Na comunidade Budismo surgiu uma questão interessante: se há pessoas de elevado senso moral, éticas e cheias de virtudes que são infelizes; se há pessoas sem essas preocupações, de vida desregrada e auto-centrada que são felizes; então qual a vantagem de cultivar a moral, a ética e as virtudes?

Parte 1: a vantagem de cultivar a moral, a ética e as virtudes

Como a pergunta foi feita em uma comunidade de debates sobre religião, analisei a questão por dois ângulos, um religioso e um não religioso.

Em primeiro lugar, considerando a hipótese de haver algum tipo de justiça cósmica no universo, seja ela administrada por Deus ou simplesmente uma lei natural de causa e efeito, normalmente chamada de karma, então eu não gostaria de estar no lugar de alguém que despreza a moral, que rejeita a ética, que ignora as virtudes.

Segundo esta hipótese, o preço a pagar pode ser muito, muito, muito maior que o valor de míseros oitenta, noventa ou cem anos de prazeres desresgrados. Do ponto de vista da cautela, cultivar a moral, a ética e as virtudes é um preço muito, muito, muito barato a pagar pelo “seguro-karma”.

Em segundo lugar, desconsiderando a hipótese de haver algum tipo de justiça cósmica no universo, então temos que avaliar o valor da moral, da ética e das virtudes em si mesmas, segundo uma visão utilitarista de mundo.

Segundo esta linha de avaliação, tenho a dizer que somente haverá de ser infeliz quem não cultivar suficientemente a moral, a ética e as virtudes, porque para quem o faz sincera e radicalmente o próprio ato de cultivar a moral, a ética e as virtudes já traz grande contentamento. Este é o motivo pelo qual eu digo que, neste caso, mais do mesmo veneno é remédio.

Fui então interpelado nos seguintes termos:

A sua colocação é muito dogmática do tipo ser ético = ser feliz. Se alguém se diz ético mas não é feliz é porque não é ético. Assim como é impossível que alguém corrupto, por exemplo, sem ética, seja feliz. Nossa que mundo certinho hein?

Hm.

De fato, colocada a questão nestes termos, minha argumentação inicial parece frágil, porque se assemelha à “prova da fé” usada na “teologia de resultados” de certas igrejas picaretas: “se você não recebeu a Graça de Deus ainda, é porque não teve fé o suficiente”.

Muito conveniente, né? O sujeito tem que ter fé para ter resultados. Se o resultado não vêm, não é nunca porque Deus não cumpriu Suas promessas, é porque o fiel falhou em ter fé. E, se o resultado veio, não é nunca por resultado de relações causais ou casuais, é prova da Graça de Deus obtida pela fé.

Mas essa não é uma analogia adequada com o meu pensamento. É uma “analogia Denorex” – parece, mas não é a mesma estrutura de raciocínio.

A diferença crucial é que a recompensa pelo cultivar sincero e radical da moral, da ética e das virtudes traz um contentamento intrínseco, pois o funcionamento da mente que cultiva “sincera e radicalmente” a moral, a ética e as virtudes é de tal natureza que necessariamente produz contentamento, caso contrário nenhuma pessoa mentalmente sadia conseguiria manter esse cultivo “sincero e radical” por muito tempo.

Isso é explicado pelo mecanismo de condicionamento operante da escola behaviorista: por não haver um reforço (isso é, um retorno positivo do mundo) a cada comportamento moral, ético ou virtuoso, tais comportamentos seriam simplesmente extintos.

Pelo contrário, sabemos que muitas vezes o comportamento moral, ético e virtuoso é punido pelo mundo. Quem nunca achou desagradável dar uma moeda a um pedinte e ver o sujeito pegar a moeda e virar o rosto sem um sorriso, sem um agradecimento, a ponto de dizer com irritação “muito obrigado” no lugar do pedinte?

O simples fato de pessoas de elevado senso moral, éticas e cheias de virtudes se manterem nestas condições apesar do mecanismo de extinção ou do mecanismo de inibição acima descrito (irritação é punição e punição tende a diminuir a probabilidade de manifestação do comportamento punido) garante que deve haver algum tipo de reforço atuando. Se o reforço não vem de qualquer fator externo, então só pode vir de algum contentamento interno.

