Toda vez que eu falo sobre o movimento feminista e mostro os inúmeros absurdos cometidos em nome desta ideologia sectária e sexista, alguém vem me dizer que “não podemos julgar um movimento sério por causa de umas poucas radicais sem noção”. Mas isso é uma falácia, porque a quase totalidade das “moderadas” nunca criticam os excessos das “radicais”, mostrando que, se é que no íntimo não pensam do mesmo modo, no mínimo não condenam os supostos “excessos” – e assim os legitimam.

Valerie Solanas foi uma desequilibrada mental que queria aniquilar todos os homens e todas as características que considerava masculinas em uma sociedade. Ela escreveu um texto intitulado “SCUM Manifesto” do qual reproduzo aqui os dois primeiros parágrafos:

Viver nesta sociedade significa, se tiver sorte, morrer de tédio; nada diz respeito às mulheres; então, àquelas dotadas de uma mente cívica, de sentido de responsabilidade e de busca por emoções, só resta uma possibilidade: derrubar o governo, eliminar o sistema monetário, instaurar a automatização completa e destruir o sexo masculino.

Hoje, é tecnicamente possível reproduzir a raça humana sem ajuda dos machos (e, aliás, sem a ajuda das fêmeas) e produzir apenas fêmeas. É necessário começar a fazer isso desde já. O macho é um acidente biológico: o gene Y (masculino) não é outra coisa mais que um gene X (feminino) incompleto, ou seja, possui uma série incompleta de cromossomos. Por outras palavras, o macho é uma fêmea incompleta, um aborto ambulante, abortado na fase de gene. Ser macho é ser deficiente; um deficiente com a sensibilidade limitada. A virilidade é uma deficiência orgânica, uma doença; e os machos são aleijados emocionais.

Isso é Valerie Solanas. Isso é um dos maiores ícones do feminismo.

E esta é a crença de Valerie Solanas, partilhada – mas obviamente não declarada – por muitas feministas:

Se todas as mulheres simplesmente abandonassem os homens, se recusassem a ter qualquer relação com eles, todos os homens, o governo e a economia nacional desmoronariam completamente. Mesmo sem deixar os homens, as mulheres conscientes da extensão de sua superioridade e de seu poder sobre eles, poderiam adquirir controle absoluto sobre tudo dentro de poucas semanas e realizar a total submissão dos homens às mulheres. Numa sociedade sã, o macho trotaria obediente atrás da fêmea. O homem é dócil e facilmente conduzido, submetido sem esforços ao domínio de qualquer mulher que se importe em dominá-lo. O homem, de fato, deseja desesperadamente ser conduzido pelas mulheres, quer a Mamãe no comando, quer abandonar-se aos cuidados dela. Mas esta não é uma sociedade sã, e a maioria das mulheres não é, nem vagamente, consciente de sua situação em relação aos homens.

O conflito, portanto, não é entre mulheres e homens, e sim entre SCUM – mulheres dominadoras, seguras de si mesmas, confiantes de suas próprias capacidades, mordazes, violentas, egoístas, independentes, orgulhosas, arrogantes, intrépidas, que vão aonde querem, que se consideram capazes de governar o universo, que já percorreram livremente os limites desta “sociedade” e estão dispostas a ir muito mais além – e as Meninas do Papai amáveis, passivas, aprovadamente “cultas”, delicadas, dignas, domesticadas, dependentes, assustadas, estúpidas, inseguras, carentes de aprovação, incapazes de enfrentar o desconhecido, que querem continuar chafurdando no esgoto (pois ao menos é familiar para elas), que querem ficar para trás junto com os macacos, que só se sentem seguras com o Grande Papai ao seu lado, com um homem grande e forte em quem se apóiam e com uma cara gorda e peluda na Casa Branca, que são covardes demais para encarar a horrenda realidade do que é um homem, do que é o Papai, que lançaram sua sorte ao lado do suíno, que adaptaram-se à bestialidade e sentem-se superficialmente confortáveis com ela e desconhecem qualquer outro tipo de “vida”, que reduziram sua mente, seus pensamentos e suas percepções ao nível do macho, que, carentes de opinião, imaginação e perspicácia, só podem ter valor numa “sociedade” masculina, que conseguem ter um lugar ao sol, ou melhor, na lama, somente como aduladoras, impulsionadoras do ego, tranquilizadoras e reprodutoras, que são rechaçadas como inconsequentes por outras mulheres, que projetam suas deficiências, sua masculinidade, sobre todas as fêmeas e vêem a fêmea como um verme.

