosso despreparo para enfrentar o envelhecimento.

    Ficar velho sem amor,e com muita grana,não adianta nada.
    Tudo que pode conseguir é os cuidados de uma enfermeira,rs.

    Nada garante um amor verdadeiro,senão o próprio amor.
    Pessoas se iludem achando que tendo coisas,terão amor.
    Se iludem achando que só os jovens podem ser amados.

    Pode ser que muitos dos problemas dessas pessoas,seja apenas isso: falta de amor.

    1. Pois é, isso é justamente o que eu tenho dito de certos movimentos sociais: em muitos casos não existe amor algum nos militantes, existe apenas a necessidade de revanche contra alguém para lidar com um recalque mal trabalhado. Já expliquei isso no exemplo da duração das licenças maternidade e paternidade, lembras daquilo?

  14. Na VEJA desta semana, Daniels volta a cena com reveladores perfis criminosos, desta vez o dos usuários de drogas, os fascistas do século 21.

    Na reportagem os neofascistas são chamados à responsabilidade pelos seus atos e o Psiquiatra critica a postura hipócrita de certos setores da sociedade em “passar a mão pela cabeça” de usuários de drogas como se eles não fossem responsáveis pelo financiamento da violência do tráfico e ao mesmo tempo ser implacável com os traficantes como se todo mal tivesse origem em suas atitudes.

    Por feliz coincidência, este é um dos verdadeiros intelectuais que mais admiro e que preza por uma honestidade intelectual que vai além de estereótipos e que foca nos fatos, impedindo assim a manipulação da realidade por sofismas e até mesmo posturas antiéticas.

    Antes de entrar no mérito de sua excelente entrevista, quero postar um pouco mais sobre o Doutor Daniels.

    1. Manga-Larga

      17/08/2011 — 11:31

      Ah, demorou mas não falhou!

      CONCORDO: os usuários de drogas financiam os criminosos
      RESSALVO: A própria lei canaliza todo dinheiro gasto com substâncias ilegais para mãos criminosas, uma vez que não existe uma maneira legal de se obter tais substâncias.

      EXEMPLO: Quem bebe cerveja não financia criminosos. Caso a lei proibisse a cerveja, uma multidão de bebedores de cerveja passaria do dia pra noite a financiar o crime. Então me responda Nelson, não para Daniels, não para Roussealt, mas para você mesmo… quem canaliza o dinheiro para as mãos do crime?

  15. Segundo ele, uma das dificuldades para o emprego de ações concretas e eficazes no combate a criminalidade, está no discurso, na pregação e nas teses de intelectualóides, sociólogos pervertidos, psicólogos com sérios problemas de desvio de conduta e religiosos fundamentalistas.

    Mesmo estudos acadêmicos sérios, algumas pesquisas e teorias, deveriam ficar circunscritas ao meio, e não, tornadas acessíveis e divulgadas a leigos. O que pensa o Doutor Daniels, com sua experiência dentro do sistema prisional:

    “O pensamento intelectual dominante procura explicar o comportamento das pessoas como uma consequência de seu passado, de suas circunstâncias psicológicas e de suas condições econômicas. Infelizmente, essas teses são absorvidas pela população de todos os extratos sociais. Quando trabalhava como médico em prisões inglesas, com frequência ouvia detentos sem uma boa educação formal repetindo teorias sociológicas e psicológicas difundidas pelas universidades. Com isso, não apenas de sentiam menos culpados por seus atos criminosos, como de fato eram tratados dessa maneira. Trata-se de uma situação muito conveniente para os bandidos, pois permite manter a consciência tranquila. Podem dizer que roubam porque não tiveram oportunidades de estudo, porque nasceram na pobreza ou porque sofreram algum trauma de infância, entre outras desculpas”.

    Ao falar da alegada injustiça contra os pobres que seriam as maiores “vítimas” das penas de prisão, se expressou o doutor Anthony Daniels: “Um dos argumentos contra as penas de prisão é que a maioria dos detentos é pobre, e que isso é injusto. Ocorre que a maior parte de suas vítimas também é pobre. E, como o número de vitimas é sempre muito maior do que de bandidos, prende-los não é uma punição aos pobres, mas um benefício a eles”.

    1. O mais interessante dessa psicologia de botequim é a que sua instrumentalização revela uma hipocrisia que seria cômica se não fosse trágica. Hoje um marginal que pratica latrocínio é uma vítima do “sistema” e merece ser “reabilitado”, já um racista/machista/etc. não tem jeito que tem jeito (como dizia o poeta).