Fica assim provado que, para quem cultiva a moral, a ética e as virtudes sincera e radicalmente, o simples fato de agir assim gera contentamento, que reforça o próprio comportamento, que portanto ocorre com maior frequência, gerando maior contentamento – e assim por diante em um círculo virtuoso que só pode fazer bem ao indivíduo e ao mundo que o cerca.

Aí está a vantagem de cultivar a moral, a ética e as virtudes.

Parte 2: a desvantagem de não cultivar a moral, a ética e as virtudes

Vou supor que meu leitor ainda não esteja convencido e que me pergunte:

Mas e as pessoas que não tem essas preocupações, que vivem uma vida desregrada, que são auto-centradas e mesmo assim são felizes? Isso não mostra que há um caminho mais fácil para obter felicidade que o cultivo da moral, da ética e das virtudes?

Bem, isso depende do conceito de felicidade.

Uma pessoa mentalmente doente pode não cultivar a moral, a ética e as virtudes e se sentir muito feliz. Não cabe aqui a hipótese ad hoc de que “pessoas mentalmente doentes não são verdadeiramente felizes, porque a doença mental é uma infelicidade, elas só tem a ilusão de serem felizes”.

Isso seria um argumento desonesto, porque para todos os efeitos práticos essa pessoa é de fato feliz. Portanto, se você não deseja cultivar a moral, a ética e as virtudes e mesmo assim deseja ser feliz, você pode tentar experimentar desenvolver uma doença mental apropriada. Eu não faria isso, mas quem sou eu para julgar as suas opções pessoais de como ser feliz?

Supondo, entretanto, que essa opção não lhe pareça agradável ou segura, sua melhor alternativa continua sendo cultivar sincera e radicalmente a moral, a ética e as virtudes. E isso eu posso provar por reductio ad absurdum.

Suponhamos que você queira viver sem a preocupação de cultivar a moral, a ética e as virtudes, de modo desregrado e auto-centrado, e ainda assim ser feliz.

Neste caso, quais seriam suas fontes intrínsecas de contentamento? Se houvesse uma única fonte intrínseca válida, isso destruiria todo o meu argumento, mas se isso existe, isso ainda está por ser demonstrado na história das religiões, da filosofia, da ciência e da política. Não que não haja outras fontes de contentamento válidas que não o cultivo da moral, da ética e das virtudes, mas nenhuma delas é intrínseca.

Enquanto o cultivo da moral, da ética e das virtudes promove contentamento “de dentro para fora”, todas as demais alternativas promovem contentamento “de fora para dentro” e portanto são extrínsecas. O relacionamento com Deus é extrínseco. A argumentação é extrínseca. O conhecimento é extrínseco. A dinâmica social é extrínseca.

E qual o problema de as fontes de contentamento serem extrínsecas?

Em primeiro lugar, para tratar o conceito com rigor, fontes de contentamento intrínsecas são realmente fontes de contentamento, mas fontes de contentamento extrínsecas são apenas fontes de prazer.

Em segundo lugar, o grande problema é que tudo que é extrínseco é impermanente, ou seja, tudo que é extrínseco acaba. A bebida acaba. A comida acaba. A beleza acaba. A juventude acaba. A saúde acaba. O dinheiro acaba. Os amigos acabam. Tudo acaba.

Quando a fonte de prazer acaba, sobrevém o sofrimento da falta do prazer. O sofrimento da falta do prazer conduz à busca de mais prazer. A busca de mais prazer é dolorosa, porque é feita na ausência do prazer. Então, se tiver sorte, o indivíduo encontra novamente o prazer. Mas esse prazer também acaba, forçando o reinício de um círculo vicioso. E eis que o indivíduo se encontra preso à busca do prazer, do mesmo modo que um dependente químico se encontra preso à busca da droga.

Este é o absurdo: em busca de prazer, o indivíduo nunca encontra contentamento. Nunca fica satisfeito. Nunca se livra das preocupações de quando o prazer irá terminar e de como buscar mais prazer. Nunca se liberta dos grilhões da busca incessante.

É por isso que, mesmo de um ponto de vista totalmente egoísta, cultivar a moral, a ética e as virtudes é a escolha mais racional para quem almeja ser feliz.

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 25/08/2011

23 thoughts on “Ser ético é a escolha egoísta mais racional

  1. Francisco Monteiro Kamisaka

    25/08/2011 — 14:48

    Muito interessante. De onde você tirou isso? Tem como compartilhar a fonte?