Valerie Solanas – e as SCUM – não querem destruir somente os homens, elas também vêem como inimigas todas as mulheres que não pensam como elas.

E quem são as SCUM – “mulheres dominadoras, seguras de si mesmas, confiantes de suas próprias capacidades, mordazes, violentas, egoístas, independentes, orgulhosas, arrogantes, intrépidas, que vão aonde querem, que se consideram capazes de governar o universo, que já percorreram livremente os limites desta “sociedade” e estão dispostas a ir muito mais além” – senão as feministas?

A defesa imediata das feministas contra esta perigosa constatação costuma ser que “parece que a única feminista que os machistas conhecem é Valerie Solanas”. Arrãm. Eu adoro este ato falho!

Se as feministas dizem que Valerie Solanas “não é a única feminista”, isso significa obviamente que Valerie Solanas é feminista. Não é a única, mas é.

E você que pensava que Valerie Solanas era somente uma louca desvairada com uma proposta sexista alucinada e violenta, hein?

Nada disso, meu caro leitor: segundo as próprias feministas, Valerie Solanas não é uma louca, Valerie Solanas é uma delas.

Se Valerie Solanas fosse indevidamente associada ao movimento feminista, então é claro que deveria haver por parte das feministas uma preocupação especial em demarcar claramente o território do feminismo e deixar Valerie Solanas fora dele, certo?

Se não há interesse em deixar claro esse distanciamento, então é evidente que nenhuma feminista faz a menor questão de mostrar que “citar Valerie Solanas é uma falácia do espantalho”. Afinal, que movimento sério se permitiria deixar associar a uma personagem que representa o contrário do que acredita sem insistir veementemente que essa personagem não representa seu pensamento?

Se um cara veste uma camisa do Palmeiras e sai pela rua dizendo que torce para o Corínthians, que reação se espera dos corinthianos? Que fiquem calados ou que digam “nada disso, esse cara não tem nada a ver conosco, esse cara é palmeirense”? Pois é, feministas.

Ou, caso as feministas considerem Valerie Solanas uma delas, no mínimo deve haver críticas a seu radicalismo, certo?

Se não há interesse em deixar claras estas críticas, então é evidente que a associação com o radicalismo de Valerie Solanas não incomoda o movimento feminista – e assim cai por terra a alegação de que o pensamento de Valerie Solanas não as representa, porque se há uma coisa que o movimento feminista faz muito bem é criticar à exaustão tudo aquilo de que discorda.

Tergiversa, Lola, Tergiversa

Depois de ter escrito “parece que a única feminista que os machistas conhecem é Valerie Solanas” eu percebi que isso é algo que eu tinha ouvido várias vezes, mas não lembrava se tinha lido isso alguma vez. Qual não foi minha surpresa quando, logo na primeira busca que fiz, encontrei uma ocorrência quase exata desta frase no blog da Lola Aronovich, que é feminista de carteirinha e tem um dos blogs feministas mais citados que conheço:

A única feminista que eles já ouviram falar foi na Valerie Solanas. Putz, eu que sou feminista e já li alguns livros importantes sobre o assunto só ouvi falar na Solanas porque eu vi “I Shot Andy Warhol”, que fala sobre essa mulher não muito certa da cabeça que tentou matar o famoso artista. Mas imagino que os mascus nunca tenham ouvido falar nem do filme nem do Andy. Então eles citam a única obra que Solanas escreveu, um troço chamado SCUM Manifesto, que parece ser uma paródia do que se falava contra as mulheres na época, e que a própria Solanas disse que não era sério. Quer dizer… Se eu ganhasse um real pra cada comentário/post mascu que li que dizia “Leia o SCUM Manifesto pra saber como são as feministas”, eu estaria rica hoje.