    2. “Infelizmente, essas teses são absorvidas pela população de todos os extratos sociais.”

      Ah, imagino que seja realmente um inferno que o desgraçado tenha compreensão sobre os fenômenos que influenciam sua vida.

      Não tenho a menor dúvida que é bem mais fácil e cômodo responsabilizar plenamente o miserável por sua falta de oportunidades do que construir uma sociedade mais justa.

  16. Na entrevista à revista VEJA, Ele, de novo, menciona o papel nocivo dos intelectuais:

    “Intelectuais são, em geral, pessoas muito desonestas. Eles não pensam em si mesmos como irresponsáveis, mas costumam atribuir esta característica a outras pessoas com grande facilidade. Ao criarem explicações sociológicas e psicológicas para desvios de comportamento, eles acabam por desumanizar os criminosos. Um exemplo disso ocorreu na Inglaterra, anos atrás, quando houve uma onda de furtos de carros. Os bandidos envolvidos nesses crimes, além de lucrar com isso, realmente gostavam da emoção de furtar muitos veículos em curto período de tempo. Alguns criminologistas psicólogos, ao analisar o fenômeno começaram a dizer que furtar carros era uma forma de vício. Sobre essa teoria produziam-se inúmeros estudos, alguns dos quis incluíam até exames de ressonância magnética do cérebro dos bandidos, para provar que se tratava de uma doença neurológica. Em pouco tempo, os ladrões de carro começaram a me dizer na cadeia que eram viciados em furtar veículo. Eles obviamente não chegaram a esta conclusão sozinhos. Apenas estavam repetindo uma tese produzida por arrogantes intelectuais de classe média que desconsideram o fato dos bandidos serem capazes de escolher entre o certo e o errado independentemente de fatores externos. Negar sua capacidade de discernimento é o mesmo que diminuir sua humanidade”.

    O que mais admirei na entrevista publicada na VEJA foi a comparação de Anders Breivik o terrorista insano norueguês, com Cesare Battisti, assassino italiano abrigado no Brasil. Para ele são farinha do mesmo saco. Não têm freio psicológico ou moral e se consideram no direito de dispor da vida de inocentes, em nome de revoltas pessoais.

    E, por último, a coragem do doutor Daniels em condenar Jean-Jacques Rousseau, por ter difundido a idéia de que o ser humano é naturalmenete bom, e que a sociedade o corrompe. Ele – Daniels – prefere a visão cristã de que o homem nasce com o pecado original . Acha uma visão mais rea

    1. Manga-Larga

      17/08/2011 — 11:26

      Com todo respeito, mas Veja… pecado original… ow my god!

    2. Justo, sabe-se lá se o cara disse o que a Veja coloca entre aspas.

    3. “Com todo respeito, mas Veja… pecado original… ow my god!”

      [2]

    4. “Em pouco tempo, os ladrões de carro começaram a me dizer na cadeia que eram viciados em furtar veículo. Eles obviamente não chegaram a esta conclusão sozinhos. Apenas estavam repetindo uma tese produzida por arrogantes intelectuais de classe média que desconsideram o fato dos bandidos serem capazes de escolher entre o certo e o errado independentemente de fatores externos.”

      Primeiro que, quando se fala em vício, não se trata de ter ou não ter a capacidade de perceber o que é certo ou o que é errado, e sim da capacidade de se conduzir segundo este entendimento.

      Segundo que, ao dizer “intelectuais de classe média”, o preconceito explicitado é tão claro que nem dá vontade de responder.

  17. O Doutor Daniels acha o conceito de “pecado original” mais realista porque parte da contraproposta de que, segundo Rousseau, o ser humano nasce naturalmente bom. De fato, numa mera observação do comportamento de crianças e pré-adolescentes, o ser humano não pode ser considerado essencialmente bom. Numa outra linha de observação, os povos mais primitivos, ou seja, mais distante do conceito civilizatório e sem o exercício da autocrítica estão entre os mais brutais, sem aquela estereotipação do “selvagem bonzinho”.
    Tem um blog de um Psicólogo que segue nesta linha de pensamento acerca dos usuários de drogas
    Realmente, é muito fácil culpar o subjetivo e eximir o sujeito ativo.

    1. Nelson, eu simplesmente me nego a discutir sociologia e alternativas políticas de enfrentamento de problemas sociais com base em conceitos como “pecado original”. E quanto ao motivo pelo qual me nego, eu me reservo o direito de sequer me abalar a dar explicações sobre uma obviedade tão ululante. Já passei deste nível de debate há muitos anos.

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