    1. Francisco, a fonte é o blog Pensar Não Dói e o autor se chama Arthur Golgo Lucas. 😉

      Sempre que o texto não contiver indicação expressa de fonte ou de autor, tudo que for publicado no Pensar Não Dói é de minha própria autoria. Se Aristóteles podia dizer o que pensava sem que ninguém pudesse lhe exigir referências bibliográficas, por que eu não poderia? Direitos iguais são direitos iguais. 🙂

    2. Não fique se comparando a filósofos gregos senão vão acabar lhe preparando um chá de cicuta num bule que avoa.

  2. “Na comunidade Budismo surgiu uma questão interessante: se há pessoas de elevado senso moral, éticas e cheias de virtudes que são infelizes; se há pessoas sem essas preocupações, de vida desregrada e auto-centrada que são felizes; então qual a vantagem de cultivar a moral, a ética e as virtudes? ”

    A frase da pessoa frequentadora da comunidade Budismo nao faz sentido. Ela pressupoe uma relacao de causa e efeito entre felicidade e vida desregrada, e entre infelicidade e vida regrada (com elevado senso moral, éticas e virtudes).

    Na minha opiniao a pessoa que escreve a frase confunde felicidade com gratificacao (no sentido de afeto/psiquiatria). Ele provavelmente nao teve a satisfacao de conhecer felicidade para saber a diferenca.

    Agora, a frustracao das pessoas com as mais variadas coisas e eventos se manifesta atraves de uma gama de comportamentos. Muitos deles podem ser agrupados em o que ‘e popularmente reconhecido como “desregramento”.

    Apesar de o Arthur tentar desvincular este fato de seu contexto psiquiatrico no inicio de seu texto, isto se torna impossivel, pois a “vida desregrada” tem impacto sobre o individuo, e como tal, pode ser considerada passivel de tratamento sim.

    Eventos adversos que estao associados a uma vida “desregrada”, epidemiologicamente sao:

    •Injurias fisicas relacionadas a discussoes violentas e acidentes, relacionadas a comportamento irresponsavel e sem preocupacao com consequencias
    •Ideacao suicida/homicida
    •Gestacao nao planejada e comportamento sexual de alto risco
    •Disturbios: ansiedade, humor, uso de substancias, disturbios de personalidade
    •Prejuizo funcional
    -falta de cuidados a si proprio
    -falta de capacidade de conseguir emprego, se manter no trabalho, consequente desemprego
    -falta de capacidade de manter relacoes interpessoais (com seu conjuge, filhos, pais, irmaos, colegas, chefe, clientes, etc), e suas consequencias

    1. “Apesar de o Arthur tentar desvincular este fato de seu contexto psiquiatrico no inicio de seu texto, isto se torna impossivel, pois a “vida desregrada” tem impacto sobre o individuo, e como tal, pode ser considerada passivel de tratamento sim.” (Paula)

      Agora tu estás me assustando, Paulinha. Deixa eu ver se eu entendi certo, porque isso me parece importante. Essa tua afirmação me parece significar o seguinte:

      – Fulano tem uma vida desregrada. Por exemplo, Fulano bebe e dá vexame, passa a noite na farra, chega atrasado ou falta ao serviço com freqüência e ignora todas as admoestações da família e dos amigos dizendo que gosta de viver assim.

      – Ora, “a “vida desregrada” tem impacto sobre o individuo, e como tal, pode ser considerada passivel de tratamento sim”, portanto, Fulano pode ser visto como paciente psiquiátrico, independentemente do que Fulano acha disso.

      – E, se Fulano pode ser visto como paciente psiquiátrico, então pode ser declarado incapaz e com isso pode ser judicialmente interditado, perder o direito de gerenciar seus bens e diversos aspectos de sua vida.

      É isso mesmo, Paulinha?

  3. Arthur, vai la’ no teu texto sobre “Quem ama mata e baixarias…”. Segui o teu link e li o teu artigo (que sugeriste). Postei a minha opiniao la’ mesmo. Obrigada pelo link. Artigo interessante; um convite `a consideracao de uma opcao que nao tinha me ocorrido antes de ler o artigo. http://arthur.bio.br/2011/08/20/educacao/quem-ama-mata-e-outras-baixarias-as-licoes-da-rede-globo/comment-page-1#comment-152148

  4. Nem todo o individuo que seja portador de uma condicao psiquiatrica e’ passivel de interdicao, calma!

    O que nao quer dizer que sua disfuncao deva ser aceita socialmente, como uma “variante” da normalidade. O disturbio, quando reconhecido, é passivel de tratamento.