Como é que é isso? O SCUM Manifesto é “uma paródia do que se falava contra as mulheres na época”? E uma vez que a autora do SCUM Manifesto tenha dito que não era para levá-lo a sério está tudo bem? Tenho só duas coisinhas a dizer sobre isso.

Primeira: o ônus da prova recai sobre quem faz alegações extraordinárias. Para que a alegação da “paródia” possa ser levada a sério, é responsabilidade da Lola Aronovich provar que naquela época os homens falavam em “eliminar o sexo feminino” e “reproduzir apenas homens”. Fico no aguardo.

Segunda: dois pesos, duas medidas. Quando alguém faz uma simples piadinha machista – piada, a coisa que menos pode ser levada a sério no mundo – as feministas reagem com uma veemência impressionante, alegam que “até mesmo uma simples piada reforça estereótipos machistas e a cultura de opressão contra as mulheres” e tratam quem fez a piada como um leproso na Idade Média. Mas quando a autora de um manifesto misândrico radical que propõe o assassinato de todos os homens que não se submeterem à escravidão por parte das mulheres diz que “não é pra levar a sério” (o que ela só fez devido à reação do público) aí a Lola diz “ah, tá” e deixa por isso mesmo. É pra levar a sério essa piada?

A prova dos nove

Vamos supor, em benefício das feministas, que eu esteja “exagerando”. Vamos tirar a prova dos nove. Vamos procurar na internet as opiniões das feministas sobre Valerie Solanas, para ver se alguma delas faz a única coisa digna a se fazer a respeito de uma louca misândrica como Valerie Solanas, que é declarar claramente que ela não representa o pensamento feminista.

Afinal, para que eu não seja acusado de argumentar com falácias de espantalho, nada mais justo do que fazer uma busca para ver o que as feminstas dizem… e o que elas convenientemente não dizem.

 

Pois bem, siga as instruções abaixo para fazer a busca necessária:

Abra duas abas no seu navegador. Vá para a página de busca do Google nas duas. Na primeira, busque “Valerie Solanas”. Na segunda, busque “blog feminista”.

Pronto? Agora vamos refinar a busca procurando as ocorrências de “Valerie Solanas” exclusivamente dentro de cada “blog feminista”.

Na aba da busca de “Valerie Solanas”, clique em “pesquisa avançada”. Na aba da busca de “blog feminista”, clique com o botão direito do mouse no primeiro resultado de pesquisa e selecione “abrir em nova aba”.

Pronto? Agora selecione o endereço inteiro que aparece na barra de endereços da última aba aberta, copie, volte na aba com a pesquisa avançada sobre “Valerie Solanas”, cole o endereço na caixa que diz “Pesquisar dentro de um site ou domínio:” e clique em “Pesquisa avançada”.

Você acaba de realizar uma busca sobre “Valerie Solanas” exclusivamente dentro do blog feminista de maior relevância na internet.

Agora repita o mesmo procedimento com os dez blogs feministas da primeira página de resultados do Google da aba de busca “blog feminista”, para ter uma idéia do que os dez auto-intitulados blogs feministas mais relevantes da internet em língua portuguesa dizem sobre Valerie Solanas.

Espero que você não se surpreenda, mas você vai descobrir que o resultado destas buscas corrobora a minha tese.

Resultados desta investigação no dia 28/08/2011:

Blog 1: http://colectivofeminista.blogspot.com/

Resultado: Sua pesquisa – valerie solanas site:http://colectivofeminista.blogspot.com/ – não encontrou nenhum documento correspondente.

Blog 2: http://blogueirasfeministas.wordpress.com/

Resultado: Sua pesquisa – valerie solanas site:http://blogueirasfeministas.wordpress.com/ – não encontrou nenhum documento correspondente.

Blog 3: http://feministassemfronteiras.blogspot.com/

Resultado: Sua pesquisa – valerie solanas site:http://feministassemfronteiras.blogspot.com/ – não encontrou nenhum documento correspondente.

Blog 4: http://cynthiasemiramis.org/

Resultado: Sua pesquisa – valerie solanas site:http://cynthiasemiramis.org/ – não encontrou nenhum documento correspondente.

Blog 5: http://home.oforia.com.br/blog/2010/01/perguntas-cretinas-feministas/

Resultado: não é um blog feminista, então, para ser justo na investigação, não conta. Mas o link traz umas umas piadinhas freqüentemente reproduzidas pelas feministas nos fóruns da internet, então vale a pena conferir, dar umas risadas e depois perguntar se elas também acham engraçado quando alguém faz piadas machistas.

Blog 6: http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/tag/feminismo/

Resultado: Sua pesquisa – valerie solanas site:http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/tag/feminismo/ – não encontrou nenhum documento correspondente.

Blog 7: http://silviokoerich.forumeiros.com/t153-blog-feministas

Resultado: não é um blog feminista, então, para ser justo na investigação, não conta.

Blog 8: http://feministing.com/

Resultado: 23 ocorrências. Finalmente algo com que trabalhar. As duas primeiras ocorrências são citações de terceiros, mas a terceira ocorrência é ótima. Trata-se de uma postagem de uma garota de 18 anos que há 5 anos se considerava feminista, nunca tinha lido o SCUM Manifesto e quando o leu considerou-o aterrorizante. Uma pessoa de bom senso, aparentemente.

Pois a garota fez a postagem para perguntar às leitoras do blog a opinião delas sobre o SCUM Manifesto. E a primeira resposta é:

I was surprised by the SCUM manifesto, too. However, I was surprised that I found it to be so… good.
Solanas had her issues. She had been victimized by men in one way or another for most of her life. It also seems that she had a downward spiral into mental illness in her early 30s that may have resulted in her shooting Andy Warhol.
However, she has said that the SCUM manifesto was not to be taken literally. It was a written response to the damaging, supposedly scientific, sexist and essentialist tripe that biologists and psychologists had been writing for centuries. It was an angry, over-the-top response, and I identified with her passion, if not her reasoning and solutions.
I read it with the same eye I read Swift’s “A Modest Proposal.” It’s amazing satire.

A leitora achou o SCUM manifesto “supreendentemente bom” e justificou toda aquela misandria dizendo que “Solanas foi vitimizada por homens de um modo ou de outro durante a maior parte de sua vida”. Disse que Solanas entrou em uma espiral de doença mental que resultou na tentativa de assassinato contra Andy Warhol. Mas ressaltou que Solanas disse que o SCUM Manifesto “não era para ser tomado literalmente” e que “foi escrito em resposta aos disparates deletérios, supostamente científicos, sexistas e essencialistas que os biólogos e os psicólogos têm escrito por séculos”. E a leitora afirma que identificou-se  com sua paixão, “se não com seu raciocínio e suas soluções”.

Sim, claro… a ciência é machista e só diz disparates, afinal não corrobora os dogmas do feminismo. Quem dos leitores do Pensar Não Dói ainda não conhece a falácia do pote envenenado, né?

E percebam que ela se identifica com a “paixão” de Valerie Solanas, “se não com seu raciocínio e sus soluções”, embora amenize dizendo que considerou o SCUM Manifesto “satírico”. Sugiro aos meus leitores imaginar se ela veria “paixão”, se reconheceria a mais vaga legitimidade do “raciocínio” e das “soluções” propostas e se consideraria “satírico” um manifesto sexista contendo os absurdos do SCUM Manifesto caso tivesse sido escrito por um homem e com os papéis invertidos.

Mas o artigo contém 65 respostas, que oscilam entre defender a idéia de que o SCUM Manifesto é “satírico” (o que ele absolutamente não é, nem contem qualquer indício de que seja, pelo que considero isso uma clara tentativa de tapar o sol com a peneira), e posições mais razoáveis que reconhecem o óbvio: que Valerie Solanas era apenas uma louca homicida.

Incrível é que tenha havido tanta discussão, não acham?

Blog 9: http://blogdofavre.ig.com.br/tag/feminismo/

Resultado: uma única citação, contendo um excerto do SCUM Manifesto, em uma língua que não domino. Sem compreender adequadamente o artigo não é razoável tecer comentários, então este resultado também não conta.