    1. Tá, mas afinal… se a “disfunção” conforme descrevi “não deve ser aceita socialmente”, e é “passível de tratamento”, isso não é o mesmo que dizer que uma visão tecnicista da medicina deve ser imposta para garantir o bom funcionamento da sociedade?

    2. Isso me preocupa terrivelmente, porque daria poder a gente como um Ronaldo Laranjeira para decidir tanto que a política de entorpecentes deve ser repressiva e com “tratamento” compulsório, quanto que ninguém pode beber, fumar, comer bacon e ser sedentário sob pena de ser internado à força para “ser recuperado” por um Estado tecnocrata com poderes divinos para impor uma moralidade oficial.

      E não me diz que eu estou exagerando, porque já é assim no que diz respeito ao consumo de certas substãncias, à possibilidade de se auto-medicar (é direito de todo ser humano dispor de seu próprio corpo como bem entender) e à possibilidade de realizar diversos procedimentos que só podem ser realizados se autorizados pela classe médica, que de prestadora de serviços de saúde tem cada vez mais se arrogado o direito de ser A definidora do que é “certo” ou “errado” na vida privada de cada indivíduo.

      Nem toma pelo lado pessoal a crítica à ideologia médica de sociedade, certo, Paulinha? O fato de eu ter sérias críticas às pretensões de poder político de uma categoria profissional não quer dizer que essa crítica recaia sobre cada indivíduo que se dedica a essa profissão.

  5. Nao e’ isso, Arthur.
    De qquer forma, o debate que propoes passa por uma discussao mt ampla sobre conceitos eticos, incluindo principios de autonomia, justica, beneficiencia e etica de alocacao de recursos escassos, incluindo o custeio de eventos que sejam previsiveis ou nao.

    1. Eu propus esta discussão aqui no blog, mas acho que o assunto morreu porque o artigo foi publicado numa sexta-feira e houve postagens no sábado e no domingo, quando a atividade na internet cai muito, e o artigo foi considerado “velho” na segunda-feira.

      Este é o artigo: Proposta de critérios para intervenção e tutela temporária de usuários de drogas. Observa que eu só admito intervenção na vida privada depois que o indivíduo manifestamente perdeu o controle de sua vida e passou a se prejudicar gravemente.

      Esse “e” é fundamental, bem como é fundamental a suspensão da interdição judicial do indivíduo tão logo ele volte a ter condições de se auto-gerenciar, mesmo que volte a usar drogas, porque o critério de intervenção não é o uso de drogas, é a auto-destruição devida ao descontrole.

      E, para ser bem explícito: não é a auto-destruição, não é o descontrole, é a auto-destruição devida ao descontrole.

    2. Eu li aquele artigo.
      Ele e’ muito teorico. As coisas na pratica nao funcionam assim.
      Precisas conversar com pessoas que lidem diariamente com isso, visitar os locais e falar com os pacientes e familiares para compreender o que eu estou dizendo.
      Preferi nao entrar na discussao.
      Arthur, para entenderes a realidade de alguns outros, ‘as vezes e’ necessario interagir pessoalmente com eles. Nao tem como elaborar todo um plano que faz sentido para ti, pois a realidade e’ outra.
      Eua trabalhei diretamente com uma populacao que se assemelha ‘a que elegeste candidata ‘a interdicao. E’ volta e meia trabalho com interditados.

    3. Paulinha, eu sou um cientista. E tu também és. Vamos combinar que dizer que um artigo é “muito teórico” não é uma crítica para quem tem formação científica, né? 🙂

      Outra coisa: é óbvio que as coisas não funcionam do modo como eu proponho naquele artigo. Se já funcionassem daquele modo, pra que raios eu iria formular uma proposta para manter tudo como está? 😛

      Mas eu concordo 100% que “para entender a realidade de alguns outros, às vezes é necessario interagir pessoalmente com eles”.

      Esse é precisamente o motivo pelo qual eu passei os últimos onze anos convivendo com usuários de drogas no ambiente deles, sendo que desses onze anos uns seis anos eu passei mergulhado no submundo das drogas pesadas, acompanhando a vida de todos os envolvidos possíveis: o usuário, a família do usuário, o traficante, o policial, o médico e o assistente social que atendem o usuário e a família do usuário, etc.

      Eu conheci meninas de 11 anos que já se prostituíam para fumar crack há mais de dois anos.

      Eu conheci meninos de 8 anos que fumaram crack com um revólver .38 carregado na mão na minha frente.

      Eu conheci famílias que chegaram ao ponto de acorrentar um filho pelo pescoço na cama porque na vez que o acorrentaram pelo pé ele tentou cortar o pé fora para fugir para fumar crack.

      Eu conheci uma empresária que fuma crack como quem toma cafezinho, sem ter qualquer problema em seu cotidiano, e leva e traz os filhos na escola, corrige os temas de casa deles, trabalha cinco dias por semana com normalidade e não pretende largar porque não sente nenhuma interferência negativa da droga em sua vida.

      Eu conheci traficantes que abandonaram o tráfico por se cansarem de ver tanto sofrimento a sua volta.

      Eu conheci traficantes que morreram por disputa de pontos de droga.

      Eu conheci médicos que não sabiam a diferença entre os efeitos da maconha e do crack.

      Eu conheci assistentes sociais que trabalhavam de olho no relógio e saíam pelos fundos do prédio às 18h em ponto mesmo tendo somente mais uma pessoa para atender, que estava esperando desde antes da hora do almoço.

      Eu vi coisas que eu nem gosto de comentar porque ainda me deixam chocado mesmo muito tempo depois do ocorrido – e estou falando tanto das atitudes dos usuários quanto dos seus familiares, dos seus médicos, de policiais e de “formadores de opinião” cuja melhor contribuição possível para a questão das drogas seria calarem a boca e se aposentarem.

      Em resumo, eu conheço muito bem a realidade da questão das drogas, por todos os ângulos possíveis.

      Exatamente por isso eu fiz aquela proposta. 🙂

  6. Oi Arthur, como tens a experiencia com varios elementos envolvidos na problematica, sabes que as coisas sao realmente complicadas. Pacientes que nao vao achar que estao se auto-destruindo, familias que vao retirar seu ente querido da internacao compulsoria, familiares que vao fazer o que o paciente quiser, por medo de represalha (esta’ certa esta grafia?! meu Portugues tem estado sofrivel, desculpe).
    Enfim, concordo contigo que algo deve ser feito, e que certamente passa pela interdicao de pessoas. Mas talvez eu tenha sentido falta de uma maior interlocucao com uma gama mais abrangente de pensamentos. O artigo me soa como resposta, mas eu nao sei se eu me dei a oportunidade de questionar, fazer todas as perguntas. Entao ele parece logico na tua optica, mas talvez nao faca completo sentido na minha.

    Eu acho que a maior parte dos que tem se manifestado no teublog pensam muito como o autor do blog (…); vejo pouca gente discordando, ou vendo a coisa por outro lado. E quando vejo, o individuo ‘e criticado. So’.

    Alguns de teus textos contem elementos muito novos para a maior parte das pessoas, porque eles certamente partem de um longo processo de reflexao nao sendo mais novidade para ti. Processo este do qual os leitores nao participaram. O amadurecimento das ideias depende de tempo e de espaco.

    Eu me senti enquadrada no sentido de aprisionada no artigo. Boxed. Nesta situacao, a saida mais simples ‘e ejecao.

    1. É “represálias”. Incrível como alguns anos praticando predominantemente outra língua intereferem, né?

      Mas nem imagino o motivo da sensação de aprisionamento dentro daquele texto. Trata-se de uma proposta para ajudar quem precisa de ajuda e não atrapalhar quem não precisa de ajuda. Como poderia isso ser “aprisionante” (sei lá se essa palavra existe)?