Blog 10: http://tempodemulher.com.br/

Resultado: Sua pesquisa – valerie solanas site:http://tempodemulher.com.br/ – não encontrou nenhum documento correspondente.

Resultado da investigação: dos dez primeiros resultados para “blog feminista”, dois não eram blogs feministas, um eu não pude avaliar o posicionamento, um era em língua inglesa e trazia uma discussão interminável em que muitos defendiam ou minimizavam as posições de Valerie Solanas e – finalmente – os seis blogs feministas em língua portuguesa mais relevantes na busca do Google não continham uma única menção ao nome “Valerie Solanas”.

Ué, mas Valerie Solanas não é “a única feminista que eles [os machistas] já ouviram falar”? Como é que nenhum dos seis blogs feministas mais relevantes na pesquisa do Google se digna a dizer “ei, parem de citar essa doida, ela não nos representa”?

Como é que nem mesmo a Lola Aronovich se deu o trabalho de “desmascarar esse espantalho” em um artigo em seu blog, ela que de acordo com o comentário que fez em seu próprio blog afirma que “”a única feminista que eles [os machistas] já ouviram falar foi na Valerie Solanas”?

As feministas vivem dizendo que seus críticos “não conhecem o verdadeiro feminismo” e que sempre criticam o movimento inteiro com base em “atitudes isoladas que não representam o verdadeiro feminismo”. Agora que ficou claro que os seis resultados de busca mais relevantes em toda a internet para “blog feminista” nem sequer se dão o trabalho de tocar no nome da personagem mais associada ao feminismo pelos “machistas”, seja para rejeitar a associação com ela, seja para criticar seus excessos, qual é a desculpa? Que os blogs feministas mais relevantes na busca do Google não são representativos? Há um complô machista dentro da Google para eliminar os resultados “verdadeiramente feministas”?

Meus dois primeiros encontros com Valerie Solanas

Como é previsível que alguma feminista recorra à falácia de que “eu estou criticando o movimento feminista por algo que ele não disse” – quando na verdade eu estou criticando o movimento feminista em função de uma omissão significativa, o que é diferente – vou acrescentar neste já longo artigo o relato de meus dois primeiros encontros com Valerie Solanas.

Sempre fui um radical defensor dos Direitos Humanos, nos moldes exatos descritos no mais lúcido documento de todos os tempos sobre Direitos Humanos, que é a própria Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nos meus áureos tempos de ingenuidade, antes de ter chance de observar atentamente estes movimentos, eu já tive a ilusão de que os movimentos feminista, negro e gay eram aliados de minha causa.

Naquela época eu participava ativamente de todo e qualquer programa de índio (*) para o qual alguém me convidasse e que tivesse qualquer ligação possível com a defesa do Meio Ambiente e dos Direitos Humanos.

(*) Contagem regressiva para
ser chamado de racista.

Uma vez eu fui convidado por uma amiga psicóloga para participar de um “painel multidisciplinar sobre estudos de gênero” em uma universidade. Achei a idéia interessante, escolhi um assunto que eu achava importante e que eu queria ver debatido em alto nível, escrevi um trabalho e fiz minha inscrição no tal painel, que teria cinco dias de duração.

As inscrições eram feitas no primeiro dia do painel, deferidas ou indeferidas no segundo dia e a apresentação dos trabalhos seria feita no terceiro e no quarto dias no mesmo horário das palestras dos dois primeiros dias, das 20h às 22h.

Eu e minha amiga assistimos as palestras do primeiro dia e ao final ficamos conversando com um grupinho bem entusiasmado de participantes do painel. Lá pelas 22h 30min alguém sugeriu: “vamos continuar esse papo em uma pizzaria?” Todo mundo topou, organizamos rapidamente as caronas e lá fomos nós.

Ao chegar na pizzaria, calhou de eu ficar ao lado de uma colega de minha amiga. Todo mundo estava se acomodando e eu puxei a cadeira para ela se sentar. Pra quê.