      Imagino que possas sentir em relação a artigos como aquele o mesmo que muitos médicos sentem – simplesmente não conseguem ver a questão por outro ângulo que não a prática clínica. Infelizmente esse é o principal motivo pelo qual médicos são péssimos conselheiros para certas políticas em saúde, assim como policiais são péssimos conselheiros para certas políticas em segurança: visão de túnel. Os problemas que enfrentam no cotidiano limitam severamente a avaliação destas questões de modo mais holístico. Quando se acham “donos da bola”, então, como é o caso do Ronaldo Laranjeira, Deus me livre…

      Se tentarmos analisar mais profundamente as propostas daquele artigo, certamente vão aparecer pessoas interessadas no debate. O Manga Larga vai chamar a turma dele (tudo gente boa) e não vai faltar pano pra manga. 🙂

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      Quanto ao pessoal aqui concordar muito comigo, eu não posso ser culpado pela opinião de quem freqüenta o blog, posso? Eu deixo o espaço aberto e sou imensamente tolerante com todo tipo de idéia exceto ofensas pessoais, baixaria e detratação de Direitos Humanos. (Chegou dizendo que “Direitos Humanos só defendem bandidos e bandido bom é bandido morto”, deleto tudo mesmo, sem nem explicar o motivo. Não desço a este nível de ignorância e estupidez.) Se não tem mais gente debatendo, não é por minha vontade, eu adoraria ver os servidores da Hostnet pegarem fogo… desde que eles tenham backup de meus dados, óbvio. 🙂

    2. Kkkkkkk, agora inverte os papeis.
      Te poe no meu lugar e’ le de e’ novo o que escreveste.

    3. Fiz a experiência que sugeriste.

      A única parte que me achei que me tocaria foi a parte da possibilidade de estar olhando o problema com “visão de túnel”.

      Bem, Paulinha… se eu disser que tomo muito cuidado com isso, tu não vais acreditar, né? 😛

      Mas aproveito para perguntar: achas que eu tenho “visão de túnel” neste assunto? Por quê?

  7. kkkk, nao, nao acho que tenhas visao de tunel. eu acho que tens uma vivencia interessante, que queres dividi-la com outros, e crescer pelo debate. Tb acho que escreves muito bem, apesar de eu discordar de 80% que dizes. Mas eu respeito a tua opiniao sobre as coisas, e a maneira como ves o mundo `a tua volta, que ‘e muito diferente da minha. Tudo bem, nao e’ certo nem errado, e’ o teu jeito e eu te respeito como tu es. Eu nao estou neste blog para fazer a minha ideia prevalecer, ou para convencer ninguem de nada. Estou aqui para interagir. Seria mais interessante ainda se alguem pensasse como eu, mas nao faz mal, a experiencia tem sido boa no todo. Na hora que nao for boa, nao valer a pena, caio fora.

    mas voltando ao comentario acima, acho que foi um pouco de prepotencia dizer que a minha visao seja de tunel. chegou a soar engracado. nos sabemos qual ‘e a minha profissao…

    ve bem arthur, as vezes quem acusa carece de tempo destinado a olhar para si proprio. intolerancia, racismo, radicalismo, olhar de tunel…’e facil apontar, mas sera’ que as vezes a gente nao esta’ agindo perto desta linha divisoria? na verdade, pela primeira vez vi (li) tu fazeres isso, perguntando se eu achava que tinhas visao de tunel. Isso comprova que eu vejo que es capaz de olhar para dentro de teus proprios sapatos.

    mas na pratica, teus leitores que dizem muito menos do que isso (“caras como tu funcionam deste jeito pq tem visao de tunel”) sobre teus comentarios no blog, quando trazem ideias contrarias `as tuas, recebem verdadeiras bordoadas de resposta. repara so’. e qdo o terreno fica enlameado, a resposta vem num “palavres” defensivo muito peculiar. nao es o unico a funcionar neste modo.

    eu apenas te convido a considerar que as pessoas que leem o texto tem razoes as quais tu nao consideraste para responder o que respondem, e que mesmo que escrevam por horas, nao vai ser possivel comunicar por completo estas razoes.

    um exemplo e’ o fato de nao teres considerado que a campanha da RBS que me convidaste a comentar fosse voltada para um publico DIFERENTE do adulto, usuario ou nao, como pudeste ler no meu comentario em off para ti. esta simples nocao sobre aquele evento explica porque ele teve aquele formato, mesmo sem fazer nenhum sentido para um cara de pouco mais de 40 anos de idade que esta’ criticando a coisa toda.

    e a prova de que eles estavam certos ‘e o primeiro comentario de um jovem (M ou F, nao lembro) de 15 anos de idade, te mostrando que estas campanhas atingem o seu objetivo. Depois de grande, se ele (ela) quiser, que va’ ser usuario.

    simples assim, meu amigo.

    1. “mas voltando ao comentario acima, acho que foi um pouco de prepotencia dizer que a minha visao seja de tunel. chegou a soar engracado. nos sabemos qual ‘e a minha profissao…”

      Ei, eu não disse que tu tinhas visão de túnel!

      Eu disse: “Imagino que possas sentir em relação a artigos como aquele o mesmo que muitos médicos sentem (…)”

      Ou seja, foi uma hipótese. Talvez eu devesse ter explicitado isso fazendo uma pergunta como: “é isso?”. Mas esse é precisamente o motivo pelo qual eu criei este blog: para ir cometendo erros e aprendendo com eles antes de escrever meus livros, quando então seria meio tarde. Pelo menos os erros de comunicação mais grosseiros eu espero lapidar antes de publicar o primeiro livro.

      “pela primeira vez vi (li) tu fazeres isso, perguntando se eu achava que tinhas visao de tunel. Isso comprova que eu vejo que es capaz de olhar para dentro de teus proprios sapatos.”

      É, talvez eu deva deixar este processo mais explícito mais vezes. 🙂

      “mas na pratica, teus leitores que dizem muito menos do que isso (“caras como tu funcionam deste jeito pq tem visao de tunel”) sobre teus comentarios no blog, quando trazem ideias contrarias `as tuas, recebem verdadeiras bordoadas de resposta. repara so’. e qdo o terreno fica enlameado, a resposta vem num “palavres” defensivo muito peculiar. nao es o unico a funcionar neste modo.”

      Hmmm… estou sendo muito agressivo, é?

      Bem, em alguns casos a intenção é essa mesmo, mas não é a idéia que esse seja o tom prevalente do blog. Se isso está acontecendo, é necessária uma correção de rota. Luzinha vermelha piscando no painel. 😛

      Mas sobre isso aqui:

      “um exemplo e’ o fato de nao teres considerado que a campanha da RBS que me convidaste a comentar fosse voltada para um publico DIFERENTE do adulto, usuario ou nao, como pudeste ler no meu comentario em off para ti.”

      Duas coisas:

      1. Seja qual for o público-alvo da campanha Crack Nem Pensar, ela é daninha, porque se baseia em mentiras absurdas e em uma ideologia nitidamente fascista. Se o objetivo é mentir e implantar o fascismo, sim, ela está atingindo seus objetivos. Mas podemos comentar isso lá naquele artigo, né? Temos feito umas conversas cruzadas tão emaranhadas que depois não vou conseguir localizar os comentários pertinentes de tão espalhados.

      2. Que comentário em off? 😮

  8. Lembrando que ética e moral são a mesmíssima coisa.

    1. NÃO!

      Não são a mesma coisa.

      Não são nem próximas.

      A moral é um conjunto de valores oriundo de convenções arbitrárias, como “é indecente andar sem roupa”. Tanto é que isso é arbitrário que os naturistas afirmam exatamente o oposto e vivem muito bem e em harmonia entre si.

      A ética é um conjunto de valores oriundos de princípios testáveis, como “é inadequado caluniar”. Isso pode ser derivado do princípio “tratar o outro como se quer ser tratado” ou da simples indagação de como seria o mundo se esse valor fosse invertido.

  9. Solidão Aprazível

    Se não achardes um companheiro prudente para que andes com ele , de reta conduta e inteligente,
    Como um rei renunciando ao reino conquistado,
    Ou como um elefante na floresta dos elefantes,
    andai só.
    É melhor viver só; não há companheirismo com um tolo.
    Que andes só e não faças o mal,
    e fique despreocupado como o elefante na floresta dos elefantes.

    Se na jornada não encontrar alguém que lhe seja igual ou melhor,
    Que firmemente siga solitário: não há amizade com tolos.

    Não te associes às más companhias, não te associes aos vis homens;
    Associa-te aos virtuosos amigos, associa-te aos melhores entre os homens.
    Ah, encantadoras são as florestas onde o mundano não se deleita;
    Os isentos de paixão lá se deliciarão, prazeres sensuais eles não buscam.
    Embora um homem viva cem anos, ocioso e frouxo,
    Melhor é a vida d’um dia daquele que faz intenso esforço.

    (Dhammapada)

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