A colega de minha amiga imediatamente gritou que não era aleijada, arrancou a cadeira de minhas mãos e começou a discursar sobre “a opressão histórica do patriarcado falocêntrico blá-blá-blá Whiskas Sachê” porque “esse tipo de aitude serve exclusivamente para reforçar a dominação machista contra a mulher, infantilizando-a, tornando-a submissa e vulnerável às investidas sexuais cujo único objetivo é satisfazer a libido masculina” e por aí afora.

Nunca imaginei que alguém pudesse fazer tamanho barraco por ter sido alvo de uma gentileza! E, no meio do ataque histérico (expressão escolhida propositadamente, ok?), a doida largou esta: “bem que a Valerie Solanas tinha razão!

Devidamente estragado o clima, metade do pessoal foi embora, inclusive a maluca, e quem ficou acabou discutindo a atitude dela o resto da noite, a maioria “não tirando completamente a razão dela”. Essa atitude me deixou não somente estupefato como principalmente indignado, acabei entrando na discussão e assim foi jogada uma pá de cal sobre o que deveria ter sido uma alegre confraternização.

No dia seguinte, tão logo abriu a secretaria do painel, às 19h, lá estava eu para saber se meu trabalho tinha sido aceito para apresentação. Não tinha. Mas o que me surpreendeu foi que eu recebi de volta o envelope lacrado tal como eu o havia entregado. Significava que tinham rejeitado meu trabalho apenas pelo título!

E qual era o título?

A influência da biologia evolutiva na definição dos papéis de gênero.

A justificativa da rejeição, rabiscada no envelope:

É INACEITÁVEL tentar apresentar um trabalho nitidamente MACHISTA em um painel SÉRIO sobre estudos de gênero.

Assim mesmo, com as maiúsculas como escrevi.

A historiadora, a antropóloga e a psicóloga que integravam a banca foram unânimes em rejeitar a inscrição do trabalho pelo título, sem avaliar uma vírgula do resumo sequer. E decidiram que a simples consideração da biologia evolutiva na definição de papéis de gênero é “machista”!

Obviamente eu questionei o fato de elas terem tomado a decisão sem sequer abrir o envelope. Obviamente eu não acitei a explicação estúpida e desrespeitosa de que levar a biologia evolutiva em consideração em estudos sociais é “machismo”. E lá veio a psicóloga completamente descontrolada me mandar sair dali aos gritos, ameaçar chamar a segurança e dizer aos berros que “bem que a Valerie Solanas tinha razão!

Exatamente a mesma frase da maluca do dia anterior, uma coincidência fantástica que me chamou a atenção e que depois me fez pesquisar quem era essa tal Valerie Solanas.

Mas o que me surpreendeu mesmo naquela época não foi descobrir quem foi Valerie Solanas e que ela havia escrito um manifesto extremamente misândrico. Eu nem cheguei a ler o SCUM Manifesto na época.

O que me surpreendeu e me estarreceu foi o fato de minha amiga vir me pedir para eu não ir encontrá-la mais no bar onde o pessoal do curso de psicologia se reunia “para não queimar o filme dela com a orientadora”, que casualmente era a psicóloga que fazia parte da banca que avaliava as inscrições de trabalhos para o painel e que por muito pouco não se desligou da orientação de minha amiga por causa do incidente comigo.

Sectarismo intolerante? Nããããããão, só impressão minha.

Conclusão

Valerie Solanas era uma louca misândrica e homicida. Ela é freqüentemente citada como feminista e associada ao movimento feminista, mas nos mais relevantes resultados de busca por blogs feministas em língua portuguesa não se encontram desmentidos de que ela seja uma grande referência para o movimento feminista.

Pelo menos duas vezes fui alvo de injúrias por parte de feministas que citaram Valerie Solanas dando-lhe razão – uma vez porque eu “cometi” uma gentileza e outra vez porque eu “cometi” um trabalho que elas nem leram.

Perdi uma amiga porque o medo dela de ter problemas com uma orientadora feminista fã incondicional de Valerie Solanas pelo simples fato de ser minha amiga foi maior que o peso de anos de amizade.

Valerie Solanas não é uma referência ideológica com imensa influência no movimento feminista?

Imaginem se fosse…

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – xx/08/2011

92 thoughts on “O legado de Valerie Solanas

  1. E há uma estatística MANIPULADA que é divulgada em tudo que é site feminista, que diz que, quando perguntado
    a vários homens se eles estuprariam mulheres se soubessem que não seriam punidos, mais da metade respondeu
    que sim (sexo a força), como a sexualidade da mulher é diferente, não me surpreende que vendo essa estatística,
    passe a acreditar que todos homens são naturalmente estupradores, ou estupradores retraídos.

    Isso foi tirado de uma comunidade sobre feminismo, e é uma síntese do que acontece, aparentemente se você disser
    a sua filha ou a qualquer outra mulher tomar precauções, significa que você é um…

    http://sphotos-g.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/301483_477151535651878_540379993_n.jpg

    1. Se 1% do que eu já li em comunidades feministas fosse verdadeiro, as mulheres teriam que sair às ruas de armadura, metralhadora em punho e carro blindado. É muita bobagem.

  2. Algumas assumem suas intenções:
    http://1001loonge.tumblr.com/

    1. O problema nem é a existência desse tipo de gente pervertida, Gerson. Seja por tendências criminosas, por doença mental ou por trollagem, isso sempre vai existir.

      O problema é o silêncio ensurdecedor dos supostos moderados, que vêem esse tipo de coisa e não criticam – o que mostra que eles não pensam diferente, só são covardes demais para assumir.

  3. Valerie Solanas me representa!

    1. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

  4. Bella Virino

    08/06/2016 — 01:53

    O machismo do seu texto consiste exatamente em supor que escritoras feministas deviam dedicar seu tempo em função de explicar para homens machistas o que é ou não é feminismo. Um artigo direcionado a esse publico com o propósito de transformar machistas em pro – feministas seria uma perda de tempo sem tamanho, sem dizer a perda de foco. Foco feminista: mulheres, assuntos relevantes para mulheres, discussão de gênero direcionada ao empoderamento feminino, questões de saúde publica, violência e política que dizem respeito à mulheres. Não é foco feminista: Lutar contra alistamento obrigatório masculino (façam isso vcs), campanha contra câncer de próstata, discutir feminismo com homem… entre outras questões estritamente masculinas. Por que homem tem tanta dificuldade em respeitar núcleos, discussões, estudos, políticas, grupos que não giram em torno de vcs?

    1. O que não respeitamos são as mentiras descaradas e as perversões abjetas que vocês feministas utilizam para enganar as pessoas e promover uma agenda de ódio, ressentimento e cizânia para se apresentarem como solução autoritária travestida de libertária.

      Vocês falam em igualdade, mas moderadoras de fóruns feministas cassam a palavra dos homens feministas nos fóruns e somente meia dúzia de “moderadas” critica esse autoritarismo ferrenho cujo objetivo é reduzir os homens a cidadãos de segunda classe.

      Vocês dizem que o feminismo é uma necessidade para toda a sociedade e cospem no prato ao escancarar seu descaso para com metade da humanidade ao dizer “façam isso vcs” para uma demanda que atinge a vida e a segurança dos próprios filhos de vocês. (Claro, vocês lutam pelo direito de assassinar os próprios filhos, é bem coerente.)

      Vocês afirmam que não são misândricas e no entanto conspiram abertamente contra a segurança jurídica e o bem estar dos homens e dos meninos, como no caso da promulgação da Lei Maria da Penha, que protege somente as mulheres. E vocês bradaram contra o judiciário quando alguns juízes começaram a aplicar por analogia a LMP para proteger homens, porque o objetivo de vocês não é proteger as mulheres, é ferrar os homens.

      Pouco me importa o que vocês dizem, porque 99% é mentira. Eu sei o que vocês fazem e vou dar toda contribuição que puder para aniquilar com vocês, os gayzistas, os negristas, os coitadistas, os politicamente corretos, os marxistas, os stalinistas, os trotskystas, os gramscistas, os esquerdistas em geral. Vocês são todos pessoas más. Vocês são desprezíveis. Vocês estragam o mundo.

  5. Você é muito lixoso, hahahahaaha.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *